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Império na ofensiva

Por Igor Fuser, via Brasil de Fato

Na América Latina, o imperialismo se encontra em ple­na ofensiva para destruir o campo político progressista que tem como expressões mais importantes a Venezue­la, a Argentina e o Brasil

Em 1992, no contexto do fim da Guerra Fria e da vitória militar dos Estados Unidos sobre o Iraque na 1ª Guerra do Golfo, um grupo de altos funcionários do go­verno estadunidense, coordenado por Paul Wolfowitz, elaborou um texto com as linhas mestras para a estraté­gia de Washington após a dissolução da União Soviética.

O Relatório Wolfowitz, como ficou conhecido, estabele­ceu duas prioridades centrais. A primeira: prevenir o sur­gimento de uma nova potência capaz de desafiar os EUA em escala global. A segunda: dissuadir “potenciais com­petidores” de contrariar os interesses estadunidenses em qualquer região do planeta.

Passados mais de vinte anos, essas metas continuam a nortear a política externa dos EUA. Elas explicam a atual ofensiva do imperialismo em cenários tão dife­rentes quanto a Ucrânia, a América Latina e o Orien­te Médio.

O governo de Barack Obama agiu de modo delibera­do ao romper o equilíbrio político da Ucrânia a fim de in­cluir aquele país na Otan, com vistas a debilitar a Rús­sia (potência regional refratária aos ditames de Washing­ton), manter a União Europeia sob o controle do Tio Sam e bloquear o projeto de integração da Eurásia impulsiona­do pela Rússia e pela China (única potência em condições de rivalizar com os EUA).

Na América Latina, o imperialismo se encontra em ple­na ofensiva para destruir o campo político progressista que tem como expressões mais importantes a Venezue­la, a Argentina e o Brasil. Tanto a campanha de desesta­bilização do presidente Nicolás Maduro quanto a cum­plicidade de Washington com o ataque dos “fundos abu­tres” à Argentina obedecem à mesma lógica, de dobrar a região do mundo que mais tem se mostrado insubmissa aos EUA.

A campanha contra o Irã (outra possível potência regio­nal) e o apoio incondicional às ações genocidas de Isra­el (o pit bull de estimação do Império) estão igualmente a serviço dessa estratégia mais geral que o cientista político Immanuel Wallerstein definiu como “a tentativa de res­taurar o irrestaurável: a hegemonia estadunidense no sis­tema-mundo”. Segundo ele, “isto faz dos Estados Unidos um ator muito perigoso”.

Altamiro Borges: Flip denuncia a ditadura midiática

Por Altamiro Borges, em seu blog

Glenn Greenwald, em Paraty

A 12ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), encerrada neste domingo (3), foi um sucesso de público e de crítica. Cerca de 25 mil pessoas visitaram a bela cidade do litoral carioca e curtiram as palestras de mais de 45 escritores brasileiros e estrangeiros. Da rica programação, a mídia privada destacou apenas a presença das celebridades globais e de alguns autores de best-sellers. Ela deixou de realçar, porém, os debates mais polêmicos e instigantes, principalmente os que trataram do papel nefasto da própria mídia hegemônica na atualidade.

Num deles, o jornalista Glenn Greenwald, que ficou famoso após revelar os documentos vazados por Edward Snowden, ex-agente da Agência de Segurança Nacional (NSA) dos EUA, demonstrou como são promíscuas as relações entre o império e a mídia. Segundo matéria da Agência Brasil, o premiado repórter explicou que “o jornalismo que está sendo feito nos EUA em vez de denunciar as injustiças, endossa as violações cometidas pelas autoridades e pelo setor privado, o que ajuda a mascarar e ocultar ilegalidades que ocorrem no país. Para ele, a imprensa adotou uma falsa neutralidade que, na verdade, é uma forma de ativismo, de respaldar as ações do Estado”.

Diante da recente declaração de Barack Obama, reconhecendo que os EUA praticam a tortura, Greenwald ironizou: “A mídia americana utiliza a palavra tortura apenas quando é feita por outros países. Quando é feita pelos Estados Unidos, ela chama de técnicas de investigação rigorosas… Os que mataram civis inocentes palestinos são chamados pela imprensa de democratas lutando contra o terrorismo e os que mataram soldados israelenses são terroristas”. Para ele, o sistema que impera nos EUA é fundamentalmente corrupto e conta com a cumplicidade do Congresso, do Judiciário e da mídia, “que são controlados por atores envolvidos neste mesmo sistema”.

Em outra tenda de debate, o jornalista e escritor Bernardo Kucinski também fez ácidas críticas à mídia brasileira. “Substituíram a ditadura militar pela ditadura midiática, a dominação pelo consenso”, afirmou. Sua irmã e seu cunhado foram presos e mortos durante a ditadura, e seus corpos continuam desaparecidos até hoje. Para Kucinski, as investigações sobre estes crimes não avançam no país porque “os poderosos que apoiaram o golpe de 1964 continuam no poder”.

Fidel Castro: Holocausto palestino em Gaza

Por Fidel Castro, via Portal Vermelho

Fidel recebe o presidente da Rússia, Vladimir Putin, em Havana, em julho.

Novamente, peço ao Granma que não dedique espaço de primeiro plano a estas linhas, relativamente breves, sobre o genocídio que se está cometendo contra os palestinos. Escrevo-as com rapidez apenas para deixar constância do que requer meditação profunda.

Penso que uma nova e repugnante forma de fascismo está surgindo com notável força neste momento da história humana, no qual mais de sete bilhões de habitantes se esforçam pela própria sobrevivência.

Nenhuma destas circunstâncias tem a ver com a criação do Império Romano há cerca de 2.400 anos, ou com o império norte-americano que, nesta região do mundo, há apenas 200 anos, foi descrito por Simón Bolívar quando exclamou que: “(…) os Estados Unidos parecem destinados pela Providência a infestar a América com misérias em nome da Liberdade”.

A Inglaterra foi a primeira real potência colonial que usou seus domínios sobre grande parte da África, do Oriente Médio, da Ásia, Austrália, América do Norte e muitas das ilhas antilhanas, na primeira metade do século 20.

Não falarei, nesta ocasião, das guerras e dos crimes cometidos pelo império dos Estados Unidos ao longo de mais de cem anos, mas só registrarei o que quis fazer com Cuba, o que fez com muitos outros países no mundo e só serviu para provar que “uma ideia justa desde o fundo de uma caverna pode mais do que um Exército”.

A história é muito mais complicada do que tudo o que foi dito, mas foi assim, em grandes traços, como a conheceram os habitantes da Palestina e, é lógico, igualmente, que nos meios modernos de comunicação se reflitam as notícias que diariamente chegam; assim ocorreu com a vexatória e criminosa guerra na Faixa de Gaza, um pedaço de terra onde vive a população do que restou da Palestina independente até apenas meio século atrás.

A agência francesa AFP informou, no sábado (2): “A guerra entre o movimento islamita palestino Hamas e Israel causou a morte de cerca de 1.800 palestinos (…), a destruição de milhares de lares e a ruína de uma economia já debilitada”, ainda que não assinale, à partida, quem iniciou a terrível guerra.

Depois adiciona: “(…) no sábado, ao meio-dia, a ofensiva israelense havia matado 1.712 palestinos e ferido 8.900. As Nações Unidas puderam verificar a identidade de 1.117 mortos, majoritariamente civis. (…) A Unicef contabilizou ao menos 296 menores [de idade] mortos”.

“As Nações Unidas estimaram (…) (cerca de 58.900 pessoas) sem casas na Faixa de Gaza.”

“Dez dos 32 hospitais fecharam e outros 11 foram afetados.”

“Este enclave palestino de 362 quilômetros quadrados não dispõe tampouco das infraestruturas necessárias para os 1,8 milhão de habitantes, sobretudo em termos de distribuição de eletricidade e de água.”

“Segundo o Fundo Monetário Internacional, a taxa de desemprego ultrapassa 40% na Faixa de Gaza, território submetido, desde 2006, a um bloqueio israelense. Em 2000, o desemprego afetava cerca de 20% e, em 2011, cerca de 30%. Mais de 70% da população depende da ajuda humanitária em tempos normais, segundo o Gisha [Centro Legal para a Liberdade de Movimentação].”

O governo de Israel declara uma trégua humanitária em Gaza às 07h00 (hora de Greenwich) desta segunda-feira (4), entretanto, às poucas horas rompeu a trégua ao atacar uma casa em que 30 pessoas, em sua maioria mulheres e crianças, foram feridas e, entre elas, uma menina de oito anos, que morreu.

Na madrugada deste mesmo dia, 10 palestinos morreram como consequência dos ataques israelenses em toda a Faixa e já subiu a quase dois mil o número de palestinos assassinados.

A matança chegou a tal ponto que o “ministro das Relações Exteriores da França, Laurent Fabius, anunciou nesta segunda-feira que o direito de Israel à segurança não justifica o ‘massacre de civis’ que está perpetrando”.

O genocídio dos nazistas contra os judeus colheu o ódio de todos os povos da terra. Por que acredita o governo desse país que o mundo será insensível a este macabro genocídio que hoje está cometendo contra o povo palestino? Por acaso se espera que ignore quanto há de cumplicidade por parte do império norte-americano neste massacre desavergonhado?

A espécie humana vive uma etapa sem precedentes na história. Um choque de aviões militares ou aeronaves de guerra que se vigiam estreitamente ou outros fatos similares podem desatar uma contenda com o emprego das sofisticadas armas modernas que se converteria na última aventura do conhecido Homo sapiens.

Há fatos que refletem a incapacidade quase total dos Estados Unidos para enfrentar os problemas atuais do mundo. Pode-se afirmar que não há governo nesse país, nem o Senado, nem o Congresso, a Agência Central de Inteligência, o Pentágono, que determinarão o desenlace final. É triste, realmente, que isso ocorra quando os perigos são maiores, mas também as possibilidades de seguir adiante.

Quando houve a Grande Guerra Patriótica, os cidadãos russos defenderam seu país como espartanos; subestimá-los foi o pior erro dos Estados Unidos e da Europa. Seus aliados mais próximos, os chineses, que, como os russos, obtiveram a sua vitória a partir dos mesmos princípios, constituem hoje a força econômica mais dinâmica da terra. Os países querem yuanes, e não dólares, para adquirir bens e tecnologia e incrementar o seu comércio.

Novas e imprescindíveis forças surgiram. Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, cujos vínculos com a América Latina e com a maioria dos países do Caribe e da África, que lutam pelo desenvolvimento, constituem a força que, em nossa época, está disposta a colaborar com o resto dos países do mundo sem excluir os Estados Unidos, a Europa e o Japão.

Culpar a Federação Russa pela destruição, em pleno voo, do avião da Malásia é de um simplismo desconcertante. Nem Vladimir Putin ou Serguei Lavrov, ministro das Relações Exteriores da Rússia, nem os demais dirigentes deste governo fariam, jamais, semelhante disparate.

Vinte e seis milhões de russos morreram na defesa da Pátria contra o nazismo. Os combatentes chineses, homens e mulheres, filhos de um povo de cultura milenar, são pessoas de inteligência privilegiada e espirito de luta invencível, e Xi Jinping é um dos líderes revolucionários mais firmes e capazes que já conheci na minha vida.

Fidel Castro Ruz

4 de agosto de 2014

22h45

Fonte: Granma

Tradução de Moara Crivelente, da Redação do Vermelho

Ministra das Relações Exteriores do Reino Unido pede demissão em Gaza

Via Channel 4

A baronesa Sayeeda Warsi, ministra sênior das Relações Exteriores, pediu demissão do governo por discordar das decisões tomadas em torno da crise de Gaza.

tweetbaronesa

A Baronesa Warsi escreveu ao primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, seu pedido de demissão. O Channel 4 News já havia revelado na semana passada as profundas discordâncias da ministra em torno da abordagem do governo ao conflito em Gaza, o qual vitimou 1.834 palestinos, a maioria civis, e 64 israelenses, quase todos militares.

15 minutos após postar um tweet no qual anuncia sua demissão, este foi retweetado 2.630 vezes.

Sua demissão é um dos maiores protestos internos contra as políticas governamentais em Gaza.

Na carta de demissão, a ex-ministra alega que “a abordagem (governamental) e sua narrativa durante toda a crise em Gaza são moralmente indefensáveis, não condizem com os interesses britânicos e terão um impacto representativo na reputação do país, internacional e domesticamente”.

Na carta ela ataca também o novo secretário do exterior Philip Hammond, dizendo que seu predecessor, William Hague, tinha “restaurado o poder de decisão e a dignidade do gabinete das relações exteriores” , e que atualmente existe uma “grande apreensão” entre “os ministros e oficiais do governo com ‘as recentes decisões’”.

Ontem, o deputado conservador Crispin Blunt pediu maiores pressões em todas as partes envolvidas no conflito, afirmando também que o bombardeio a escola das Nações Unidas por parte de Israel foi um “ato criminoso”.

Na última quinta, a também deputada conservadora, Margot James, escreveu ao secretário Philip Hammond, apelando para uma reflexão em torno da questão de Gaza.

Esta demissão se dá enquanto o último acordo de cessar fogo vigora e com o anúncio da retirada das tropas do território de Gaza por parte de Israel.

Tradução: Rennan Martins

Pepe Escobar: A Plutocracia Ocidental lança a caça ao urso

Por Pepe Escobar, via Asia Times Online

O status quo pós-Guerra Fria na Europa Ocidental está morto.

Para a plutocracia ocidental, aquele 0,00001% do topo, os reais Patrões do Universo, a Rússia é a meta final; tesouro imenso de recursos naturais, florestas, água limpa, minérios, petróleo e gás. Mais do que suficiente para levar ao êxtase qualquer jogo de guerra orwelliano/Panopticon NSA-CIA. Como meter as garras e lucrar de tão formidável butim?

Entra em cena a OTAN-Globocop. Nem bem acabaram de terem seus traseiros coletivos chutados por um bando de guerrilheiros de montanha armados com Kalashnikovs, os exércitos da Organização do Tratado Atlântico Norte já lá se vão, pivoteando-se rápido – o mesmo velho jogo Mackinder para Brzezinski – para a Rússia. O mapa do caminho será arrematado na reunião do grupo no início de setembro em Gales.

Entrementes, a tragédia do MH17 passa por rápida metamorfose. Se se combinam (i) as observações no local feitas por investigador canadense da Organização de Segurança e Cooperação da Europa (OSCE) (assistam cuidadosamente ao vídeo[1]) e (ii) a análise feita por um piloto alemão,[2] surge forte probabilidade que aponta para um jato Su-25 ucraniano que disparou canhão automático de 30mm contra a cabine do MH17, o que levou a descompressão massiva e à queda.

Nada de míssil – nem mesmo algum R-60M ar-ar, e nem se fala de BUK (estrela da boataria inicial frenética disparada pelos norte-americanos). A nova possível narrativa combina perfeitamente com o que disseram testemunhas oculares em matéria da BBC[3] agora famosa por ter sido “desaparecida” da página da BBC. Resumo da ópera: o caso MH17 tem tudo para ter sido operação de ‘falsa bandeira’, desgraçadamente planejada pelos EUA e desgraçadamente executada por Kiev. Não se consegue nem imaginar as repercussões geopolíticas tectônicas se, por acaso, todo o ‘plano’ for exposto em todos os verdadeiros pormenores.

A Malásia entregou os gravadores de voo aos britânicos, o que significa “OTAN”, o que significa que serão manipulados pela CIA. O voo AH5017 da Air Algerie caiu depois do MH17. A análise dos gravadores já foi divulgada. Só falta explicar por que é preciso tanto tempo para analisar/apagar/reescrever os registros das caixas prestas do MH17.

E aí começa o jogo das sanções: a Rússia é culpada de tudo – sem prova alguma –, então, tem de ser castigada. A União Europeia seguiu abjetamente a Voz do Dono e adotou todas as sanções mais linha-dura contra a Rússia que discutiram semana passada.

Mas há buracos. Moscou terá acesso reduzido aos mercados de dólar norte-americano e euro. Bancos estatais russos estão proibidos de vender ações ou títulos do ocidente. Mas o Sberbank, maior banco da Rússia, não foi sancionado.

Quer dizer: no curto e no médio prazo, a Rússia terá de se autofinanciar. Ora, bancos chineses podem facilmente suprir esse tipo de empréstimo. Não esqueçam a parceria estratégica Rússia-China. Como se Moscou precisasse de mais algum aviso de que o único modo de seguir adiante é afastando-se cada vez mais do sistema do dólar norte-americano.

Países da União Europeia serão atingidos. Coisa grossa. A British Petroleum é dona de 20% da Rosneft, e já está com a boca no trombone. ExxonMobil, Statoil norueguesa e Shell também serão afetadas. Nenhuma sanção contra a indústria do gás; mas isso, afinal, já seria impulsionar a estupidez contraproducente da União Europeia para dimensões galácticas. A Polônia – que culpa histericamente a Rússia por todos os males do mundo – recebe da Rússia mais de 80% do gás que consome. E 100%, no caso dos não menos estridentes estados do Báltico, bem como a Finlândia.

O banimento de bens de duplo uso – que tenham aplicações civis e militares – afetará pesadamente a Alemanha, principal exportador da União Europeia para a Rússia. Na defesa, Reino Unido e França sofrerão; o Reino Unido tem nada menos que 200 licenças para vender armas e dispositivos de lançamento de mísseis para a Rússia. Mas o negócio francês de 1,2 bilhão de euros (US$1,6 bilhão) em barcos Mistral de guerra para a Rússia, esse, prosseguirá normalmente.

Enquanto isso, no front da demonização…

O que a Associated Press publica como se fosse “análise” e distribui para jornais e jornalistas em todo o mundo é isso:[4] coleção de clichês desesperadamente à procura de uma ideia. Dmitri Trenin, do Carnegie Moscou Center,[5] sem trair quem lhe paga as contas, acerta umas poucas coisas mas, na maioria, erra. David Stockman[6] pelo menos acerta uma, ao desconstruir as mentiras do Estado-de-Guerra-Perpétua.

Mas quem diz tudo, coisa-com-coisa, é, definitivamente, Sergei Glazyev, conselheiro econômico de Putin.[7] Uma de suas teses centrais é que o business europeu tem de ser realmente muito cuidadoso e proteger seus interesses contra as tentativas dos EUA de “incendiar uma guerra na Europa e uma Guerra Fria contra a Rússia”.

Esse é o conselho bomba atômica recentíssima (de 10/6), oferecido por um Glazyev composto, calmo e claro.[8] Assistam atentamente ao vídeo. É exposição detalhada do que Glazyev vem dizendo já há semanas; misturada com alguns importantes Comentários[9] no blog do Saker, leva a uma conclusão inevitável: setores chaves da plutocracia ocidental querem uma guerra ainda não muito bem definida contra a Rússia. E o Santo Graal do jornalismo (“nunca acredite em coisa alguma, até que haja desmentido oficial”[10]) – já o comprovou que querem.

O plano A da OTAN é instalar baterias de mísseis na Ucrânia; já está sendo discutido em detalhes nas reuniões preparatórias para a reunião de cúpula da OTAN em Gales no início de setembro. Desnecessário dizer, se isso acontecer, já estará muito além da linha vermelha, do ponto de vista de Moscou; implica capacidade para primeiro ataque junto às fronteiras ocidentais da Rússia.

O plano A curto de Washington, enquanto isso, é instalar uma cunha entre os federalistas no leste da Ucrânia e a Rússia. Implica financiar diretamente, progressivamente, o governo de Kiev, ao mesmo tempo em que vai construindo (via conselheiros dos EUA que já estão em campo) e armando pesadamente, um enorme exército ‘por procuração’ para operar à distância (até o final de 2014 serão 500 mil, segundo a projeção de Glazyev). O fechamento da jogada em campo será cercar os federalistas numa área bem pequena. O presidente Petro Poroshensko da Ucrânia já anda dizendo que acontecerá no início de setembro. Se não, até o final de 2014.

Nos EUA e em grande parte da União Europeia está em curso uma grotesquerie monstruosa, que apresenta Putin como o novo bin Laden stalinista. Até aqui, a estratégia de Putin para a Ucrânia tem sido a paciência – que tenho chamado de Vlad Lao Tzu – assistindo enquanto a gangue de Kiev se autoenforca,[11] ao mesmo tempo em que tenta conversar de modo civilizado com a União Europeia para construir alguma solução política.

Agora talvez tenha de encarar uma mudança de jogo, porque aumentam as provas, que a inteligência russa e Glazyev estão fazendo chegar a Putin, de que a Ucrânia é um campo de batalha; que há movimento organizado para uma ‘mudança de regime’ em Moscou; que há projeto para desestabilizar a Rússia; que há, até, possibilidade de uma provocação definitiva.

Moscou, aliada aos BRICS, trabalha ativamente para escapar do sistema do dólar norte-americano – que é a âncora de uma economia de guerra dos EUA baseada na impressão de grandes quantidades de papel verde sem valor real. O progresso é lento, mas tangível; não só os BRICS, mas também aspirantes aos BRICS, o G-77, o Movimento dos Não Alinhados (MNA), todo o Sul Global estão absolutamente fartos dos desmandos e provocações ininterruptas do Império do Caos, e querem outro paradigma nas relações internacionais. Os EUA contam com a OTAN – que manipulam à vontade – e com Israel-cachorro-louco; e talvez com o Conselho de Cooperação do Golfo, as petromonarquias sunitas parceiras na carnificina em Gaza, que podem ser compradas/silenciadas com um tapinha na mão.

Putin deve estar enfrentando tentação sobre humana de invadir o leste da Ucrânia em 24 horas e reduzir a pó as milícias de Kiev. Especialmente ante a cornucópia da demência sempre crescente por ali; mísseis balísticos na Polônia e em breve na Ucrânia; bombardeio indiscriminado contra civis no Donbass; a tragédia do MH17; a demonização histérica, pelo ocidente.

A paciência do urso tem limites

Mas Putin parece que gosta, mesmo, de jogo demorado. A janela de oportunidade para ataque relâmpago já passou; aquele movimento de kung fu que teria paralisado a OTAN onde estivesse, ante um fato consumado, e a limpeza étnica de 8 milhões de russos e russófonos no Donbass nunca teria se desenvolvido.

Seja como for, Putin não “invadirá” a Ucrânia, porque a opinião pública russa não aprova a invasão. Moscou manterá o apoio ao movimento no Donbass que é uma resistência de facto. Lembremos que, mais dois meses, menos dois meses, e entrará em ação o General Inverno naqueles infelizes, saqueados pelo FMI campos ucranianos.

O plano de paz alemão-russo que vazou[12] será implementado sobre o cadáver coletivo de toda a Washington governamental. Esse Novo Grande Jogo, em grande medida, também tem a ver com impedir a integração econômica da Rússia na União Europeia via a Alemanha, parte de uma plena integração eurasiana, que inclui a China e suas muitíssimas Rotas da Seda.

Se o comércio da Rússia com a União Europeia – cerca de US$410 bilhões em 2013 – deve sofrer um golpe por causa das sanções, isso também faz pensar em movimento “Para o Leste!”. Isso implica que a Rússia trabalhará na sintonia fina do projeto da União Econômica Eurasiana.[13] Nada mais de Europa Expandida, de Lisboa a Vladivostok – ideia original de Putin. Entra em cena a União Eurasiana, como irmã em armas das muitas Rotas da Seda da China. Ainda assim, tudo isso faz pensar numa forte parceria Rússia-China no coração da Eurásia – e continua a ser anátema total para os Patrões do Universo.

Que ninguém se engane: a parceria estratégica Rússia-China continuará a andar muito rapidamente – com Pequim em simbiose com os imensos recursos naturais e militares tecnológicos de Moscou. E ainda nem se falou dos benefícios estratégicos. Problema será explicar por que não aconteceu antes, desde o tempo de Genghis Khan. Mas Xi Jinping não está interessado em dar uma de Khan e dominar a Sibéria e o resto todo, adiante.

A Guerra Fria 2.0 é agora inevitável, porque o Império do Caos jamais aceitará a influência da Rússia sobre partes da Eurásia (como tampouco aceita a influência da China). E jamais aceitará a Rússia como parceira igual (excepcionalistas não se dão bem com igualdades). E jamais perdoará Rússia – com China – por ter abertamente desafiado a já rachada ordem mundial excepcionalista imposta pelos EUA.

Se o estado profundo nos EUA, guiado por aquelas nulidades que se fazem passar por líderes, em desespero, der um passo adiante – pode ser um genocídio no Donbass; um ataque da OTAN contra a Crimeia; ou, no pior cenário imaginável, um ataque contra a própria Rússia –, atenção. Porque o urso golpeará.

Referências:

[1] http://www.cbc.ca/news/world/malaysia-airlines-mh17-michael-bociurkiw-talks-about-being-first-at-the-crash-site-1.2721007?cmp=rss&partner=sky

[2] http://www.anderweltonline.com/wissenschaft-und-technik/luftfahrt-2014/shocking-analysis-of-the-shooting-down-of-malaysian-mh17/

[3] https://www.youtube.com/watch?v=zUvK5m2vxro

[4] http://www.washingtonpost.com/world/europe/ap-analysis-putin-cornered-over-ukraine/2014/07/31/dc11e97a-18cd-11e4-88f7-96ed767bb747_story.html

[5] http://carnegie.ru/2014/07/09/ukraine-crisis-and-resumption-of-great-power-rivalry/hfgs

[6] http://davidstockmanscontracorner.com/on-dominoes-wmds-and-putins-aggression-imperial-washington-is-intoxicated-in-another-big-lie/

[7] 18/6/2014, “Para pôr fim às guerras dos EUA em todo o planeta: Assessor de Putin propõe ‘Aliança Antidólar’”, Tyler Durden, ZeroHedge, trad. em http://redecastorphoto.blogspot.com.br/2014/08/para-por-fim-as-guerras-dos-eua-em-todo_2.html

[8] https://www.youtube.com/watch?v=nWT5HM_NMlI&list=PLHS4KH8qkEfbz57RrnjwbBnmjBLz_A7qU%20-%20t=10

[9] http://vineyardsaker.blogspot.com.br/2014/07/could-glazev-be-right-request-for-your.html

[10] http://rt.com/uk/176824-cameron-world-war-ukraine/

[11] http://orientalreview.org/2014/07/30/the-slow-motion-collapse-of-the-ukrainian-state-and-the-radas-capitulation/

[12] http://www.independent.co.uk/news/world/europe/land-for-gas-secret-german-deal-could-end-ukraine-crisis-9638764.html

[13] http://rt.com/business/162200-russia-bealrus-kazakhstan-union/

A vitória dos abutres é o símbolo máximo do capitalismo financeiro

Por Rennan Martins

A decisão favorável aos ditos fundos abutres, por parte da corte de Nova Iorque e seu juiz Thomas Griesa, que forçaram a Argentina ao calote técnico, evidenciam a face imperialista e as contradições irreconciliáveis do capitalismo financeiro desregulado. Esta questão também se posta como um divisor de águas no campo econômico.

Antes de prosseguir na análise, convém recapitular alguns fatos. No dia 26 de junho o Estado argentino foi impedido pela corte norte-americana citada de continuar pagando sua dívida com os credores que a reestruturaram, 93% deles, enquanto não quitasse a parte devida a aqueles que se recusaram a entrar em acordo.

O montante desse pagamento em específico é de 1,3 bilhão de dólares mais juros, e pra esse há reservas. A ameaça reside na cláusula Rufo, que prevê igual tratamento aos credores. Se acionada, a dívida saltará para mais US$ 100 bilhões. As reservas internacionais argentinas são de US$ 28 bilhões.

Os fundos NML Capital, Aurelius e Blue Angel ganharam a alcunha de abutres porque compraram estes papéis após a moratória de 2001, quando estes nada valiam, esperando receber o valor de face judicialmente. Os lucros são de 1600%.

E é este o panorama que contradiz o capitalismo financeiro e seu mentor ideológico, o liberalismo.

Considerando que a decisão judicial impede a Argentina de pagar os credores que aceitaram a reestruturação e que a cláusula que gera o impasse das negociações, a Rufo, vence dia 31 de dezembro deste ano, é possível imputar ao juiz, no mínimo, falta de razoabilidade.

O senhor Thomas Griesa poderia ter permitido a continuação dos pagamentos a maioria esmagadora, 93%, enquanto as negociações com os discordantes continuariam. Eventualmente, a Rufo expiraria e a amarra estava desfeita.

Mas não. É preciso pagar integralmente aos especuladores. Seus lucros de 1600% têm primazia frente a todo um povo que pagará com recessão, desemprego e crise os empréstimos. Estes, irônica e cruelmente, tomados em grande parte, pelos mesmos apóstolos do mercado quando presidentes, Menem e De La Rua.

Estes senhores, quando chefes do executivo argentino, recebiam todo tipo de honras e elogios da Casa Branca, do FMI e do Banco Mundial. Após as ordens dos gurus destas instituições resultar na maior moratória da história, todos saíram de fininho julgando os políticos incompetentes e lavando a mão de qualquer responsabilidade. Faltou mercado, disseram cinicamente.

Os caminhos do chamado liberalismo, trilhados desde Pinochet, Reagan e Thatcher, nos trouxeram ao divisor de águas. Diversas partes que sempre apoiaram estes rumos da economia, agora se mostram reticentes diante desta investida. O Financial Times e a Itália tomaram o lado argentino, o que é emblemático.

A decisão da corte de Nova Iorque, como dito reiteradas vezes, abre um precedente perigoso para todo o sistema financeiro internacional, tornando muito complicada a possibilidade de reestruturação de dívidas. O nobel em economia, Joseph Stiglitz, a define como bomba. Bomba essa que mina a “confiança” e a “transparência”, tão apreciadas pelo mercado.

E eis que temos então a Argentina, que sob a retórica liberal foi dominada e posta de joelhos, conhecendo o imperialismo especulativo em sua forma mais crua. E os abutres, que seguindo estritamente o mantra do maior egoísmo para o maior bem comum, acabam por ameaçar as próprias bases do capitalismo financeiro.

Os abutres, isolados do mundo

Por David Cufré, via Carta Maior

Não deixa de chamar atenção que a Argentina obtenha apoio de parte de alguns símbolos desses setores, como o editorialista estrela do Financial Times.

O papel da Argentina no Consenso de Washington desde o início dos anos 90 lhe rendeu conhecimento internacional. A vontade política expressada pelo menemismo para levar adiante uma política de organização social baseada nos critérios do mercado acumulou elogios dos centros de poder globais.

Simbolicamente, os Estados Unidos até suprimiram o requisito de tramitar visto aos cidadãos argentinos para entrada em seu território. Cada assembleia do Fundo Monetário Internacional era propícia para colocar a Argentina como exemplo de país sério, ordenado, capaz de deixar para trás suas contradições e se atirar em um sistema econômico moderno.

Neoliberalismo em seu estado puro: redução do Estado à sua expressão mínima, livre fluxo de entrada e saída para os capitais especulativos, primazia da valorização financeira sobre a produção, abertura comercial, privatizações – hidrocarbonetos, energia elétrica, telecomunicações, transporte, serviços básicos, indústrias-chave como a siderurgia, a naval e a aeronáutica, espectro radioelétrico e até confecção de passaportes – entrega ao setor financeiro a administração das aposentadorias e desregulamentação trabalhista. Todas essas políticas tiveram sua tradução institucional em leis, decretos e resoluções.

Também houve acordos internacional que tornaram ainda mais profunda a marca do caminho traçado. Atualmente, alerta-se em toda sua dimensão o que significou ceder à solução legal de controvérsias com títulos da dívida nos tribunais dos Estados Unidos. E antes, já haviam sido comprovados os efeitos de aceitar o Ciadi, o tribunal do Banco Mundial para dirimir eventuais conflitos com as privatizadas. Os Tratados Bilaterais de Investimento que floresceram na América Latina acabaram por empacotar a soberania jurídica e outorgá-la aos países mais poderosos.

Se fossem analisadas uma por uma todas as políticas que alimentaram aquela Argentina que acabaria estalando em 2001, seria fácil encontrar nos arquivos documentos e declarações dos “líderes do mundo”, enfatizando sua admiração por tanto compromisso argentino com suas ideias. Conseguiram uma identificação assustadora com os interesses econômicos de seus países, empresas e capitais como se fossem de interesse nacional. Que a Repsol assumisse o controle da YPF, por exemplo, seria o melhor para a Argentina porque permitiria que fizesse render em todo seu potencial as riquezas subterrâneas, algo que a gestão estatal não poderia fazer.

A imprensa local mais influente fez um empréstimo valioso para viabilizar politicamente iniciativas que atentavam contra as maiorias. Os sócios locais daqueles capitais e companhias estrangeiras também fizeram sua parte e, neste bloco, se destacaram – e ainda se destacam – os economistas, que conseguiram ser apresentados pela mídia como gurus. Nesta tarefa sempre foi muito útil a utilização de eufemismos ou conceitualizações vaporosas: a Argentina deveria ser um país sério, moderno, integrado ao mundo.

A eclosão de 2001 varreu com essa estrutura argumentativa e o que ficou à vista de todos foi a realidade. Já não havia maquiagem suficiente para tapar os resultados da doutrina neoliberal, que o país havia abraçado com tanto entusiamo.

Os mesmos “líderes mundiais” que tinham enchido a Argentina de elogios não tiveram vergonha de esconder quanto ganharam seus países, empresas e capitais e colocaram a culpa do ocorrido na “irresponsável” dirigência política local, que não teve a capacidade de fazer o ajuste como deveria. Em todo caso, a administração política local ganhou o “que se vayan todos” por ter seguido de forma tão potente os comandos que chegavam de Washington.

Tanto cinismo, por fim, abriu uma brecha para um projeto político diferente daquele desenvolvido até então. O processo aconteceu com caraterísticas semelhantes na América Latina. E as respostas da imprensa dominante também foram semelhantes. A técnica do eufemismo, apesar de tudo, não desapareceu. Nestes dias de dura luta travada com os fundos abutres, fui ler o jornal La Nación. Em suas páginas, pediu “plasticidade” por parte do governo para resolver o conflito.

Plasticidade, neste caso, seria aceitar as condições dos abutres, que entregariam o país a julgamentos multimilionários, fazendo ruir a reestruturação da dívida de 2005 e 2010.

Mas há uma novidade nesta etapa, que contrasta com o que aconteceu até 2001.

As mensagens que chegam dos espaços de poder internacionais não são uniformes. Não há um discurso único como o que havia até então. Isso talvez seja a melhor expressão da decomposição pela qual atravessa um sistema econômico global monopolizado por setores financeiros.

Neste contexto, a briga da Argentina com os fundos abutres se transformou em um leading case. Completa uma etapa iniciada em 2008 com a crise das hipotecas subprime nos Estados Unidos. A principal potência mundial experimentou na própria pele os efeitos da desregulação financeira. Isso sacudiu o tabuleiro. Estados Unidos e Europa deveriam aceitar, por exemplo, a convocatória do G-20 para canalizar a situação, dando espaço na mesa de tomada de decisões países em ascensão, como os Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) e outros países, em um mundo multipolar.

O reconhecimento internacional para a Argentina nos anos 90 vinha pela direita. Agora, não deixa de chamar atenção que o país obtenha apoio de parte de alguns símbolos desses setores, como o editorialista estrela do Financial Times ou a mesmíssima Anne Krueger, outrora número dois do FMI em 2001. A lista de países e instituições que apoiam a posição do governo – um governo progressista, de ruptura com o establishment financeiro, que fez a maior quitação na maior reestruturação da dívida da história – é impactante. E isso também diz respeito ao fato de a economia internacional estar no meio de algo, de um processo que não se sabe onde vai terminar, mas que apresenta questionamentos cada vez mais firma sobre as bases que pautaram seu funcionamento por quatro décadas.

Houve, na sexta-feira (25), uma nova demonstração neste sentido. Mais de uma centena de parlamentares italianos assinaram uma declaração em apoio à Argentina no conflito com os fundos abutre. Afirmaram que “chegou o momento de superar o caos normativo existente em nível internacional para a reestruturação de dívidas soberanas”. A iniciativa foi assinada por 105 legisladores de diversos partidos políticos. O texto proclama a necessidade de “regras e procedimentos de gestão acordados em nível internacional para a reestruturação das dívidas soberanas”. “Casos deste tipo revelam a ausência das regras e normas claras, que envolvem os mercados financeiros em escala internacional, e podem ter consequências graves para um país soberano e para a estabilidade de todo o sistema econômico internacional”, enfatizaram.

Nesse sentido, entenderam que “esta dramática eventualidade” –como se referem ao caso argentino– poderia ter “repercussões mais do que graves, tanto no plano interno argentino”, como sobre “o sistema econômico e financeiro internacional”.

Diante deste panorama, os legisladores disseram que “urge retomar nas instituições financeiras (FMI e Banco Mundial) o caminho para o estabelecimento de um conjunto de procedimentos de gestão acordados, em nível internacional, para a reestruturação das dívidas soberanas”.

Na mesma linha, o secretário adjunto da Comissão Econômica para América Latina e o Caribe (Cepal), Antonio Prado, advertiu que a sentença do juiz Griesa “atenta contra o sistema financeiro internacional, porque constitui um precedente que pode obstaculizar outros processos de reestruturação da dívida soberana”. “O caso da Argentina é um leading case para a comunidade internacional, que evidencia um vazio jurídico e deve dar lugar para reformas que permitam proteger os bens comuns”, afirmou o funcionário, ao falar diante do Conselho Sul-americanos de Finanças, em sessão realizada no Palácio San Martín.

Tais manifestações de apoio ao país e questionamentos sobre a falta de regulamentação internacional dos mercados são um elemento que o governo deve continuar considerando nesta briga com os abutres, pois “estar isolados do mundo” já não é mais uma opção.