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Por que o Greenpeace não é valente lá nos EUA?

Por Fernando Brito | Via Tijolaço

O episódio do dano criminoso e imbecil causado por ativistas do Greenpeace (estrangeiros dirigindo e peruanos obedecendo) nas fantásticas linhas de Nazca, no deserto peruano ultrapassa qualquer simpatia que se possa ter pelas teses preservacionistas que dizem defender.

Porque não pode haver um grama de preservacionismo na mente de quem se dispõe a aparecer danificando um dos mais antigos e intrigantes monumentos humanos da América do Sul.

Só o que existe é marketing, a busca desesperada por uma notoriedade que rende, aliás, bons fundos para a organização.

Esta operação-imbecil, onde mais de uma dúzia de imbecis, sapatearam e remexeram uma área de acesso estritamente proibido pelo seu interesse arqueológico só produziu menos danos ali do que causou a quem defende com responsabilidade o meio-ambiente.

As desculpas do Greenpeace foram pífias. Dizer que “a atividade pareceu descuidada e ofensiva” é um nada.

Foi ofensiva e criminosa, isso sim.

Por que é que não vão dar o peito a bala e acabar com a caça que é permitida lá no país deles, os EUA? Ou com a mineração no Alasca?

É muito fácil defender cada árvore das florestas dos pobres, enquanto os ricos queimam petróleo e fazem emissões a rodo com hábitos perdulários que, aliás, são os primeiros a introduzir aqui.

Países ricos que se opõem a qualquer iniciativa global que considere que quem já devastou tudo nos últimos séculos não tenha de fazer sacrifícios maiores do que os “jardins do Éden” que sobraram na Terra. Desde a recusa dos EUA a assinarem o Protocolo de Kyoto até a recusa da proposta brasileira de escalonar as obrigações de redução de gases do efeito estufa para cada país em proporção a seu nível de desenvolvimento, só há boicote e sabotagem.

Muita gente que, de boa-fé, vibra com a ação de rapazes e moças que agem audaciosamente vai perceber, com esta monstruosidade que fizeram no Peru, o quanto há nisso de cobertura para que os grandes devastadores do planeta continuem a querer dar para os pobres as lições que eles próprios não seguem em casa.

Ramonet: O impacto global da crise financeira

Por Ignacio Ramonet | Via Pátria Latina

O apocalipse financeiro não terminou, está se transformando em recessão global e tudo indica que vamos até uma Grande Depressão. Por espetaculares que sejam, as medidas adotadas na Europa e nos Estados Unidos não vão provocar o final das dificuldades. Isso foi admitido pelo próprio Henry Paulson, secretário do Tesouro estadunidense: “Apesar do nosso grande plano de resgate, mais instituições financeiras vão quebrar”.

Em um informe sobre as crises dos últimos 30 anos, o Fundo Monetário Internacional (FMI) confirma que aquelas que têm os bancos e o setor imobiliário como protagonistas são especialmente “intensas, grandes, profundas e danosas para a economia real”. Os efeitos já se estendem pelos cinco continentes: em umas algumas semanas, o real brasileiro perdeu 30% de seu valor; o zloty polonês, 22%; a rupia índia, 10%; o peso mexicano, 14%. Pressões similares afrontam a Indonésia, Filipinas e a República Checa.

As autoridades estadunidenses já injetaram mais de um bilhão e meio de euros (o equivalente ao dobro do que custou, desde 2001, as guerras do Afeganistão e do Iraque) em seus diferentes planos de resgate de bancos e companhias de seguros. E os grandes brancos do mundo ainda necessitam de bilhões de euros… O que os conduz a restringir o crédito às empresas e aos cidadãos. Com as conseqüências muito negativas que isso tem na economia real.

Os países avançados, entre eles a Espanha, que recorreram à inovação financeira para garantir altas rentabilidades aos investidores, são os que levam o golpe mais duro. O FMI estima que a economia desses países terá o avanço mais débil dos últimos 27 anos. O mundo caminha para sofrer seu pior pesadelo desde 1929.

Por suas inéditas dimensões, essa crise põe fim ao período neoliberal baseado nas teses monetaristas de Milton Friedman, que dominaram, durante três décadas, o campo capitalista. E ofuscaram também a social-democracia internacional. A repentina derrota desse credo deixa a maioria dos dirigentes políticos desamparados. O patético espetáculo de responsáveis multiplicando de modo disparatado as reuniões e as “medidas de resgate” dá uma idéia de seu despiste.

Nos Estados Unidos, os bancos trabalharam em condições de liberdade absoluta concedidas em nome de fundamentos ideológicos. Por isso, a classe política norte-americana tem a responsabilidade do caos atual. O dogma do mercado infalível se auto-destruiu. O modelo dos países que mantêm algum tipo de controle de câmbio – China e Venezuela, por exemplo – se vê agora reivindicado. E ainda que o impacto da crise seja sentido em todo planeta, essas economias que não adotaram a desregulação ultra-liberal se sairão melhor. Alguns analistas ressaltam, para a América Latina, o interesse de mecanismo como a Alba, o Banco do Sul ou a idéia de um banco da Opep, proposta recentemente feita pelo presidente Hugo Chávez.

É um momento histórico. Se derruba não apenas um modelo de economia, mas também um estilo de governo. Isso altera a liderança dos Estados Unidos no mundo – e em particular sua hegemonia econômica. Suas finanças dependem de que sigam entrando fortes somas de capital estrangeiro. E os países de onde procede esse dinheiro – China, Rússia, petromonarquias do Golfo – vão agora influir no seu futuro.

Em 2006, a China e parte do oriente financiaram, em partes iguais, 86% do déficit dos países industriais. em 2013, o superávit chinês excederá a totalidade do déficit dos países industriais. Tudo isso outorga a Pequim um papel decisivo na manutenção da estabilidade do sistema financeiro internacional. E é provável que, em pouco tempo, a China trate de obter concessões em assuntos como o de Taiwan ou do Tibet.

A queda da economia anuncia, em geral, a decadência dos impérios. Poderá a debilitada economia estadunidense seguir assumindo a caríssima guerra do Iraque? O conflito do Vietnã acabou com a equivalência entre o dólar e o ouro, e fez oscilar o sistema de Bretton Woods. A guerra do Iraque, por seu custo, provocou uma transferência de riqueza dos EUA a seus competidores. A influência dos fundos soberanos e da China se reforçou. A crise atual reforça esse movimento e provoca um reequilíbrio fundamental: o centro de gravidade do mundo se descola do ocidente até o oriente.

Mas tal descolamento desencadeia conseqüências em cascata como as que planeja o ensaísta britânico John N. Gray: “Se os EUA se retiram do Iraque, o Irã sairá como vencedor regional. Como reagirá a Arábia Saudita? Haverá mais ou menos possibilidades de uma ação militar para impedir que o Irã adquira armas nucleares? É evidente que Washington está perdendo poder. A guerra da Geórgia, em agosto passado, mostrou a Rússia redesenhando o mapa geopolítico do Cáucaso, sem que os EUA pudessem dizer nada.

A situação econômica é tão grave que muitos governos deixam de lado suas crenças ideológicas, e estão dispostos a adotar medidas que eles mesmos haviam tachado de heréticas há pouco tempo. Por exemplo, aumento do gasto público. Relançar os investimentos em obras de infra-estrutura importantes como estímulo econômico. O próprio FMI advoga por uma intervenção pública mais radical.

O modelo de capitalismo, desenhado pelos estados do Norte para o maior proveito dos países ricos, morreu. A nova arquitetura de economia social de mercado será definida, a partir da reunião de 15 de novembro em Washington, não apenas pelos grandes do G8, mas também, pela primeira vez, por potências do Sul como Argentina, Brasil, China, Índia e México. Já era hora.

Tradução: Fernando Damasceno

O espaço e a soberania

Por Mauro Santayana, em seu blog

(Hoje em Dia) – Depois de dois fracassos em outubro – a explosão do cargueiro espacial Antares que se dirigia à Estação Espacial Internacional, durante a decolagem, e a queda do Spaceship Two, da Virgen Galactics, em voo de teste que deixou um morto – os EUA lançaram, com êxito, na última sexta-feira, a primeira versão de sua nova espaçonave Orion, que, segundo informado, poderia levar um dia uma tripulação humana a Marte.

No domingo foi a vez do Brasil superar o acidente com o satélite CBERS-3, ocorrido em dezembro do ano passado, quando do seu lançamento por um foguete Longa Marcha, com o sucesso da colocação em órbita do satélite CBERS-4, que já está funcionando.

Mais novo satélite de uma parceria entre o Brasil e a China que começou no final da década de 1980, o CBERS-4 teve 50% de seus componentes fabricados no Brasil, entre eles, duas das quatro câmeras, fabricadas pelas empresas Opto Eletrônica e Equatorial: a Multiespectral Regular (MUX), de média resolução; e a de Campo Largo (WFI), de baixa resolução, que se somaram às câmeras chinesas Pancromática e Multiespectral (PAN), de alta resolução; e a Multiespectral e Termal (IRS), também de média resolução e infravermelha, além do gravador de dados digitais, da estrutura do satélite, do sistema de fornecimento de energia e do sistema de coleta de dados ambientais.

Além dos feitos com a China, o Brasil constrói seus próprios satélites, como o Amazônia-1, está montando um novo satélite de defesa e comunicações, e outro, com a Argentina, voltado para estudos oceanográficos.

A conquista do espaço é uma questão de soberania. Desde 2010, quando aposentaram seus táxis espaciais, os Estados Unidos, por exemplo, têm dependido, vergonhosamente, de naves de um país que consideram seu arqui-inimigo, a Rússia, para colocar seus astronautas na órbita terrestre, na Estação Espacial Internacional.

Com o lançamento bem sucedido do CBERS-4, com a China, e o desenvolvimento e fabricação de metade dos sofisticados sistemas que ele leva a bordo, o Brasil dá um passo gigantesco no domínio da construção de satélites de monitoramento remoto da superfície terrestre, capacitando-se para a construção local de engenhos semelhantes, voltados para a vigilância de nosso solo e a defesa de nossas fronteiras.

Mas é preciso fazer mais. Urge aumentar a cooperação, nesse campo, com os países do BRICS, como a Índia, que acaba de mandar uma sonda espacial a Marte, a Rússia e a própria China. Devemos modernizar as bases de lançamento de Alcântara, no Maranhão, e de Barreira do Inferno, no Rio Grande do Norte, e revitalizar a AEB – Agência Espacial Brasileira, e o INPE – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais.

E precisamos, também, dar prosseguimento ao projeto do novo VLS – Veículo Lançador de Satélites (as redes elétricas e os sistemas de navegação deverão ser testados no segundo semestre de 2015) e dos VLS-Alfa e VLS-Beta, seus sucessores.

COP20: aprovada responsabilidade diferenciada entre países ricos e pobres na redução do efeito estufa

Por Marcela Belchior | Via Adital

Há até bem pouco tempo, o debate acerca do meio ambiente girava em torno da mensuração da interferência humana na alteração do clima mundial. Ao que tudo indica, esta já não é a grande questão da agenda global. Durante a primeira semana da 20ª Conferência das Partes sobre a Mudança Climática das Nações Unidas (COP20), que acontece desde o último dia 1º de dezembro, em Lima, capital do Peru, a discussão se concentra nos riscos que a transformação climática apresenta à população e à economia, e os possíveis mecanismos de enfrentamento desse novo contexto. Para isso, uma proposta brasileira que muda o compromisso de cada país já foi aceita pela Organização das Nações Unidas (ONU).

Pela proposta da diplomacia brasileira, os países em desenvolvimento serão divididos em diferentes graus de responsabilidade pelo aquecimento. A ideia foi lançada pelo país ainda em novembro deste ano e permite que nações emergentes como China, Brasil e Índia assumam compromissos mais ambiciosos de cortes de emissões.

Países ditos menos desenvolvidos, ou seja, mais pobres e menos industrializados, seriam apenas estimulados a reduzir emissões, ficando livres de cumprirem meta. Isto porque essas nações, sobretudo situadas na África e na Ásia, são uma parte muito pequena do bolo de emissões mundiais. No caso dos países em desenvolvimento, as metas de corte seriam relativas, ficando dependentes do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), do número populacional ou das projeções de emissões.

Já os 37 países considerados desenvolvidos teriam metas de redução de emissões e de ajuda financeira. Para este caso, cientistas recomendam um corte global de 40% a 70% até 2050. Com esse modelo de divisão, a expectativa é de que os países pobres que melhorarem seus padrões de vida migrem, gradualmente, para o centro, assumindo metas de corte de emissão mais rígidas.

Uma vantagem dessa proposta é que deve incluir no acordo os Estados Unidos e as nações emergentes, que são os grandes emissores e vinham se recusando a adotar medidas. Já uma desvantagem está na ausência de uma lei que garanta o cumprimento do acordo. A grande diferença entre a proposta brasileira e o atual modelo (Protocolo de Kyoto, de 1997) é que o número de países submetidos a metas rigorosas pode aumentar pouco a pouco.

Segundo a COP20, as mudanças climáticas matam mais de meio milhão de pessoas por ano. Foto: COP20.

As primeiras conversações desta semana se sustentaram no debate com cientistas do Grupo Intergovernamental de Especialistas sobre a Mudança Climática (IPCC, na sigla em inglês), do secretariado da Convenção e dos representantes das Partes, para discutir dados técnicos. O momento serve de base para a tomada de decisões políticas e funciona como um termômetro de como anda o processo de negociação entre os países envolvidos na Convenção.

Nestes primeiros dias de debate, pesquisas técnico-científicas têm sido utilizadas no diálogo político para a construção do acordo climático. Compreendendo que já vivemos em um planeta climaticamente alterado por ações danosas do ser humano, o esforço da Convenção é na busca por instrumentos que suavizem essa repercussão socioambiental. Com uma temperatura média do planeta Terra 0,8°C mais alta, o foco é entender o que, efetivamente, é necessário fazer para que esse aumento não supere os 2°C até o final do século XXI.

O evento é dividido em duas partes. Na primeira semana, são realizadas reuniões oficiais e paralelas, com a função de alinhar os temas e preparar a negociação de acordos. Os negociadores, membros das equipes de cada país, juntamente com o secretariado da Organização das Nações Unidas (ONU), avançam no processo de formulação das ações e orientações mundiais. Já na segunda semana da COP20, com a presença dos chefes de Estado, são firmados os acordos formalmente.

Os dias iniciais da Conferência se deram sob a expectativa de grandes mudanças no tratamento da questão, principalmente pelo recente anúncio de compromisso (informal, até agora) entre Estados Unidos e China, os dois maiores poluidores do globo (concentrando juntos praticamente a metade das emissões), para reduzir a emissão de gases do efeito estufa. O principal objetivo da Conferência é revestir um caminho para um grande acordo global que deve ser selado em 2015, em Paris, capital da França, durante a COP21.

Esse rascunho deve abordar as principais questões do setor, debatidas há duas décadas pelos países. Uma delas é a responsabilidade comum das nações, mas diferenciada, respeitando as chamadas condições de “desenvolvimento” de cada uma. Assim, todos os países devem assumir algum tipo de compromisso com relação à mitigação da mudança climática. Os chamados “desenvolvidos”, historicamente os maiores responsáveis pelo acúmulo de gases danosos na atmosfera, deverão assumir compromissos mais audaciosos que os demais. O evento se estende até o próximo dia 12 de dezembro.

Temperatura da Terra já aumentou em 0,8°C. Foto: COP20.

Entenda a COP20

A Conferência das Partes (COP) é o órgão supremo da Convenção Marco das Nações Unidas sobre a Mudança Climática (CMNUCC), que entrou em vigor em 1994 com o objetivo de reduzir a concentração de gases de efeito estufa na atmosfera. Até o momento, 195 países participam das discussões e apresentam recursos para ratificarem os acordos e orientações internacionais. As nações reúnem-se anualmente para debaterem como são aplicadas as deliberações da Convenção, negociarem novos compromissos com responsabilidades comuns, considerando suas prioridades nacionais e regionais de desenvolvimento, seus objetivos e circunstâncias nacionais. Nesta 20ª edição, participam cerca de 10 mil delegados de todo o mundo.

Movimentos sociais fazem debate alternativo

De 08 a 11 de dezembro, também na capital peruana, será realizada a Cúpula dos Povos Frente à Mudança Climática, um encontro paralelo à COP20. O intuito é promover um espaço livre para que os movimentos sociais e civis debatam o fenômeno da mudança climática e formulem alternativas, ampliando a discussão institucional realizada pelas Nações Unidas. Com o lema “Mudemos o sistema, não o clima!”, o evento estima a participação de 8 mil representantes de vários setores, além da presença de 200 organizações de todo o mundo.

Dentre os participantes, a Cúpula dos Povos receberá delegações indígenas de diversos países. Foto: Cúpula dos Povos.

Porque um evento que reúne chefes de Estado de toda a América do Sul não é notícia?

Por Vanessa Martina Silva | Via Diferente, Pero no Mucho

Enquanto a TeleSUR transmitia ininterruptamente as falas e o ato cultural que marcou a inauguração da sede da Unasul na tarde desta sexta-feira (05/12), a GloboNews transmitia entrevista com a ex-candidata à presidência pelo Psol Luciana Genro e o principal telejornal do país, o Nacional, da mesma Rede Globo, ignorou solenemente a reunião realizada no Equador e que reuniu mandatário e representantes dos 12 países sul-americanos.

Neste sábado (07/12), a capa dos jornais destacam o suposto esquema de corrupção da Petrobras e não há, com exceção do Estadão, nenhuma menção à Cúpula da Unasul.

O jornal paulista traz apenas a seguinte menção: “Petróleo cai e Venezuela pede ajuda à Unasul”. Texto semelhante foi veiculado sobre Dilma: “Em Quito, Dilma continua culpando a ‘crise internacional’ pelos problemas no Brasil”, como veicularam o site da revista Veja e o Estadão online. Também na internet, outros portais deram matérias isoladas com declarações de um ou outro presidenciável, de forma descontextualizada e sem enfoque nas medidas ou questões que estavam em pauta no encontro. Por quê?

Uma reunião com presidentes de todo o continente não é importante? Se estivesse presente o mandatário dos Estados Unidos, da Alemanha ou França a cobertura seria diferente? Quando a discussão foi na Europa e foi aprovada a cidadania europeia a apatia foi semelhante? E quando foi criada a sede da ONU?

Néstor Kirchner foi o primeiro secretário-geral da entidade e um dos impulsionadores da integração sul-americana| Foto: Divulgação/ Twitter

O processo que permitirá aos cidadãos sul-americanos estudar e trabalhar em qualquer país da região ainda não tem data para ser definido, mas a sinalização do estabelecimento da livre mobilidade para os cerca de 400 milhões de habitantes que vivem nos 12 países que compõem o bloco e a adoção da chamada “cidadania sul-americana” é suficientemente importante para merecer algumas análises e destaques por parte de nossa imprensa.

De acordo com o secretário-geral da Unasul, Ernesto Samper, o passaporte sul-americano seria similar ao Schengen da União Europeia. A partir dele, os sul-americanos poderão estudar, trabalhar e homologar títulos profissionais na região.

Por que então a apatia?

Além da cidadania sul-americana, os presidentes do bloco também aprovaram a criação de uma escola técnica de coordenação eleitoral e da Escola Sul-Americana de Defesa.

Edifício Néstor Kirchner tem 1.500 metros quadrados e empregou mais de 700 pessoas durante a construção| Foto: Agência Andes

A unidade técnica de coordenação eleitoral visa fortalecer o papel da Unasul nas missões de acompanhamento de eleições no subcontinente e profissionalizá-las, estabelecendo um padrão de observação e reconhecendo o papel fundamental que o organismo tem na defesa da democracia na região.

Já a Escola Sul-Americana de Defesa é uma antiga demanda e tem como objetivo fazer frente à Escola das Américas, criada pelos Estados Unidos e que formou muitos dos militares que participaram, nos anos 1960-1980, das ditaduras militares que foram implementadas na região. Ela ainda está em atuação.

A escola regional, no entanto, será um centro de altos estudos responsável pela articulação das diversas iniciativas dos países-membros do Conselho de Defesa da União de Nações Sul-Americanas (CDS/Unasul) de capacitação de civis e militares na área de defesa e segurança regional, com cursos compartilhados e troca de experiências de defesa, como explicou a presidenta brasileira, Dilma Rousseff, em entrevista a jornalistas após a Reunião de Cúpula da Unasul.

A inauguração da nova sede da Unasul, considerda histórica por Samper, marca também o novo papel e o novo momento da organização a partir da nomeação do ex-presidente da Colômbia ao cargo.

Após um breve período de protagonismo regional durante a gestão de do ex-mandatário da Argentina e primeiro secretário-geral do bloco Néstor Kirchner, que ao lado do líder venezuelano Hugo Chávez e brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva foi um dos principais impulsionadores da integração regional, a iniciativa caiu em um período de inércia devido ao fato de que o secretário-geral Alí Rodríguez Araque que ficou à frente do organismo regional de 2012 a 2014 ficou gravemente doente e, portanto, impedido de levar o processo adiante.

Para Samper, a cúpula deve marcar a consolidação da Unasul como liderança regional| Foto: Unasul

Samper, no entanto, tem se empenhado para retomar a importância da Unasul. Durante o encontro, propôs uma agenda com diversos pontos para serem avaliados pelos mandatários do bloco e considera que é fundamental dar sequência aos projetos considerados prioritários pelo Cosiplan (Conselho Sul-Americano de Infraestrutura e Planejamento).

Entre esses projetos estão: a instauração de um banco de preços de medicamentos, viabilizando a melhor compra possível pelos países do bloco; a criação de um fundo para bolsas de estudo entre os países do bloco, tendo a ciência e tecnologia como questão fundamental; o estabelecimento de cooperação na gestão de riscos de desastres naturais, a exemplo do Cemaden no Brasil; e discussão sobre a possibilidade de abertura do espaço aéreo dentro da Unasul.

Nada disso foi considerado importante pela imprensa tradicional do país.

Espanha e EUA, os países onde mais cresce a desigualdade

Por Thomas Gualtieri | Via El País

A concentração do crescimento do desemprego nas rendas mais baixas transformou a Espanha no país desenvolvido onde houve o maior aumento da desigualdade durante a crise econômica. Segundo o Relatório Mundial sobre Salários 2014/2015 que a Organização Internacional do Trabalho (OIT) divulgou na sexta-feira em Madri, a diferença que separa a parte mais rica e a mais pobre da população cresceu entre 40% e 50%, e transformou a Espanha no segundo país mais desigual —depois dos Estados Unidos— no grupo que inclui a União Europeia e o gigante norte-americano.

A agência das Nações Unidas se baseou em dados de 2010 que já haviam sido levantados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), mas introduziu um elemento novo ao identificar o desemprego como principal causa da ampliação da desigualdade. A OIT destaca que a redução do poder aquisitivo na Espanha chega a 17%. O fato de a perda de emprego—e em menor medida o corte de salários— se concentrar na camada dos 10% mais pobres da população diminuiu o poder de compra deste grupo em 43%. “Esse dado, e levando em conta que a redução do poder aquisitivo dos 10% com mais dinheiro não passa de 3% a 4%, é o principal motivo para o aumento da desigualdade”, explicou na sexta-feira Rosalía Álvarez, uma das autoras do relatório.

Mais produtividade

A pesquisadora da OIT também ressaltou que essas dinâmicas não se reproduziram em países como Portugal, Grécia e Romênia, onde ocorreu o contrário: o poder aquisitivo da camada da população com maior renda diminuiu mais do que o da parte mais pobre, e determinou um efeito de “achatamento” dos salários que reduziu a diferença entre elas.

Álvarez destacou ainda a queda de 1,3% dos salários na Espanha em 2013, enquanto em 2007 houve uma alta de 1,7%. Seu peso no poder de compra, além disso, foi reduzido em 10 pontos percentuais (representava 70% em 2006 e 60% em 2013).

É uma tendência que se mostrou mais marcante do que em outros países desenvolvidos, onde também houve redução dos salários. Ao mesmo tempo, nas economias emergentes o salário médio cresceu e isso está levando a uma convergência dos níveis salariais globais.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O relatório também destaca um crescimento da produtividade no trabalho —o valor de bens e serviços produzidos por trabalhador —entre 1999 e 2013. A diferença em relação aos salários foi de 10% entre 1999 e 2013 e de 5% entre 2009 e 2013. “Existe margem para subir os salários, na medida em que a produtividade permita”, afirmou o diretor-geral da OIT na Espanha, Joaquín Nieto, ao comentar os resultados do relatório. Ele explicou que as causas da situação atual são “tanto estruturais quanto políticas” e concluiu: “A pergunta não é se os salários devem subir, mas quanto devem subir”.

Metri: Futuro do Pré-Sal

Por Paulo Metri | Via Correio da Cidadania

O pico do petróleo

O artigo de Colin Campbell e Jean Laherrère, intitulado “The End of Cheap Oil”, de março de 1998, teve certa repercussão à época. Eles afirmavam que a produção mundial de petróleo convencional começaria a declinar dentro de uns dez anos, ou seja, ela passaria por um máximo por volta de 2008. A partir desta data, haveria uma demanda insatisfeita e, como consequência, o preço do barril tenderia a subir. O Fundo Monetário Internacional, no seu documento “World Economic Outlook” de abril de 2011 (1), admitiu um quadro de futura escassez de petróleo, quando a demanda mundial não conseguiria ser atendida pela produção.

Contudo, Campbell e Laherrère se referiram a um quadro de escassez do petróleo convencional. Eles não incluíram, por exemplo, o uso de óleo e gás de xisto. Outra crítica que pode ser feita a este trabalho é o fato deles não terem avaliado corretamente a possibilidade de novas fronteiras petrolíferas serem descobertas. A avaliação da produção futura das descobertas passadas nas diversas regiões do mundo foi perfeita. Mas, à medida que novas tecnologias eram desenvolvidas, foi possível melhorar a análise de dados e a prospecção, o que resultou em novas descobertas, como foi o caso da descoberta do Pré-Sal.

Inversão do quadro

No entanto, hoje há um quadro de superprodução de petróleo no mundo, com a concomitante diminuição da demanda, o que acarreta a queda no preço do barril. Assim, o barril, que custava US$ 115, durante o conflito no Iraque, passou a custar US$ 85, em outubro último, e existe a perspectiva que irá decrescer mais ainda. A Agência Internacional de Energia, após a quarta redução da projeção do consumo de petróleo para 2014, chegou à média anual de 92,4 milhões de barris por dia (MM bpd) e a oferta em setembro deste ano foi de 93,8 MM bpd. No presente artigo, são usados muitos dados do artigo de Ghirardi (2), cuja leitura é recomendada.

A crise econômica pela qual passam quase todas as economias do mundo, continuação da crise financeira de 2008, certamente contribui para a diminuição da demanda mundial por petróleo. Até a China, que cresce a 7% ao ano, ainda assim pode ser considerada como estando em crise, pois cresceu em torno de 10% durante mais de uma década.

Fora isso, os países do Oriente Médio, que compõem a maioria dos membros da OPEP, de uma forma geral, não aceitaram a proposta de redução das suas cotas de produção na última reunião da organização. A proposta era que esta redução viesse a segurar o preço do barril em torno de US$ 100. No entanto, existiram países da região que aumentaram a produção. O Iraque, depois da introdução do modelo que incluiu empresas estrangeiras no setor, aumentou sua produção em 700 mil bpd, pois saiu de 2,4 MM bpd no início de 2011 e chegou a 3,1 MM bpd nos dias atuais. Fora da OPEP, pode-se salientar o pequeno aumento da produção do Brasil. Entretanto, é esperado que o país esteja exportando 1 MM bpd em 2020.

Fora do petróleo convencional, surpreendeu o acréscimo de produção de gás e petróleo de xisto nos Estados Unidos de 2008 até o momento presente, correspondendo a reduções na necessidade de importação de petróleo deste país. A média anual de importações de petróleo dos Estados Unidos caiu de 11 MM bpd em 2008 para 6,5 MM bpd em 2013.

Cada país exportador tem um valor mínimo para o preço do barril a ser exportado, a partir do qual qualquer diminuição adicional do preço significará a não atratividade da exportação. Deste preço mínimo de exportação, é retirada a receita da empresa produtora, obtendo-se a arrecadação limite de tributos ainda aceitável para satisfazer os gastos previstos de governo. A Arábia Saudita se diz confortável com preços do barril entre US$ 90 e US$ 80. O Kuwait pode aceitar preços abaixo de US$ 80.

As empresas petrolíferas têm também seus limites para o negócio. Os custos relacionados com os investimentos e os de produção, adicionados aos tributos pagos e ao lucro mínimo visado pela empresa, nunca podem alcançar a receita da produção, que é função do preço de venda do barril. Resumindo, o preço do barril é primordial para a definição da atratividade, em nível governamental, da arrecadação de tributos do país e a permanência de empresas do ramo no país. A primeira conclusão é que está ocorrendo uma brutal briga de concorrentes supridores de petróleo ao mercado mundial, restando saber quais os verdadeiros objetivos desta briga.

Autores passam a listar empreendimentos ao redor do mundo que estariam fadados à inviabilidade se o barril de petróleo ficar abaixo de determinados valores. Lembro que já se fala em o barril estabilizar em US$ 60. O mais visado, segundo alguns autores, seria a produção de petróleo e gás de xisto, mas outras iniciativas estariam também comprometidas. Os produtores de baixo custo do barril, os do Oriente Médio, estariam forçando a saída do negócio de concorrentes menos competitivos.

Por outro lado, o mais comum na economia é a formação de cartéis entre empresas do mesmo ramo para a proteção mútua dos seus integrantes, sendo a OPEP um cartel formado às claras com este objetivo. A Venezuela é um antigo membro da OPEP e a sua posição de redução das cotas, na última reunião da organização, não foi aceita. Poderia existir outra razão para a não redução das cotas e a consequente superprodução atual de petróleo?

O componente geopolítico

Não existe país que prescinda da importação de itens do exterior, cuja compra requer a posse de moeda forte. Assim, os países precisam ter superávit nas suas contas externas para que seja possível importar os itens de consumo que precisam e os bens de capital e serviços necessários para o desenvolvimento. Como é usualmente lido na literatura, a União Soviética sobreviveu durante muitos anos, em boa medida, graças à exportação do petróleo e gás de Surgut e Baku.

De “O Segredo das Sete Irmãs, a Vergonhosa História do Petróleo”(3), no capítulo “O Urso Dançarino”, obtém-se: “O programa antimíssil ‘Guerra nas Estrelas’ dos Estados Unidos visava fornecer proteção contra uma guerra nuclear, mas o objetivo para Washington era, acima de tudo, forçar os soviéticos a entrarem numa frenética corrida armamentista. Ronald Reagan, eleito presidente em 1983, e William Cassey, seu diretor da CIA, planejaram a primeira fase da armadilha. Assim, começou a grande caçada ao urso, um ser assustador. Era o Exército Vermelho com cinco milhões de homens e armas nucleares. A vasta máquina de guerra era abastecida por dinheiro do petróleo”.

“François Roche, jornalista e escritor: ‘Para poder constantemente fazer frente ao avanço tecnológico dos EUA, o governo soviético foi obrigado a mobilizar somas muito significativas. E com que dinheiro os soviéticos financiaram o seu complexo militar e industrial de guerra? Com receitas de exportações de matérias-primas, essencialmente, petróleo e gás’”.

“A segunda parte da armadilha seria montada pelos sauditas. Reagan persuadiu o seu aliado rei Fahd a usar o petróleo como uma arma para desestabilizar a URSS. Em 1983, a Arábia Saudita abriu as comportas do petróleo e inundou o mercado. Ao encorajar os sauditas a produzirem de forma que a oferta mundial ficasse bem acima da demanda, Reagan baixou o preço do petróleo. O barril caiu para US$ 13. Isso ocorreu na década de 1980 e provocou um desastre em muitos países. Mas o maior efeito foi na União Soviética, que dependia quase inteiramente de petróleo e gás para ter receitas em divisas. As fraturas internas cresceram e o regime colapsou”.

“A União Soviética já não tinha dinheiro para pagar as pensões, para pagar aos mineiros, para comprar sabão para os mineiros, para pagar os serviços sociais que mantinham a população calada. Para comprar vodca. O urso soviético já não dançava. Estava de ressaca e falido. As lojas estavam vazias, os salários por pagar e anteviam-se problemas. Mikahail Gorbachev estava impotente. O país estava arruinado. O preço do petróleo tinha desmembrado definitivamente a União Soviética. Em 1989, cai o Muro de Berlim. Os Estados Bálticos da Geórgia e Armênia declaram as suas independências. No dia 25 de dezembro de 1991, Gorbachev demite-se do cargo de chefe de Estado. O império comunista rui”.

A história da débâcle da União Soviética lembra em parte o momento atual. Hoje, a mesma Arábia Saudita, eterna aliada dos Estados Unidos, com a ajuda do Iraque e da Líbia dominados e de outros países do Oriente Médio, inundam o mercado de petróleo. A pergunta correta a ser feita é: “Que países produtores irão sofrer mais com a queda e a permanência prolongada do preço do barril em US$ 50 (abaixo deste valor, as finanças dos próprios promotores do ‘dumping’ seriam também fortemente impactadas)?” Creio que a resposta é: “A Rússia, o Irã e a Venezuela”. Estes países são produtores de petróleo e gás, cujas vendas são a principal fonte geradora de divisas, que acionam suas economias. A atual queda de preço do barril e a permanência no nível baixo do preço por um período razoável irá colocá-los em difícil situação econômica. O caso da Rússia é um pouco diferente porque a sua maior produção é de gás natural, que obriga maior fidelidade por parte de seus consumidores, no entanto, ainda assim, ela sofrerá consequências.

Dentre os Estados nacionais existentes no mundo, estes não são os únicos que buscam escapar da hegemonia norte-americana, mas eles têm atitudes confrontantes com os desígnios do império. Então, a baixa no preço do barril pode não ter sido decidida para feri-los e, sim, para inviabilizar o petróleo e gás de xisto, por exemplo. Mas a verdade é que a superprodução de petróleo tolhe também o crescimento destes países.

E o Pré-Sal?

Outra pergunta que surge é: “Como ficará o Pré-Sal com o barril a US$ 50?” A resposta é: “Ainda viável. O custo do petróleo do Pré-Sal está na casa de US$ 45 por barril, de forma que o consórcio que o estiver o produzindo terá uma margem pequena, mas ainda será uma margem positiva. O petróleo da Bacia de Campos, com custo em torno de US$ 14 por barril, não estará de forma alguma ameaçado”. Esta posição privilegiada do Brasil é consequência, além da natureza, da capacidade técnica e empresarial da Petrobras.

Resta um pensamento. O petróleo na crosta terrestre é necessariamente finito. Não haverá desenvolvimentos tecnológicos que estenderão a produção de petróleo indefinidamente, ainda mais a produção de petróleo barato, como Campbell e Laherrère bem frisaram. Com a pressa inexplicável dos governos brasileiros em fazer leilões de áreas de petróleo e como há uma defasagem entre o momento do leilão e o início da produção oriunda daquele leilão, o Brasil estará colocando no mercado mundial seus excedentes de petróleo na pior hora possível.

Precisa ser compreendido pelo povo que os governos, no afã de conseguirem fechar as contas anuais do superávit primário (portanto, contas de curtíssimo prazo), promovem leilões de áreas de petróleo para receberem o bônus da venda da área, no ato de assinatura das concessões e contratos de partilha, que irão acarretar enormes prejuízos para a sociedade durante mais de 30 anos. Prejuízos estes causados não só pelos fatores explicados à exaustão, em outros artigos, mas, agora, também devido à perda de receita com esta queda no preço do barril.

Em algum ponto do futuro, a Arábia Saudita e seus seguidores irão parar de tendenciar o mercado e o preço do barril voltará no mínimo ao nível anterior, em torno de US$ 100. Os excedentes do Pré-Sal podem, então, ser comercializados. O óbvio a ser feito é o governo não cair mais na tentação de promover leilões, até porque o mercado nacional estará fartamente satisfeito pela Petrobras durante os próximos 40 anos, no mínimo, e a ANP deve retirar a pressa do desenvolvimento de muitos campos da Petrobras, pois o mercado futuro de petróleo estará excessivamente ofertado. Esta medida virá também ao encontro de outros interesses nacionais, como livrará a Petrobras da necessidade de tomar novos empréstimos.

Com a queda do preço do barril, a Petrobrás terá reflexos em suas receitas, em um momento de fragilidade política devido à atitude de ladrões, que se apoderaram de alguns dos seus cargos de mando. Mas isto merece outro artigo.

Notas:

1) Jornalistas Andrea Murta e Alvaro Fagundes, notícia “FMI vê escassez de petróleo, com risco ao crescimento global”, Folha de São Paulo, caderno Mundo, 08/04/2011.

2) Engenheiro André Ghirardi, artigo “Petróleo: a virada nos mercados globais e o Pré-sal”, site “Correio da Cidadania”.

3) Produtores Frédéric Tonolli e Arnaud Hamelin, vídeo “O Segredo das Sete Irmãs, a Vergonhosa História do Petróleo”, endereço https://www.youtube.com/watch?v=jQYK3ttfVaw