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OS EUA E PASADENA

Por Mauro Santayana, em seu blog

(Hoje em Dia) – Revelações feitas pelo Wikileaks, a propósito da compra pela Petrobras, da refinaria da Pasadena, dão conta de que os Estados Unidos monitoraram atentamente o assunto.

Segundo informações publicadas nos meios de comunicação, um telegrama de 12 de junho de 2006, denominado “A Aquisição da Petrobras da Pasadena Refining Systems”, teria sido enviado da embaixada norte-americana em Brasília ao Departamento de Estado a propósito de reuniões sobre o tema feitas com autoridades brasileiras, entre elas a então Chefe da Casa Civil, e Presidente do Conselho de Administração da Petrobras, Dilma Rousseff.

A preocupação dos EUA estava voltada para dois pontos:

Primeiro, saber se a posse de uma refinaria em seu território, por parte de uma empresa controlada, mesmo que parcialmente, pelo governo brasileiro, poderia representar alguma ameaça potencial à segurança nacional dos Estados Unidos.

O segundo, verificar até que ponto a expansão da Petrobras para o exterior podia atrapalhar os planos das empresas norte-americanas na América Latina.

Vários países sul-americanos estavam nacionalizando ativos petrolíferos controlados por multinacionais dos EUA, entre eles o governo equatoriano, que havia assumido as instalações da Occidental Petroleum. Os Estados Unidos queriam saber se a Petrobras poderia se beneficiar com a compra desses ativos, no futuro, se tivesse chance.

No mesmo ano, uma missão do governo Bush viajou ao Brasil, e, segundo telegramas do Wikileaks “recebeu garantias durante a visita do Secretário de Comércio Gutierrez no dia 7 de junho de 2006 à Chefe da Casa Civil do presidente Lula, Dilma Rousseff – que também atua como presidente do Conselho da Petrobrás – de que a Petrobras não tem interesse em assumir os ativos da Occidental Petroleum’s Ecuador”.

Naquele momento já havia quem defendesse, dentro da Petrobras, que a empresa concentrasse seus investimentos no pré-sal, em território brasileiro.

Como podemos ver, mais uma vez, pelo episódio, trata-se de uma balela a crença de que os EUA respeitem o livre mercado, além de seus interesses. Por lá, a mera compra de uma refinaria e a perspectiva da substituição de companhias norte-americanas por uma empresa brasileira no Equador são consideradas assunto de Estado, e movimentam vários níveis do governo, incluindo a embaixada em Brasília. Por aqui, desnacionalizamos alegremente setores inteiros, como ocorreu com o nefasto desmonte e entrega da TELEBRAS a países estrangeiros; organismos como o CADE interferem no processo de internacionalização de grandes grupos nacionais – veja-se a privatização da CIMPOR, em Portugal – e a cada vez que se fala na necessidade estratégica de proteção de capitais brasileiros – dentro ou fora do país – o mundo vem abaixo, já que até mesmo a diferenciação do conceito de empresa genuinamente nacional, já não existe mais, desde os anos 1990.

Diálogos Desenvolvimentistas: A crise do transporte e o gargalo da infraestrutura

Molina Curitiba/Reprodução

Edição por Rennan Martins

Na atualidade, o Brasil vive um problema no setor de transportes que atinge desde as grandes cidades até as rodovias. Ano passado assistimos o maior movimento de massas insurgir-se contra o aumento das passagens e o péssimo estado do transporte público oferecido. A mobilidade entre estados e a logística ligada ao escoamento da produção também passa por dificuldades, temos um gargalo na infraestrutura que emperra o crescimento econômico.

As soluções passam por uma diversificação das modalidades de transporte. O transporte ferroviário e hidroviário possui imenso potencial em nosso território e são praticamente inexplorados. Enquanto isso, as concessões fiscais a produção de automotivos incham a malha rodoviária, trazendo engarrafamentos descomunais no meio urbano e aumento do índice de acidentes nas estradas.

De olho nestas contradições e procurando levantar o debate no tocante as propostas de desenvolvimento, nossos associados Norton Seng, ex-gerente do Banco do Brasil em Pequim, Gustavo Santos, funcionário do BNDES, Carlos Ferreira, membro do conselho do Clube de Engenharia, Fernando Siqueira, ex-engenheiro da Petrobras e Carlos Penna Brescianini, especialista em mobilidade e formas alternativas de energia, analisaram o cenário político e econômico e os fatores que nos trouxeram a esta situação.

Confira:

Norton Seng – Por que os governantes brasileiros além de destruírem as poucas estradas de ferro que tínhamos não construíram muitas mais? Por que só Carajás? Isto só facilitou e garantiu a exportação do nosso minério de ferro, com maior pureza do mundo, a preços vis. As estradas de ferro são conhecidas por ser um meio de transporte barato, eficiente e seguro, assim, por que nosso país se utiliza de estradas de rodagem para o transporte de cargas de Norte a Sul do país?

Gustavo Santos – Não fazemos isso por sabotagem americana. Eles acreditam que se transformaram numa potência global por causa das grandes ferrovias de ligação leste-oeste e fazem de tudo para que isso não se repita aqui. É uma sabotagem muito poderosa que funciona há mais de um século.

Norton Seng – Mesmo com nosso imenso potencial hidroviário, e este sendo o meio de transporte mais barato, não o aproveitamos.

Gustavo Santos – O MMA, na época, sabotou as eclusas do Rio Madeira que estavam originalmente no projeto das usinas de Jirau e Santo Antônio. Deu-se um ultimato ao Lula: ou se retira as eclusas ou o Ibama não aprovaria as usinas.

Essas eclusas permitiriam que os arredores de Cuiabá e do sul e leste do Mato Grosso tivessem acesso aos portos marítimos do Amazonas por via fluvial. Assim como o coração da Bolívia. O interesse por trás desta decisão nada tem a ver com o ambientalismo, pois, estradas sim que derrubam a floresta e não hidrovias. Sem falar na maior poluição do ar e efeito estufa potencializados pelo aumento do transporte rodoviário. Temos mais problemas com a sabotagem que com a incompetência.

Carlos Ferreira – Um dos maiores problemas associados ao famoso “Custo Brasil” é o hegemônico transporte rodoviário. Com as esclusas associadas às diversas barragens, teríamos um excelente sistema aquaviário interligando as diversas bacias e permitindo conexões de norte a sul país, inclusive com países vizinhos e acesso ao Pacífico. A redução dos custos e com consequência a competitividade das nossas exportações seriam imbatíveis. Tudo isto em segurança, sem exposição a riscos na navegação de cabotagem no Atlântico, passível de bloqueios e ameaças por forças navais estrangeiras.

Logo se vê que a interdição a construção de eclusas faz parte de uma refinada estratégica geopolítica e econômica dos donos do poder no mundo. Só não vê que não quer.

Na Europa, uma carga colocada em barcaças no Atlântico Norte, chega ao países centrais europeus e ao Mar Negro, transitando pelo excelente sistema de rios, canais e eclusas lá existentes.

Fernando Siqueira – As Transnacionais da indústria automobilística e da distribuição de derivados de Petróleo pressionaram o Governo brasileiro a destruir as estradas de ferro existentes na época para optar pelo modal rodoviário, que em termos de custos, só ganha do modal aéreo mas perde para o hidroviário e para o ferroviário. Nas privatizações das redes ferroviárias, em vez de expandirmos a rede conforme foi prometido, houve o encolhimento. No modal hidroviário, eu tenho um mapa que mostra que com duas eclusas apenas se poderia ligar o Rio Amazonas ao Rio Paraná por via fluvial, que é disparado o modal mais econômico. Realmente, houve um período em que o MMA travou o Brasil. Hoje, temos boa parte de produtos da Zona Franca de Manaus usando o modal mais caro de todos: o aéreo.

Carlos Penna Brescianini – O que fez o MMA foi discordar dos valores das eclusas a serem construídas junto com as hidroelétricas. A de Tucuruí custou quase 1 bilhão de reais. Na real, ela discordava da construção das hidroelétricas em detrimento dos projetos de energia eólica e solar.

Desde 1955, com a eleição de JK, abandonou-se o investimento e a manutenção das ferrovias no Brasil.

Em 1957 chegamos a ter mais de 39 mil km de ferrovias e 54,5 milhões de passageiros transportados por ferrovias. Isso em um país de 55 milhões de habitantes.

JK implantou o GEIA (grupo executivo da indústria automobilística) e negociou a entrada das montadoras no Brasil. Dois pontos foram fundamentais: a suspensão da expansão ferroviária e a implantação de estradas e rodovias paralelas às linhas férreas e hidrovias.

Durante os governos militares todas as escolas técnicas ferroviárias e cursos de engenharia com viés ferroviário foram fechados: em Jundiaí (CP), em Rio Claro (CP), em São Paulo (SENAI),

Itajubá, etc.

Os tucanos simplesmente entregaram o patrimônio ferroviário, sem condições de funcionamento das escolas, linhas de passageiros e compartilhamento de linhas.

Dez perguntas e respostas para entender a compra de Pasadena

Via Blog Fatos e Dados, da Petrobras

1 – Qual foi o objetivo da compra da refinaria de Pasadena?

O propósito da Petrobras era capturar as altas margens do petróleo processado nos Estados Unidos na época. Como o petróleo proveniente do campo de Marlim era pesado e valia menos, era necessário processá-lo em uma refinaria mais complexa. Assim, após o refino tradicional, seria possível transformar os derivados pesados em produtos mais leves e mais valorizados.

Foi realizado um mapeamento de oportunidades nos Estados Unidos e duas consultorias de renome apontaram efetivas oportunidades de operação no Golfo do México. Essas informações indicavam a viabilidade da compra da refinaria de Pasadena. Logo em seguida, a planta deveria ser modernizada e ampliada para processar o petróleo de Marlim.

2 – Quanto a Petrobras pagou pela refinaria?

Foram desembolsados US$ 554 milhões com a compra de 100% das ações da PRSI-Refinaria e US$ 341 milhões por 100% das quotas da companhia de trading (comercializadora de petróleo e derivados), totalizando US$ 895 milhões.

Adicionalmente, houve o gasto de US$ 354 milhões com juros, empréstimos e garantias, despesas legais e complemento do acordo com a Astra. Desta forma, o total desembolsado com o negócio Pasadena foi de US$ 1,249 bilhão.

3 – Qual foi o preço pago pela Astra pela refinaria?

A Comissão de Apuração Interna, instaurada em março pela companhia, apurou que a Astra não desembolsou apenas US$ 42,5 milhões pela compra da refinaria. Este suposto valor, a propósito, nunca foi apresentado pela Petrobras.

Até o momento, análises da Petrobras indicam que a Astra desembolsou pelo conjunto de Pasadena aproximadamente US$ 360 milhões. Deste valor, US$ 248 milhões foram pagos à proprietária anterior (Crown) e US$ 112 milhões correspondem a investimentos realizados antes da venda à Petrobras.

Cabe destacar que a operação não envolvia apenas a compra da refinaria, mas sim um negócio bem mais amplo e diversificado. A unidade industrial de refino era parte menor de um complexo empreendimento que envolvia, também, um grande parque de armazenamento, estoques nos tanques, contratos de comercialização com clientes e contratos com a infraestrutura de acessos e escoamento. Envolvia, ainda, conhecimentos sobre o mercado e demais competências para operar no mercado norte-americano, em uma das zonas mais atrativas dos Estados Unidos.

4 – Afinal, a compra foi um bom ou um mau negócio?

Na época da compra, o negócio era muito vantajoso para a Petrobras, considerando as altas margens de refino vigentes e a oportunidade de processar o petróleo pesado do campo de Marlim no exterior e transformá-lo em derivados (produtos de maior valor agregado) para venda no mercado americano.

Posteriormente, houve diversas alterações no cenário econômico e do mercado de petróleo, tanto brasileiro quanto mundial. A crise econômica de 2008 levou à redução do consumo de derivados e, consequentemente, à queda das margens de refino. Além disso, houve a descoberta do pré-sal, anunciada em 2007. Assim, o negócio originalmente concebido transformou-se em um empreendimento de baixo retorno sobre o capital investido.

5 – Como a compra da refinaria foi aprovada?

O Conselho de Administração da Petrobras aprovou em 2006 a compra de 50% de participação em Pasadena, pelo valor de US$ 359 milhões. A operação estava alinhada ao planejamento estratégico vigente, que determinava a expansão internacional da Petrobras, contribuindo para o aumento da comercialização de petróleo e derivados produzidos pela companhia.

6 – As cláusulas “Put Option” e “Marlim” estavam no resumo executivo?

O resumo executivo originado pelo Diretor da Área Internacional e apresentado ao Conselho de Administração sobre a compra da refinaria de Pasadena não citava as cláusulas de “Marlim” e “Put Option”, nem suas condições e preço de exercício.

7 – Por que a Petrobras comprou os outros 50% da refinaria?

A partir de 2007, houve desentendimentos entre a Petrobras e a Astra em relação à gestão e ao projeto de expansão da refinaria. Em dezembro daquele ano, a Astra enviou à Diretoria Internacional da Petrobras uma carta de intenções para a venda dos outros 50%. Em março de 2008, a Diretoria da Petrobras apreciou e submeteu a proposta de compra ao Conselho de Administração, que não a autorizou. A Astra exerceu sua opção de venda (“Put Option”) e a Petrobras assumiu o controle da integralidade da refinaria ainda em 2008, após disputa judicial. Em 2012, tomando por base laudo arbitral confirmado judicialmente, houve uma negociação final entre as partes, considerada completa e definitiva.

8 – Qual foi a razão do desentendimento entre Astra e Petrobras?

A Astra não concordou em fazer investimentos na ampliação e modernização do parque de refino. A intenção era ampliar a capacidade de Pasadena para 200 mil barris por dia, que era a solução desejada pela Petrobras e que se mostrava mais interessante para processar o petróleo de Marlim.

 9 – Qual é a situação atual da refinaria?

A refinaria, que tem capacidade de refino de 100 mil barris por dia, está em plena atividade, opera com segurança e vem dando resultado positivo este ano. A unidade tem localização privilegiada, num dos principais centros de petróleo e derivados dos Estados Unidos. Opera com petróleo leve, disponível nos Estados Unidos a partir do crescimento da produção local de óleo não-convencional (tight oil).

A Petrobras já recebeu propostas pela compra de Pasadena, mas decidiu manter a refinaria fora do pacote de desinvestimentos até que sejam concluídas as investigações em curso. Só então decidirá o que fazer, considerando as condições do mercado.

10 – Como o caso está sendo apurado na Petrobras?

No dia 24 de março, foi instaurada uma Comissão Interna de Apuração na Petrobras sobre a aquisição da refinaria de Pasadena para esclarecer todas as questões que vêm sendo discutidas na sociedade. Além disso, a companhia é fiscalizada e colabora com os órgãos de controle como o TCU, a CGU e o Ministério Público. Desde novembro de 2012, foram respondidas 16 solicitações do TCU e cinco da CGU sobre Pasadena.

Marchinhas de carnaval: Atuais desde 1954

O fantasma do racionamento volta a assombrar a população brasileira (Bahia Comenta/Reprodução)

Por Rennan Martins

A cultura popular brasileira e suas marchinhas de carnaval são emblemáticas quanto a irreverência e a crítica política. Estamos em 2014 e quando olhamos para letras que já fazem 60 anos, percebemos o quão atuais e pertinentes elas continuam.

A sabedoria do povo, avessa a conceitos “objetivos” e tecnocráticos, diagnostica muito bem as mazelas que enfrenta e as transforma em versos. A despeito do discurso neoliberal que nos empurra goela abaixo que tudo que é privado é eficiente, podemos notar nas letras destas duas marchinhas a falta de veracidade dessa afirmação.

Este ano o estado de São Paulo enfrenta uma grave crise de escassez de água e o Brasil volta a ser assombrado pelo fantasma do racionamento de energia. Enquanto isto, a Sabesp distribui grandes dividendos a seus acionistas e os leilões de energia do “livre mercado” vendem megawatts a preço de banana.

Nos versos que deixo abaixo, fica a crítica a abordagem mercadológica dada a recursos tão importantes quanto a água e a luz.

Acende a vela (1954)

“Acenda a vela, Iaiá

Acende a vela

Que a Light cortou a luz

No escuro eu não vejo aquela

Carinha que me seduz.

 

Ó seu inglês da Light

A coisa não vai all right

Se com uísque não vai não

Bota cachaça no ribeirão.”

 

Café Soçaite (1955)

 

“Rio de Janeiro

Cidade que nos seduz

De dia falta água

De noite falta luz.

 

Abro o chuveiro

Não cai nem um pingo

Desde segunda

Até domingo.

 

Eu vou pro mato

Ai! pro mato eu vou

Vou buscar um vagalume

Pra dar luz ao meu chatô.”

A sanha do capital para se apropriar do nosso petróleo

Editorial da edição 582 do Jornal Brasil de Fato

Até oito anos atrás, o petróleo descoberto no Brasil mal atendia as necessidades nacionais. Mesmo assim, como o preço do petróleo é internacionalizado, suas margens de lucro eram fantásticas e despertavam interesses de todos os capitalistas. Segundo cálculo dos especialistas, o custo de produção de um barril de petróleo, do pré-sal, nas piores condições, está em torno de 15 dólares.

Com a obrigatoriedade de transferência de royalties para a União e Estados, há um custo de mais 15 dólares, totalizando 30 dólares. Como o preço internacional é de 100 dólares, o lucro extraordinário de cada barril de petróleo é de 70 dólares, ou seja 133% sobre o seu custo. A taxa média mundial do lucro na indústria é de 15%.

É essa renda extraordinária que o petróleo – e outros recursos minerais permitem – que deixam os capitalistas do mundo inteiro ensandecidos por sua apropriação privada!

As descobertas de mais petróleo no Brasil e as pesquisas do pré-sal coincidiram com o governo tucano de Fernando Henrique Cardoso (FHC), totalmente subordinado aos interesses dos grandes capitalistas e das empresas transnacionais.

O governo FHC promoveu uma verdadeira dilapidação da Petrobras. Caiu o monopólio da exploração do petróleo. Mudou-se a Constituição e agora o petróleo pertence à empresa que extrair e que pode, inclusive, exportá-lo, cru. Como já estão fazendo!

Basta apenas pagarem a taxa de royalties ao Estado brasileiro. Até o ICMS sobre a exportação foi isentado pela lei Kandir.

Venderam as ações da Petrobras na bolsa de valores de Nova Iorque, e hoje se estima que o capital estrangeiro controle 40% do capital da empresa.

O Sr. Paulo Roberto Costa, agora preso pela Polícia Federal, sob acusação de corrupção e de tráfico de influência dentro da Petrobras, foi colocado lá como diretor pelo governo FHC. E até o genro do presidente FHC foi nomeado presidente da Agencia Nacional de Petróleo (ANP), para terem segurança e controle absoluto da política desejada.

O descalabro foi tanto, que chegaram a propor mudar o nome para PETROBRAX, para ser internacionalizada e mais palatável aos gringos que não conseguem pronunciar, pasmem, Petrobras. Felizmente, a reação nas ruas, barrou.

Com a eleição de Lula, em 2003 houveram mudanças significativas na política da Petrobras e o intento de recuperar o patrimônio para a nação brasileira, ainda que lentamente.

Mudou-se a lei, de novo, e recuperou-se a propriedade do petróleo para a União, e a sua exploração seria prioritariamente da Petrobras. E, em caso de parceria com outras empresas, haveria uma partilha da distribuição do petróleo em partes iguais.

Mas a descoberta de que as reservas do pré-sal chegam a 70 bilhões de barris de petróleo, o que permite uma exploração de no mínimo de 50 anos, deixou de novo os capitalistas ouriçados. Imaginem o lucro extraordinário de 133%, ou se quiserem 70 dólares multiplicados por 70 bilhões de barris?

É isso que está sendo disputado pelo capital. Por isso acionaram seus cães de guarda no Congresso para criar uma CPI, que agitasse o mercado, que fizesse as ações da empresa cair. Assim, eles cairiam em cima como hienas, para se apropriar do que sobrou da empresa.

E de sobremesa, se conseguissem tudo isso, ainda poderiam afetar as pesquisas eleitorais, e quem sabe, derrotar a presidenta Dilma. Mas isso é sobremesa, o que eles querem mesmo é o lucro extraordinário. Basta perguntar ao candidato Aécio Neves qual o seu programa para a Petrobras.

O objetivo é privatizá-la e entregar as reservas do pré-sal ao capital estrangeiro. Como os quintas- -colunas da ANP já foram antecipando, com a entrega de 60% das reservas do campo de Libra, para a Shell, Total e as empresas as chinesas CNPC e CNOOC, no último leilão, embora a lei determinasse a prioridade de exploração para a Petrobras.

Os erros existentes nos negócios da refinaria de Pasadena, no Texas (EUA), são apenas manipulações para esconder da opinião pública seus verdadeiros interesses. Aliás, quando Silvio Sinedino da Associação dos Engenheiros da Petrobras (Aepet), eleito pelos petroleiros para o conselho de administração da empresa, exigiu ainda em 2012, em sua primeira reunião, uma auditoria do negócio, a imprensa burguesa não deu uma linha sequer. Por que retoma o assunto apenas agora?

Brasil de Fato, junto com os movimentos sociais e os trabalhadores da Petrobras, seguirá alerta em defesa da Petrobras como empresa pública. E em defesa da riqueza do petróleo para ser usado para as necessidades de todo o povo brasileiro.

Devemos honrar a mobilização de todo o povo brasileiro na década de 1950, que criou a Petrobras contraos interesses do capital estrangeiro e de seus porta-vozes locais – os mesmos de hoje – e honrar tantos batalhadores históricos, como o brigadeiro Moreira Lima e Maria Augusta Tibiriçá Miranda, que lideraram aquela campanha. A Petrobras deve ser do povo!

 

Privataria avança sobre a água que você bebe e a previsão do tempo

Os capitalistas dizem coisas incríveis (Viomundo/Reprodução)

Por Pete Dolack no Systemic Disorder

Tradução: Heloisa Villela, via Viomundo

O lucro deve ser o único direito humano já que é uma necessidade tão básica, o que a água não é. Apesar da moderna indústria de relações públicas ter tido sucesso rebatizando barões ladrões de “capitães da indústria”, nem mesmo o mais bem preparado batalhão de artilharia pode impedir, o tempo todo, os executivos das corporações de dizerem acidentalmente ao mundo o que realmente pensam.

Não é segredo que algumas das maiores corporações do mundo estão drenando aquíferos e revendendo água potável com grandes lucros. Mas eles querem ir mais longe e tornar obrigatório pagar pela água. A água é simplesmente mais uma “commodity de mercado” na visão deles – mais notoriamente propagada pelo presidente do Conselho diretor da Nestlé S.A., Peter Brabeck-Letmath em um vídeo de seis minutos divulgado por sua empresa.

É justo dizer que a aparente tentativa da Nestlé de projetar uma imagem de empresa que sobriamente lida com os problemas mundiais com uma racionalidade severa saiu pela culatra espetacularmente.

A linguagem corporal do Sr. Brabeck-Letmathe transforma em tolice a argumentação da Nestlé, apresentada após a divulgação do vídeo, de que ele não queria dizer o que disse. Começando na marca dos 2 minutos e 7 segundos, ele aparece dizendo:
“A questão é se devemos privatizar o suprimento normal de água para a população. E existem duas opiniões a esse respeito. Uma opinião, que eu acho radical, de ONG (organização não governamental) que martela a declaração de que a água é um direito público”.

O Presidente torce o rosto à ideia da água ser considerada um direito, depois deixa escapar um sorriso afetado demonstrando desprezo indisfarçável pelo que se segue imediatamente:

Isso significa que como seres humanos vocês devem ter direito à água. Essa é uma solução extrema. E a outra visão diz que a água é um alimento como outro qualquer e como qualquer outro alimento ela deve ter um valor de mercado. Pessoalmente eu acredito que é melhor dar um valor ao alimento para que todos nós tenhamos conhecimento de que ela tem um preço e que é preciso tomar medidas específicas para a população que não tem acesso a essa água e aí existem várias possibilidades”.

O direito à água é “radical”!

Essa opinião pode ser considerada “radical” em muitas salas de reuniões de corporações, mas essas opiniões não estão livres de interesses corporativos.

Se o caminho para aumentar os lucros depende de privatizar bens comuns e serviços públicos, esse é o sistema de crenças que surgirá. Graças ao seu incansável trabalho de combater essas crenças “radicais”, 0,1% está vivendo muito bem, obrigado.

A diferença de perspectiva dos industriais e financistas e do resto do mundo é exemplificada pelo Sr. Brabeck-Letmathe na marca dos 5’34” do vídeo:

Nós nunca estivemos tão bem. Nunca tivemos tanto dinheiro. Nunca fomos tão saudáveis. …Nós temos tudo que queremos e ainda vamos por aí como se estivéssemos de luto por algo”.

Talvez as coisas não sejam assim tão cor de rosa.

Sim, pare de choramingar somente porque os salários estão declinando em todo o mundo, o desemprego continua alto, a desigualdade está atingindo níveis nunca vistos desde os anos 20, o meio ambiente está perigosamente poluído, o aquecimento global está fadado a fugir de controle, o poder dos grandes capitalistas e de suas corporações multinacionais transformou a participação democrática em uma piada, trabalhadores mais velhos são jogados para fora de seus trabalhos e suas pensões são cortadas unilateralmente, existem poucos empregos para os trabalhadores jovens que estão mergulhados em dívidas, os custos de moradia e educação aumentarem bem mais rapidamente do que a inflação, e os governos mundiais dão as mãos aos capitalistas em uma corrida global ao fundo do poço sem prestar contas a seus eleitores.

Se sua ideia de democracia não é nada mais do que ter mais sabores de refrigerantes cola para escolher, então, com certeza, você tem tudo que quer.

Em um esforço para reduzir o estrago, a Nestlé subsequentemente divulgou um release alegando que seu presidente “pensa que a água é um direito humano”.

Acontece que, se fossemos acreditar na propaganda da Nestlé, ele estava meramente “tentando conscientizar a respeito de tema da falta de água. … Ele não é a favor da privatização, mas defende mais eficiência na administração da água para indivíduos, indústrias, agricultura e governos”.

Isso não casa com que o presidente da Nestlé disse claramente no vídeo. Nem leva em conta o papel da Nestlé em tornar a água ainda mais escassa.

A água, na verdade, é um grande negócio. A água engarrafada é dominada por três das maiores indústrias do mundo: a Coca-Cola Company (Dasani), a PepsiCo Inc. (Aquafina) e a Nestlé (Poland Springs, Deer Park, Arrowhead e outras).

As duas maiores empresas privadas de administração de água do mundo, Veolia Environment e Suez Environment, têm receita somada de US$ 51 bilhões. Muito para abocanhar, com certeza.

Pagando pela mesma coisa que sai da sua torneira

As empresas que vendem água engarrafada não estão necessariamente enviando equipes para montanhas remotas. Uma reportagem no AlterNet, de Michael Blanding, diz:

Muitas vezes a água engarrafada é água da pia. Ao contrário da imagem da água cristalina brotando na montanha, mais de um quarto da água engarrafada, na verdade, vem de suprimentos municipais de água. … Tanto a Coca quanto a Pepsi usam exclusivamente água da torneira como fonte, enquanto a Nestlé usa água da torneira em algumas marcas. É claro que a Coca e a Pepsi fazem propaganda das medidas adicionais que tomam para purificar a água depois que ela sai da torneira, as duas empresas filtram a água várias vezes para remover partículas antes de tratá-la com técnicas adicionais como ‘osmose revertida’ e tratamento de ozônio. Osmose revertida, entretanto, não é nada sofisticado – consiste essencialmente do mesmo tratamento aplicado por filtros comerciais de água disponíveis para residências, enquanto ozonização (um processo de tratamento de água) pode incluir problemas adicionais como formação do químico bromato, suspeito de ser carcinogênico”.

Um estudo do Conselho de Defesa das Riquezas Naturais analisou mais de 1.000 garrafas que representam 103 marcas de água engarrafada e encontrou, em um terço, níveis de contaminação que ultrapassam os limites permitidos. Entre esses contaminantes existiam químicos sintéticos, bactérias e arsênico.

Não é apenas o engarrafamento e o empacotamento de água da bica que dá lucro – fornecer água da bica também é se ela for privatizada.

Um estudo da Food & Watch descobriu que:

Serviços privatizados tipicamente cobram 33% mais pela água e 63% mais pelo esgoto do que serviços de governos locais.

Depois da privatização, o preço da água aumenta cerca de três vezes mais do que o índice de inflação, com um aumento médio de 18% a cada dois anos.

O lucro das corporações, dividendos e impostos podem somar outros 20 a 30% aos custos de operação e manutenção.

Dúzias de municípios na França, Alemanha e Estados Unidos estão tomando de volta seus sistema de água e esgoto, revertendo privatizações anteriores. Governos locais consistentemente descobriram que a privatização levou a preços mais altos, reduziu os serviços e deteriorou as condições de trabalho para os funcionários que permaneceram em seus cargos.

As corporações que operam esses sistemas estavam apenas colocando em prática o que o presidente da Nestlé disse em seu vídeo: a água é uma mercadoria a ser comprada pelos que estiverem dispostos a pagar mais caro.

Em um caso notório, o Banco Mundial forçou a privatização do sistema de água na cidade boliviana de Cochabamba, em 1999. A Bechtel, empresa que recebeu o sistema de água depois de ter sido a única que apresentou proposta de compra em um processo secreto, cobrou uma quantia igual a um quarto da renda familiar média dos moradores e impôs um contrato que proibia a coleta de água da chuva. Depois que foi obrigada a deixar a cidade por causa de protestos massivos, que contaram com o apoio de uma campanha global, a Bechtel processou a Bolívia exigindo US$ 50 milhões por danos e lucros perdidos, apesar de seus investimentos serem estimados em menos de US$ 1 milhão e o faturamento da Bechtel ser seis vezes o tamanho do produto interno bruto da Bolívia.

Espera-se até que a previsão do tempo gere lucro

Outros serviços governamentais, que se considera garantidos, como a previsão do tempo, não são exceção. Apesar de soar bizarro, executivos de serviços privados de previsão do tempo como o AccuWeather vêm argumentando, há anos que o Serviço Nacional do Tempo do governo dos Estados unidos deve ser proibido de divulgar previsões meteorológicas.

O Serviço Nacional do Tempo é o que tem as previsões mais confiáveis do país e os contribuintes gastam milhões de dólares nele. Ainda assim, nós supostamente temos que eliminar este benefício público, convertê-lo completamente em subsídio corporativo para que um capitalista possa lucrar!

O conceito de que o conhecimento de uma tempestade que se aproxima deva ser revertido para aqueles dispostos a pagar foi defendido pelo AccuWeather e por um grupo lobista que se auto intitula Associação Comercial de Serviços do Tempo, com uma das luzes mais fracas do senado dos Estados Unidos, o fundamentalista Rick Santorum, que promoveu um projeto de lei em 2005 que impediria o Serviço Nacional do Tempo de divulgar previsões do tempo com exceção durante emergências específicas.

De acordo com a lei, a agência continuaria coletando dados e daria todos eles a empresas privadas.

O AccuWeather divulgaria as previsões sem arcar com o ônus de coletar seus próprios dados os recebendo de graça às custas do contribuinte.

Como salientou uma reportagem na revista eletrônica Slate, o texto da lei dizia:

Dados, informação, direção, previsão e alertas devem ser divulgados … através de um portal de dados desenhado para acesso de volume por provedores comerciais de produtos e serviços”.

A velhacaria dessa lei foi revelada claramente naquele momento por Jeff Masters em seu blog Weather Underground:

A indústria privada da previsão do tempo faz suas próprias previsões, mas em geral checa suas previsões contra o que diz o Serviço Nacional do Tempo antes de divulgá-las. Se a previsão do SNT é muito diferente, eles frequentemente fazem ajustes na direção das previsões do SNT, o que resulta em uma previsão de melhor ‘consenso’. Então, de acordo com a proposta de lei, não apenas perderíamos a melhor previsão do tempo disponível, mas as previsões das empresas privadas também piorariam”.

Mas um par de capitalistas teria um grande lucro – e daí se mais gente morreria em enchentes ou desastres naturais? Essa é a mágica do mercado em ação.

Para a oposição, Pasadena que deveria ter comprado a Petrobras

Por Diogo Costa, via GGN

Pasadena representa um acréscimo no patrimônio da Petrobras, no coração do mercado mundial de petróleo e refino. Adquirir patrimônio ao invés de vendê-lo na bacia das almas, este é o problema da oposição em relação à Petrobras de Lula e Dilma.

Pasadena foi um bom negócio na época e em função das mudanças no setor petrolífero e de refino nos EUA, do Crash de 2008 e da posterior descoberta do pré-sal, tornou-se um negócio com baixa rentabilidade. Está em plena operação, refinando 100.000 barris diários de petróleo. É um ativo da Petrobras como qualquer outra refinaria de propriedade da empresa.

Desastre de fato e de direito foi a alienação de patrimônio público (CSN, VALE, etc) feita pelos neoliberais no Brasil. Adquirir patrimônio não é um desastre, muito antes pelo contrário.

A Petrobras vale hoje 98 bilhões de dólares, valia em 2002 apenas 15 bilhões de dólares.

A Petrobras fez a maior capitalização da história do capitalismo mundial em 2010 (70 bilhões de dólares) e lucrou aproximadamente 150 bilhões de reais nos últimos 06 anos.

A disputa de fundo em torno da Petrobras é a questão do petróleo do pré-sal. A oposição fracassada não admite e jamais admitirá que a empresa tenha construído o regime de partilha para a exploração do pré-sal. Queriam manter a concessão tucana e entregar tudo de mão beijada para as multinacionais.

O regime de partilha do Lula, empreendido por Dilma, garante participação mínima da Petrobras em TODOS os poços de petróleo do pré-sal, através da PPSA (empresa 100% estatal). A PPSA é a OPERADORA ÚNICA de todos os poços de petróleo do pré-sal, além de ter poder de veto e voto de minerva em TODAS as decisões relativas à exploração e à comercialização dos barris do pré-sal. A oposição quer destruir o regime de partilha.

Há uma enorme pressão por parte dos acionistas privados da Petrobras, que lutam por mais lucros e dividendos. Para tanto, forçam o discurso falso e fictício do “endividamento” da empresa, bem como clamam todo o santo dia por um reajuste, de preferência brutal, no preço dos combustíveis.

A batalha crucial que estamos assistindo nada tem a ver com Pasadena, mas sim com o futuro da Petrobras enquanto alavanca do desenvolvimento nacional. Ou será que o PSDB e a mídia venal, que apoiaram entusiasticamente a quebra do monopólio estatal da empresa, de uma hora para outra estão preocupados com a mesma? Mais fácil acreditar em duendes e fadas.