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O que aconteceu ao avião da Malaysia Airlines?

Por Paul Craig Roberts, via Rede Castor Photo

1ª página do NYTimes de 18/7/2014 já informa que o voo MH17 foi derrubado por míssil. Como?

A máquina de propaganda de Washington está trabalhando em tão alta rotação, que há risco de perdermos os dados e fatos comprovados que já temos.

Um desses fatos é que os federalistas não têm os caros sistemas de mísseis antiaéreos Buk ou não têm pessoal treinado para operá-los.

Outro fato é que os federalistas não têm incentivo ou motivo para, ou interesse em, derrubar avião de passageiros; a Rússia tampouco. Qualquer um sabe ver a diferença em um avião de combate voando baixo e um avião de passageiros a 33 mil pés de altura.

Os ucranianos têm sistemas Buk de mísseis antiaéreos, e uma bateria Buk estava operacional na região e localizada em ponto do qual poderia ter disparado um míssil contra o avião.

Assim como os federalistas e o governo russo não têm incentivo nem motivo para derrubar avião de passageiros, tampouco os tem o governo ucraniano; e, de fato, nem os ensandecidos nacionalistas extremistas ucranianos que formaram milícias para fazer as lutas contra os federalistas que o governo ucraniano não têm interesse em fazer. A menos que haja aí um plano para culpar a Rússia.

Um general russo que conhece o sistema de armas apresentou sua opinião, de que foi erro cometido por militares ucranianos não treinados para usar aquela arma. O general disse que, embora a Ucrânia tenha algumas armas, os ucranianos não foram treinados para usá-las nesses 23 anos desde que a Ucrânia separou-se da Rússia. O general acredita que tenha sido um acidente devido à incompetência.

Sistema de mísseis Buk do exército ucraniano

Essa explicação faz algum certo sentido e com certeza faz muito mais sentido que a propaganda de Washington. O problema com a explicação do general é que não explica por que o sistema Buk de mísseis antiaéreos foi posto próximo de, ou dentro de, território dos federalistas. Os federalistas não têm força aérea. Parece estranho que a Ucrânia mantivesse um caríssimo sistema de mísseis em área na qual não teria uso militar – e em posição na qual poderia ser capturado pelos federalistas.

Como Washington, Kiev e a imprensa-empresa press-tituta [orig. presstitute] também estão obrando na propaganda de que Putin é culpado, ninguém encontrará na mídia norte-americana qualquer informação aproveitável. Teremos de procurar e de construir nós mesmos nossa própria informação aproveitável.

Um modo de fazer isso é perguntar: por que aquele sistema de mísseis estava onde estava? Por que pôr em risco um caríssimo sistema de mísseis, pondo-o num ambiente conflagrado, no qual não teria nenhuma serventia? Incompetência, sim, é uma das respostas; outra resposta é que o sistema de mísseis foi posto ali, para ser usado, porque seria usado.

Seria usado para quê? Noticiosos e provas circunstanciais têm fornecido duas respostas. Uma delas é que os extremistas ultranacionalistas anti-Rússia e pró-EUA & Europa tinham planos para derrubar o avião presidencial de Putin; e teriam confundido o avião malaio e o avião russo.

Como os EUA (e o Wall Street!) “sabiam” que o MH17 havia sido derrubado por míssil no mesmo dia?

A agência Interfax, citando fontes anônimas, aparentemente controladores de tráfego aéreo, noticiou que o avião malaio e o avião de Putin estariam em rotas quase idênticas, com poucos minutos de intervalo entre um e outro. Interfax cita sua fonte:

O que posso dizer é que o avião de Putin e o Boeing malaio cruzaram-se no mesmo ponto no mesmo degrau. Foi perto de Varsóvia, no degrau 330-m, altura de 10.100 metros. O jato presidencial estava nesse ponto às 16h21 hora de Moscou, e o avião malaio, às 15h44 hora de Moscou. Os perfis das aeronaves são semelhantes, as dimensões lineares são muito semelhantes, e as cores, observadas em grande distância, são quase idênticas.

Não encontrei nenhum desmentido oficial russo, mas, segundo noticiários russos, o governo russo informou, em resposta às notícias da agência Interfax, que o avião presidencial de Putin já não voa a antiga rota da Ucrânia desde o início das hostilidades.

Antes de aceitar essa negativa, é preciso ter bem claro que qualquer tentativa pelos ucranianos de assassinar o presidente da Rússia implica guerra – exatamente a guerra que a Rússia quer evitar. Implica também a cumplicidade de Washington na tentativa de assassinato, porque é altamente improvável que os fantoches de Washington em Kiev arriscar-se-iam a cometer ato tão perigoso, se não contassem com o apoio dos EUA.

O governo russo, que é inteligente e racional, com certeza negaria todas as notícias sobre uma tentativa, por Kiev e Washington, de assassinarem o presidente russo. Se não negar, a Rússia fica obrigada a tomar alguma providência – quer dizer: também implica guerra.

A segunda explicação é que os extremistas pró-Europa-EUA que operam por fora do aparelho militar ucraniano oficial tenham concebido um atentado para derrubar um avião de passageiros, para inculpar a Rússia. Se houve um atentado, o mais provável é que tenha sido gerado pela CIA ou por algum braço operativo de Washington; e visaria a forçar a União Europeia a parar de opor-se às sanções de Washington contra a Rússia, além de contribuir para romper valiosos laços econômicos que conectam a Rússia à Europa. Washington está frustrada por suas sanções continuarem a ser unilaterais, sem apoio dos fantoches dos EUA na OTAN, nem de qualquer outro país no planeta, exceto talvez do cachorrinho-de-madame e primeiro-ministro britânico.

David Cameron e Barack Obama

Há muitas provas circunstanciais a favor dessa segunda explicação. Há o vídeo em Youtube apresentado como de uma conversa entre um general russo e federalistas, que falam sobre terem derrubado, por erro, um avião de passageiros. Segundo o noticiário,especialistas que examinaram o vídeo já sabem que foi gravado na véspera, um dia antes de o avião malaio cair.

Outro problema com esse vídeo é que, por mais que se possa crer que os federalistas tivessem confundido um avião de passageiros a 33 mil pés de altitude, com um jato militar de ataque, o general russo jamais os confundiria. A única conclusão é que, ao fazer falar um militar russo (verdadeiro ou falso), para tentar dar credibilidade a um vídeo falso, os falsários erraram e desacreditaram-se, eles mesmos.

A prova circunstancial que o público não especialista pode entender mais facilmente está na sequência de noticiários de televisão produzidos para culpar a Rússia… antes de que se conheça qualquer fato.

Em meu artigo anterior falei de um noticiário da BBC ao qual assisti e que, com certeza, foi integralmente produzido para culpar a Rússia. O programa concluía com um correspondente da BBC, ofegante, dizendo que acabava de assistir ao vídeo em YouTube, e que ali estava a prova do crime e “não resta dúvida alguma” – dizia o jornalista. A prova do crime apareceu para o jornalista da BBC, antes de o governo da Ucrânia e Washington saberem das coisas.

A prova de que Putin fez tudo seria um vídeo filmado antes do ataque ao avião malaio. Todo o noticiário produzido pela BBC e distribuído pela [rede] National Public Radio foi orquestrado para a exclusiva finalidade de “provar”, antes de haver qualquer prova, que a Rússia teria sido responsável.

A 1ª página do Daily News já em 18/7/2014 acusa Putin diretamente

Verdade é que toda a imprensa-empresa ocidental falou como uma só voz: foi a Rússia! E todas as press-titutas/press-titutos continuam a dizer sempre a mesma coisa.

O mais provável é que essa opinião única e uniforme apenas reflita o treinamento pavloviano da imprensa-empresa ocidental que, sempre, automaticamente, se alinha com Washington. Nenhuma “fonte” quer ser criticada por “antiamericanismo” ou quer ver-se isolada da opinião geral, a única que se ouve, a única que se admite, a única que não pode ser contestada, sob pena de o “especialista” receber “nota vermelha” no boletim.

Como ex-jornalista e colaborador dos mais importantes veículos da imprensa-empresa nos EUA, sei muito bem como funcionam.

Por outro lado, se se descontam os condicionamentos pavlovianos – que gera o “jornalismo” de repetição automática – a única conclusão que resta é que todo o ciclo de notícias sobre o avião malaio está sendo orquestrado para inculpar Putin.

Romesh Ratnesar, vice-editor de Bloomberg Businessweek, oferece prova convincente de que, sim, tudo está sendo orquestrado, com o que publicou dia 17/7/2014.

O título da coluna de Ratnesar é “Derrubada do avião malaio atrai desastre para Putin”. Ratnesar não está dizendo que Putin pode estar sendo vítima de um complô. O que ele diz é que antes de Putin ter derrubado o avião malaio,

Romesh Ratnesar

(…) para a vasta maioria dos norte-americanos o comprometimento da Rússia na Ucrânia parecia só ter importância periférica para os interesses dos EUA. Esse cálculo mudou (…). Talvez demore meses, talvez anos, mas a crueldade de Putin voltará a desabar sobre ele. Quando acontecer, a derrubada do MH 17 será afinal vista como o começo do fim de Putin.

 

Fui editor do Wall Street Journal e, naquele tempo, quem me aparecesse com coluna de merda equivalente a essa teria sido demitido(a). Só insinuações, sem nenhuma prova que apoie qualquer coisa. E a mentira-distorção, descarada, segundo a qual o que foi golpe de estado dado por Washington contra a Ucrânia seria “o comprometimento da Rússia na Ucrânia”!

O que estamos testemunhando é a total corrupção do jornalismo ocidental, pela agenda imperial de Washington. Ou os jornalistas alinham-se com as mentiras, ou são atropelados.

Procurem à volta: onde há jornalistas ainda honestos? Quem são? Glenn Greenwald, que enfrenta ataque constante dos próprios colegas jornalistas, os quais, TODOS, são putas, daquelas que fazem qualquer negócio por qualquer dinheiro. E que outro jornalista haveria, cujo nome nos venha à lembrança? Julian Assange, trancado na Embaixada do Equador em Londres, com a vida por um fio pendente de ordens de Washington. E o fantoche britânico não dá a Assange o direito de livre trânsito [até o aeroporto] para que possa assumir o asilo que o Equador lhe garantiu.

A última vez que se viu tal violência no mundo, foi a União Soviética, que exigiu que o governo-fantoche da Hungria mantivesse o cardeal Mindszenty cercado dentro da embaixada dos EUA em Budapeste durante 15 anos, de 1956 até 1971. Mindszenty recebeu asilo político dos EUA, mas a Hungria, obedecendo ordens dos soviéticos, não honrou o direito de asilo – exatamente como faz hoje o palhaço-fantoche britânico obedecendo ordens de Washington, que não honra o direito de asilo que Assange JÁ TEM. (…)

Edward Snowden e Julian Assange

A única mácula na diplomacia de Putin é que a diplomacia de Putin depende de a boa-vontade e a verdade prevalecerem. Mas não há boa-vontade nos EUA, e Washington não tem interesse algum em que a verdade prevaleça. Para Washington só interessa que Washington prevaleça.

Putin não está enfrentando “parceiros” razoáveis, mas todo um ministério da propaganda que faz mira contra ele.

Compreendo a estratégia de Putin, na qual se veem a razão e a razoabilidade russas, contra as ameaças de Washington – mas é aposta muito arriscada. A Europa já há muito tempo é apêndice de Washington, e não há líderes europeus no poder que tenham capacidade e visão suficientes para separar a Europa, de Washington. Além do mais, os líderes europeus são sobejamente subornados para servirem a Washington. Um ano depois de deixar o governo, e Tony Blair já recebia salário de US $50 milhões.

Depois dos desastres que os europeus conheceram, é pouco provável que seus líderes pensem em qualquer outra coisa que não seja aposentadoria confortável. Para isso, nada como empregar-se como serviçal de Washington. Como a extorsão bem-sucedida contra a Grécia, obrada por bancos, o comprova, o povo europeu está reduzido à impotência.

Em Global Research lê-se a declaração oficial do Ministério de Defesa da Rússia.

O ataque de propaganda de Washington contra a Rússia é uma dupla tragédia, porque contribuiu para desviar as atenções para longe da mais recente atrocidade que Israel comete contra os palestinos sitiados no Gueto de Gaza. Israel diz que o ataque aéreo e a invasão da Faixa de Gaza seriam simples esforços para localizar e vedar supostos túneis pelos quais palestinos contrabandeariam armas para dentro de Israel. Basta olhar pela janela em Israel, para ver que não há ataques de palestinos contra israelenses, nem há palestinos massacrando uma geração inteira, mais uma, de palestinos.

Seria de esperar que houvesse pelo menos um jornalista em algum ponto da imprensa-empresa norte-americana, que perguntasse se bombardear hospitais e matar crianças dentro das próprias casas está(ria) ajudando a fechar supostos túneis que chegariam a Israel. Mas já é pedir demais para as press-titutas/press-titutos da imprensa-empresa nos EUA.

A queda do MH17 é um álibi da imprensa-empresa para disfarçar o GENOCÍDIO de Israel em Gaza

E do Congresso dos EUA, então, esperem ainda menos! A Câmara e o Senado já aprovaram resoluções de apoio ao morticínio de palestinos por Israel. Dois Republicanos – o desprezível Lindsey Graham e o frustrante Rand Paul – e dois Democratas – Bob Menendez e Ben Cardin – apresentaram projeto de Resolução ao Senado de apoio ao assassinato premeditado de mulheres e crianças palestinas, por Israel. A Resolução foi aprovada pelo povo “excepcional e indispensável” do Senado dos EUA, por unanimidade.

Como recompensa pela política de genocídio, o governo Obama já está repassando, imediatamente, US$ 429 milhões do dinheiro dos contribuintes norte-americanos, para Israel: é o pagamento pelo mais recente massacre.

Comparem o apoio que o governo dos EUA garante aos crimes de guerra de Israel, e a massacrante campanha de propaganda contra a Rússia, alimentada de mentiras.

Os EUA estamos de volta aos tempos das MENTIROSAS “armas de destruição em massa” de Saddam Hussein; das “armas químicas” de Bashar al-Assad; das “armas atômicas iranianas”.

Washington mente tanto, há tanto tempo, que já não sabe fazer outra coisa.

Tradução: Vila Vudu

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[*] Paul Craig Roberts (nascido em 3/4/1939) é um economista norte-americano e colunista do Creators Syndicate. Serviu como secretário-assistente do Tesouro na administração Reagan e foi destacado como um co-fundador da Reaganomics. Ex-editor e colunista do Wall Street Journal, Business WeekeScripps Howard News Service. Testemunhou perante comissões do Congresso em 30 ocasiões em questões de política econômica. Durante o século XXI, Roberts tem frequentemente publicado em Counterpunch e no Information Clearing House, escrevendo extensamente sobre os efeitos das administrações Bush (e mais tarde Obama) relacionadas com a guerra contra o terror, que destruíram a proteção das liberdades civis dos americanos da Constituição dos EUA, tais como habeas corpus e o devido processo legal. Tem tomado posições diferentes de ex-aliados republicanos, opondo-se à guerra contra as drogas e a guerra contra o terror, e criticando as políticas e ações de Israel contra os palestinos. Roberts é um graduado do Instituto de Tecnologia da Geórgia e tem Ph.D. da Universidade de Virginia, com pós-graduação na Universidade da Califórnia, Berkeley e na Faculdade de Merton, Oxford University.

A relevância do Banco Mundial

Por Rogério Studart, via Brasil Econômico

Africa Today/Reprodução

A criação do Banco dos Brics tem gerado intenso debate sobre o Grupo Banco Mundial e sua relevância para o Brasil e para o mundo

O interessante é que essa discussão tem sido também intensa dentro da própria instituição, desde a eleição do novo presidente Jim Yong Kim, que deslanchou recentemente uma enorme reforma interna visando um papel mais proeminente da instituição no desenvolvimento no mundo. Terá sucesso?

O Grupo Banco Mundial constitui-se de quatro agências voltadas para o desenvolvimento. O Bird é uma mescla de banco e cooperativa internacional, já que capta junto ao mercado de capitais e empresta a países de renda média a um custo baixo, possibilitado por um capital exigível bem mais elevado que o subscrito e pela cláusula de credor principal que possui com todos seus clientes/membros.

Seu lado “cooperativa” vem do fato de a instituição cobrar o mesmo custo para todos os clientes, apesar de terem ratings e custos de transação distintos. Isso significa que, por um lado, alguns clientes grandes (como, por exemplo, o Brasil e a China) geram lucros significativos para a instituição, utilizados para subsidiar empréstimos para países com ratings mais baixos e custos de operação maiores. Por outro lado, o Bird também faz transferências a para a AID (Associação Internacional de Desenvolvimento), que é um fundo de doações voltado para o financiamento de países mais pobres (a maioria na África, mas também em todos os continentes), e que tem tido como maiores doadores os Estados Unidos e a Inglaterra — mas também, em menor escala, economias emergentes, inclusive o Brasil.

O IFC (Corporação Financeira Internacional) por sua vez financia o setor privado, não possui capital exigível, e, portanto, capta e empresta a taxas de juros mais elevadas. Mesmo assim, também utiliza seus lucros para financiar operações com economias de risco maior e também realiza transferências para a AID. Por último, a Miga (Agência Multilateral de Garantia de Investimentos) é uma agência de garantia de risco político.

A percepção da perda de relevância do grupo está relacionada a pelo menos quatro fatores: uma estrutura de governança anacrônica em vista da atual geopolítica mundial; uma agenda e um mandato que foram ampliados ao longo da sua existência, em função das novas necessidades do desenvolvimento, mas também das prioridades determinadas pelos seus maiores acionistas; a fragmentação das operações entre as suas principais agências; e uma base de capital e capacidade financeira extremamente limitadas, face às necessidades dos seus clientes.

Esses fatores são interrelacionados. A estrutura de governança gera enormes distorções sobre o mandato, as operações e mesmo a estrutura operacional. Isto porque o controle acionário é de um grupo relativamente limitado de economias em desenvolvimento, que também possuem maioria no Conselho de Administração. Com isso, as prioridades estratégicas, políticas operacionais e mesmo a alocação de recursos passam a refletir muito mais as perspectivas e visões estabelecidas do Norte do que necessariamente as necessidades dos países em desenvolvimento. Também refletindo essa governança desbalanceada, a estrutura corporativa fragmentou-se ao longo dos anos, e setores internos às quatro agências passam a representar “as paixões e os interesses” dos distintos acionistas majoritários, inclusive com orçamentos financiados por fundos fiduciários dos mesmos.

O excessivo poder de voto (e de veto) das economias desenvolvidas também termina por gerar fortes restrições a reformas do poder de voto, que não só aumentariam a legitimidade da instituição mas também poderiam permitir uma recapitalização das instituições com recursos de economias emergentes, como os Brics. Foi exatamente isso que ocorreu com a reforma de 2008, e que deverá ter sua primeira revisão periódica em 2015.

Ao longo dos cinco anos de mandato de Robert Zoellick como presidente, o Grupo cumpriu o mandato do G20 e ampliou enormemente seus empréstimos como contribuição do esforço anticíclico global. Com isto, Jim Yong Kim, eleito em 2012, herdou instituições com base de capital insuficiente, fragmentadas internamente e com insuficiente sinergia entre elas, com mandatos sobrepostos e muitas vezes conflitantes e com um orçamento gigante — um verdadeiro “House of Cards” com mais de 10 mil funcionários. Seu primeiro ato de reforma foi “re-ancorar” a instituição em somente dois mandatos fundamentais: a redução da pobreza extrema e da desigualdade.

Assim, como outros presidentes fizeram, elaborou com o auxílio de consultores externos e ampla consulta interna um plano de reestruturação significativa, voltado a romper com os “feudos”, facilitar os fluxos de comando, aumentar a sinergia entre as instituições do Grupo e estimular os fluxos de informações e conhecimento. Junto com a nova estrutura organizacional, renovou a liderança administrativa através de seleções competitivas de dezenas de posições na alta administração do Banco. Por fim, lançou uma iniciativa ousada de redução de custos, voltada primordialmente a aumentar as receitas líquidas e a base de capital do Grupo.

As reformas de Kim parecem ser condição necessária para um Grupo Banco Mundial mais relevante, e por isso nós acionistas a apoiamos. Mas uma pergunta sempre fica no ar: são suficientes? Se minha análise estiver correta, no longo prazo a governança desequilibrada é a raiz dos demais problemas. Sem mudá-la, rapidamente as mesma distorções, os mesmos vícios e a mesma cultura Norte-Sul se reproduzirão. Os Brics apoiaram e torcemos pelo sucesso do presidente Jim Kim, e esperamos contar com ele na aspiração por um Grupo Banco Mundial mais democrático e inclusivo. Mas, pelo sim e pelo não, criamos o Novo Banco de Desenvolvimento.

Rússia: Avião de combate ucraniano voava próximo ao boeing 777 da Malaysia Airlines

Via Telesur

A rota do Boeing 777, voo MH17 da Malaysia Airlines desviou 14 quilômetros ao norte segundo os rastreamentos. (Foto: EFE)

O Ministério da Defesa da Rússia assegurou, nesta segunda, que um avião de combate Su-25 ucraniano voava a cerca de 5 quilômetros da aeronave abatida da Malaysia Airlines. Este tipo de avião é dotado de sistema de mísseis ar-ar R-60, capazes de derrubar alvos à curta distância

O Ministério da Defesa da Rússia informou, nesta segunda, que os sistemas de rastreamento militares russos captaram a movimentação de uma aeronave militar ucraniana, mais precisamente um avião de ataque Su-25, que se aproximou cerca de 5 quilômetros do avião malaio abatido na última quinta.

A rota do boeing se encontrava em área em que operavam as Forças Armadas da Ucrânia, tendo desviado 14 quilômetros para norte.

“Registramos um avião da Força Aérea ucraniana em ascensão, este estava em torno de 3-5 quilômetros de distância”, assinalou.

“As características do Su-25 permitem que este alcance a altura de 10 mil metros, disse o general Andréi Kartopólov.

Explicou ainda que o Su-25 “está dotado de misseis ar-ar R-60 capazes de abater alvos a até 12 quilômetros de distância e impactar seguramente objetos situados a 5 quilômetros”.

“Prova do relatado é um vídeo obtido pelo centro de reconhecimento de Rostov”, afirmou Kartopólov, acrescentando que “Nos interessa saber a resposta da seguinte pergunta: Com que objetivo este avião ucraniano voava numa rota civil e no mesmo nível que o voo do boeing malaio?”

O alto funcionário do exército russo voltou a confirmar que a Rússia não entregou sistemas antiaéreos Buk a milícia popular que atua no leste da Ucrânia.

As equipes de resgate encontraram 282 dos 298 cadáveres das pessoas que se encontravam no avião.

Entrega dos dados sobre a catástrofe

O Ministério da Defesa russo anunciou a entrega, ontem, de todos os materiais relacionados com a catástrofe do Boeing aos especialistas malaios e europeus.

“Os materiais recolhidos pelo Ministério da Defesa russo serão entregues hoje aos especialistas dos principais estados europeus e a Malásia”, declarou Kartopólov na apresentação.

Tradução: Rennan Martins

Os “separatistas pró-Rússia” ajudaram os EUA?

Destroços do boeing 777, voo MH17, da Malaysia Airlines. Euronews/Reprodução

Por Rennan Martins

(Alerta: Texto repleto de ironias)

Enquanto assistimos os EUA, a Ucrânia e toda a mídia ocidental, partes de todo desinteressadas na tragédia, na atrocidade ocorrida com o voo MH17 da Malaysia Airlines, apontar o dedo para Putin e os separatistas do leste, só podemos chegar a conclusão, ainda que sem provas, de que realmente foi a Rússia quem é culpada por este atentado. Neste caso, o que vale é a velha prática da repetição incansável que torna uma mentira, verdade.

Moradores da região de Bagdá observam estragos de explosão na véspera do aniversário de dez anos do início da guerra no país. REUTERS/Mohammed Ameen

Afinal, os anteriores casos de intervenção da OTAN, leia-se Iraque, Afeganistão e Líbia, foram um “sucesso”. As acusações histéricas, bem similares as que vemos atualmente nos noticiários, foram confirmadas e o Ocidente levou dignidade e democracia para os povos.

Deixemos de lado o sumiço da gravação das comunicações entre a aeronave e a torre de controle de Kiev, capital ucraniana. Os “democratas” do Euromaidan, aqueles que em Odessa incendiaram a Casa dos Sindicatos, assassinando 38 pessoas, já comprovaram total lisura e comprometimento com princípios humanistas.

Pravy sector, grupo neonazista que contribuiu no golpe na Ucrânia. Para os EUA, guerreiros da democracia.

Também precisamos ignorar a ausência de imagens e do rastreamento dos três caminhões necessários para operar um sistema antiaéreo Buk: o de comando, o do radar e o de disparo do projétil. É perfeitamente plausível a hipótese dos radares de Kiev e do sistema orwelliano de espionagem de Washington não terem captado estas movimentações.

Após todas as reações internacionais, é imperativa a constatação de que os “separatistas pró-Rússia” prestaram um valioso serviço a seus inimigos.

Na semana passada, antes deste incidente, Washington impunha mais sanções econômicas à Rússia. Seus parceiros da União Europeia preferiram não aderir. No mesmo dia de anúncio das medidas, diversos setores empresariais norte-americanos as desmoralizaram por meio de publicações na mídia corporativa. Alegavam que a Casa Branca se encontrava isolada na iniciativa e que as sanções somente serviam pra que perdessem espaço no mercado para os europeus.

Enquanto pela América Latina, o que se via era Putin percorrendo uma série de países, se aproximando política e comercialmente deles. O BRICS criou o Novo Banco de Desenvolvimento e o Arranjo de Reservas Contingentes. Estes fatos denotaram um verdadeiro furo ao bloqueio que EUA/UE estavam impondo à Moscou.

O que ocorreu, com os EUA assistindo impotentes, foi a criação dos primeiros organismos econômico-financeiros internacionais os quais não estarão sob tutela dos próprios. Para Washington, que se guia pelo princípio de contenção e isolamento de qualquer potência que ameace seu posto, o giro de Putin na região que é considerada seu quintal, e a concomitante ascensão formal do BRICS, é interpretado como verdadeira afronta a sua hegemonia.

Relembremos as linhas gerais da doutrina norteadora das relações internacionais dos EUA, a Wolfwoitz:

“Nosso primeiro objetivo é impedir a re-emergência de um novo rival, seja no território da ex-União Soviética ou em qualquer ponto, que represente ameaça da ordem que exerceu, antes, a União Soviética. Essa é a consideração dominante que subjaz à nova estratégia regional de defesa, e exige que trabalhemos para impedir que qualquer potência se imponha, numa região cujos recursos, sob controle consolidado, bastarão para gerar poder global.”

E então temos que, providencialmente, um avião comercial, repleto de civis das mais variadas nacionalidades, foi abatido pelos capangas de Putin. E o que ocorreu posteriormente?

O que vemos agora é a Alemanha, a Inglaterra e a França convencidas de que precisam impor mais sanções à Rússia. Vimos também o congresso norte-americano aprovar medidas de “ajuda” a seu governo vassalo de Kiev. A Ucrânia ainda beneficiou-se de todo ódio que grande parte do ocidente dirige agora aos separatistas, o que ajudará ainda mais no sentido de fecharmos os olhos para as atrocidades que o governo ucraniano comete reiteradamente na região.

Considerando o veredito final, desprovido de provas, de que os “separatistas pró-Rússia” são os autores deste atentado ao voo MH17 da Malaysia Airlines, é forçoso reconhecer ao menos que, os desdobramentos do evento foram completamente pró-EUA. Intrigante.

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PS do autor: O uso excessivo de ironias neste artigo pode ter comprometido seu entendimento. Esclareço.

O que quis dizer foi que é muito mais provável de terem sido os ucranianos quem derrubaram o voo MH17. Eles possuem motivação, já provaram falta de escrúpulo e ainda se beneficiam da situação atual. Talvez nunca saibamos o conteúdo das comunicações entre a aeronave e a torre de controle de Kiev, mas é preocupante o silêncio absoluto em torno do assunto.

O que vejo é o mesmo teatro o qual Washington encenou antes das guerras do Iraque, Afeganistão e Líbia. Tudo indica que este atentado foi uma falsa bandeira, um “empurrãozinho” que a Ucrânia deu aos EUA.

Voo MH-17: um “atentado” suspeito demais

Por Paul Craig Roberts, via Outras Palavras

Tentativa de culpar Rússia sem evidências sugere o pior: isolados e em declínio, EUA tentariam manter supremacia por meio de provocação e guerra permanentes

As sanções unilaterais impostas pelos EUA e anunciadas por Obama em 16/7, bloqueando o acesso a financiamentos bancários de empresas russas de armas e energia, comprovam a impotência de Washington. O resto do mundo, incluindo duas das maiores associações comerciais dos EUA, já deram as costas ao presidente.

A Câmara de Comércio dos EUA e a Associação Nacional de Fabricantes [orig. National Association of Manufacturers] fizeram publicar anúncios e emitiram opiniões nas páginas do New York Times, Wall Street Journal e Washington Post protestando contra as sanções inventadas pelos EUA. A Associação Nacional de Fabricantes disse que “estamos desapontados com os EUA, por ampliarem sanções unilaterais de modo que muito prejudica a posição comercial norte-americana no mundo.” A Agência Bloomberg noticia que “reunidos em Bruxelas, líderes da União Europeia recusaram-se a acompanhar as medidas impostas pelos EUA.”[3]

Na tentativa de isolar a Rússia, o insano habitante da Casa Branca isolou Washington.

As sanções não terão efeito sobre empresas russas. As empresas russas podem obter mais financiamentos do que carecem, de bancos chineses, franceses e alemães.

Os três traços que definem a cidade de Washington – arrogância, soberba e corrupção –, também emburrecem a capital norte-americana e a fazem incapaz de aprender. Gente arrogante, tomada de soberba, nunca aprende. Quando encontram resistência, respondem com propinas, ameaças e coerção. A diplomacia exige capacidade razoável para aprender com os erros — os próprios e os dos outros; mas já há anos Washington esqueceu a diplomacia. Washington só conhece a força bruta.

Consequentemente, os EUA, com as sanções, só são capazes de solapar o próprio poder e a própria influência. As sanções só têm estimulado os países a se afastarem do sistema de pagamentos em dólares, que é o fundamento do poder norte-americano.

Christian Noyer, presidente do Banco da França e membro do Conselho de Administração do Banco Central Europeu, disse que as sanções de Washington estão afastando as empresas e os países do sistema de pagamentos em dólares. A soma gigantesca de dinheiro que os EUA assaltaram, sob a forma de “multa” aplicada ao banco francês BNP Paribas, por manter transações com países que os EUA “desaprovam”, mostra bem claramente os graves riscos que ameaçam todos os que ainda insistam em negociar em dólares, quando os EUA ditam as regras que bem entendam.

O ataque dos EUA contra o banco francês serviu para que muitos recordassem as numerosas sanções passadas e se pusessem em alerta contra sanções futuras, como as que ameaçam o banco Commerzbank da Alemanha. Já é inevitável um movimento para diversificar as moedas usadas no comércio internacional. Como Noyer destacou, o comércio entre a Europa e a China não precisa do dólar e pode ser integralmente pago em euros ou renminbi.

O fato de os EUA imporem regras só deles a todas as transações denominadas em dólares, em todo o mundo, está acelerando o movimento de países que se afastam do sistema de pagamento na moeda norte-americana. Alguns países já criaram acordos bilaterais com seus parceiros comerciais, para que os pagamentos se façam nas respectivas moedas próprias.

Os países BRICS já estão estabelecendo novos métodos de pagamento, independentes do dólar, e estão criando seu próprio fundo monetário, para financiar seus negócios.

O valor do dólar dos EUA como moeda de troca depende de seu papel no sistema internacional de pagamentos. Se esse papel vai desaparecendo, também começa a sumir a demanda por dólar e o valor de troca do dólar. A inflação entrará na economia dos EUA via preços de importações, e os norte-americanos, já tão pressionados, verão cair ainda mais os seus padrões de vida.

No século 21, a cada dia menos gente confia nos EUA. As mentiras de Washington, como “armas de destruição em massa” no Iraque (que nunca existiram); “armas químicas usadas por Assad” (que jamais as usou); e “armas atômicas do Irã” (que absolutamente não existem) já são tratadas como absolutas mentiras por outros governos. São mentiras e mais mentiras, que os EUA usam para destruir países e ameaçar outros países com destruição, para manter o mundo em eterno sobressalto.

Washington nada tem a oferecer ao mundo, que consiga acalmar o sobressalto e a aflição que os EUA distribuem pelo planeta. Ser nação amiga de Washington implica aceitar todas as suas chantagens. E muitos já começam a concluir que a amizade não compensa o preço altíssimo que custa.

O escândalo da espionagem universal pela Agência de Segurança Nacional dos EUA contra o mundo, e a recusa dos EUA a se desculparem e desistirem da prática reiterada daqueles atos aprofundaram ainda mais a desconfiança, que já se vê hoje até entre os próprios aliados dos EUA. Pesquisas, em todo o planeta, mostram que outros países veem os EUA como a maior ameaça à paz.

Nem o próprio povo norte-americano confia no governo dos EUA. Pesquisas mostram que ampla maioria de norte-americanos entendem que os políticos, a imprensa empresarial prostituída [orig. presstitute media] e grupos de interesses privados, como Wall Street e o complexo militar/de segurança, violentam todo o sistema para servir seus próprios interesses, às custas do povo dos EUA.

O império de Washington está começando a rachar, circunstância que provoca ação desesperada. Hoje, (17/7, 5ª-feira), ouvi notícias na National Public Radio sobre um avião de passageiros malaio que caiu em território da Ucrânia. A notícia era verdadeira. Mas foi apresentada em tom de fazer crer que teria havido alguma espécie de complô urdido pela Rússia e “separatistas” ucranianos. Na BBC, mais e mais opiniões enviesadas, cada vez mais enviesadas. Até que matéria sobre as “mídias sociais” “noticiava” que o avião teria sido derrubado por um sistema russo de armas antiaéreas.

Nenhum dos “especialistas” ouvidos sequer se preocupava com o que os “separatistas” teriam a ganhar com derrubar um avião de passageiros. Nada disso. Elas já haviam decidido que a Rússia “é culpada”, o que “evidentemente” “obriga(ria)” a União Europeia a apoiar sanções ainda mais duras contra a Moscou. A BBC acompanhava o script dos EUA e “noticiava” o que Washington queria ver nas manchetes!

A operação tem, isso sim, todos os indícios de ter sido concebida em Washington. Todos os promotores oficiais de guerras rapidamente apareceram em todos os canais de televisão e em todas as manchetes. O vice-presidente dos EUA Joe Biden declarou que “a aeronave foi explodida em voo”. Que “não foi acidente”. Ora! Por que alguém teria tanta certeza, antes de qualquer confirmação oficial? Visivelmente, Biden não procurava culpar o governo ucraniano. Claro que quem abateu a aeronave em “pleno voo” foi… a Rússia! É o modo como Washington opera: grita “culpado!” tantas e tantas vezes, até que já ninguém se lembre de exigir provas.

O senador John McCain pôs-se imediatamente a “declarar” que havia cidadãos norte-americanos no avião, o que bastava para ele “exigir” ações punitivas contra a Rússia (tudo isso antes de alguém conhecer a lista de passageiros do avião e as causas da queda).

As “investigações” estão sendo feitas pelo regime de Kiev, fantoche de Washington. Acho que já se poderia escrever a conclusão hoje, sem investigar coisa alguma.

É alta a probabilidade de que apareçam provas fabricadas, como as provas fabricadas que o secretário de Estado Colin Powell dos EUA apresentou à ONU, para “provar” a existência das inexistentes “armas de destruição em massa” iraquianas. Washington safa-se há tanto tempo, com tantas mentiras, golpes, encenações e crimes, que já se convenceu de que se safará sempre.

No momento em que escrevo, não há ainda informação confiável sobre o avião, mas a velha pergunta dos romanos vale sempre: cui bono? Quem se beneficia?

Os “separatistas” nada têm a ganhar com derrubar um avião de passageiros, mas Washington, sim, tinha “bom” motivo: culpar a Rússia. E bem poderia ter também um segundo motivo. Dentre os muitos rumores, há um rumor que diz que o avião presidencial do presidente Vladimir Putin voava rota semelhante à do avião malaio, com diferença de 37 minutos entre um e outro avião. Esse rumor disparou especulações de que Washington teria decidido livrar-se de Putin, mas errou o alvo: tomou o avião malaio pelo jato presidencial russo. O site Russia Today (RT) noticia que os dois aviões teriam aparência semelhante.

Antes de começarem a “explicar” que Washington seria sofisticada demais para ‘errar’ de avião, lembro que quando os EUA derrubaram um avião iraniano no espaço aéreo do Irã, a Marinha dos EUA “explicou” que “pensara” que os 290 civis assassinados naquele atentado estivessem num jato iraniano, um F-14 Tomcat, jato de combate fabricado pelos EUA, e muito usado também pela Marinha dos EUA. Ora! Se a Marinha norte-americana não consegue distinguir nem entre um jato de combate que usa todos os dias, e um avião de passageiros iraniano… é claro que os EUA podem se atrapalhar e confundir dois aviões de passageiros que, como diz RT são, sim, até que “parecidos”.

Durante toda a matéria da BBC, publicada para inventar a culpa da Rússia, nenhum “especialista” lembrou-se do avião iraniano de passageiros que os EUA “abateram em pleno voo”. Ninguém “exigiu” sanções contra os EUA.

Seja qual for o desfecho do incidente com o avião malaio, os fatos indicam um perigo na política soft de Putin contra a intervenção armada e violentíssima dos EUA na Ucrânia. A decisão de Putin, de responder com diplomacia, não com recursos militares, às provocações de Washington na Ucrânia, deu vantagem inicial ao governante russo – como se comprova na reação da UE e de associações de empresários norte-americanos contra as sanções de Obama. Contudo, ao não impor fim imediato, por meios militares, ao conflito que Washington patrocina e comanda na Ucrânia, Putin deixou a porta aberta para os crimes e complôs que Washington está maquinando — e que são especialidade dos EUA.

Se Putin tivesse aceitado o pedido dos antigos territórios russos do leste e sul da Ucrânia, para se reincorporarem à Rússia, o imbróglio ucraniano teria acabado já há meses; e a Rússia não estaria exposta a tantos riscos.

Putin não colheu o benefício de ter-se recusado a enviar soldados para os antigos territórios russos: a posição oficial” de Washington é que há soldados russos operando na Ucrânia. Quando os fatos não ajudam a “confirmar” o que mais interessa à agenda de Washington, “dá-se um jeitinho” nos fatos.

A imprensa empresarial norte-americana culpa Putin; já decidiram que o presidente russo é autor de toda a violência na Ucrânia. É coisa inventada na cabeça de Washington, mas “virou fato” nos jornais e televisões: é o que basta como justificativa para qualquer sanção.

Dado que não há prática ou ato, por sujos que sejam, que Washington não abrace, Putin e a Rússia estão expostos a alto risco de se tornarem vítima de atentados graves ou dos golpes mais abjetos.

A Rússia parece hipnotizada pelo Ocidente, sob forte motivação para ser incluída como parte. Esse anseio por ser aceita trabalha a favor da agenda e dos golpes de Washington.

A Rússia não precisa do Ocidente; a Europa, sim, precisa da Rússia. Opção interessante para a Rússia é cuidar de seus interesses e esperar que a Europa a procure, interessada.

O governo russo não deve esquecer que a atitude de Washington em relação à Rússia é modelada pela “Doutrina Wolfowitz”, que diz:

“Nosso primeiro objetivo é impedir a re-emergência de um novo rival, seja no território da ex-União Soviética ou em qualquer ponto, que represente ameaça da ordem que exerceu, antes, a União Soviética. Essa é a consideração dominante que subjaz à nova estratégia regional de defesa, e exige que trabalhemos para impedir que qualquer potência se imponha, numa região cujos recursos, sob controle consolidado, bastarão para gerar poder global.”

Tradução: Vila Vudu

BRICS: Um Acrônimo contra o Anacronismo

Por Marcelo Zero, via facebook

Quando o economista do Goldman Sachs, Jim O´Neill, cunhou, em 2001, o acrônimo BRIC, referindo-se aos megapaíses emergentes Brasil, Rússia, Índia e China, o termo não passava de uma expressão vazia, um mero exercício intelectual que pretendia denotar a crescente importância desses países para os investidores das nações mais desenvolvidas e seu potencial de gerar bons negócios para as firmas das grandes nações industrializadas. Os BRICs eram apenas uma nova fronteira de investimentos que se abria, no quadro de uma geoeconomia rigorosamente dominada pelos mesmos players de sempre.

Mal sabia ele que, 13 anos depois, em Fortaleza, os BRICs, agora transformados em BRICS, com a adição da África do Sul, já seriam um importantíssimo e atuante bloco, que vem transformando a velha geoeconomia mundial.

Com efeito, na recente cúpula realizada na capital do Ceará, os BRICS fizeram algo que era impensável há uma década. Eles criaram seu próprio banco de investimentos, o Banco dos BRICS, e seu próprio Arranjo de Contingente de Reservas para ajudar países em dificuldades.

Esses dois arranjos financeiros não surgiram por acaso ou por mera afirmação de status econômico. Eles sugiram de uma necessidade: as velhas instituições multilaterais surgidas no longínquo ano de 1944, em Bretton Woods, o FMI e o Banco Mundial, já não conseguem lidar com os desafios postos pela nova geoeconomia mundial.

Trata-se de instituições esclerosadas, cuja governança não incorpora os interesses e os anseios dos novos atores globais. Elas continuam nas velhas mãos das antigas potências, agora fortemente atingidas pela crise mundial. A tentativa de abrir mais espaço para os países emergentes nessas instituições multilaterais esbarrou no Congresso dos EUA, o qual não aprovou a modificação nas cotas e no sistema de votação do FMI e do Banco Mundial. Os EUA e a Europa continuam a ser seus mandantes privilegiados.

É uma situação absurda. Afinal, os BRICS têm 42% da população mundial e 26% do território do planeta. São responsáveis por 20% da economia mundial e 15% do comércio internacional. Não bastasse, eles detêm 75% das reservas monetárias internacionais. Além disso, os BRICS foram responsáveis por 36% do crescimento da economia mundial, na primeira década deste século. Com a recessão nos países mais desenvolvidos, esse número pulou para cerca de 50%, mesmo com a desaceleração recente do crescimento desse bloco.

Em outras palavras, a importância dos BRICS não é só avassaladora, como vem crescendo ano a ano.

Esses países precisam de novas fontes de financiamento para criar a infraestrutura que vai sustentar seu desenvolvimento. As velhas instituições não atendem mais a essa e outras necessidades. E elas não atendem não somente por insuficiência de recursos e porque são dominadas pelas potências tradicionais, mas também pela forma como operam. São instituições dominadas por ideias obsoletas.

No caso do FMI, isso é evidente. Esse fundo sempre funcionou para a implantação de políticas pro-cíclicas em países em dificuldades. Políticas que agravam as recessões e impõem um fardo pesadíssimo às populações dos países “beneficiários”. Nossa população e a população da América do Sul de um modo geral sabem bem disso. A da Grécia também.

Em contraste, o Arranjo de Contingência criado pelos BRICS para socorrer nações em dificuldades financeiras não deverá impor políticas suicidas e contraproducentes para levar efetivo alívio a países em crise. A Argentina, ameaçada pelos “fundos abutres” e pela decisão monocrática de um juiz norte-americano que coloca em xeque a sua soberania, poderá ser o primeiro beneficiário dessa nova alternativa ao velho FMI.

Com essas iniciativas reveladas em Fortaleza, os BRICS assumiram um protagonismo à altura do seu peso e influência na nova geoeconomia mundial. Mais: eles contribuíram para deitar as bases para a construção de uma ordem econômica mais solidária e mais aberta aos interesses, normalmente negligenciados, dos países em desenvolvimento. Uma ordem econômica mais voltada ao combate às assimetrias entre os países e à inclusão social. Uma ordem econômica mais dedicada à redução da pobreza e mais consentânea com os novos Objetivos do Milênio da ONU.

Na reunião de Fortaleza, a aproximação dos BRICS à Unasul, promovida pelo Brasil, também denotou a preocupação do BRICS com a promoção da prosperidade dos demais países em desenvolvimento.

Enganam-se, contudo, aqueles que consideram os BRICS somente uma associação de caráter econômico. Na realidade, com a nova geoeconomia, na qual os BRICS são grandes atores em ascensão, cria-se também, inexoravelmente, uma nova geopolítica e uma nova geoestratégia.

Portanto, é inevitável que os BRICS assumam, cada vez mais, uma atitude propositiva no cenário mundial, inclusive no que tange às questões relativas à segurança e à paz internacional.

A este respeito, alguns analistas conservadores gostam de assinalar que os BRICS incluem países muito diversos, que têm dificuldades em identificar interesses comuns, principalmente em áreas sensíveis e estratégicas.

De fato, há ampla diversidade nos BRICS. Diversidade geográfica, econômica, social e cultural. Nesse bloco, há países da Ásia, da América Latina, da África e da Europa. Há economias importadoras de commodities e exportadoras de commodities. E não só há diferentes culturas nos BRICS, mas também distintas civilizações. China e Índia têm civilizações próprias e milenares. Brasil, África do Sul e Rússia são, até certo ponto, caudatários da civilização ocidental, com nuances culturais muito significativas e específicas.

Porém, tal diversidade não está impedindo que os BRICS venham assumindo, em período recente, um papel propositivo e uma voz alternativa ao discurso dominante das velhas potências, em várias questões globais e regionais.

Isso ficou muito claro após a reunião de cúpula dos BRICS na África do Sul, em 2013. Com efeito, a Declaração de E-Thekwini, dela emanada, abordou temas sensíveis e importantes da geopolítica mundial, tais como Síria, Palestina, o processo de paz no Oriente Médio, Irã e seu programa nuclear, Afeganistão, terrorismo, segurança cibernética, a situação na República Democrática do Congo, etc. Em todos esses complexos tópicos, já há uma notável convergência de posições, que tende a se aprofundar ainda mais.

Mais recentemente, a crise na Ucrânia, que afeta diretamente a segurança da Rússia, estimulou maior aproximação desse país com a China, o que tende a isolar e enfraquecer as ações dos EUA e da Europa na Eurásia. Tal aproximação, embora não envolvesse todos os BRICS, é uma demonstração evidente da disposição de alguns de seus membros de se antepor diretamente, quando necessário, às pretensões hegemônicas das velhas potências.

Mas a voz alternativa dos BRICS é ainda mais consistente e relevante em dois temas cruciais para o mundo e para a constituição de uma nova ordem mundial mais simétrica e multipolar: a preservação do sistema de segurança coletiva da ONU, frequentemente enfraquecido por ações unilaterais, e o fortalecimento do multilateralismo assentado no direito internacional público.

Os BRICS defendem a exclusiva legitimidade da ONU na promoção de intervenções que visem à manutenção paz e da segurança internacionais. Os países que o compõem apoiam os princípios da Responsabilidade de Proteger, emanado, em 2005, da Assembleia Geral das Nações Unidas, mas defendem que qualquer ação feita com base nesse princípio deva ter um claro mandato do Conselho de Segurança da ONU.

Essas posições políticas crescentemente convergentes dos BRICS são importantes não apenas pela relevância desses países no cenário mundial, mas justamente por sua ampla diversidade. Com efeito, a diversidade dos BRICS, é, nesse sentido, uma óbvia vantagem, pois ela, juntamente com a importância dos seus países, dá grande legitimidade às suas declarações e ações.

Quando os BRICS falam, falam três bilhões de pessoas, falam quatro continentes, fala o novo polo dinâmico da economia mundial e falam também três grandes civilizações do planeta e suas distintas variantes culturais. Por conseguinte, trata-se de uma voz que tem muito mais legitimidade que o ruído das bombas das ações unilaterais realizadas sem a anuência do Conselho de Segurança da ONU.

Os BRICS, além de indutores do desenvolvimento, são, por conseguinte, uma nova e poderosa voz numa velha ordem mundial unipolar, que vem perdendo, dia após dia, legitimidade e capacidade de mediar conflitos e promover a paz e a segurança.

Essa velha ordem mundial está assentada no aprofundamento das assimetrias e na força militar da grande superpotência, que, em conjunto, geram insegurança e o agravamento dos conflitos. Sua célere obsolescência advém precisamente dessa característica combinada da ilegitimidade no uso da força com a incompetência na mediação e solução dos conflitos.

Quando essa ordem unipolar surgiu, após o fim da Guerra Fria, alguns, como Francis Fukuyama, vaticinaram o fim da história, e outros vislumbraram a possibilidade da realização do velho sonho kantiano da paz perpétua. Contudo, passadas duas décadas, o que vê pelo mundo não é um sonho de Kant, mas um pesadelo de Clausewitz, tal a violência e o número dos conflitos sem mediação e solução.

Trata-se, assim, de uma ordem mundial inteiramente obsoleta e anacrônica, que necessita de reformas urgentes em todos os níveis: econômico, financeiro, político e institucional. Não obstante, os grandes beneficiários dessa ordem resistem à sua mudança e se aferram ao velho poder, que decresce com as mudanças que ocorrem na economia mundial.

Nesse contexto, os BRICS podem e devem ter voz ativa e papel propositivo na construção de uma nova ordem mundial mais justa, democrática, simétrica, inclusiva e multipolar. E o Brasil, país que se destaca entre os BRICS por seu soft power e pelo êxito na redução de suas desigualdades, pode contribuir muito com esse objetivo maior.

Assim sendo, a reunião de Fortaleza, na medida em que aprovou ações concretas e decisivas desse novo e poderoso bloco, deve ser considerada, com toda justiça, como um marco histórico nas relações internacionais.

Órgãos da imprensa mundial assim a reconheceram. Pena que a nossa mídia tenha decidido tratá-la com certa indiferença, tendo sido até levianamente sugerido, por alguns velhos “formadores de opinião”, que o objetivo da cúpula era dar palanque à presidenta.

Nossa mídia, ou parte dela, demonstra, desse modo, que pode ser bem mais anacrônica que a obsoleta ordem mundial. Merece até um novo acrônimo: VIL (Velha Imprensa Leviana).

Voo MH17 da Malaysia Airlines é abatido sobre zona de guerra na Ucrânia. Quem está por trás disto? Cui bono?

Por Tony Cartalucci, via Global Research

Nenhuma outra conjuntura desde o início da crise ucraniana seria mais conveniente, para a OTAN e o governo subserviente de Kiev, do que a atual para a queda do Boeing 777 da Malaysia Airlines.

A cartada final dos EUA havia sido outra rodada de sanções, a qual foi imediatamente ridicularizada e definida como impotente e inefetiva. Até mesmo os interesses corporativo-financeiros condenaram estas sanções, clamando serem “unilaterais” e, portanto, limitavam empreendimentos norte-americanos com a Rússia deixando os competidores europeus livres para ocupar o espaço. Uma política de confronto, contenção e enfraquecimento da Rússia exigiria sanções multilaterais de suporte quase unânime – porém, o ímpeto para este tipo de sanções não existia – até agora.

A US Federal Aviation Administration declarou interditado o espaço aéreo ucraniano há 3 meses

De fato, agora as estrelas se ajustaram para a OTAN. Enquanto a Federação de Administração da Aviação dos EUA (FAA) declarou interditado o espaço aéreo ucraniano para todas as aeronaves sob sua jurisdição, outros voos prosseguiram passando pela zona de guerra por meses. O The Atlantic, em artigo intitulado, “The FAA’s Notice Prohibiting Flights Over Ukraine”, assim publicou:

As autoridades da aviação tinham conhecimento de que aquela área era perigosa?

Sim, certamente sabiam. Há quase três meses, na seção “Special Rules” de seu site, a US Federal Aviation Administration ordenou aos pilotos, empresas, voos oficiais norte-americanos, e a todos sob sua jurisdição, que não voassem sobre a Ucrânia.

Os separatistas usam sistemas de defesa portáteis que não podem alcançar 33.000 pés

Há meses os separatistas do leste ucraniano têm abatido helicópteros, aviões de guerra e de transporte de equipamentos militares – sempre usando diversos modelos de misseis antiaéreos portáteis a homens – todos incapazes de atingir o malasiano 777 que voava a aproximadamente 33.000 pés – muito acima dos armamentos antiaéreos portáveis por homens.

O sistema responsável por atingir o voo MH17 foi o sofisticado Buk, com mecanismo de guia por radar, um veículo do porte de um tanque de guerra, que porta um sistema antiaéreo. O New York Daily News, em artigo de título “Malaysia Airlines plane feared shot down in Ukraine near Russian Border”, publicou:

Anton Gerashenko, um assessor do ministro do interior da Ucrânia, disse via facebook que o avião estava voando a uma altitude de 33.000 pés quando foi atingido por um míssil proveniente de um sistema antiaéreo Buk, reportou a Interfax, agência de notícias ucraniana.

O sistema antiaéreo Buk

Não está claro se os separatistas do leste ucraniano possuem algum sistema antiaéreo Buk – e mesmo possuindo, também é duvidosa a possibilidade de terem pessoal capaz de manter e operar estes. Se possuem algum sistema Buk, poucos saberiam. Kiev afirma que estes sistemas foram cedidos pela Rússia – negando, então, tacitamente, que tenham perdido algum destes de seu arsenal. Mesmo que a Rússia tenha cedido armamentos aos separatistas, não seriam sistemas Buk, pois, estes deveriam ser encaminhados diretamente a Moscou após o primeiro uso.

Cui Bono? A quem interessa esta tragédia?

A mais forte jogada russa até o momento foi o poder de restringir a OTAN, após a prória OTAN levar a Ucrânia ao caos apoiando neo-nazis armados durante o “Euromaidan”, isto ocorre desde o fim de 2013. A Rússia certamente não jogaria fora esta cartada cedendo armamentos deste porte aos separatistas que já estavam abatendo com sucesso os veículos aéreos militares de Kiev por meio dos misseis portáteis.

A Rússia e os separatistas do leste ucraniano nada possuem a ganhar abatendo um avião civil, mas sim tudo a perder – enquanto se olharmos pro lado oposto – verificamos que ganham a OTAN e o regime golpista de Kiev. O fato deste avião abatido ser outro boeing 777 malasiano – o segundo perdido este ano em circunstâncias extraordinárias – mostrou-se muito conveniente e acabou por ganhar máxima atenção dos propagandistas do Ocidente. Agora, possuem toda a atenção do mundo para, com ela, culpar a Rússia e os separatistas anti-Kiev do leste ucraniano.

O ímpeto necessário para unir a Europa e outros aliados do Ocidente em torno da OTAN e assim dar base a uma intervenção mais direta dos EUA na Ucrânia está em todas as manchetes, correndo o mundo. Se a queda do voo MH17 não foi um trágico caso de erro de identificação, então, temos que o maior beneficiado da atual configuração é, sem dúvida, a OTAN.