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Os três níveis de charlatanismo: BC independente, tripé e LRF

Por José Carlos de Assis | Via Jornal GGN

Desde Marx se sabe que a economia política vulgar é o campo próprio onde as classes dominantes impõem ao conjunto da sociedade, na forma de ideologia hegemônica, seus próprios interesses de classe. Temos três campos interligados nos quais a economia política convencional importada dos Estados Unidos e da Europa Ocidental se tornou o mantra central da ideologia da classe dominante no Brasil: o Banco Central independente de Aécio e Armínio Fraga, o tripé macroeconômico de Marina Silva e André Lara Resende e a Lei de Responsabilidade Fiscal de FHC.

Já tratei em artigos anteriores do BC independente e do tripé. Antes de entrar na discussão da Lei de Responsabilidade Fiscal, quero acentuar um ponto mal explicado em relação à proposta do BC independente. Para ser bem sucinto, o que se procura com isso é separar totalmente o BC, emissor de moeda, do Tesouro, emissor de dívida pública. Quando estão articulados – como é o caso do BC norte-americano, o FED -, se o mercado exige taxas de juros muito elevadas o BC emite moeda para ajudar o Tesouro a colocar os títulos da dívida a taxas mais baixas. Do contrário, BC independente torna o Tesouro refém do mercado privado.

Isso, a desarticulação entre BC e Tesouro, não acontece nos EUA, a despeito de que muita gente mal informada acha que o FED é independente. Vejamos a Europa, onde, sim, o BCE é totalmente independente. Os que têm boa memória devem se lembrar de uma situação na qual, depois de 2010, os países do sul da área do euro tiveram imensas dificuldades em rolar a dívida pública a taxas de juros razoáveis. O mercado impôs a alguns deles, como Espanha, taxas de mais de 7%, que são altíssimas entre países desenvolvidos. O BCE, independente, ficou impassível. Deixou que o mercado chantageasse os países à vontade.

Agora a situação mudou porque o BCE se convenceu de que a política do euro, articulada com a Comissão Europeia e o FMI, é um total fiasco. A Europa do euro está em recessão ou depressão, conforme os últimos números da OCDE. Oito países da área do euro estão colocando títulos de dívida a taxas negativas. Só que essa “ajuda” do BCE na forma de aumento da liquidez e de redução da taxa de juros básica para nível negativo chegou tarde. A Europa está mergulhada naquilo que Keynes chamou de armadilha da liquidez: não adianta ter crédito farto e barato porque as corporações não querem investir. E o BCE não permite que os países do euro tomem emprestado para investir, mas apenas para rolar a dívida velha.

É um equívoco atribuir a crise da Europa do euro à baixa produtividade, ao comportamento perdulário de seus habitantes, ao excesso de recurso a crédito privado: a dívida pública em relação ao PIB estava extremamente baixa antes da crise, só tendo crescido porque, na economia financeiramente globalizada, os Estados europeus tiveram que salvar os bancos e os investidores privados das consequências do furor especulativo gerado nos Estados Unidos. O problema da Europa Ocidental é um só: ela tem que aumentar o gasto público deficitário, e isso ela só pode fazer com o BCE articulado aos tesouros nacionais, permitindo que os governos invistam aumentando empregos e mais salários!

Agora vejamos a Lei de Responsabilidade Fiscal. Quando o projeto dela estava para ser votado por proposta de FHC, participei, junto com Elio Gaspari, de um debate na Escola Superior de Guerra no Rio sobre política econômica. Na minha intervenção, declarei que a proposta LRF era um atentado à Federação e uma agressão à democracia, uma espécie de ditadura econômica. Lembro-me de que Gaspari me ponderou, privadamente, que eu estava exagerando. Não estava. A LRF foi feita para liquidar com a capacidade de os Estados gastarem em políticas públicas a fim de concentrarem seus recursos no pagamento de uma dívida injusta junto ao Governo federal.

Qual é a primeira agressão federativa da Lei? Entre outras coisas, ela limita os gastos com pessoal (incluindo Legislativo e Judiciário) a 60% da receita corrente líquida. Se o Governo já estiver gastando com pessoal 60% da receita, e se, com os outros 40%, construir um hospital, acontecerá a situação esdrúxula pela qual ele não poderá colocar o hospital em funcionamento porque ultrapassará o limite de gastos com pessoal. Não por outro motivo existem dezenas e talvez centenas de hospitais e escolas no país como elefantes brancos, que não podem funcionar. É resultado da inteligentíssima LRF de Fernando Henrique, saudada como um baluarte da eficiência pública pelos tucanos e seus simpatizantes.

Em relação á dívida pública dos Estados, aconteceu o seguinte. Quase todos eles tinham bancos comerciais que giravam essa dívida antiga às taxas do over, ou ainda mais, arbitradas pelo BC. Essa dívida tinha um efeito patrimonial negativo crescente, por causa das taxas de juros, mas não incomodava a gestão orçamentária corrente. Com a privatização dos bancos estaduais, o Governo federal pagou os financiadores privados da dívida dos Estados ao valor corrente inflado, sem desconto, e assumiu o crédito correspondente, impondo aos Estados uma obrigação de pagamento anual que afeta diretamente a capacidade de investimentos e gastos com políticas públicas estaduais. É ou não uma ditadura econômica?

Hoje, o que os Estados transferem ao Governo federal na forma de pagamento da dívida pública resulta numa parte considerável do superávit primário. Só não se pode dizer desse processo que corresponde a pagar a dívida com a fome do povo porque o povo ainda se beneficia da bolsa família para matar sua fome. Mas alguém paga essa conta. E são os milhões de brasileiros que, nos Estados, não tem acesso a saúde, a educação e segurança, obrigações do setor público em nível estadual, fundamentais para o bem-estar da população e que só funcionam na base de grandes contingentes de funcionários públicos, ou seja, na base de gastos com salários fundamentalmente.

J. Carlos de Assis – Economista, doutor em Engenharia de Produção pela Coppe/UFRJ, professor de Economia Internacional da UEPB, autor de mais de duas dezenas de livros sobre Economia Política brasileira.

Beto Richa, Álvaro Dias e Aécio Neves possuem militantes falsos no twitter

Por Rennan Martins | Brasília, 17/09/2014

Navegando pelo twitter é possível encontrar perfis, falsos e verdadeiros, promovendo as mais diversas causas, defendendo e atacando ideias. No cenário da corrida eleitoral, alguns candidatos contam com a potência de suas propostas e discurso, outros, desprovidos de habilidade, acabam recorrendo a militantes falsos.

Esse é o caso dos candidatos do PSDB, Beto Richa, Álvaro Dias e Aécio Neves. Em uma rápida análise, encontra-se diversos perfis que se mostram falsos, os ditos robôs. Comecemos pelo perfil @lucivalin, com primeira participação datada do dia 1 de setembro.

Reparem que não há imagem de fundo nem descrição de perfil, algo pouco comum em usuários reais que acessam o Twitter com regularidade. Dos perfis que @lucivalin segue, os últimos três são ligados ao tucanato. Analisando o conteúdo dos tweets, só se acha propagandas positivas de Beto Richa, Aécio Neves e Álvaro Dias e ataques a oposicionistas, principalmente os ligados ao PT.

Passemos para outro usuário que constantemente interage com @lucivalin, @catrinalopess, que iniciou as atividades no dia 18 de agosto. Examinemos o print:

Como podem constatar, também não há capa nem descrição, e todo conteúdo divulgado por Catrina Lopes, coincidentemente, promove a imagem dos tucanos. No momento da análise, as últimas 10 participações deste perfil se limitaram a retuitar conteúdo de contas pró Beto Richa, como a @Beto45Digital.

Passemos agora a conta registrada como @Marcelino1559. Segue o print:

Mais uma vez, não há capa nem descrição, e outra vez o perfil iniciou atividades nas proximidades das eleições, mais precisamente no dia 20 de agosto. Os conteúdos divulgados por Cleber Marcelino são todos favoráveis a Beto Richa, Aécio Neves e Álvaro Dias, sendo as últimas dez participações se referindo a Beto ou a Aécio.

É realmente muito intrigante a atividade destes perfis, todos eles parecem obcecados por política, todos tem predileção pelos candidatos do PSDB, todos se registraram na rede há poucos dias do 5 de outubro.

Finalizando, fiquem com prints de alguns dos seguidores de @lucivalin, também muito parecidos com os perfis aqui estudados.

PS: Reparem que a mesma foto é usada nos perfis de @catrinalopess e @1RobertaSonho.

Após ser comparada a Hitler, Luciana Genro estuda processar Danilo Gentili

Por Rodrigo Rodrigues | Via Terra Magazine

A presidenciável Luciana Genro (PSOL) durante entrevista ao programa “The noite”, do SBT (Foto: Reprodução/Youtube)

Vítima de mais uma piada sem noção do apresentador Danilo Gentili, do SBT, a campanha da presidenciável Luciana Genro (PSOL) estuda ingressar com processo na Justiça contra o humorista.

O motivo é uma montagem que o próprio apresentador postou no Facebook nesta terça-feira (16), comparando a candidata a Adolf Hitler e ao holocausto, logo depois que a mesma participou de entrevista no talk show dele, na noite desta segunda-feira (15).

Como se sabe, Luciana Genro é de família de origem judia e tem enorme cuidado ao falar de questões que envolvem o massacre do povo judeu.

A entrevista causou enorme repercussão nas redes sociais em virtude de um trecho em que a candidata aconselha o apresentador a “estudar mais” antes de emitir opiniões políticas sobre socialismo e regimes autoritários.

Fazendo graça com os seguidores do Facebook, Gentili postou uma imagem em que substitui Luciana Genro por Hitler no sofá do programa do SBT (veja foto).

A montagem feita por Danilo Gentili sobre a candidata Luciana Genro (Foto: Reprodução/Facebook)

Por conta da piada de humor duvidoso, a presidenciável do PSOL postou também no Facebook uma mensagem dizendo que o ex-CQC mais uma vez passou dos limites ao tratar de assuntos que envolvem judeus:

“Gentili confirma que realmente precisa estudar. Apologia ao nazismo é crime. O holocausto nazista matou milhões. Minha familia tem origem judia e não admito brincadeira com esta tragédia da humanidade. Mais uma vez Danilo Gentili passa dos limites!”, declarou Luciana Genro no Facebook.

Internamente, integrantes da campanha do PSOL defendem que a candidata entre imediatamente com processo de danos morais contra o apresentador.

A candidata ainda não se pronunciou oficialmente sobre o assunto, mas faz questão de registrar publicamente o repúdio à atitude do humorista.

Histórico

Vale lembrar que essa não é a primeira que Danilo Gentili se envolve em saias justas em razão das piadas e comentários.

Em 2011, ao comentar a desistência do governo de São Paulo de fazer uma estação de metrô na avenida Angélica, região de Higienópolis, centro de São Paulo, o humorista fez piada com o fato da região concentrar grande número de judeus:

“Entendo os velhos de Higienópolis temerem o metrô. A última vez que eles chegaram perto de um vagão foram parar em Auschwitz”, escreveu na época.

O comentário causou enorme repercussão de debate sobre os limites do humor e foi às vesperas dele ganhar um programa solo na TV Bandeirantes.

Por conta da polêmica, o humorista quase perdeu o programa na Band e teve que se desculpar publicamente do ocorrido.

Procurada, a assessoria do SBT – cujo o dono, o apresentador Silvio Santos, também é judeu, disse que não vai se pronunciar. A reportagem de Terra Magazine também enviou um e-mail ao apresentador e até agora não obteve resposta.

Ps: A montagem feita por Gentili foi publicada no Facebook do apresentador, mas deletada posteriormente.

Marina mexe em mais um vespeiro popular: a CLT

Via Brasil 247

Citando “o professor Gianetti”, chefe de sua equipe econômica, candidata do PSB promete “atualizar” a Consolidação das Leis Trabalhistas; Marina Silva não explicou, porém, qual será o sentido a mudança; “Ainda não temos essa resposta”, disse ela em encontro com empreendedores, em São Paulo; pelo manual ortodoxo de Eduardo Gianetti, garantias trabalhistas são um peso para o desenvolvimento; entre janeiro e agosto, País criou 701 mil empregos com base na CLT; depois de atacar pré-sal, Marina põe as mãos sobre novo vespeiro de alta sensibilidade; plataforma é popular?

247 – A candidata Marina Silva, do PSB, enfiou as mãos em mais um vespeiro popular. Depois de questionar a prioridade dada pelo governo à exploração do pré-sal e reafirmar, por meio do coordenador Walter Feldman, que pretende mudar o modelo de partilha do petróleo brasileiro em benefício das empresas estrangeiras, agora ela escolheu um novo alvo: a CLT – Consolidação das Leis Trabalhistas.

“Vamos fazer uma atualização das leis trabalhistas”, disse Marina, ontem, em São Paulo, em reunião com micro e pequenos empresários. Ela não deixou claro, porém, qual será o sentido da mudança em caso de se eleger presidente. “Ainda não temos essa resposta, esse assunto é muito complexo”, completou ela.

Marina fez sua promessa de atualizar a CLT num contexto de reclamações dos pequenos empreendedores sobre dificuldades para a contratação de mão de obra. A candidata se comprometeu, então, a trabalhar pela alteração das atuais normas trabalhistas. Este ano, entre janeiro e agosto, o País registrou a criação de 701 mil vagas com carteira de trabalho assinada, dentro da legislação atual.

Marina agregou que as mudanças que pretende fazer na CLT serão “sem prejuízo” a empregadores e empregados. Ela ressalvou que não quer que sua iniciativa seja chamada de “flexibilização” da CLT, apesar de ter sido essa a impressão que ficou de sua nova promessa eleitoral.

- Quero reafirmar, para que não fique nenhuma dúvida, de que isso será feito sem prejuízo às conquistas que os trabalhadores a duras penas alcançaram, afirmou a candidata a jornalistas.

Ao ser questionada sobre o que pretende fazer em relação à terceirização da mão de obra, ela procurou ajustar novamente seu discurso.

- Não queremos a precarização das ocupações que existem. Foi feito um processo no governo do PSDB que tem muitos problemas e esses problemas precisam ser reparados, acentuou Marina.

Após prometer a “atualização” da CLT, citando “o professor Gianetti” como inspiração, a candidata reconheceu que ainda não faz ideia do que pretende fazer sobre o assunto em caso de chegar ao governo.

- É um debate difícil e ainda não temos uma finalização sobre o assunto, assinalou.

Pela cartilha do economista Eduardo Gianetti da Fonseca, que vai assumindo o posto de chefe da equipe econômica de Marina, sabe-se que garantias trabalhistas são vistas como entraves para o desenvolvimento do País. Os empreendedores que ouviram Marina ficaram com a impressão de que, para um lado ou para o outro, a CLT não será a mesma caso a candidata do PSB vença a corrida eleitoral.

Qual o motivo dos ataques da imprensa à Petrobras?

Por Sandro Ari Andrade de Miranda | Via Sul 21

Uma pergunta que deve ser feita por qualquer brasileiro é o motivo pelo qual a imprensa, especialmente os grandes meios de comunicação, historicamente vinculados ao poder e à direita, têm direcionado constantes ataques à PETROBRAS.

Será que de fato existe alguma onda de corrupção criada pelo PT, como afirmarão alguns ingênuos, que veem no Jornal Nacional como fonte de informação? Será que um corrupto assumido, como Paulo Roberto da Costa, um mero servidor público que chegou rapidamente às principais capas de jornais e revistas, teve uma crise de consciência ética? Qual é o motivo de tantas denúncias realizadas no picadeiro diário dos nossos meios de comunicação?

Inicialmente, é necessário afastar um mito. Não existe imprensa isenta, sem posição e sem nenhum comprometimento político ou ideológico. Esse discurso é verdadeiro como uma nota de sete reais. Como já afirmara Antônio Gramsci, nos seus Cadernos do Cárcere, com absoluta lucidez, a imprensa também é uma forma de partido.

Aliás, a própria Maria Judith Brito, presidenta da Associação Nacional dos Jornais e executiva do jornal Folha de São Paulo, declarou de forma literal ao Jornal “O Globo”:

“Obviamente, esses meios de comunicação estão fazendo de fato a posição oposicionista deste país, já que a oposição está profundamente fragilizada.”

Até aí, nenhuma novidade! O surpreende foi a sinceridade da executiva da Folha de São Paulo, jornal este que foi omisso em relação a todos os crimes praticados pelas forças armadas e pela polícia durante a ditadura militar.

Se fizermos uma leitura rápida apenas das principais revistas semanais de grande circulação chegaremos ao seguinte balanço: a “Revista Época”, vinculada às Organizações Globo é indiscutivelmente tucana; a “Revista Isto É” possui tem relações bastante próximas ao PSB, de Eduardo Campos e Marina Silva, embora às vezes (muito raras) tente assumir uma posição autônoma; a “Veja”, de todas, com certeza a de menor credibilidade, veste qualquer roupa, desde que seja da direita, preferencialmente a mais reacionária ou conservadora – poderíamos classificá-la como uma mistura entre o DEM e o PSDB; a “Caros Amigos” é de esquerda até no nome, algo louvável de tão transparente. Resta-nos a “Carta Capital”, onde o seu editor, o nobre Mino Carta declarou abertamente o voto em Dilma Rousseff (PT), mas ainda acho exagerado vincular a revista ao Partido dos Trabalhadores, pois ainda mantém o senso crítico, algo imperceptível na maioria dos semanários.

Como se observa, todos os veículos de comunicação possuem um lado, alguns com mais transparência, outros com nenhuma. Portanto, é sempre necessário manter o senso crítico em relação ao conteúdo das publicações, para não virar um Homer Simpson ou uma velhinha de Taubaté (personagens que acreditam em tudo que veem e ouvem, no caso do americano Homer, especialmente na televisão).

Daí volta a pergunta, qual é o motivo dos ataques sistemáticos à PETROBRÁS?Uma pista importante poder ser encontrada no dia 08 de setembro de 2014, na bolsa de valores, dois dias depois da Veja publicar uma lista de supostos envolvidos com o astro principal da novela, o “conhecidíssimo” Paulo Roberto da Costa. Após uma semana de relativa alta, as ações caíram 4,91%, mantendo a tendência de queda durante toda a semana.

Mas é a relação entre a manchete de uma revista semanal com editorial esquizofrênico e a queda de ações da PETROBRÁS na Bolsa de Valores? Não é apenas mais um escândalo de corrupção, dentre tantos outros que são publicados para levantar a vendagem deste tipo de revista? Para qualquer incauto, poderia ser, mas se fizermos uma viagem até a década de noventa, será possível ter absoluta certeza de que as coisas não são bem assim.

Naquela época, havia uma onda sem precedentes de venda do patrimônio público, as chamadas privatizações. Foi um período que marcou o final do governo Collor de Mello e toda a gestão de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), hoje o principal responsável pela aproximação política entre Marina Silva e Aécio Neves.

Seus principais personagens hoje ocupam a “respeitável” condição de analistas da Rede Globo, ou são fiadores programáticos de Marina Silva e Aécio Neves: Armínio Fraga, Luiz Carlos Mendonça de Barros, André Lara Resende (um dos principais assessores de Marina), dentre outros.

Neste período foram vendidas dezenas de empresas públicas e o controle acionário de sociedades de economia mistas, tudo financiado com dinheiro público. O BNDES, que hoje financia grandes projetos de infraestrutura, no década de noventa repassava um volumoso aporte de recursos para a compra do patrimônio público pelo capital privado ou, até, por estatais europeias. Vejam as obras de Aloisio Biondi e de Amaury Riberio Júnior, onde tais processos ficarão bem claros.

Tivemos a venda de todo o complexo siderúrgico, especialmente da Companhia Siderúrgica Nacional, fundada por Getúlio Vargas, de todo o sistema de telefonia (não antes de este segmento receber uma grande atualização tecnológica, o criou o falsa impressão de que as privatizações melhoram as telecomunicações), a venda da Rede Ferroviária Federal S. A., de alguns bancos, é várias outras medidas no mesmo sentido.

Além dos financiamentos do BNDES, outros agentes fundamentais na onda de privatizações foram os fundos de pensão dos servidores públicos, sendo que muitos destes trabalhadores foram demitidos na onda de privataria, alimentando o gigantesco quadro de desemprego que vigia na época, dada a ortodoxia financeira.

O índice de desemprego aberto, na década de noventa, batia na casa dos 20%, e o salário mínimo sonhava em atingir o simbólico valor de US$ 100,00 (cem dólares).

Mas de todas as transações da onda de privatizações, a mais escandalosa, com certeza, foi a transferência do controle acionário da Companhia Vale do Rio Doce, a maior produtora de minério do mundo, para o Consórcio Brasil (formado pela CSN privatizada, pelo grupo Bradesco, e pelo Fundo Previ). Na época o leilão estava estimado em R$ 92 bilhões de reais, mas o controle foi repassado ao grupo privado por apenas R$ 3,3 bilhões, ou seja, um valor 28 vezes menor em relação ao previsto inicialmente!

Mas a privatização não ficou restrita ao patrimônio público, também foi realizada uma contenção de investimentos na área de saúde, com o incentivo aos planos de saúde, e uma tortura diária com o risco de privatização das Escolas Técnicas e das Universidades Federais. O ensino técnico foi fragmentado e perdeu toda a sua base de composição humanística.

Quem ler o Plano Diretor de Reforma do Estado no seu formato puro verá que a proposta principal era transformar as universidades, escolas técnicas (hoje Institutos Ferais de Educação Tecnológica) e os hospitais públicos em organizações sociais. Traduzindo, transferir os serviços sociais para a estranha neologia da iniciativa privada de interesse social. Qualquer semelhança com os casos de escassez financeira da USP, UNICAMP e da UNESP, não é mera coincidência, e sim reprodução de modelo FHC em São Paulo.

Com exceção dos três grandes agentes financeiros (Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, o nosso BNDES), apenas uma grande empresa com controle acionário público foi mantida: a sociedade de economista PETROBRÁS. Só por curiosidade, nesta mesma época o desconhecido empregado público Paulo Roberto da Costa subia na sua carreira, e passava a ocupar espaço no campo das atividades comerciais da empresa.

Tal processo não teve continuidade por dois fatores: 1º) a grande mobilização social em torno da Vale do Rio Doce atrasou o andamento da política de privatizações; 2º) a eleição de Luís Inácio Lula da Silva em 2002.

Antes da campanha eleitoral, a empresa já possuía até um novo nome comercial PETROBRAX, e demonstrando que os caminhos estavam desenhados. Ou seja, numa eventual eleição do ex-ministro do Planejamento de FHC, José Serra, a PETROBRAS seria privatizada.

Hoje, seguindo um caminho contrário, a PETROBRÁS mantém controle público e se constituí não apenas na maior empresa petrolífera da América Latina, mas numa das maiores do mundo, disputando espaço com as gigantes norte-americanas, russas e chinesas.

Além disso, a PETROBRÁS é a principal mola para alavancar os projetos do Pré-sal, de onde teremos recursos para promover uma verdadeira revolução nos campos da saúde e da educação. Logo, não é mais um patrimônio a ser jogado fora, mas uma fiadora do futuro!

Tamanha é a importância da PETROBRÁS para a economia brasileira, que um dos primeiros escândalos fabricados pela imprensa foi a compra da Refinaria de PASADENA nos Estados Unidos. O que ficou escondido na informação repassada pelo cartel Veja-Globo-Folha-Estadão, foi o fato de o Brasil ter fincado as suas bases de atuação no maior mercado consumidor de petróleo e maior economia do planeta, num resenho completo da geopolítica-estratégica proposta nos anos noventa.

A empresa estatal, que no período FHC era considerada como deficitária e desprezível, símbolo do atraso, hoje é a principal fiadora do nosso desenvolvimento energético e ponta de lança na expansão da influência econômica do país no mercado internacional.

Logo, há algo mais na divulgação seletiva de nomes da lista da figura “altamente confiável” de Paulo Roberto da Costa! Diga-se de passagem, sem nenhuma base material que dê sustentação à onda de denuncismo.

Pergunto, se o novo astro da mídia de direita já atuava na área comercial da PETROBRÁS desde o governo de Fernando Henrique Cardoso, porque não tivemos listado o nome de nenhum parlamentar do PSDB ou do DEM? Será que o personagem em questão se tornou desonesto e constituiu a sua fortuna no exterior de uma hora para a outra? Será que não teve nenhuma participação na onda de privatizações da década de noventa?

Bom, se para José Serra a formação de cartel é uma medida comum no mercado, para a Veja, a Globo, a Folha e o Jornal Estado de São Paulo, não há necessidade de demonstrar provas concretas das suas denúncias. A liberdade de imprensa e o direito ao sigilo da fonte são considerados alvará de irresponsabilidade, especialmente quando o alvo forem os quadros, partidos e movimentos de esquerda.

A verdade é que não estamos apenas diante de uma tentativa de desgastar o Governo, o que já se mostrou ineficaz em outras oportunidades, pois sempre que defrontado com problemas de corrupção, a atual gestão nunca jogou a lama para debaixo do tapete, mas ao contrário, sempre puniu os responsáveis. O alvo de todas as denúncias é a própria estatal petrolífera! O governo é um dos alvos, mas o que a imprensa de direita pretende é criar um pânico internacional como a fracassada tentativa pré Copa do Mundo. As consequências pretendidas são a eleição dos seus candidatos, e uma onda de quebradeira econômica.

Não é por acaso que mesmo com uma elevação de 1,5% no último trimestre, e significativos indicadores positivos de alta da economia, tanto os grandes meios de comunicação de direita, quanto os asseclas do mercados financeiro tentam diariamente apresentar um quadro de pânico. Não mais absurdo do que a preocupação da Globo com as tarifas de luz, quando em 2015 teremos o ingresso pesado da energia diversos pólos eólicos. Há uma indústria do terror para forçar a elevação da taxa de juros, reduzir os investimentos e paralisar a economia.

Felizmente, a economia brasileira segue insistindo na resistência aos prognósticos alarmistas, e mostrando um vigor muito superior aos centros do capitalismo avançado. Isso não quer dizer que a nossa estratégia econômica não precise de ajustes, mas isso não deve ser feito pelo afastamento do estado, mas pelo aprofundamento do seu papel de investidor. O aumento do gasto público, e não o corte, é essencial para a garantia de um mercado consumidor estável.

Mas, todas as vezes que as ações da PETROBRÁS são derrubadas na Bolsa, perde-se uma fortuna muitas vezes maior do que os desvios da patética figura de Paulo Roberto da Costa. A empresa também perde credibilidade e, principalmente, capacidade de investimento.

Na onda do quanto pior melhor, típico de quem não a menor responsabilidade com o desenvolvimento do país, o alvo de determinados grupos de imprensa é a possibilidade de o Brasil avançar social e economicamente com a utilização dos recursos do Pré-sal.

Então, estes ataques constantes realizados por determinados grupos midiáticos não são direcionados apenas ao governo, como atestou a presidenta da Associação Nacional dos Jornais, mas à nossa economia, ou melhor, ao nosso modelo econômico.

Será muito mais fácil vender uma empresa com capital reduzido, do que uma potência econômica como hoje a PETROBRÁS se apresenta. O processo eleitoral não envolve apenas uma disputa pelo poder central do Estado, mas de diretrizes econômicas e da nossa própria soberania como nação.

Assim como Aécio e Marina Silva defendem o tripé do arrocho econômico e a independência do Banco Central, também acenam para uma nova onda privatista.Dar um tempo no pré-sal e focar o ódio político na PETROBRÁS, é apenas mais um passo para vender a rentável empresa estatal a preço de bananas ao capital internacional.

A experiência da Vale do Rio Doce já comprovou que esta não é uma medida difícil para os defensores da lógica do privatismo, pois a PETROBRÁS é uma sociedade de economia mista. Basta apenas a vendas de algumas ações, para derrubar toda a onda progressista dos últimos doze anos, e jogar pela janela o nosso futuro político, social e econômico!

Sandro Ari Andrade de Miranda é advogado em Brasília/DF, Mestre em Ciências Sociais.

Governo do PR perde controle sobre presídios e já enfrenta 21 rebeliões em 12 meses

Por Eduardo Mira | Via Requião PMDB

Mesmo sem construir nenhum presídio em 4 anos, Richa agora promete 20 novas penitenciárias.

A rebelião na Penitenciária Estadual de Piraquara II (PEP II), que iniciou na sexta-feira e durou pouco mais de 25 horas, contribuiu para mais um recorde negativo do atual governo do Paraná. Nos últimos doze meses, foram registrados 21 motins e rebeliões, sendo o episódio mais grave o da Penitenciária de Cascavel, que vitimou cinco presos e feriu outros 25. A situação revela a perda de controle do Governo Richa sobre o sistema prisional do Estado.

Para o senador Roberto Requião, candidato ao governo do Paraná pela Coligação Paraná com Governo (PMDB/PV/PPL), o problema penitenciário seria uma prova do “descaso do governo atual com a segurança pública”.

“O que está acontecendo é resultado da má gestão. O governo tirou os presos da delegacia e colocou-os em penitenciárias, que se tornaram ainda mais superlotadas. Isso gerou uma bomba-relógio que está explodindo agora”, avaliou o senador.

Requião afirmou também que, quando foi governador, mesmo sem ter dinheiro do governo federal, construiu 12 presídios. “Em quatro anos, Richa não construiu nenhum”, completou. Para ele, a tragédia era anunciada, já que faz seis meses que alguns radialistas de Cascavel vêm denunciando as péssimas condições da penitenciária, com comida de baixa qualidade e poucos carcereiros para cuidar dos presos.

RICHA NÃO CONSTRUIU NENHUM PRESÍDIO

Mesmo depois de anunciar R$ 160 milhões em recursos federais para a modernização do sistema prisional, o governador Beto Richa deixou a desejar na administração penal do Paraná. Foram quatro anos sem construir nem ampliar sequer um presídio no estado desde que assumiu.

Ainda assim, Richa está prometendo a ampliação e construção de 20 unidades prisionais para acabar com a lotação das delegacias no interior do Estado. O governador, que não abriu sequer uma vaga carcerária, agora promete 6.670 novas vagas no sistema prisional paranaense em um eventual segundo mandato.

Requião assumiu o Paraná com 6.529 vagas no sistema prisional em 2003 e aumentou esse número para 15.904 em 2010, o que representa um crescimento de 144%, com investimentos que ultrapassaram os R$ 90 milhões. Além das 12 penitenciárias estaduais, em 2006 foi inaugurada em Catanduvas a primeira Penitenciária Federal de Segurança Máxima, com R$ 20 milhões oriundos de recursos federais.

Além de construir novas unidades, o Governo Requião promoveu reformas que possibilitaram a abertura de 1.234 novas vagas na Penitenciária Feminina de Piraquara, Penitenciária Industrial de Cascavel, Penitenciária Estadual de Piraquara, Colônia Penal Agrícola, Alojamento Parque Agrícola de Piraquara e Complexo Médico Penal.

O Governo também eliminou a terceirização das penitenciárias e o número de agentes penitenciários contratados passou de R$ 1.246 em 2003 para R$ 2.388 em 2010, ano em que o salário pago pelo Paraná aos agentes era o maior do país: R$ 2.550,65.

Gustavo Castañon: Marina, a candidata da mudança, do retrocesso

Por Gustavo Cantañon | Via QTMD

Há um sentimento de mudança no ar. 12 anos de governo do PT desgastaram o partido na opinião pública. É natural. As contradições inevitáveis do exercício do poder, a relação com um congresso fisiológico, os interesses contrariados, os acordos inerentes à democracia, os escândalos. É mesmo surpreendente que chegue ao cabo desse período ainda como o partido de um quarto dos brasileiros e tendo o voto de metade deles.

Nesse cenário, surge a candidatura de Marina Silva, que encarna, sem sombra de dúvidas, a mudança, como provarei com os links abaixo. A começar pela mudança do cenário eleitoral. Depois de um suspeito desastre de avião (que alguns acreditam se tratar de um assassinato), Marina assumiu o lugar de Eduardo Campos como a candidata do PSB à presidência.

O compromisso de Marina com a mudança não é recente. Ele já se deixava sentir quando ela mudou de religião há poucos anos, abandonando o catolicismo de opção pelos pobres e abraçando o fundamentalismo da Assembleia de Deus, que tem entre seus quadros Silas Malafaia e Marcos Feliciano, e acredita que discursos inflamados e emissões vocais desordenadas são manifestações do próprio Espírito de Deus.

Depois Marina mais uma vez mudou quando saiu do PT por ter sido preterida na disputa interna do partido pela candidatura à presidência. Desde então ela iniciou um processo de mudança de crenças políticas que a tornou uma opção para os grandes meios de comunicação, os bancos e a classe média alta.

Primeiro mudou-se para o PV, ganhou apoio do Itaú, finalmente concorreu à presidência, perdeu, mas não desanimou. Tentou mudar o então partido assumindo-lhe o controle, mas como não conseguiu, mudou de novo e tentou criar a Rede. Também não conseguiu apoio suficiente para criar um novo partido,e então mudou-se, de novo, para o PSB. A ecologista aproveitou a mudança e mudou-se para um apartamento em São Paulo de um fazendeiro do DEM.

Num golpe de sorte, mudou de ideia na última hora e não embarcou com Eduardo no jato que o matou. Logo depois da tragédia, Marina mudou do papel de vice para o de viúva, declarando ter sido consolada da morte de Campos pela própria esposa dele. Com a má repercussão da declaração, ela mudou de postura e apareceu sorridente em seu velório posando para fotos ao lado de seu caixão.

E a mudança não parou mais. Mudou o CNPJ da campanha para não ser responsabilizada pelas irregularidades do jato fantasma de sua campanha nem indenizar as famílias atingidas pela tragédia. A pacifista mudou seu compromisso da “Rede” que proibia os candidatos pela legenda de receber doações de indústrias de agrotóxicos, de armas e de bebidas, e compôs chapa com o deputado federal Beto Albuquerque, político integrante da “bancada da bala”, financiada pela indústria bélica. Ele também é financiado por fabricantes de bebidas e agrotóxicos.

E mais mudança veio com um programa de governo que contrariava toda a sua história. Prometeu ao Brasil a volta da gestão econômica do PSDB. Mudou sua posição contrária à independência do Banco Central para garantir o apoio dos bancos brasileiros. Mais do que isso, prometeu mudar a legislação trabalhista promovendo a terceirização em massa, e prometeu acabar com a obrigatoriedade de função social de parte do crédito bancário, enterrando o crédito imobiliário. Mas isso não era mudança suficiente. Depois de quatro twittes ameaçadores de Silas Malafaia mudou a mudança do programa e se declarou contra o casamento gay.

Depois de um editorial do Globo, também mudou a sua posição sobre o pré-sal, que prometera abandonar, e depois, mudou a posição sobre a energia nuclear. Depois de uma vida de batalha contra os transgênicos, Marina, pressionada pelo agronegócio, também mudou e abandonou seus compromissos ecológicos.

Mudou também sobre a transparência política. O ministro Palocci caiu por não revelar os nomes das empresas que contrataram seus serviços antes do governo. Mas ela hoje, candidata, se nega a dizer a origem de 1.6 milhões de seus rendimentos, e declarou um patrimônio de somente 135 mil reais ao TSE. Uma senadora da República.

Finalmente, há três dias Marina mudou sua opinião sobre a tortura, que antes considerava crime imprescritível, e passou a ser contrária a revisão da lei de anistia. Ontem, ganhou o apoio do Clube Militar. Marina muda tanto que acabou por declarar seu programa de governo todo em processo de revisão. Isso é realmente novo na política. Ela é a primeira candidata da história do Brasil que descumpre seu programa de governo antes de chegar ao poder.

Por tudo isso, não restam dúvidas que Marina é a candidata da mudança. Ela muda sem parar. Essa é sua “Nova Política”, uma mudança nova a cada dia. Não é possível acompanhar a labilidade de seu caráter ou de sua mente. Ou ela mente. Não importa. O que importa é que Marina representa a mudança, a mudança de um Brasil aberto e tolerante para um Brasil refém da intolerância fundamentalista, de um Brasil voltado para sanar a dívida com seu povo humilde para um Brasil escravo de seus bancos, de um Brasil democrático para um Brasil mergulhado em crise institucional.

Por isso eu mudei também. Entrego essa semana meu pedido de desfiliação do PSB e cerro fileiras contra essa terrível mudança que ameaça nosso país. Não é possível submeter o Brasil a essa catástrofe. Marina Silva é uma alma em liquidação. Qualquer um pode exigir que ela mude uma posição por um punhado de votos. Mas aproveitem logo. Essa promoção é por tempo limitado.

*Gustavo Arja Castañon é doutor em psicologia e professor de filosofia da Universidade Federal de Juiz de Fora. Colabora com o “Quem tem medo da democracia?”, onde mantém a coluna “Non abbiate paura“.