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Termômetro da conjuntura política #5

Por Rennan Martins | Vila Velha, 14/09/2015

Ultimato. A Folha de São Paulo escancarou a chantagem ao governo em editorial de ontem (13). Condicionou a permanência da presidente a cortes drásticos na saúde, educação, programas sociais e funcionalismo público. Nem uma só linha fala do serviço da dívida pública que este ano consumirá quase a metade de todo o orçamento. Assumindo este tom e parcialidade frente a austeridade – a qual defende somente para os que estão na parte de baixo da pirâmide – fica evidente que a caneta autora de tal documento é a da plutocracia patrimonialista e parasita.

Máscara. O agravamento da crise torna a postura do vice-presidente cada dia mais dúbia. Se há poucos meses ele dizia estar na “mesma canoa” que a presidente Dilma, agora sustenta que é difícil terminar o governo com tão baixa popularidade. Independente de suas intenções, Temer sabe que sua postura agrava a crise e suas palavras contribuem para manter o governo contra as cordas.

S&P ou FMI? O governo resolveu ontem ampliar os cortes orçamentários em R$ 20 bilhões após a agência de classificação de risco Standard & Poors rebaixar a nota do crédito nacional, retirando o selo “grau de investimento” dos papéis brasileiros. A despeito de termos reservas suficientes para cumprir com as obrigações cotadas em moeda estrangeira, os analistas da S&P sustentam que a turbulência política e a recessão econômica dificultam a capacidade do governo de cumprir com suas obrigações. Esta mesma agência foi multada em bilhões no início do ano por conta das manipulações de mercado que promovera atribuindo notas altas a quem melhor pagasse, fator crucial para a ampliação massiva da quebradeira de 2008. Quem ganha ouvindo tais “autoridades”?

Lula x Levy. Diante do quadro de deterioração e espiral recessiva da economia o ex-presidente Lula finalmente reconheceu que o ajuste nada mais é do que arrocho nas costas dos trabalhadores, fazendo gestões no sentido de afrouxar o ajuste e manter Temer como aliado do Planalto. A atitude faz sentido pois PMDB tem diferenças consideráveis com o ministro da Fazenda e o ajuste fiscal desmobilizou quase que inteiramente a base social do governo, que tornou-se refém do Congresso e principalmente do próprio PMDB.

Álvaro Dias x Lula. A Polícia Federal solicitou autorização do STF para colher depoimento do ex-presidente Lula. A própria solicitação admite não haver nenhum indício contra ele, mas, ainda assim, sustenta a necessidade da oitiva por meio de alegações vagas. Enquanto isso, o antes tão verborrágico e agora sumido senador Álvaro Dias (PSDB-PR) foi citado nominalmente por Alberto Yousseff, mas a força-tarefa da operação se fez de surda. Tucanaram a PF?

Puxão de orelha. O presidente do STF, Ricardo Lewandowski, se pronunciou por meio de artigo publicado neste domingo (13) sobre a postura midiática e bravateira de alguns juízes, em especial o ministro Gilmar Mendes. Lewandowski considera reprovável a “verbosidade de integrantes do Poder Judiciário”, alertando que estas podem acarretar “desde uma simples falta disciplinar até um ilícito criminal”. O alerta é um farol de lucidez em meio ao mar de punitivismo e parcialidade que tem assolado a justiça brasileira.

Tabelinha. O mesmo Gilmar Mendes está prestes a ver sua tabelinha com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, completa. Depois de segurar o julgamento da inconstitucionalidade do financiamento empresarial de campanhas políticas por 1 ano e 5 meses, temos que a contrarreforma política do legislativo foi encaminhada para sanção, não só mantendo o financiamento empresarial como vedando a identificação da pessoa jurídica doadora, ou seja, se sancionado teremos políticos vinculados a interesses privados os quais nem poderemos distinguir. Este tipo de atuação militante por parte de um magistrado escandaliza qualquer país minimamente sério.

O tempo foge

Por André Singer | Via Sul 21

O rebaixamento do Brasil pela Standard & Poor’s, ao provocar mais uma rodada de reações tópicas de um governo desesperadamente carente de orientação, inaugura o que pode ser um dos últimos capítulos do segundo mandato de Dilma Rousseff. Não tanto pelas consequências econômicas da nota negativa, mas pelo vácuo político que ajuda a formar em torno do Planalto enquanto, do outro lado da Praça dos Três Poderes, a contagem regressiva dos que se engajaram na tese do impeachment começa a atrair mais adeptos.

Em resposta à perda do selo de boa pagadora, a presidente ordena cortes urgentes e medidas administrativas de contenção. Trata-se do equivocado cálculo de que ao ceder a esmo às pressões imediatas, agora potencializadas pela agência de rating, diminuirá a adesão ao plano golpista. Não percebe que a única coisa que pode preservá-la –e junto com ela a integridade democrática e as conquistas sociais do período lulista– seria apresentar uma perspectiva coerente de médio prazo, organizando arco de forças interessadas em acordo mínimo de estabilidade e fim da recessão.

Mas para tanto, Dilma precisaria sair da encalacrada em que começou a se meter no dia seguinte à reeleição, quando, ao contrário de tudo o que prometera, foi buscar no mercado financeiro alguém para comandar o Ministério da Fazenda. Isolada do conjunto da burguesia, aconselhada por Lula desde 2012 a tirar Guido Mantega, com a Operação Lava Jato desmontando os partidos, na iminência de ter Eduardo Cunha no comando da Câmara dos Deputados, a recém-reeleita deu o passo fatal.

Com uma economia já parada e os juros em ascensão permanente, Dilma optou por um ajuste fiscal draconiano e assassino. Não foi preciso sequer esperar que os cortes orçamentários fossem efetivados. Bastou o anúncio deles para que todos os agentes –consumidores, investidores, empresas – começassem a contrair as atividades.

O resultado aí está. Uma recessão prevista de pelo menos 2,5% em 2015, o desemprego em alta, a renda do trabalhador em baixa e, com a arrecadação despencando, o rombo fiscal aberto. Diante do estrago, numa espécie de reflexo condicionado, os conservadores pressionam por mais dureza e rigor. Só que atendidos tais apelos, daqui a alguns meses estaremos em um poço ainda mais profundo e o governo –qualquer que seja ele– em maus lençóis.

Do ponto de vista de classe, um pacto de ruptura com esse círculo vicioso seria possível e permitiria diminuir as perdas de todos. Porém, o tempo político para que a presidente o encabece se esfuma dia a dia. A triste alternativa do impeachment, como arremedo antidemocrático do parlamentarismo que não temos, poderá jogar o problema no colo de um eventual “gabinete” Michel Temer.

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André Vítor Singer é um cientista político, professor e jornalista brasileiro.

A Folha deveria lembrar-se do “Correio da Manhã” ao fazer editoriais

Por Fernando Brito | Via Tijolaço

Em 1964, dois editoriais do Correio da Manhã – “Fora!” e “Basta!” – foram as clarinadas da mídia para o golpe militar que depôs João Goulart.

Como agora, o massacre dos jornais era incessante e generalizado – embora houvesse, então, a Última Hora dissonante deste coro.

O Correio, como a Folha, era o jornal da classe média e, como ela, o que tinha em suas páginas vários dos mais prestigiosos intelectuais – Carlos Drummond de Andrade. Carlos Heitor Cony, Otto Maria Carpeaux, entre outros.

Arrastado para o “conto do golpe democrático”, o jornal abriu fogo pesado contra o governo legítimo (legitimidade que fora confirmada um ano antes, no plebiscito que devolveu poderes presidenciais a Jango).

E parido o filho troncho do autoritarismo, não tardou a sentir que o menino não só usava a farda como, também, os dentes e as garras.

Perdeu o que seu “inimigo” não lhe negava – a publicidade governamental – e o aliado usou sem pejo, ameaçando, inclusive, os empresários privados que anunciavam por lá.

Sua dona, Niomar Muniz, viúva de Paulo Bittencourt, deixou o jornal ir para a oposição, com episódios que ficaram na história, como o que narra o fotógrafo Amicucci Gallo :

“[…] e tinha uma escola, o Castelo Branco ia visitar a escola meio… inaugurar a escola. […]. Quando eu passei numa sala, por onde ele tinha que entrar, tinha o quadro negro, estava escrito assim, “animais úteis” […] letras garrafais, bem vistas. E eu fiquei dentro da sala. O repórter, desesperado […] “anda, vai chegar o presidente!”, e eu “Daqui eu não saio!”. Ele não entendeu nada, porque eu não queria falar porque eu não saía dali. Até que ele entrou na sala… e quando ele passou pelo quadro eu , eu pá-pá-pá [barulho da máquina fotográfica]. No dia seguinte, quando ele abriu aquela foto dele, “animais úteis”…

A ditadura que, a pretexto da “democracia” o  Correio ajudara  a implantar, explodiu-lhe uma bomba em 1968, prendeu D. Niomar em janeiro de 1969 e, meses depois, tomou-lhe o próprio jornal, obrigada a vender para Maurício Alencar, irmão do ex-governador Marcelo Alencar e representante de uma empreiteira, a Companhia Metropolitana de Construções, por sua vez ligada às pretensões presidenciais de Mário Andreazza, como seria, nos seus estertores, outro título usurpado da imprensa brasileira: a Última Hora, tirada de Samuel Wainer e, como o Correio, objeto de uma longa agonia.

Que durou, ao menos, para que eu tenha o orgulho, mesmo assim, de ter na minha carteira profissional aquele nome que pertence tanto à História que nenhum arranjo pôde retirar sua mística.

A Folha, que na época se serviu do golpe para comprar a Última Hora paulista na bacia das almas, deveria se lembrar do que acabou acontecendo com este tipo de ultimato.

A praga, não é raro, tem a mania de voltar-se contra o praguejador.

É a Globo que dá ao Brasil uma nota de mau pagador

Por J. Carlos de Assis

Entre todas as patifarias ideológicas vomitadas pela Grande Mídia, sobretudo pela TV Globo, relativamente às decisões das chamadas agências de risco, a mais sórdida é a que define a nota emitida por elas como um atestado de bom ou mau pagador. Ora, como se pode dar atestado de mau pagador antes que se saiba que a empresa ou país pagaram suas obrigações? Seria um atestado de não pagamento futuro? Se é assim, é melhor para o país que não pague agora; assim, ficará com algum dinheiro em caixa para eventualidades!

É claro que isso tudo é um absoluto nonsense. Não há a mais remota possibilidade de o Brasil suspender o pagamento de suas dívidas em função do que dizem as agências de risco. Temos reservas internacionais de quase 400 bilhões de dólares. É verdade que, sobretudo por erros acumulados na política cambial do passado, e sobretudo por causa da estúpida taxa de juros, temos também muitas dívidas externas de curto prazo. Contudo, o balanço nos é ainda favorável. E não precisamos, para isso, de nota de bom pagador de agências de risco.

O mais repugnante, porém, não é o conceito em si de mau pagador que se atribui ao país por causa da agência mas o fato extraordinário de que não é a agência, em si, que usa essa terminologia – ela libera apenas uma nota -, mas a forma como a TV Globo, por sua conta e risco, “explica” a nota. São os jornalistas da Globo, como Bonner, que dizem que a nota é um “atestado de mau pagador”. Como consequência, caindo a nota, perdemos o status de bom pagador mesmo que nada nos tenha sido cobrado e a economia funcione como antes.

A embromação não para aí. A nota das agências é um expediente tremendamente arbitrário. Se tivesse um mínimo de cientificidade não teria havido o desastre de 2008, no qual todas as agências de risco – rigorosamente, todas – haviam dado nota de “bom pagador” AAA a empresas, bancos e títulos que, por suas fraudes, quase destruíram o sistema financeiro mundial. Sob aperto do Congresso para explicar o que, afinal, havia acontecido, todas combinaram a mesma resposta: O que fizemos foi dar nossa opinião, mais nada.

Então qual é a razão para a Grade Imprensa dar tanta atenção às agências? Simplesmente porque elas funcionam como a vanguarda dos interesses financeiros, e são os interesses financeiros que dão suporte à Grande Imprensa. No caso atual, a agência está dando um sinal para que o Governo brasileiro mantenha taxas de juros básicas extorsivas e estrangule o orçamento público para tapar o déficit primário, irrisório em relação ao orçamento como um todo, o qual, caso mantido, não traria qualquer consequência negativa para a economia real.

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José Carlos de Assis é economista, doutor pela Coppe/UFRJ, autor do recém-lançado “Os Sete Mandamentos do Jornalismo Investigativo”, ed. Textonovo, SP. Pode ser adquirido pela Internet.

Câmara devolve ao poder econômico das empresas ‘direito’ de financiar campanhas

Por Hylda Cavalcanti | Via RBA

Para parlamentares que protestaram, decisão representa poder dos grupos econômicos que atuam no parlamento.

Câmara liderada por Eduardo Cunha continua aberta ao dinheiro das empresas nas campanhas e na política. J.BATISTA/CÂMARA DOS DEPUTADOS

Brasília – A Câmara dos Deputados derrubou esta noite a proposta do Senado que proibia o financiamento empresarial de campanhas políticas. Os deputados decidiram alterar o texto do Senado, que tinha modificado o entendimento anterior dos deputados, aprovado por meio de manobras do presidente da Câmara, Eduardo Cunha.

Na avaliação do líder do Psol, deputado Chico Alencar (RJ), o resultado da votação consistiu em mais uma manobra dos grupos econômicos que imperam entre os representantes do parlamento brasileiro. “São as doações de empresas que perpetuam as oligarquias na política.”

O deputado Henrique Fontana (PT-RS) afirmou que a autorização ao financiamento privado deixa claro que as empresas é que vão continuar distorcendo a democracia brasileira. “Temos de ter coragem e dar um passo para combater o poder econômico que controla hoje as campanhas eleitorais”, afirmou, um pouco antes da votação.

Alessandro Molon (PT-RJ) ponderou que a mudança no Senado tinha sido motivada pela pressão da sociedade, que não aceita mais o financiamento privado de campanhas. “Tivemos a oportunidade de mostrar que queremos fazer o que o povo quer de nós, de limitar o poder do dinheiro nas eleições”, destacou. Da mesma forma se posicionou o deputado Rubens Pereira Júnior (PCdoB-MA), para quem “a medida mudou tudo para não mudar nada”.

Leis ordinárias

Tanto a Câmara quanto o Senado analisaram nos últimos meses propostas de reforma política e eleitoral, com modificações na Constituição e nas leis ordinárias. A matéria que analisada pela Câmara corresponde a emendas à parte da reforma, que não precisam de alteração na Constituição.

Além da manutenção do financiamento empresarial, o projeto reduz o atual tempo de campanha – de 90 para 45 dias – e de propaganda eleitoral na TV – de 45 para 35 dias.

A Câmara também rejeitou outras propostas que vieram do Senado referentes à proibição do uso de cabos eleitorais e de carros de som nas campanhas e manteve regras de coligação de partidos nas eleições proporcionais, para deputados e vereadores. A decisão preserva a atuação de pequenos partidos de “aluguel”, que leiloam seu tempo de TV.

O individualismo lesa direitos sociais e ambientais

Por Jacques Távora Alfonsin | Via IHU

O poder do indivíduo” é o título de um artigo publicado no jornal Zero Hora, no dia em que se celebra a independência (?) do Brasil, assinado pelo advogado Michel Gralha. Qualificando o momento que vive o país como difícil, enumera direitos coletivos suprimidos, segurança e sistemas de saúde em colapso, o ente público falido, indicando como saída para esses problemas “deixarmos de esperar o “grupo” e agirmos individualmente. Se queremos melhores condições, temos de dar valor para quem realmente pode mudar o país: o indivíduo.”

Mais do que difícil, é impossível aceitar essa receita. Bem ao contrário dela, a ética mais elementar, a lei por menos aberta que seja aos direitos sociais, as religiões e crenças, todas têm uma característica comum: acautelar-se contra o individualismo. Fazem-no conhecendo o seu passado e o seu presente de egoísmo, ganância, autoritarismo, arbitrariedade, indiferença em relação às necessidades alheias, às desigualdades inerentes à pobreza e à miséria.

O seu maior defeito dele é o seu poder de criar injustiça. Com muito raras exceções, por nem enxergar a/o próxima/o, a sua conduta deixa de abusar do interesse próprio, doa a quem doer. Quando esse é econômico, então, a violação do direito alheio costuma se vestir de legal, na base da “liberdade de iniciativa”. Enganar, mentir, fraudar, isso tudo passa a inspirar formas disfarçadas de ameaçar ou violar o direito alheio, seja o individual seja o coletivo.

direito de propriedade, por exemplo, seguramente o mais individual e o mais importante do sistema capitalista, com garantias e efeitos bem superiores ao direito à vida, como Norberto Bobbio provou em seu “A era dos direitos”, cria tantos problemas para a humanidade toda, que os países onde ele impera tenta reconhecê-lo apenas quando cumpre uma função social. Assim o fazem, especificamente, a Constituição brasileira, o Estatuto da Terra e o da Cidade, entre outras leis.

A sua força econômica passa incólume por tudo isso, coberta pela dita liberdade de iniciativa. Ao mínimo sinal de ele ser ameaçado, quando até a exploração do trabalho escravo, escondida por essa liberdade pode ser detectada – como aqui se tem denunciado mais de uma vez – seus defensores não acham que essa liberdade precise de melhor detalhamento e conceituação legal. Para eles, quem precisa disso é, justamente, a vítima dessa liberdade de iniciativa, no caso, o trabalho escravo

Comparado assim o poder individual do direito de propriedade com os dos direitos sociais, é evidente a desproporção da desigualdade em seu favor. Sua função social, com ralo reflexo na realidade, serve mais para legitimar a própria lei do que reprimir as disfunções do seu exercício.

encíclica “laudato Si”, do Papa Francisco, pode responder ao artigo do Dr.Gralha, analisando precisamente o sentimento mais nobre da pessoa humana, praticamente esquecido pelo articulista. Ao sustentar a ecologia integral, como forma de se defender e preservar a vida, ele mostra como a casa comum, por ele assim denominada a terra, primária condição de vida, depende do respeito devido, igualmente, a um bem comum, próprio de um “amor social”:

“O amor, cheio de pequenos gestos de cuidado mútuo, é também civil e político, manifestando-se em todas as ações que procuram construir um mundo melhor. O amor à sociedade e o compromisso pelo bem comum são uma forma eminente de caridade que toca não só as relações entre os indivíduos, mas também as macrorelações como relacionamentos sociais, econômicos, políticos. Por isso, a Igreja propôs ao mundo o ideal de uma “civilização do amor”, O amor social é a chave para um desenvolvimento autêntico. Para tornar a sociedade mais humana, mais digna da pessoa, é necessário valorizar o amor na vida social – nos planos político, econômico, cultural – fazendo dele a norma constante e suprema do agir.” {…} “Desta forma cuida-se do mundo e da qualidade de vida dos mais pobres, com um sentido de solidariedade que é, ao mesmo tempo, consciência de habitar em uma casa comum que Deus nos confiou.”

É bem pouco provável que até não crentes discordem disso, mas é quase certo que um/a individualista, se não às claras, para não ser visto como desumano/a, reservaria um juízo de tranquila surdez para esse apelo.

Não é o indivíduo que vai mudar o mundo como prega o Dr. Gralha. O “cada um por si e Deus por todos”, inerente à cultura ideológica individualista e privatista do interesse próprio capitalista, não tem mais como se justificar. Se assim ainda o faz, ignora tanto quem seja Deus quanto quem sejam todas/os.

STF abre ação penal contra Paulinho da Força por corrupção em banco público

Por André Richter | Via Agência Brasil

A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) abriu hoje (8) ação penal contra o deputado federal Paulo Pereira da Silva (SD-SP), conhecido como Paulinho da Força Sindical. Por unanimidade, os ministros receberam denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), por entenderem que há provas do cometimento dos crimes de lavagem de dinheiro e contra o sistema financeiro nacional.

De acordo com a procuradoria, o parlamentar foi beneficiário de um esquema de desvios de dinheiro em empréstimos de financiamento entre o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a prefeitura de Praia Grande (SP) e as Lojas Marisa. Os fatos foram investigados na Operação Santa Tereza, deflagrada pela Polícia Federal em 2008.

Segundo a acusação, o esquema de desvios ocorria por meio da falsificação de notas fiscais para tentar explicar a aplicação do dinheiro repassado pelo banco, cujos montantes eram divididos entre os envolvidos. De acordo com a denúncia, os crimes eram facilitados por João Pedro de Moura, ex-assessor do deputado e ex-integrante da Força Sindical no conselho do BNDES.

Segundo o subprocurador Paulo Gonet, o valor cobrado nos contratos era 4%. “O denunciado [deputado], em troca de favores políticos, recebia uma parte das comissões. Que era paga à quadrilha e beneficiários desses empréstimos concedidos pelo BNDES”, disse.

Para o ministro Teori Zavascki, relator da ação penal, conversas telefônicas gravadas pela Polícia Federal indicam que houve o desvio dos recursos. Segundo o ministro, planilhas manuscritas e cheques apreendidos mostram a divisão dos valores, que foram recebidos por intermédio de consultorias inexistentes e depositados na conta da ONG Meu Guri, ligada ao deputado, para ocultar a origem dos recursos.

“A denúncia apontou que a suposta associação criminosa seria composta, entre outros, pelo acusado [Paulinho], que se utilizaria sua influência junto ao BNDES para conseguir aprovação do financiamento, cobrando como contrapartida, comissões, que variavam de 2% e 4% do valor financiado. A influência exercida decorreria dos cargos ocupados pelo acusado, deputado federal, e de presidente da Força Sindical”, disse o ministro.

Advogado do parlamentar, Marcelo Leal afirmou que os e-mails que constam nas investigações provam que os serviços da empresa de consultoria Probus, acusada de falsificar as notas, foram efetivamente prestados. “O paciente não teve participação nos supostos fatos delituosos”, afirmou Leal.