Arquivos da categoria: Internacional

Geografia e estratégia

Por José Luís Fiori | Via Poder Global

“O Brasil terá que descobrir um novo caminho de afirmação da sua liderança e do seu poder internacional, dentro e fora de sua zona de influência imediata. Um caminho que não siga o mesmo roteiro das grandes potências do passado, e que não utilize a mesma arrogância e a mesma violência que utilizaram os europeus e os norte-americanos para conquistar suas colônias e protetorados”. J.L.Fiori, “História, Estratégia e Desenvolvimento. Para uma Geopolítica do Capitalismo”, Editora Boitempo, SP, 2014, p: 279

A geografia teve um papel decisivo na formação e no desenvolvimento político e econômico da América do Sul. Por um lado, ela permitiu e estimulou a formação de um região geopolítica e geoeconômica plana, homogênea, de alta fertilidade e de crescimento econômico quase contínuo na Bacia do Prata; mas, ao mesmo tempo, ela impediu que os países e a economia do Prata – incluindo o Brasil – se expandissem na direção da Amazônia, do Caribe e do Pacífico.

No caso do Brasil, em particular, a topografia do seu território atrasou a sua própria interiorização demográfica e econômica, e enviesou os seus processos de urbanização, crescimento e internacionalização, na direção do Atlântico. A Floresta Amazônica, com suas planícies tropicais de baixa fertilidade e alto custo de exploração, dificultou a sua própria ocupação, e bloqueou o caminho do Brasil na direção da Venezuela, Guiana, Suriname, e Mar do Caribe. O Pantanal e o Chaco boliviano, com suas montanhas e florestas tropicais limitaram a presença do Brasil nos territórios entre a Guiana e a Bolívia; e a Cordilheira dos Andes, com seus 8 mil km de extensão e 6.900 metros de altitude, obstruiu o acesso do Brasil ao Chile e ao Peru, e o que é ainda mais importante, ao Oceano Pacífico com todas as suas conexões asiáticas.

A reaproximação entre EUA e Cuba é inseparável da expansão econômica chinesa no Caribe e na América

Esta geografia extremamente difícil explica a existência de enormes espaços vazios dentro do território brasileiro e nas suas zonas fronteiriças, e sua escassa relação econômica com seus vizinhos durante quase todo o século XX, quando o Brasil não conseguiu nem mesmo estabelecer um sistema eficiente de comunicação e integração bioceânica, como aconteceu com os Estados Unidos, já na segunda metade do século XIX, depois da sua conquista da Califórnia e do Oregon, que se transformou num passo decisivo do seu desenvolvimento econômico, e da projeção do poder global dos Estados Unidos.

Todas estas barreiras e dificuldades geográficas, entretanto, adquiriram uma nova dimensão e gravidade, no início do século XXI, graças: 1- à transformação da China, do sudeste asiático, e da Bacia do Pacífico, no espaço mais dinâmico da economia mundial; 2- sua transformação simultânea, e no tabuleiro geopolítico mais relevante para o futuro do sistema mundial no transcurso do século XXI; 3- à consequente, “chegada’ econômica da China ao continente sul-americano, e ao Caribe e América Central, sobretudo depois do anúncio da construção do novo Canal Interoceânico da Nicarágua, financiado e construído pelos chineses, a um custo previsto de 40 bilhões de dólares; 4- à consequente revalorização geopolítica e geoeconômica do Caribe e da América do Sul, como tabuleiros relevantes da competição global entre os Estados Unidos e a China, e da competição regional destes dois países, com o Brasil.

Esta nova situação obriga o Brasil a redefinir, inevitavelmente, sua estratégia, e o cálculo de custos do seu próprio projeto de integração regional, incluindo a ocupação dos “espaços vazios” da América do Sul, e da “conquista” do seu acesso ao Oceano Pacífico e ao Mar do Caribe. Este tem que ser o ponto de partida do debate sobre a Unasul e o Mercosul, e sobre o fortalecimento da soberania política e econômica do continente, incluindo, como é óbvio, os países sul-americanos da Aliança do Pacífico. Mas este ponto é esquecido em geral pelos analistas, e é substituído por uma discussão sem fim sobre a “lucratividade” comercial ou financeira, do projeto e do processo da integração continental. Estes analistas não entendem ou não querem aceitar que se trata de um objetivo e de um processo que não pode ser avaliado apenas pelos seus resultados econômicos, porque envolve um jogo geopolítico e geoeconômico muito mais complexo e global.

Desta perspectiva, o recente reatamento das relações diplomáticas dos EUA com Cuba, explicita e aprofunda esta disputa pela supremacia regional. Foi uma vitória política indiscutível de Cuba e da América Latina, e também, do “internacionalismo liberal” de Barack Obama, que luta para sobreviver ao seu atropelamento pelo ultraconservadorismo dos republicanos, e de muitos dos seus próprios partidários democratas. Mas ao mesmo tempo, esta reaproximação é inseparável da expansão econômica chinesa no Caribe e na América Central, e do anúncio do novo “Canal da Nicarágua”, com 278 km de extensão, bem maior e mais complexo do que o Canal do Panamá, e com a obra programada para começar em dezembro de 2014. Uma disputa que começa no Mar do Caribe, mas se projeta e prolonga na luta pela liderança política, econômica e estratégica da América do Sul. Neste sentido, a reaproximação entre Cuba e os EUA contém um paradoxo e uma lição geopolítica, sobretudo para os países que se propõem subir na escada internacional do poder e da riqueza: uma vitória parcial, em qualquer tabuleiro do sistema provoca sempre o aparecimento de um novo desafio estratégico ainda mais complexo do que o anterior. Neste caso, foi uma vitória dos “povos latinos” e de certa maneira, da própria política externa brasileira, mas esta mesma vitória aumenta a urgência do Brasil abrir seus canais de comunicação e transporte com o Mar do Caribe e com a Bacia do Pacífico, a qualquer preço, e por mais criticada que seja a rentabilidade econômica imediata do projeto.

José Luís Fiori, professor titular de economia política internacional da UFRJ, é autor do livro “O Poder Global”, da Editora Boitempo, e coordenador do grupo de pesquisa do CNPQ/UFRJ “O Poder Global e a Geopolítica do Capitalismo”.

Petrobras tem novo recorde com produção de 2,29 milhões de barris

Por Vitor Abdala | Via Agência Brasil

Petrobras tem novo recorde com produção de 2,29 milhões de barris Arquivo Agência Brasil

A Petrobras atingiu, no último domingo (21), um recorde de produção diária de petróleo e gás natural liquefeito (GNL), com 2,29 milhões de barris. O recorde anterior era de 27 de dezembro de 2010, quando a estatal havia produzido 2,26 milhões de barris.

De acordo com a empresa, o recorde de produção foi alcançado devido à instalação de nove plataformas em 2013 e 2014, nas bacias de Santos e Campos. Além disso, houve ganhos de eficiência em plataformas antigas, que já operavam na Bacia de Campos, e de melhorias operacionais nas unidades do Norte e Nordeste.

A Petrobras também bateu recorde de produção de petróleo na camada pré-sal, ao chegar à marca de 700 mil barris diários no dia 16 de dezembro. Segundo a estatal, o resultado foi conseguido com a contribuição de 34 poços produtores. Desses poços, 16 estão na Bacia de Santos e respondem por 61% do volume total produzido. O restante (18) está na Bacia de Campos e responde pelos 39% restantes.

O petróleo é extraído do pré-sal por 12 diferentes plataformas, das quais oito atuam exclusivamente nesses reservatórios, que ficam abaixo de uma espessa camada de sal localizada sob o leito do oceano.

A reaproximação EUA/Cuba é parte da dominação de amplo espectro norte-americana

Por Rennan Martins | Vila Velha, 18/12/2014

O histórico episódio não se contradiz com a intenção dos EUA de impor uma ordem unipolar no mundo.

Obama e Raúl Castro surpreenderam o mundo ontem (17), entrando para a história ao anunciar a reaproximação entre Washington e Havana, depois de 53 anos. Nas conversações mediadas pelo Papa Francisco, pavimentou-se o caminho para a normalização das relações entre os países. Houve troca de prisioneiros acusados de espionagem e o anúncio de uma série de medidas que flexibilizam o bloqueio a ilha.

Dentre as mudanças mais representativas temos que as remessas financeiras de indivíduos residentes nos EUA para Cuba serão ampliadas de US$ 500 para US$ 2 mil trimestrais. A lista de produtos autorizados a serem exportados para a ilha aumentará, principalmente os equipamentos de agricultura e materiais de construção civil. Empresas norte-americanas poderão abrir contas em instituições financeiras cubanas e bandeiras de cartão de crédito ianques terão seu uso habilitado no país socialista.

No campo diplomático, temos que o secretário de Estado norte-americano Jhon Kerry foi instruído a retomar as relações com Cuba. Ocorrerá também a revisão do status do país caribenho, hoje incluso na lista de nações que promovem o terrorismo. Por fim, a mais importante das mudanças, a embaixada americana será reaberta em Havana.

O observador desatento talvez interprete essa atitude do presidente Obama como um gesto humanitário, um reconhecimento de que o embargo é ilegítimo e que o povo cubano tem de ter respeitada sua autodeterminação. No entanto, ao analisarmos o quadro internacional e a postura de Washington em relação a outros players, principalmente no que se refere a região eurasiática, fica evidente que a retomada dos diálogos é uma medida pragmática, condizente com a doutrina de dominação de amplo espectro norte-americana.

Desde o final do ano passado a Ucrânia está numa crescente de desestabilização promovida pelos EUA, por lá financiaram mais uma de suas “revoluções” coloridas. Assistimos então o golpe de Estado que retirou da presidência Viktor Yanukovich, oligarca alinhado à Moscou. Kiev passou a ser controlada por uma junta cleptocrata submissa à Washington. Por lá já iniciaram as reformas austeras/liberalizantes receitadas pelo FMI.

Putin, ao notar o Tio Sam expandindo sua presença militar por meio da OTAN, prontamente incorporou a Crimeia, região ucraniana estratégica de população etnicamente russa que se opôs ao golpe promovido pelas forças da ultradireita apoiadas pelo Ocidente. Atualmente algumas regiões do leste ucraniano declararam independência e estão batalhando pela separação em relação ao oeste, onde está a frente do executivo o magnata Petro Poroshenko, colaborador da CIA desde 2006.

Soma-se a isso as ascendentes sanções econômicas contra a Rússia, instituídas usando-se de pretexto o conveniente abate ao boeing 777, voo MH17, da Malaysia Airlines, o qual a imprensa adestrada não mais comenta por conta dos fortes indícios de que o acontecido fora uma operação de falsa bandeira. Estas sanções estão atingindo fortemente a economia russa, que se viu obrigada a subir os juros básicos de 10,5% à 17%, medida emergencial adotada pelo Banco Central local no intuito de proteger o valor do rublo e conter a inflação.

No Oriente Médio o que vemos é a consolidação do Estado Islâmico, movimento dissidente da Al-Qaeda que foi instrumentalizado pelos EUA a fim de que conseguissem a derrubada do presidente sírio Bashar Al-Assad. Os que antes eram “guerreiros da liberdade” lutando contra a “ditadura brutal” do alauita Assad tornaram-se a escória da humanidade e perigo número um ao Ocidente, mas somente a partir do momento que resolveram dominar regiões do Iraque e Curdistão, de alta importância geopolítica e econômica para o cartel transnacional do petróleo.

Há de se levar em conta também a guerra de preços que a Arábia Saudita, eterno aliado dos EUA, está bancando. A monarquia sunita tem inundado o mercado de petróleo num momento de baixa demanda, o que resulta em uma queda sem precedentes no preço do barril, a qual prejudica diretamente diversos regimes não alinhados.

Esta agressiva atuação norte-americana na Eurásia objetiva controlar os fluxos energéticos da Ásia/Oriente Médio para a Europa e ainda desmantelar a cooperação sino-russa, vista como ameaçadora pelas lideranças neoconservadoras ianques.

É nesse contexto que se insere a mudança radical de rumos dos EUA em relação a Cuba. Há muito que a comunidade internacional condena o embargo a ilha e desde a chegada de Raúl Castro ao poder o regime tem mudado suas diretrizes econômicas, visando a integração com a América Latina e o aumento das trocas comerciais internacionalmente. Símbolo desse giro cubano é o porto de Mariel, projeto financiado pelo BNDES que envolveu mais de 400 empresas brasileiras.

Washington se encontrava isolada em sua posição intransigente em relação a Havana, e inclusive assistindo outros países se aproveitando das oportunidades oferecidas pela abertura cubana. Tomou então a decisão de normalizar paulatinamente as relações com a ilha castrista, no intuito de tutelar as mudanças que ocorrem em “seu quintal” e ainda legitimar de certa forma as intervenções supracitadas na Eurásia.

“Tudo deve mudar para que tudo fique como está”, a célebre frase do escritor Giuseppe Tomasi di Lampedusa nos dá a exata compreensão da postura dos EUA frente ao mundo.

Putin: “Ocidente quer transformar o urso russo em um troféu de caça”

Via Agência Efe

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, disse nesta quinta-feira que o Ocidente “decidiu que é um império e que todos os demais são vassalos”, aos quais é preciso achatar, e opinou que querem transformar o “urso russo” em um “troféu de caça”.

Em sua entrevista coletiva anual, Putin acusou os parceiros ocidentais de querer erguer um novo Muro de Berlim, desta vez “virtual”, com suas medidas contra a Rússia.

Putin acusa parceiros ocidentais de querer erguer um novo Muro de Berlim. EFE/Maxim Shipenkov

“Por acaso não é um muro o escudo antimísseis ao lado de nossas fronteiras? Por acaso não é um muro (…) a ampliação da Otan para o Leste, algo que nos prometeram que não aconteceria depois da queda do muro de Berlim?”, perguntou o líder do Kremlin.

Putin voltou a se referir às sanções do Ocidente contra Moscou, adotadas pelo papel da Rússia na crise da Ucrânia, como uma nova tentativa dos Estados Unidos e Europa de “arrancar as garras e os dentes do urso” russo para que se transforme “em um troféu de caça”.

“Às vezes penso se não seria melhor que o urso ficasse tranquilo, comendo favas e mel. Talvez assim o deixassem em paz. Não o deixarão! Porque sempre tentarão colocar uma corrente nele. E quando o prenderem, lhe arrancarão os dentes e as garras, que hoje são (nossa) força de contenção nuclear”, disse o líder russo.

Ao mesmo tempo, reconheceu que as sanções ocidentais já prejudicaram a economia russa, e são causadoras de “em torno de 25% a 30% dos problemas econômicos que o país sofre”.

Por outro lado e após admitir a presença de voluntários russos no leste da Ucrânia, combatendo o bando rebelde, Putin reiterou que “na consciência social” da Rússia, o conflito armado nas regiões rebeldes ucranianas “é uma operação de castigo realizada pelas atuais autoridades de Kiev”.

“Não foram os milicianos do leste que enviaram suas unidades a Kiev, mas as autoridades de Kiev que levaram suas forças armadas para o leste”, ressaltou o chefe do Kremlin, que voltou a qualificar de “golpe de Estado” a reviravolta de poder vivida na Ucrânia no início deste ano.

A grande farsa do gás de xisto

Por Nafeez Mosaddeq Ahmed | Via Le Monde Diplomatique

Energia barata versus poluição prolongada: nos EUA, o dilema da exploração de gás e petróleo de xisto não atormentou industriais nem o poder público. Em menos de uma década, essas novas reservas recolocaram o país no crescimento, doparam o emprego e restabeleceram a competitividade. Mas e se for apenas uma bolha?

Se crermos nas manchetes da imprensa norte-americana anunciando um boom econômico graças à “revolução” do gás e do petróleo de xisto, o país logo estará se banhando em ouro negro. O relatório de 2012, “Perspectivas energéticas mundiais”, da Agência Internacional de Energia (AIE), informa que, por volta de 2017, os Estados Unidos arrebatarão da Arábia Saudita o primeiro lugar na produção mundial de petróleo e conquistarão uma “quase autossuficiência” em matéria energética. Segundo a AIE, a alta programada na produção de hidrocarbonetos, que passaria de 84 milhões de barris/dia em 2011 para 97 milhões em 2035, proviria “inteiramente dos gases naturais líquidos e dos recursos não convencionais” – sobretudo o gás e o óleo de xisto –, ao passo que a produção convencional começaria a declinar a partir de… 2013.

Extraídos por fraturamento hidráulico (injeção, sob pressão, de uma mistura de água, areia e detergentes para fraturar a rocha e deixar sair o gás), graças à técnica da perfuração horizontal (que permite confinar os poços à camada geológica desejada), esses recursos só são obtidos ao preço de uma poluição maciça do ambiente. Entretanto, sua exploração nos Estados Unidos criou várias centenas de milhares de empregos, oferecendo a vantagem de uma energia abundante e barata. Conforme o relatório de 2013, “Perspectivas energéticas: um olhar para 2040”, publicado pelo grupo ExxonMobil, os norte-americanos se tornarão exportadores líquidos de hidrocarbonetos a partir de 2025 graças aos gases de xisto, num contexto de forte crescimento da demanda mundial do produto.

Mas e se a “revolução dos gases de xisto”, longe de robustecer uma economia mundial convalescente, inflar uma bolha especulativa prestes a explodir? A fragilidade da retomada, tanto quanto as experiências recentes, deveria convidar à prudência diante de tamanho entusiasmo. A economia espanhola, por exemplo, outrora tão próspera – quarta potência da zona do euro em 2008 –, está hoje em maus lençóis depois que a bolha imobiliária, à qual ela se agarrava cegamente, explodiu sem aviso prévio. A classe política não aprendeu muita coisa com a crise de 2008 e está a ponto de repetir os mesmos erros no campo das energias fósseis.

Em junho de 2011, uma pesquisa do New York Times já revelava algumas fissuras no arcabouço midiático-industrial do boom dos gases de xisto, atiçando assim as dúvidas alimentadas por diversos observadores – geólogos, advogados, analistas de mercado – quanto aos efeitos da publicidade das companhias petrolíferas, suspeitas de “superestimar deliberadamente, e mesmo ilegalmente, o rendimento de suas explorações e o volume de suas jazidas”.1 “A extração do gás do xisto existente no subsolo”, escreveu o jornal, “poderia se revelar menos fácil e mais cara do que afirmam as empresas, como se vê pelas centenas de e-mails e documentos trocados pelos industriais a esse respeito, além das análises dos dados recolhidos em milhares de poços.”

No início de 2012, dois consultores norte-americanos soaram o alarme na Petroleum Review, a principal revista britânica da indústria petrolífera. Incertos quanto à “confiabilidade e durabilidade das jazidas de gás de xisto norte-americanas”, eles observam que as previsões dos industriais coincidem com as novas regras da Security and Exchange Commission (SEC), o organismo federal de controle dos mercados financeiros. Adotadas em 2009, essas regras autorizam as empresas a calcular o volume de suas reservas como bem entendam, sem precisar da verificação de uma autoridade independente.2

Para os industriais, superestimar as jazidas de gás de xisto permite pôr em segundo plano os riscos associados à sua exploração. Ora, o fraturamento hidráulico não apenas tem efeitos prejudiciais sobre o meio ambiente como coloca um problema estritamente econômico, uma vez que gera uma produção de vida muito curta. Na revista Nature, um ex-consultor científico do governo britânico, David King, esclarece que o rendimento de um poço de gás de xisto diminui de 60% a 90% após seu primeiro ano de exploração.3

Uma queda tão significativa torna evidentemente ilusório qualquer objetivo de rentabilidade. Depois que um poço se esgota, os operadores devem escavar imediatamente outros para manter seu nível de produção e pagar suas dívidas. Sendo a conjuntura favorável, essa corrida pode iludir durante alguns anos. Foi assim que, combinada com uma atividade econômica decrescente, a produção dos poços de gás de xisto – frágil a longo prazo, vigorosa por algum tempo – provocou uma baixa espetacular dos preços do gás natural nos Estados Unidos: de US$ 7 ou 8 por milhão de BTU (British Thermal Unit) para menos de US$ 3 ao longo de 2012.

Os especialistas em aplicações financeiras não se deixam enganar. “A economia do fraturamento é destrutiva”, adverte o jornalista Wolf Richter na Business Insider.4 “A extração devora o capital a uma velocidade impressionante, deixando os exploradores sobre uma montanha de dívidas quando a produção cai. Para evitar que essa diminuição engula seus lucros, as companhias devem prosseguir bombeando, compensando poços esgotados com outros que se esgotarão amanhã. Cedo ou tarde esse esquema se choca com um muro, o muro da realidade.”

Arthur Berman, um geólogo que trabalhou para a Amoco e a British Petroleum, confessa-se surpreso com o ritmo “incrivelmente acelerado” do esgotamento das jazidas. E, dando como exemplo o sítio de Eagle Ford, no Texas – “É a mãe de todos os campos de óleo de xisto” –, revela que “a queda anual da produção ultrapassa os 42%”. Para garantir resultados estáveis, os exploradores terão de perfurar “quase mil poços suplementares, todos os anos, no mesmo sítio. Ou seja, uma despesa de US$ 10 bilhões a 12 bilhões por ano… Se somarmos tudo, isso equivale ao montante investido para salvar a indústria bancária em 2008. Onde arranjarão tanto dinheiro?”.5

A bolha do gás já produziu seus primeiros efeitos sobre algumas das maiores empresas petrolíferas do planeta. Em junho último, o diretor-presidente da Exxon, Rex Tillerson, queixou-se de que a queda dos preços do gás natural nos Estados Unidos era sem dúvida uma boa notícia para os consumidores, mas uma maldição para sua companhia, vítima da diminuição drástica dos lucros. Se, diante dos acionistas, a Exxon continuava fingindo que não perdera um centavo por causa do gás, Tillerson desfiou um discurso quase lacrimoso diante do Council on Foreign Relations (CFR), um dos fóruns mais influentes do país: “Logo, logo, perderemos até as calças. Não ganhamos mais dinheiro. As contas estão no vermelho”.6

Mais ou menos na mesma ocasião, a companhia de gás britânica BG Group se via às voltas com “uma depreciação de seus ativos referentes ao gás natural norte-americano da ordem de US$ 1,3 bilhão”, sinônimo de “queda sensível em seus lucros intermediários”.7 Em 1º de novembro de 2012, depois que a empresa petrolífera Royal Dutch Shell amargou três trimestres de resultados medíocres, com uma perda acumulada de 24% em um ano, o serviço de informações da Dow Jones divulgou essa notícia funesta, alarmando-se com o “prejuízo” causado ao conjunto do setor de ações pela retração do gás de xisto.

Da panaceia ao pânico

A bolha não poupa sequer a Chesapeake Energy, que, no entanto, é a pioneira na corrida aos gases de xisto. Esmagada por dívidas, a empresa norte-americana precisou vender parte de seus ativos – campos e gasodutos a um valor total de US$ 6,9 bilhões – para honrar seus compromissos com os credores. “A empresa está indo um pouco mais devagar, muito embora seu CEO a tenha transformado num dos líderes da revolução dos gases de xisto”, deplorou o Washington Post.8

Como puderam cair tanto os heróis dessa “revolução”? O analista John Dizard observou, no Financial Times de 6 de maio de 2012, que os produtores de gás de xisto haviam gasto quantias “duas, três, quatro ou mesmo cinco vezes superiores aos seus fundos próprios a fim de adquirir terras, escavar poços e levar a bom termo seus projetos”. Para financiar a corrida do ouro, foi necessário pedir emprestadas somas astronômicas “em condições complexas e exigentes”, lembrando que Wall Street não se afasta nunca de suas normas de conduta habituais. Segundo Dizard, a bolha do gás deveria, porém, continuar crescendo por causa da dependência dos Estados Unidos desse recurso economicamente explosivo. “Considerando-se o rendimento efêmero dos poços de gás de xisto, as perfurações devem prosseguir. Os preços acabarão por se ajustar a um nível elevado, e mesmo muito elevado, para cobrir não apenas dívidas antigas, mas também custos de produção realistas.”

Não se descarta, contudo, que diversas companhias petrolíferas de grande porte se vejam simultaneamente na iminência da ruína financeira. Caso essa hipótese se confirme, diz Berman, “assistiremos a duas ou três falências ou operações de compra de enorme repercussão; cada qual resgatará seus papéis, os capitais se evaporarão e teremos o pior dos cenários”.

Em suma, o argumento segundo o qual os gases de xisto protegeriam os Estados Unidos ou a humanidade contra o “pico do petróleo” – nível a partir do qual a combinação das pressões geológicas e econômicas tornará a extração do produto bruto insuportavelmente difícil e onerosa – não passa de um conto de fadas. Diversos relatórios científicos independentes, divulgados há pouco, confirmam que a “revolução” do gás não trará nenhum alívio nessa área.

Num estudo publicado pela revista Energy Police, a equipe de King chegou à conclusão de que a indústria petrolífera superestimou em um terço as reservas mundiais de energia fóssil. As jazidas ainda disponíveis não excederiam 850 bilhões de barris, enquanto as estimativas oficiais falam de mais ou menos 1,3 trilhão. Segundo os autores, “imensas quantidades de recursos fósseis permanecem nas profundezas da terra, mas o volume de petróleo explorável pelas tarifas que a economia mundial tem o costume de suportar é limitado, devendo além disso diminuir a curto prazo”.9

A despeito dos tesouros em gás arrancados do subsolo por fraturamento hidráulico, a diminuição das reservas existentes prossegue num ritmo estimado entre 4,5% e 6,7% por ano. King e seus colegas repelem, pois, categoricamente a ideia de que o boom dos gases de xisto poderá resolver a crise energética. Por sua vez, o analista financeiro Gail Tverberg lembra que a produção mundial de energias fósseis convencionais não aumentou depois de 2005. Essa estagnação, na qual ele vê uma das causas principais da crise de 2008 e 2009, anunciaria um declínio suscetível de agravar ainda mais a recessão atual – com ou sem gás de xisto.10 E não é tudo: numa pesquisa publicada em conjunto com o relatório da AIE, a New Economics Foundation (NEW) prevê que o pico do petróleo será alcançado em 2014 ou 2015, quando os gastos com a extração e o abastecimento “ultrapassarão o custo que as economias mundiais podem assumir sem causar danos irreparáveis às suas atividades”.11

Submergidos pela retórica publicitária dos lobistas da energia, esses trabalhos não chamaram a atenção da mídia nem dos políticos. É lamentável, pois podemos entender perfeitamente sua conclusão: longe de restaurar a prosperidade, os gases de xisto inflam uma bolha artificial que camufla temporariamente uma profunda instabilidade estrutural. Quando ela explodir, provocará uma crise de abastecimento e um aumento de preços que talvez afetem dolorosamente a economia mundial.

Referências:

1 “Insiders sound an alarm amid a natural gas rush” [Especialistas soam um alarme em meio a uma corrida de gás natural], New York Times, 25 jun. 2011.

2 Ruud Weijermars e Crispian McCredie, “Inflating US shale gas reserves” [Inflando as reservas de gás de xisto dos EUA], Petroleum Review, Londres, jan. 2012.

3 David King e James Murray, “Climate policy: oil’s tipping point has passed” [Política climática: o ponto de inflexão do petróleo passou], Nature, Londres, n.481, 26 jan. 2012.

4 Wolf Richter, “Dirt cheap natural gas is tearing up the very industry that’s producing it” [Gás natural sujo e barato está destruindo a indústria que o produz], Business Insider, Portland, 5 jun. 2012.

5 “Shale gas will be the next bubble to pop. An interview with Arthur Berman” [O gás de xisto será a próxima bolha a estourar. Entrevista com Arthur Berman], 12 nov. 2012. Disponível em: <www.oilprice.com>.

6 “Exxon: ‘losing our shirts’ on natural gas” [“Exxon: ‘perdendo as calças’ no gás natural”], Wall Street Journal, Nova York, 27 jun. 2012.

7 “US shale gas glut cuts BG Group profits” [O excesso de gás de xisto nos EUA reduz lucros do BG Group], The Financial Times, Londres, 26 jul. 2012.

8 “Debt-plagued Chesapeake energy to sell $6,9 billion worth of its holdings” [Pressionada pela dívida de energia, a Chesapeake vende US$ 6,9 bilhões de valor de suas participações], Washington Post, 13 set. 2012.

9 Nick A. Owen, Oliver R. Inderwildi e David A. King, “The status of conventional world oil reserves – hype or cause for concern?” [O estado das reservas de petróleo convencional do mundo – publicidade exagerada ou motivo de preocupação?], Energy Policy, Guildford, v.38, n.8, ago. 2010.

10 Gail E. Tverberg, “Oil supply limits and the continuing financial crisis” [Limites do abastecimento de petróleo e a continuação da crise financeira], Energy, Stanford, v.35, n.1, jan. 2012.

11 “The economics of oil dependence: a glass ceiling to recovery” [A economia da dependência do petróleo: um teto de vidro para a recuperação], New Economics Foundation, Londres, 2012.

Ilustração: Daniel Kondo

*- Nafeez Mosaddeq Ahmed é cientista político, é diretor do Institute for Policy Research and Development, Brighton, Reino Unido.

Emanuel Cancella: A Globo sempre jogou sujo contra a Petrobras

Por Emanuel Cancella | Via Viomundo

Na década de 90 os petroleiros foram protestar na porta da Globo no Rio, no Jardim Botânico.

A emissora fez campanha pela privatização da Petrobras, comparando a Petrobras a um paquiderme e chamando os petroleiros de marajás.

O tempo mostrou quem tinha razão: hoje a Petrobras descobriu o pré-sal, que elevou nossas reservas a 60 bilhões de barris de petróleo, o que nos garante o consumo para os próximos 50 anos, e está entre as maiores petroleiras no mundo, inclusive através de seus impostos financiando 75% do PAC, além de vários programas sociais e culturais.

Hoje a corrupção é investigada e corruptos e corruptores estão indo para cadeia e o Ministério Publico anunciou que vai tentar recuperar R$ 1 bilhão desviado da Petrobras.

Só para se ter uma idéia do recente passado, em 1999 o então presidente do Brasil Fernando Henrique Cardoso, do PSDB, fez um repasse de R$ 1,4 bilhão no escândalo conhecido como “Marka e FonteCindam”, dizendo que era para impedir a quebra do sistema financeiro brasileiro.

Esse dinheiro nunca voltou aos cofres públicos e FHC ainda posa de paladino da moral e dos bons costumes.

A Policia Federal, o Ministério Público e o Congresso Nacional nunca cobraram responsabilidade de FHC.

Agora a Globo faz campanha sistemática e diária contra a Petrobras e ainda tem a cara de pau de bater na porta do palácio do Planalto, muito provavelmente para pedir dinheiro através de campanhas publicitárias do governo na emissora.

A Globo, sem nenhum escrúpulo, faz campanha pela vinda das empreitaras norte-americanas para o Brasil, para substituir as nossas empresas envolvidas em corrupção na Petrobras.

Só que as empreiteiras norte-americanas são as mais sujas e corruptas do mundo, responsáveis inclusive pelo maior vazamento de petróleo do mundo, no Golfo do México.

Agora a Globo faz campanha pelos escritórios advocatícios norte-americano, estimulando os acionistas a entrarem com ações contra a Petrobras.

Não sei se esses advogados americanos são os melhores defensores de acionistas, haja vista que a Petrobras, apesar da campanha sórdida da Globo, vai bem obrigado. Já nos EUA e no mundo os acionistas da GM e do Citibank, entre outros, estão a ver navios pós quebradeira dos EUA em 2008.

Creio que está chegando a hora dos brasileiros voltarem à porta da Globo para barrar seu jogo sujo contra a Petrobras e em favor dos norte-americanos.

*- Emanuel Cancella é diretor do Sindipetro-RJ e da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP).

Após 53 anos, EUA e Cuba anunciam conversas para ‘normalizar’ relações diplomáticas

Por Vanessa Martina Silva, Felipe Amorim e Rafael Targino | Via Opera Mundi

Um ano atrás, Obama e Raúl se cumprimentaram durante o enterro do ex-presidente sul-africano Nelson Mandela, em Johanesburgo. Agência Efe

Ainda nesta quarta, Washington e Havana trocaram prisioneiros: Alan Gross e os três restantes do grupo dos Cinco Cubanos foram libertados.

Os presidentes dos EUA, Barack Obama, e de Cuba, Raúl Castro, anunciaram nesta quarta-feira (17/12) as maiores mudanças nas relações entre os dois países desde a imposição do embargo norte-americano à ilha em 1961. Entre as medidas, estão o início das conversas para a normalização das relações diplomáticas, a flexibilização do bloqueio econômico e a libertação, por parte dos cubanos, de 53 presos políticos.

Ainda nesta quarta, Washington e Havana trocaram prisioneiros: enquanto Cuba libertou o norte-americano Alan Gross, que cumpria pena de 15 anos na ilha por espionagem, Washington soltou também os últimos três dos Cinco Cubanos presos nos EUA, também acusados de espionagem.

As negociações entre os dois países começaram há cerca de 18 meses, no Canadá, e incentivadas pelo papa Francisco. Obama e Castro conversaram na manhã desta quarta pelo telefone – a primeira vez que mandatários dos países o fizeram desde o embargo – e selaram o acordo para a libertação dos prisioneiros.

As medidas anunciadas pelos dois governos incluem:

Diplomacia:

· Secretário de Estado norte-americano, John Kerry, foi instruído para retomar imediatamente os diálogos com Cuba para reatar relações diplomáticas, interrompidas em janeiro de 1961

· Reabrir embaixada norte-americana em Havana para “trocas de alto nível”

· Manter diálogos com Cuba sobre: imigração, direitos humanos, combate às drogas

· EUA participarão da reunião da Cúpula das Américas em 2015, evento diplomático da OEA (Organização dos Estados Americanos) para o qual Cuba recebeu convite expresso do Panamá

· EUA revisarão inclusão de Cuba na lista de países que promovem terrorismo, status que a ilha acumula desde 1982

Viagens:

· Flexibilização das restrições a viagens entre os países: mais vistos serão disponibilizados a famílias, funcionários de governos, jornalistas, pesquisadores, grupos religiosos, ativistas humanitários e outros

Economia:

· Mudanças nas políticas econômicas dos departamentos do Tesouro e Comércio com relação a Cuba

· A permissão para o envio trimestral de remessas financeiras de indivíduos nos EUA para Cuba serão ampliadas de US$ 500 para US$ 2 mil

· Mais produtos dos EUA receberão autorização para serem exportados para Cuba, como material de construção civil e equipamentos de agricultura

· Cidadãos norte-americanos poderão obter licença para importar bens no valor de até US$ 400, mas não mais do que US$ 100 em bebidas alcóolicas e tabaco

· Empresas dos EUA terão permissão para abrir contas em instituições financeiras cubana

· Cartões de crédito e débito de bandeiras norte-americanas poderão ser usados por estrangeiros em Cuba

· Empresas de telecomunicações e internet dos EUA deverão ter mais liberdade para operar na ilha e poderão construir estruturas para intercambiar informação entre Cuba e EUA

Castro

Os discursos de Castro e de Obama foram quase simultâneos.

O cubano ressaltou a importância da retomada nas relações diplomáticas entre Cuba e os Estados Unidos. O líder afirmou que a “decisão de Obama merece respeito e reconhecimento do povo cubano”.

Os três dos Cinco Cubanos, que estavam detidos nos Estados Unidos desde 2001, já estão em solo cubano, afirmou o mandatário, que anunciou também a libertação de outras pessoas “sobre as quais o governo dos EUA demonstraram interesse”.

Cubanos assistem, em Havana, a discurso do presidente Raúl Castro. Agência Efe

Raúl ressaltou ainda que, apesar dos avanços, “o principal ainda não foi resolvido”. Isso porque Obama anunciou medidas para flexibilizar o bloqueio econômico imposto a Cuba desde 1961, mas não seu levantamento total. “O bloqueio econômico, que provoca tantos danos a nosso país, deve cessar”. Na opinião do mandatário, “o governo dos EUA pode modificar a aplicação da lei em uso de suas faculdades executivas”. O discurso do líder cubano foi encerrado ressaltando a necessidade de que o “governo dos EUA adote medidas mútuas para melhorar o clima bilateral e avançar para a normalização dos vínculos entre os países” e exortou o governo dos Estados Unidos a remover os obstáculos que “impedem o vínculo entre nossos povos as famílias e cidadãos de nossos países”.

Por fim, reconheceu as “profundas diferenças em matéria de soberania nacional, democracia e direitos humanos”, ressaltou a continuidade da revolução “sem renunciar aos nossos princípios” e destacou as dificuldades enfrentadas para levar adiante a atualização do modelo econômico do país “para construir um socialismo próspero e sustentável”.

Obama

Obama, por sua vez, falando da Casa Branca, disse que as medidas “criam mais oportunidades para os dois povos”. “50 anos [de embargo] mostram que o isolamento não funcionou. É hora de fazer uma aproximação”, afirmou.

Obama afirmou que política em relação a Cuba mostra que isolamento “não funcionou”. Agência Efe

O norte-americano comparou a situação das relações com Cuba à das com a China e com o Vietnã. “Nós temos relações com a China, que também é um país comunista. Assim como com o Vietnã. É por isso que, quando tomei posse, prometi reexaminar nossa política em relação a Cuba.”

“Nem o povo americano, nem o cubano, são servidos [atualmente] por uma política rígida que tem raízes em eventos que tiveram lugar antes de muitos nós sermos nascidos”, destacou Obama – ele mesmo, lembrou, nascido em 1961, ano em que o embargo à ilha foi imposto pelo então presidente John Kennedy.