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Uruguai rejeita redução de maioridade penal e terá segundo turno entre Vázquez e Lacalle Pou

Via Opera Mundi

Vázquez (à direita) discursa após vencer o primeiro turno; próximo presidente do país será escolhido em 30 de novembro. Agência Efe

Segundo turno para Presidência uruguaia ocorrerá no dia 30 de novembro; terceiro colocado já anunciou apoio a opositor contra governista.

Os dados iniciais da apuração oficial das eleições deste domingo (26/10) no Uruguai confirmam que os candidatos Tabaré Vázquez e Luis Alberto Lacalle Pou definirão a Presidência do país em segundo turno, marcado para o dia 30 de novembro. Em plebiscito que também foi realizado ontem, 53% dos uruguaios rejeitaram a redução da maioridade penal.

Até o momento, com 82,1% das urnas apuradas pela Corte Eleitoral, Vázquez, ex-presidente e líder do partido governista, Frente Ampla, tem 45,8% dos votos, enquanto o opositor Lacalle Pou conquistou 31,5%. Na terceira colocação está o candidato do Partido Colorado, Pedro Bordaberry, com 13,3% das preferências.

“Amanhã começa uma nova etapa, os uruguaios falaram e o povo uruguaio sabe se expressar com clareza. É nosso papel interpretar o que o povo diz. Teremos que ir para um novo embate. Encararemos a nova etapa na busca da Presidência no diálogo, no respeito a outras forças. E além das maiorias, o caminho será buscar o diálogo e respeito, e conhecer as opiniões de outras forças e buscar seu apoio em políticas”, disse Vázquez em discurso após a divulgação das pesquisas de boca de urna.

Bordaberry já anunciou que, no segundo turno, apoiará Lacalle Pou, do Partido Nacional. “O Uruguai precisa de mudanças, especialmente em segurança pública e educação, e estou convencido de que Lacalle Pou é o melhor dos dois candidatos que passaram para o segundo turno para encará-los”, afirmou o colorado.

De acordo com pesquisas de opinião, Vázquez e Lacalle Pou começarão a nova campanha tecnicamente empatados. Os resultados completos da apuração só devem ser conhecidos na tarde desta segunda-feira.

Redução da maioridade

Contrariando os levantamentos de intenção de voto, a população uruguaia rejeitou a redução da maioridade penal. Durante a campanha, a manutenção dos 18 anos como idade para responsabilidade penal chegou a estar perdendo por mais de 20 pontos percentuais, mas a proposta de diminuição acabou rejeitada por 53%.

“Isso é simplesmente um sinal de que não aceitaremos decisões simplistas. Não significa que não queiramos melhoras e que não queiramos que o Uruguai olhe com seriedade o que o preocupa, como, por exemplo, o tema da segurança”, afirmou Fabiana Goyeneche, líder da campanha pela manutenção dos 18 anos como idade de responsabilidade penal.

Fórmula de Aécio é o ajuste que afundou a Europa

Por Clemente Ganz Lúcio | Via Viomundo

O sobrenome de Armínio é Arrocho

O caminho neoliberal para sair da crise (ajuste fiscal, alta dos impostos e do desemprego, arrocho salarial) é o oposto do caminho seguido por Lula e Dilma.

Há uma década, seria difícil pensar que desemprego massivo, precarização do trabalho, pobreza ou exclusão social seriam expressões que poderiam descrever muitos países da União Europeia.

É assim que o economista Jorge Aragón, diretor da Gazeta Sindical, e o secretário de Organização e Comunicação da Confederación Sindical de Comisiones Obreras (CCOO) abrem a edição de número 22 da publicação.

O presidente da Confederação Europeia de Sindicatos, Ignacio F. Toxo, avança, afirmando que, com a crise internacional e a forma de enfrentamento, a distribuição de riqueza perde equidade, ampliam-se as distâncias entre países e a desigualdade entre as pessoas.

O caminho para a saída da crise nos países centrais tem sido o de ajuste fiscal, redução dos gastos e do investimento público, alta dos impostos, queda da atividade econômica, aumento do desemprego, arrocho salarial, destruição de direitos trabalhistas, tudo para que o orçamento público salve o sistema financeiro, preserve o estoque de riqueza e a renda de poucos. Bem, esse é o caminho neoliberal.

Recentemente, o FMI voltou a cortar as projeções de crescimento para a economia mundial, alegando que o desempenho tem sido decepcionante, com performances desiguais entre países e regiões.

A Europa patina na recessão, o Japão permanece parado, os Estados Unidos, depois de um primeiro semestre ruim, apresenta sinais de melhora.

As taxas de crescimento dos países em desenvolvimento também foram reduzidas pelo impacto que o travamento das economias desenvolvidas acarretou.

No Brasil, foi construído outro caminho. Em outubro de 2008, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva chamou para uma conversa os membros do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES).

Na oportunidade, os conselheiros apresentaram a ele a interpretação que tinham sobre a gravidade da crise e a importância de o Brasil preservar a qualidade e a liquidez do sistema financeiro, garantir crédito etc. Foi destacado que seria fundamental sustentar o mercado interno de consumo, preservar empregos e salários.

“Como poderíamos sinalizar que vamos gerar mais empregos?”, perguntou Lula. E a resposta foi: um grande investimento em habitação geraria emprego rapidamente, reduziria desigualdades e melhoraria a qualidade de vida das pessoas.

O presidente colocou o pé no acelerador e, no começo de 2009, lançou o Programa Minha Casa, Minha Vida, com o anúncio da construção de 1 milhão de moradias. Desde o início, o caminho escolhido foi o de enfrentar a crise com medidas de caráter e qualidade distintos daqueles que fazem parte do receituário neoliberal.

O caminho que o Brasil trilhou é também difícil de ser percorrido. Exige muito de todos, em especial do Estado e do governo, que enfrentam inclusive a ideologia neoliberal que desqualifica esse caminho. Trata-se de mobilizar todos os recursos econômicos, fiscais e políticos para preservar o emprego, os salários, a dinâmica interna de consumo e produção, adequar-se à perversa competitividade internacional de excesso de capacidade produtiva.

Um caminho de crescimento mais lento, porque mobiliza todos para o enfrentamento; porque não joga para toda a sociedade o custo do enfrentamento; porque é capaz de preservar os direitos, o emprego, os salários, sustentar a demanda interna, a atividade empresarial e construir uma saída afirmativa.

É esse caminho que deve ser seguido, ampliado e aprofundado. Os ajustes futuros devem visar melhorar a performance dessa política. Nesse caminho, deve-se ousar articular, de forma mais aprofundada, o emprego e o salário, com dinamização industrial integrada aos setores agropecuário e de serviços, com base na sustentabilidade ambiental dos processos produtivos, da qualidade dos produtos e da forma de uso; ampliar o investimento em infraestrutura econômica e social, no desenvolvimento dos serviços e equipamentos urbanos, entre outros desafios estratégicos.

Esse é o caminho para avançar nas atuais bases para o desenvolvimento econômico e social. É a rota que tem sido trilhada!

Hoje, com orgulho, podemos dizer para os companheiros sindicalistas europeus: o Brasil fez diferente e precisa continuar fazendo. Almejamos, e queremos cooperar na luta política, para que o caminho que estamos trilhando seja em breve novamente a escolha dos governos europeus. Aqui temos feito nossa parte!

*- Sociólogo, diretor técnico do DIEESE, membro do CDES – Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social

‘O que salvou o Brasil de uma grande recessão foram os bancos públicos’, diz Pochmann

Via RBA

Dilma tem reforçado o papel dos bancos de financiamento da agricultura, construção civil e setor produtivo nacional

São Paulo – Segundo o economista e professor da Unicamp Marcio Pochmann, a candidatura de Aécio Neves (PSDB) à presidência da República defende o mesmo receituário adotado nos anos 1990, marcado pela drástica redução do papel dos bancos públicos e crescente presença de bancos estrangeiros, apostando que a livre concorrência garantiria uma redução no custo dos empréstimos e, por consequência, da taxa de juros para o consumidor.

Para ele, tais medidas criaram um quadro reverso porque o esvaziamento dos bancos públicos e a maior presença dos bancos privados estrangeiros criou um “maior oligopólio” e “uma certa acomodação em torno de taxas de juros cada vez maiores, aumentando o rentismo”.

No combate aos efeitos da crise internacional, desencadeada em 2008, Pochmann destaca a decisão “correta” do presidente Lula de estimular a atividade dos bancos públicos – BB, BNDES, Caixa Econômica Federal – com grande capilaridade, “colocando crédito às grandes empresas e aos consumidores, sustentando muito bem essa crise que veio de fora”.

“A presidenta Dilma tem reforçado esse papel, por exemplo, do Banco do Brasil, de ser um grande banco de financiamento da agricultura brasileira; a Caixa Econômica como um grande banco de financiamento da construção civil, especialmente da moradia popular, e o BNDES como o banco que alavanca o investimento do setor produtivo nacional, com foco crescente nas micro e pequenas empresas”, afirma o professor, destacando a manutenção da política de contenção dos efeitos da crise e o protagonismo do estado no setor financeiro.

Sobre as propostas do candidato tucano de criação de um imposto único em substituição aos atuais IPI e ICMS, o economista recomenda cautela: “A questão do sistema tributário brasileiro precisa sofrer uma mudança, mas uma mudança mais ampla, porque o risco de mudar um ou outro imposto pode desorganizar o sistema tributário”.

Ao comparar os projetos em disputa neste segundo turno, Pochmann é categórico e cita uma tradicional fábula: “É a disputa da formiga com a cigarra. O grupo que fica falando o que vai fazer e o que não se deve fazer e, na verdade, faz pouco. Um time que já jogou no Brasil e nós vivemos, nesta época, o racionamento de energia, no ano de 2001, por conta da falta de planejamento.”

Não é só o Brasil

Por Marcelo Zero

As eleições no Brasil terão impacto decisivo nos rumos do país. Afinal, não se trata de uma eleição qualquer. Estão em disputa dois modelos muito distintos.

De um lado, o já velho e fracassado modelo neoliberal, ou mais apropriadamente paleoliberal, que tende a concentrar renda, a erodir as base do nosso incipiente Estado do Bem Estar, a privatizar patrimônio público e a privilegiar os interesses do grande capital, particularmente do capital financeiro desregulado, em detrimento da população. Foi assim no Brasil do PSDB e é assim em muitos países do mundo. Piketty e outros já o demostraram.

De outro lado, o modelo assentado na dinamização do mercado interno de massa, na eliminação da pobreza extrema, na redução das desigualdades e na ampliação das oportunidades, que vem mostrando notável êxito e protegendo a população dos efeitos da pior crise internacional desde 1929.

A depender do modelo escolhido, a situação interna do país sofrerá mudanças profundas. Se voltarmos ao paleoliberalismo e às medidas impopulares, haverá, com toda certeza, regressão social e a fragilização econômica que marcou o Brasil na década de 1990.

Mas as consequências não ficarão restritas ao Brasil. Haverá também consequências para a geopolítica regional e internacional.

Aécio já se comprometeu com a volta da política externa de alinhamento dos interesses do Brasil às potências tradicionais, os EUA, em particular. Seu plano regressivo inclui, entre outras diretrizes, a extinção da união aduaneira do Mercosul, a célere celebração de assimétricos acordos de livre comércio com as grandes potencia econômicas tradicionais e a revisão da cooperação Sul-Sul.

No plano regional, a decisão de extinguir a união aduaneira do Mercosul implica, na realidade, a extinção do bloco. O Mercosul se transformaria, como sempre quiseram os conservadores, em mera área de livre comércio, sem nenhum elemento estratégico e político. Com efeito, a redução do bloco a simples área de livre comércio inviabilizaria não apenas a negociação conjunta de acordos e a coordenação de políticas macroeconômicas, mas também a própria continuidade das instituições supranacionais do Mercosul, como seu Parlamento, e a constituição de um mercado comum com livre circulação de trabalhadores. Todo o esforço, feito pelos governos do PT, de aprofundar a integração e constituir um Mercosul social seria jogado no lixo.

Entretanto, o golpe mortal no Mercosul, afetaria também a Unasul, a Celac e todo o processo de integração da América do Sul e da América Latina. Frise-se que o programa do PSDB sequer cita essas instituições. Sem o Mercosul, que pretende criar um verdadeiro mercado comum na região, esses processos perdem consistência estratégica e tendem a tornar-se meros foros de discussão. A Unasul, em particular, que criou um embrião de uma política de defesa conjunta para América do Sul, perderá sua razão de ser.

Na realidade, a extinção do Mercosul significa a renúncia do Brasil de exercer uma liderança estratégica em sua própria região, deixando esse papel para os EUA, como fora em nosso passado recente. Significa também, implicitamente, a retomada do projeto assimétrico da Alca. Uma Alca que talvez venha a ser constituída por acordos bilaterais atomizados. Os EUA já têm esses acordos com o México, o Chile, a Colômbia e outros países.

Se o Brasil, como quer Aécio, firmar um acordo desse tipo, a tendência é que toda a América Latina ceda também. Teremos então uma Alca bilateralizada, mas não menos danosa aos interesses do Brasil e da região. Com efeito, esses acordos bilaterais contêm as mesmas cláusulas relativas a propriedade intelectual, serviços, compras governamentais, proteção de investimentos estrangeiros, etc., que estavam em negociação na Alca e que inviabilizam qualquer projeto autônomo de desenvolvimento.

Se implementados com os EUA ou com a União Europeia, acordos assimétricos com tais cláusulas chutarão a escada do nosso desenvolvimento. Talvez seja por isso que os porta-vozes do sistema financeiro dos países amis desenvolvidos, como a The Economist, torçam tanto pela vitória do PSDB.

Mas as consequências não ficarão apenas no plano regional.

O Brasil investiu muito, nos últimos 12 anos, na cooperação Sul-Sul, na diversificação de suas parcerias estratégicas e na articulação dos interesses dos países em desenvolvimento em todos os foros internacionais. Os resultados foram muito positivos, no campo econômico e comercial. Nos governos do PSDB, acumulamos um déficit comercial de US$ 8,6 bilhões. No governos do PT, multiplicamos nossas exportações e amealhamos um superávit de US$ 315 bilhões, que foi de grande importância para reverter a vulnerabilidade externa da nossa economia.

Porém, os resultados maiores dessas diretrizes foram políticos e estratégicos. O Brasil é hoje um ator internacional de primeira linha, ouvido com respeito nos foros mundiais, e que contribui ativamente para a constituição de um mundo menos assimétrico e mais afinado com o multilateralismo. Hoje, o Brasil projeta, com assertividade e firmeza muito maiores, seus autênticos interesses no plano internacional.

Essa maior projeção dos interesses nacionais no exterior advém do abandono da subalternidade da política externa anterior e se expressa em várias ações muito significativas, como na recente estruturação de mecanismos financeiros alternativos no âmbito dos BRICS e na articulação dos interesses dos países em desenvolvimento na OMC, instituição antes dominada pelos interesses das nações mais industrializadas.

Dessa forma, a maior projeção dos interesses do Brasil no plano externo tem impacto significativo e positivo na própria geopolítica mundial.

Ora, a volta ao status quo ante proposta por Aécio, a volta da política externa frágil de um país fragilizado, terá também um impacto significativo, porém negativo, na geoestratégia mundial. Os BRICS teriam um parceiro menos afinado com a ideia de um mundo mais equilibrado e mais submetido aos caprichos unilaterais da grande potência mundial. Da mesma forma, a OMC e outros foros mundiais perderiam um parceiro firme em sintonia com a luta por um mundo menos assimétrico e mais afeto ao multilateralismo. A ONU não teria mais uma voz importante que se insurge contra as intervenções unilaterais realizadas à margem do sistema de segurança coletiva e que tanta insegurança trazem ao planeta.

O mundo perderia esse Brasil independente e propositivo que todos aprenderam a respeitar e admirar.

Com a volta da política externa de alinhamento à grande potência mundial, o Brasil e, por consequência, a América do Sul e a América Latina, tenderiam a entrar profundamente, de novo, na órbita estratégica dos EUA, com todas as consequências econômicas, comerciais, políticas e mesmo sociais dessa decisão. A desconcentração do poder mundial sofreria uma reviravolta, os EUA recuperariam seu antigo quintal e nos transformaríamos todos num gigantesco México, país que pagou caro por sua inclusão subalterna à economia e à política dos EUA.

Só a título de ilustração, lembramos que, nos últimos 10 anos, a renda per capita do México cresceu a uma taxa de apenas 1,2% ao ano, um número muito inferior ao de outros países da América Latina, como o Brasil, Colômbia, Peru e Uruguai. Pode-se complementar essa informação com o fato de que, nos primeiros 10 anos deste século, o PIB per capita (PPP) do México cresceu apenas 12%, bem abaixo do que cresceu o do Brasil (28%). Na realidade, o México só superou, nesse cômputo, a frágil Guatemala, o país que menos cresceu em toda a América Latina, com base nesse parâmetro específico.

Assim, com a volta da inserção internacional subalterna, pagaríamos um preço econômico e social alto. O Brasil e sua população tenderiam a ficar mais frágeis, mais dependentes e mais pobres.

Mas não só o Brasil.

O pré-sal na mira dos apoiadores de Aécio

Via Jornal GGN

Petroleiras Americanas apoiando Aécio Neves, que promete mudar a Lei de Partilha. Vitória de Neves, ganhos da Shell e Halliburton.

A perspectiva de uma mudança de regime no Brasil está fazendo a Petróleo Brasileiro SA (PETR4) o estoque mais valioso de petróleo do mundo. E também está abrindo as portas para empresas estrangeiras explorarem mais as grandes riquezas energética do país.Políticas que deixaram a estatal Petrobras, com 139.000 milhões dólares em dívida e projetos no exterior caros, frearam empresas como a Royal Dutch Shell Plc (RDSA) e Halliburton Co. (HAL) de expandir no país.

O candidato da oposição Aécio Neves prometeleiloar licenças de exploração com mais freqüência, aumentar os preços dos combustíveis e facilitar o processo legal e burocrático para as Petroleiras estrangeiras.Neves, cujo partido PSDB abriu o Petróleo para as Petroleiras estrangeiros no final dos anos 90, surpreendeu os analistas ao ficar em segundo lugar na votação 05 de outubro e forçar um segundo turno eleitoral.Frustração entre as empresas de petróleo e seus investidores com o Presidente Dilma Rousseff , tem crescido desde que assumiu o cargo em 2011. No mês passado, um grupo de lobby do petróleo disse que a indústria enfrenta dificuldades e alguns Petrobras (PBR) fornecedores podem deixar o Brasil.

Neves atacou a administração de Dilma e contratou um consultor da indústria e um funcionário envolvido nas privatizações na década de 1990, para redigir o seu programa de energia.

“Se Neves ganhar, ele vai abrir aos investidores estrangeiros”, disse Robbert van Batenburg, diretor de estratégia de mercado na corretora Newedge EUA LLC, em entrevista por telefone de Nova Iorque:”Essas restrições às importações e barreiras comerciais não nos ajudam. Se ele ganhar, ele vai reverter todas as restrições “- A Atração do PréSal

Neves, ex-governador do estado de Minas Gerais, se comprometeu a fazer mais leilões de direitos de exploração. Ele também está pensando em mudar a legislação que obriga a Petrobras, a maior produtora em águas mais profundas do que 1000 pés, a manter um mínimo de 30 por cento em todos os projetos na região chamada de pré-sal.Rousseff e Neves estão empatados nas pesquisas eleitorais e há menos de duas semanas da eleição em 26 de outubro. As últimas pesquisas mostram que essa corrida presidencial é a mais contestada em mais de uma década.A Petrobras subiu 9,1 por cento desde que Neves ganhou um lugar no segundo turno, enquanto as outras grandes produtoras caíram. Nos últimos quatro anos, o estoque perdeu 32 % de valor em termos de dólares, e teve o pior desempenho entre os principais concorrentes.A exigência de que a Petrobras seja a operadora em cada nova descoberta no pré-sal, uma formação sob uma camada de sal no subsolo marinho, devem ser revistos para estimular a concorrência, Elena Landau, que aconselha Neves em matéria de energia, disse em uma entrevista ontem no Rio de Janeiro, que mudanças precisam da aprovação do Congresso.

-Operadora Única

“Quando você tem a Petrobras como operadora única, você está limitando a capacidade”, disse Landau, que foi apelidada de “Dama de Ferro das Privatizações” pela imprensa brasileira depois de seu envolvimento nas privatizações de empresas públicas durante a década de 1990 no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso . “Isso restringe a concorrência.”Petrobras não quis comentar sobre como uma vitória Neves teria impacto na empresa e da indústria.

As regras existentes no momento maximizam a participação do país no setor, mas também atraem as empresas estrangeiras, disse Aloizio Mercadante, coordenador da campanha de Dilma Rousseff, por e-mail.”Queremos que a Petrobras continue sendo a única operadora, sendo capaz de desenvolver pesquisas altamente científicas e de inovar, e participar de toda a cadeia industrial de gás e petróleo”, disse Mercadante em resposta às perguntas da Bloomberg sobre a área do pré-sal.

-Não Valorizadas

“As empresas estrangeiras não são muito valorizados por este governo, como se elas fossem irrelevante”, disse ela.Dilma mostra que durante a sua administração mais de 500.000 barris por dia na área do pré-sal já estão sendo produzidos, e disse ter protegido os preços de combustível aos consumidores da volatilidade dos mercados internacionais de petróleo. Ela prevê grande lucro que proporcionará o financiamento de programas sociais para reduzir a pobreza na nação mais populosa. da América Latina.A eliminação dos subsídios aos combustíveis que custaram Petrobras pelo menos 60 bilhões de reais no primeiro mandato de Dilma Rousseff aumentariam o lucro da empresa e sua capacidade de comprar bens e serviços de fornecedores como a Halliburton, de acordo com o Instituto Brasileiro de Petróleo, ou IBP, um grupo que faz lobby para a indústria.

-Trabalhadores Perdem

Em meados de 2010, Halliburton Chief Executive Officer David Lesar disse que a receita do Brasil cresceu quase 30 por cento, a empresa investiu em infraestrutura. Em janeiro, ele disse que as empresas de serviços foram “à procura de alívio”, depois que as atividades de perfuração caíram abaixo das expectativas.Halliburton não quis comentar sobre o impacto de uma possível vitória de Neves nas urnas.”Os produtos de classe mundial e serviços convenientes também precisam ser competitivo em preço”, disse vice-presidente da Shell para novos negócios nas Américas Jorge Santos Silva, durante uma conferência de petróleo offshore no mês passado. “Um dos maiores desafios que a indústria enfrenta é como ajudar os fornecedores locais e desenvolver produtos e serviços”, disse ele.A Shell está sempre disposta a trabalhar com representantes do governo em que atua e prefere não comentar sobre eleições, ele disse em uma resposta por e-mail.O Brasil está perdendo trabalhadores qualificados de petróleo para outros países por causa de cancelamentos ou atrasos do projeto, Paulo Cesar Martins, o chefe da associação Abespetro de empresas de serviços offshore de petróleo, disse na mesma conferência.As companhias petrolíferas precisam ter leilões com frequência para manterem a equipe e os investimentos no Brasil, disse ele. O número de sondas de perfuração operados por outras empresas que não são da Petrobras caíram de 17 para 3, em 2010, ele disse.

-Deus é brasileiro

Cardoso, o ex-presidente, quebrou o monopólio da Petrobras na exploração e produção de petróleo em 1997 e criou os primeiros leilões de exploração a serem leiloados sob um modelo de concessão em 1999. O Brasil realizava leilões todo ano, até o ano de 2008.O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que os depósitos maciços eram prova de que “Deus é brasileiro” e decidiu que a Petrobras seria responsável por todos os projetos futuros na região.

Lula suspendeu licenças offshore para manter reservas de petróleo recém-descobertas do Brasil sob o controle do governo por meio da Petrobras, e o Brasil ficou sem oferecer nenhum leilão aberto na área no Présal até 2013.Em 2007, Lula e Dilma, ministra da Energia e depois chefe de gabinete, começou a planejar a legislação para permitir que o governo, por meio da Petrobras, mantivessem o controle do ritmo de desenvolvimento. Sabendo que custaria centenas de bilhões de dólares para desenvolver a região do pré-sal, eles ainda queriam empresas estrangeiras para ajudar a produção de finanças como sócios minoritários, mas sem entregar à eles o poder de definir orçamentos ou decidir onde perfurar.

-Um Líder

A legislação resultante foi algo nunca antes visto na indústria. As empresas petrolíferas são livres para formar consórcios e lances contra a Petrobras. Se eles vencerem, eles precisam convidar o ex-rival para se juntar ao grupo, com uma participação de 30 por cento e conceder-lhe o controle sobre as decisões do dia-a-dia. Nenhuma empresa entrou no leilão contra a Petrobras, quando o Brasil colocou o modelo à prova. Ela leiloou os direitos para produzir a Libra, um campo com valor equivalente as atuais reservas provadas brasileiras, e apenas um grupo liderado pela Petrobras colocou uma oferta.”O Monopólio” do produtor estatal sobre o pré-sal precisa ser revisto, Adriano Pires, o consultor e co-autor do plano de Petróleo de Aécio Neves, que não tem posição na campanha dele, disse em uma entrevista por telefone do Rio.”A Petrobras não pode ser um instrumento de uso político”, disse Pires. “Muita coisa vai ter que mudar.”

Ditadura econômica, o grande tabu das eleições?

Por Guilherme Boulos | Via Outras Palavras

Sem reverter políticas que submetem sociedade às finanças, Brasil permanecerá paralisado. Mas tema não entra em debate, por estranhas razões.

Quem diria! Mal se passaram seis anos da crise em que as políticas neoliberais afundaram o mundo e eles já estão aí com todo o vigor. A aposta na mão invisível do mercado e na desregulamentação das finanças quase levou a maior economia do mundo ao colapso em 2008. Os Estados Unidos, a Europa e a economia mundial pagam o preço até hoje.

Não demorou, porém, para que os intelectuais da banca superassem a vergonha e o descrédito, saíssem do armário e recuperassem a autoconfiança para defender a mesma rota do fracasso. Abstraíram 2008 e reaparecem de cara lavada para apresentar as mudanças necessárias na economia brasileira.

Já foi dito que a história se repete, primeiro como tragédia e depois como farsa. Neste caso até os personagens são os mesmos. Vejam vocês, Armínio Fraga! As últimas três campanhas presidenciais do PSDB o esconderam a sete chaves, assim como a FHC. Dizem que há lugares do país que quando seu nome é citado as pessoas correm para bater três vezes na madeira. Dá azar. Incrível, mas Aécio Neves teve a coragem de reabilitá-lo.

Aquele que quando foi presidente do Banco Central elevou a taxa de juros de 25% para 45%! O homem do arrocho e dos banqueiros. Que foi diretor do fundo de investimento de George Soros, símbolo da especulação financeira mundial.

E é o mesmo velho Armínio. Diz agora que os salários subiram muito ultimamente e que a redução de juros nos anos anteriores foi “preocupante”. Em entrevista à Folha de S.Paulo, esta semana, deixou claro que gostaria de rever as regras do seguro-desemprego, aumentar a idade mínima para aposentadoria e dificultar a concessão de pensões.

Tudo em nome do combate à inflação. Só deixa de dizer que ao fim de sua gestão no Banco Central, no governo FHC, a inflação era de 12,5% ao ano, quase o dobro da atual, que ele julga fora de controle. E isso com juros estrondosos.

Sorte tem o país que o candidato que o anunciou como futuro ministro da Fazenda está praticamente fora do páreo eleitoral.

Mas, como diz o povo mais acostumado a sofrer, desgraça pouca é bobagem. A queda de Aécio foi acompanhada da subida meteórica de Marina Silva. E Marina, talvez no afã de atrair o mercado para seu projeto, tinha já erigido como conselheiro econômico ninguém menos que Eduardo Giannetti da Fonseca. Economista da nata do neoliberalismo brasileiro.

Giannetti tem distribuído por aí a mesma cantilena que arruinou os trabalhadores no Brasil, produzindo desemprego, arrocho salarial e recessão econômica na década de 90. O discurso de Marina é da nova política, mas começa mal ao recorrer à velha economia.

Também em entrevista à Folha, no ano passado, Gianetti sistematizou sua listinha de desejos: autonomia do Banco Central, readequar a Petrobrás e os bancos públicos nos “critérios de mercado”, desatrelar o reajuste das aposentarias ao salário mínimo e por aí vai. O modelo de seus sonhos, disse ele, é o segundo mandato de FHC e o primeiro de Lula (o mandato mais conservador dos governos petistas). Cita como referência as “heroicas” privatizações e a desregulamentação de capitais por FHC.

Sua obsessão – agora repetida por Marina – é fortalecer o dito tripé macroeconômico. Austeridade fiscal, aumento do superávit primário e livre câmbio. Não é preciso ser economista nem ter sobrenome europeu para saber que isso implica cortes de investimentos e de gastos sociais do Estado. Austeridade fiscal é um nome elegante para dizer corte no orçamento público. Superávit primário é um termo técnico para se referir à reserva de recursos para pagar juros da dívida aos banqueiros – o que, por sua vez, implica cortes orçamentários.

Marina terá que se decidir. Ou quer manter e ampliar políticas sociais e investimentos públicos, ou quer fazer cortes. Do ponto de vista lógico, tentar conciliar os dois é tão impossível quanto empenhar-se em desenhar um círculo quadrado. Simplesmente não dá. Marina deve a todos esta resposta. Ou está com Giannetti ou está com Chico Mendes.

A reabilitação dos neoliberais, ao que parece, não foi apenas um apelo desesperado do PSDB, mas uma tendência do debate econômico nestas eleições. Não deixa de ser, de algum modo, a volta dos que não foram. Já que os governos petistas – Dilma inclusive – conservaram importantes aspectos neoliberais em sua política econômica. Não por acaso os lucros bancários foram recordes. O pré-sal foi concedido à exploração privada, assim como aeroportos e rodovias.

Mas tragicamente o discurso da mudança entre os principais candidatos não critica esse conservadorismo. Ao contrário, diz que ele foi insuficiente e volta-se contra as limitadas iniciativas de enfrentá-lo. A titubeante redução dos juros básicos, o uso de bancos públicos para baratear o crédito, a atuação das estatais na indução de investimentos e os gastos com assistência social, que não chegam a 4% do orçamento Federal.

A crítica é feita pelo viés conservador. E deixa claro que o debate econômico no Brasil ainda é pautado pelo interesse do mercado financeiro. Enquanto for assim teremos de conviver com o eterno retorno dos neoliberais.

Política externa, política do Brasil

Por Cristina Soreanu Pecequilo | Via Carta Capital

A sede do Itamaraty, em Brasília. A política externa deve ser reconhecida como política pública

Uma das afirmações mais conhecidas sobre a política externa em eleições é que o tema não é decisivo. Embora seja quase impossível discordar desta avaliação, a mesma é parcial, pois descola a agenda das relações internacionais do projeto de Estado e sociedade que um país deseja construir, e de seu caráter de política pública. A forma como uma nação define suas prioridades internas não pode ser separada daquela como atua no mundo, havendo forte interdependência entre elas: justiça social, modelos econômicos, identidade nacional, orgulho, autonomia e assertividade. Portanto, ao se votar em um determinado projeto de Estado não se pode ignorar que ele propõe uma visão interna, que impacta a política externa.

São componentes de um mesmo programa que resulta de diferentes opções para o Brasil. No segundo turno das eleições presidenciais, enquanto a candidata Dilma Rousseff (PT) defende a continuidade do projeto de Estado, interna e externa, o candidato Aécio Neves do PSDB propõe quebra. Apesar das diferenças internas entre os programas tentarem ser minimizadas pela oposição para não contestar políticas de sucesso do governo, no campo externo se busca o oposto: colocar em xeque a agenda, ajudando a compreender as pontas soltas das propostas domésticas, em particular na economia, cujas entrelinhas expressam modelos mais próximos ao neoliberalismo do que ao Estado social.

O debate sobre qual papel o Brasil pode e deve exercer no mundo não é inédito, possui raízes históricas e estruturais, resumidas em torno de interpretações contraditórias: força e fraqueza, autonomia ou alinhamento, primeiro ou terceiro mundo, Norte ou Sul. Com isso, a eleição de 2014 deve ser compreendida como mais uma inflexão nesta trajetória que busca o reposicionamento do País no equilíbrio de poder mundial, e que revela, como citado, não só uma visão de relações internacionais, mas de projeto de Estado.

Avaliando as agendas externas de Dilma e Aécio, existe uma diferença de conteúdo. Enquanto a proposta da candidata Dilma é pela manutenção de uma visão de Estado iniciada em 2003 com o ex-presidente Lula, a do candidato tucano defende outro caminho. Em um balanço da experiência diplomática recente observa-se forte ligação entre os programas internos e externos de empoderamento econômico e social que reforçam o poder brando brasileiro.

Hoje, o Brasil não é só o país do “futebol, samba e caipirinha”, mas o do “Fome Zero, Bolsa Família e Farmácia Popular”, base de projetos de cooperação técnica e que tem permitido ao país cumprir, diferente de muitas nações desenvolvidas, as Metas do Desenvolvimento do Milênio das Nações Unidas sobre pobreza, educação, saúde, direitos humanos e gênero. É uma política de identidade terceiro mundista, com orgulho de pertencer às periferias, parte do grupo de potências emergentes, os BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul), com os quais se mantém alianças sólidas e complementares para defesa do multipolarismo e da reforma do multilateralismo: a criação do Banco dos BRICS é um destes marcos, que se choca com o imobilismo de outras instituições. Na América do Sul, a prioridade é pela integração regional via Mercosul, Unasul, Celac, associada a pautas políticas e econômicas, como parte de uma visão estratégica de autonomia. Ao Sul, laços com a África, Ásia e Oriente Médio, e ao Norte com os Estados Unidos, o Japão e a União Europeia, em uma tática de eixos combinados.

Por sua vez, o candidato Aécio Neves detém plano similar ao dos anos 1990, que pressupõe um realinhamento às potências tradicionais, como Estados Unidos e União Europeia, que subestima três realidades: a da crise destas potências, iniciada desde 2008 na economia, mas que se estende a dimensões sociais de desencanto, crescimento da violência e fundamentalismos; a pauta destes interlocutores; e a da ascensão de novas potências do Sul. Chama a atenção no programa de governo a quase ausência dos BRICS ou da ênfase em relações bilaterais com nações poderosas do Sul como a China. Mesmo nos Estados Unidos, estrategistas reconhecem a conformação de um “G2” global entre norte-americanos e chineses caracterizado pela complementação, competição e vulnerabilidade. No caso da integração sul-americana, chama a atenção o viés livre cambista, com foco nas dimensões financeiras e oportunidades de negócios, esvaziando programas em andamento.

Fala-se em isolamento do Brasil no mundo pela sua ideologização, mas em que medida? Na política ou na economia? Mas isso não ignora o mundo concreto? E o que ocorre neste mundo concreto? Várias coisas: o crescimento das exportações brasileiras nos países em desenvolvimento, que impulsionou setores como o agronegócio e a infraestrutura; a contribuição à estabilidade sul-americana a partir dos processos de integração; a dimensão estratégica da ação brasileira na ONU pela privacidade na era digital; a defesa dos direitos humanos e da via diplomática ao criticar intervenções que tem tido baixo sucesso na resolução de conflitos no Iraque, Afeganistão, Líbia ou Síria; e o alerta à comunidade internacional por ignorar outros casos de crise humanitária no continente africano. Por outro lado aumentam as acusações de um suposto imperialismo brasileiro (e chinês) nestes mesmos espaços. Mas elas não contradizem exatamente estas críticas, passando do extremo da percepção de uma nação fraca para uma poderosa?

De qual Brasil exatamente fala a oposição? Do que é reconhecido como potência pelos principais poderes internacionais do Norte e do Sul? Ou aquele que ela deseja estabelecer sob novos parâmetros com menor assertividade global?

O que se propõe é outra visão de política externa, como parte de outro projeto de Estado, despolitizada. Contudo, é fato que a política externa não definirá a eleição. Porém, como política pública, os seus rumos serão influenciados, como todas as dimensões econômicas, estratégicas, sociais e de poder do Brasil, pela escolha do eleitor por um ou outro programa partidário. Isso se reflete na forma como a política externa está colocada nestas agendas e de que maneira se percebe a sua interação com a sociedade. Como nação emergente, o Brasil vive sim uma encruzilhada em suas opções nas relações internacionais, que nem sempre é discutida em torno de fatos (mesmo os econômicos) ou do reconhecimento das diferentes forças sociais. Esta encruzilhada se estende de forma abrangente a todos os setores que tem impacto na construção do futuro.

É preciso deixar claro que a disputa não é entre a continuidade e a continuidade, e sim entre a continuidade e a descontinuidade. Isso não significa validar sem críticas ações do governo e do Estado, mas optar entre programas que são diferentes. A percepção da existência de dois projetos em choque refletiu-se nas divisões do mapa eleitoral no primeiro turno, e revela a escolha dos eleitores entre as propostas: de políticas sociais e econômicas de bem estar às neoliberais, de empoderamento das classes sociais e o debate democrático via conselhos nacionais (como o proposto Conselho Nacional de Política Externa) às estruturas tradicionais, o alto ao baixo perfil externo. Supor que todo eleitor ignore esta diversidade, ou atrelar o voto ao assistencialismo ou motivações ideológicas é subestimar a capacidade da população.

E aos que dizem definir seu voto apenas pelo cansaço com a política? A estes cabe apenas sugerir melhor avaliar o que está em jogo. Ou, ainda, pode-se sugerir que cada um assuma a opção pelos projetos em discussão ou por nenhum dos dois em caso dos brancos e nulos. Toda escolha é uma escolha ideológica entre modos de vida, baseada em nossas convicções, percepções e valores, mesmo para os que afirmam optar de forma isenta: afinal, “votar anti” alguma coisa é sim “votar a favor” de outra.

*Cristina Soreanu Pecequilo é Professora de Relações Internacionais da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e integrante do Grupo de Reflexão sobre Relações Internacionais (GR-RI).