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Carta aos jornalistas da Globo e da Abril

Por J. Carlos de Assis | Via Jornal GGN

Caríssimos,

Vocês perderam a eleição. Protagonizaram a campanha mais sórdida jamais realizada por órgãos de imprensa em toda a história da República, e assim mesmo perderam. Tentaram envenenar a opinião pública brasileira contra uma candidatura, distorceram fatos, inventaram outros, e orquestraram no mesmo diapasão uma opinião seletiva sobre inquéritos policiais em andamento, atropelando todos os protocolos de comportamento ético de uma imprensa que, mesmo não sendo nunca imparcial na opinião, deveria ao menos tentar sê-lo no noticiário.

Entretanto, não escrevo para celebrar a sua derrota. Muitos já o tem feito. Ao contrário, tomo a liberdade de lhes escrever pelo cuidado que tenho com o seu destino. Gosto da alta qualidade material dos produtos que oferecem à sociedade. As novelas da Globo são sem paralelo no mundo. Os casos de ficção e mesmo as reportagens especiais são de categoria internacional. O mesmo se aplica às revistas não ideológicas da Abril. Contudo, tudo isso está sendo colocado em risco pelo jornalismo sórdido que vocês praticam.

Tenho idade para ter visto muitos impérios jornalísticos brasileiros que se destruíram, ou que foram destruídos pela concorrência. O seu pode ser o próximo. Vocês, nessa campanha presidencial, ao escolheram um lado com o sectarismo principista de um Estado Islâmico, foram além da crítica ao governo para atacar as próprias bases do Estado democrático. Vocês foram ao extremo de subverter o processo judicial envolvendo o poder da República que deveria ser o mais respeitado, a Justiça, em maquinações eleitoreiras rasteiras e macabras. Não fosse a internet, depurando o noticiário, e vocês teriam ganho.

Sei que o caminho suicida que escolheram era uma aposta na candidatura que lhes parecia a mais adequada para tirá-los das dificuldades empresariais e afastar o risco de uma regulamentação mais democrática da mídia. No primeiro caso, o fato de ambas as organizações serem os beneficiários das duas maiores contas de publicidade do governo parece não lhes ser satisfatório. Ou querem mais ou tem medo de perder o que tem. No segundo caso, o risco é um marco regulatório que quebre o monopólio de algumas mídias.

Sim, porque os verdadeiros democratas brasileiros não querem muito mais do que aquilo que os norte-americanos têm. Não me consta que a NBC, a ABC ou a CNN sejam proprietárias de jornais e revistas nos Estados Unidos. Por outro lado, não me consta que o New York Times ou o Wall Street Journal sejam donos de televisões e rádios. Quebrar o monopólio jornalístico da Globo no Brasil não seria diferente do que Cristina Kirchner fez com o Clarín na Argentina, e isso, é preciso reconhecer, simplesmente segue o padrão americano e não tem nada a ver com violação da liberdade de imprensa.

Esta é uma questão política da mais alta relevância, e se alguém, de um ponto de vista imparcial, analisa a campanha presidencial que acaba de ser encerrada encontra amplas justificativas para querer a busca de um marco regulatório adequado. Entretanto, isso é também uma questão econômica, tendo em vista a concorrência no mundo da mídia. A articulação de jornal, televisão e rádio traz óbvias vantagens comerciais monopolísticas para seu dono, além de um inequívoco poder político que pode ser manipulado contra concorrentes, mas também contra a democracia.

Trabalhei sete anos no Jornal do Brasil até pouco antes do início de sua decadência. O JB, quando lá entrei no começo dos anos 70, era dono absoluto do mercado de pequenos anúncios. Quando muitos, e esse era o caso, era a melhor fonte de receita do jornal porque o anúncio era pago adiantado na boca do caixa. Pois bem, a certa altura O Globo decidiu entrar pra valer no mercado de pequenos anúncios. Se fosse jornal contra jornal, tudo bem. Mas o Globo lançou todo o peso da televisão para anunciar seus classificados. Aos poucos, liquidou com o negócio do JB, que não tinha televisão para defender-se.

Esse pequeno incidente revela o verdadeiro poder dos monopólios midiáticos. Quando se trata de política, esse poder é multiplicado. Basta lembrar das consultas obrigatórias que os presidentes faziam a Roberto Marinho sobre iniciativas importantes no tempo em que ele estava em pleno vigor físico. Os herdeiros estão longe da habilidade política do pai, e estão entrando num terreno perigoso de oposição sistemática ao governo. Isso acontece sobretudo na Veja e, principalmente, no Jornal da Globo.

Quando William Waack, Carlos Alberto Sardenberg e Arnaldo Jabor extrapolam sua função de apresentadores e comentaristas para assumirem o papel de doutrinadores raivosos contra a política externa ou interna do governo, manipulando descaradamente o noticiário, é, em sua essência, uma violação das regras de concessão pública de televisão e põem em risco uma organização que, fora da política, é líder absoluta da produção audiovisual na América Latina. Acho que interessa a todos os brasileiros que essa liderança seja conservada e ampliada. Espera-se que o jornalismo da Globo e de Veja não ponham tudo a perder, não junto ao governo, mas junto a telespectadores, leitores e anunciantes, sendo varrido da cena pelo noticiário plural da internet.

J. Carlos de Assis – Economista, doutor pela Coppe/UFRJ, professor de Economia Internacional da UEPB.

Como a Folha transformou em “vitória” a derrota do PSDB no TSE

Por Eduardo Guimarães | Via Blog da Cidadania

Quatro dias após a reeleição de Dilma Rousseff, o PSDB levou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pedido de “auditoria especial” no resultado da eleição presidencial. A ação foi assinada pelo “coordenador jurídico” do partido, deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP).

O PSDB pediu ao TSE que fosse criada uma “comissão formada por técnicos indicados pelos partidos políticos para fiscalização dos sistemas de todo o sistema eleitoral”.

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, analisou o pedido do PSDB e, na segunda-feira (3), enviou ao Tribunal Superior Eleitoral um parecer contrário à realização de uma auditoria no resultado da eleição presidencial. E afirmou que o pedido poderia “comprometer a credibilidade da Justiça Eleitoral” e acusou o PSDB de “imprudência”.

No mesmo dia, o TSE divulgou nota dizendo que iria responder “oportunamente” a consulta do partido. E, na última terça-feira (4), em consonância com o PGR, negou o pedido tucano. A Corte Eleitoral recusou a formação de uma comissão de partidos. Contudo, permitiu que o PSDB tenha acesso aos dados solicitados.

No fim da tarde da mesma terça-feira 4, o portal UOL, entre outros, deu a notícia da forma correta. O PSDB, além de perder a eleição, também fracassou em envolver o TSE em sua tentativa de pôr em dúvida a lisura do processo eleitoral.

Abaixo, a manchete na Home do UOL ao fim da tarde de terça feira.

Em seguida, a reportagem a que a manchete remetia.

Então ficamos assim: o PSDB pediu ao TSE que fizesse uma enorme celeuma, envolvendo todos os partidos políticos ao criar uma “comissão especial” para fiscalizar a eleição em segundo turno para presidente, na qual o partido foi derrotado.

Se o PSDB tivesse tido êxito, isso renderia uma enormidade de matérias na imprensa. Haveria cobertura da formação da “comissão suprapartidária”, discussão sobre os nomes indicados pelos partidos, cobertura jornalística da posse dos membros da comissão, colheita de declarações dos representantes dos partidos durante a auditoria etc., etc., etc.

O TSE e o PGR deram uma banana para o PSDB. A Corte Eleitoral respondeu ao partido que, se quiser, pode até fiscalizar os dados – em nenhum país democrático seria vetado aos derrotados em uma eleição que tivessem acesso aos arquivos daquela eleição.

Esse fato político viraria celeuma se tivesse sido fermentado pelo TSE, mas como o resultado não foi o que o Grupo Folha queria a notícia foi jogada para baixo do tapete.

Na edição do dia seguinte (5) da Folha de São Paulo, a derrota tucana não apenas foi transformada em vitória como, talvez por isso, foi escondida, sem destaque na primeira página, como ocorreria caso a Justiça Eleitoral tivesse autorizado um circo em torno da lisura do processo eleitoral.

Leia, abaixo, como a Folha tratou a notícia que outro braço do grupo Folha, o UOL, tratara de forma correta horas antes.

Veja bem, leitor: “Os deputados tucanos comemoraram”. Mas comemoraram o quê? A derrota do pedido de formação de uma comissão de partidos para auditar a eleição presidencial? Comemoraram a frustração do circo que tentaram armar? Na Folha, sim. Na vida real, não.

Os tucanos perderam, mas a Folha os transformou em vencedores. E depois a mídia diz que os blogs é que são “sujos”.

O cerco e a saída

Por Rennan Martins | Brasília, 03/11/2014

Hoje em Dia/Reprodução

O conservadorismo tenta destruir a política econômica e o aprofundamento da democracia defendidos pela presidente e legitimados nas urnas. Dessa vez, a única saída é se apoiar nas massas que a reelegeram.

E eis que, após ser derrotada uma vez mais nas urnas, as forças do atraso e da subserviência demonstram o que já se suspeitava. Que não possuem apreço algum pela democracia. Sinalizam, volta e meia, que não hesitariam em virar a mesa se preciso for, pra impor sua agenda. O objetivo é claro, esvaziar a pauta do aprofundamento das reformas e da inclusão social.

O setor financeiro iniciou sua ofensiva em torno do Ministério da Fazenda. Diz ele, por meio de sua fiel imprensa, que a pasta precisa de um nome que dê “confiança” aos mercados. A receita? Ajuste fiscal “violento” e arrocho nos juros. Alegam que essas medidas, que estão afundando a Europa, terão resultado diferente aqui, juram que no Brasil isto nos fará retomar o crescimento.

Enquanto traço estas linhas, o noticiário da Globo News disfarça a agenda do rentismo com uma matéria sobre o churrasco do brasileiro que está mais caro. Querem mesmo que acreditemos que a mesma organização que se opõe a todos os avanços trabalhistas se preocupa com o poder de compra do assalariado.

Em concomitante vemos o PSDB pedir uma descabida “auditoria especial” na votação do segundo turno presidencial. O resultado foi previsto pelo Ibope e Datafolha do dia 25, o tucanato sabe que refletem a realidade. O objetivo deste teatro é outro.

O que quer o PSDB é alimentar a militância antipetista. Esta horda que enche de ódio as redes sociais não precisa de informações verídicas e mesmo sendo poucos são muito barulhentos. Somam a capa fraudulenta da Veja com essa “auditoria especial” e o resultado foi visto nesse fim de semana.

No último sábado a família Bolsonaro juntou-se a Lobão e outros correligionários para exigir o impeachment de Dilma e a “restauração da ordem” por meio de uma intervenção militar. Paulo Martins, jornalista do SBT Paraná, discorreu sobre o perigo que o PT representa a liberdade de imprensa. O mais curioso disso tudo é que ele e Lobão destilam o veneno protofascista auxiliados pela verba publicitária desse governo, ao mesmo tempo que apontam seu caráter ditatorial. Ou seja, a “resistência” a “ditadura petista” é largamente financiada pela própria.

O Congresso Nacional também entrou na dança. Derrubou o decreto da participação social clamada pelas ruas e faz de tudo para enterrar a reforma política mais uma vez. Duas bandeiras caras aos que foram às ruas ano passado estão sendo pisoteadas por um congresso fisiológico que se tornará ainda mais retrógrado ano que vem. Como se não bastasse, Eduardo Cunha, representante de tudo que há de mais oligárquico no país, tenta tomar de assalto a presidência da Câmara.

O cerco ao Palácio do Planalto está intensificando. A oposição vê no horizonte político que dificilmente volta ao poder na próxima eleição com tudo o mais constante. A palavra de ordem é, portanto, frear o ímpeto do aprofundamento democrático e empurrar goela abaixo da presidente a receita recessiva derrotada nas urnas.

Nesse momento, Dilma pensa em que concessões deve dar a fim de que os ânimos arrefeçam. Ilusão. A direita e sua imprensa já demonstrou que “não vai dar trégua”, palavras de Aloysio Nunes. Mesmo que faça um governo à Aécio Neves, não haverá conciliação.

Dilma precisa apoiar-se naqueles que a reelegeram a fim de imprimir sua marca. A esquerda, a mesma que a empurrou com todas as forças no fim do segundo turno e que fez o contraponto a visão única da grande mídia, está ávida por politizar ainda mais o debate, por disputar cada centímetro do terreno, nas ruas e redes. Esta é a única maneira de fazer as reformas que tanto precisamos e manter a política econômica.

PSDB e Estadão, uma bizarra simbiose

Por Luciano Martins Costa | Via Observatório da Imprensa

O pedido de auditoria na eleição presidencial, de iniciativa do PSDB, divide o alto da primeira página da edição de sexta-feira (31/10) do jornal O Estado de S.Paulo com a principal notícia de economia. O Globo registra o assunto também na primeira página, mas em uma nota sem grande destaque, e a Folha de S.Paulo deixa o tema sem menção na primeira página e o coloca em posição secundária na editoria Poder.

O fato, incomum na rotina de manchetes compartilhadas pelos jornais que dominam a cena da mídia nacional, chama a atenção. A razão é explicada por um vazamento da redação do Estado: um dirigente do PSDB teria sondado editores sobre qual seria a receptividade do jornal àquela notícia. Com a garantia de que a iniciativa poderia sair em manchete, os autores da medida resolveram se arriscar à aventura de questionar o resultado das urnas, sem o risco de serem execrados pela imprensa por sua atitude vexaminosa.

Agora, imagine-se o contrário: se, derrotado na disputa presidencial, o Partido dos Trabalhadores resolvesse pedir uma investigação sobre a lisura do processo eleitoral. Evidentemente, não apenas as manchetes, mas os editoriais, os colunistas, os analistas econômicos, os filósofos, os psicólogos e outros “especialistas” hospedados na mídia tradicional, e até os astrólogos, estariam mobilizados para condenar a insinuação de que o partido governista colocava em dúvida a justeza da decisão popular. No mínimo, os descontentes seriam considerados maus perdedores, mas o tom geral seria de condenação a uma suposta tentativa de golpe de Estado.

E tudo motivado por análises técnicas? Não. O que move os reclamantes é uma série de manifestações de correligionários nas redes sociais.

O episódio coloca a sexta-feira, 31 de outubro, no calendário de horrores criado pela simbiose bizarra entre a imprensa hegemônica e a oposição ao Executivo federal. Numa escala imaginária de despautérios, fica apenas alguns graus abaixo da manobra consumada no último fim de semana, às vésperas do segundo turno da eleição presidencial, por um panfleto de campanha distribuído sob o logotipo da revista Veja. Não por acaso, o assunto é explorado pelo carro-chefe da Editora Abril (leia aqui) e justificado por um de seus mais dedicados pitbulls.

A nau dos insensatos

A iniciativa do PSDB poderia ser considerada uma tolice, não fosse a revelação de que se trata de operação combinada com pelo menos um dos principais jornais do país.

Qual seria o efeito de tal notícia no ambiente das redes sociais digitais? Evidentemente, essa manobra tende a acirrar o radicalismo na parcela mais aloprada do eleitorado, aquela que prega diariamente o golpe militar e até o assassinato de adversários como ação política legítima. Sua escalada pode gerar uma crise de governabilidade.

O fato de um dos principais partidos do país buscar apoio nesse substrato da cidadania, onde se aglomeram os mais insensatos entre os analfabetos políticos, demonstra a falta de espírito democrático de seus dirigentes, entre os quais já se alinharam alguns intelectuais respeitados. O fato de um jornal de influência nacional embarcar na aventura golpista revela o baixio a que se dispõe a mídia tradicional. Mas a adesão de Veja não surpreende: a revista simboliza há muito tempo a destruição do legado de Victor Civita, processo que pode ser mais bem analisado à luz da psicologia freudiana do que sob as muitas teorias da comunicação.

Quanto aos observadores da mídia, desponta aqui um tema interessante para ser considerado: carece de fundamento a suposição, bastante difundida a partir da distribuição dos votos na última eleição, de que os mais educados entre os eleitores tendem a votar com mais racionalidade. A se julgar pelas manifestações de energúmenos que pregam medidas antidemocráticas como reação à decisão soberana das urnas, pode-se afirmar que é nos estratos com mais anos de escolaridade que se expressam a insensatez, o desatino e a irresponsabilidade.

Estudo do instituto americano Pew Research Center sobre a polarização política nos Estados Unidos (ver aqui, em inglês) mostra que conservadores se informam por fontes menos diversificadas – por exemplo, 88% deles confiam na reacionária Fox News – enquanto os cidadãos mais liberais usam uma variedade maior de fontes de informação e opinião.

Aplicada ao Brasil, a pesquisa provavelmente mostraria como a mídia partidarizada contribui para acirrar os ânimos e coloca em risco a própria democracia.

Gustavo Castañon: Pedido de recontagem é “jogo de cena”

Por Gustavo Castañon | Via Viomundo

Mais uma vez, pela quinta eleição presidencial seguida, minhas previsões se confirmaram. Como avisei aqui no Viomundo, pela décima vez seguida a margem de erro da boca de urna apareceu, apuradas as urnas eletrônicas, a mais para o candidato do PSDB, e a menos para a candidata do PT.

A boca de urna Vox Populi, de nível de confiança de 95% e margem de erro de 1,2%, com 6800 entrevistados, deu 54% dos votos válidos para Dilma e 46% para Aécio.

Resultado plenamente compatível com as pesquisas Vox e Ibope do dia anterior à votação. As urnas eletrônicas no entanto deram 51,6% para Dilma e 48,4% para Aécio. Diferença foi o dobro da margem de erro.

A suspeita sobre o resultado se reforça com a desistência do Ibope, pela primeira vez na história, de fazer uma pesquisa de boca de urna no segundo turno. A Globo não quis contratar. Sem esse balizamento para os números das urnas eletrônicas, tudo parecia caminhar para uma fraude maciça e vergonhosa, a exemplo da vergonha que assistimos no primeiro turno (que não podemos afirmar o tipo de vergonha).

Mas parece que conseguimos convencer o PT que a fraude seria sem precedentes. Pela primeira vez desde 89, o partido escalou um time de 4000 fiscais para acompanhar o fechamento das urnas (que é inútil, pois só fiscaliza uma pequena parte de um de três níveis onde a fraude pode ocorrer).

Mas a principal medida tomada foi a contratação da boca de urna Vox Populi.

Por que uma campanha gastaria uma fortuna numa pesquisa de boca de urna que não influirá no resultados das eleições? É simples. A boca de urna é um balizamento para controlar a fraude. Sabendo o que esperar das urnas, o nível de fraude tem que se restringir à famosa “margem de erro”. Os dois foram recados claros: “nós sabemos o que está acontecendo e vamos reagir”.

Porque tem que haver moderação numa suposta fraude? Para não perder a galinha dos ovos de ouro, ora. Lembrem-se de que o TSE transformou as eleições num negócio. Quem cuida da preparação, inseminação e totalização das urnas atualmente são empresas privadas. Um escândalo as farão perder o negócio.

Nas semanas que precederam as eleições, o Viomundo e o Jornal GGN , de Luís Nassif, publicaram uma série de denúncias e reportagens sobre a vulnerabilidade de nosso sistema eleitoral.

Nassif chegou a prever exatamente todo o desenrolar do que seria um processo de fraude eleitoral, a começar por uma denúncia bombástica dias antes da eleição que pudesse justificar a diferença nas urnas em relação às pesquisas.

Um dia antes da votação, foi a vez do Viomundo acrescentar mais detalhes a esse emaranhado tucano por trás das urnas eletrônicas.

Essas matérias mostraram claramente a vulnerabilidade insustentável das urnas brasileiras, que não foram testadas esse ano e cuja operação esteve nas mãos de duas empresas privadas.

Uma, contratada ilegalmente desde 1996, é a Módulo Security Solutions. Essa empresa é de propriedade do ex-presidente da FINEP no governo FHC.

A outra é a Engetec, que em 2013, sucedeu no TSE a falida Probank. Ambas são de um membro da campanha e ex-secretário de desenvolvimento econômico de Aécio Neves por dois mandatos.

Outros vários artigos publicados na mídia independente, inclusive o meu, circularam na rede provocando um inédito estado de desconfiança generalizada, da direita à esquerda, em relação às urnas eletrônicas brasileiras.

Agora, num jogo de cena, o candidato Aécio Neves, o grande beneficiado por esses movimentos eletrônicos estranhíssimos de votos nos dois turnos, acaba de pedir recontagem dos votos no TSE.

Bobagem. Nós sabemos que as urnas brasileiras são invulneráveis a fiscalização. Elas são um atentado à democracia. O desejo dos eleitores de Aécio de recontar os votos é tão legitimo quanto o dos eleitores de Dilma de recontar os votos de São Paulo e Rio Grande do Sul. Mas não podemos recontar votos. Seriam recontados os mesmos boletins já contabilizados. E o TSE não concederá o pedido.

O PSDB sabe disso tudo. O que eles querem é minar a legitimidade da Presidente. É importante entender esse recado de guerra sem fim da oposição.

Dilma nesse momento precisava ouvir mais seu antigo mestre Brizola do que o atual, Lula. Ela deveria vir a público e reforçar o pedido de Aécio, inclusive para as eleições legislativas. Reforçar a crença na inconfiabilidade das urnas. Relatar quantas vezes, quatro, para ser mais preciso, ela foi vítima dessas mágicas que saem delas. Questionadas pelos dois candidatos, essas urnas malditas perderiam definitivamente a legitimidade e confiança de toda população. Seria a mais importante das reformas políticas.

Mas infelizmente, Brizola, só houve um.

Dilma precisa de apoio popular

Por Roberto Amaral | Via Carta Capital

Várias são as reflexões ensejadas pela eleição de Dilma Rousseff. A primeira, aliás, é exatamente esta, sua grande e significativa vitória, política e eleitoral que é, de igual modo, a consagração de seu governo e da opção progressista, da visão moderna de sociedade democrática, pela qual tanto lutam os socialistas brasileiros. Em face de duas visões de mundo antípodas, o eleitorado optou pela que indicava a busca do desenvolvimento econômico – por acelerar-se – como meio de chegar, ainda em nossos tempos, a uma forma aproximada de igualdade social, a aspiração possível dentro do regime de iniquidades que privilegia o capital e o rentismo estéril. O veredito eleitoral deve ser recebido, também, como declarado apoio do país à política externa independente, à busca por autonomia e soberania e a reafirmação das políticas sociais distributivas de renda. Mas as eleições de 2014 também revelaram a ascensão de uma direita forte e assumida, e o crescimento do pensamento conservador e reacionário, de raízes autoritárias (o velho conflito entre a casa grande e a senzala) expresso em parte da votação de Aécio Neves, que tão bem soube representar a ideologia da dependência e do atraso. O fenômeno, por óbvio, não é sua existência – que acompanha toda a nossa história –, mas seu crescimento e sua importante expressão eleitoral, de que se deve esperar consequências.

Há, porém, um fato positivo a registrar e trata-se da revelação de uma direita de cara limpa, sem máscaras e sem maquiagem, ensejadora do debate ideológico, sem intermediações, sem fraude, sem tergiversação. Ao sair do armário, o fantasma propiciou à cidadania escolher entre dois modelos antagônicos de sociedade e país.

A resposta é consabida.

Mas o ovo da serpente pode estar sendo chocado.

Cabe, agora, dar consequência a essa escolha e essa depende, hoje como jamais, menos dos arranjos políticos do que do apoio da sociedade defendendo o governo que elegeu e assegurando-lhe o lastro politico-popular que jamais encontrará no Congresso. O apoio de que Dilma carece em hipótese alguma virá dos ‘donos do poder’, encastelados na av. Paulista e ditando a linha editorial dos jornalões.

Esse apoio será conquistado nas ruas, no debate franco e aberto com a sociedade, com os movimentos sociais, com os trabalhadores, com os estudantes. É preciso animá-lo, todavia.

Derrotada nas urnas – como é de seu destino – a direita brasileira breve forcejará por desestabilizar o governo popular. Embora participando do processo eleitoral, a direita, no mundo e no Brasil, jamais esteve essencialmente comprometida com a democracia, que fratura sempre que a correlação de forças lhe é favorável. Pois a irresignação eleitoral que leva ao golpismo está em seu DNA, desde a velha UDN de Lacerda e as vivandeiras que, eleição após eleição, isto é, derrota após derrota, corriam em procissão aos quartéis. O chamado ‘terceiro turno’ já está na praça e se expressa numa oposição sem quartel. Na verdade, a presidente, hoje, enfrenta a mesma oposição – raivosa, preconceituosa, reacionária – que blaterou sem cessar, no governo e na campanha eleitoral.

Ao poder de sempre somam-se a bílis dos derrotados e a ambição dos interesses contrariados, a crise das legendas ideológicas e o pragmatismo dos oportunistas, encastelados em todos os partidos. Crise ideológica, crise de organização, crise de liderança, eis o caruncho que corrói as entranhas dos partidos. Essa decadência é um dos fatores que, nas águas do desapreço da cidadania à vida partidária, abriu sendas pelas quais navegou o discurso conservador, invadindo todos os setores sociais, cotidianamente desenvolvido nas universidades, nos partidos e nos quartéis e nas escolas militares, no empresariado, expresso sobretudo pela grande imprensa, muito bem sucedida no esforço visando à alienação das classes médias. Por isso mesmo o conservadorismo não é um atributo exclusivo da classe dominante, chegando mesmo a incrustar-se em camadas populares, principalmente junto àquelas mais sensíveis a certas visões pentecostais.

Se a luta agora está posta em seus devidos termos, não será ela menos difícil de ser enfrentada.

No primeiro momento, não havendo podido derrotar sua adversária, a direita tentará manietá-la, acuá-la, induzir o segundo governo nas sendas dos seus interesses, ditar normas e condutas (já soam ‘exigências dos mercados desconfiados’), indicar à presidenta o que precisa fazer e o que não pode ser feito. A imprensa já está ‘nomeando’ ministros, de especial aquele que diz respeito ao interesse maior do poder econômico, o ministro da Fazenda, e já tenta ditar a política do Banco Central. Em nome de uma ‘conciliação’ que é só embuste, porque não se conciliam interesses em conflito, pois há um conflito, que jamais foi apenas latente, entre os de ‘baixo’ e os de ‘cima’. Há sempre uma força hegemônica, o que não significa que uma vitória eleitoral importe necessariamente na conquista da hegemonia. Pari passu, e num crescendo medido pelos interesses frustrados, a oposição desabrida, no Congresso e fora dele, a tentativa de desmoralização e descrédito. Quaisquer que sejam os gestos da presidente e seu chamamento ao diálogo, a oposição ao governo, já ativa nos jornalões, será a mesma que fustiga a presidente Dilma no mandato findante. Por uma razão muito simples: o patronato jamais se confunde sobre o papel que lhe cabe na luta de classes. Aliás, muitos dos que viveram os anos 1963-1964 (e ai do político de esquerda que os ignorar!) viram, no período eleitoral recém concluído, mormente no segundo turno, o mesmo clima de quase ódio e intolerância (sobrevivente) que a classe dominante e seus satélites (pequena-burguesia, classe média isso e classe média aquilo) moviam contra Jango e seu governo. E note-se, naquele momento então a imprensa não era, como hoje, uma força monolítica da direita, nem a televisão, posse dos dominantes, tinha a irradiação nacional de hoje. Havia um mínimo de concorrência entre os veículos, que eram muitos – e alguns apoiando o governo, como a Última Hora – e inexistiam as redes e o virtual monopólio de audiência no rádio e na tevê. Monopólios que, diga-se de passagem, não foram só herança da ditadura, consolidados que foram pelos governos democráticos pós 1985, inclusive pelos governos de Lula e de Dilma. Deve-lhes a direita uma errônea política de distribuição de recursos da União (publicidade, compras de livros didáticos, projetos educacionais etc e muito etc.), uma distribuição acrítica de canais que favorecem o monopólio e a alienação.

É bom olhar para o passado pois no seu espelho o bom estrategista vê o futuro, ainda em tempo de alterar seu curso.

O povo que elegeu Dilma Rousseff deu-lhe mandato e autoridade para operar as mudanças e principalmente aquelas mudanças estruturais que só se realizam quando apoiadas pelas ruas repletas de povo.

Para tratar de tema polêmico comecemos por discutir a tal ‘governabilidade’ que não pode ser apenas a consequência de inevitáveis negociações com partidos desfibrados e bancadas de interesses, o mais das vezes inconfessáveis. A ‘base de governo’ não pode depender, como agora, tão-só, de partidos inconfiáveis (estão aí à vista de todos as votações desta semana na Câmara dos Deputados), ou de líderes de súcias. Precisamos, seus eleitores, dar à presidenta as condições objetivas de fugir a essa armadilha. Mais do que nunca, seu governo, e sua inclinação ideológica, dependerão do apoio popular que, desta feita, não pode encerrar-se no ato cívico do voto dado no dia 26. Esse voto precisará ser renovado todo dia, e revigorado em todos os embates do governo que, doravante, não serão poucos, nem fáceis.

Não podendo encetar, no momento, a mais crucial das reformas, que é a do Estado – pois esta depende de emendas à Constituição – o primeiro grande projeto (ao mesmo tempo o caminho mais curto para uma governabilidade republicana) é a reforma do processo eleitoral, também chamada de ‘reforma política’. Ela é tão importante que os jornalões já se antecipam no combate à proposta da presidente Dilma de convocação por plebiscito e confirmação por referendo, que, de per si ou em conjunto, assegurariam ao novo diploma legal a legitimidade do apoio popular.

Já se disse quase tudo que pode significar crítica ao atual sistema, a começar pelo financiamento privado que se torna público com os serviços prestados pelo beneficiário à empreiteira ou banco investidor. Mas esse não é o só problema que desnatura o processo eleitoral. Ao lado do financiamento público exclusivo de campanha, é fundamental vedar as coligações proporcionais e, nas majoritárias, evitar a soma dos tempos de rádio e de televisão, fonte das mais promíscuas negociatas entre partidos, muitos dos quais são criados e mantidos apenas como instrumento de rendoso achaque. O próximo mandatário estará livre da missão-impossível que se cobra hoje da presidenta Dilma: negociar com 28 legendas (que ao fim e ao cabo não passam de três ou quatro partidos), com ‘líderes’ que não lideram e bancadas corporativas de toda ordem, cada qual com seu próprio jogo: as bancadas do agronegócio, dos militares, da bala, dos evangélicos, dos sanitaristas, do esporte, atuando como se partidos fossem, autonomamente, à revelia de suas direções e de suas lideranças.

Por fim e por ser o fato mais importante, retomemos o grande feito dessas eleições: a vitória retumbante de Dilma. Insisto neste retumbante pois trata-se de vitória da resistência popular, ante o poderio do meios de comunicação extrapolando todos os limites éticos e legais, desde a unânime parcialidade à excrescência golpista da inefável revistona.

Diz-se que o País está dividido, mas não se diz que essa divisão é o segundo tempo da arrogância da classe dominante, que não aceita o fato de o explorado haver tomado consciência da exploração de que é vítima e identificado a sede de seus interesses. A arrogância de direita unificou nessas eleições todas as forças da reação e atraiu setores ponderáveis das camadas urbanas, conquistadas pelo discurso anti-PT, em nome do combate à corrupção, da qual elas, as classes dominantes, são as principais responsáveis, corruptoras que são desde sempre.

Brasileiros divididos

Por Paulo Metri | Via Correio da Cidadania

Ouvi de todos os lados que é preciso haver união na sociedade brasileira, o que é compreensível, pois se deseja que o grau de agressividade na sociedade diminua. No entanto, falando a verdade para pessoas equilibradas, a divisão de posições na sociedade é enorme e ela é correlacionada, sim, com a faixa de renda de cada grupo. Nesta eleição, quando comparada com outras eleições, as classes de mais baixa renda da sociedade pareciam estar mais conscientes, o que é ótimo. Portanto, se a divisão está nítida é porque a conscientização dos mais pobres foi maior.

Este fato gerou nas classes com maiores rendas uma reação de ódio, nunca vista. Esta reação não segue uma lógica, porque a subida social dos mais pobres não representou uma descida de classe para os mais bem aquinhoados. Pelo contrário, representou um ganho, porque, com o crescimento da capacidade de consumo de muitos indivíduos, existirá maior desenvolvimento da economia e, aí, todos se beneficiarão. No entanto, pode-se estar considerando como prejuízo a “promiscuidade social”, que significaria, por exemplo, a classe média vir a encontrar o porteiro do seu prédio no destino da próxima viagem de férias.

É claro que existem várias formas de “união”. A união, que significa a adesão das pessoas com acúmulo de sofrimentos ao pensamento daquelas com tradição de exploração, será muito difícil. Concordo com a união que significa a não violência, a existência de diálogo para as conquistas e em que todos tenham o direito de pensar livremente. A presidente Dilma falou também em união e eu tenho a impressão que ela se refere a esta.

O tempo atual é muito difícil, porque o confronto de posições na sociedade foi muito acirrado, durante o período eleitoral, com pouca explicação exata do que se passava. Não se discutia didaticamente, até por ser impossível. Contudo, acho que houve um melhor entendimento da população sobre as possibilidades de futuro do Brasil. Foi, portanto, um momento de crescimento da sociedade.

Não há como esconder que este confronto foi movido também pela velha luta de classes, mas a mídia comercial e muitos dos envolvidos não a chamam pelo seu verdadeiro nome, senão, seria o reconhecimento da existência de classes explorando outras classes, o que precisa ser sempre escamoteado, pois não se sabe onde o povo vai querer chegar. A mídia incute na sociedade que é o confronto entre corruptos e honestos, laboriosos e preguiçosos, democratas e autoritários, enfim, bons e maus. Afirma também que a luta de classes e as classificações de direita e esquerda foram jogados no mesmo aterro que recebeu os escombros do muro de Berlim. Querem a paz da ignorância social.

Eu também prego a união, mas aquela representada pela discussão dos pontos de vistas de grupos conscientes politicamente, com direito a pensarem diferente, visando chegar a acordos benéficos para todos. Estes acordos irão requerer que ambos os lados cedam, de forma à paz ser conseguida. Não falo da paz entre escravos e donos de engenho, que era a paz existente até recentemente, tendo como única diferença as ferramentas de obtenção da paz. Houve a troca da chibata e do pelourinho por uma mídia do capital alienante e formadora de escravos inconscientes.

Respeito os brasileiros que sugerem uma mudança rápida da conformação da sociedade. No mundo insensível atual de um capitalismo exacerbado, para os oprimidos, muitos dos quais não sabem verbalizar suas angústias, soa como um alento divino ouvir estas vozes em sua defesa. No entanto, de uma intenção maravilhosa podem resultar tragédias, porque a rapidez na reversão da exploração só poderia acontecer por meio da força e esta é a opção que a direita anseia que os sofridos optem. A direita tem como seus escudos toda uma legislação de proteção da riqueza exorbitante e dos mecanismos de exploração, além de ter a força policial para garantir uma ordem que seria mais bem definida como uma desordem social. Enfim, não há como apressar os resultados para os mais sofridos que não seja através do debate, das reivindicações, da conscientização política, dos acordos, das votações, da cobrança das promessas, do acompanhamento do desempenho dos políticos etc.

Faço um julgamento de valor sobre os eleitores da presidente Dilma, que foram acusados de não saberem votar e muito mais. Eles estavam bem conscientes, votavam em quem iria trazer o melhor futuro para eles e, portanto, aptos para decidir sobre seu voto. Só antidemocratas podem pensar que quem não votou em Aécio são seres inferiores. Eu pergunto em que escala de valoração de seres humanos os acusadores se baseiam, porque, se for a minha escala, estes acusadores é que são inferiores, beirando um Hitler.

A mídia convencional brasileira teve um papel deplorável nesta eleição, pois apoiou abertamente o Aécio. Ações que, para mim, são de democratização da mídia, para a direita, são de cerceamento da liberdade de expressão. Como não poderia deixar de ser, este grupo conservador se beneficia com a existência desta mídia do capital, manipuladora das massas. Sobre este ponto, qualquer pessoa pode fazer um exercício simples, que consiste em responder à pergunta: “Quantas vezes os noticiários de jornais, revistas, rádios e TVs expuseram, satisfatoriamente, as opiniões de trabalhadores, sindicalistas, favelados, atingidos por desgraças, os oprimidos por interesse do capital e os líderes de esquerda?” Então, o que se busca hoje é libertar as posições contidas da esquerda.

No entanto, se alguém, politicamente inexperiente, quiser eliminar a mídia de direita, serei contrário. Plagiando Voltaire, afirmo que “posso não concordar com o que ela diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-lo”. Isso apesar de a mídia de direita, que infelizmente a maioria da população assiste, ser um inimigo social. Muitos dos membros da nossa sociedade que estão, neste instante, com ódio no coração foram incendiados por esta mídia irresponsável e inconsequente.

Nesta eleição, temos que agradecer ao “atalho tecnológico”, representado pelo advento das redes sociais, que ajudou a conscientização das massas. Elas nos tiraram do obscurantismo da mídia convencional, análogo àquele vivido na Idade Média, quando o que deveria ser lido era escolhido pela Igreja, que reproduzia os textos permitidos através dos monges copistas. Gutenberg, ao criar a impressão de publicações, modificou o equilíbrio de poder que a reserva do conhecimento acarretava.

Teremos pela frente um longo percurso até chegarmos a uma democracia social parecida com a dos países escandinavos. Muitos salientam a educação como causa maior para o sucesso da nossa sociedade. Sou favorável a dar prioridade à educação, principalmente àquela que prepara o homem para a cidadania e a vida. Não concordo com a educação que consiste só de se preparar o homem para o mercado. Entretanto, sou mais favorável a entregar o grande troféu da causa principal (o sucesso da sociedade) à conscientização política da mesma. Concluindo, vamos unidos caminhar pela paz, com ideais distintos e buscar o entendimento para uma sociedade mais humana e, assim, poderemos ser, talvez um dia, completamente unidos.

Paulo Metri é conselheiro do Clube de Engenharia e colunista do Correio da Cidadania. Blog do autor: http://paulometri.blogspot.com.br/