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É a Amazônia, estúpido!

Via MSIa

A rápida ascensão de Marina Silva nas pesquisas eleitorais, que no momento a apontam como vencedora em um hipotético segundo turno com a presidente Dilma Rousseff, tem levado indivíduos e setores da sociedade geralmente refratários às suas ideias a apoiá-la, motivados pelo desejo de encerrar o reinado do PT no Palácio do Planalto. Embora muitos destes eleitores tenderiam, normalmente, a apoiar o candidato do PSDB, a ultrapassagem de Marina sobre o senador Aécio Neves – aparentemente, consolidada – os está conduzindo a uma opção pragmática em favor da ex-ministra do Meio Ambiente.

Nesse contexto, vale enfatizar alguns aspectos potencialmente de grande importância sobre a trajetória política e os compromissos da ex-ministra com as agendas ambientalista e indigenista, fortemente marcadas por um componente internacionalista, cuja influência nas políticas setoriais brasileiras, nas últimas décadas, apresenta um saldo visivelmente negativo para os interesses maiores da sociedade nacional. Como a grande maioria dos adeptos de tais causas, Marina é uma internacionalista, no sentido de que a sua visão utópica da importância da proteção do meio ambiente e dos “povos da floresta” a situa entre os que consideram que as agendas de desenvolvimento socioeconômico devem ser fundamentalmente subordinadas à proteção ambiental e aos “direitos naturais” daquelas populações (geralmente, consideradas separadamente das sociedades nas quais se inserem), conforme os critérios determinados pelo aparato ambientalista-indigenista internacional. É um fato notório que toda a sua trajetória política se deu sob a proteção deste aparato de poder, encabeçado por organizações não-governamentais (ONGs) estadunidenses e britânicas, que a transformou em uma personalidade de grande visibilidade internacional, como se depreende das numerosas premiações internacionais recebidas por ela, bem como pela sua ruidosa participação na abertura dos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012, quando foi convidada para ser um dos porta-bandeiras do pavilhão olímpico (Alerta Científico e Ambiental, 28/08/2014).

Com tais precedentes, uma presidente Marina tenderia a colocar uma ênfase desproporcional nos temas ambientais, na formulação da política externa, em especial, com a sua obsessão com os chamados objetivos de redução das emissões de carbono – item no qual poderá criar atritos com os parceiros do grupo BRICS. Em uma entrevista à revista EU&Fim de Semana do jornal Valor Econômico (5/09/2014), o coordenador do programa de governo de Marina, o ex-deputado federal Maurício Rands, deu uma pista desta perspectiva, afirmando: “Não é porque os países desenvolvidos têm maior responsabilidade com o estado de degradação a que chegou o planeta que os países em desenvolvimento podem ser desobrigados de cumprir metas.”

A propósito, os poderes hegemônicos deverão pressionar uma presidente Marina em dois itens em que desejam esvaziar a posição e a influência do Brasil: a integração sul-americana, com um esvaziamento do Mercosul, intuído nas sugestões de assessores seus sobre uma “aproximação” com a Aliança do Pacífico (cujo PIB conjunto é inferior ao brasileiro), e a consolidação do grupo BRICS como um contraponto à hegemonia financeira do eixo anglo-americano.

Por outro lado, Marina tem acenado que poderia fazer concessões contrárias às suas preferências em itens como a energia nuclear, os organismos geneticamente modificados (transgênicos) e outras, mas dificilmente se poderia esperar dela qualquer iniciativa contrária à meta principal da agenda ambientalista-indigenista – a conversão da Região Amazônica em uma virtual “zona de exclusão econômica”, com a obstaculização do seu pleno potencial de desenvolvimento socioeconômico, a partir da exploração dos seus vastos recursos naturais. Isto é o que espera dela a oligarquia transnacional que tem promovido a sua carreira – nada menos que a consolidação de um regime de “soberania restrita” sobre a Amazônia, preservando-a como uma “reserva de recursos naturais” para usufruto futuro dos seus interesses exclusivistas.

Não é casual que assessores importantes de Marina, como o biólogo João Paulo Capobianco, considerado o seu braço direito, tenha utilizado o discurso que fez em nome da demissionária ministra, na posse de seu sucessor no Ministério do Meio Ambiente (MMA), Carlos Minc, para transmitir o que pensam esses radicais do ambientalismo: “A soberania do Brasil sobre a Amazônia é algo relativo, pois até a lei brasileira prevê que os pais percam a guarda dos filhos, no caso de não os tratarem condignamente (Hora do Povo, 4/06/2008).”

Assim, o pragmatismo que tem percorrido o Centro-Sul do País, quanto às perspectivas eleitorais de Marina, deixa de lado todo o potencial de ameaça que um eventual governo seu representa para a integração plena do País, algo impossível sem uma política de desenvolvimento e modernização econômica para a Amazônia.

Neste particular, é preciso ressaltar que nenhum presidente, desde o governo Collor, se atreveu a confrontar a agenda daquele aparato transnacional, mas, indiscutivelmente, foi na gestão de Marina no MMA (2003-2008) que a sua influência atingiu o auge – não por acaso, a pasta ganhou a alcunha de “Ministério das ONGs”.

É um fato notório que o movimento ambientalista-indigenista é apoiado por grandes carteis transnacionais de alimentos e minérios, em especial, os que gravitam na órbita da aristocracia europeia – na qual a Casa de Windsor atua como uma espécie de primus inter pares. Não por acaso, as casas monárquicas do Velho Continente são grandes promotoras das causas ambientais, atuando por meio de ONGs como o Fundo Mundial para a Natureza (WWF) – que, em 2008, agraciou Marina Silva com a Medalha Duque de Edimburgo, entregue pessoalmente pelo próprio consorte da rainha Elisabeth II do Reino Unido.

Sem qualquer concessão a “teorias conspiratórias”, a presença de Marina no Palácio do Planalto poderá conceder a esse aparato hegemônico uma influência ainda maior na formulação das políticas ambientais e indígenas do País. E, dificilmente, os brasileiros poderão esperar iniciativas e empreendimentos, inclusive, de infraestrutura, que signifiquem perspectivas de progresso para os habitantes da Amazônia.

Por tudo isso, sempre é oportuno recordar o marqueteiro de Bill Clinton, criador do vitorioso mote que impulsionou a sua candidatura à Casa Branca – apenas, em vez de “economia”, podemos dizer: “É a Amazônia, estúpido!” [1]

[1] Bill Clinton – é a Economia, estúpido!

Porque o PSDB está morrendo?

Por Paulo Nogueira | Via DCM

Papo velho

Tarde demais para o PSDB reagir e chegar ao segundo turno, disse o diretor do Datafolha, Mauro Paulino.

Ele se referia ao pequeno avanço de Aécio nos últimos dias nas pesquisas.

A não ser que um milagre ocorra, Dilma e Marina disputarão o segundo turno.

Aécio vai ficar de fora, e será um marco no declínio do PSDB.

Concordo apenas parcialmente com o diretor do Datafolha.

No obituário da campanha tucana de 2014, eu diria o seguinte: o PSDB teve anos para se preparar. Não se preparou. Seria impossível, em poucos dias, recuperar o atraso de tanto tempo.

O PSDB é hoje uma obsolescência.

Seus líderes foram cegos para enxergar as demandas do Brasil moderno.

Em vez de abraçarem a causa do combate à desigualdade, que é a grande questão nacional, eles se fixaram na velha, gasta, mentirosa, oportunista, hipócrita ladainha da corrupção.

Fizeram-se de virgens sendo marafonas.

Os tucanos foram espetacularmente desmascarados por Luciana Genro no debate da CNBB. As palavras de Luciana a Aécio, enumerando os atos de corrupção do PSDB, entrarão para a história da política nacional.

Compare o discurso pseudomoralista de Aécio com o de Dilma: qual tem mais apelo?

Dilma fixou sua campanha na questão social. Vem mostrando os avanços sociais brasileiros nestes anos do PT no poder.

De certa forma, todas as informações que sustentam estes avanços parecem novas, não porque sejam, mas porque a mídia não cobriu nada, ou por miopia ou por má fé.

Do Bolsa Família ao Mais Médicos, das cotas para negros ao Prouni, do aumento do salário mínimo ao Pronatec, a lista de realizações sociais é, inegavelmente, grande.

Podia ser maior? Claro que sim. Podia e devia. Mas é muito mais do que, excetuado Getúlio Vargas, qualquer outra administração fez contra a iniquidade.

Dilma tem o que mostrar e o que falar.

Melhor ainda para ela, certas coisas nem é ela que diz. São os outros. Nesta semana, por exemplo, a ONU informou que o Brasil deixou o “Mapa da Fome”.

Enquanto isso, FHC se diz chocado ao ler a Veja e deparar com denúncias, como se fosse um Carlos Lacerda.

Ele quer enganar a quem com esse choque de araque? Quer conquistar que votos? Os dos leitores da Veja? Ora, estes já são do PSDB. São os antipetistas viscerais.

O presente está perdido para o PSDB, e o futuro também estará a não ser que o partido se reinvente.

Mas com quem?

Com FHC, com Serra, com Aécio?

Esqueça.

Considere o caso do premiê escocês Alex Salmond, derrotado no plebiscito que decidiu se a Escócia permanecia ou não no Reino Unido.

Salmond, conhecidos os resultados, anunciou que deixaria a liderança de seu partido e renunciaria, consequentemente, à chefia do governo.

É preciso encontrar novos líderes, disse.

No Brasil, os chefes políticos só costumam sair de cena num caixão, e é uma pena.

Serra já deve estar pensando em 2018. Aécio provavelmente logo estará pensando nisso também.

Uma empresa se renova com sangue fresco. Um partido também. O PSDB, neste sentido, é a quintessência do bolor.

Os tucanos pagam “militantes” para fingir que Aécio é popular. Mas este tipo de expediente apenas demonstra que o discurso velho do partido não comove ninguém.

O dinheiro compra até o amor verdadeiro, escreveu Nelson Rodrigues.

Mas não compra votos, e o PSDB parece desconhecer esta verdade indestrutível.

Movimentos mandam recado para Marina: Não à independência do BC

Via Escrevinhador

Uma frente de 65 entidades do movimento popular, sindical, estudantil, ambiental e cultural, lançou uma plataforma política aos candidatos à Presidência da República.

A plataforma tem 22 pontos, com propostas para o aprofundamento das mudanças em diversas áreas, como reforma do sistema político, mudanças na política econômica e fortalecimento da educação e saúde pública.

As organizações signatárias deram um sinal à candidata Marina Silva e registraram na plataforma que não aceitam a independência do Banco Central e querem o fim do superávit primário.

Assinam o documento a Associação Brasileira de ONGs (Abong), a Central de Movimentos Populares do Brasil (CMP), a Central Única dos Trabalhadores (CUT), o Fórum do Movimento Ambientalista, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), o Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH) e a União Nacional dos Estudantes (UNE).

Abaixo, leia a plataforma e veja a lista completa de signatários.

PLATAFORMA POLÍTICA DOS MOVIMENTOS SOCIAIS

Os processos eleitorais devem ser espaços de debate e afirmações de projetos, que impliquem uma concepção de sociedade e de Estado, pautem as rupturas necessárias para enfrentar as grandes questões estruturais da sociedade, apontem a natureza de nossos problemas e as soluções necessárias. Mas não é isso que percebemos.

Apesar das candidaturas expressarem projetos distintos para o Brasil, cada vez mais os processo eleitorais discutem menos política e se tornam grandes estratégias de marketing, vendendo os/as candidatos/as como mercadorias. Neste “jogo”, o poder econômico ganha de goleada subjugando a política e as instituições públicas aos seus interesses de classe, impedindo as transformações políticas, econômicas, sociais, culturais e ambientais que interessam ao povo brasileiro.

É em razão desta análise que movimentos sociais e organizações de todo Brasil apresentam para a sociedade e para as candidaturas a sua plataforma política para debate no processo eleitoral de 2014. Defendemos que estes são pontos fundamentais pra começar a provocar as rupturas e avanços que tanto lutamos.

1. Reforma do Sistema Político que elimine o “voto” do Poder Econômico nas eleições e nas definições das políticas públicas; que fortaleça os programas partidários, que enfrente a sub-representação dos/as trabalhadores/as, das mulheres, dos jovens, da população negra, indígena e LGBT; que regulamente e efetive os mecanismos de Democracia Direta; e que convoque uma Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político. A Constituinte deve ter como prerrogativa central a soberania popular.

2. Democratização dos Meios de Comunicação: implementação das propostas aprovadas na Conferência Nacional de Comunicação e pela descriminalização dos veículos de mídia independente.

3. Democratização da Educação: com universalização do acesso à educação em todos os níveis, principalmente a educação infantil, ensino médio e superior; erradicação do analfabetismo de 14 milhões de trabalhadores/as; garantir a efetividade dos 10% do PIB para educação pública.

4. Programa Massivo de Moradia Popular, que supere o déficit de 8 milhões de moradias à curto prazo.

5. Investimentos Prioritários em Transporte Público de Qualidade, implementando a tarifa zero. Entendemos que é o transporte público que dá acesso a todos os outros direitos sociais constitucionalmente conquistados, como saúde, educação e cultura.

6. Redução da Jornada de Trabalho para 40 horas semanais.

7. Reforma Agrária, que de fato democratize a estrutura da propriedade fundiária e garanta terra a todos/as os sem-terra. Pela publicação do decreto que atualize o índice de produtividade, facilitando a desapropriação do latifúndio.

8. Por uma nova Política Agrária, que garanta a produção e a compra pela CONAB de todos os alimentos produzidos pela Agricultura Familiar. Incentivo a produção de alimentos agroecológicos. A nova política agrária tem que ter como central a soberania alimentar.

9. Por um Plano Nacional de Erradicação do Uso de Agrotóxicos e Transgênicos, em defesa dos bens naturais e da biodiversidade.

10. Reforma Tributária, que inverta o atual sistema que cobra mais dos que menos têm; que tribute a renda e riqueza e não o consumo; que cobre impostos sobre grandes fortunas, sobre herança e sobre transferência de lucros para o exterior; que elimine a Lei Kandir e o Imposto de Renda sobre o salário.

11. Por um Plano de Desenvolvimento da Indústria Nacional, em todos os municípios, com estímulo a Agroindústria Cooperativa e Economia Solidária. Este plano deve apontar para um novo modelo de desenvolvimento, baseado em novas formas de produção, distribuição e consumo.

12. Por Mudanças na Política Econômica, com o fim do superávit primário; que coloque a taxa de juros e de câmbio sobre o controle do Governo, não a autonomia do Banco Central.

13. Pelo compromisso real com o pleno emprego. Pensar a política econômica como elemento essencial para o pleno emprego, garantia de melhores salários e trabalho decente. Contra qualquer tentativa de precarização do trabalho e dos direitos trabalhistas. Garantia de uma política para aos trabalhadores estrangeiros que se encontram no país em situações de violação de direitos humanos.

14. Pela retomada da Reforma Sanitária e pelas reformas estruturais que a Saúde precisa, com aumento do investimento no SUS, fortalecimento da Atenção Básica, popularização dos cursos de saúde, carreira SUS para os trabalhadores, fortalecimento das práticas integrativas e comunitárias e das políticas de promoção à saúde, com efetiva regulação e fiscalização dos planos de saúde, além de fortalecimento do controle social.

15. Democratização do Poder Judiciário, para que a sociedade brasileira tenha controle e possa implementar padrões democráticos na escolha e no mandato dos juízes de Instâncias superiores. Criar mecanismos reais de controle externo de todo o sistema de justiça. Defesa que o sistema de justiça como um todo deva ter políticas que contemplem a diversidade étnico, racial, etc

16. Desmilitarização das PM´s: defesa de uma Policia desmilitarizada e uma nova concepção de política de segurança que não criminalize a pobreza e a juventude, principalmente negra.

17. Pelo fim do Genocídio da Juventude Negra e contra Projetos de Redução da Maioridade Penal.

18. Pelo fortalecimento do sistema público de Previdência, pelo fim do fator previdenciário que prejudica o direito à aposentadoria dos/as trabalhadores/as brasileiros/as.

19. Pelo fim das Privatizações e das concessões dos bens e serviços públicos. O Estado precisa ter instrumentos eficazes de controle das tarifas de água, energia elétrica, combustíveis.

20. Por Políticas de Enfrentamento ao Machismo, Racismo e Homofobia. Defesa da criminalização da homofobia, da união civil igualitária, implementação real da Lei Maria da Penha e politicas para a autonomia econômica e pessoal das mulheres, pela criação do Fundo Nacional de Combate ao Racismo.

21. Pela demarcação imediata das terras indígenas e titularidade e regularização das terras das comunidades quilombolas. Rejeição a todos os projetos e PEC’s em tramitação no Congresso contra os direitos indígenas e quilombolas. Pelo efetivo cumprimento da Convenção 169 da OIT.

22. Por uma Política Externa que priorize as relações com países do Sul, que enfrente o poder das “grandes potencias”, que crie nova ordem de governança mundial. Pela criação do Conselho Nacional de Política Externa.

ASSINAM:

1. Articulação de Mulheres Brasileiras – AMB

2. Articulação dos Movimentos Sociais pela ALBA.

3. Articulação popular e sindical de mulheres negras de São Paulo. APSMNSP

4. Associação Brasileira de agroecologia- ABA

5. Associação Brasileira de ONG’S – ABONG

6. Associação de estudos, orientação e assistência rural – ASSESOAR

7. Associação de Moradores do Bairro Parque Residencial Universitário – AMPAR – Cuiabá

8. Associação de Mulheres Solidárias Criativas – AMSC

9. Central de Movimentos Populares do Brasil- CMP-BR

10. Central Única dos Trabalhadores- CUT

11. Centro Brasileiro de Estudos de Saúde – CEBES

12. Centro de Estudos e Pesquisas Agrárias do Ceará -CEPAC

13. Coletivo de Consumo Rural Urbano de Osasco e Região – CCRU-O.R

14. Coletivo de Mulheres e PLS´s – Casa Lilás – Pernambuco

15. Conselho Nacional do Laicato do Brasil – CNLB

16. Consulta Popular

17. Coordenação Nacional de Entidades Negras-CONEN

18. Diocese Anglicana de Esmeraldas – MG

19. Educafro

20. Escola de Governo – São Paulo

21. Escola de Participação Popular e Saúde

22. Federação dos Estudantes de Agronomia do Brasil-FEAB

23. Federação Paranaense de Entidades ambientalistas – FEPAM

24. Fora do Eixo

25. Fórum de reforma urbana em Alagoas

26. Fórum do movimento ambientalista – BRASIL

27. Fórum do movimento ambientalista de Minas Gerais

28. Fórum do movimento ambientalista de Santa Catarina

29. Fórum do movimento ambientalista do Paraná

30. Fórum do movimento ambientalista do Rio Grande do Sul

31. Fundação Campo Cidade e Coletivo de Bombeiros Civil do Estado de São Paulo- FCC

32. Instituto De Estudos socioeconômicos- INESC

33. Instituto Democracia Popular – Curitiba – PR

34. Levante Popular da Juventude

35. Marcha Mundial das Mulheres

36. Movimento Camponês Popular- MCP

37. Movimento das Comunidades Populares

38. Movimento das Mulheres Camponesas-MMC

39. Movimento de ação e identidade socialista – MAIS

40. Movimento dos Atingidos por Barragens-MAB

41. Movimento dos trabalhadores e trabalhadoras do campo-MTC

42. Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem terra- MST

43. Movimento Ibiapabano de Mulheres – MIM (Ceará)

44. Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH)

45. Movimento Nacional de Rádios Comunitárias

46. Movimento Nacional pela Soberania Popular Frente à Mineração – MAM

47. Movimento pela soberania Popular sobre a mineração- MAM

48. Movimento Popular de Saúde – MOPS

49. Movimento Quilombola de Sergipe

50. Movimento Reforma Já

51. Organização Cultural e Ambiental – OCA – Hortolândia – SP

52. Plataforma dos Movimentos sociais pela reforma do Sistema Político

53. Pólis

54. Rede Economia Feminismo – REF

55. Rede Fale

56. Sempreviva Organização Feminista – SOF

57. Sindicato dos Petroleiros de Duque de Caxias

58. Sindicato dos Produtores Orgânicos e Familiares do Paraná – SINDIORGÂNICOS

59. Sindicato dos Psicólogos de São Paulo – SinPsi

60. Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura Familiar de Sumaré e Região – SINTRAF

61. Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco – SINTEPE

62. Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Roraima (SINTER).

63. Sindicato Unificado dos Petroleiros do estado de São Paulo – SINDIPETRO

64. UNEAFRO

65. União Nacional dos Estudantes- UNE

Eleições: a atualidade esquecida da Reforma Agrária

Por Gustavo Noronha | Via Brasil Debate

Ela é uma das melhores alternativas de geração de emprego e renda, incluindo-se aí as políticas – de crédito e assistência técnica – necessárias à efetiva estruturação econômica e social das famílias assentadas. Além disso, tem um viés anti-inflacionário.

Desenvolvimento e democracia não são compatíveis com a miséria. O Brasil, de acordo com dados do Banco Mundial, é a sétima economia do mundo pelo PIB total calculado segundo a paridade de poder de compra, entretanto essa riqueza é mal distribuída.

É comum associar o combate à pobreza extrema unicamente às políticas de transferência de renda. Entretanto, faz-se necessário contrapor esta visão com políticas que gerem um fluxo de renda, como a reforma agrária.

Tanto que uma das dimensões do Plano Brasil Sem Miséria do Governo Federal contempla a inclusão produtiva. A reforma agrária é uma das melhores alternativas de geração de emprego e renda, incluindo-se aí as políticas – de crédito e assistência técnica – necessárias à efetiva estruturação econômica e social das famílias assentadas.

Alguns teóricos do desenvolvimento econômico, inclusive no campo político da direita, como Rostow, advogam sobre a necessidade de ruptura com as elites tradicionais. Observando a sobre-representação da chamada bancada ruralista no Congresso Nacional, percebemos a atrasada atualidade desta agenda no Brasil.

Outro ponto importante, é o viés anti-inflacionário da reforma agrária. As causas de um processo inflacionário podem ser diversas: aquecimento da economia; choques de oferta; conflito distributivo entre capital e trabalho; ou resultado das projeções dos agentes. Raramente os processos inflacionários têm causa única e o mais ordinário é que, pelo menos, três destes quatro fatores estejam associados nos surtos de aumento de preços.

Impactos da oferta

Em uma análise simplificada, os processos inflacionários decorrentes de excesso de demanda ou de choques de oferta, em realidade traduzem desequilíbrios entre oferta e procura em diversos setores da economia.

Nos desajustes de oferta não podemos falar de um choque homogêneo que afete todos os mercados, isto seria uma recessão e não um choque de oferta a provocar alguma inflação. Os impactos da oferta em processos inflacionários normalmente estão associados a fatores exógenos aos modelos econômicos usuais e que afetam mercados importantes: quebras de safras agrícolas, guerras, movimentação conjunta dos produtores de determinado bem.

Olhando o mercado de alimentos, recorrente vilão da inflação. A demanda por alimentos é relativamente inelástica, pode variar entre a natureza do bem, mas pouco provável que alguém deixe de comer para consumir qualquer outro bem, mais crível é o movimento contrário.

A variação nos preços deste mercado explica-se, em parte, por um problema de oferta insuficiente para atender à demanda, mas também pela vinculação de determinados produtos aos mercados internacionais de commodities. Logo, um primeiro passo é buscar desvincular os preços dos alimentos dos mercados externo e interno.

A grande propriedade produz principalmente para o mercado externo, não afeta de sobremaneira a curva de oferta interna de alimentos. O consumo interno destes itens também não afeta seu preço, mas sim as variações no mercado internacional. Devemos, portanto, preliminarmente verificar se a inflação observada decorre do aumento de preços nestes produtos, o que não parece ser o caso.

Fica patente, como no caso alegórico do tomate, que um choque de oferta em um produto cuja demanda é bastante inelástica, se observa um aumento extraordinário de preço. É preciso, portanto, construir uma alternativa que garanta um aumento da oferta de comida. O Censo Agropecuário do IBGE mostra que a agricultura familiar é responsável pela maior parte do alimento na mesa do brasileiro.

Ineficiente

Ademais, diversos estudos econômicos, inclusive por teóricos neoclássicos, demonstram que a grande propriedade é ineficiente em razão de custos crescentes de escala. Os custos de gerenciamento, logística e mão de obra, a imprevisibilidade meteorológica e a volatilidade dos preços internacionais são alguns fatores que fazem alguns analistas afirmar que o setor agrícola sequer seria uma atividade capitalista em senso estrito.

Desta forma, ousamos afirmar que é preciso mudar o paradigma da produção agropecuária brasileira. Deve-se entender que entre todas as funções clássicas da agricultura na economia, a mais primordial é prover a economia de uma oferta crescente de alimentos.

Isto não ocorrerá numa economia cuja produção agrícola está voltada para o mercado externo. O preço do tomate só cai quando há mais agricultores produzindo tomate, isto só é possível com a democratização do acesso à terra. Para reduzir a inflação, particularmente quando sua causa primordial é um choque de oferta de alimentos, é preciso ampliar o número de agricultores familiares, é preciso fazer reforma agrária.

Não se pode ainda esquecer que diversas análises históricas apontam que os países considerados desenvolvidos todos passaram, em algum momento por um processo de democratização do ativo terra. Ou seja, é preciso, no mínimo, destravar o debate da questão agrária para avançarmos no processo de desenvolvimento brasileiro.

Perspectiva geopolítica

Avançando para uma perspectiva geopolítica, a reforma agrária ganha importância. Qualquer nação que se pretenda soberana deve ter mecanismos de assegurar à sua população a soberania alimentar. Num raciocínio trivial, um país cuja alimentação venha do setor externo, num caso extremo de guerra, pode com um simples cerco naval ver sua população condenada à fome.

A combinação entre o crescimento contínuo da população mundial e os processos de erosão do solo, a escassez hídrica cada vez maior e o aquecimento global, produzem um quadro em que a demanda se amplia sem ser acompanhada pela oferta. Não se pode minimizar o risco de que guerras venham a ser travadas por alimentos e água.

A distribuição do ativo terra busca responder a estes dois pontos. Se por um lado a produção da agricultura familiar e reforma agrária garante a maioria dos alimentos que a população brasileira consome, por outro promove uma efetiva ocupação dos interiores assegurando que estes recursos permaneçam em poder da população do país e não em grandes grupos sujeitos a controle internacional.

De uma forma ou de outra, a reforma agrária precisa ser colocada em evidência neste processo eleitoral. Diante da força e avanço da bancada ruralista, cuja postura e aliança com a bancada evangélica não permite um maior avanço das pautas progressistas, a política deve ser debatida sob a perspectiva do poeta alemão Bertolt Brecht: Pergunta sempre a cada ideia: serves a quem?

O PT é igual aos outros?

Por Beto Almeida

Nosso colega listeiro, Luiz Carneiro, sempre atuante e também sempre muito apressado, escreveu que o PT se igualou a todos os demais partidos. Será mesmo?

Qual partido aplicou medidas que, segundo relatório da ONU, reduziram à metade a pobreza e a desnutrição no Brasil?

Qual partido criou o Mais Médicos, trazendo mais de 15 mil médicos de Cuba, programa aprovado por 87 por cento dos brasileiros?

Qual partido, tendo chegado ao governo, construiu em dois governos 390 Escolas Técnicas Federais, públicas e gratuitas?

Tirando o PTB de Vargas e Jango, qual outro partido, no governo, aumentou o valor do salário mínimo em 73 por cento em tão pouco tempo?

Qual outro partido, no poder, enviou ao a exterior 100 mil jovens para estudarem nas melhores universidades de mundo, com tudo pago pelo Estado?

Qual outro partido, no poder, propôs um plebiscito para que o povo decida que Reforma Política deseja para o país?

Ao que se sabe tanto o PSOL, como o DEM, como também o PSDB, e também o PCB, o PSTU são contra, por razões variadas, o atual Bolsa Família. programa que, segundo a OIT, é responsável pela redução do trabalho infantil no Brasil. Como igualar partidos?

Tirando os aliados do PT, que outro partido se esforça tanto para defender a CLT de Vargas e para fazer com que seja válida para todos os trabalhadores, formalizando o emprego, com e tendo gerado 23 milhões de empregos novos com carteira assinada?

Tirando o PTB de Vargas e Jango, que outro partido, no governo, defende tão corajosamente a cooperação tecnológica com a Rússia e a China para equipar as Forças Armadas Brasileiras para a defesa da Amazônia, por exemplo, com helicópteros russos? O DEM? O PSDB? O PSB da Marina que é contra o Programa Nuclear?

Não foram o PT e seus aliados, os responsáveis pelo sistema de cotas que democratiza o ingresso de pobres, negros e índios na universidade brasileira.?

Que outro partido, no governo, foi capaz de contratar, de uma só vez, 53 mil dentistas para o SUS?

Que outro partido, no exercício do governo, permitiu a milhões de famílias de brasileiros, em tão curto prazo, o acesso à luz elétrica por meio do Programa Luz Para Todos?

Como igualar o PT que está reconstruindo a indústria naval brasileira ao PSDB que a desmantelou totalmente?

Como igualar o PT que está reconstruindo ferrovias no Brasil com o PSDB e o DEM que as privatizaram e desativaram?

Como igualar o PT que, com a Lei da Partilha, aumentou a presença do Estado e da Petrobrás na exploração do petróleo, ao PSDB que quebrou o monopólio estatal do petróleo, tentou privatizar a Petrobrax e criou o regime de concessão pelo qual quem achasse petróleo era seu dono?

Carneiro também disse que pessoas não mudam de time….

Lupicínio Rodrigues, genial compositor gaúcho, era Internacional, mas mudou de time, e compôs o hino do Grêmio, segundo contam historiadores.

Há diferenças abissais entre o PT e os demais partidos. E há, também, pessoas que mudam de time, sim.Nem por isso, Lupicínio deixou de ser genial e inesquecível.

Altamiro Borges: #MarinaCensura. Ela plagiou Aécio?

Por Altamiro Borges | Via Blog do Miro

A própria mídia oposicionista já demonstrou que o programa de Marina Silva chupou vários trechos das plataformas dos outros candidatos – em alguns parágrafos, a cópia foi na íntegra. Até Aécio Neves ironizou a conduta da ex-verde, agradecendo “pelo plágio das propostas do PSDB”. Mas tudo bem! Afinal, Marina Silva não tem mesmo compromissos programáticos – quatro tuites do pastor Silas Malafaia bastaram para ela mudar de opinião sobre os direitos dos homossexuais. Pior do que plagiar programa, porém, é copiar a postura truculenta do senador tucano, que adora perseguir os ativistas digitais. Nesta terça-feira (16), por solicitação da coligação de Marina Silva, a Justiça decidiu censurar o site “Muda Mais”.

O ministro Herman Benjamin, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou que o site, que apoia a candidatura de Dilma Rousseff à reeleição, seja retirado imediatamente do ar. A decisão, em caráter liminar, atende à reclamação feita pela coligação encabeçada por Marina Silva. A queixa apresentada é a mais absurda possível. Alega que o “Muda Mais” e o site oficial de Dilma Rousseff são alimentados pela mesma equipe, “com o mesmo grau de sofisticação e com conteúdos exclusivos e semelhantes entre si”. Na sua sentença, o ministro Herman Benjamin ainda justificou que a propaganda eleitoral na internet, autorizada em 5 de julho, só pode ser realizada nos portais do candidato, do partido ou da coligação.

Na sua estranha interpretação da lei, o ministro afirmou que “a manutenção da referida página na internet, por pessoa jurídica não identificada como personagem do pleito, com forte conteúdo eleitoral favorável a um dos candidatos, poderá provocar desequilíbrio na disputa eleitoral”. O TSE nunca se pronunciou sobre as mentiras publicadas quase diariamente na mídia monopolista, que provoca, de fato, “desequilíbrios nas disputas eleitorais”. A liminar concedida será agora analisada pelo plenário do tribunal. Caso confirme a sentença, os responsáveis pelo site “Muda Mais” ainda terão que pagar multas, que variam de R$ 5 mil e R$ 30 mil.

A retirada do site do ar, pedida pela coligação de Marina Silva, é evidentemente um ato de censura, uma agressão à liberdade de expressão. Nos últimos meses, Aécio Neves ingressou com vários processos na Justiça contra o Google, o Facebook e o Twitter solicitando os perfis dos usuários das redes sociais. Ele também arranjou mandados de segurança para invadir residências de ativistas digitais. Mas o ditador tucano, famoso por perseguir jornalistas e por corromper e censurar a imprensa em Minas Gerais, ainda não havia conseguido tirar do ar um site. Marina Silva, que se apresenta como expressão da “nova política”, terá mais esta mácula na sua biografia. Ao plagiar Aécio Neves, ela o superou na arbitrariedade!

Reproduzo abaixo a nota postada pelos editores do site “Muda Mais” na noite desta terça-feira:

Prezados,

Por decisão liminar do TSE, em atendimento à solicitação judicial da coligação encabeçada pela candidata Marina Silva (PSB), o Muda Mais sairá do ar a qualquer momento. Vamos proceder à defesa jurídica de todos os pontos que foram questionados, e não vamos deixar que as posturas antidemocráticas da candidata nos calem.

Contamos com a ajuda de vocês para faze circular em todas as redes, na íntegra, o editorial abaixo. Seguiremos produzindo materiais e no diálogo diário com vocês.

Abraços

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O Muda Mais acredita que o amplo debate de ideias, posicionamentos e propostas é crucial para a democracia. Acreditamos também que a internet é o meio mais democrático e criativo de fazer o debate politico eleitoral. É o canal de comunicação que quebrou o monólogo da grande mídia, permitindo a milhares de pessoas que expusessem suas vozes e opiniões, antes abafadas. E esse poder de comunicação digital deve ser usado com discernimento, respeito e compromisso com a verdade.

Por isso mesmo, o Muda Mais sempre teve o caráter de levar o debate para as redes, se baseando na honestidade dos fatos, em uma boa apuração e na checagem das informações que servem ao diálogo franco e aberto. Uma de nossas principais diretrizes é a disputa no campo político entre projetos de país, sem agressões pessoais ou infundadas a ninguém, ataques desrespeitosos ou mentiras. Nossa postura tem sido, inclusive, a de apontar boatos e artificialidades construídas – mesmo quando elas agem em benefício da nossa candidata.

Temos lado, e sempre deixamos isso claro: defendemos, baseados em informações verdadeiras, o projeto de país em que acreditamos, e apontamos as incongruências dos projetos de nossos adversários. Esse foi o tipo de debate que estabelecemos com Aécio, com Eduardo Campos e, agora, com Marina Silva.

Fomos pegos de surpresa com a postura de Marina Silva e sua tentativa de censura ao Muda Mais. Justamente da candidata que afirma ser representante da nova política, que fala em democratizar o debate público e que, assim como Dilma, tem na internet um importante espaço de participação. Foi, no entanto, justamente Marina Silva quem deu uma prova de que não quer o debate, ao entrar no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com um pedido para retirada do Muda Mais do ar.

Vamos proceder à defesa jurídica de todos os pontos que foram questionados, e não vamos deixar que posturas anti-democráticas nos calem. É importante que todos saibam, inclusive nossos adversários: não se cala a internet – a produção, o acesso a informações na web e seu caráter democrático . O Muda Mais carrega em si o espírito da rede. Não se cala a verdade, ela vai continuar circulando pela Internet, entre os militantes e entre aqueles que reconhecem a revolução social que o Brasil trilhou nos últimos 12 anos, sob os governos de Lula e Dilma.

Vamos continuar fazendo o contraponto na política. Marina precisa entender que na democracia ninguém fala sozinho. Tentar calar o Muda Mais é tentar calar o debate político.

Facebook, a outra cara da campanha eleitoral

Por Carlos Castilho | Via Observatório da Imprensa

A campanha política via Facebook está mostrando uma curiosa e interessantíssima diferença no comportamento dos eleitores. Nas redes virtuais, os posicionamentos pessoais são muito mais diversificados – o que torna o debate pré-eleitoral mais variado e atrativo, embora a baixaria se faça presente com alguma intensidade.

Enquanto os jornais, revistas e até a televisão apresentam uma campanha eleitoral altamente regulamentada e inevitavelmente aborrecida, os internautas têm mais espaço para divergir e polemizar. Nota-se também uma clara separação etária na forma como o debate eleitoral é percebido. A geração mais velha segue a política pela mídia convencional, que prioriza a cobertura da baixaria na internet, fazendo com que o seu público ignore o que está sendo discutido nas redes sociais.

Os mais jovens, por seu lado, rejeitam o horário eleitoral gratuito e passam ao largo das manchetes de jornais ou revistas. Sua participação nas discussões virtuais está marcada pela frustração e pela insistência no desejo de serem ouvidos. Trata-se de um comportamento muito parecido com o que predominou nas manifestações de junho do ano passado, que se transformaram numa espécie de paradigma de interpretação da conduta política da geração com menos 30 anos.

Estima-se que cerca de 40 milhões de jovens brasileiros tenham acesso regular às redes sociais por computador e por telefone celular. É um contingente respeitável tomando em conta o seu poder de circular opiniões e percepções, embora pelo menos metade deles não esteja capacitada a votar. É este público que a imprensa convencional está deixando de lado e consequentemente pagando o preço da associação a um tipo de campanha eleitoral pouco atrativa para os mais jovens.

Quem está apostando, e alto, no público virtual é a empresa Facebook, que lançou em 2012 um aplicativo chamado Custom Managed Audiences (Gestão personalizada em audiências) que permite desenvolver mensagens com alto grau de personalização. O aplicativo cruza o conteúdo dos bancos de dados de partidos ou movimentos políticos com o as informações contidas nos perfis dos usuários do Facebook.

A ferramenta foi testada inicialmente para fins comerciais, especialmente no marketing, mas desde o ano passado começou a ser usada, com resultados surpreendentes, em campanhas eleitorais nos Estados Unidos. Além de permitir que os candidatos digam a cada eleitor o que ele gostaria de ouvir, o software permite uma economia de até 50% nos gastos de uma campanha eleitoral, conforme dados da Comissão Federal Eleitoral dos Estados Unidos.

Esta personalização das mensagens eleitorais é outra grande diferença entre o debate político nas redes sociais e a campanha na mídia convencional, que precisa ser pouco diferenciada para atrair a atenção de públicos massivos. Quando você acompanha a política dentro do seu grupo de amigos no Facebook, as divergências de opinião podem ser agudas, mas há um clima quase familiar, enquanto na mídia convencional predomina o distanciamento e a indiferença.

A campanha eleitoral via internet tem duas características bem marcantes: o comportamento minimamente civilizado nas páginas pessoais em redes sociais; e a presença marcante da baixaria, especialmente em comentários postados em sites de comentaristas políticos da imprensa ou de candidatos. A imprensa convencional demoniza os comentários grosseiros e tenta transformá-los numa marca registrada da internet, ignorando o fato de que os trogloditas políticos sempre existiram. A única diferença é que agora eles podem se expressar de forma fácil e barata. Para neutralizá-los não podemos recorrer à equivocada tese de que eliminando o mensageiro, acabamos com as mensagens que nos desagradam.

O debate público sobre as campanhas eleitorais pela internet ainda é muito reduzido no Brasil e fortemente condicionado pela mentalidade reguladora. É inútil usar normas antigas para controlar um novo contexto social e político. A personalização do debate eleitoral nas redes sociais quebra radicalmente o modelo vigente de propaganda e marketing político adotado pela maioria esmagadora dos políticos e partidos no país.

Há várias outras diferenças na campanha feita em ambiente virtual/personalizado e no analógico/massivo, mas uma delas é fundamental: a principal preocupação das pessoas no Facebook é compartilhar opiniões, dados e percepções com pessoas conhecidas, enquanto na mídia convencional o compartilhamento é estruturalmente impossível. Enquanto no terreno virtual as pessoas falam e podem ser ouvidas, no espaço físico a estrutura dos meios de comunicação impede a interatividade.