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Três modelos de juízes e o futuro que olha para trás

Por Marcelo Semer | Via Justificando

Não são poucos os autores que ressaltam a importância do Iluminismo para a estruturação do direito penal moderno.

Com bases fincadas no contratualismo e na separação de poderes, instrumentos essenciais para o que seria a fissura do absolutismo e a assunção da burguesia emergente, consolidou-se uma trajetória de ruptura com o direito pré-moderno, arbitrário, pessoal, violento e vingativo –ainda que fosse exagerado atribuir ao período posterior a alcunha de humanitário. Basta lembrar que a prisão se tornou desde então a peça de resistência do sistema punitivo e assim sabemos que o tratamento degradante jamais foi eliminado como se supunha.

Como bem explicou Foucault, no clássico Vigiar e Punir, os reformadores não quiseram apenas suavizar as punições, então públicas e recheadas de castigos corporais, mas também, e principalmente, torná-las mais racionais: “O direito de punir se deslocou da vingança do soberano à defesa da sociedade. Mas ele se encontra então recomposto com elementos tão fortes, que se torna quase mais temível”[1].

A tutela à propriedade, por exemplo, se expandiu com a ascensão da burguesia, enquanto a ideia primaz de subsidiariedade do direito penal, que se depreendia das mensagens de Beccaria, perdeu-se no tempo. A legalidade se incorporou na construção da dogmática, mas os positivismos que dela provieram, abriram mão do caráter libertário do conceito e o transformaram no dura lex sed lex, que tanto entusiasma os escravos da lei. Enfim, a igualdade meramente formal, base jurídica necessária para o novo modo de produção, dependente da comercialização da força de trabalho, oculta gigantescas desigualdades sociais, tal como a seletividade penal (o arbítrio submerso na racionalidade), que permite sua introdução e aplicação preferencialmente às classes subalternas.

Existem formas distintas de compreender e aplicar esse legado de dogmatismo e arbítrio, de violência e legitimação. O resultado último do nosso sistema, permeado por um controle cada vez mais rigoroso e seletivo (e rigoroso justamente porque seletivo), não pode ser analisado sem entender o papel que os juízes nele desempenham.

Entre nós, existem ainda, sobretudo, juízes que reivindicam a herança do liberalismo tradicional, concebidos na separação absoluta dos poderes e cultivados no dogmatismo. O Juiz Liberal se afirma independente do poder central e, para cumprir este mister, se arroga apolítico. Consagra a dogmática como sua fórmula gestora e não reconhece a seletividade do sistema ou as violências praticadas ao seu redor, aí incluídas as características étnicas e raciais na colheita da clientela policial -estranhas que são à realidade do direito positivo.

Apartando-se das questões políticas, deixa de lado a aplicação dos princípios constitucionais, seja porque estes não estão presentes na lei (e com isso se utilizam da legalidade contra o réu), seja porque não seriam autoaplicáveis (e, portanto, assunto para os próprios legisladores), seja porque, diante de interdisciplinariedade que evita e a compreensão social prejudicada que decorre da estreiteza do olhar normativo, mal reúne paradigmas suficientes para a aplicação dos standards.

É preciso um conteúdo considerável de negação para julgar de acordo com a confissão produzida na polícia, ignorar a atávica violência estatal e o contínuo descumprimento de normas penitenciárias. Mas o formalismo se encarrega de manter a realidade a uma distância suficientemente segura do intérprete da norma.

Juiz Liberal apega-se à lei, portanto, de uma forma subconstitucional. A ideologia, aqui, representa o falso conhecimento, na medida em que se assume neutro diante de um direito que também reconhece objetivo, acima de qualquer indagação política ou classista. A função do Juiz LIberal é, basicamente, a de legitimação de um sistema cuja lógica e as perversões nele encontradas, jamais vê como de sua responsabilidade –embora o sejam.

Desde a emergência do Estado Social e dos novos instrumentos que a ele se agregaram, como as Constituições descritivas, o paradigma da dignidade humana, o reconhecimento do poder normativo dos princípios, os sistemas internacionais de proteção de direitos humanos, o perfil do juiz apolítico envelheceu. Sua função agora é, especialmente, a de garantidor dos direitos inscritos na Constituição –a jurisdição é inafastável, bem como a aplicação de normas de direitos humanos, que transcendem inclusive a soberania.

Juiz Social reconhece o dogmatismo em sua tradição iluminista (ou seja, como formalização de controle, portanto de limitação do poder punitivo), mas não ignora a seletividade e, com ela, as violências inerentes ao sistema penal. Busca atenuá-las, reduzindo danos, com a aplicação dos princípios que percebe superiores e ainda vetores das regras (culpabilidade, proporcionalidade, lesividade, igualdade). Para além da legalidade, exige a violação do bem jurídico como limite do punível – e afasta deste âmbito as insignificâncias e adequações sociais.

Admite a jurisdição como uma função política e o contato com o meio social indispensável, sendo agente da preservação de sua própria cidadania.

É um juiz acima de tudo constitucional. Para fazer valer a Constituição, ancora seu ativismo na garantia de direitos fundamentais, suprindo a omissão de governos e legisladores em regulamentá-las –reage, de outra parte, à legislação draconiana e populista que transborda, com inusitada frequência, os limites do Estado Democrático.

Compreende a dimensão de sua missão contramajoritária e a perniciosa compressão punitiva da mídia. Reconhece a independência judicial, mas não a limita à relação com os demais poderes. Valoriza, sobretudo, a independência interna com a qual busca, quase sempre sem êxito, combater a perversão do controle ideológico que se impõe a partir das cúpulas, ínsito nas nomeações, promoções, remoções, designações e punições.

Desenvolve, desta forma, um papel crítico do Poder e do sistema penal, e por isso não raro é tratado como disfuncional dentro deles. Serve, enfim, de modelo da “impunidade”, para as propagandas do endurecimento penal.

Modernamente, entre nós, a composição do STF no início do século XXI, foi a Corte criminal que mais se aproximou desta figura de Juiz Social. Veja-se, por exemplo, as decisões que reconheceram a inconstitucionalidade da proibição de progressão na Lei dos Crimes Hediondos, da prisão processual como antecipação de pena, da proibição de liberdade provisória e da substituição por restritivas de direito na Lei de Tóxicos, da videoconferência, entre outras produzidas no mesmo contexto desta composição (em face de uma legislação freneticamente editada logo após e em sentido oposto à Constituição de 1988).

Mas no momento em que o exercício do poder contramajoritário se mostrou mais delicado e exigente, submetido que estava o tribunal a uma pressão midiática sem precedentes (julgamento do Mensalão), sua jurisprudência iniciou paulatinamente uma curva em sentido contrário, com destino ainda incerto.

Nos casos recentes, dentro e fora do STF, veio a lume, então, uma figura mais funcional ao momento presente, em que o enrijecimento do direito penal é lei e o grande encarceramento deixou de ser efeito colateral para se transformar em verdadeira política.

Trata-se do Juiz Neoliberal.

O juiz não se esconde mais por detrás da lei; mas a esconde em sua presença. Não é omisso nem apolítico –suas opiniões são tão importantes quanto suas ações. Seu papel não é apenas o de legitimar a aplicação intensiva do direito penal, mas sim o de promovê-la. A ideologia aqui é um programa político: o estabelecimento do estado penal.

O juiz tem voz, tem rosto e, de preferência, fama. Sua atuação não é sub-constitucional –mas supra-constitucional. A legitimação de suas atitudes reside antes na “realidade” –a histórica impunidade, o processo fadado ao insucesso, os múltiplos recursos e brechas legais dos quais o país já está cansado. É, pois, um juiz homem do seu tempo, pleno do senso comum transmitido ad nauseam pelos meios de comunicação.

Do juiz social captura o ativismo, empregado não mais para assegurar a aplicação efetiva de direitos constitucionais, e sim para ultrapassá-los em nome de uma sociedade que afirma aflita e desamparada. Substitui, assim, princípios por políticas. O que garante seu poder não é mais a independência, mas a popularidade, na adesão ao campo majoritário.

Aqui já não se trata mais de um juiz que deixa de cumprir uma função que é sua, mas o que cumpre funções que não o são.

A reunião na figura do Juiz Neoliberal da investigação e acusação retoma sem freios o caminho inquisitório, inclusive diante da condenação que volta a ser baseada fundamentalmente na extração da verdade do corpo – seja ela a confissão sem consentimento (interceptação telefônica), seja a que se estimula com vantagens processuais ou financeiras (delação premiada).

A pá de cal nesse trajeto de volta é o retorno à execração pública do réu, tarefa que agora a própria mídia se encarrega com grande proficiência –como bem explanou Rubens Casara em seu Processo Penal do Espetáculo[2].

Esse juiz do futuro, que ultrapassa os escaninhos da lei em nome da justiça, da Constituição em nome da realidade, da garantia em nome da eficiência e celeridade, e se legitima promovendo a punição ansiada pela população, é paradoxalmente, de todos, o mais compatível com o direito penal pré-moderno.

Um sinal evidente de que o neoliberalismo não é exatamente o fim da história. Apenas um andar para trás.

***

Marcelo Semer é Juiz de Direito em SP e membro da Associação Juízes para Democracia.

Referências:

[1] FOUCAULT, Michel. VIGIAR E PUNIR – Nascimento da Prisão. Ed. Vozes, 42ª ed. 2014.

[2] CASARA, Rubens RR. PROCESSO PENAL DO ESPETÁCULO – Ensaios sobre o poder penal, a dogmática e  autoritarismo na sociedade brasileira (especialmente, cap. I) – Empório do Direito, 2015.

Ibama investiga se é a lama da Samarco que atinge Abrolhos

Via Clube de Engenharia

Lama parte do Rio Doce e, segundo especialistas, chega ao santuário de Abrolhos.

Uma das mais importantes áreas do litoral brasileiro, do ponto de vista científico e turístico, o santuário de Abrolhos tem a maior biodiversidade de corais do Atlântico.

Mancha no oceano que chegou à região sul da Bahia e já atingiu o Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, local com maior biodiversidade de corais do Atlântico, está sendo monitorada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) com a suspeita de que a lama da barragem de Mariana tenha atingido o município de Caravelas.

Marilene Ramos, presidente do  Ibama e conselheira do Clube de Engenharia , e Claudio Maretti, presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), em entrevista coletiva, informaram que a mancha, segundo especialistas, pode ser  a lama de rejeitos de mineração da Samarco, concentrada na foz do Rio Doce. A mancha vinha se espraiando no último mês para o sul do litoral do Espírito Santo, mas, nos últimos dois dias, devido às fortes chuvas na área, passou a se espalhar também na direção norte.

Onde estão os ambientalistas?

O Ibama já notificou a Samarco para realizar coletas e avaliar se a mancha vem do Rio Doce. A coleta das primeiras amostras foi feita nesta quinta-feira, 7 de janeiro, com a previsão dos resultados saírem em dez dias. O impacto ambiental causado pela mancha na biodiversidade da região será avaliado com muito cuidado e pode levar tempo para ser totalmente conhecido. “O dano imediato é a redução da produtividade da vegetação marinha, fitoplanctons e corais, o que causa prejuízo para a vida marinha. É como se eu cobrisse a Mata Atlântica ou a Amazônia com uma fumaça que dificultasse a realização de fotossíntese”, explicou Maretti. Os impactos serão sentidos a longo prazo e especialistas não descartam a possibilidade de extinção de corais.

Arquipélago de Abrolhos ameaçado.

O que chama atenção neste cenário de descaso e impunidade que marca a tragédia de Mariana é o silêncio de organizações ambientais estrangeiras, que não se manifestam acerca desse quadro de destruição. Por que se calam? De repente, desapareceu a agilidade que demonstram nas ações jurídicas e manifestações nacionais e internacionais contra empreendimentos associados ao uso de tecnologia de ponta,  infraestrutura ou logística, tão necessários ao desenvolvimento soberano do país. Tão pródigas em manifestações contra a indústria nuclear, a construção de hidrelétricas com reservatórios e eclusas, eixos rodoferroviários e fluviais sumiram da mídia; quando muito a noticiam em seus sites. Por que o silêncio e o imobilismo? Não há nada a dizer sobre a maior tragédia ambiental do País?

Entre promessas e ameaças, os eventos que devem agitar a política sul-americana em 2016

Via Sputnik Brasil

Na América do Sul, 2016 começa como terminou 2015, com uma série de questões polêmicas a serem resolvidas pelas lideranças da região. Seja no Brasil ou na Argentina, na Venezuela ou na Bolívia, não faltarão motivos para acompanhar de perto os desdobramentos políticos de alguns acontecimentos que marcaram o subcontinente no ano passado.

Em ano de Jogos Olímpicos e eleições municipais, os brasileiros devem seguir preocupados com as incertezas em torno das investigações e processos que agitaram o Brasil nos últimos meses. Em meio a um período histórico de apuração de inúmeras denúncias de corrupção, como no caso das operações Zelotes e Lava Jato, os olhos de boa parte do público permanecerão voltados seguramente para as tentativas de derrubar a presidenta da República, através do impeachment, e para as novas possibilidades de alianças políticas.

Embora muitos analistas e autoridades considerem remotas as chances de um processo de impedimento, o próprio ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mentor político de Dilma Rousseff, opinou em reunião com a mesma, na noite da última terça-feira, que “o impeachment está morto, mas não enterrado”.

Na vizinha Argentina, a substituição do governo de centro-esquerda de Cristina Kirchner pelo do empresário Mauricio Macri, da Proposta Republicana (centro-direita), em dezembro, marcou o fim de uma era na política nacional, após 12 anos de kirchnerismo.

Primeiro líder da direita escolhido pelo povo argentino, em eleições livres, para governar o país, Macri assumiu a presidência prometendo uma mudança radical não apenas nas questões internas, mas também nas relações exteriores, principalmente no âmbito continental. Adotando medidas neoliberais, o governante promoveu, em poucas semanas, importantes alterações econômicas, mas sem negligenciar sua determinação em marcar o novo espaço de atuação da política exterior argentina, com fortes críticas à Venezuela de Nicolás Maduro (incluindo ameaças de expulsão do Mercosul) e sinais de reaproximação com os EUA.

Nesta semana, ao anunciar a presença de Macri no Fórum Econômico de Davos, na Suíça, do qual a Argentina não participa há 12 anos, Buenos Aires deu um importante recado à comunidade internacional, levando alguns especialistas do setor a considerar que a Argentina, com seu novo líder, poderá ser uma alternativa à influência do Brasil na região, redefinindo o equilíbrio de poder sul-americano.

Criticada pelo novo governo argentino e pelos Estados Unidos, a Venezuelatem pela frente um ano de fortes emoções, pautadas pela queda de braço entre o presidente Maduro e a nova Assembleia Nacional, que prometeu tirá-lo do poder dentro de seis meses.

 

Na última terça-feira, a direita venezuelana assumiu pela primeira vez o controle do parlamento do país em 16 anos de chavismo, reiterando suas intenções de anistiar supostos presos políticos, alterar as atuais políticas econômicas e promover uma mudança forçada no governo. Liderada pelo polêmico Henry Ramos Allup, cujo passado antidemocrático teria sido reconhecido pela própria embaixada dos EUA em Caracas (segundo parecer do então embaixador William R. Brownfield de abril de 2006), a nova Assembleia conta com 112 deputados da oposição, sendo que três deles foram juramentados de maneira ilegal, após suas eleições serem impugnadas pela Justiça do país por suspeitas de compra de votos. Sem esses parlamentares, a direita não teria a supermaioria de dois terços (112 cadeiras de um total de 167) que lhe permite destituir altos funcionários e reformar a Constituição para antecipar a saída de Maduro, que, por sua vez, desafiou a oposição a convocar um referendo revogatório para que os venezuelanos possam decidir o futuro do país.

Se na Venezuela a briga do presidente é para manter o seu mandato até o fim, na Bolívia a questão é outra. No próximo 21 de fevereiro, o eleitorado boliviano irá às urnas para responder, num referendo, se concede ao Congresso votar uma Proposta de Emenda Constitucional que altere o Artigo 168 para permitir ao atual líder do país disputar mais um mandato consecutivo.

No poder há quase dez anos, Evo Morales conseguiu reduzir significativamente a pobreza e a desigualdade, aumentou o PIB e as reservas internacionais, controlou a inflação e os gastos públicos e erradicou o analfabetismo do seu país, investindo pesado na área social.

Com relativo respaldo popular e reconhecimento internacional, o primeiro governante indígena da Bolívia se prepara para testar no mês que vem o seu poder, levando em consideração as recentes derrotas da esquerda na Venezuela, na Argentina, e o fortalecimento da direita no Brasil. Se autorizado e vencendo o próximo pleito presidencial, Evo Morales, cujo atual mandato termina apenas em 2020, permanecerá à frente do governo até 2025.

Briga por verba reflete a briga contra Dilma na PF

Por Marcelo Auler | Via marceloauler.com.br

A chiadeira dos delegados federais na suposta defesa do orçamento da instituição para 2016 na verdade esconde um jogo político grande e acirrado. Há de tudo um pouco, mas o principal mote de muitas das reclamações, em especial de um grupo cujo tamanho não é possível ainda mensurar, é a briga política contra o governo de Dilma Rousseff, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, Lula e o Partido dos Trabalhadores.

POstagem feita

Em 15 de março, um grupo de delegados federais já demonstrava o desrespeito com a presidente e a falta de comando e liderança no DPF.

Logo, se constata que o que existe é uma briga política, pois muitas das críticas partem de pessoas as quais, embora se apresentem como defensoras da instituição, no fundo estão fazendo campanha política com interesses variados. Algumas delas, campanha direta contra o governo.

Basta verificar várias postagens que circularam durante 2014 e 2015 no Facebook dos delegados de Polícia Federal,como a da foto ao lado, que rola na rede social desde março passado, bem antes de se saber do corte orçamentário

Até hoje, como declarou Cardozo na quarta-feira (06/01), não faltaram recursos. Por isso, ele cobra do superintendente do Paraná, Rossalvo Ferreira Franco, explicações sobre o pedido de verba extra feito ao juiz Sérgio Moro para compras de peças de carro e pagamento da luz.

O pedido pode ter sido indevido, com base no Manual de Bens Apreendidos, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), conforme mostrou Fernando Brito em A “doação” de Moro para a PF: “embora não seja apropriado”?, no blog Tijolaço.com.br. Ele foi além e descobriu que apesar de requisitar R$ 172 mil ao juiz, a SR/DPF/PR dispunha de verba orçamentária, duas vezes maior – R$ 409 mil -, para estas despesas. Isto Brito mostrou na reportagem Dr. Moro, desculpe, erramos. Não eram R$ 202 mil em peças para carros da PF , eram R$ 409 mil.

Na quarta-feira, o ministro Cardozo falou que a prova maior de que não falou verba no Paraná foi a devolução, por parte da superintendência, de R$ 3 milhões que não foram utilizados no exercício de 2015.

Na briga política entre delegados e o governo Dilma, o Sindicato dos Delegados do Paraná e a Associação Nacional dos Delegados Federais emitiram nota na tarde desta quinta-feira (07/01), de solidariedade ao superintendente do DPF naquele estado. Mais uma vez se apegam à Operação Lava Jato para passarem a ideia de que o governo do PT está contra combaterem a corrupção. As duas entidades desmentem o ministro garantindo que a Superintendência não devolveu dinheiro algum e a Delegacia de Foz de Iguaçu terminou o exercício com um rombo de R$ 2 milhões. Com isso, justificam o dinheiro pedido ao juiz.

Algumas das transgressões disciplinares da carreira de polícia federal

Algumas das transgressões disciplinares da carreira de polícia federal

Assim, demonstrado que a aceitação do mencionado montante não se deu em razão de má gestão ou malversação do dinheiro público, na medida em que é notório que o Delegado de Polícia Federal Rosalvo Ferreira Franco e sua equipe estão realizando um trabalho exemplar em prol da população brasileira, mormente no combate à corrupção, as entidades signatárias vêm à público reafirmar seu incondicional apoio a estes no sentido de repudiar qualquer ato falacioso que vise denegri-los ou a qualquer integrante da Polícia Federal”, encerra a nota.

Desrespeito ao regulamento – As desavenças entre delegados e governo do PT são antigas, Muitas delas começaram após a saída do primeiro diretor do DPF no governo Lula, Paulo Lacerda. Mas se exacerbaram nos últimos anos, após os escândalos do Mensalão e da Lava Jato. Desde então as postagens dos delegados no Facebook deixaram de ser mero exercício do direito à liberdade de opinião para passarem a atropelar o previsto no Decreto Nº 59.310, de 23 de  setembro de 1966, Trata-se do Regimento Jurídico da Carreira que estipula deveres e direitos dos policiais federais.

Estas postagens, não apenas desrespeitam autoridades e atos administrativos (parágrafo primeiro do Art. 364) como também podem ferir, dependendo da interpretação, o parágrafo XII do mesmo artigo que proíbe “valer-se do cargo, com o fim ostensivo ou velado, de obter proveito de natureza político-partidária para sim ou para outrem” (veja quadro). O que tem faltado no DPF na gestão do diretor geral Leandro Daiello Coimbra e também pelo ministro Cardozo, é comando e liderança.

Em uma das postagens no Facebook delegados comparam o ministro da Justiça ao Bozó

Em uma das postagens no Facebook delegados comparam o ministro da Justiça ao Bozo

Impunidade gera abusos - A atual direção e o ministro deixaram impunes fatos como o ocorrido na véspera das eleições de 2014. Na época, um grupo de delegados da Lava Jato postou no Facebook mensagens criticando o governo Dilma, sua candidatura e apoiando Aécio Neves. Foi campanha política pura, mas nada aconteceu aos seus autores. Talvez por medo da direção geral de punir delegados que estavam nas páginas do noticiário com heróis pelas prisões da Operação Lava Jato.

Da mesma forma como nada aconteceu quando começaram a surgir denúncias de irregularidades na SR/DPF/PR. Foram várias, do grampo ilegal instalado na cela de Alberto Youssef, ao vazamento de um rascunho da delação premiada do ex-diretor da Petrobras, Nestor Cerveró, quando ele estava na carceragem da superintendência. Passam ainda pelo grampo no fumódromo, pelo vazamento seletivo de informações para jornalistas escolhidos a dedo, pelo uso de celular por Youssef na cela, pela apresentação de uma sindicância que hoje se tem como inverídica diante dos fatos já levantados, pelo falso testemunho de delegados diante de um juiz federal entre outras.

cardozo cachorrinho de Lula

Na página dos delegados da Polícia Federal, em 19 de agosto, foi reproduzida charge em que o ministro Cardozo é visto como cachorrinho de Lula.

A liberalidade foi como um sinal verde. E aa páginaa do Facebook, como mostram alguma postagem que o blog recebeu, mais do que crítica à política do governo, passou ao deboche das autoridades, entre elas a presidente Dilma, como na foto no alto desta postagem, e o ministro Cardozo, nas fotos, acima, em que ele foi tratado como palhaço, e ao lado, com uma charge em que é tratado como cachorro de Lula.

Quando a briga não é para derrubar o governo é por aumento de salários, em uma velha disputa que delegados federais travam para se equipararem aos membros do Ministério Público Federal.

Sobrou para Paula Rousseff - Nessa disputa, atingiram até a filha da presidente Dilma Rousseff, Paula Rousseff Araujo, que, em 2003 – bem antes, portanto, de a mãe ser escolhida para suceder Lula – foi aprovada em concurso no Ministério Público do Trabalho – carreira que faz parte do Ministério Público Federal.

Entre seus colegas, pelo que o blog ouviu de uma procuradora do trabalho, ela é respeitada como séria e dedicada. Ainda assim, virou alvo das críticas de delegados, por conta do velho anseio de serem equiparados à carreira do MPF.

filha de dilma

O salário de Paula, a filha de Dilma, procuradora do Trabalho concursada, foi exposto como se fosse um benefício pessoal e favorecimento.

 

Em uma reprodução de postagens, o delegado Armando Rodrigues Coelho Neto, aposentado, com um trabalho elogiável a favor das rádios comunitárias e pessoalmente bastante crítico aos que defendem o impeachment da presidente, levou à pagina dos delegado federais o valor do salário de Paula, com o comentário: “maior que um DPF com 30 anos de serviço. Isso é salário moral? #issonãoémoral”.

A remuneração dela é a da categoria: procuradores do trabalho. Mas, por ser maior que o dos delegados, gera o movimento de protesto como se fosse um salário específico, beneficiando-a por ser filha de quem é.

Apoio da Maçonaria - Na verdade, há de tudo nesta discussão em torno do orçamento da Polícia Federal. Em alguns casos, a preocupação com a falta de verba em, si, pode não ser o mote maior.

Apela-se também para todo o tipo de denúncia. E para todos os tipos de aliança. Como, por exemplo, os Maçons do Brasil, que defendem abertamente o impeachment da presidente, a derrubada do PT e de Lula, considerados comunistas.

Eles, inclusive, prometem um ato em 19 de fevereiro quando estarão no Congresso Nacional para protestar contra a corrupção e, obviamente, endossar o coro pró-impeachment.

Face DPF 21 Dilma Maços

A delegada Tânia Prado levou para a página dos delegados no Facebook o apoio da Maçonaria que defende o impeachment da presidente.

Ressalte-se que muitos delegados e policiais federais – como o superintendente do Paraná, Rosalvo -, são maçons. Outros, ao menos, parecem apoiados por eles. A delegada Tânia Prado, diretora regional em São Paulo da Associação Nacional dos Delegados da PF e uma das articuladoras da mobilização da categoria contra o que classificam de ‘sucateamento’ da corporação, por exemplo, aparece nas páginas dos maçons e leva as postagens deles para a dos delegados federais, como ao lado.

Já na página “Avança Brasil Maçons BR” uma postagens mostra e-mail da superintendência em Brasília. Nele, no dia 22 de dezembro, o setor de logística comunicou que zerou a cota de combustível do ano e que o atendimento rotineiro voltará a acontecer a partir de 1 de janeiro.

Trata-se de documento interno da Polícia que vazou. Serviu para mais uma propaganda de que o governo Dilma estaria cortando verbas da Polícia Federal. Esquecem apenas que ele se relaciona ao orçamento de 2015, previsto em 2014 e executado durante os onze meses e vinte e dois dias do ano que terminaria nove dias depois, dos quais cinco praticamente feriados e fins de semana.

maçoms apoiando

Na página dos maçons,o e-mail interno da Superintendência de Brasília virou propaganda contra o governo.

O e-mail não diz que não haverá mais combustível, pois admite que podem ocorrer situações de urgência. Alerta apenas que nesses casos – e se houvesse operação ou alguma diligência, certamente seria uma delas – “deverão se apresentadas ao Exmo. Superintendente Regional para autorização do atendimento”.

Mas a postagem dos maçons fala em “desmanche da PF após o corte do orçamento”. Corte programado para o orçamento de 2016 e que, portanto, nem sequer aconteceu – nem se sabe se acontecerá. Mas já é apontado como responsável por uma situação excepcional, ocorrida em dezembro, no final do exercício financeiro. E que em momento algum paralisou a superintendência de Brasília. Muito menos a Polícia Federal como um todo. Ou seja, não passou de mais uma típica propaganda contra o governo, feita com base em documento vazado de dentro da superintendência.

Por isso é que é preciso muito cuidado ao se deparar com a campanha que esbraveja por conta dos cortes do orçamento que foi previsto, mas ainda não ocorreu. Na verdade, pode estar havendo uma grande manipulação. Afinal, com servidores assim, dispensa-se oposição partidária.

O Estado de Direito e o Estado de direita

Por Mauro Santayana | Via maurosantayana.com

É curiosa a situação que vive hoje o Brasil.

Estamos em plena vigência de um Estado de Direito?

Ou de um “estado” de direita, que está nos levando, na prática, a um estado de exceção?

Afinal, no Estado de Direito, você tem o direito de ir e vir, de freqüentar um bar ou um restaurante, ou desembarcar sem ser incomodado em um aeroporto, independente de sua opinião.

No estado de direita, você pode ser reconhecido, insultado e eventualmente agredido, por um bando de imbecis, na saída do estabelecimento ou do avião.

No Estado de Direito, você pode cumprimentar com educação o seu vizinho no elevador, desejando-lhe um Feliz Ano Novo.

No estado de direita, você tem grande chance de ouvir como resposta: “tomara que em 2016 essa vaca saia da Presidência da República, ou alguma coisa aconteça com essa cadela, em nome do Senhor.”

No Estado de Direito, você pode mandar “limpar” o seu computador com antivírus quando quiser.

No estado de direita, você pode ficar preso indefinidamente por isso, até que eventualmente confesse ou invente alguma coisa que atraía o interesse do inquisidor.

No Estado de Direito, você tem direito a ampla defesa, e o trabalho dos advogados não é cerceado.

No estado de direita, quebra-se o sigilo de advogados na relação com seus clientes.

No Estado de Direito, a Lei é feita e alterada por quem foi votado para fazer isto pela população.

No “estado” de direita, instituições do setor público se lançam a promover uma campanha claramente política – já imaginaram a Presidência da República colhendo assinaturas na rua para aumentar os seus próprios poderes? – voltada para a aprovação de um conjunto de leis que diminui – em um país em que 40% dos presos está encarcerado sem julgamento – ainda mais as prerrogativas de defesa dos cidadãos.

No Estado de Direito, você é protegido da prisão pela presunção de inocência.

No estado de direita, inexistem, na prática, os pressupostos da prisão legal e você pode ser detido com base no “disse me disse” de terceiros; em frágeis ilações; do que “poderá” ou “poderia”, teoricamente, fazer, caso continuasse em liberdade; ou subjetivas interpretações de qualquer coisa que diga ao telefone ou escreva em um pedaço de papel – tendo tudo isso amplamente vazado, sem restrição para a “imprensa”, como forma de manipulação da opinião pública e de chantagem e de pressão.

No Estado de Direito, você pode expressar, em público, sua opinião.

No estado de direita, você tem que se preocupar se alguém está ouvindo, para não ter que matar um energúmeno em legítima defesa, ou “sair na mão”.

No Estado de Direito, os advogados se organizam, e são a vanguarda da defesa da Lei e da Constituição.

No estado de direita, eles deixam agir livremente – sem sequer interpelar judicialmente – aqueles que ameaçam a Liberdade, a República e os cidadãos.

No Estado de Direito, membros do Ministério Público e da Magistratura investigam e julgam com recato, equilíbrio, isenção e discrição.

No estado de direita, eles buscam a luz dos holofotes, aceitam prêmios e homenagens de países estrangeiros ou de empresas particulares, e recebem salários que extrapolam o limite legal permitido, percebendo quase cem vezes o que ganha um cidadão comum.

No Estado de Direito, punem-se os corruptos, não empresas que geram riquezas, tecnologia, conhecimento e postos de trabalho para a Nação.

No estado de direita, “matam-se” as empresas, paralisam-se suas obras e projetos, estrangula-se indiretamente seu crédito, se corrói até o limite o seu valor, e milhares de trabalhadores vão para o olho da rua, porque a intenção não parece ser punir o crime, mas sabotar o governo e destruir a Nação.

No Estado de Direito, é possível fazer acordos de leniência, para que companhias possam continuar trabalhando, enquanto se encontram sob investigação.
No estado de direita, isso é considerado “imoral”.

Não se pode ser leniente com empresas que pagam bilhões em impostos e empregam milhares de pessoas, mas, sim, ser mais do que leniente com bandidos contumazes e notórios, com os quais se fecha “acordos” de “delação premiada”, mesmo que eles já tenham descumprido descaradamente compromissos semelhantes feitos no passado com os mesmos personagens que conduzem a atual investigação.

No Estado de Direito, existe liberdade e diversidade de opinião e de informação.

No estado de direita, as manchetes e as capas de revista são sempre as mesmas, os temas são sempre os mesmos, a abordagem é quase sempre a mesma, o lado é sempre o mesmo, os donos são sempre os mesmos, as informações e o discurso são sempre os mesmos, assim como é sempre a mesma a parcialidade e a manipulação.

No Estado de Direito você pode ensinar história na escola do jeito que a história ocorreu.

No estado de direita, você pode ser acusado de comunista e perder o seu emprego pela terceira ou quarta vez.

No Estado de Direito você pode comemorar o fato de seu país ter as oitavas maiores reservas internacionais do planeta, e uma dívida pública que é muito menor que a dos países mais desenvolvidos do mundo.

No estado de direita você tem que dizer que o seu país está quebrado para não ser chamado de bandido ou de ladrão.

No Estado de Direito, você pode se orgulhar de que empresas nacionais conquistem obras em todos os continentes e em alguns dos maiores países do mundo, graças ao seu know-how e capacidade de realização.

No estado de direita, você deve acreditar que é preciso quebrar e destruir todas as grandes empresas de engenharia nacionais, porque as empresas estrangeiras – mesmo quando multadas e processadas por tráfico de influência e pagamento de propinas em outros países – “não praticam corrupção.”

No Estado de Direito você pode defender que os recursos naturais de seu país fiquem em mãos nacionais para financiar e promover o desenvolvimento, a prosperidade e a dignidade da população.

No estado de direita você tem que dizer que tudo tem que ser privatizado e entregue aos gringos se não quiser arrumar confusão.

No Estado de Direito, você pode defender abertamente o desenvolvimento de novos armamentos e de tecnologia para a defesa da Nação.

No estado de direita, você vai ouvir que isso é um desperdício, que o país “não tem inimigos”, que as forças armadas são “bolivarianas”, que o Brasil nunca vai ter condições de enfrentar nenhum país poderoso, que os EUA, se quiserem, invadem e ocupam isso aqui em 5 minutos, que o governo tem que investir é em saúde e educação.

No Estado de Direito, é crime insultar ou ameaçar, ou acusar, sem provas, autoridades do Estado e o Presidente da República.

No estado de direita, quem está no poder aceita, mansamente, cotidianamente, os piores insultos, adjetivos, acusações, insinuações e mentiras, esquecendo-se que tem o dever de defender a Democracia, a liturgia do cargo, aqueles que o escolheram, a Nação que representam e teoricamente, comandam, e a Lei e a Constituição.

No Estado de Direito, você pode interpelar judicialmente quem te ameaça pela internet de morte e de tortura ou faz apologia de massacre e genocídio ou da quebra da ordem institucional e da hierarquia e da desobediência à Constituição.

No estado de direita, muita gente acha que “não vale a pena ficar debatendo com fascistas” enquanto eles acreditam, fanaticamente, que representam a maioria e continuam, dia a dia, disseminando inverdades e hipocrisia e formando opinião.

No Estado de Direito você poderia estar lendo este texto como um jogo de palavras ou uma simples digressão.

No estado de direita, no lugar de estar aqui você deveria estar defendendo o futuro da Liberdade e dos seus filhos, enfrentando, com coragem e informação, pelo menos um canalha por dia no espaço de comentários – onde a Democracia está perdendo a batalha – do IG, do Terra, do MSN, do G1 ou do UOL.

A audácia do TCU contra os acordos de leniência

Por J. Carlos de Assis

Em artigo anterior cometi o erro de atribuir à Procuradoria Geral da República a iniciativa de contestação da medida provisória editada em dezembro pela Presidenta para regular os acordos de leniência – isto é, o marco jurídico pelo qual empresas envolvidas na Lava Jato, por exemplo, podem estabelecer acordos com o poder público para continuar trabalhando com órgãos do Governo mediante colaboração com a Justiça na admissão de irregularidades. A iniciativa não foi do Ministério Público. Foi da infame Procuradoria do TCU.

A revolta do TCU com a medida provisória é ter ficado de fora das negociações dos acordos. Só poderá pronunciar-se depois do acordo pronto. Ele queria meter o bedelho lá dentro ainda no processo de negociação. Isso significa que, a seu ver, não seria suficiente envolver nos acordos o Ministério Público Federal, a Advocacia Geral da União e a Controladoria Geral da União. Para o acordo ser honesto, a participação de todos esses órgãos não basta. Precisa do próprio TCU. Detalhe: TCU não é órgão do Judiciário. É um simples coadjuvante do Congresso Nacional no processo de avaliação de contas do Governo. Não tem poder decisório. Portanto, não há qualquer razão para se meter nos acordos de leniência.

Por que então a insistência insolente do TCU em enfiar-se nos acordos? Se derem uma olhada no prontuário de muitos conselheiros federais e estaduais dos TCs, verão que os controladores de contas não raramente confundem contas públicas com contas pessoais. De fato, há uma grande ingenuidade na opinião pública ao pensar que, diferentemente de outras instituições do Estado, o TCU é um reservatório de honestidade. Alguns deles são tão corruptos quanto os controlados. A maioria certamente não resistiria a 10% de uma Lava Jato!

Anos atrás fui assessor do jurista João Luís Duboc Pinaud na Secretaria de Justiça do Rio. Ele conseguira recursos federais para construir um grupo de presídios de porte médio no Rio, mas não conseguia de forma alguma liberá-los para aplicação no Estado. O TCE não deixava. Fazia várias exigências para aprovação do edital – o que já é uma aberração, pois o tribunal é de contas, não de editais. Em determinado momento, deduzimos que queriam dinheiro. Não havia como a gente dar, e não aceitaríamos dar através de empreiteiras que construiriam os presídios, tal como queriam. Resultado: a obra não saiu.

Os membros dos TCs, tanto no plano federal quanto no estadual, são, em geral, recrutados entre políticos que perderam os mandatos ou patrocinados por políticos corruptos. É uma vergonha nacional, um acinte à sociedade brasileira. A maioria não se dá o trabalho de escrever um parecer. Todo o trabalho é feito por assessores, remunerados com salários escandalosos e com oportunidades de negociatas. Atualmente, tendo em vista o derretimento geral das instituições, eles se aproveitam das circunstâncias para não só ganharem dinheiro  mas também obterem vantagens com politicagem, como esse ataque à MP.

A alegação, no caso da leniência, de que a iniciativa da Procuradoria do TCU visa a proteger o interesse público é cínica. É brincar com os interesses da sociedade. Os acordos de leniência são a forma de evitar que a Engenharia Nacional seja sucateada e que centenas de milhares de trabalhadores percam o emprego. Em vários artigos defendi que, tendo em vista irregularidades cometidas, é fundamental separar empresário de empresas. Empresas, para proteger tecnologia, capacidade construtiva e empregos, devem ser mantidas. Já os empresários devem pagar pelas irregularidades. É isso que visa o acordo de leniência na forma da MP baixada por Dilma, até mesmo com certo atraso, mas com indiscutível apoio social.

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José Carlos de Assis é jornalista e economista, doutor pela Coppe/UFRJ, autor de “Os Sete Mandamentos do Jornalismo Investigativo”, Ed. Textonovo, SP, 2015.

MBL terá até aviões em defesa do golpe

Via Brasil 247

Movimento liderado por Kim Kataguiri contratou aviões que sobrevoarão praias de São Paulo, Rio de Janeiro e Santa Catarina convocando a população para protestos no País em defesa do impeachment no dia 13 de março; a prática não é novidade: em 1º de janeiro de 2015, oito aviões e um balão voaram por diversas praias de quatro estados exibindo faixas com os dizeres “Petrolão: ela sabia”; a ação também foi encomendada pelo MBL; manifestação inusitada deixa uma dúvida no ar: quem financia os golpistas?

Aviões contratados pelo Movimento Brasil Livre, liderado por Kim Kataguiri, carregam faixas nesta quinta-feira 31 convocando a população para protestos a favor do impeachment que serão realizados no dia 13 de março.

Verá as faixas quem estiver nas praias do litoral de São Paulo, do Rio de Janeiro e de Santa Catarina neste final de ano.

Não é a primeira vez que o MBL contrata aviões para seus atos. Em 1º de janeiro de 2015, o movimento bancou oito aviões e um balão, que voaram por diversas praias destes três estados, além de Alagoas, exibindo faixas com os dizeres “Petrolão: ela sabia”.

No meio deste ano, organizadores de protestos em defesa do golpe gastaram nada menos que R$ 12 mil na encomenda de um boneco inflável do ex-presidente Lula com roupas de presidiário, com 12 metros de altura. Na ocasião, eles não divulgaram o nome do fabricante, para “evitar retaliações”. O boneco rodou por alguns estados.

Outra ação – essa bem mais barata – foi promovida pelo grupo de Kataguiri nesta manhã, durante a corrida São Silvestre, em São Paulo. Com o lema “Impeachment Já! A luta em 2016 continua!”, o MBL distribuiu bexigas brancas com o desenho do chamado ‘Pixuleco’.

A manifestação inusitada com os aviões, nesta quinta-feira 31, além de outros custos com protestos e materiais caros deixa uma dúvida no ar: quem, afinal, financia os golpistas?