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Diálogos Desenvolvimentistas: O PT é igual aos outros? Parte 2

Edição por Rennan Martins

No último dia 19 publicamos um texto provocador do jornalista Beto Almeida, intitulado O PT é igual aos outros? Nele, Beto levanta uma série de questionamentos em torno dos doze anos de governo petista e seus feitos, contestando a visão corrente de que o partido tornou-se igual aos outros, desconectado das vontades da população.

Estas perguntas geraram o interessante diálogo que segue, muito indicado a quem quer debater política com seriedade. Participaram o próprio autor e o economista e funcionário do BNDES, André Luís.

Confira:

Beto Almeida – Qual partido aplicou medidas que, segundo relatório da ONU, reduziram à metade a pobreza e a desnutrição no Brasil?

André Luís – Outros governos também reduziram a pobreza no Brasil, isso não é só fruto do período do PT no governo, embora esta tenha sido realmente um grande mérito do partido.

Beto Almeida – Não temos aqui uma discordância, mas, como você se lembra, na ERA FHC os salários foram rebaixados, o desemprego explodiu e a Carteira de Trabalho de Vargas tornou-se um objeto não identificado.

Qual partido criou o Mais Médicos, trazendo mais de 15 mil médicos de Cuba, programa aprovado por 87 por cento dos brasileiros?

André Luís – Este é um programa inovador do governo Dilma, um de seus pontos positivos.

Beto Almeida – Qual partido, tendo chegado ao governo, construiu em dois governos 390 Escolas Técnicas Federais, públicas e gratuitas?

André Luís – Até concordo, mas deveria ter feito mais.

Beto Almeida – O argumento apresentado é que nenhum partido fez tanto nesta área como o PT. Aparentemente, estamos de acordo. Para fazer mais, é preciso ter mais força política, mais base parlamentar. Vargas foi obrigado a fazer amplas alianças para governar. O PT também.

Tirando o PTB de Vargas e Jango, qual outro partido, no governo, aumentou o valor do salário-mínimo em 73 por cento em tão pouco tempo?

André Luís – Está falando em nível real ou nominal, embora seja um ponto positivo lembre-se que o salário-mínimo já vinha aumentando e a criação do salário regional deveria ter sido mais explorado, visto que os governos estaduais petistas não criaram um salário-mínimo regional.

Beto Almeida – No governo FHC o salário-mínimo não alcançava 100 dólares. O argumento é que o PT, com seus aliados, numa aliança dirigida pelo PT, aprovou uma política, uma lei de valorização do salário-mínimo. Até o PSB foi a favor disso, mas Marina é contra, e o PSDB, de Aécio votou contra. Como dizer que o PT igualou-se aos demais partidos?

Qual outro partido, no poder, enviou ao a exterior 100 mil jovens para estudarem nas melhores universidades de mundo, com tudo pago pelo Estado?

André Luís – Este é um outro ponto positivo do governo Dilma, no futuro este investimento trará retorno no país.

Beto Almeida – Qual outro partido, no poder, propôs um plebiscito para que o povo decida que Reforma Política deseja para o país?

André Luís – A reforma política do PT é excludente principalmente na questão do voto em lista fechada que retira o direito de muitos cidadãos de se candidatarem a cargos eletivos, principalmente a nível regional.

Beto Almeida – Só o PT propôs um plebiscito e uma constituinte exclusiva para realizar uma reforma política. Onde está o caráter excludente da proposta? A proposta é incluir o povo inteiro no debate da reforma política. Durante a Constituinte e o Plebiscito, os brasileiros decidem se querem um aspecto ou outro da reforma política. Nada mais democrático, por enquanto, mas, o argumento central é que isto diferencia ao contrário de igualar o PT aos demais partidos. Quem estiver em desacordo com o voto em lista, terá oportunidade democrática de expressar-se.

Bob Fernandes: Racionamento d’água, abortos… e o silêncio hipócrita

Por Bob Fernandes | Via Facebook

Em várias cidades de São Paulo, incluída a capital, têm faltado água. Mas se evita usar a expressão “racionamento”.

Usam eufemismos para “racionamento”. E fazem de conta ser São Pedro o responsável único… Porque tem eleição.

Marina (PSB), ambientalista, escapa desse assunto. Porque o governador Alckmin (PDSB) é aliado…mesmo não sendo; não é aliado na construção da “pureza”. Se torna aliado na hora da busca do voto.

Aécio Neves não pode falar em água nem em racionamento em São Paulo… Porque tem eleição.

Em Minas, na Serra da Canastra, a nascente do Rio São Francisco secou. Ninguém, a não ser São Pedro, tem nada com isso… Porque tem eleição.

Na ONU, o Brasil não assinou a “Declaração sobre Florestas”. Aécio e Marina usaram o mesmo verbo, lamentar. Lamentaram.

Já Dilma diz que houve “só um aumentinho” do desmatamento em 2013. E que Marina mente ao falar sobre esse assunto.

A ONU não diferencia o que é legal e o que é ilegal no manejo das florestas: é o que alega o governo para não ter assinado a “Declaração sobre Florestas”.

O tema “Florestas” exige saber e profundidade. Mas o debate é, tem sido mais raso do que o nível dos reservatórios em São Paulo… Porque tem eleição.

Elizângela Barbosa,32 anos, mãe de três filhos, fez aborto clandestino em Niterói. E morreu.

Como morreu Jandira dos Santos,27 anos, que saiu de casa para fazer um aborto e um mês depois, nesta terça-feira, 23, foi encontrada carbonizada em Guaratiba (RJ).

A cada ano 800 mil mulheres abortam clandestinamente. Segundo o Ministério da Saúde, a cada dois dias uma mulher morre no Brasil ao fazer aborto clandestino.

Quem tem dinheiro aborta com segurança. Quem não tem… que se vire. O tema é tabu cercado por hipocrisia.

O PT de Dilma e Lula já teve opinião categórica sobre o aborto legal. Mas recuou… Porque tem eleição.

Há questões de fé nesse debate. Respeite-se as opiniões. Mas tem quem prefira debater estatísticas, quantas mulheres morrem ou não. Portanto, quantas mortes seriam “aceitáveis”.

Debate hipócrita… Porque tem eleição.

Justiça permite que Requião acuse Richa de ter recebido “dinheiro do pedágio”

Por Narley Resende | Via Bem Paraná

Reprodução/RPC TV

A Justiça Eleitoral negou direito de resposta ao governador Beto Richa (PSDB), candidato à reeleição, contra a RPC TV, afiliada da Rede Globo, e o senador Roberto Requião (PMDB), candidato ao governo do Paraná. Richa pediu direito de resposta por considerar a entrevista ofensiva. Requião voltou a acusar Richa de receber “dinheiro do pedágio” a dizer que congelou tarifas de energia elétrica em seu governo.

Para o juiz Leonardo Castanho Mendes, o direito de resposta não se aplica a entrevistas igualitárias e para desmentir fatos amplamente divulgados. “Soa estranho deferir-se direito de resposta a candidato com relação a entrevista dada por outro candidato, ao vivo, dentro de uma sistemática que já contempla o direito à participação igualitária de todos (…) Quando se entra a discutir percentuais, foge-se por completo, a meu ver, aos fins que justificam a previsão legal do direito de resposta. O simples fato de ter sido o representante obrigado a fazer extensa pesquisa sobre cada um dos reajustes feitos em determinado período já me leva a concluir pela ausência de fato sabidamente inverídico”, relatou o juiz.

O juiz revela que existe uma investigação do Ministério Público Federal (MPF) para apurar a relação de Richa com empresas concessionárias de rodovias do Paraná e a Justiça não pode impedir que Requião tire proveito do assunto. “Quanto ao segundo ponto, que diz com a percepção de doações de campanha feitas por empresas concessionárias de serviço público, também considero improcedente a representação, tendo em vista que a existência da investigação pelo Ministério Público, tal como noticiada na entrevista, não constitui fato sabidamente inverídico”, conclui.

MPF

O juiz se refere a um relatório divulgado pelo Ministério Público Federal em março deste ano que cita diversos políticos do Paraná que teriam recebido doações de empresas ou pessoas ligadas às concessionárias de pedágio, para campanhas eleitorais. Entre os beneficiados estaria o governador Beto Richa (PSDB) que teria recebido R$ 3 milhões entre as campanhas de 2008 para a Prefeitura de Curitiba e 2010 ao governo do Paraná. Richa afirma que todas as doações foram aprovadas pela Justiça Eleitoral. O senador Roberto Requião também teria recebido o valor de R$ 15 mil em forma de empréstimo de uma casa de campanha. A outra atual candidata ao governo do Paraná Gleisi Hoffmann (PT) teria recebido R$ 1,3 milhão na campanha de 2010 ao Senado, segundo o MPF. A senadora nega ter recebido doações de concessionárias.

Danilo Gentili é mais que um rematado idiota, é um covarde

Por Nirlando Beirão | Via Carta Capital

Não satisfeito, ele se une a gente como Roger, que se vangloria de um QI à altura do Everest e escora sua sabedoria no exílio passado na América, onde deve ter feito estágio na Ku Klux Klan

Luciana humilha o escorpião, perdão, anfitrião

Acabou A Grande Família, depois de 13 anos quase ininterruptos, e acabou em grande estilo, com artimanha de metalinguagem, o último capítulo brincando de ficção em dobro. Deixa saudade. Vai embora, na Globo, a longeva família suburbana e fica, no SBT, a molecagem subintelectual de The Noite. Danilo Gentili é um rematado idiota e, não satisfeito, ainda se cerca de sumidades anedóticas como aquele Roger, sempre um Ultraje.

Gentili construiu sua, hum, notoriedade graças ao episódio que este colunista testemunhou: a suposta agressão por parte de guarda-costas de Sarney, durante a comemoração da vitória de Dilma Rousseff em 2010, num hotel de Brasília. Na verdade, foi o varapau vira-latas que, no acotovelo da multidão, se arremessou sobre o ex-presidente, com aquela grosseria que caracteriza o padrão Pânico de provocação e desrespeito. Já o Roger vangloria-se de um QI à altura do Everest, que ele prefere sonegar à tevê, e escora sua sapiência nos anos de autoexílio na América, onde, a julgar pelo que diz, deve ter cumprido um proveitoso estágio na Ku Klux Klan.

Bastaram 20 minutos, nesta semana, para que ruíssem estrepitosamente o arcabouço ideológico e a fraude ética que sustentam todo aquele esforçado exercício de gracinhas e de torpezas. Luciana Genro, candidata do PSOL à Presidência, aceitou submeter-se ao risco mais do que previsível do deboche. Atrevida, a moça. Sua firmeza desarmou os engraçadinhos. Sua sinceridade levou-a a recomendar ao, bem, entrevistador: “Se tu estudar um pouquinho…”

As redes sociais extrapolaram o episódio, mas na verdade Luciana disse-o sem agressividade. O, vá lá, anfitrião, em resposta humilhada, postou uma montagem relacionando a candidata ao ídolo dele, Adolf Hitler. Mostrou que, além de idiota, é um covarde.

Marina, o cavalo de Troia

A procissão do cavalo de Troia, de Giovanni Domeni

Por Rennan Martins | Brasília, 22/09/2014

A Grécia Antiga e seus diversos poetas, com destaque para o lendário Homero, nos brindou com a história da Guerra de Troia. Nela, os gregos iniciam uma guerra de uma década após o príncipe de Troia, Páris, sequestrar Helena, a mais bela mulher do mundo e esposa de Menelau.

Esta peleja só teve fim após os gregos – cansados de cercar Troia e suas muralhas por tantos anos – resolverem usar de uma trapaça para invadir a cidade. Construiu-se um imenso cavalo de madeira, oco, que foi deixado as portas dos troianos. Estes, ao avistarem somente o cavalo e nenhuma tropa inimiga, julgaram ter ganho a guerra e um regalo. Festejaram então a vitória, e guardaram no interior de suas muralhas o presente de grego. A noite chegou e a cidade que dormia foi destruída e incendiada pelos soldados gregos que estavam no interior do cavalo, o de Troia.

Saindo da Grécia e adentrando o Brasil, tivemos o histórico mês de junho do ano passado, episódio em que voltamos às ruas com diversas demandas e uma clara insatisfação com o sistema de representação política, desgastado e distante das vontades da população. Desta conjuntura emergiu Marina Silva, candidata que alega estar comprometida com a nova política.

Marina, com sua origem e história adquiriu uma aura de predestinação e invadiu o imaginário popular com a imagem da pureza que renovaria o cenário político brasileiro, condenado pelos vícios e mazelas de nossa república.

Porém, quando comparamos sua agenda, alianças e compromissos firmados, não é difícil enxergar a pessebista como um cavalo de Troia. Explico.

A candidata aparenta possuir compromisso com o social e o aprofundamento da inclusão que ocorridos nos últimos anos. No entanto, sua plataforma político-econômica é demasiado ortodoxa, o que dificulta sobremaneira ao Estado intervir no sentido de combater a desigualdade que ainda assola o país.

Exemplo claro da contradição citada é a proposta de minguar a atuação dos bancos públicos. O setor financeiro privado – cada vez mais acostumado a benesses e avesso a riscos – terá realmente vontade de substituir os bancos públicos no financiamento aos programas de habitação e da agricultura familiar? Certamente que não.

Outro ponto que sinaliza retrocesso é a política externa. Nos últimos anos priorizamos a integração regional, a solidariedade latino-americana e o enfrentamento aos abusos cometidos pelas potências, como no caso em que nossa presidente teceu duras críticas aos Estados Unidos pela espionagem massiva que praticam, e quando subimos o tom contra Israel, criticando o massacre na Faixa de Gaza. Marina, em entrevista a Associated Press publicada no último dia 18, deixou claro que pretende reconfigurar a inserção brasileira no cenário internacional, fazendo-nos voltar a antiga subserviência aos norte-americanos e a cumplicidade as destruidoras intervenções militares da OTAN.

No campo dos direitos civis, o Brasil instituiu o casamento igualitário por decisão do judiciário e caminha agora para transformar a medida em lei. Marina chegou a defendê-lo, mas, após quatro tweets furiosos do patético e obcecado pastor Malafaia, voltou atrás. Com isso demonstrou ser influenciada demais pelo conservadorismo rançoso, sem mencionar a falta de pulso para liderança.

A pessebista empunhava a bandeira da revisão da lei da anistia, considerando que crimes contra a humanidade não prescrevem. De olho no apoio dos militares, mudou de ideia e assumiu mais este compromisso questionável.

Um dos principais destaques do discurso do novo de Marina eram as críticas as atuais alianças do governo com o PMDB de Sarney e Renan e a recusa a receber financiamento de setores como da indústria de arma e de bebidas. Não mais. Márcio França, coordenador financeiro de campanha, abriu os cofres dizendo: “Pode vir dinheiro da indústria de armas, de bebidas, do que for”. Beto Albuquerque, vice-presidente da chapa, tratou de avisar que “ninguém governa sem o PMDB”.

Esse estranho comportamento lhe rendeu diversas críticas internas. Adriano Benayon, doutor em economia e filiado ao PSB, já avisou que a candidata não terá seu voto. O líder da Rede Sustentabilidade no Pará, Charles Alcântara lhe retirou o apoio após perceber o quão liberais eram suas propostas econômicas. Gustavo Cantañon, professor de filosofia da UFJF, se indignou com as contradições e alianças de Marina e desfiliou do PSB publicando carta bombástica.

A história nos ensina que muitos políticos de raízes populares traem sua base social, e que os elitistas jamais o fazem. E é justamente por ser essa metamorfose ambulante com perigosa queda para o reacionarismo que passei a referir-me a Marina Silva como cavalo de Troia.

Marina não explica recuo para o agronegócio em desmatamento e reforma agrária

Via RBA

A pedido de ex-ministro da Agricultura, vice entrega regulação ao mercado. Candidata do PSB elogia Embrapa e produtividade quando perguntada sobre desconsideração de mais dois pontos do plano de governo

Marina durante evento em Campinas: desmatamento zero e luta contra transgênicos ficam no passado

São Paulo – A candidata do PSB à presidência da República, Marina Silva, evitou hoje (20) explicação sobre o recuo em duas propostas de seu programa de governo que eram alvo de críticas do agronegócio. As mudanças costuradas por seu vice, o deputado Beto Albuquerque (PSB-SP), se dão justamente no setor que a notabilizou politicamente, no exercício do cargo de ministra do Meio Ambiente e do mandato de senadora.

“Os índices de produtividade foram colocados na Constituição de 1988 exatamente para fazer jus à ideia de que nossa régua deve medir para cima, e não para baixo”, disse Marina, durante entrevista coletiva em Campinas, no interior paulista, em que foi questionada sobre os acordos buscados por Albuquerque.

Esta semana, o parlamentar, conhecido pelo trânsito entre os produtores rurais, esteve reunido com o ex-ministro Roberto Rodrigues, titular da Agricultura em parte do governo Lula. Hoje, Albuquerque fez letra morta de dois pontos centrais do programa de gestão de Marina para o meio ambiente. Primeiro, confirmou que a meta de desmatamento zero a que se refere o documento diz respeito apenas ao corte ilegal de vegetação, e não ao desmate como um todo. Depois, afirmou que não haverá revisão dos índices de produtividade da terra usados para a reforma agrária.

“Vamos criar um programa para premiar a meritocracia sobre a produtividade. Quem não tiver produtividade será desapropriado pelo mercado, e não pelo governo”, esclareceu Beto, numa afirmação que joga por terra o previsto pelo programa de gestão. A página 58, de um total de 242, prevê “atualizar os índices de produtividade agrícola e acelerar o diagnóstico da função social da propriedade rural nos aspectos produtivo, ambiental e trabalhista, permitindo a rápida desapropriação nos casos previstos em lei ou premiando aqueles que fazem uso correto da terra”.

A atualização dos índices de produtividade é uma demanda antiga de movimentos sociais, que não conseguiram nenhum avanço neste sentido ao longo dos doze anos de governo de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. A bancada de representantes do agronegócio no Congresso sempre obteve sucesso em travar a discussão sobre o grau de utilização da terra (GUT) e o grau de eficiência na exploração (GEE), os dois indicadores que definem se uma terra é ou não improdutiva.

Nenhum dos candidatos com chances de vitória nas eleições de outubro aceitou até aqui firmar compromisso pela revisão do índice. Dilma e Aécio Neves (PSDB) não entregaram até o momento seus planos de governo. A presidenta, em eventos ao lado de agricultores familiares, não fez menção ao tema.

Questionada hoje a respeito das posições de Albuquerque, Marina não confirmou nem desmentiu os acordos com o agronegócio. Preferiu uma resposta de 2 minutos e 40 segundos na qual centra a questão em tecnologia como meio de aumentar a produtividade. “Desde sempre, quando era ministra do Meio Ambiente, quando fizemos o zoneamento agrícola da cana-de-açúcar, quando fizemos o plano de prevenção e controle do desmatamento, fizemos a proposta de combater o desmatamento com base em três eixos: ordenamento territorial e fundiário, combate às práticas ilegais e apoio ao desenvolvimento sustentável. E já naquela época o que propugnávamos é que devemos aumentar a produção por meio do ganho de produtividade. Isso requer tecnologia, inovação, infraestrutura logística”, afirmou.

Em seguida, Marina apostou no elogio ao trabalho desenvolvido pela Embrapa, da qual foi crítica quando ministra de Meio Ambiente, entre 2003 e 2008. Na questão específica do desmatamento, a estatal ligada ao Ministério da Agricultura desenvolveu um tipo de soja que se adapta bem ao cerrado, o que foi fundamental na predação de um ecossistema que hoje se vê sob risco de extinção.

“É fundamental apostar nas tecnologias da Embrapa para aumentar a produção por ganho de produtividade. Aliás, o setor agrícola brasileiro nem precisa se preocupar com isso porque desde a década de 1970 que vem aumentando seu índice de produtividade graças à introdução da pesquisa, da tecnologia, da inovação, de novas práticas agrícolas que precisam ser universalizadas para que não se queira voltar ao tempo de aumentar produção por expansão predatória da fronteira agrícola.”

Este não é o primeiro recuo da candidata do PSB no campo de suas bandeiras históricas. Nesta campanha, Marina classificou como “lenda” a ideia de que é contra o uso de sementes transgênicas.

Um discurso feito em 2002 no plenário do Senado, porém, mostrava visão diferente: “Em Gênesis 21,33, o próprio Patriarca Abraão, com mais de 80 anos, resolve plantar um bosque. Quem planta um bosque com quase 100 anos está pensando nas gerações futuras, que têm direito a um ambiente saudável. Era esse o significado simbólico do texto. No Êxodo 22,6, há determinação explícita no sentido de que quando alguém atear fogo a uma floresta ou bosque deverá pagar tudo aquilo que queimou. Talvez essa regra seja mais rigorosa do que as do Ibama. Com relação aos transgênicos, o livro Levíticos 22,9 expressa claramente que não se deve profanar a semente da vinha e que cada uma deve ser pura segundo a sua espécie.”

A verdade sobre a PPP do governo Beto Richa e a Odebrecht

Via Roberto Requião

PEDÁGIO DO GOVERNO BETO RICHA É MAIS CARO QUE O DO LERNER E DO GOVERNO FEDERAL

OBJETO DA PARCERIA PÚBLICO PRIVADA – PPP LICITADA PELO GOVERNO RICHA

Recuperação, ampliação e melhorias do corredor da PR-323 (trecho Maringá-Paiçandu-Cianorte-Umuarama-Perobal-Francisco Alves), através de cobrança de pedágio e pagamento pelo Estado na forma de aporte e contra prestação.

COMO FOI CONTRATADA A PPP

Com base na legislação federal e estadual, especialmente a Lei Estadual 17.046 de 11/01/2012 e o Decreto Estadual 6.823 de 21/12/12, o governo abriu possibilidade de empresas apresentarem projeto de Parceria Público Privada (Concessão Patrocinada) via Procedimento de Manifestação de Interesse – PMI, com apresentação dos respectivos estudos de viabilidade técnica, econômica, ambiental, financeira e jurídica. A única empresa que manifestou interesse, em abril de 2013, foi a Odebrecht Transport Participações SA. No início de setembro de 2013 a empresa apresentou seus estudos e modelagem econômico-financeira do seu interesse, com pesados investimentos nos primeiros 5 anos, demonstrando que seria viável a PPP desde que o Estado pagasse à empresa grande valor adicional. O PMI proposto pela Odebrecht indicou alternativas de tarifas e valores complementares a serem pagos pelo Estado ao longo de 30 anos.

O Governo Richa validou o PMI e, com base nele, lançou o edital com estas principais características:

- implantação de 4 praças de pedágio (em média uma a cada 55 km);

- indicação da necessidade de complementação financeira pelo Estado;

- prazo de 30 anos;

- extensão a ser concessionada de 219,9 km (12,6 km duplicados pelo estado);

- duplicar 163 km até o quinto ano;

- duplicar 44,3 km no ano 16;

Após a licitação, que teve a Odebrecht como única proponente, em setembro/2014 foi assinado o contrato com estes principais parâmetros:

- Valor total: R$ 7,8 bilhões, sendo R$ 5,1 bilhões da receita do pedágio e R$ 2,7 bilhões de pagamento do Estado para a empresa;

- Tarifa básica (automóvel) a ser arrecadada pela Odebrecht de R$ 3,90 por praça ;

- Pagamento do Estado para a empresa de R$ 2,7 bilhões, sendo R$ 295,7 milhões de aporte e R$ 2,4 bilhões de contra prestação (R$ 95,7 milhões por ano durante 25 anos).

COMENTÁRIOS E COMPARATIVO ENTRE OS PEDÁGIOS

A tarifa básica de R$ 3,90 por praça (uma praça a cada 55 km) equivale a 7,1 centavos por quilômetro.

Os R$ 2,7 bilhões que serão pagos pelo Estado correspondem a uma tarifa básica de 3,8 centavos por quilômetro. Então 7,1 centavos serão pagos pelos usuários da estrada e 3,8 centavos serão pagos por todo o povo do Paraná (e a grande maioria não usará a estrada), resultando 10,9 centavos por quilômetro (a valores da proposta de setembro/2013).

Portanto, temos:

Valor médio do pedágio na PPP PR-323 (Governo Richa): 10,9 centavos por quilômetro;

Valor médio do pedágio no Anel de Integração (Governo Lerner) conforme dados da ABCR: 10 centavos por quilômetro;

Valor médio do pedágio da Concessionária VIAPAR (na mesma região da PR-323): 9 centavos por quilômetro;

Valor médio do pedágio nas rodovias federais no Paraná (Governo Federal): 3 centavos por quilômetro a valores atuais.

Pedágio do Governo Richa:

- 9% maior que o pedágio do Governo Lerner (que tem prazo de 24 anos);

- 20% maior que o pedágio da VIAPAR;

- 276% maior que o pedágio do Governo Federal;

- uma praça a cada 55 km e Governo Lerner uma a cada 80 km;

- 34,6% do empreendimento será bancado pelo povo do Paraná (mesmo aqueles que não usarão a PR-323).

COMPARATIVO ENTRE INVESTIMENTOS NA PR-323 E NA MALHA ESTADUAL

R$ 95,7 milhões por ano a serem destinados à PR-323 (219,9 km) correspondem a cerca de 25% da necessidade anual de investimentos para a gestão malha rodoviária estadual (mais de 11.000 km).

A malha rodoviária estadual necessita, com urgência, de modernização (duplicações, terceiras faixas, passarelas, ciclovias, pontes, viadutos, etc.) em mais de 2000 km de acordo com estudos do DER-PR.

Com os R$ 2,7 bilhões a serem pagos pelo Estado à Odebrecht seria possível estruturar um plano de investimentos em mais de 1.000 km atendendo todas as regiões do Estado e gerando enormes benefícios aos paranaenses com eliminação de gargalos e pontos críticos, reduzindo custos de transporte, gerando mais empregos e reduzindo acidentes e mortes.

Para a PR-323, com um volume médio de tráfego da ordem de 8.000 veículos/dia, técnica e economicamente não se justifica essa enorme concentração de recursos (R$ 7,8 bilhões), pois sua segurança e eficiência do transporte poderiam ser garantidas através de duplicações em trechos críticos e terceiras faixas nas rampas acentuadas, com muito menos investimento. Esta seria a visão do estadista e não a do negociante. Estudos do DER-PR mostram que há outras rodovias com maior volume de tráfego, ineficientes, inseguras e com índices mais críticos de acidentes.

FONTES DE DADOS:

DER-PR, Associação Brasileira de Concessões Rodoviárias – ABCR, Procedimento de Manifestação de Interesse – PMI e Contrato DER-PR com a Odebrecht Transport Participações SA.

Legenda: A rodovia PR-323 é uma das rotas previstas para o corredor que liga o Mato Grosso do Sul ao estado de São Paulo

Foto: Gazeta do Povo