Arquivos da categoria: Eleições

Dez boas razões para votar em Aécio

Por Michael Lowy | Via Blog da Boitempo

1. Se você acha que o que é bom para os bancos é bom para o Brasil, vote em Aécio.

2. Se você acha que o que é bom para Exxon, Texaco, Goldmann & Sachs e J.P. Morgan (o banco do Armínio Fraga) é bom para o Brasil, seu candidato é o Aécio.

3. Se você pensa que os Estados Unidos são os protetores da paz no mundo e que o Brasil deve se alinhar à política norte-americana, tem mesmo de votar em Aécio.

4. Se você acha que a educação e a saúde estariam em bem melhor situação se fossem privatizadas, apoie Aécio.

5. Se você acha que o salário mínimo está alto demais, agravando o “custo Brasil”, vote sempre em Aécio.

6. Se você acha que o lugar de criança delinquente é no Carandiru, não deixe de votar em Aécio.

7. Se você acha que os ricos, os fazendeiros, os empresários e os donos de supermercados pagam impostos demais, Aécio é seu candidato.

8. Se você acha que o neoliberalismo demonstrou, na Europa, sua eficácia para enfrentar a crise econômica e o desemprego, Aécio é seu homem.

9. Se você acha que a taxa de juros esta baixa demais, prejudicando os detentores da dívida pública, seu candidato é mesmo Aécio.

10. Se você acha que a Reforma Agrária é coisa do passado e que o futuro de um Brasil moderno é o agronegócio produtor de commodities, por favor, vote em Aécio.

Se entretanto, por alguma razão obscura – ignorância, preconceito anticapitalista, esquerdismo, falta de confiança em nossas elites – você não acredita em nada disso, provavelmente votará na Dilma…

10 perguntas que eu queria fazer para Arminio Fraga (mas ele não quis responder)

Por Cynara Menezes | Via Socialista Morena

(Arminio Fraga e Guido Mantega em debate promovido pela GloboNews. Foto: divulgação)

Estou convencida de que nós, que não entendemos nada de economia, precisamos fazer um esforcinho extra, porque este é o principal assunto nesta eleição, ao lado das questões morais. Escolher entre dois modelos econômicos distintos, que definirão qual é o Brasil que queremos: é isto que vamos fazer no segundo turno. O problema, a meu ver, é que falta transparência ao projeto do PSDB. O do PT a gente já conhece. Obviamente são necessários ajustes (o ex-ministro Bresser-Pereira falou muito bem aqui), mas, na pior das hipóteses, será mais do mesmo. Enfim, sabemos qual é o projeto econômico do PT, mas não sabemos qual é exatamente o projeto econômico do PSDB. A não ser pelo que os mais velhos já vivenciamos, o que não é nada animador.

Pensando nisso, resolvi colocar mãos à obra e decidi procurar a melhor pessoa para esclarecer minhas dúvidas: o principal assessor econômico de Aécio Neves, ex-presidente do Banco Central de Fernando Henrique Cardoso e cotado como futuro ministro da Fazenda se o tucano for eleito. O carioca Arminio Fraga, 57 anos, brasileiro com dupla nacionalidade norte-americana, não possui assessor de imprensa. Sua assistente me disse que escrevesse um e-mail solicitando a entrevista, com os meus contatos. Foi o que fiz.

“Olá, Márcia, tudo bom? Acabei de falar contigo pelo telefone. Então, como te expliquei, fiz há poucos dias uma entrevista com o ex-ministro Bresser que repercutiu muito no meu blog. E gostaria muito de fazer algo semelhante com o dr. Arminio Fraga. Ou seja, uma entrevista para ‘leigos’ em economia, para tentar entender mais ou menos qual é o projeto econômico do PSDB.

Um abraço e obrigada,

Cynara”

A resposta chegou em exatos 13 minutos:

“Prezada Cynara,

O Dr. Arminio Fraga lhe agradece, porém não poderá atender sua solicitação de entrevista.

Cordialmente,

Márcia”

Claro que ele tem todo o direito de não querer me atender, só acho uma pena. Reforça a impressão de que o PSDB esconde alguma coisa. Nada me impede, porém, de divulgar aqui as perguntas “leigas” que gostaria de ter feito a Arminio. E que, tenho certeza, milhões de brasileiros gostariam de ver respondidas:

1. Quando o senhor assumiu o Banco Central no governo FHC, aumentou os juros para 45% (hoje os juros brasileiros ainda estão entre os mais altos do mundo, mas na casa dos 11%). Isso vai acontecer novamente?

2. O senhor falou que acha que o salário mínimo “cresceu muito”. E, no entanto, alguns economistas apontam o aumento do salário mínimo nos anos que o PT governa como uma das principais razões para a diminuição da desigualdade social no Brasil, mais até que o bolsa-família. Qual será a política econômica do PSDB em relação ao salário mínimo? Vocês pretendem acabar com o reajuste automático?

3. Existe um áudio circulando nas redes sociais em que o senhor fala que está provado que os bancos públicos não são um “modelo que favorece o crescimento” e que iria reduzir as funções deles até que “não sobrasse muito”. O que o senhor quis dizer com isso? O que vai acontecer com a Caixa, o Banco do Brasil e o BNDES em um virtual governo Aécio Neves?

4. Volta e meia o PSDB acena também com mudanças nas leis trabalhistas. Quais seriam elas exatamente?

5. O jornal Financial Times publicou um artigo recentemente dizendo que o senhor decepcionou no debate com Guido Mantega, ministro da Fazenda de Dilma, porque “precisa achar uma forma de desconstruir a crença que o que é bom para os mercados é ruim para as pessoas e vice-versa”. Mas o que é bom para os mercados pode de fato ser bom para as pessoas? Como, se em geral o que é bom para os mercados faz concentrar ainda mais a renda?

6. O modelo que vocês propõem é, de acordo com o candidato Aécio Neves, retomar o crescimento de “forma sustentável”. Para mim isso soa como “embromation”. O que significa crescer de forma sustentável?

7. O senhor pode garantir que, com o modelo do PSDB em prática no governo, não haverá arrocho, recessão e desemprego no País?

8. Este crescimento “sustentável” irá continuar ajudando a diminuir a desigualdade social ou isto não é o foco?

9. A área social do governo sofrerá cortes? Seriam cortes na área social as medidas que o candidato Aécio diz que serão “decisões impopulares” de um provável governo seu?

10. A experiência do PSDB no governo– fora a estabilização da moeda, que vem do governo Itamar Franco– é de triste memória para os brasileiros que a viveram. Desemprego alto, recessão e também inflação na casa dos 12%. O que vocês fariam diferente agora?

Silêncio.

Dilma recebe 7,5 milhões de assinaturas pela reforma política

Via Revista Fórum

As assinaturas foram coletadas pelo movimento “Plebiscito Constituinte”, com adesão de cerca de 480 entidades e movimentos sociais. Entre os pontos discutidos estão o financiamento público de campanha, o fim do voto secreto em deliberações do Congresso e das coligações partidárias proporcionais

Na segunda-feira (13), a presidenta e candidata à reeleição pelo PT, Dilma Rousseff, recebeu 7,5 milhões de assinaturas de pessoas que apoiam um plebiscito para a formação de uma assembleia constituinte que possa implementar a reforma política no país. As assinaturas foram coletadas entre os dias 1 e 7 de setembro pelo movimento “Plebiscito Constituinte”, com a adesão de cerca de 480 entidades e movimentos sociais. De um total de 7.754.436 participantes, 97,05% foram favoráveis à mudança das regras eleitorais em vigor.

Sobre o assunto, a presidenta reforçou a importância da participação do povo brasileiro em torno dessas reivindicações. “Não podemos achar que o Congresso Nacional se autorreforma. Eu acho que nenhuma instância se autorreforma sem a manifestação popular”, afirmou. No ano passado, Dilma já havia proposto uma constituinte para a reforma política, mas não teve apoio dos partidos e nem mesmo da comunidade jurídica, que temia uma mudança mais ampla na atual Constituição.

Entre os pontos discutidos pelos manifestantes estão o financiamento público de campanha, o sistema eleitoral (voto proporcional ou distrital), a manutenção ou não da suplência para senador, o fim do voto secreto em deliberações do Congresso e as coligações partidárias proporcionais. No ato realizado ontem, em Brasília, a petista foi ovacionada pela militância, que interrompeu o discurso várias vezes para aplaudi-la.

Dilma aproveitou o evento para saudar a reeleição do presidente boliviano Evo Morales e criticar a política externa defendida pelo adversário Aécio Neves (PSDB), que, segundo ela, irá “voltar as costas” para a América Latina e retomar a proposta da Área de Livre Comércio das Américas (Alca).

Não confunda Sérgio Moro com Fausto De Sanctis

Por Luis Nassif | Via Jornal GGN

Uma pessoa é ela e suas circunstâncias. Um juiz é seu conhecimento e suas circunstâncias.

A Ajufe (Associação dos Juízes Federais), por eleição direta, indicou três juízes federais como seus candidatos para ocupar uma vaga no STF (Supremo Tribunal Federal). Dois deles que viveram a circunstância de julgar processos que mexiam com as entranhas do poder: Sérgio Moro, que toca a Operação Lava Jato, e Fausto De Sanctis, que tocou a Satiagraha.

É importante entender a diferença entre ambos, na análise de suas circunstâncias.

As duas operações envolviam o mundo político-empresarial brasileiro, grandes empresas e pessoas ligadas a todos os partidos. Qualquer operador de mercado sabe que nesse submundo dos negócios do Estado navegam PT, PSDB, PMDB, PP e a rapa.

A diferença entre ambos é que, ao não privilegiar nenhum lado, De Sanctis ficou do lado da Justiça. Na Satiagraha as circunstâncias do processo o levaram a enfrentar TODAS as forças da República – governo, poder econômico, STF, grupos de mídia.

Suas investigações bateram em Daniel Dantas – apadrinhado por José Serra, Fernando Henrique Cardoso e grupos de mídia – e em José Dirceu – então todo poderoso Ministro-Chefe da Casa Civil. Enfrentou a fúria de Gilmar Mendes e o esvaziamento promovido na Operação pela própria Polícia Federal do governo Lula. Pode ser acusado de radical, jamais de oportunista.

Mesmo com exageros, em nenhum momento tergiversou ou escolheu qualquer lado que não fosse o da Justiça. Naquele momento, perante a consciência jurídica do país, elevou ao máximo o respeito pelos juízes federais de 1a Instância. Daí o justo reconhecimento da Ajufe ao seu trabalho.

Sérgio Moro também enfrentou suas circunstâncias.

Avançou em duas operações delicadas, estudou-as, entendeu sua abrangência, percebeu que atingiam todos os lados do espectro político. E se viu com o poder extraordinário de controlar as informações de um tema que mexe com a opinião pública e até com o processo eleitoral.

É nesses desafios que se identifica a têmpera e os compromissos de um juiz.

De Sanctis foi grande: não cedeu.

Sérgio Moro escolheu lado. Não pensou na Justiça e na imagem dos seus próprios colegas, juízes federais, que pouco antes o haviam escolhido como representante da categoria. Sequer pensou que a eficácia de uma operação contra o crime organizado reside em identificar todos os elos, todo o mundo político. Só assim haverá força política para promover mudanças que eliminem o mal.

Nessa hora, o campeão da luta contra o crime organizado, pensou apenas em si e decidiu ser peça decisiva em uma eleição que elegerá a pessoa – o presidente da República – que indicará Ministros ao Supremo. No momento em que o STF começa a se arejar com a discrição sólida de um Teori Zavascki, de um Luís Roberto Barroso, de Ricardo Lewandowski, de Celso de Mello, surge um candidato a novo Luiz Fux, um jovem Gilmar Mendes.

Então, para que não se cometa nenhuma injustiça em relação a De Sanctis, que se coloque a retificação. Um juiz é feito de conhecimento e de caráter. Juntando todas as peças, ele e Moro não são comparáveis.

Aliás, seria instrutivo algum tracking junto aos associados da Ajufe para avaliar quantos votos Moro perdeu ou ganhou com seu gesto.

Carta Aberta a Quem Tem Menos de 25 Anos Escrita por um Tio Preocupado

Por Pablo Villaça | Via facebook

Não o “Tio” do Jornal Nacional, que é Daqueles Que te Constrangem nas Festas com um Papinho Preconceituoso, mas o Tio que Usa Tênis, Calça Jeans Puída e que te Constrange nas Festas Porque Insiste em Conversar com Seus Amigos Como se Fosse da Turma.

Li esta semana que Aécio tem tido uma boa votação entre os jovens de 18 a 25 anos de idade e fiquei espantado. A juventude é a época do pensamento no coletivo, do idealismo, da generosidade. É a época em que tendemos a pensar mais no mundo do que no umbigo. É a época em que o sofrimento daquele mendigo pelo qual passamos na rua dói e sentimos o impulso de erguê-lo, de alimentá-lo, de agasalhá-lo. É só com o passar dos anos que começamos a tender a um foco mais individualista: pensamos nas nossas contas bancárias antes de fazermos uma doação. Nem todos passam por esta transformação (felizmente), mas a tendência geral é esta.

Assim, como é possível que tantos de nossos jovens já estejam iniciando a idade adulta com um pensamento tão conservador? O pensamento de que o “mercado” importa mais do que as pessoas? O pensamento de que o conteúdo do iPod é mais importante do que o conteúdo da alma (e uso alma como metáfora)? O pensamento de que poder escolher o tipo de iogurte é… nem sei como completar esta frase. Que tal… “minimamente relevante”?

E aí fiquei pensando. O que pode ter acontecido pra que esse conservadorismo aparente tivesse tomado conta da juventude? Seriam os novos jovens mais egoístas do que os da minha época?

Claro que não. A juventude respira generosidade se tiver permissão e contexto.

É isso. Faltam permissão e contexto.

Um tiquinho de paciência e já explico.

A falta de “permissão” vem da mídia e da despolitização. Os jovens abaixo de 25 anos cresceram com uma mídia cujo conservadorismo já resultou em críticas até do Reporters Without Borders (1) e que insiste em transformar qualquer denúncia, por menor que seja e por menos provas que tenha, em um escândalo inquestionável. Às vésperas da eleição de 1989, por exemplo, os jornais relacionaram o PT ao sequestro de Abílio Diniz, comprometendo a vitória da esquerda, mas mais recentemente, na última eleição presidencial, podemos encontrar um exemplo claro no caso Erenice Guerra, próxima de Dilma, que foi massacrada pela Globo e pelos jornais durante semanas, acusada de todo tipo de ato de corrupção imaginável. Erenice que depois foi, vejam só, inocentada. O mesmo ocorreu com o ex-ministro Orlando Silva. E com Luis Gushiken. E, ESTA SEMANA, com José Eduardo Dutra, que a Folha acusou numa matéria de ter sido “denunciado” por Paulo Costa apenas para, no dia seguinte, publicar uma pequena errata dizendo que haviam errado e que Dutra nada tinha a ver com o caso.

Com isso, a mídia criou uma impressão de corrupção generalizada – mas só do lado que a interessa, já que sempre ignora qualquer denúncia contra a direita (cartel do metrô em SP, falta de planejamento da SABESP, mensalão tucano, compra de votos da reeleição de FHC, máfia dos sanguessugas, etc.). Aliás, quando noticia algo, é pra aliviar a barra: esta semana, o Jornal Nacional anunciou que a Procuradoria Geral da República arquivou denúncias contra Aécio no caso do aeroporto em Cláudio – mas deixou convenientemente de informar que a PGR disse apenas que não havia indícios de ilícito em esfera FEDERAL e que, por isso, encaminhou a denúncia pra Procuradoria Geral do Estado por ver indícios de IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA por parte do governo de Aécio.(2)

Assim, como a juventude pode se sentir livre para defender o projeto do governo se este é constantemente rotulado pela mídia brasileira como “o mais corrupto da história”? Um governo que, vejam só, criou diversos mecanismos justamente para investigar, coibir e punir a corrupção? (3) Com isso, só resta a opção de defender a oposição, cujos desmandos são varridos para debaixo do tapete, embora sejam inúmeros, de vulto infinitamente maior e, ao contrário do que ocorre com o governo Dilma, JAMAIS investigados apropriadamente.(4)

Isto tem um nome: despolitização. A mídia atira termos como “bolivarianismo” e “Foro de São Paulo” na cabeça do público e passa a vê-lo reproduzi-los sem terem ideia do absurdo que dizem. Como aqueles que afirmam, sem hesitar, que o filho de Lula se tornou multimilionário e é dono da Friboi, duas mentiras que, de tanto serem repetidas, se tornaram mantra de vários eleitores da oposição.

Já o segundo elemento que torna nossa juventude conservadora é o contexto. Ou melhor: a falta de. Quem tem menos de 25 anos cresceu num país pós-Lula. E, assim, se acostumaram a um país com problemas infinitamente menores do que aqueles que eu vi ao crescer. É uma juventude que compreensivelmente quer melhorias constantes, mas à qual falta a compreensão de que 500 anos de injustiças não são corrigidos em apenas 12 anos. É uma juventude que nunca leu nas capas de jornal que a fome estava matando um número trágico de crianças, que não viu milhares de indivíduos com curso superior fazendo fila pra um concurso de gari numa época em que o Brasil era o 2o pais do mundo em DESEMPREGO, que não viu os juros dos bancos atingirem 79% ao ano, etc, etc, etc. (5)

Infelizmente, estes jovens não se lembram de como o Brasil era antes da era Lula-Dilma. Mas eu lembro. Lembro do Plano Cruzado com suas donas-de-casa fiscais de preço; do confisco da bolsa; dos apagões de FHC e sua dependência do FMI (6). Lembro de quando FHC obrigou o país a racionar luz (7). Lembro da falta de oportunidades na educação pública (8). Da falta de universidades (9) (que poderia ser pior; já que ele cogitou acabar com as públicas) (10). Lembro da inflação (que tantos dizem que FHC controlou, mas que na realidade subiu descontroladamente no seu mandato).(11) Lembro da compra de votos pra reeleição (200 mil/deputado). (12) Lembro dos grampos telefônicos na era FHC.(13) Lembro do Engavetador-Geral da União, que, ao contrário do que ocorre hoje, não permitia que as denúncias fossem investigadas.(14) Lembro do vexame da “festa” dos 500 anos.(15) Lembro do 1,6 BILHÃO que FHC deu ao Marka/FonteCindam (e lembro do Cacciola).(16) Lembro do filho de FHC e seu envolvimento com a EXPO 2000.(17) Lembro do massacre no Eldorado dos Carajás.(18) Lembro da dengue descontrolada.(19) Lembro dos reajustes de 580% na telefonia.(20) Lembro do PIB ridículo.(21) Lembro dos mais de 2 BILHÕES de fraude na SUDAM de FHC.(22) Lembro de FHC chamando aposentados de “vagabundos”.(23) E o povo brasileiro de “caipira“.(24). Lembro de como Aécio, ao contrário do que afirmou recentemente, votou contra o aumento real do salário mínimo.(25) Lembro de como Aécio sabotou CPI sobre a má gestão tucana da Petrobrás em 2001, que resultou no afundamento de uma plataforma.(26) Lembro de Armínio Fraga, que Aécio anunciou como seu ministro da Fazenda, dizendo que o salário mínimo está alto demais.(27) Lembro de quando Armínio era presidente do Banco Central e elevou os juros básicos de 37% para 45%.(28)

Lembro, enfim, muito bem de como era este país até 12 anos atrás. Esta é a questão: não falo tanto de política porque gosto. Ao contrário: me dá dor de cabeça, me faz perder leitores e me prejudica profissionalmente.

Eu falo tanto de política porque preciso. Tenho dois filhos. Não quero pra eles o Brasil no qual cresci. Não quero retrocesso. E é por esta razão, por saber que tenho tantos leitores jovens, que me sinto na obrigação de passar a eles um pouco do que vivi e testemunhei. Porque acredito na generosidade da juventude e acredito que, quando forem lembrados de como este país era e do que se tornou, votarão com a consciência de que, depois de 500 anos de miséria e fome, os últimos 12 anos viram uma redução de 75% na pobreza extrema (imaginem isso!)(29), viram o Brasil sair PELA PRIMEIRA VEZ do mapa da fome da Onu (30) e também viram nosso país ser premiado por iniciativas públicas pela mesma ONU (31).

E trazer estas informações para nossos jovens, em vez de apenas bombardeá-los com factóides e denúncias que sempre parecem surgir magicamente nas vésperas da eleição, não é ativismo político; é apenas ser responsável como cidadão.

Referências:

1. http://articles.latimes.com/2013/mar/03/world/la-fg-brazil-hostile-media-20130304

2. http://g1.globo.com/politica/noticia/2014/10/pgr-arquiva-representacao-contra-aecio-por-construcao-de-aeroporto.html

3. https://www.facebook.com/pablovillaca01/posts/576172119154685

4. http://top10mais.org/top-10-maiores-crimes-de-corrupcao-no-brasil/

5. http://fhcnao.blogspot.pt/2014/10/como-era-o-brasil-no-governo-do-psdb.html

6.http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u53074.shtml

7.http://www.ailtonmedeiros.com.br/o-racionamento-de-energia-na-epoca-de-fhc-segundo-a-veja/2013/01/14/

8.http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Educacao/Educacao-superior-em-Lula-x-FHC-a-prova-dos-numeros/13/16291

9.http://democraciapolitica.blogspot.com.br/2014/05/governos-pt-criaram-18-universidades.html

10.http://www.conversaafiada.com.br/politica/2014/05/15/fim-da-universidade-publica-fhc-obedeceu-ao-fmi/

11.http://www4.cinemaemcena.com.br/diariodebordo/?p=3782

12.http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/palmeriodoria.html

13.http://pt.wikipedia.org/wiki/Esc%C3%A2ndalo_do_grampo_do_BNDES

14.http://socialistamorena.cartacapital.com.br/nos-tempos-do-engavetador-geral-refrescando-henrique-cardoso/

15.http://ocarlismo.blogspot.com.br/2012/10/acm-e-o-vexame-da-festa-dos-500-anos.html

16.http://www.midiaindependente.org/pt/red/2012/11/513752.shtml

17.http://www.dgabc.com.br/Noticia/160639/fhc-diz-que-gasto-de-rs-10-mi-em-hannover-e-modesto-?referencia=navegacao-lateral-detalhe-noticia

18.http://pt.wikipedia.org/wiki/Massacre_de_Eldorado_dos_Caraj%C3%A1s

19.http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff120101.htm

20.http://www.gazetadigital.com.br/conteudo/show/secao/60/materia/4561

21.http://jornalggn.com.br/blog/luisnassif/desconstruindo-fhc

22.https://www.dgabc.com.br/Noticia/182029/fhc-extingue-sudan-e-sudene-mas-investigacao-continua-?referencia=buscas-lista

23.http://www2.uol.com.br/JC/_1998/1205/br1205n.htm

24.http://www.quemdisse.com.br/frase.asp?frase=60989

25.http://www.viomundo.com.br/denuncias/maximiliano-garcez-aecio-votou-sim-contra-aumento-salario-minimo.html

26.http://www.redebrasilatual.com.br/blogs/helena/2014/10/aecio-forca-campanha-com-petrobras-mas-abafou-cpi-do-naufragio-da-plataforma-p-36-5393.html

27.https://www.youtube.com/watch?v=kIiHuNM-jl0

28.http://www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi05039906.htm

29.http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2014/09/16/brasil-reduz-a-pobreza-extrema-em-75-diz-fao.htm

30.http://exame.abril.com.br/brasil/noticias/sair-do-mapa-de-fome-da-onu-e-historico-diz-governo

31.http://www.onu.org.br/tres-iniciativas-brasileiras-vencem-premio-global-da-onu-de-servico-publico/

A Classe Média e sua Nêmese Eleitoral

Por Marcelo Zero

Nos EUA, vem se discutindo muito sobre o encolhimento e o empobrecimento da outrora pujante classe média norte-americana. Há também um intenso debate sobre os efeitos dessa débâcle da classe média na economia.

Com efeito, embora a economia norte-americana venha experimentando algum crescimento pós-crise, com a melhoria de seus indicadores macroeconômicos, a maior parte da população continua a sofrer com o desemprego, o trabalho precário e o decréscimo da renda. Em outras palavras, a economia vai até relativamente bem, mas a população vai muito mal.

Vai mal, e não é de hoje. O desmanche progressivo da classe média norte-americana vem de longe. O gráfico abaixo, feito pela economista Pavlina Tcherneva, com base nos dados de Piketty, mostra a história toda.

Distribuição do Crescimento dos Rendimentos Médios (EUA/ 1949-2012)zero

A partir do final da Segunda Guerra Mundial e até a década de 1970, a renda média dos 10% mais ricos dos EUA (em vermelho) crescia a taxas menores que a do restante da população (em azul). Os 90% se apropriavam da maior parte do crescimento da renda, embora essa diferença tenha decrescido, ao longo das décadas. Assim, até a década de 1970, os EUA cresciam com distribuição de renda.

Entretanto, a partir da década de 1980, há uma drástica e clara reversão dessa tendência. Com o neoliberalismo e a reaganomics, os 10% mais ricos passaram a se apropriar, de forma crescente, da maior parte do crescimento dos rendimentos. Desde aquela época, os EUA crescem aumentando a desigualdade. Alguém lá atrás conseguiu convencer a maioria da população que isso era bom para todo o mundo. Boa parte da classe média votou em sua Nêmese.

De fato, uma consequência óbvia desse processo é o empobrecimento relativo e mesmo absoluto das classes médias norte-americanas. Desde 1999, os 90% mais pobres não aumentam seus rendimentos. É isso mesmo. As classes médias e os trabalhadores dos EUA não recebem aumento real há 15 anos. Na realidade, com o decréscimo recente dos rendimentos, as estatísticas mostram que o rendimento médio dos lares norte-americanos é hoje inferior ao de 1989.

Esse empobrecimento se reflete também no mercado de trabalho. Em 1979, o salário mínimo norte-americano era de $9,67 a hora (em valores de 2013). Hoje, ele está em apenas $7,25, apesar do enorme crescimento da produtividade. Alguém lá atrás deve ter achado que o salário mínimo estava muito alto, e ele acabou sendo reduzido em 25%.

A classe trabalhadora organizada não teve forças para impedir esse desastre, pois ela teve a sua espinha dorsal quebrada. Na década de 1970, 25% da força de trabalho no setor privado da economia era sindicalizada. Hoje, esse número caiu para míseros 7%. Em 1970, apenas 10% da força de trabalho dos EUA tinham trabalhos a tempo parcial. Hoje, esse índice duplicou. Os empregos gerados são, em sua maioria, de má qualidade, precários e mal pagos. Alguém lá atrás deve ter achado que era uma boa ideia terceirizar funções e flexibilizar o mercado de trabalho.

Esse processo de encolhimento dos rendimentos das classes médias e da classe trabalhadora está na origem da presente crise. Incapaz de manter o crescimento do consumo com salários decentes e bons empregos, as classes médias recorreram aos empréstimos lastreados em hipotecas de imóveis. O resto já faz parte da triste história econômica.

Agora, Obama tenta sair da crise com as mesmas políticas que a provocaram. Em vão. O pequeno crescimento obtido beneficia somente os 10% mais ricos, e mais especificamente, o 1% mais afluente. Os 90% mais pobres estão, na realidade, como mostra o gráfico, empobrecendo de forma absoluta.

Segundo Robert Reich, ex-secretário de trabalho de Clinton, a única maneira de fazer a economia beneficiar de novo os 90% seria “mudando a sua estrutura”. Isso implicaria, pelo menos, ter um salário mínimo maior e uma classe trabalhadora mais organizada, que exigisse empregos de melhor qualidade. Também requeria melhores escolas para os 90%, mais acesso à educação superior e um sistema progressivo de tributos.

Reich adverte que os verdadeiros criadores de empregos não são os CEOs, as grandes corporações e os investidores milionários. O dinheiro da lenta recuperação dos EUA está indo todo para essa gente, mas eles apenas especulam, obtendo grandes dividendos nos mercados bursátil e financeiro. O real criador de empregos, de bons empregos e de bem-estar, é o consumo da classe média e da classe trabalhadora, que expande os negócios e os investimentos.

Lembra alguma coisa, não? Exato. Lembra o Brasil dos últimos anos, que tirou 36 milhões da miséria e acrescentou à classe média 42 milhões de cidadãos. O Brasil que aumentou o salário mínimo em 72% e gerou mais de 20 milhões de bons empregos. O Brasil que, mesmo em meio a pior crise internacional desde 1929, tem a menor taxa de desemprego da história e a maior renda média de sua população. O Brasil que vem facilitando o acesso à educação, especialmente à educação superior, para os mais pobres.

Enquanto os EUA e outros países vêm destruindo as suas classes médias, o Brasil, contrariando seu longo histórico de concentração da renda, as expande. Enquanto eles aumentam as suas desigualdades, nós a diminuímos e, com isso, fortalecemos a economia real, aquela que gera empregos, renda e qualidade de vida. Não adianta ter fundamentos “macroeconômicos sólidos” e a população fragilizada. Não adianta a “economia ir bem”, com a população indo mal, como já ocorreu em nosso passado.

Mas tem gente que não gosta. As candidaturas Marina e Aécio estão repletas de economistas conservadores que querem que o Brasil pratique as mesmas políticas paleoliberais que conduziram o mundo à crise, que quebraram o Brasil 3 vezes no regime tucano, e que impõem obstáculos praticamente intransponíveis à recuperação da economia real e ao aumento da qualidade de vida para o grosso da população.

Com a benção do “Banco Central independente” e com o velho auxílio do desmonte do Estado e do encolhimento do crédito público, vão inevitavelmente provocar, caso tenham êxito, a progressiva fragilização das classes médias e da classe trabalhadora.

Resta ver se as nossas classes médias, seduzidas pelo falacioso discurso modernizante e pseudomoralizador de um neoudenismo tardio, vão, nessas eleições, votar a favor de sua própria Nêmese, como fez a hoje perplexa e empobrecida classe média dos EUA.

O golpismo conservador mostra a cara, outra vez

Por Rennan Martins | Brasília, 13/10/2014

O Brasil tem como característica histórica um forte conservadorismo, entranhado nas instituições e na elite, que aparelha inclusive o Estado a fim de realizar a manutenção do status quo, garantindo privilégios oligárquicos. Não é a toa, portanto, que fomos o último país a abolir a escravidão.

Esta elite, que Darcy Ribeiro considerava das mais mesquinhas do mundo, sempre esteve atrelada a interesses estrangeiros, latifundiários e concentradores. O resultado disso é uma resistência extrema a reformas progressistas, que visem a inclusão social e a distribuição de renda.

Quando atentamos para a história nacional, é notável que existe uma tradição política autoritária. Observa-se também que o processo de ampliação da cidadania foi dificultoso, lento. Em vários episódios os quais formou-se uma maioria em torno de um projeto popular e reformista, o que assistimos foram os setores conservadores recorrendo aos mais variados golpes no sentido de garantir seus privilégios e perpetuar, por conseguinte, um país de poucos.

Comecemos por Getúlio Vargas, responsável pela criação do BNDES, da Petrobras e da Consolidação das Leis Trabalhistas. Após nacionalizar o petróleo, atendendo a uma imensa onda de reivindicação popular, Vargas assistiu toda sua base social esvaziar-se. Os industriais, os militares e as lideranças políticas lhe traíram. Em concomitante, ocorreu uma campanha midiática que usou do conhecido “mar de lama” contra o presidente.

A ofensiva da imprensa – que no Brasil sempre foi instrumentalizada por interesses imperiais – tornou-se avassaladora após o Atentado da Rua Tonelero, que vitimou o oficial da aeronáutica Rubens Vaz e, diz-se, baleou o pé do jornalista e político Carlos Lacerda, ferrenho opositor de Getúlio. Sem prova alguma, Lacerda acusou Vargas, aumentando a níveis estratosféricos a crise política. O resultado foi o suicídio do presidente, que aplacou por 10 anos a sede dos espoliadores.

Em 64, as forças progressistas reuniam-se em torno de Jango e seu projeto das Reformas de Base. Quando ministro, Goulart dobrou o salário-mínimo, e teve de renunciar pois atiçara a ira do patronato. Eis que, após decretar a expropriação de terras para a reforma agrária e realizar o memorável comício da Central do Brasil, os militares – aliados ao conservadorismo e a CIA – golpearam a democracia dizendo que iriam salvá-la. Mergulhamos então em 21 anos do regime mais repressor já praticado no país.

Vinte anos depois, os militares se viram obrigados a sair de cena, iniciou-se a transição “lenta, gradual e segura”. Milhares de cidadãos foram as ruas exigindo eleições diretas. Foram frustrados por um congresso subserviente que nos entregou Tancredo, que faleceu e foi substituído por José Sarney. O golpe dessa vez fora por medo de duas grandes figuras de nossa história. Leonel Brizola e Ullysses Guimarães.

Chegamos as eleições diretas de 1989. Lula e Collor encabeçavam a disputa. As forças do retrocesso mais uma vez manobraram de forma sórdida. Tentaram imputar o sequestro do empresário Abílio Diniz ao Partido dos Trabalhadores. A Rede Globo entrou em cena e editou o último debate, passando ao povo um recorte favorável ao “caçador de marajás”. Eleito, Collor confiscou as poupanças e conseguiu ser deposto pela mesma emissora que o promovera.

Em 2002 tivemos o lulômetro e toda a chantagem infundada do empresariado. Fartos da lenda de que é necessário fazer o bolo crescer para depois distribuí-lo, o povo elegeu Luís Inácio Lula da Silva. Nenhuma das previsões catastróficas se materializaram.

O que vimos foi crescimento, expansão do mercado de trabalho formal, distribuição de renda e redução massiva da desigualdade. Em 12 anos, conseguimos tirar o Brasil do mapa da fome, segundo a ONU.

Estes três mandatos petistas se deram com intensa oposição midiática, com a população ignorando a opinião pública(da), votando no projeto de país inclusivo e popular.

Estamos em 2014, em plena corrida pelo segundo turno. Dessa vez, o judiciário aliou-se a imprensa. Estamos assistindo trechos de depoimentos de bandidos sendo veiculados como se fossem prova material de um crime. Gravações meticulosamente editadas a fim de incriminar o atual governo. O veredito não pertence mais a justiça, mas ao Jornal Nacional. Mais uma vez, ao se verem desacreditados, o conservadorismo rançoso tenta golpear a democracia.

A história tenta se repetir, os golpistas, reunidos no Instituto Millenium disseminam o engano entre os eleitores. Não conseguirão. O Brasil demonstrará, outra vez, que deseja um país rico, plural e justo.