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Professor da UFMT do campus de Barra do Garças é o primeiro Brasileiro indicado ao prêmio Nobel da Educação

Por Francisco José | Via Cenário MT

Márcio Andrade Batista é mestre em Engenharia química e está terminando seu doutorado na Universidade Federal de Uberlândia. Paulista, Marcio se mudou para Barra do Garças – MT em 2010, onde ministra aulas na UFMT. Mas o que tem de diferente na história de Marcio? Bem simples, ele está concorrendo o “Global Teacher Prize”, o prêmio Nobel da Educação, Marcio é o primeiro brasileiro a ser indicado ao prêmio.

A premiação é nada mais nada menos do que US$ 1 milhão, são 50 candidatos de 29 países. O anúncio do vencedor será no mês de Março em Dubai.

Márcio nos deu uma entrevista exclusiva, da qual falou a respeito da premiação, sua carreira profissional, perspectivas para a ciência brasileira e pontos de vista a respeito da educação do nosso país.

Como funciona essa seleção?

É o que chamam na academia de memorial, as coisas que você fez que podem ser consideradas relevantes e contribuiu para o status da sua profissão.

Foram quantos projetos desenvolvidos até hoje?

Nossa, mais de 50 projetos. Todos os alunos que eu orientei foram indicados a prêmios, alguns foram premiados e outros se tornaram professores.

O senhor já está produzindo novos inventos?

Já, estou produzindo a melhoria da lâmpada de Mozart, o filtro bactericida de casca de barú… tem muitas coisas que estou tocando simultaneamente.

O senhor nunca comercializou algum desses inventos?

Não, eu sou professor universitário, a universidade me paga para retribuir a sociedade, e é isso que eu faço.

A sociedade é grata ao senhor?

Eu não sei, não tenho esse retorno. Falando do prêmio Global Teacher Prize, foram 8 indicados americanos ao prêmio, eles foram recebidos pelo Obama, a indicada Argentina foi recebida na casa rosada, a indicada italiana foi recebida pelo primeiro ministro da Itália…

E o senhor foi recebido pela Dilma?

Não (risos), nem um tweet. Nem em Barra do Garças, nem um vereador, nada.

Falta apoio do poder público para a ciência?

Acho que cada sociedade valoriza os seus ícones.

O Brasil valoriza o que?

Não tem glamour nenhum em ser professor, não é uma profissão de status, não é tão legal quanto ser um jogador de futebol por exemplo. Esse cara que ganhou o prêmio Puskas (gol mais bonito do ano) foi recebido em Goiânia com o aeroporto interditado, foi um golaço, mas você não vai ver essa mesma repercussão com um professor que fez um projeto bacana.

O que deve ser mudado no Brasil em relação a ciência?

Ciência é um processo de longo prazo e investimento, não adianta você pensar que vai investir hoje e daqui um ano terá resultado, estamos falando talvez de décadas de investimentos pesados em ciência. Valorização da carreira docente, valorização do pesquisador, aliás, o pesquisador não é uma profissão, não existe essa classificação aqui. Para você se tornar um pesquisador no Brasil, deve-se tornar professor universitário e aí sim você acaba fazendo pesquisa. Nos Estados Unidos você pode optar por ser pesquisador ou professor, aqui não, eu por lei sou obrigado a fazer extensão, pesquisa e ensino. Agora você acha que é fácil eu sozinho fazer tudo isso? Eu tenho que ir na sociedade enxergar os problemas que ela precisa e propor uma solução, tenho que ir no laboratório desenvolver uma pesquisa e publicar e tenho que ir para a sala de aula. Se eu pudesse focar só na pesquisa, com certeza a minha produtividade com relação a isso iria aumentar. Então nós temos um longo caminho a percorrer. O sonho mesmo seria você ver um garotinho ou uma menininha falar “quando eu crescer, quero ser cientista ou pesquisador”.

Parte da culpa pelas nossas crianças e adolescentes não se interessarem por ciência é da mídia?

Eu gostaria de ver as grandes conquistas brasileiras aparecendo na TV, no jornal… a mídia poderia dar uma contribuição gigantesca para popularizar a ciência, a inovação e contribuir com a valorização da carreira docente e do pesquisador. Você já ouviu falar da Bianca, que ganhou o prêmio jovem cientista? Sendo a primeira Mato-grossense a ganhar o prêmio em 26 anos de história?

Não conhecia…

Foi a primeira do Mato Grosso, um prêmio que existe há 26 anos. Você não vê muito prazer pela ciência no Brasil. Se você digitar no “youtube” o nome “Kéfera”, vai ver vídeos com mais de 4 milhões de acessos, mais de 350 mil “likes” por vídeo. Se eu fizer um vídeo explicando o processo de fabricação da casca de castanha, que isso pode gerar um material de sustentabilidade, de baixo custo, de benefício… se eu tiver 100 likes é um efeito histórico. Eu assisti a entrevista do primeiro ministro de Portugal, cortaram ele para mostrar um jogador chegando no aeroporto. Eu gosto de futebol, adoro futebol, mas temos que colocar cada coisa no seu devido grau de importância.

Uma profissão sem Glamour e sem grandes retornos financeiros. O senhor sempre quis ser professor?

Sim, eu tive a influência de grandes professores que sabem muito bem o que é ciência, além de saber ensinar o que é ciência. Então eu já queria isso mesmo, eu fui apresentado a várias opções, mas escolhi ser professor.

Se fosse para escolher um país a fim de atuar como professor, qual país o senhor escolheria?

Brasil, sou brasileiro, gosto da terra, e já vou especificar, escolho a região em que estou. Sou Paulista. Fui convidado para dar uma palestra uma vez para uma turma de pós graduação da Univar (faculdade particular de Barra do Garças) e o pessoal falava assim, “Barra do Garças não tem opção”. Fiz uma experiência, fiquei uma semana na cidade, voltei e falei “gente, vocês estão em cima de uma mina de ouro, como não tem opções? A cidade tem um rio maravilhoso, você pode desenvolver a indústria pesqueira, você tem terra, você tem fruta, tem babaçu, barú, copaíba, mangaba. O que mais que precisa?” Eu olho e enxergo centenas de oportunidades nessa cidade, mas você tem que colocar a mão na massa e fazer acontecer.

A universidade remunera o senhor pelas pesquisas?

Não, pelo contrário, muitas vezes eu tiro dinheiro do meu bolso para bancar a pesquisa

O senhor gosta do conceito de universidade pública?

Gosto, mas a sociedade não sabe aproveitar a universidade. Enquanto existir o conceito de que a universidade é só para servir um grupo de pessoas que vão formar e ganhar dinheiro, nós estaremos andando por um caminho errado. A sociedade tem que dar uma despertada, por exemplo, vamos supor que eu tenho um açougue, preciso processar a carne, cortar, que tipo de embalagem eu vou colocar? Vai na universidade buscar ajuda, a universidade está lá para atender a sociedade. Em 5 anos de instituição eu nunca vi alguém bater na minha porta e dizer assim “eu sou um produtor de leite e quero agregar valor ao meu produto, me ajude a desenvolver uma bebida láctea?” Sim, é o meu papel, e eu não posso cobrar por isso, porque o estado já me paga para fazer isso. Esse tipo de coisa ainda precisa se espalhar um pouco mais.

Sistema Petrobras: Vale a pena vender ativos estratégicos?

Por Rubens Teixeira, Henrique Forno e Márcio Araujo | Via Nação Brasil

A decisão de investimento em qualquer setor da economia requer cuidadosos estudos de cenários econômicos para as condições de oferta e demanda no horizonte de tempo considerado, além de uma razoável dose de coragem.

Entre esses cenários, vários incluem o petróleo como matéria-prima e recurso energético predominante da economia mundial nas próximas décadas. Essa tendência, no longo prazo, pode ser questionada pela entrada de energias alternativas como a eólica e a solar, consideradas por alguns como mais limpas, mas que estão ainda a preços não muito competitivos, não devendo ameaçar tão cedo o domínio dos hidrocarbonetos, considerado fonte mais barata, mas muito poluidora.

O preço do petróleo e de seus derivados variam em função do nível da atividade econômica e da inovação tecnológica, tanto na exploração, produção, refino e logística. A logística do setor petróleo, por sua vez, é fator preponderante na sua gestão. Dados os grandes volumes e distâncias de fluidos transportados, ela influi de forma importante na formação de preço da matéria prima e seus derivados.

Em um país de dimensões continentais como o Brasil, desprestigiar a logística do petróleo é inviabilizar o desenvolvimento nacional, prejudicar o consumidor e a sociedade. O controle não apenas das reservas e produção, mas também do seu transporte e distribuição reveste-se de caráter estratégico.

Atualmente, o mercado do petróleo em todo o mundo está em baixa. São vários fatores que influenciam esse cenário. A tecnologia que permitiu a produção em larga escala do gás de xisto (shale gas) pelos EUA, junto com o desaquecimento da economia internacional e a decisão de reduzir o preço do petróleo, tomada pela OPEP, fez o preço do barril do petróleo cair. Por outro lado, as denúncias de mau uso dos recursos na Petrobras, associadas ao desaquecimento da economia brasileira, contribuíram para a desvalorização das ações daquela empresa.

Nessa conjuntura, uma eventual decisão de alienação de parte da infraestrutura de transporte do sistema Petrobras, essencial na cadeia produtiva do petróleo, adquire um caráter preocupante, por ser excessivamente focado no curto prazo e baseado em lógica mais financeira do que econômico-estratégica. Um processo de desinvestimento sem o devido cuidado com a inserção de longo prazo da empresa pode trazer graves prejuízos ao Brasil.

No atual contexto de aparente subvaloração dos papéis da Petrobras, parece ser no mínimo inoportuno alienar ativos essenciais na lógica operacional da empresa. Em um processo de desinvestimento desse tipo, pode-se atingir de forma mortal não apenas o futuro da empresa, mas, também, a estratégia de inserção internacional do país. Como exemplo, a venda do sistema de transporte por dutos fornece ao comprador praticamente o monopólio dos preços a longas distâncias no território nacional, especialmente para as áreas fora dos trajetos de navios.

A sociedade brasileira, dona majoritária do Sistema Petrobras, precisa ser protegida de decisões discricionárias que parecem resolver o problema de caixa presente, mas que podem causar prejuízos muito maiores no futuro. O gestor que faz um mau negócio tem seguro para cobrir suas decisões ruins, se não houver má fé. Porém, a sociedade não tem nenhum seguro contra um prejuízo amargo e duradouro.

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Rubens Teixeira, Henrique Forno e Márcio Araujo são doutores em economia, engenheiros e analistas do Banco Central do Brasil. São autores do livro “Desatando o nó do crescimento econômico: propostas econômicas e jurídicas para o sistema financeiro nacional”. As opiniões colocadas pelos autores deste artigo não expressam o ponto de vista da instituição a qual eles estão vinculados.

O prêmio concedido a Levy por destruir a economia brasileira

Por J. Carlos de Assis

Foto: Reuters

Joaquim Levy levou o prêmio grande de uma sinecura no Banco Mundial. É o legado por ter tornado o Brasil uma terra arrasada pelo neoliberalismo e submetida ao total descrédito perante a opinião pública e ao conjunto da cidadania. A contração da economia no ano passado terá sido de quase 5%, e a taxa de desemprego deve ter superado os 10%. Nunca antes na história deste país um tecnocrata filiado ao sistema bancário privado ousou fazer um estrago tão grade no nosso sistema público, debaixo das graças presidenciais.

A única justificativa para o prêmio no exterior seria evitar que levasse os segredos do Ministério da Fazenda imediatamente para o Bradesco, de onde saiu para salvar o país das infames “pedaladas” fiscais – um artifício contábil que só a má fé de Veja e de O Globo, e a imbecilidade de alguns comentaristas econômicos tornaram um crime de lesa pátria. Sim, porque “pedalada” fiscal é o Governo tomando emprestado do próprio Governo para cobrir despesas imediatas e pagar depois, sem qualquer efeito real nas finanças públicas!

Como Inês é morta, não vale a pena perder tempo com Levy, mesmo que os milhões de desempregados que ele provocou possam se sentir indignados com a cadeira que ganhou lá fora com altíssima remuneração. Temos trabalhos à frente. O principal deles é convencer Nelson Barbosa a indicar à Presidenta um caminho alternativo para a economia que rompa o deletério roteiro neoliberal. Com um grupo de dirigentes sindicais estive na semana passada com o governador Pezão, discutindo saídas para o Rio e para o Brasil. Eis minhas sugestões.

Em primeiro lugar, temos que tomar consciência de que, independentemente do estrago feito na governança da Petrobrás por um grupo de cinco bandidos, não é possível promover a recuperação da economia sem a retomada dos investimentos na cadeia do petróleo, nos níveis de 2014. O Governador concordou com isso e ficou de levar à Presidenta as sugestões para viabilização dos investimentos da Petrobrás a partir de três alternativas: recursos do Tesouro, empréstimo do Banco dos BRICS e pré-venda de petróleo à China.

Nada, a não ser preconceitos ideológicos, impede a utilização de uma ou de três dessas alternativas combinadas. Por exemplo, o repasse de recursos do Tesouro ao BNDES para que ele os repasse à Petrobrás, que por sua vez ofereça debêntures como garantia, é um expediente usado com grande eficácia no passado. Em 2009 e 2010, em plena crise mundial, o Tesouro repassou 180 bilhões ao BNDES para que ele irrigasse a economia. Isso foi feito, e o resultado foi um crescimento fantástico da economia em 2010.

A corja neoliberal que quer ver a Petrobrás destruída, a fim de facilitar sua privatização, diz que não pode haver empréstimo do Tesouro porque isso aumentaria a dívida pública. É puro preconceito. A dívida pública bruta cresce, enquanto a dívida líquida fica no mesmo lugar: o aumento do passivo do Tesouro é contrabalançado pelo aumento do ativo do BNDES, propriedade integral do Tesouro, e tudo fica na mesma. Ademais, a consequência do processo será a redução da  relação dívida/PIB, pela escalada do investimento, como aconteceu em 2010.

Estou descendo a esses detalhes técnicos para deixar claro que há saída para a Petrobrás, e portanto saída para o país, conforme vem defendendo a Aliança pelo Brasil. Claro, sou a favor de uma faxina em regra na governança da Petrobrás, tendo em vista a bandidagem que a acometeu nos últimos anos. Mas ela precisa ser resgatada, e logo. Sem isso, como sua participação na economia é mais de 13%, e mais de 20% considerando as cadeias produtivas que lhe estão associadas, não haverá recuperação da economia brasileira, e do emprego. Enfim, não é preciso apenas uma solução. É preciso uma solução com urgência.

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José Carlos de Assis é economista, doutor pela Coppe/UFRJ, autor de “Os sete mandamentos do jornalismo investigativo”, Ed. Textonovo, SP, 2015.

Número 3 do BrPop, especial para o Fórum Social de Porto Alegre

Por FC Leite Filho | Via Café na Política

O número 3 do jornal impresso Brasil Popular sai nesta terça-feira, dia 19, não em sua sede em Brasília, mas em Porto Alegre, que sedia, entre 22 de janeiro e 1o. de fevereiro, a edição de 15 anos do Fórum Social Mundial (FSM). Todas as suas oito páginas, que serão distribuídas a todos os participantes, são dedicadas a este debates de ideias que, “nestes 15 anos fez de Porto Alegre cidade-símbolo de rebeldia contra o neoliberalismo explorador e, ao mesmo tempo, uma usina de ideias para a construção de políticas de transformação social”.

“Pelo FSM” diz o artigo de primeira página do BrPop, passaram lideres como Lula, Hugo Chávez, Evo Morales, Hebe Bonafini, Aleida Guevara, intelectuais como Eduardo Galeano e José Saramago, ambos falecidos, movimentos sociais das mais diversas regiões do planeta defendendo suas causas, como a independência da Palestina, do Saara Ocidental, de Porto Rico, a Paz na Colômbia, etc. Os movimentos sociais de todas as causas justas encontraram aqui a sua liberdade de expressão”.

“Muitas dessas ideias, sonhos, projetos, propostas, transformaram-se em políticas públicas concretas. Bolívia, Equador e Venezuela erradicaram o analfabetismo desde o primeiro Fórum e recuperaram a soberania sobre suas fontes energéticas. No Brasil e em muitos países da América Latina reduziu-se a miséria extrema, a desnutrição infantil e ampliou-se o acesso à educação, à eletricidade, à saúde (com presença solidária de Cuba), valorizando-se o mundo do trabalho e a agricultura familiar”.

O prefeito José Fortunati comemorou a indicação feita pelo Conselho do FSM e destacou a experiência do município para empreender eventos internacionais. “A escolha comprova mais uma vez que temos infraestrutura para receber visitantes de todas as partes do mundo”, disse. Conforme o prefeito, o evento vai resgatar os grandes debates mundiais nos quais a cidade e a comunidade estão inseridas.

O secretário adjunto de Governança Local, Carlos Siegle de Souza, destacou o esforço em fazer da edição 2016 do Fórum Social Mundial um evento histórico. Ele participou da última edição, em Túnis, na Tunísia, e conversou com representantes do Conselho Internacional para colocar Porto Alegre mais uma vez como protagonista. “Conseguimos sensibilizar a organização sobre a importância dos 15 anos e a agenda passou a incluir uma edição comemorativa em janeiro no Brasil e outra em agosto, no Canadá.”

O BrPop – A edição especial do Brasil Popular sobre a 15ª Edição do FSM, que ainda traz uma análise da situação política e social da América Latina, inclusive da reincidência do neoliberalismo na Argentina e sua ameaça na Venezuela, ainda explica, em artigo do jornalista Beto Almeida, seu fundador, a função deste novo órgão da imprensa alternativa, que nasceu em dezembro de 2015, “com a missão de circular informação importante para defender a legalidade democrática do governo eleito pelo voto popular e mostrar as conquistas dos últimos 13 anos, sonegadas, distorcidas, manipuladas e até negadas pela mídia capitalista, porta-voz do golpismo que pretende entregar o petróleo do pré-sal”.

Jornal Brasil Popular se baseia no apoio de cidadãos comprometidos com esta missão e com a construção de uma mídia popular, em formato associativo e cooperativo, para suprir a falta de uma narrativa sobre as conquistas democráticas e sociais alcançadas pelo povo brasileiro, hoje ameaçadas”.

Lembra que “o jornal é um primeiro passo. Já existe um site na internet (www.brpopular.com.br) e o plano de montar uma agência de notícias de rádio, uma TV web e uma produtora de vídeos sobre temas populares. Por que nascemos? O Brasil saiu do Mapa da Fome da ONU e isso não virou manchete! O Brasil incluiu milhões de brasileiros no consumo civilizatório de eletricidade, alimento e equipamentos, e isso não virou manchete! O Brasil reduziu radicalmente a mortalidade infantil, construiu 400 novas Escolas Técnicas Públicas e Gratuitas, e mais 59 novas universidades, também públicas e gratuitas e isso não foi noticiado como se deve!”

O artigo de Beto Almeida ainda ressalta: Cansamos de ficar apenas denunciando a falta de mídia democrática, arregaçamos as mangas e estamos criando uma alternativa. O Jornal Brasil
Popular
 nasce para fazer a narrativa de como o Brasil mudou, como muitas reivindicações do Fórum de Porto Alegre viraram políticas públicas no Brasil e em outros países, como se informa em outras páginas desta mesma edição. “

Putin coloca o Ocidente numa sinuca

Via Mirtiécen | Moscou, 17/01/2016

Foto: Reuters

Especialistas da publicação belga ÁgoraVox, cujo artigo foi transmitido pela INO TV, acreditam que o presidente russo, Vladimir Putin, conseguiu mais uma vez ser mais ardiloso e, assim, enganar o Ocidente, colocando-o em “xeque-mate” ao enviar à Duma ( Parlamento russo) “um dos mais audaciosos e perigosos projetos de leis de que tem notícia a história da Rússia contemporânea, algo que pode ” criar” o pior “ciclone econômico” para os países do Ocidente.

A nova iniciativa legislativa de Putin se não vai levar ao colapso da economia, então vai mergulhar os EUA e a União Europeia em séria depressão.

A resposta russa às sanções ocidentais prevê a suspensão imediata do pagamento de empréstimos no valor superior a 700 bilhões de dólares contraídos por empresas privadas e estatais russas junto a bancos privados dos países ocidentais, os mesmos que aplicam sanções contra a Rússia, bem como junto a bancos com filiais nesses países. A medida permitirá à Rússia recuperar o dinheiro que o país está perdendo como resultado das ” manipulações do Ocidente em relação aos preços do petróleo no mercado mundial e “ataques ao rublo”". Sob tais manipulações do Ocidente, a ÁgoraVox pressupõe estar ocorrendo no mercado internacional do petróleo uma inundação de mais de 5 milhões de barris por dia” – manobra da Arábia Saudita e do New York Mercantile Exchange, com o fim de provocar uma redução nos preços do petróleo.

Putin chegou a esse extremo por causa do “sombrio” relatório do ministro do Desenvolvimento Econômico, Alekséi Liukáiev, e os prognóstico alarmantes dos peritos, prevendo a queda dos preços do petróleo a 10 dólares por barril.

Junto com a apreciação do projeto de lei de Putin foi inaugurada a Bolsa Internacional de Mercadorias e Serviços de São Petersburgo, que vai retirar a Rússia do sistema internacional do petrodólar,”terminando assim a hegemonia americana e sua capacidade para financiar guerras à custa de outros.

A ÁgoraVox observa que a mídia dos EUA faz silêncio sobre as possíveis consequênncias da resposta russa.

À espera do colapso do sistema do petrodólar Putin está vendendo petróleo e gás por ouro físico. Assim, a partir de outubro até dezembro de 2014 a Rússia comprou 55 toneladas de ouro, o que excede o volume de compras do metal precioso de todos os bancos do mundo juntos, e em médio prazo a Rússia vai se beneficiar desta estratégia, ainda que o país esteja no momento a sofrer perdas.

“Esta brilhante combinação econômica de Putin coloca o Ocidente liderado pelos Estados Unidos na posição da cobra que come o próprio rabo.”.

Assim, Vladímir Putin “dá xeque-mate” no Ocidente, resumem os especialistas.

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Tradução: Giovanni G. Vieira

Crise do petróleo começa a afetar números dos bancos

Via Folha de S. Paulo

Três dos maiores bancos dos EUA revelaram os danos causados pela queda do preço do petróleo nesta semana. Houve forte alta nos empréstimos problemáticos ao setor de energia e temores de contágio em outras carteiras.

O Citigroup, quarto maior banco norte-americano pelo critério de ativos totais, teve alta recorde, de 32%, no índice de inadimplência em empréstimos a empresas, principalmente em sua carteira de energia na América do Norte, no quarto trimestre, ante o período em 2014.

O Wells Fargo, o terceiro maior banco norte-americano pelo critério de ativos, reservou US$ 831 milhões a mais em provisões para maus empréstimos no período, além da alta de US$ 731 milhões no terceiro trimestre, principalmente por causa do setor de petróleo e gás.

Um dia antes, o JPMorgan Chase, o maior banco dos EUA, anunciou estar “observando de perto” a situação.

Se o petróleo se mantiver em seu nível atual de preço, cerca de US$ 30 por barril, o banco anunciou que seria forçado a elevar em US$ 750 milhões suas reservas contra inadimplência neste ano -o que consumiria cerca de um terço dos ganhos com a receita líquida de juros.

Além de cortes em investimentos e falência de empresas menores, a queda livre do preço do petróleo lançou os bancos em uma corrida para ver quem faz previsões mais pessimistas.

Esta semana, o Morgan Stanley se uniu ao Goldman Sachs ao prever preço de US$ 20 por barril para o petróleo, e o Standard Chartered foi além, afirmando que o preço pode cair a apenas US$ 10 antes que os administradores de investimentos “admitam que as coisas foram longe demais”.

MUDANÇA

Até agora, os grandes bancos em geral vinham oferecendo pronunciamentos reconfortantes sobre suas carteiras no setor de energia, e muitos enfatizavam que suas carteiras de empréstimo têm classificação de investimento, bem como a senioridade de suas posições dentro das estruturas de capital dos devedores.

Mas o tom das discussões esta semana, que marca o início da temporada de anúncio de resultados pelos bancos, foi notavelmente diferente.

Jamie Dimon, presidente-executivo e do conselho do JPMorgan Chase, contrariou a tendência respondendo a uma barragem de perguntas de analistas sobre o setor de energia com a afirmação de que “o pessoal do petróleo” mostrou “resistência surpreendente”.

“Lembrem-se”, ele disse, “de que esses empréstimos são lastreados por ativos. A concordata de uma empresa não significa um mau empréstimo”.

John Stumpf, presidente-executivo do Wells Fargo, instou os investidores na sexta-feira a que considerassem a exposição do banco ao setor de energia “em perspectiva”. “Deveríamos dar um passo para trás e contemplar a carteira como um todo”, ele disse a analistas, fazendo questão de contrastá-la com a dimensão da exposição do banco aos imóveis comerciais, segmento no qual “uma pequena melhora… já é ótima para esta companhia”.

Os executivos do Wells Fargo dizem que estão se preparando para preços persistentemente baixos para o petróleo. “Estamos aumentando a sensibilidade de nossa carteira tendo por base a continuação dos preços muito, muito, muito baixos para o petróleo”, disse John Shrewsberry, diretor de finanças do banco.

A posição dos bancos é incômoda. As instituições de empréstimo querem que as empresas mantenham os juros e principal em dia – e que façam o necessário para manter as linhas de crédito abertas e os poços em funcionamento. Se forem estabelecidos limites de crédito de acordo com as reservas existentes, como acontece normalmente, os bancos começam a enfrentar problemas quando há um colapso no preço da energia.

“É uma daquelas situações onde cara você perde, coroa perde também”, disse Harry Tchilinguirian, diretor mundial de estratégia para os mercados de commodities no BNP Paribas, em Londres. “Se você limita o financiamento ao setor [de exploração e produção] dos Estados Unidos, que está vivendo além de seu fluxo de caixa, corre o risco de que a produção caia e as empresas não sejam capazes de cumprir suas obrigações financeiras”.

CAUTELA

Muitos bancos adotaram postura mais cautelosa em outubro, durante a mais recente rodada de reavaliações semestrais de suas carteiras. De acordo com uma pesquisa executada no final do ano passado pelo escritório de advocacia Haynes and Boone, de Houston, as linhas de crédito das empresas estavam a caminho de um corte médio de 39%. E é provável que encolham ainda mais em abril.

“As companhias têm a tendência de recorrer às suas linhas de crédito bancário quando as demais opções se esgotam”, disse Devi Aurora, diretor sênior da Standard & Poor’s em Nova York. Quando elas se aproximarem de seu limite de crédito, “cremos que começarão a aparecer prejuízos para os bancos”.

Os analistas apontaram que quanto mais tempo o preço do petróleo ficar baixo, menos opções as companhias de exploração e produção terão. Por boa parte do ano passado, elas conseguiram negociar alongamentos de prazo e reformas nos termos de seus empréstimos, sob a suposição de que os preços se recuperariam. Ou podiam vender ativos de importância secundária, buscar capital nos mercados públicos e privados ou recorrer a contratos de hedge para garantir vendas acima dos valores de mercado.

Mas cada uma dessas rotas de fuga parece estar se fechando, agora. Muitos produtores com problemas de caixa já venderam todos os ativos que podiam, e os mercados de títulos e ações – ambos abalados pela China – estão oferecendo muito menos sustentação. Os contratos de hedge também estão secando, e sua renovação se torna cada vez mais dispendiosa, disse Kristen Campana, sócia do Bracewell & Giuliani, escritório de advocacia sediado em Houston.

E a despeito de muita conversa sobre a busca de barganhas pelos investidores financeiros, poucos deles vêm concretizando negócios. Em outubro, o grupo de capital privado Apollo Global Management e o fundo de hedge Highbridge Capital Management investiram na Miller Energy Resources, uma empresa de perfuração sediada no Texas – mas só depois que ela pediu concordata.

“Há muitos investidores fuçando”, disse Campana. “Mas a questão é, será que os preços cairão ainda mais? Talvez se eles esperarem mais um pouco consigam preço ainda melhor”.

Para os bancos, o estrago não deve ficar restrito às carteiras de energia. No passado, desacelerações no setor de energia prejudicaram economias regionais. Marianne Lake, vice-presidente de finanças do JPMorgan Chase, disse que o banco estava atento aos “efeitos colaterais” na indústria e transporte, mas por enquanto não estava observando quaisquer efeitos mais amplos sobre suas carteiras.

Mas analistas antecipam que os efeitos dos cortes de pessoal comecem a se fazer sentir muito em breve. Em uma conversa sobre resultados no mês passado, o Royal Bank of Canada afirmou ter detectado “alguns sinais iniciais de desgaste” em suas operações de varejo bancário em cidades da província de Alberta, onde o setor de energia é forte e o desemprego subiu em quase 50% no ano passado, atingindo 7% da força de trabalho.

“É um fenômeno semelhante ao que acontece nos Estados Unidos”, disse Brennan Hawken, analista de bancos no UBS. “É bom negócio ser emissor de cartões de crédito na região de Dakota, hoje?”

BANCOS REGIONAIS

Até agora, os principais problemas se fizeram sentir em bancos regionais com exposição desproporcional à energia. O BOK Financial, de Tulsa, Oklahoma, por exemplo, para o qual empréstimos ao setor de energia respondem por 20% da carteira total, anunciou esta semana que antecipava que sua provisão para inadimplência no quarto trimestre subisse a US$ 23 milhões, cerca de quatro vezes mais do que a instituição previa anteriormente.

Alguns analistas ainda desdenham a ideia de que o colapso do setor de energia possa realmente prejudicar os grandes bancos, apontando que a exposição direta deles ao setor de energia é de entre 2% e 4% – ante cerca de 33% para os imóveis residenciais. Eles apontam que a queda do petróleo também tem efeitos positivos, já que a redução no preço da gasolina deixa mais dinheiro à disposição dos consumidores.

“As pessoas odeiam bancos e querem que eles sofram”, disse Dick Bove, analista da Rafferty Capital Markets. “Mas [a pressão do setor de energia] não terá o impacto que as pessoas esperam. Não estamos em 2008″.
No entanto, Fred Cannon, diretor mundial de pesquisa na corretora Keefe, Bruyette & Woods, disse que os grandes bancos precisam se preparar. “Se o efeito se espalhar pela economia mais ampla e começarmos a ver algo parecido com o Texas dos anos 80, a história pode ser diferente”, ele disse.

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Tradução: PAULO MIGLIACCI

Cidadão russo passa 14 anos em Guantánamo sem ser acusado

Via Sputnik Brasil

A transferência do cidadão russo Ravil Mingazov do centro de detenção dos EUA na Baía de Guantánamo, em Cuba, não foi aprovada. Ele deve esperar até os Estados Unidos estarem confiante de que ele não ameaça a segurança nacional do país, disse um funcionário do Departamento de Estado à Sputnik.

“A transferência não está atualmente aprovada”, disse o oficial na quinta-feira (14). “Ele tem direito a revisão em um órgão vinculado, chamado de Conselho de Revisão Periódica, que determina se um detento representa uma ameaça contínua significativa à segurança dos Estados Unidos e <…> se o detido pode ser transferido”, disse o representante da chancelaria norte-americana.

Mingazov foi detido em Guantánamo desde 2002 sem quaisquer acusações formais apresentadas. Em novembro, o provedor dos Direitos Humanos do Ministério das Relações Exteriores russo, Konstantin Dolgov, disse que Moscou espera que os Estados Unidos libertem Mingazov, a quem foi atribuída a categoria de “prisioneiro não perigoso”.

Em 2014, o Comitê de Inteligência do Senado divulgou um relatório de 6.000 páginas revelando a utilização de torturas por parte da CIA entre 2001 e 2006. As técnicas avançadas de interrogatório, aprovadas quando George W. Bush Era o presidente dos EUA’, incluíam tratamento severo dos detidos em centros de detenção dos Estados Unidos, inclusive na baía de Guantánamo.

A fonte no Departamento de Estado disse à Sputnik que o governo norte-americano espera deslocar 34 detidos que foram aprovados para a transferência até meados do ano de 2016.

“Estamos em várias fases de negociações com uma série de governos estrangeiros, incluindo fases finais para alguns governos”, observou o funcionário.

Superar a resistência interna para realocar alguns dos prisioneiros de Guantánamo para solo americano é parte do esforço mais amplo para fechar o centro de detenção, acrescentou o funcionário do Departamento de Estado.

Mais cedo na quinta-feira, o Pentágono disse que os Estados Unidos transferiram 10 presos iemenitas para o governo de Omã.

No seu discurso de Estado da União no início desta semana, o presidente americano Barack Obama prometeu continuar trabalhando para fechar a prisão de Guantánamo antes de deixar o cargo, uma promessa que ele tem tentado cumprir dada a oposição no Congresso desde tomar posse em janeiro de 2009.