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Nenhuma das razões para o bombardeio no Iraque é “humanitária”

Por Nazanín Armanian, via Publico.es

Barack Obama não pôde resistir a tentação (ou as pressões de seus adversários) e tornou-se o quarto presidente dos EUA a bombardear o Iraque, utilizando-se dos mesmos pretextos “benevolentes” e com o mesmo objetivo principal: manter o controle norte-americano sobre o petróleo iraquiano. É o que nos revela a cronologia dos acontecimentos, que os terroristas do Estado Islâmico – chamados “rebeldes sírios”, a quem o Ocidente, a Turquia e a Síria financiou –, invadiram o Iraque, semeando pânico e morte entre a população, desde dezembro último. Desde a semana passada, já há algumas respostas a pergunta “Porque Obama não lutou contra a Al Qaeda no Iraque?”.

Vejamos como a inação dos EUA, assim como a atual agressão militar, foram intencionais e bem calculadas:

– No natal de 2013, os jihadistas atentaram contra a Igreja da Virgem Maria de Bagdá, matando 35 cristãos. Washington nada fez.

– Janeiro de 2014, invadem Fallujah e Ramadi, matando centenas de pessoas. EUA não intervém.

– Entre 10 e 29 de junho, o EI tomou controle de várias zonas das províncias de Kirkuk, Saladino, Tikrit, Al Adhim, Tal Afar e de Mosul, e apesar de obrigarem mais de 8.000 cristãos a fugir no evento, o ocidente não lhes socorre, e então o mais novo homem do Pentágono, um tal Abu Bakr al Bagdadi, proclama um califato nos territórios conquistados no Iraque e na Síria.

– 13 de junho. Obama declara que ajudaria a conter os jihadistas sob a condição de renúncia as políticas sectárias por parte de Nuri al Maliki.

– Nos dias 2 e 3 de agosto o EI ocupa as cidades curdas de Sinjar e Zumar, forçando a fuga de centenas de yazidis.

– No dia 7/08 tomam a cidade cristão de Qaraqosh, e só então Obama declara sua disposição em mandar drones para “proteger” os civis encurralados e os americanos residentes.

– 8 de agosto, quando as ações das petroleiras ocidentais passam a cair pelo segundo dia consecutivo, por conta das ameaças dos jihadistas e da evacuação de parte dos funcionários das companhias Afren, Genel Energy e Chevron, as bombas tornam a cair no solo do Iraque, aparentemente para neutralizar o EI, e matando centenas de civis. Os eternos danos colaterais dos interesses infames.

O “casus belli” dos EUA é uma farsa

O governo norte-americano anunciou que iria “resgatar” os 40.000 yazidis refugiados na montanha Sinjar. A farsa se revela quando dias depois anuncia-se que haviam “muito menos refugiados na montanha Sinjar e é muito menos provável que ocorra o resgate”. Na realidade, existiam em torno de mil yazidis nesta montanha que é habitada há séculos por humanos. Obviamente tinham ciência disso, e no caso de não saber, então porque Obama afirma que a agressão militar durará meses? Sem dúvida, estão exagerando o poderio do EI (no caso de que não estejam obedecendo ao Pentágono, operando livremente) como quando mentiram, dizendo que eram necessários 40 países comandados pelos EUA para conter alguns talibãs que não possuíam nem sequer aviões. Tampouco há explicação “humanitária” do porque os piedosos homens dos EUA e União Europeia não movem sequer um dedo para ajudar aos palestinos, os líbios que estão em fogo cruzado depois da intervenção que realizaram, ou as milhares de pessoas que estão morrendo de fome no sul do Sudão. Mas o Iraque eles escancaram para “salvar” a população cristão.

Não há como verificar se realmente o EI roubou 420 milhões de dólares dos bancos de Mosul, nem se controlam sete campos de petróleo e duas refinarias no norte do Iraque, como afirma a imprensa ocidental, justificando assim a envergadura da nova missão bélica.

A macabra estratégia de Obama

A aposta pessoal de Barack Obama em manter a unidade do Iraque e evitar sua balcanização nunca agradou a Irael nem aos republicanos, que optam por desmembrar Estados fortes e criar pequenas colônias controláveis: Iugoslávia e Sudão são o retrato, Síria e Iraque estão no mesmo processo.

Obama, ao formar seu governo, deu ao vice-presidente Joe Biden a missão de pôr ordem no Iraque. Biden, que quando senador defendeu uma confederação de etnias e religiões no país invadido, logo retirou essa proposta, que é respaldada inclusive por setores do Partido Democrata. O último intento de Obama em evitar o fim oficial do Estado iraquiano (porque não quer que seu país seja acusado de desmembrar países do Sul) foi pedir ao primeiro ministro Nuri Al Maliki que forme um que governo que incluísse as minorias étnicas e religiosas. Obama é incapaz de entender que pedir tolerância a uma teocracia – reacionária, sectária, injusta e corrupta – em um país de longa tradição laica, é como pedir uvas e um espinheiro.

Então, Washington elaborou outra estratégia: deixar que o EI arrase o norte do país, matando a centenas de inocentes, chegando a poucos quilômetros de Bagdá, para então intervir e seguir manipulando a política em Bagdá.

Porque Erbil?

O mandatário norte-americano deixou claro: ordenou que os ataques aéreos detivessem o avanço do EI em Erbil, capital do GRK. A cidade de 8.000 anos de história, protegida pela deusa suméria Ishtar (Esther/Estrella em castelhano, Setaré em persa) que chegou a ser parte do Império Persa, sendo conquistada por Alexandre Magno, hoje vive uma autêntica febre do Ouro. Ouro Negro que mancha a atual decisão de Obama, que tem os seguintes objetivos:

Proteger o status quo no Curdistão e sua ampla autonomia. Consolidar o poder nesta região, podendo convertê-la num trampolim para seguir adiante seu plano do Novo Oriente Próximo.

Garantir o domínio de suas petroleiras sobre o óleo curdo – que corresponde a 0.5% da oferta mundial –, e também sobre 89% das reservas de gás natural do Estado que se encontra sob domínio do GRK, onde operam ExxonMobil e Chevron. Os EUA se apossaram do óleo curdo, já que este não era explorado antes da invasão de 2003.

Impedir o corte na produção e refino do petróleo, que afetaria a recuperação econômica do Ocidente.

Segundo os líderes curdos, nas proximidades de Erbil se encontra grande parte da reserva mundial do petróleo. Mais, o gás de Erbil poderia substituir o russo para os europeus.

Deter a subida do preço do petróleo e o pânico nos mercados.

Tirar Israel do cerco de acusações que se encontra em nível mundial, por suas ações em Gaza, com a cortina de fumaça criada no Iraque.

Neutralizar as críticas sobre sua política exterior, e não somente as do Tea Party: Hillary Cliton o acusou publicamente de ser “demasiado prudente”. Já que não se atreveu a “dar uma bofetada militar” na Rússia por conta da Crimeia e a Ucrânia. No Iraque ele desafoga.

Forçar mudanças políticas em Bagdá: eliminado do cenário e sem respeito aos preceitos legais, Nuri Al Maliki, ligado ao Irã, foi quem manobrou a permanência de suas forças no Iraque. Porém, a explosão de uma bomba próximo a sua casa e as recordações das terríveis mortes de Saddam e Gaddafi foram suficientes para que abrisse espaço para Haidar Al Abadi, o novo administrador da colônia.

Assim, Obama atinge o Irã em seus “princípios estratégicos” no Iraque e na Síria. Talvez Washington não esperasse uma entusiasmada declaração de apoio de Teerã ao seu novo homem na capital iraquiana.

Dar uma lição aos jihadistas, como fez Bush com seus sócios da Al Qaeda, Muyahedines e os Talibãs afegãos: que cumpram o que Washington manda, e deixem de atuar por conta própria quando o assunto é poços de petróleo.

Estes pontos somam-se as 23 observações sobre a nova guerra líquida dos EUA no Iraque. Os curdos, principais beneficiários da nova intervenção ocidental, retomaram o controle de várias cidades, receberam muitas armas, se livraram de Al Maliki, e veem Washington mudar de ideia no tocante a permissão de um Estado curdo, ainda que seja usando da retórica de “federalizar o Iraque”, considerada uma opção menos danosa a seus interesses.

França defende sua parte

Outro país que evita a chegada de ajuda humanitária – que não sejam armas – da Rússia aos ucranianos do leste, mas envia armas aos curdos perseguidos pelos islamitas, é a França, que não perde uma oportunidade de reviver sonhos napoleônicos de sua época imperialista. Os pishmargas, serão a bola do canhão dos interesses da companhia Total, que tinha se retirado do Iraque pois só tinha garantido uma pequena participação na exploração do petróleo em Halfaya do sul. A petroleira francesa negocia agora com a Exxon Mobil, para que ela ceda sua licança nos campos de Pulkhana e Taza, disputados pelo governo central e a GRK. Makili ameaçou a Exxon, dizendo que se o fizesse se arriscava a perder o contrato do campo West Qurna-1. Por trás da visita da GRK a Paris, em dezembro do ano passado, está a Total, aspirando ser a principal companhia petroleira do Curdistão iraquiano.

Certo é que os senhores do mundo não podem usurpar a vida de milhares de pessoas, levando ainda suas riquezas, sem contar com seus agentes locais: os líderes árabes e curdos do Iraque, que miseravelmente prestam serviço aos EUA e a UE, sem nunca exitar em sacrificar seu próprio povo, em nome do poder pessoal, tribal, ou de um nacionalismo reacionário e cego.

Este é o Iraque democrático, o mesmo modelo que exportaram para a Líbia e que desejam para a Síria e a Rússia, por conta de suas imensas reservas de recursos naturais.

Pergunto, então, onde está a ONU? Uma equipe internacional de personalidades amantes da paz e da justiça, representada na Espanha por don Federico Mayor Zaragoza, propõe a refundação da ONU, para que evitemos as guerras que não param de crescer, e acabar também com a indescritível dor e sofrimento que provocam a milhões de pessoas.

*Nazanín Armanian é iraniana, residente em Barcelona desde 1983, cidade em que se exilou. Licenciada em Ciências Políticas. Ministra cursos on-line pela Universidad de Barcelona e é colunista do jornal on-line Publico.es.

Tradução: Rennan Martins

Frota de veículos triplica até 2050, diz EPE

Nicola Pamplona, via Brasil Econômico

Revista Brasileiros/Reprodução

Cenário econômico elaborado para auxiliar no planejamento estratégico estima que número de veículos crescerá bem mais do que população e chegará a 130 milhões

Rio – Para quem enfrenta o trânsito caótico nas grandes cidades do país, projeções divulgadas ontem pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) apontam um cenário ainda mais sombrio para meados do século: segundo a entidade, a frota brasileira de veículos leves deve triplicar até 2050, atingindo a marca de 130 milhões de automóveis. A previsão faz parte do estudo Cenário Econômico 2050, que é parte do processo de elaboração do Plano Nacional de Energia e foi desenvolvido com contribuições de órgãos do governo federal, instituições de ensino e associações empresariais.

O crescimento da frota se dará, segundo o documento, em ritmo bem mais acelerado do que o da população brasileira, que deve passar dos atuais 200 milhões para 225 milhões de habitantes no período estudado. Assim, a EPE prevê avanço significativo na taxa de motorização do país. O indicador, que calcula o número de habitantes por veículo, já evoluiu bastante nos últimos anos, passando de 8,4 em 2002 para 5,7 em 2011. Em 2050, a entidade estima que serão 1,7 brasileiros para cada veículo, taxa comparável à de países europeus como Espanha, Itália, Alemanha e Reino Unido — os Estados Unidos, líderes nesse quesito, têm 1,2 habitantes por veículo.

A evolução brasileira dos últimos anos é resultado do crescimento da renda, aliado a políticas federais vigentes nos últimos anos para incentivar a venda de veículos, como a abertura de linhas de crédito e a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Entre 2010 e 2013, a frota brasileira mais do que dobrou, sem investimentos equivalentes em infraestrutura, o que acirrou problemas de mobilidade urbana e de qualidade do ar nas grandes cidades. Este ano, mesmo em crise, a indústria automobilística já vendeu 1,8 milhão de carros e comerciais leves.

Em sua projeção para os próximos anos, a EPE considera uma taxa de crescimento médio do PIB de 3,6%, e taxa de investimento acima dos 20% do PIB, contribuindo, ao lado do setor de petróleo e gás, para impulsionar a economia. O estudo pondera que a evolução dos indicadores depende de o Brasil “fazer o dever de casa, desenvolvendo a infraestrutura, que se encontra ineficiente se comparada a países com um maior nível de desenvolvimento, o que permitirá uma redução do Custo Brasil, e consequentemente, uma maior competitividade da economia brasileira.”

“Uma das marcas desse período será o forte crescimento da renda per capita, que irá se situar nos níveis atuais da França e Alemanha”, aposta o presidente da entidade, Maurício Tolmasquim, em nota oficial. Os números do Cenário Econômico 2050 apontam um crescimento, neste indicador, dos atuais US$ 10,8 mil por habitante por ano para US$ 36,1 mil por habitante por ano. “Outro aspecto importante para a evolução do setor brasileiro de transportes é a crescente taxa de urbanização que impacta a atividade de transporte de passageiros e de cargas neste horizonte. Além disso, deve se considerar a manutenção do peso da indústria automotiva no PIB brasileiro ao longo do horizonte”, analisa a EPE.

Ou seja, além de mais carros, as cidades terão também mais pessoas: a taxa de urbanização deve crescer dos atuais 84% para 89%, o que significa um incremento de 30 milhões de brasileiros entre os que vivem em centros urbanos. Estados do Norte, Nordeste e Centro-Oeste terão crescimento relativo maior do que Sul e Sudeste, que hoje concentram 56,5% da população brasileira.

Maior frota de veículos e maior urbanização estão entre os principais desafios do setor elétrico no período. A EPE espera que a fatia dos municípios com ar condicionado praticamente triplique, dos atuais 23% para 65% em 2050. A climatização tem mudado o perfil de operação do setor elétrico, com deslocamento do horário de pico para o período da tarde durante o verão e maior necessidade de investimento nas redes urbanas de distribuição de eletricidade.

Ao contrário da evolução verificada em países em desenvolvimento, a agropecuária deve permanecer com forte participação no PIB, diante da abundância de terras e da possibilidade de melhorias na produtividade em culturas dominantes. A EPE prevê, por exemplo, que o rebanho brasileiro pode crescer em 342 milhões de cabeças de gado, melhorando os indicadores de produtividade dos atuais 1 cabeça para 2,2 cabeças por hectare. A produção de cana de açúcar também deve ter grande evolução, passando dos atuais 737 milhões verificados em 2013 para 1,2 bilhão de toneladas em 2050.

Já na indústria, as projeções são de crescimento significativo da produção de cimento — de 71 milhões para 175 milhões de toneladas por ano — e de aço — de 35 milhões para 81 milhões de toneladas por ano — também motivadas pelo crescimento da renda per capita, que melhorará os indicadores de consumo brasileiros. No cenário traçado, porém, o Brasil continuará importador de insumos importantes para a economia, como produtos químicos e fertilizantes, apesar dos investimentos previstos para aumento da capacidade, principalmente no caso do insumo agrícola.

Para um país com potencial para se tornar grande produtor de petróleo, o cenário traz uma previsão ruim: o preço da commodity deve registrar queda no longo prazo, com o aumento dos esforços para redução das emissões de gases do efeito estufa e para a expansão das fontes renováveis de energia. Segundo o documento, projeções internacionais indicam que a cotação internacional do petróleo se aproximará da casa dos US$ 80 por barril entre 2014 e 2020 e registrará recuperação nas décadas seguintes, encerrando o período a US$ 97,30.

Em São Paulo, todo o mundo vai virar um pouco palestino

Por Marcelo Zero, via facebook

Portal IG/Reprodução

A Sabesp, a mesma que deixou faltar água em São Paulo, assinou, em 2009, um Memorando de Entendimento com a Mekorot israelense para fornecimento de expertise na redução de perda de águas. Detalhe: sem licitação. A Mekorot, empresa pública de fornecimento de água de Israel, é acusada, com razão, de promover um apartheid hídrico na Palestina.

De acordo com as informações dos ativistas de direitos humanos, inclusive de Israel, que combatem o genocídio palestinos, a Mekorot tem sido responsável por violações e discriminações no direito à água, desde a década de 1950, quando construiu a rede nacional de água israelense, que está a desviar o rio Jordão da Cisjordânia para servir às comunidades israelenses. Ao mesmo tempo, priva as comunidades palestinas da possibilidade de acederem à água.

O consumo palestino nos territórios ocupados é de cerca de 70 litros diários por pessoa – bem abaixo dos 100 litros per capita diários recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) – enquanto o consumo diário per capita israelense, de cerca de 300 litros, é quatro vezes mais elevado.

A Mekorot se recusou a fornecer água às comunidades palestinas dentro de Israel, apesar da decisão judicial de um tribunal superior israelense ter reconhecido o seu direito à água.

A Mekorot é um suporte vital para o empreendimento ilegal da colonização: O apoio da empresa à ocupação colonial tem continuado desde a ocupação da Cisjordânia, Gaza e Montes Golã em 1967. Monopolizou o controlo sobre as fontes de água nos territórios ocupados, implementando políticas que reforçam os colonatos israelenses à custa das comunidades palestinas.

O relatório das Nações Unidas sobre as implicações dos colonatos israelenses nos direitos do povo palestino denuncia o papel da Mekorot na expansão dos colonatos.

Assim, qualquer cooperação com a empresa israelense beneficia automaticamente e contribui para a criação ilegal das colônias no território palestino.

A Mekorot participa no crime internacional de pilhagem dos recursos naturais e de destruição gratuita da infraestrutura de água: A empresa faz funcionar mais de quarenta poços na Cisjordânia, sobretudo na região do Vale do Jordão, que abastecem essencialmente aos colonatos israelenses.

A Mekorot trabalha em estreita parceria com o exército israelita, confiscando tubos de irrigação dos agricultores palestinos e destruindo as fontes de água que abastecem as comunidades palestinas. Só em 2012, o exército israelense demoliu 60 estruturas de água e de saneamento pertencentes a palestinos.

A Mekorot nega aos palestinos o direito humano à água como um instrumento para a política israelense de deslocação de populações: No verão, a empresa, escoltada pelo exército, fecha a torneira nas comunidades palestinas da Cisjordânia, deixando-as a seco. É um parceiro orgulhoso do plano “Negev Blueprint” do Jewish National Found, que verá 40.000 beduínos palestinos, cidadãos de Israel, expulsos de suas casas e levados para reservas, sendo sua terra utilizada para um colonato exclusivo de judeus no Negev.

Pelo visto, essa parceria com a empresa do apartheid hídrico não produziu efeitos positivos para a Sabesp. Em São Paulo, do ponto de vista hídrico, todo o mundo vai virar palestino.

Aparentemente,a Sabesp já rompeu o contrato com a Mekorot. Espero que sim.

Os EUA e a Operação Condor: “o maldito jogo de xadrez da morte”

Por Leonardo Wexell Severo, via Brasil de Fato

Por Carlos Latuff

Livro Os anos do lobo, da premiada escritora e jornalista argentina Stella Calloni, revela “a conspiração assassina” contra a democracia na região

“A Operação Condor foi uma conspiração assassina entre serviços de segurança da Argentina, Chile, Brasil, Paraguai, Uruguai e Bolívia, destinada a rastrear e eliminar adversários políticos sem preocupar-se com as fronteiras ou os limites. Operação Condor era o código para aquela multinacional do crime, cuja origem estava nas imensas oficinas da Agência Central de Inteligência (CIA) e do Burô Federal de Investigação (FBI), nos Estados Unidos”.

O “maldito jogo de xadrez da morte” foi descrito pela premiada escritora e jornalista argentina Stella Calloni em seu livro Os anos do lobo – Operação Condor (Peña Lillo – Ediciones Continente, Buenos Aires, 1999), no qual expõe “a política exterior de Washington em carne viva”.

Prefaciada por Adolfo Pérez Esquivel, prêmio Nobel da Paz de 1980, a obra descreve com riqueza de detalhes o envolvimento dos Estados Unidos na sequência de golpes, particularmente no Cone Sul.

No ano em que se completam 50 anos da derrubada do governo de João Goulart, a publicação é mais do que um estímulo à reflexão sobre os interesses geopolíticos do imperialismo e das suas transnacionais.

De acordo com Stella, “os EUA proporcionaram inspiração, financiamento e assistência técnica à repressão e podem haver plantado as sementes da Operação Condor. A CIA promoveu uma maior coordenação entre os serviços de Inteligência da região. Um historiador estadunidense atribui a uma operação da CIA a organização das primeiras reuniões entre funcionários de segurança uruguaios e argentinos para vigiar os exilados políticos. A CIA também atuou como intermediária nas reuniões entre os dirigentes dos esquadrões da morte brasileiros, argentinos e uruguaios”.

Porém, assegura a autora, “os Estados Unidos fizeram mais do que organizar os encontros: a equipe de serviços técnicos da CIA subministrou equipamentos de tortura elétrica a brasileiros e argentinos e ofereceu assessoramento sobre o grau de choques que o corpo humano poderia resistir”. Afinal, conforme advertiam os professores dos torturadores: “o ser vivo pode dar informação e um cadáver não”.

“Os agentes de segurança latino-americanos também receberam treinamento da CIA quanto à fabricação de bombas, na sede da Oficina de Segurança Pública do Departamento de Estado do Texas”, informa ainda Stella.

O alerta de Perón

“As mãos dos Estados Unidos estão manchadas com o sangue de milhares de latino-americanos caídos na luta pela liberdade e independência”, já alertava o líder argentino Juan Domingo Perón, ressaltando que “se equivocam os que afirmam a respeito dos EUA que estamos vivendo um período de calma”.

“Que calma é esta quando estão realizando todo tipo de atividades secretas, suborno de políticos e funcionários governamentais, assassinatos políticos, atos de sabotagem, fomento do mercado negro e penetração em todas as esferas da vida política econômica e social? Sobre nossos países voam aviões militares dos Estados Unidos enquanto nosso solo permanece em poder de seus monopólios, com bases militares”, denunciava Perón.

Naquele início dos anos de 1970, enquanto organizava a implementação da política de terrorismo de Estado dos EUA – chamadas candidamente de “ações encobertas” – contra o governo de Salvador Allende, no Chile, o diretor da CIA, Richard Helms, abriu o jogo: “É imperativo que estas ações se implementem clandestinamente e com segurança, de maneira que a mão estadunidense e seu governo permaneçam bem ocultos”.

Arquivos do horror

A maior parte das informações sobre a Operação Condor veio dos “Arquivos do Horror”, descobertos pelo professor e escritor paraguaio Martin Almada, no dia 7 de dezembro de 1992, em uma delegacia de polícia de Assunção. Preso e torturado durante três anos, exilado por 15 anos, Almada teve sua mulher morta pela ditadura de Stroessner.

Stella repercute as palavras de Almada: “Ali estavam as gravações de meus próprios gritos, quando me torturavam, que fizeram escutar a minha esposa Celestina, que morreu do coração ao não poder resistir àquela tortura psicológica”.

Os documentos encontrados por Almada eram arquivos, correspondências, livros de entradas e saídas de prisioneiros, controle de fronteiras, cartas e informes entre os ditadores, os chefes militares e de segurança dos países da região, fotografias, fitas cassete, vídeos, fichas de ‘colaboradores especiais’, dados de ‘agentes especiais’ e até mesmo correspondências trocadas por Stroessner com o alto mando militar. Na luta para passar uma borracha em passado tão comprometedor, assegura Stella, “os mesmos interesses que possibilitaram o crime se encarregaram de minimizar o valor documental do achado”.

Entre outras provas desta “corporação internacional da morte”, como foi reconhecida pelo The Washington Post, encontram- se “cartas do coronel Robert Scherrer, do Burô de Investigações dos Estados Unidos, dirigidas a funcionários de Stroessner desde a sede diplomática em Buenos Aires”. Elas confirmavam que este era um “homem-chave”, e que sabia muito bem o que significava a Operação Condor. “Mais ainda, alimentava com informes e solicitações de informes os criminosos, assim como outros funcionários estadunidenses e de distintos países.”

Os anos do lobo: os interesses geopolíticos do imperialismo e das suas transnacionais. Foto: Reprodução.

Roda da morte

Não restam dúvidas, esclarece a escritora, que foi no ano de 1974 que a roda da morte começou o seu giro mais “espetacular”, “pela transcendência política das vítimas”.

Em 30 de setembro de 1974, o general chileno Carlos Prats, que, entre outros cargos, havia sido ministro de Defesa de Allende, e que estava exilado na Argentina, foi assassinado junto a sua esposa, Sofia Cuthbert, em Buenos Aires. Uma bomba estourou embaixo de seu automóvel quando regressava de uma reunião com amigos.

Em 19 de dezembro de 1974 foi assassinado em Paris, França, o coronel uruguaio Ramón Trabal, que não se mostrou disposto a participar no mais obscuro da repressão no seu país. Trabal havia confessado suas simpatias pelo movimento dos militares de esquerda em Portugal e pelos setores progressistas em seu país.

“Porém, na realidade, foi o assassinato de Orlando Letelier, ex-ministro da Defesa e embaixador do Chile, em setembro de 1976, em Washington, no chamado ‘Bairro das Embaixadas’, que pôs em evidência a Operação Condor. Uma bomba colocada – como se demonstraria logo – por um grupo operativo do qual participavam Michael Towley (ex-agente da CIA), enviados especiais da ditadura chilena e terroristas cubanos anticastristas matou Letelier e sua ajudante Ronni Moffit.”

Um dos casos que tiveram mais “difusão pública”, recorda a escritora, foi o do sequestro dos uruguaios Lilian Celiberti e Universindo Diaz e seus dois filhos, Camilo, de oito anos, e Francesca, de três, em 12 de novembro de 1978, em Porto Alegre.

“Nesta operação, participaram um grupo de contrainformação da ditadura uruguaia e do DOPS (Departamento de Ordem Política e Social) do Brasil, que tiveram sob sua responsabilidade o sequestro e a entrega a seus colegas do Uruguai”, relata Stella.

Após ser torturado na sede do DOPS da capital gaúcha e nos quartéis de Montevidéu, o casal ficou preso cinco anos sob a mentirosa acusação de que tentou entrar no Uruguai “portando armamentos, documentos falsos e propaganda subversiva”. Os filhos só não tiveram o mesmo final trágico de outras centenas de crianças, arrancadas das famílias para serem criadas pelos algozes de seus pais e de seu país, porque um telefonema anônimo levou jornalistas a denunciarem o caso, que logo ganhou repercussão internacional.

Após serem libertados em 1983, antes mesmo da queda da ditadura uruguaia, Lilian e Universindo se adiantaram a denunciar a barbárie. Entre as ações assassinas, Lilian citou os “voos da morte” nos quais os fascistas descartavam os patriotas.

Da mesma forma, lembra Stella Calloni, pairam fortes suspeitas sobre a participação da “Condor” nas “catástrofes aéreas” que custaram a vida, em 1981, do presidente do Equador Jaime Roldós – que se opunha às petroleiras estadunidenses – e do líder da revolução panamenha Omar Torrijos, que garantiu a retomada do Canal.

Manipulação midiática

O papel dos grandes conglomerados midiáticos na derrocada das democracias da região, via fabricação da “opinião pública” para justificar “intervenções”, é bem lembrado ao longo da obra.

“A operação contra o Chile tem sido básica para analisar a importância da manipulação dos meios de comunicação para fins de desestabilização e guerra”, descreve Stela.

Nesse sentido, a escritora cita o sociólogo estadunidense Fred Landis, que analisou o papel da CIA sobre a mídia contra Allende, apontando a escolha pelo Comitê de Inteligência do Senado dos EUA, já em 1974 – isto é, um ano após o golpe no Chile –, para um estudo em que, “pela primeira vez, um governo estadunidense dava caráter oficial a um informe sobre atividades secretas da Agência Central de Inteligência dos EUA”.

Diante da sequência de crimes, Perón lembrava que “cada vacilação, cada dia perdido, cada passo atrás na luta contra a penetração imperialista” representava “um êxito para aqueles que descaradamente seguem explorando nossa riqueza, enriquecendo-se até com o nosso sangue e nossa grandeza espiritual”.

Quanto a cifras exatas do genocídio, Stela responde que, “ainda que resulte doloroso fazer uma soma nessas circunstâncias, podemos chegar à conclusão que mais de 400 mil latino-americanos foram vítimas de uma política de Estado terrorista, cuja base foi desenhada em Washington”.

Crise de água em SP: outro sistema entra em colapso

Por Fernando Brito, via Tijolaço e Brasil de Fato

Salvo uma reportagem ou outra, pouco tem sido dito sobre o “segundo front da seca” que ameaça São Paulo.

O Sistema Alto Tietê está secando cada vez mais rápido.

O segundo maior complexo de reservatórios destinados ao abastecimento da Grande SP, que está servindo como “complemento” para áreas antes conectadas ao Sistema Cantareira, para reduzir a retirada de água na situação de emergência em que este se encontra, não está suportando nem o acréscimo inicial feito há meses e, muito menos, as novas sangrias feitas a partir do novo agravamento da crise.

O Tietê representa metade da produção do Cantareira e leva 15 m³/s à estação de Taiaçupeba.

A queda no sistema passou de 0,1% ( meio bilhão de litros) por dia para 0,2% e, nos últimos dias, já bateu em 0,3%, ou 1,5 bilhão de litros a menos, diariamente.

Restam 24,3% dos reservatórios, ou cerca de 100 bilhões de litros.

O estado da represa de Jundiaí é este que você vê aí na foto.

E a situação é o que descreve a repórter Sabrina Pacca, num relato do qual transcrevo um trecho de poucos dias atrás, publicado no domingo:

“É desolador o cenário das cinco barragens que compõem o Sistema Produtor Alto Tietê (Spat). Uma imensidão de área, antes alagada, hoje vazia. A sensação, em alguns pontos, é de se observar um pântano. Em outros, de caatinga. Os peixes desapareceram, para desgosto dos pescadores. Moradores já se veem podendo usar, a pé ou a cavalo, antigas estradas que estavam debaixo d´água há mais de 20 anos e que, com a estiagem, reapareceram, a exemplo da barragem do Rio Jundiaí, onde a realidade é a mais impressionante delas.

Pela terceira vez, nesse semestre, a reportagem de O Diário percorreu as cinco represas do Spat. Elas nunca estiveram tão secas e as comunidades que vivem no entorno nunca estiveram tão assustadas. Parece que o temor pela falta de água nas torneiras tomou conta daquelas pessoas, mais próximas a essas paisagens angustiantes.

‘Todo mundo deveria visitar aqui. A Prefeitura deveria fazer excursões. Só vendo o que a gente vê, todos os dias, para que se tome consciência de que a água vai acabar mesmo e que vamos sofrer demais. É o sinal do fim dos tempos e está na Bíblia. Não tem jeito, a gente tem que economizar, pelo amor de Deus’, rogou o borracheiro, Elias Souza Alves, de 55 anos, que trabalha às margens da represa de Taiaçupeba, em Jundiapeba, que tem uma área de inundação de 19,36 km². (…)”

Como se trata da água que vai abastecer uma “pequena cidade”, São Paulo, e pouquíssima gente, apenas 4,5 milhões de pessoas, a gente tem de recorrer ao bravo Diário de Mogi, onde trabalha a repórter, e a seu fotógrafo Edson Martins, para ver e entender o que está se passando.

Não é assunto para um Jornal Nacional, não é?

ANP perde na justiça e leilão de xisto é suspenso

Via AEPET

Exploração de xisto no Paraná, pela Petrobras. Memória Petrobras/Reprodução

A Justiça Federal do Paraná, através do desembargador Cândido Alfredo Leal, recusou o recurso da Agência Nacional do Petróleo (ANP) e manteve a suspensão da 12ª Rodada de Licitações, realizada em novembro, que se referia à exploração do gás de folhelho (xisto). A decisão atende ao pedido do Ministério Público Federal (MPF), que solicitou a suspensão por causa do risco ambiental envolvido. Já a ANP argumentava que a decisão prejudicaria investimentos de R$ 195 milhões. “Não se pode atropelar o meio ambiente”, rebateu o desembargador.

O vice-presidente da AEPET, Fernando Siqueira, que participou de audiência pública realizada pelo MPF, registrou que a operação, além de desnecessária, envolveria realmente um grande risco ambiental. “O pré-sal já irá oferecer gás em quantidade bastante para manter o Brasil auto-suficiente por mais de 30 anos”, argumentou, na época, acrescentando que o gás de folhelho provém de uma rocha muito impermeável, que exige injeção de água a 10 mil libras, o que representa uma explosão sem controle da rocha. “Esta explosão pode liberar hidrogênio de forma descontrolada, além do fato de que a água de fraturamento tem cerca de uma centena de produtos químicos nocivos ao meio ambiente.”

Siqueira acrescenta que o edital da ANP deixava o julgamento da periculosidade dos projetos para responsabilidade do próprio empreiteiro. “Seria outro absurdo, agravado pelo fato de que a principal reserva se encontra embaixo do Aqüífero Guarani, a maior reserva de água doce do mundo, que pertence a cinco países”, destaca, acrescentando que, durante a audiência pública um dirigente do IBAMA encarregado de licenciamentos ambientais de projetos fez depoimento dramático revelando, como pessoa física, e não como representante oficial do IBAMA, que condenava com veemência esta iniciativa da ANP sem nenhuma discussão com a sociedade e ainda permitindo que a própria concessionária se auto-fiscalizasse. “O referido dirigente frisou que nem os 90 fiscais que o IBAMA dispõe atuando juntos não teriam condições de fiscalizar esses projetos. Como a ANP não tem um corpo de fiscais nesta área, ele considerou que seria grande irresponsabilida fazer um leilão nessas condições”, relata Siqueira.

O vice-presidente da AEPET pondera ainda que, da mesma forma que não precisará recorrer a fontes alternativas de gás por muito tempo, o país tem reservas de petróleo para mais de 60 anos, não fazendo sentido, portanto, a realização de nenhum leilão. “Estaríamos apenas cedendo às pressões do governo norte-americano, que quer baratear o custo do petróleo convencional e tirar os EUA da insegurança econômica e energética pelo fato de ser o maior consumidor do mundo e não ter reservas, já que sua população representa 4% da população mundial e eles consomem 33% da energia produzida no mundo”.

Plataforma Operária e Camponesa da Energia apoia contratação direta da Petrobras

Plataforma apoia medida em defesa da soberania nacional e do povo brasileiro

O governo federal anunciou nesta terça-feira (24/06) a transferência direta para a Petrobrás de quatro áreas importantes do pré-sal (Búzios, entorno de Iara, Florim e nordeste de Tupi) com estimativa de 10 a 14 bilhões de barris de petróleo, para serem explorados através da lei de partilha. A medida fortalece a maior estatal do Brasil (Petrobrás) e a soberania nacional do país sobre o petróleo brasileiro, porque garante que parte importante e estratégica do petróleo mantenha-se sob controle do Estado.

Em 2010 o governo Lula adotou medidas de capitalização da Petrobrás e na época repassou o direito de exploração de 5 bilhões de barris de uma área de pré-sal no litoral de São Paulo, na bacia de Santos. Depois que se completaram as pesquisas e estudos, se confirmou que existem volumes bem maiores, cerca de 10 a 14 bilhões de barris a mais.

Com base no Artigo 12, da lei 12.351 de 2010, “lei de partilha de produção”, visando a preservação do interesse nacional, a União pode entregar um campo de petróleo diretamente para a Petrobrás. A estatal assina um contrato onde garante que um percentual do “óleo-lucro” deverá ser remetido para o “Fundo Social”, obtido por definição do governo, para garantir o melhor benefício ao povo brasileiro.

Ao utilizar esse mecanismo, na visão das entidades integrantes da “Plataforma Operária e Camponesa para Energia”, o atual governo federal adota postura de defesa dos interesses nacionais e do povo brasileiro e favorece o controle do Estado sobre as reservas estratégicas de energia. No ano passado, nossas organizações realizaram uma grande mobilização nacional para impedir o leilão do campo de Libra e reivindicávamos estas mesmas medidas, agora, a luta popular obtém grande vitória.

A presidenta Dilma certamente contrariou fortes interesses de empresas petrolíferas internacionais, que, sabedoras das enormes reservas existentes de petróleo na região do chamado pré-sal tinham a intenção de se apropriarem dessas reservas através de leilões futuros.

Os setores empresariais e representações políticas defensores das privatizações saíram derrotados, já que este enorme volume de petróleo ficará 100% com a empresa brasileira Petrobrás e afasta qualquer possibilidade de leilão futuro dessas reservas.

A medida anunciada pela presidenta Dilma impõe uma derrota aos setores que pressionam para retroceder e adotar o antigo “modelo de concessões”, onde a totalidade do lucro vai para as empresas. A exploração dessas reservas será através do “modelo de partilha”, que obriga que parte do lucro extraído seja revertida para a formação do “Fundo Social”, que vai canalizar os recursos para melhoria da educação e saúde.

Os movimentos sociais e sindicais que fazem parte da “Plataforma Operária e Camponesa para Energia” apoiam a medida, porque vai ao encontro dos interesses do povo brasileiro e às lutas e reivindicações, que vêm sendo realizadas pelos trabalhadores do campo e da cidade nos últimos anos.

Com a recente medida, o governo brasileiro dá um passo significativo em defesa da soberania nacional e na busca da melhor distribuição da riqueza no país, cuja desigualdade social é ainda muito gritante.

A medida anunciada pode significar um passo político importante na direção de maior controle do estado brasileiro sobre as reservas naturais estratégicas, fortalece a estatal Petrobrás e a soberania do país sobre o petróleo brasileiro, o que vai de encontro com a pauta das reivindicações populares brasileiras.

Pode também significar um movimento no sentido de construção e de fortalecimento da unidade política dos povos na América Latina em oposição às forças imperialistas, pois esta ação indica o propósito político de construção de uma soberania sobre os recursos naturais e energéticos dos estados nacionais da América Latina, como vem acontecendo em importantes países de nosso continente.

Também significa um movimento que fortalece o país no posicionamento externo, exatamente, em momento que a independência energética estadunidense parece ser uma grande farsa e o grau de dependência energética do imperialismo tradicional – EUA e União Europeia – está cada vez mais exacerbado.

Por fim, assim como há 60 anos o povo brasileiro protagonizou a campanha “o petróleo é nosso”, que resultou na construção da Petrobras, mantemos nossa disposição de seguir firmes na luta apoiando e cobrando medidas importantes em defesa da soberania e na distribuição da riqueza ao povo brasileiro.

Assinam:

Federação Única dos Petroleiros-FUP;

Federação Nacional dos Urbanitários-FNU;

Movimento dos Atingidos por Barragens-MAB; Sindieletro MG;

Sinergia SC, Federação Interestadual de Sindicados de Engenheiros-FISENGE;

SENGE PR;

SENGE RJ;

STIU DF;

SINERGIA SP;

FTIUESP;

Via Campesina.