Arquivos da categoria: Vida e Saúde

Ajuda da Petrobras salvou Santos de tragédia tóxica

Por Leandro Mazzini | Via Coluna Esplanada

Foto: UOL

Chamada às pressas, a Petrobras orientou os bombeiros e salvou a população dos bairros da zona portuária de Santos (SP) de uma tragédia tóxica no incêndio que atingiu seis tanques que estocavam combustíveis no pátio da Ultracargo.

Relatórios sigilosos de engenheiros da petroleira citam que as chamas lamberam dois tanques que continham cloro e amônia, e foram resfriados com prioridade, com sucesso e para alívio geral.

Caso fossem atingidos pelo fogo, o cloro, apesar de não inflamável, intensificaria a combustão; e a amônia causaria sérios danos a pessoas que inalassem o produto vazado, com riscos de cegueira, crise respiratória e até queimaduras que poderiam levar à morte.

OPERAÇÃO 

Assim que informada pelo serviço de inteligência, durante o incêndio que durou a Semana Santa, a presidente Dilma ordenou à petroleira que usasse todos os recursos.

O Corpo de Bombeiros de Santos, com atuação tímida – a despeito do reforço de quartéis de São Paulo – não deu conta. Os técnicos da Petrobras foram essenciais nas orientações sobre os produtos químicos ao terem acesso à empresa. A petroleira utilizou dois navios para puxar água do mar, e seis caminhões-tanques para apoio aos bombeiros.

Questionada sobre o cloro e a amônia nos estoques, em nota da assessoria a Ultracargo se limitou a informar que ‘Nas baias atingidas havia apenas combustível – gasolina e etanol’. Informou ainda que seguiu os protocolos para o caso, evacuando a área e evitando tragédia maior com o plano de ajuda mútua.

Rio retira 53,1 toneladas de peixes mortos da Lagoa Rodrigo de Freitas

Por Joana Moscatelli | Via Agência Brasil

Rio de Janeiro, Brasil: peixes mortos flutuam nas águas do Lagoa Rodrigo de Freitas, ao lado do morro do Corcovado.

O total de peixes mortos retirados da Lagoa Rodrigo de Freitas chegou a 53,1toneladas na manhã de hoje (20), segundo a Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb). Os trabalhos começaram no último dia 8 e a previsão é que terminem nos próximos dias, caso não haja mais mortandade de peixes.

Localizada na zona sul do Rio, a lagoa será o principal palco das competições de remo e canoagem dos Jogos Olímpicos de 2016. A espécie que está morrendo na lagoa é a das savelhas e ainda não há uma explicação para o fato. Segundo a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, a causa da morte pode ter relação com variações ambientais, já que a espécie é extremamente sensível a essas mudanças.

De acordo com a secretaria, está sendo feito um monitoramento da lagoa para análise dos dados. “As condições de oxigenação na lagoa estão dentro da normalidade, mas a situação de desequilíbrio continuará nos próximos dias, devido à presença de matéria orgânica decorrente da chuva. Parte dos peixes que permanecem na água e algas produtoras estão em decomposição consumindo o oxigênio dissolvido”, diz a secretaria.

Desde que se percebeu a mortandade dos peixes, há 13 dias, moradores, frequentadores e atletas de remo que treinam para as Olimpíadas reclamam do mau cheiro no entorno. O problema é ainda maior para os atletas de remo que treinam na lagoa para representar o Brasil nos Jogos Olímpicos do ano que vem. O coordenador técnico da equipe de remo do Vasco da Gama, Marcelo dos Santos, contou que os treinos chegaram a ser suspensos.

“Quando o Rio de Janeiro foi escolhido, nós tínhamos o pensamento de que iria acontecer algum verdadeiro legado, mas, neste momento, estamos muito pessimistas. Estamos prestes a realizar o evento-teste para as Olimpíadas e isso foi vergonhoso. Tivemos que evitar ir para água durante alguns dias porque o cheiro da decomposição dos peixes estava muito forte”, disse Santos.

Além de ter comprometido os treinos, a situação pode ser ainda pior, segundo a remadora Luana Gonçalves. “Treinar com esse cheiro é horrível. É preciso ter uma respiração controlada e o remador não consegue. Afeta o treino, fora o enjoo que a gente sente. A lagoa fica pesada e afeta a velocidade do barco. Houve dia em que não conseguíamos remar, de tanto peixe que tinha. A gente colocava a pá do remo na água e era só peixe que a gente empurrava. Isso pode afetar o resultado de uma competição de alto nível”, ressaltou.

A Comlurb informou que os peixes presos nos manguezais ainda estão sendo removidos e que garis trabalham utilizando pulverizadores com essência de eucalipto, para minimizar possível mau cheiro.

Medicina cubana consegue a cura para o vitiligo

Via Centro de Informação Farmacêutica

O tratamento para a cura de vitiligo, realizado no Centro de Histotherapy, localizado em Havana, Cuba, consiste na aplicação de um medicamento chamado melagenina. Além disso, esta solução para a cura do vitiligo é feita a partir de placenta humana que tem propriedades que estimulam a produção de melanócitos.

Em estudos que foram realizados, esta solução para a cura de vitiligo, demonstrou que ele tem sido eficaz em 86% dos casos tratados. A aplicação deste tratamento para a cura do vitiligo, é completamente seguro, sem efeitos colaterais e se aplica a crianças e mulheres grávidas e idosos.

O tratamento para a cura do vitiligo é realizado durante 3 dias consecutivos: Dia 1: Apresentação de conferência explicativo sobre o tratamento para a cura do vitiligo, consulta médica especializada e início do tratamento. Se o médico considerar necessário, serão encaminhados à consulta de psicologia, sem nenhum custo adicional. Dia 2 e 3: Formação sobre o uso de melagenina Plus.

Para continuar o tratamento para a cura do vitiligo em seu país, o paciente será instruído a consultar a quantidade certa de remédio para tomar, de acordo com o grau de extensão da sua superfície corporal afetada pela doença. Para receber o remédio para a cura do vitiligo não é necessário internar o paciente, uma vez que se trata de procedimento ambulatorial. Nota: A droga melagenina Plus não é vendida livremente, apenas sob prévia avaliação e prescrição do médico assistente.

Leia mais aqui (espanhol).

Brasileiros preencheram este ano 92% das vagas do Mais Médicos

Por Paula Laboissière | Via Agência Brasil

Profissionais brasileiros preencheram 92% das vagas autorizadas pelo Programa Mais Médicos para 2015, totalizando 3.830 profissionais em 1.208 municípios e seis Distritos Sanitários Especiais Indígenas (Dsei). Os números foram divulgados hoje (9) pelo Ministério da Saúde.

Ao todo, a pasta autorizou 4.146 vagas em 1.294 municípios e 12 distritos indígenas. As 286 vagas que não foram preenchidas serão oferecidas a médicos brasileiros, a partir de amanhã, com formação no exterior. Grande parte dos municípios com vagas restantes está na Região Norte.

De acordo com o balanço, 46% dos médicos brasileiros que assumiram uma vaga são homens e 54%, mulheres. Mais da metade (55%) têm entre 26 e 30 anos. Além disso, 78% dos participantes são solteiros e 51% já têm experiência em programas de saúde da família.

A maioria dos profissionais (68%) optou pelo benefício da pontuação de 10% nas provas de residência médica, caso tenha conceito satisfatório durante os 12 meses de atuação no programa.

Na Região Norte, das 1.799 vagas autorizadas, 1.726 foram preenchidas. No Sudeste, os números são 329 e 314, respectivamente. No Centro-Oeste, 396 vagas foram autorizadas e 370, preenchidas, enquanto no Sul, os números são 520 e 476, respectivamente.

O Norte foi a única região do país que teve menos de 90% das vagas preenchidas. Das 409 autorizadas, 283 foram ocupadas (69%).

Até o ano passado, 14.462 profissionais foram enviados a 3.785 municípios, beneficiando 50 milhões de pessoas. A previsão do governo é que, com os novos números, o programa alcance 18.247 médicos em 4.058 municípios, atendendo a aproximadamente 63 milhões de pessoas.

Chioro divulga o resultado dos municípios contemplados por brasileiro no Mais MédicosElza Fiuza/Agência Brasil

Para o ministro da Saúde, Arthur Chioro, os dados são “extremamente” positivos. “É uma nova realidade que esperamos que seja a realidade do programa nos próximos anos até que no futuro consigamos ter de fato um programa preenchido por médicos brasileiros.”

Chioro considera provável que o programa não chegue à terceira etapa, onde são abertas vagas para médicos intercambistas individuais. Segundo ele, é menos provável a instituição da quarta etapa, quando são convocados médicos cubanos por meio do termo de cooperação com a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas).

“O programa já começa a produzir os resultados esperados no sentido de ampliar a oferta de médicos”, disse Chioro. “Estamos dando um passo significativo para poder garantir a toda a população brasileira o direito à atenção básica na saúde.”

Pesquisa encomendada pela pasta à Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) mostra que 93% dos profissionais do Mais Médicos se sentem satisfeitos com sua participação no programa. O estudo mostra que 90% dos entrevistados disseram que indicariam o programa a outros médicos.

A grande farsa do gás de xisto

Por Nafeez Mosaddeq Ahmed | Via Le Monde Diplomatique

Energia barata versus poluição prolongada: nos EUA, o dilema da exploração de gás e petróleo de xisto não atormentou industriais nem o poder público. Em menos de uma década, essas novas reservas recolocaram o país no crescimento, doparam o emprego e restabeleceram a competitividade. Mas e se for apenas uma bolha?

Se crermos nas manchetes da imprensa norte-americana anunciando um boom econômico graças à “revolução” do gás e do petróleo de xisto, o país logo estará se banhando em ouro negro. O relatório de 2012, “Perspectivas energéticas mundiais”, da Agência Internacional de Energia (AIE), informa que, por volta de 2017, os Estados Unidos arrebatarão da Arábia Saudita o primeiro lugar na produção mundial de petróleo e conquistarão uma “quase autossuficiência” em matéria energética. Segundo a AIE, a alta programada na produção de hidrocarbonetos, que passaria de 84 milhões de barris/dia em 2011 para 97 milhões em 2035, proviria “inteiramente dos gases naturais líquidos e dos recursos não convencionais” – sobretudo o gás e o óleo de xisto –, ao passo que a produção convencional começaria a declinar a partir de… 2013.

Extraídos por fraturamento hidráulico (injeção, sob pressão, de uma mistura de água, areia e detergentes para fraturar a rocha e deixar sair o gás), graças à técnica da perfuração horizontal (que permite confinar os poços à camada geológica desejada), esses recursos só são obtidos ao preço de uma poluição maciça do ambiente. Entretanto, sua exploração nos Estados Unidos criou várias centenas de milhares de empregos, oferecendo a vantagem de uma energia abundante e barata. Conforme o relatório de 2013, “Perspectivas energéticas: um olhar para 2040”, publicado pelo grupo ExxonMobil, os norte-americanos se tornarão exportadores líquidos de hidrocarbonetos a partir de 2025 graças aos gases de xisto, num contexto de forte crescimento da demanda mundial do produto.

Mas e se a “revolução dos gases de xisto”, longe de robustecer uma economia mundial convalescente, inflar uma bolha especulativa prestes a explodir? A fragilidade da retomada, tanto quanto as experiências recentes, deveria convidar à prudência diante de tamanho entusiasmo. A economia espanhola, por exemplo, outrora tão próspera – quarta potência da zona do euro em 2008 –, está hoje em maus lençóis depois que a bolha imobiliária, à qual ela se agarrava cegamente, explodiu sem aviso prévio. A classe política não aprendeu muita coisa com a crise de 2008 e está a ponto de repetir os mesmos erros no campo das energias fósseis.

Em junho de 2011, uma pesquisa do New York Times já revelava algumas fissuras no arcabouço midiático-industrial do boom dos gases de xisto, atiçando assim as dúvidas alimentadas por diversos observadores – geólogos, advogados, analistas de mercado – quanto aos efeitos da publicidade das companhias petrolíferas, suspeitas de “superestimar deliberadamente, e mesmo ilegalmente, o rendimento de suas explorações e o volume de suas jazidas”.1 “A extração do gás do xisto existente no subsolo”, escreveu o jornal, “poderia se revelar menos fácil e mais cara do que afirmam as empresas, como se vê pelas centenas de e-mails e documentos trocados pelos industriais a esse respeito, além das análises dos dados recolhidos em milhares de poços.”

No início de 2012, dois consultores norte-americanos soaram o alarme na Petroleum Review, a principal revista britânica da indústria petrolífera. Incertos quanto à “confiabilidade e durabilidade das jazidas de gás de xisto norte-americanas”, eles observam que as previsões dos industriais coincidem com as novas regras da Security and Exchange Commission (SEC), o organismo federal de controle dos mercados financeiros. Adotadas em 2009, essas regras autorizam as empresas a calcular o volume de suas reservas como bem entendam, sem precisar da verificação de uma autoridade independente.2

Para os industriais, superestimar as jazidas de gás de xisto permite pôr em segundo plano os riscos associados à sua exploração. Ora, o fraturamento hidráulico não apenas tem efeitos prejudiciais sobre o meio ambiente como coloca um problema estritamente econômico, uma vez que gera uma produção de vida muito curta. Na revista Nature, um ex-consultor científico do governo britânico, David King, esclarece que o rendimento de um poço de gás de xisto diminui de 60% a 90% após seu primeiro ano de exploração.3

Uma queda tão significativa torna evidentemente ilusório qualquer objetivo de rentabilidade. Depois que um poço se esgota, os operadores devem escavar imediatamente outros para manter seu nível de produção e pagar suas dívidas. Sendo a conjuntura favorável, essa corrida pode iludir durante alguns anos. Foi assim que, combinada com uma atividade econômica decrescente, a produção dos poços de gás de xisto – frágil a longo prazo, vigorosa por algum tempo – provocou uma baixa espetacular dos preços do gás natural nos Estados Unidos: de US$ 7 ou 8 por milhão de BTU (British Thermal Unit) para menos de US$ 3 ao longo de 2012.

Os especialistas em aplicações financeiras não se deixam enganar. “A economia do fraturamento é destrutiva”, adverte o jornalista Wolf Richter na Business Insider.4 “A extração devora o capital a uma velocidade impressionante, deixando os exploradores sobre uma montanha de dívidas quando a produção cai. Para evitar que essa diminuição engula seus lucros, as companhias devem prosseguir bombeando, compensando poços esgotados com outros que se esgotarão amanhã. Cedo ou tarde esse esquema se choca com um muro, o muro da realidade.”

Arthur Berman, um geólogo que trabalhou para a Amoco e a British Petroleum, confessa-se surpreso com o ritmo “incrivelmente acelerado” do esgotamento das jazidas. E, dando como exemplo o sítio de Eagle Ford, no Texas – “É a mãe de todos os campos de óleo de xisto” –, revela que “a queda anual da produção ultrapassa os 42%”. Para garantir resultados estáveis, os exploradores terão de perfurar “quase mil poços suplementares, todos os anos, no mesmo sítio. Ou seja, uma despesa de US$ 10 bilhões a 12 bilhões por ano… Se somarmos tudo, isso equivale ao montante investido para salvar a indústria bancária em 2008. Onde arranjarão tanto dinheiro?”.5

A bolha do gás já produziu seus primeiros efeitos sobre algumas das maiores empresas petrolíferas do planeta. Em junho último, o diretor-presidente da Exxon, Rex Tillerson, queixou-se de que a queda dos preços do gás natural nos Estados Unidos era sem dúvida uma boa notícia para os consumidores, mas uma maldição para sua companhia, vítima da diminuição drástica dos lucros. Se, diante dos acionistas, a Exxon continuava fingindo que não perdera um centavo por causa do gás, Tillerson desfiou um discurso quase lacrimoso diante do Council on Foreign Relations (CFR), um dos fóruns mais influentes do país: “Logo, logo, perderemos até as calças. Não ganhamos mais dinheiro. As contas estão no vermelho”.6

Mais ou menos na mesma ocasião, a companhia de gás britânica BG Group se via às voltas com “uma depreciação de seus ativos referentes ao gás natural norte-americano da ordem de US$ 1,3 bilhão”, sinônimo de “queda sensível em seus lucros intermediários”.7 Em 1º de novembro de 2012, depois que a empresa petrolífera Royal Dutch Shell amargou três trimestres de resultados medíocres, com uma perda acumulada de 24% em um ano, o serviço de informações da Dow Jones divulgou essa notícia funesta, alarmando-se com o “prejuízo” causado ao conjunto do setor de ações pela retração do gás de xisto.

Da panaceia ao pânico

A bolha não poupa sequer a Chesapeake Energy, que, no entanto, é a pioneira na corrida aos gases de xisto. Esmagada por dívidas, a empresa norte-americana precisou vender parte de seus ativos – campos e gasodutos a um valor total de US$ 6,9 bilhões – para honrar seus compromissos com os credores. “A empresa está indo um pouco mais devagar, muito embora seu CEO a tenha transformado num dos líderes da revolução dos gases de xisto”, deplorou o Washington Post.8

Como puderam cair tanto os heróis dessa “revolução”? O analista John Dizard observou, no Financial Times de 6 de maio de 2012, que os produtores de gás de xisto haviam gasto quantias “duas, três, quatro ou mesmo cinco vezes superiores aos seus fundos próprios a fim de adquirir terras, escavar poços e levar a bom termo seus projetos”. Para financiar a corrida do ouro, foi necessário pedir emprestadas somas astronômicas “em condições complexas e exigentes”, lembrando que Wall Street não se afasta nunca de suas normas de conduta habituais. Segundo Dizard, a bolha do gás deveria, porém, continuar crescendo por causa da dependência dos Estados Unidos desse recurso economicamente explosivo. “Considerando-se o rendimento efêmero dos poços de gás de xisto, as perfurações devem prosseguir. Os preços acabarão por se ajustar a um nível elevado, e mesmo muito elevado, para cobrir não apenas dívidas antigas, mas também custos de produção realistas.”

Não se descarta, contudo, que diversas companhias petrolíferas de grande porte se vejam simultaneamente na iminência da ruína financeira. Caso essa hipótese se confirme, diz Berman, “assistiremos a duas ou três falências ou operações de compra de enorme repercussão; cada qual resgatará seus papéis, os capitais se evaporarão e teremos o pior dos cenários”.

Em suma, o argumento segundo o qual os gases de xisto protegeriam os Estados Unidos ou a humanidade contra o “pico do petróleo” – nível a partir do qual a combinação das pressões geológicas e econômicas tornará a extração do produto bruto insuportavelmente difícil e onerosa – não passa de um conto de fadas. Diversos relatórios científicos independentes, divulgados há pouco, confirmam que a “revolução” do gás não trará nenhum alívio nessa área.

Num estudo publicado pela revista Energy Police, a equipe de King chegou à conclusão de que a indústria petrolífera superestimou em um terço as reservas mundiais de energia fóssil. As jazidas ainda disponíveis não excederiam 850 bilhões de barris, enquanto as estimativas oficiais falam de mais ou menos 1,3 trilhão. Segundo os autores, “imensas quantidades de recursos fósseis permanecem nas profundezas da terra, mas o volume de petróleo explorável pelas tarifas que a economia mundial tem o costume de suportar é limitado, devendo além disso diminuir a curto prazo”.9

A despeito dos tesouros em gás arrancados do subsolo por fraturamento hidráulico, a diminuição das reservas existentes prossegue num ritmo estimado entre 4,5% e 6,7% por ano. King e seus colegas repelem, pois, categoricamente a ideia de que o boom dos gases de xisto poderá resolver a crise energética. Por sua vez, o analista financeiro Gail Tverberg lembra que a produção mundial de energias fósseis convencionais não aumentou depois de 2005. Essa estagnação, na qual ele vê uma das causas principais da crise de 2008 e 2009, anunciaria um declínio suscetível de agravar ainda mais a recessão atual – com ou sem gás de xisto.10 E não é tudo: numa pesquisa publicada em conjunto com o relatório da AIE, a New Economics Foundation (NEW) prevê que o pico do petróleo será alcançado em 2014 ou 2015, quando os gastos com a extração e o abastecimento “ultrapassarão o custo que as economias mundiais podem assumir sem causar danos irreparáveis às suas atividades”.11

Submergidos pela retórica publicitária dos lobistas da energia, esses trabalhos não chamaram a atenção da mídia nem dos políticos. É lamentável, pois podemos entender perfeitamente sua conclusão: longe de restaurar a prosperidade, os gases de xisto inflam uma bolha artificial que camufla temporariamente uma profunda instabilidade estrutural. Quando ela explodir, provocará uma crise de abastecimento e um aumento de preços que talvez afetem dolorosamente a economia mundial.

Referências:

1 “Insiders sound an alarm amid a natural gas rush” [Especialistas soam um alarme em meio a uma corrida de gás natural], New York Times, 25 jun. 2011.

2 Ruud Weijermars e Crispian McCredie, “Inflating US shale gas reserves” [Inflando as reservas de gás de xisto dos EUA], Petroleum Review, Londres, jan. 2012.

3 David King e James Murray, “Climate policy: oil’s tipping point has passed” [Política climática: o ponto de inflexão do petróleo passou], Nature, Londres, n.481, 26 jan. 2012.

4 Wolf Richter, “Dirt cheap natural gas is tearing up the very industry that’s producing it” [Gás natural sujo e barato está destruindo a indústria que o produz], Business Insider, Portland, 5 jun. 2012.

5 “Shale gas will be the next bubble to pop. An interview with Arthur Berman” [O gás de xisto será a próxima bolha a estourar. Entrevista com Arthur Berman], 12 nov. 2012. Disponível em: <www.oilprice.com>.

6 “Exxon: ‘losing our shirts’ on natural gas” [“Exxon: ‘perdendo as calças’ no gás natural”], Wall Street Journal, Nova York, 27 jun. 2012.

7 “US shale gas glut cuts BG Group profits” [O excesso de gás de xisto nos EUA reduz lucros do BG Group], The Financial Times, Londres, 26 jul. 2012.

8 “Debt-plagued Chesapeake energy to sell $6,9 billion worth of its holdings” [Pressionada pela dívida de energia, a Chesapeake vende US$ 6,9 bilhões de valor de suas participações], Washington Post, 13 set. 2012.

9 Nick A. Owen, Oliver R. Inderwildi e David A. King, “The status of conventional world oil reserves – hype or cause for concern?” [O estado das reservas de petróleo convencional do mundo – publicidade exagerada ou motivo de preocupação?], Energy Policy, Guildford, v.38, n.8, ago. 2010.

10 Gail E. Tverberg, “Oil supply limits and the continuing financial crisis” [Limites do abastecimento de petróleo e a continuação da crise financeira], Energy, Stanford, v.35, n.1, jan. 2012.

11 “The economics of oil dependence: a glass ceiling to recovery” [A economia da dependência do petróleo: um teto de vidro para a recuperação], New Economics Foundation, Londres, 2012.

Ilustração: Daniel Kondo

*- Nafeez Mosaddeq Ahmed é cientista político, é diretor do Institute for Policy Research and Development, Brighton, Reino Unido.

SUS: quem tem medo de seu sucesso?

Por Lenir Santos | Via CEBES

Tem sido comum associar as dificuldades da saúde pública com seu financiamento e gestão. Certamente a saúde pública é subfinanciada e tem problemas no desenvolvimento de sua gestão. Mas esta afirmação não pode isolar-se de seus fundamentos. Por que isso acontece?

Países desenvolvidos com saúde universal também sofrem com os seus crescentes custos. Contudo, há uma diferença essencial entre o Brasil e esses países, porque a saúde brasileira é subfinanciada ao contrário dos demais. Basta comparar os gastos públicos da Inglaterra, Canadá, Itália, França com os do Brasil que aplica 3.9% do PIB na saúde pública, enquanto os demais destinam por volta de 7 a 8%. Não há dúvidas de que os crescentes gastos da saúde preocupam a todos, mas certamente países que não consolidaram suas estruturas orçamentárias terão mais dificuldades ainda.

Saúde tem custos elevados e crescentes ante as incessantes tecnologias, o desejo de vida longa e saudável, as mudanças no perfil epidemiológico que alarga o tempo de vida e a expansão da saúde como mercado (seguro, serviços, produtos, insumos, medicamentos, tecnologias). Hoje a população é consciente de que pode viver mais e melhor, desejando tudo o que lhe for prometido. Dimensionar direito que custa não é tarefa fácil e na saúde, mais complexa ainda pela sua intrínseca ligação com o direito à vida. Por isso não se pode fazer afirmações simplistas, destituídas de fundamentos.

O sistema de saúde brasileiro é tripartido, ao mesmo tempo em que é único e regionalizado, pressupondo a integração dos serviços dos entes federativos nas regiões de saúde e seu consequente financiamento. Integrar serviços de entes constitucionalmente autônomos encerra dificuldades por si só, num país de 5570 municípios e 27 estados, desiguais em sua demografia, geografia e economia.

Durante os 24 anos de SUS, os esforços e criatividade dos gestores públicos permitiram a instituição de diversos mecanismos de gestão interfederativa, as quais têm possibilitado regionalizar o sistema e criar redes de atenção à saúde. Não há um único município brasileiro que não tenha serviços de atenção básica em funcionamento e uma rede com serviços de maior complexidade à qual possa referenciar seus pacientes.

Isso tudo é gestão pública. E não é pouca coisa o que se conseguiu estruturar até os dias de hoje no SUS. Muitas são as dificuldades de seus gestores ante uma Administração Pública que vem há mais de vinte anos enfrentando morosidade em sua modernização, o que afeta a saúde pública sobremodo pelas suas especificidades organizativas e seu subfinanciamento crônico. Essas dificuldades nos fazem respeitar mais ainda esses gestores públicos. Afirmar que não faltam recursos é desconhecer a saúde pública; afirmar que falta gestão é desconsiderar o histórico atraso da Administração Pública brasileira e desprezar os esforços realizados pelos gestores públicos com tão pouco dinheiro, sujeitos às pressões do mercado por incorporação de tecnologias e medicamentos, nem sempre de custo-efetividade compatível com o SUS; isso sem falar na judicialização incessante e deletéria ao planejamento da saúde. E não nos esqueçamos dos profissionais que se formam nas escolas públicas para atuação privada.

Dizer ainda que os gestores são corruptos por regra e que a fiscalização não é suficiente, é tratar de modo simples o complexo, demonstrando falta de conhecimento da realidade do SUS, que tem controle interno específico, o Sistema Nacional de Auditoria, além dos controles internos gerais e do controle externo dos tribunais de contas e o do Ministério Público sempre alerta para as questões da saúde. A CGU é um controle a mais.

Os gastos com saúde aumentam porque aumentam as necessidades e as demandas por novas tecnologias e medicamentos; a União não vincula receitas para saúde, palco de lutas antigas e atuais, como a emenda à lei que vincula recursos dos estados e dos municípios, mas não os da União.

Os auditores do controle interno do SUS não têm dificuldades para auditar o setor, pois sua função é tão-somente a de auditar o SUS federal, estadual e municipal.

Não há verbas em alta; pelo contrário. Há retração nas verbas públicas, em especial as da União e aumento das necessidades pelas mudanças do perfil epidemiológico como o envelhecimento, a violência social, as tecnologias, os medicamentos e novas doenças.

A organização social nem sempre é a melhor alternativa de gestão. Isso já ficou demonstrado cabalmente. Outras existem e devem ser aperfeiçoadas, assim como as próprias OSS que devem ser vistas como uma das alternativas e não como a única.

O SUS não pode ser esse sistema falido cantado pela mídia. Se assim fosse não seria tão procurado pelos beneficiários de planos de saúde que o querem como complementar aos seus serviços, o que não deixa de ser um dos problemas do SUS: atender beneficiários de operadoras de planos de saúde que abatem do imposto de renda os seus custos e ferem o princípio da igualdade ao atravessar as portas de entrada do sistema.

O SUS é um sistema que tem garantido cobertura à população, com todas as dificuldades do subfinanciamento e das estruturas administrativas, em especial as que se voltam para os serviços sociais, que não se modernizam há várias décadas. Por isso é preciso cautela quando se pretende denegrir os gestores públicos da saúde.

Lenir Santos é advogada, Doutora em saúde pública e especialista em direito sanitário.

Em segundo plano, malária mata mais que epidemia de ebola, conta médico brasileiro que atuou em Guiné e Serra Leoa

Por Patrícia Dichtchekenian | Via Opera Mundi

Paulo conta que os pacientes de ebola se simpatizam com os brasileiros e veem semelhanças entre os dois continentes. Carolina Pimentel/ MSF

Carioca Paulo Reis narra experiência como um dos nove brasileiros que trabalharam pela MSF na África Ocidental para tentar conter propagação do vírus.

Quatro dias após a epidemia de ebola ser decretada em 22 de março deste ano em Guiné, o médico generalista Paulo Reis, de 42 anos, partiu para o país africano, onde atendeu pacientes durante dois meses. De lá para cá, o carioca vestiu o jaleco para mais duas temporadas em Serra Leoa. De volta ao Brasil há menos de um mês, ele contou a Opera Mundi os desafios do pior surto da história do vírus, poucas horas antes de decolar para uma nova missão em Guiné.

Paulo é um dos nove brasileiros que estão entre os mais de 3 mil funcionários da organização humanitária Médicos Sem Fronteiras que atuam na África para conter a atual propagação do ebola. O vírus, que gerou uma espécie de histeria coletiva em escala global e uma sensação de ameaça iminente ao Ocidente, contudo, não seria a principal doença a se combater no continente africano, mas estopim para o desmoronamento de um sistema de saúde pública intrinsecamente frágil.

“O ebola em si está matando muitas pessoas, mas acredito que tenha muito mais gente morrendo de doenças endêmicas do que do atual surto, principalmente de malária. Sem cuidados, as consequências podem ser bastante graves”, argumenta Reis a Opera Mundi. O impacto na estrutura precária em Guiné, Serra Leoa e Libéria é visto como alarmante. Com o foco no combate ao ebola, o aumento do número de mortes por doenças tratáveis, como diarreias e, sobretudo, malária, acaba negligenciado.

Na mesma linha do brasileiro, o médico inglês Jimmy Whitworth, chefe da fundação britânica Wellcome Trust, dedicada a melhorias na saúde mundial, afirmou em entrevista ao The Independent que também suspeita no aumento exponencial de mortes por malária. “Essas pessoas passam despercebidas, pois não estão recebendo tratamento em sistemas de saúde. Eu estimo que haja muito mais pessoas que morrem de malária do que de ebola”, afirmou à publicação.

Além da dificuldade em quantificar os pacientes pelo colapso no atendimento em sistemas de saúde, a médica Fatoumata Nafo-Traoré, chefe da ONG Roll Back Malária, que coordena ações em escala global para controlar a doença, acrescenta, em entrevista à BBC, o receio da população em notificar um sintoma clínico, temendo o pior. “No momento em que as pessoas têm febre, muitas vezes elas têm medo de ir aos serviços de saúde, porque querem evitar serem internadas em centros de tratamento de ebola”, explica.

De fato, a malária tem sintomas iniciais semelhantes ao ebola. Embora a malária não seja do grupo de febres hemorrágicas como o ebola, são duas doenças infecciosas endêmicas no continente africano e alguns sintomas se sobrepõem, como a febre alta e as complicações hepáticas. Outro fator que confunde é que os últimos meses foram marcados pela temporada de chuvas na região, que leva a um período de pico na transmissão da malária.

A confusão do diagnóstico entre esses dois vírus é recorrente. Em outubro, o brasileiro Yarssan Dambrós Salomão, de 29 anos, chamou atenção da imprensa europeia pela suspeita de ter contraído ebola durante uma viagem de três meses a países africanos como Mali, Mauritânia e Marrocos. O produtor de vídeo carioca estava prestes a retornar ao Brasil quando teve que ficar internado e isolado em uma UTI (Unidade de Terapia Intensiva) na Espanha. Com febre alta por vários dias, além de manchas e dores no corpo, o jovem Yarssan viveu momentos de tensão até saber que havia contraído malária, e não ebola. “Pensar que não iria morrer foi um alívio, a suspeita de ebola era forte”, contou à época em entrevista exclusiva a Opera Mundi.

Em se tratando de números exatos, a malária matou muito mais que o ebola. De acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde), nos três países mais afetados pelo ebola, a malária foi responsável pela morte de 7 mil pessoas em 2012. Não se trata de uma competição de qual doença é mais mortal, mas ressalta-se a importância de também incentivar o tratamento para o controle da malária, cada vez mais marginalizada e à sombra do ebola. Segundo a OMS, um rápido diagnóstico contribui para a redução da transmissão da malária, o que indiretamente auxiliaria na luta contra o ebola, apontam especialistas das ONGS citadas.

Proteção de vulneráveis: grávidas e crianças

Além da propagação da malária que é negligenciada, Paulo chama atenção para mulheres grávidas e crianças, grupos vulneráveis na atual conjuntura. “Tivemos algumas mulheres grávidas que contraíram a doença. Na minha experiência, a maioria sobreviveu, apesar de serem mais frágeis à infecção. Mas, infelizmente, não conheço nenhum caso que o feto tenha sobrevivido ou nascido. Além disso, tem também o problema das grávidas que não foram contaminadas, mas não conseguem ter nenhum tipo de acompanhamento médico por conta do surto de ebola. A situação é grave principalmente em Serra Leoa, que tem um dos maiores índices de mortalidade maternal do planeta”, ressalta o médico brasileiro.

Em outubro, a MSF teve de suspender serviços de maternidade e de emergência pediátrica temporariamente em um dos seus principais centros de referência em Serra Leoa. A assessoria da organização explica que as equipes ficaram extremamente sobrecarregadas, o que impossibilitou medidas básicas de proteção para evitar contágio e o risco de novas infecções, tanto dos pacientes, quanto de seus profissionais.

Em relação às crianças, Paulo guarda histórias boas e outras ruins. “Teve um garoto de 11 anos que chegou muito mal, mas conseguiu se manter e ficou muito tempo internado. Geralmente, os pacientes morrem no terceiro ou quarto dia de internação. Já esse garoto ficou quase 3 semanas conosco. Infelizmente, ele morreu no dia em que fizemos um novo resultado de teste de ebola e tinha dado negativo. Ou seja, seu corpo já estava livre do vírus, mas seus órgãos estavam afetados demais. Ele lutou muito. Mohammed era o nome dele”, relembra.

Deficiências logísticas

Paulo Reis destaca a questão logística como um dos principais problemas na infraestrutura dos países. Em Serra Leoa, por exemplo, ele conta que na medida em que os casos suspeitos de ebola atingem vilarejos cada vez mais distantes, as poucas ambulâncias disponibilizadas pelas autoridades governamentais chegam a demorar até 9 horas para buscar os pacientes e mais 9 horas para transportá-los aos centros de tratamento.

Em situações críticas, o médico relata que já recebeu ambulância com até dez pacientes dentro. Existem casos em que não necessariamente todos estão infectados com ebola (mas sim com malária, por exemplo) e acabam sendo expostos ao risco de contágio durante as longas jornadas até chegarem às instalações de saúde disponíveis.

Por que essa epidemia dura tanto tempo?

Situações como as narradas pelo brasileiro evidenciam a falta de coordenação e de recursos em nível municipal, estadual e nacional, além de justificarem o motivo pelo qual esse surto dura tanto na região: segundo Paulo, Guiné e Serra Leoa são países cuja população tem o hábito de se deslocar com frequência e para longas distâncias, seja para comércio , seja para visita de parentes. A facilidade de transporte, somada à escassa infraestrutura, sem dúvidas, é um dos fatores que explica a longa duração do surto, de acordo com o médico.

“Apesar de o ebola ter acontecido muitas vezes no continente, nunca aconteceu uma epidemia nessa região [da África Ocidental]. Em 2012,fui para Uganda, que passava por mais um surto de ebola. Como todos já conheciam o vírus, a resposta da população e das autoridades foi mais rápida e tudo foi rapidamente contido”, diz Paulo.

“A Guiné teve uma propagação menor e, por isso, teve mais tempo pra se preparar e a resposta foi mais eficaz. Já em Serra Leoa, o avanço de casos foi muito rápido e muito maior. Tudo foi tão veloz que as autoridades locais nem estavam admitindo ter casos até que não dava mais para negar”, compara o brasileiro. Segundos dados da OMS de 7 de novembro de 2014, Guiné contabiliza 1.760 casos e 1054 mortos, ao passo que Serra Leoa apresenta 4862 pacientes confirmados e 1.130 mortos. Atualmente, todos os distritos de Serra Leoa estão afetados pela epidemia.

No entanto, o médico não acredita seja possível fazer uma estimativa para o desaparecimento absoluto da epidemia. “A situação não está sob controle. Fica difícil ter uma ideia. Vai depender da reação das organizações e o aparecimento de vacinas. Não arriscaria uma data ou estimativa”, diz. Em relação ao Brasil, Paulo é otimista. “Há possibilidades de casos isolados, isto é, ‘importados’, mas não acredito que se torne um caso de problema de saúde pública no país. O governo está tomando medidas bem lógicas e efetivas, sem pânico exagerado. Está contido, não vejo um risco grande”, assegura.

No vai e vem entre Brasil, Guiné e Serra Leoa, Paulo Reis ainda assegura que não sofreu preconceitos por aqui, apesar de ser um consenso que a ignorância em torno da epidemia gerou episódios de fobias ao redor do mundo. “Tive experiências boas. Infelizmente, isso acontece tanto no Brasil, quanto fora. São atitudes irracionais. Só ouvi uma brincadeirinha uma vez quando alguém me perguntou se podia apertar as suas mãos, dizendo ‘você não vai me passar ebola, né?’. É, talvez eu tenha dado sorte”.