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Mídia vai ao fundo do poço e sofre a 4ª derrota

Por Ricardo Kotscho | Via Balaio do Kotscho

2002, 2006, 2010, 2014.

Nas últimas quatro eleições presidenciais, a velha mídia familiar brasileira fez o diabo, vendeu a alma e foi ao fundo do poço para derrotar o PT de Lula e Dilma.

Perdeu todas.

Desta vez, perdeu também a compostura, a vergonha na cara e até o senso do ridículo.

Teve até herdeiro de jornalão paulista que deu uma de black bloc e foi sem máscara à passeata pró-Aécio em São Paulo, chamada de “Revolução da Cashmere” pela revista britânica “The Economist”, carregando um cartaz com ofensas à Venezuela.

Antigamente, eles eram mais discretos, mas agora perderam a modéstia, assumiram o protagonismo.

Agora, não adianta rasgar as pregas das calças nem sapatear na avenida Faria Lima. “The game is over”, como eles gostam de dizer em bom inglês.

Se bem que alguns já pregam o terceiro turno e pedem abertamente o impeachment da presidente reeleita Dilma Rousseff, que derrotou o candidato deles, o tucano Aécio Neves, por 51,6% a 48,4%. Endoidaram de vez. E não é para menos: ao final do segundo mandato de Dilma, o PT terá completado 16 anos no poder central, um recorde na nossa história republicana.

Só teremos nova eleição presidencial daqui a quatro anos. Até lá, os herdeiros dos barões de imprensa terão que esperar, se é que vão sobreviver aos novos tempos da mídia democratizada. Cegados pela intolerância, ainda não se deram conta de que não elegem nem derrubam mais presidentes. O país mudou, não é mais o mesmo dos currais midiáticos de meia dúzia de famílias, hoje abrigadas no Instituto Millenium.

Diante da gravidade dos acontecimentos nas últimas 48 horas que antecederam a votação, a partir da publicação da capa-panfleto da revista “Veja”, a última “bala de prata” do arsenal de infâmias midiáticas para mudar o rumo das eleições, não dá agora para simplesmente fingir que nada houve, virar a página e tocar a bola pra frente, como se isso fosse algo natural na disputa política. Não é.

Caso convoque uma rede nacional de rádio e televisão para anunciar os rumos, as mudanças e as primeiras medidas do seu novo governo – o que se tornou um imperativo, e deve ocorrer o mais rápido possível, para restaurar a normalidade democrática no país ameaçada pelos pittbulls da imprensa – a presidente Dilma terá que tocar neste assunto, que ficou de fora do seu pronunciamento após a vitória de domingo: a criação de um marco regulatório das comunicações.

No seu brilhante artigo “Dilma 7 X 1 Mentira”, publicado pela Folha nesta segunda-feira, o xará Ricardo Melo foi ao ponto:

“Além do combate implacável à corrupção e de uma reforma política, a tarefa de democratizar os meios de informação, sem dúvida, está na ordem do dia. Sem intenção de censurar ou calar a liberdade de opinião de quem quer que seja. Mas para dar a todos oportunidades iguais de falar o que se pensa. Resta saber qual caminho Dilma Rousseff vai trilhar”.

A presidente reeleita, com a força do voto, não precisa esperar a nova posse no dia 1º de janeiro de 2015. Pode, desde já, demitir e nomear quem ela quiser, propor as reformas que o país reclama, desarmando os profetas do caos e acabando com este clima pesado que se abateu sobre o país nas últimas semanas de campanha.

Pode também, por exemplo, anunciar logo quem será seu novo ministro da Fazenda e, imediatamente, reabrir o diálogo com os empresários e investidores nacionais e estrangeiros, que jogaram tudo na vitória do candidato de oposição, especulando na Bolsa e no dólar, e precisam agora voltar à vida real, já que eles não têm o hábito de rasgar dinheiro. Queiram ou não, o Brasil continua sendo um imenso mercado potencial para quem bota fé no seu taco e acredita na vitória do trabalho contra a usura.

O povo, mais uma vez, provou que não é bobo.

Valeu a luta, Dilma. Valeu a força, Lula.

Vida que segue.

Eleições mostram que elite brasileira é escravocrata

Por Dennis de Oliveira | Via Quilombo

O que aconteceu nos últimos dias da campanha eleitoral presidencial foi a reedição de uma tentativa de golpe eleitoral 25 anos depois. Em 1989, diante da possibilidade de vitória de Lula à presidência da República, a Globo e o Jornal Nacional editaram a cobertura do último debate eleitoral, de forma a favorecer o candidato Fernando Collor, em uma disputa que estava apertada.

Naquele momento, o Brasil vivia em uma “encruzilhada histórica” como dizia o saudoso presidente do Partido Comunista do Brasil, João Amazonas: ou se definia por um caminho progressista ou se enveredava pelo modelo neoliberal. Os partidos de esquerda que apoiavam Lula naquele momento, PT a frente, não perceberam isto. A derrota teve consequências gravíssimas para a população brasileira que só não foram piores devido ao impeachment de Collor e a inabilidade do então presidente. Mas, de qualquer forma, abriu caminho para que o projeto neoliberal fosse tocado pelo PSDB com Fernando Henrique, cinco anos depois. Estatais privatizadas, desemprego alto, crescimento baixo, repressão aos movimentos sociais, tudo isto foi a tônica dos oito anos de governo do PSDB.

Em 2014, com a perspectiva de levar novamente ao poder as forças neoliberais, o aparato midiático, simbolizado pelo tripé Veja-Globo-Folha tentou novamente dar um “golpe midiático”. Só que desta vez, o PT e as forças de esquerda estavam mais atentas. A militância foi para as ruas, a blogosfera progressista funcionou como anteparo ao monopólio midiático e a própria população brasileira está mais amadurecida. Mesmo assim, vimos agora, 25 anos depois do vergonhoso episódio da edição do debate da Globo, a revista Veja antecipar sua edição semanal e transformar em notícia de capa um boato (produto de declaração de uma fonte pouco confiável, pois é um criminoso em delação premiada). Na sequência, Jornal Nacional e Folha de S. Paulo repercutem.

Campanhas de ódio e de preconceito são disseminadas amplamente nas redes sociais, inclusive com mentiras como a notícia do “assassinato por petistas do doleiro Youssef”. Enquanto isto, o problema da falta de água em São Paulo, produto da irresponsabilidade administrativa do governo estadual de SP pouco é tratada. Passeatas tucanas em São Paulo que reuniram alguns milhares de pessoas, são ditas que tinham 10 mil pessoas.

A força de Dilma Roussef no nordeste brasileiro insuflou ainda mais o preconceito contra o povo nordestino, cuja maioria é negra. Discursos golpistas como o de que a presidenta não poderia governar caso fosse eleita porque quem vota nela é dependente de benefício social são disseminados. Junto com eles, propostas de redução da maioridade penal, propostas fundamentalistas preconceituosas contra os homossexuais ganham as páginas.

Enfim, é uma demonstração nítida de quem é a direita brasileira: racistas, preconceituosos, golpistas, antidemocráticos e que odeiam a turma de baixo. Falsos moralistas, pois ao mesmo tempo que apontam o dedo para as denúncias de corrupção nos governos petistas, escondem as suas (como o trensalão tucano, mensalão mineiro, caso da falta d’água em São Paulo).

São filhos dos senhores de escravos, são aqueles que se incomodam em ter que dividir o espaço do aeroporto com trabalhadores, as universidades com negros e negras, pagar direitos trabalhistas para as domésticas, serem proibidos de discriminar homossexuais. São os “criadores de mídia” que se irritam com o movimento negro denunciando o racismo e o machismo dos programas de televisão. São aqueles que defendem a democracia desde que estejam no comando. São aqueles que defendem que o povo pobre deve mais é morrer porque médico só deve trabalhar em condições que julgam ideais.

O que fica de lição nestas eleições: que não dá para confiar nesta gente. Que a solução é de fato ir para a esquerda. Pois enquanto os homens investem nos seus podres poderes, negros, índios, bichas e mulheres devem fazer o carnaval.

O recado das ruas, urnas e redes

Por Rennan Martins | Brasília, 27/10/2014

A eleição mais acirrada desde a redemocratização deixou-nos uma série de sinais e desafios. A voz das ruas, redes e urnas posicionou-se, e é de fundamental importância dar ouvidos a ela. A participação social ampla é um dos pontos-chave se pretendemos construir um país solidário, justo e plural.

A primeira coisa mais notável dessa eleição é o fato dos cidadãos não mais confiarem na grande mídia. A reeleição de Dilma deixou claro que os brasileiros já notaram que nossa imprensa age partidariamente, que tenta influir de forma suja no desenrolar de nossa democracia. A resposta que deram a este latifúndio da voz foi uma clara rejeição.

O elitismo e o preconceito de classe também foram derrotados. Uma parte do eleitorado tucano influiu de forma decisiva na derrota do próprio candidato. Com suas intervenções de ódio contra nordestinos, gays e outras minorias promoveram uma ampla contrapropaganda. Sem dúvida muitos viram o teor destes comentários e preferiram manter-se ao lado do atual governo.

Outro sinal importante dado pelos eleitores é de que desprezam o falso moralismo. O resultado das urnas deixou claro que a população não se deixa mais levar por moralismo de ocasião, por surtos éticos puramente eleitoreiros. Qualquer candidato que queira disputar o Palácio do Planalto precisa entender que não serão discursos rasos de “limpeza” que os catapultará. O brasileiro entendeu que o combate a corrupção se dá com atitudes, não com retórica.

A vitória de Dilma indica que o povo é consciente de que o país avançou, que o nível de vida das pessoas melhorou. Isso não significa, porém, que há conformismo. O que se pretende é a continuidade da inclusão social, do crescimento econômico que não deixa de lado as pessoas.

A derrota de Aécio é também um claro não ao projeto que quer sujeitar o povo aos “fundamentos macroeconômicos”. O brasileiro entendeu que há divergências entre o mercado e os interesses populares, e assim declarou que não mais deseja o país submetido a ajustes ditados por tecnocratas de instituições internacionais especializadas no arrocho.

A reeleição também sinaliza que o país vê com bons olhos a postura pró-ativa e independente do Brasil no cenário internacional. A cooperação Sul-Sul, a integração latino-americana o BRICS foram aprovados. A construção de uma ordem internacional multipolar foi compreendida e recebeu seu voto de confiança.

Dilma irá para seu segundo mandato com enormes desafios. A economia precisa de novas bases que criem condições para mais um ciclo de crescimento e desenvolvimento. O país necessita com urgência de reformas que tornem nossa democracia mais próxima dos anseios dos cidadãos.

Em termos econômicos, o desafio é romper em definitivo com o neoliberalismo, assumir de vez que perseguimos outro modelo, de prioridades diversas. É preciso deixar claro que essa proposta prevê o lugar do Estado na economia, que não se quer relegar tudo ao mercado, que a esfera pública não será mínima.

Quanto as reformas, Dilma deu ênfase de que pretende deflagrar a reforma política, a mais estratégica delas. O fim do financiamento de campanhas por pessoas jurídicas é um dos mais importantes pontos que devem ser perseguidos.

A imprensa brasileira também precisa ser revista. As verbas publicitárias estatais devem ser distribuídas seguindo princípios inclusivos, democráticos e plurais. A grande mídia não mais dialoga com a realidade, atua a margem dela, com objetivos próprios. Incentivar outras visões e desconcentrar os anúncios estatais é fundamental para nossa democracia.

Como já dito acima, os desafios continuam enormes. Os brasileiros que desejam o bem comum certamente permanecerão debatendo, se engajando, fazendo política a todo o tempo.

Por que a Minas de Aécio deu a vitória a Dilma

Por Kiko Nogueira | Via DCM

Obrigado por nada, Minas

Uma das certezas desse fim de eleição é que os ignorantes de sempre culparão os nordestinos ignorantes pela derrota de Aécio Neves e proporão um racha.

Estarão errados, mais uma vez, não apenas pelo julgamento odioso. O Nordeste escolheu Dilma maciçamente — inclusive Pernambuco, onde a viúva de Eduardo Campos declarou apoio a Aécio Neves –, mas decidiu o pleito com a ajuda inestimável dos mineiros.

Em Minas, o ex-governador perdeu por 52,4% a 47,6%. São cerca de 500 mil votos.

Para quem se jactava de ter deixado o cargo com 92% de aprovação, número nunca comprovado, e falava de seu estado com um tom de apropriação, foi uma paulada.

Aécio não apenas não elegeu o candidato de seu partido em MG como apanhou de uma conterrânea que, como ele, passou muito pouco tempo por lá.

A nacionalização de Aécio, trazida pela campanha, mostrou aos habitantes de Minas um homem que eles talvez desconfiassem que não fosse grande coisa. Mas como saber ao certo com uma imprensa totalmente vendida e uma propaganda oficial diuturna?

Durante sua gestão e a de Anastasia, não foram publicadas notícias sobre o aeroporto construído em terras do tio, sobre o nepotismo, sobre as verbas publicitárias para veículos de comunicação da família etc. Isso só veio à tona nos últimos anos — e mesmo assim com uma imprensa de Rio e SP jogando a favor.

Aécio termina 2014 como um nome nacional, com um capital eleitoral forte num país dividido, recordista de votos no PSDB, mas derrotado. Terá pela frente dois concorrentes com sangue nos olhos: José Serra e Geraldo Alckmin, ambos de São Paulo.

Os dois estavam com Aécio em seu discurso pós derrota. Claramente ressentido, Aécio não dirigiu palavra à mineirada.

“Eu deixo essa campanha ao final com o sentimento de que cumprimos o nosso papel. São Paulo retrata de forma mais clara o sentimento que tenho no meu coração pelo cumprimento da minha missão: combati o bom combate, cumpri minha missão e guardei a fé”, disse, citando São Paulo numa das cartas a Timóteo.

Minas livrou o Brasil de seu filho.

Anatomia de um debate

Por Pablo Villaça | Via Facebook

É preciso aplaudir a consistência de Aécio Neves: se mentiu descaradamente no primeiro debate deste segundo turno, mentiu descaradamente também no último. Aliás, foi além: chegou ao cúmulo de acusar o governo federal pela falta d’água em São Paulo, quando até a ONU fez relatório atribuindo a responsabilidade ao governo tucano do estado.(1)

Aliás, como disse Cynara Menezes: a sorte de Dilma nos debates é que o armário de Aëcio e dos tucanos é repleto de esqueletos; já a sorte de Aécio é que Dilma não tem uma boa oratória: apresenta os dados e os argumentos, sim, mas gagueja e às vezes se perde na construção das frases – uma característica de quem não é político profissional e, portanto, não criou o hábito de participar deste tipo de evento.

Por outro lado, Aécio mais uma vez repetiu inúmeras vezes que Dilma não deveria citar os governos passados de FHC e dele, Aécio, pois é melhor “olhar pra frente”. Aliás, ele chegou a dizer que – pasmem – “quem olha para o passado é porque não quer olhar pro presente e quer fugir do futuro”. A máxima inventada por Aécio vai no oposto do que qualquer historiador diria: que olhar para o passado é FUNDAMENTAL para avaliarmos o presente e evitarmos repetir erros antigos. Além disso, Aécio não quer olhar pra trás porque sabe que, se olharmos, ele se lasca.(2) Curioso, também, é que Aécio é o primeiro a olhar pra trás quando acha que isso lhe convém pra atacar a adversária.

Já no início do debate, Aécio citou a “denúncia” de Veja (que não contém uma linha de prova pra justificar as graves acusações da capa) e disse que o PT queria censurar a revista ao dizer que vai processá-la. Em primeiro lugar, “censurar” seria exigir a retirada da revista das bancas e impedi-la de continuar funcionando; o que Dilma afirmou é que vai PROCESSAR a revista (3) – como é seu DIREITO fazer por ter sido acusada sem provas.

Para piorar, Aécio falar de censura é como a Magali falar de melancia, já que seu governo em MG é NOTÓRIO por calar jornalistas – e eu mesmo já fui vítima de seu espírito censor.(4)(5)(6)(7)

A partir daí, Aécio disparou nas mentiras, oscilando entre a estratégia de reforçar velhos mitos propagados pelo PSDB (como aquele que diz que FHC controlou inflação que era de 900%)(8) e divulgar novos, como ao afirmar que os investidores estrangeiros perderam a confiança no Brasil – sendo que justamente o economista Luiz Carlos Mendonça, ex-ministro de FHC, desmentiu esta falácia ao escrever recentemente que “o Brasil teve uma demanda de US$ 4,8 bilhões para a emissão de US$ 500 milhões de títulos de dez anos de prazo anunciada há poucos dias. Aproveitando-se da situação em que as ofertas de compra representaram mais de nove vezes o valor da emissão, o Tesouro vendeu um total de US$ 1 bilhão, pagando juros anuais de 3,88%, ou seja, 1,4 ponto percentual mais do que o título equivalente do Tesouro americano.”

A seguir, Aécio veio com o papo do “aparelhamento” do Estado pelo PT – outro mito que os tucanos gostam de repetir tanto que até mesmo petistas acabaram comprando como sendo verdade. Porém, não é bem assim, já que os dados apontam, inclusive, uma melhor neste sentido em relação aos governos anteriores.(10)(11) Por outro lado, Aécio chegou até mesmo a empregar lei delegada para empregar PARENTES seus no governo de MG.(12)

Ao entrarmos no ponto seguinte do debate, Educação, já pude ouvir os gritos indignados dos professores mineiros diante dos absurdos ditos por Aécio. E não é para menos: para começo de conversa, Aécio processou a SINDUTE, que representa os professores estaduais, nada menos do que 23 VEZES para impedi-los de denunciar na TV os abusos aos quais eram submetidos pelo governo.(13) Aliás, até o El País fez uma matéria expondo o caos da Educação em MG.(14) Não que os próprios professores mineiros já não tenham alertado o país várias vezes para a destruição causada por Aécio na Educação de MG.(15)(16)(17) Pois o fato é que Aécio não pagou nem o PISO SALARIAL aos professores – como comprova a cópia do contracheque reproduzida na Internet.(18) Isto, claro, para não esquecermos que até MOTEL está sendo usado como sala de aula pelos alunos.(19)

O tema seguinte foi corrupção – e Aécio tenta posar de honesto. A questão é que – denúncias insanas de Veja à parte (que já foram até desmentidas pelo advogado do tal doleiro)(20) – não há denúncia envolvendo Dilma PESSOALMENTE, mas há várias envolvendo Aécio, desde o aeroporto construído no terreno de sua família (e, ao contrário do que ele afirma, o PGR só arquivou denúncia sobre ilícito em esfera FEDERAL, mas encaminhou a denúncia para o PGE pra apurar IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA por parte de sua gestão)(21), até a recém-revelada carteira policial que Aécio usava na juventude mesmo sem jamais ter sido agente.(22) E acho fundamental que se apure o que há por trás do boletim de ocorrência que registrou descoberta de OSSADA HUMANA em fazenda de Cláudio/MG.(23)

Como se não bastasse, é fundamental lembrar que, ao contrário do que ocorreu no governo Dilma, que viu membros de seu partido serem julgados e condenados, o PSDB sempre se esforçou pra livrar os seus de julgamentos – e mesmo considerando todos os escândalos BILIONÁRIOS envolvendo tucanos, TODOS estão soltos.(25) Aliás, aproveito para repetir o link para o post que fiz e no qual listo todas as medidas tomadas pelos governos Lula e Dilma para investigar, denunciar e julgar atos de corrupção.(26)

Em seguida, Aécio acusou o governo federal pela falta d’água em SP – algo que a ONU refutou, como já linkei lá em cima. O pior é que diretores da SABESP revelaram que receberam diretrizes do GOVERNO DE SP para – atenção – ESCONDER A SITUAÇÃO da população, o que configura estelionato eleitoral.(27) Agora imaginem se isto tivesse envolvido Dilma?

No bloco seguinte, Aécio fala em reforma política e resume o problema a acabar com a reeleição – reeleição que seu partido aprovou ao COMPRAR VOTOS(28). (E é bom lembrar que ele quer o fim da reeleição só em 2022, quando, se eleito, ele poderia ter concorrido mais uma vez, o que é muito conveniente.)(29)

Por outro lado, Dilma defende o fim do financiamento empresarial, o que coibiria a corrupção. (Vale dizer que, durante o debate, Aécio tentou confundir os eleitores ao trocar “financiamento empresarial” por “financiamento privado”, que são coisas completamente diferentes.) Lembrando também que Dilma enviou este projeto para o congresso no ano passado, mas ele foi rejeitado – daí seu esforço para fazer um plebiscito.(30) O mais grave: Aécio tentou culpar DILMA pelo fato de nenhum tucano ter sido condenado, dizendo que ela estava no governo e poderia ter mandado investigar – ou seja: num ato falho, Aécio revelou não ver problema no USO POLÍTICO DA POLÍCIA FEDERAL, algo que Dilma não fez.

A partir daí, o nível de cinismo de Aécio começou a escalar. Primeiro, ao dizer que defendia dignidade aos trabalhadores do campo, sendo que ele foi o único dos principais candidatos a não assinar a carta-compromisso contra o trabalho escravo.(31)(32)

Minutos depois, Aécio posou de bom administrador e falou de seu famoso “choque de gestão”. Esqueceu só de mencionar que este “choque” QUEBROU Minas Gerais, que hoje tem uma das maiores dívidas públicas do país, tendo sido até alvo de matérias no exterior sobre o caos provocado no estado.(33)(34) E o mais hilário: na mesma resposta, afirmou que o Plano Real foi o “maior programa de redistribuição de renda do país”. Errado.(35)

(Aliás, logo depois de Aécio dizer que o país estava quebrado, houve um intervalo no debate e o Jornal da Globo anunciou matéria sobre “recorde de compras dos brasileiros no exterior”. Claro que alguns quiseram dizer que isso era por ser mais barato comprar lá fora, ignorando que, sem dinheiro, não há como o turista pagar passagens e compras no exterior – especialmente com o dólar elevado em função da especulação eleitoreira feita pelo mercado.)

Logo em seguida, Aécio cometeu sua maior falha no debate: prometeu a um eleitor indeciso que faria obras de infra-estrutura nas cidades – e passou vergonha quando Dilma disse apenas: “Ele não pode fazer isso, porque a Constituição determina que isto é atribuição do município e do estado, não da União. Se ele fizesse, responderia a crime de Responsabilidade Fiscal”. Ou seja: Aécio parece não conhecer nem mesmo a CONSTITUIÇÃO. A propósito: Aécio também disse que vai reduzir a maioridade penal, o que juristas consideram como cláusula pétrea da Constituição. No entanto, se considerarmos que Aécio também defende a privatização dos presídios, surge a possibilidade assustadora de ver um candidato praticamente tratando menores como mercadoria. Como se não bastasse, há vários estudos indicando que a diminuição da maioridade penal NÃO reduz criminalidade.(36)(37)(38)(39)(40)

Para completar, Aécio citou um tal de Ministério do Desenvolvimento Econômico – que não existe – e afirmou que há mais de 7 milhões de domicílio sem banheiro no Brasil. Nope. Este número é de 2000. Hoje, são 3,8 milhões.(41)

Claro que para quem mora em MG, como eu, ver Aécio conseguir mentir tanto no espaço de menos de duas horas não é novidade. Mas é sempre bom alertar aqueles que não estão habituados com a figura.

Porque, como dizem por aqui, quem viveu sob o governo de Aécio não aperta 45 nem no microondas.

Uma boa eleição para todos! E, claro, a partir de agora tendo a diminuir meus posts políticos e devo me concentrar mais no Cinema (embora não abandone a política, claro). Espero poder continuar a contar com o prestígio de vocês não só por aqui, mas também lá no Twitter (http://www.twitter.com/pablovillaca)

Abraço grande!

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FONTES:

1.http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2014/08/1508504-falta-de-agua-e-culpa-do-governo-de-sp-afirma-relatora-da-onu.shtml

2.http://plantaobrasil.com.br/news.asp?nID=82131

3.https://www.youtube.com/watch?v=th857UxUe8Y

4.https://www.facebook.com/pablovillaca01/posts/574509329320964

5. http://www.diariodocentrodomundo.com.br/como-funciona-o-trafico-de-noticias-da-imprensa-mineira-censurada/

6.https://www.youtube.com/watch?v=3rfPwnJ9iE4

7.https://www.youtube.com/watch?v=BixdPe_Jqxw

8.http://www.revistaforum.com.br/blogdaeconomiapolitica/2014/10/12/mentira-psdb-sobre-inflacao-periodo-de-fhc/

9.http://www1.folha.uol.com.br/colunas/luizcarlosmendonca/2014/09/1511233-o-brasil-nao-e-a-venezuela.shtml

10.http://brasildebate.com.br/aparelhamento-do-estado-mito-ou-verdade/

11.http://brasildebate.com.br/aparelhamento-do-estado-mito-ou-verdade-parte-2/

12.http://t.co/rpTGT3TRnn

13.http://t.co/hNGUdZxAuw

14.http://t.co/WaWrjBfYz2

15.http://goo.gl/PnKRL8

16.http://t.co/5HIYxluDrI

17.http://t.co/G8JN5mlFyW

18.http://t.co/Vr3fVnns8L

19.http://t.co/DQWhFNzyYw

20.http://oglobo.globo.com/brasil/veja-doleiro-diz-que-dilma-lula-sabiam-de-tudo-14341970#ixzz3H1iuZFQv

21.http://g1.globo.com/politica/noticia/2014/10/pgr-arquiva-representacao-contra-aecio-por-construcao-de-aeroporto.html

22.http://www.redebrasilatual.com.br/blogs/blog-na-rede/2014/10/aecio-neves-fez-carteira-policial-sem-nunca-ter-sido-agente-1807.html

23.http://goo.gl/Z9tDsl

24.http://www.informacoesemfoco.com/2014/07/os-10-maiores-escandalos-de-corrupcao.html#.VEsP-vnF8fE

25.http://t.co/sGrPoCPLNz

26.http://t.co/aMKZDSktyG

27.http://goo.gl/U9r3NE

28.http://t.co/xHoM6h2maI

29.http://www1.folha.uol.com.br/poder/2014/10/1529056-programa-de-aecio-defende-fim-da-reeleicao-so-em-2022.shtml

30.http://goo.gl/nA1SQE

31.http://t.co/pAh9hXsdPM

32.http://t.co/UYCFXlyQBF

33.http://t.co/ioByArKd9N

34.http://brasil.elpais.com/brasil/2014/10/20/politica/1413825305_366624.html

35.http://goo.gl/ljt4JV

36.http://www.portugues.rfi.fr/geral/20141024-reducao-da-maioridade-penal

37.http://18razoes.wordpress.com/quem-somos/

38.http://www1.folha.uol.com.br/folha/dimenstein/asneiras/gd190702.htm

39.http://www.ambito-juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=14107

40.http://www.revistaforum.com.br/blog/2014/04/paises-que-reduziram-maioridade-penal-nao-diminuiram-violencia/

41.http://www.ibge.gov.br/english/estatistica/populacao/censo2010/caracteristicas_da_populacao/resultados_do_universo.pdf

Em vez de explicar, Aécio só nega gastos ‘estranhos’ com saúde em MG

Por Helena Sthephanowitz | Via RBA

Para candidato tucano, limpeza de hotel, construção de praças, febre aftosa e exposições agropecuárias foram gastos em saúde, em nome do chamado choque de gestão.

Em questões de saúde, Aécio parece ter feito pouca distinção entre cidadãos e gado quando foi governador de MG

O candidato Aécio Neves (PSDB) reclama das críticas de desvios de verbas da saúde para outras finalidades, durante seu governo em Minas Gerais. Chega a dizer que são “mentiras” contra ele. Mas é fato mais do que documentado. Suas contas tiveram diversas ressalvas e o governo de Minas teve de assinar um termo de ajuste de gestão se comprometendo a aplicar em saúde o mínimo exigido pela Constituição. Ações do Ministério Público também foram abertas.

Nos debates, Aécio tenta desqualificar as críticas, mas é difícil. Dilma citou como exemplo um relatório do Tribunal de Contas de Minas Gerais que dizia “é duro engolir que vacina para cavalo seja contabilizada como gasto em saúde”.

A campanha tucana alegou que essa decisão foi revertida e aceita como despesa em saúde, porque neste caso os cavalos eram usados para produção de insumos para medicamentos usados por humanos a partir do sangue dos cavalos.

Apesar de o Tribunal de Contas de Minas Gerais não facilitar o acesso à informação com clareza, desde 2006 há diversas reportagens sobre o assunto, como fez a Folha de S. Paulo, com o título: “Aécio maquiou gastos da saúde em Minas”.

A reportagem analisou as contas públicas daquele estado de 2004. Aécio havia lançado os programas “déficit zero” e “choque de gestão” para cortar gastos públicos. Porém, continuava obrigado a cumprir a Constituição e aplicar em saúde 12% das receitas vinculadas. Em vez de cortar em outras áreas mais supérfluas, como propaganda, cortou na saúde. Para fechar a conta dos 12% e não ter as contas reprovadas, incluiu despesas que nada tinham a ver com saúde.

Nas contas de 2004, foi lançada no orçamento da secretaria de saúde, erradicação da febre aftosa, que só atinge rebanhos bovinos e é assunto da agricultura. Também entraram na conta da saúde extravagâncias como serviços de limpeza para o hotel de Araxá, construção de praças, precatórios, exposições agropecuárias, serviços tarifados de saneamento que, por cobrarem tarifas, não podem ser misturados com despesas orçamentárias da saúde.

O elenco de despesas irregulares tratadas como se fossem de saúde é grande e coloca em xeque a proposta que o tucano diz ter assumido de dotar 10% do orçamento da União para a pasta. Dependendo do truque de contabilizar outras coisas alheias ao setor, a promessa poderia ser até duplicada para 20% e o cidadão, ainda assim, ter menos médicos, menos exames, menos tratamentos e menos cirurgias, semelhante ao que ocorreu em Minas durante o chamado choque de gestão.

Voto impresso e democracia

Por Beto Almeida | Via Pátria Latina

Desde a célebre e corajosa denúncia de Leonel Brizola, desmontando um sistema de fraudes chamado Proconsult, as urnas eletrônicas brasileiras são objeto de debates inquietantes. Brizola conseguiu vencer as eleições em 82, mas o TSE permanece insensível à crítica de especialistas que recomendam o voto impresso como único mecanismo capaz de dar ao eleitor a certeza de que seu voto teve, de fato, o destino que ele quis dar ao votar.

Em 2000, o Congresso Nacional aprovou projeto de lei do senador Roberto Requião instituindo o voto impresso. Nas eleições de 2002, mediante acordo entre o TSE e o Congresso, a impressão de voto sõ foi aplicada em escala nacional em 3 por cento das urnas, e, em sua totalidade, no DF. No entanto, logo após as eleições, tiveram início gestões para derrubar a impressão do voto, que deveria ser, gradativamente, instalado em todo o território nacional. Dois parlamentares se destacaram neste esforço, o goiano Demóstenes Torres (DEM) e o mineiro Renato Azeredo(PSDB), e a lei foi revogada. Mas, por iniciativa dos então deputados Brizola Neto e Flávio Dino, hoje governador do Maranhão, a impressão de voto foi novamente aprovada em lei, imediatamente sancionada pelo Presidente Lula, em 2010. Deveria valer para estas eleições, mas, uma raríssima ADIN do Judiciário contra o Legislativo, considerou a lei inconstitucional. A iniciativa foi da procuradora Sandra Cureau, acatada pela relatora, Ministra Carmem Lúcia. A lei foi novamente derrubada, numa votação de 11 a zero no STF.

Embora tenha votado em bloco na lei do voto impresso, o PT nunca foi um entusiasta da modalidade, mesmo com a informação de que a urna brasileira foi rejeitada em 50 países. Recentemente a Alemanha, onde há voto impresso, considerou o modelo brasileiro inconstitucional. Tal como na França. Talvez esta despreocupação pelo tema tenha levado o PT a credulidades e passividades, deixando de participar dos testes oficiais do TSE sobre as urnas, em setembro, quando fiscais do PDT detectaram fragilidades no programa testado. Esta postura – inexplicável para um partido no governo de um país do porte do Brasil – pode ter levado o PT a nem se interessar em saber sobre as duas empresas privadas que atuam no sistema de apuração do TSE, a Módulo e a Engetec. Uma delas tem como diretor presidente um ex-presidente do FINEP durante o governo de FHC, Sergio Schiller Thompson Flores. Na outra empresa, o principal executivo é cidadão que foi Secretário de Estado em Minas, entre 2003 e 2010, Wilson Nelio Brumer, ex-presidente da Vale do Rio Doce, durante sua privatização.