Arquivos da categoria: Internacional

Como Brasil, Holanda chama embaixador na Indonésia após execuções

Via Opera Mundi

Ambulâncias com corpos dos executados deixaram a prisão neste domingo (18/01) na Indonésia. Agência Efe

Nigéria, Maláui e Vietnã não se pronunciaram a respeito de execuções; rei holandês interveio pessoalmente para tentar evitar execução.

O rei da Holanda, Willem-Alexander, se envolveu pessoalmente nos trâmites para tentar evitar a execução de Ang Kiem Soei – um dos cinco estrangeiros fuzilados no sábado (17/01) na Indonésia. O monarca conversou com o presidente indonésio, Joko Widodo, para pedir clemência para o cidadão holandês, sem sucesso. O mesmo procedimento foi adotado pela mandatária brasileira, Dilma Rousseff. Vietnã, Maláui e Nigéria não se pronunciaram a respeito da morte de seus cidadãos.

O primeiro-ministro da Holanda, Mark Rutte, também entrou em contato com Widodo para interceder por Soei. O resultado foi classificado pela chancelaria holandesa como “trágico e muito decepcionante”.

Como resposta ao que considerou ser “uma inaceitável negação da dignidade humana e da integridade”, o ministro das Relações Exteriores da Holanda, Bert Koenders, disse neste domingo (18/01) que convocou o embaixador do país europeu na Indonésia, Nikolaos van Dam, para voltar a Amsterdã para consultas. O gesto, também realizado pelo governo brasileiro, indica um descontentamento com a política da indonésia e pode comprometer as relações bilaterais entre os países.

Em um comunicado divulgado hoje, Koenders ressaltou que o governo holandês fez tudo o “que foi possível” para evitar a execução, tendo realizado diversos contatos com o governo de Joko Widodo neste sentido.

“A Holanda continua a ser contra a pena de morte e a execução de prisioneiros. É um castigo cruel e desumano”, afirmou Koenders. Ele ressaltou ainda que o país seguirá com os esforços para combater a pena de morte na Indonésia e em todo o mundo”.

O governo brasileiro afirmou que execução de Marco Archer Cardoso Moreira cria “uma sombra” nas relações diplomáticas entre os países, como confirmou o chanceler do país, Mauro Vieira, em entrevista coletiva concedida ontem:

Demais estrangeiros

Além do brasileiro Marco Archer e o holandês Soei, também foram executados outros três estrangeiros. Embora o governo vietnamita não tenha se pronunciado até o momento a respeito da execução da cidadã Tran Tri Bich Hanh, de 37 anos, a imprensa local repercutiu o caso destacando que ela foi condenada em 2011 por envolvimento com nove casos de tráfico de drogas.

Hanh foi presa por portar 1,1 quilo de metanfetamina no corpo e pediu para ser executada sem algemas.

Os outros dois condenados à morte na Indonésia eram o nigeriano Daniel Enemuo e o malaui Namona Demisa. Nenhum dos dois governos se pronunciou a respeito.

Enquanto o governo do Maláui se encontra em meio a uma enchente, que deixou metade do país em situação de emergência, com centenas de mortos e milhares de desabrigados, a Nigéria vivencia uma guerra civil que já matou milhares devido à ação do grupo Boko Haram.

De acordo com a imprensa nigeriana, o governo do presidente Goodluck Jonathas não fez nenhum apelo em nome de seu cidadão para evitar a execução. Enemuo foi preso ao tentar entrar com heroína em território indonésio, vindo do Paquistão. Ele receberia US$ 2.500 pela execução do serviço.

O saldo devedor das democracias liberais

Por Rennan Martins | Vila Velha, 19/01/2015

O professor Zizek brindou-nos com seu elucidativo artigo “Pensar o atentado ao Charlie Hebdo”, onde traz diversas reflexões pertinentes a sociedade ocidental e seu relacionamento com o islamismo e o povo muçulmano. No último parágrafo lemos uma intrigante conclusão, que diz:

“O que Max Horkheimer havia dito sobre o fascismo e o capitalismo já nos anos 1930 – que aqueles que não estiverem dispostos a falar criticamente sobre o capitalismo devem se calar sobre o fascismo – deve ser aplicada também ao fundamentalismo de hoje: quem não estiver disposto a falar criticamente sobre a democracia liberal deve também se calar sobre o fundamentalismo religioso.”

De fato, a democracia liberal está num processo de desgaste e perda de legitimidade frente aos cidadãos, tanto que muito se discute a dita “crise de representatividade”, ou seja, a incapacidade deste arranjo institucional de responder aos anseios da população.

É possível notar que, historicamente, as elites detentoras do poder político e econômico tentaram por diversos meios tutelar os processos de abertura e aprofundamento democrático, impondo mecanismos que afunilam e até mesmo bloqueiam as reivindicações das massas.

No caso das democracias liberais dos países desenvolvidos, que tiveram muitas de suas instituições copiadas pelas nações do Sul Global, a degeneração se deu tanto internamente quanto no âmbito externo, onde a agressividade dos EUA e União Europeia recrudesce, visando garantir interesses econômicos e geopolíticos num momento em que se vive a segunda maior crise do capitalismo.

Internamente temos as configurações que permitiram influência demasiada do poder econômico nos processos decisórios e eleições no intuito de compensar o perigoso sufrágio universal. Este poder por sua vez corrompe tanto os políticos quanto o próprio sistema, garantindo que as “decisões democráticas” sempre favoreçam os interesses da oligarquia patrocinante das campanhas eleitorais e do lobby.

Soma-se a isso a imprensa corporativa, que é uma verdadeira agência de publicidade, promovendo com eficácia e fervor os interesses de seus patrões, reproduzindo um pensamento único que retrata o mundo sempre do prisma neoliberal em termos econômicos, e conservador no âmbito social.

Exemplo ilustrador desse quadro é a pesquisa dos professores Martin Gilens, de Princeton, e Benjamin I. Page, da Northwestern Universisty, que focou na “maior democracia do mundo”, a norte-americana. Nela fizeram um levantamento exaustivo de 1.779 questionários sobre políticas públicas, entre 1981 e 2002. O que constataram foi um poder de influência que varia diretamente com o tamanho da conta bancária, ou seja, uma oligarquia. Diante disso, assim discorreram:

“… acreditamos que se os processos decisórios são dominados por poderosas organizações empresariais e um pequeno número de americanos influentes, temos que as pretensões democráticas americanas estão seriamente ameaçadas.”

Na frente internacional, esta ainda mais importante pra pensarmos os últimos acontecimentos, temos ainda menos distribuição de poder. As democracias liberais portam-se tiranicamente em relação aos Estados em desenvolvimento, fazendo de tudo para esmagar qualquer indício de nacionalismo e anseio por um desenvolvimento autônomo, de propostas que divergem das oferecidas pelo globalismo do FMI e Banco Mundial. Em suma, o respeito a autodeterminação dos povos inexiste.

O atentado a Charlie Hebdo é exposto como fruto de um pretenso “choque de civilizações” onde caberia ao ocidente desenvolvido impor belicamente toda sua “civilidade”, ganhando, neste ínterim, o controle de preciosos recursos, principalmente energéticos. Mas isso é só um detalhe.

A Al-Qaeda do Iêmen é a mais nova cabeça da Hidra a ser cortada, porém, a narrativa hegemônica “esquece” que o extremismo era minoritário e desprovido de recursos, até que foi treinado e financiado pelas potências ocidentais e monarquias sunitas locais a fim de que a desestabilização por eles promovida catalisa-se a promoção de seus interesses. O fato do Estado Islâmico ter recebido rios de dinheiro europeu e norte-americano é pouquíssimo mencionado, e assim mais uma intervenção militar genocida se avizinha.

Como diz a frase a atribuída a Einstein, loucura é querer resultados diferentes fazendo tudo exatamente igual. Há um quinhão de responsabilidade a ser cobrado das democracias liberais, e a liquidação da fatura é urgente.

Riqueza de 1% deve ultrapassar a dos outros 99% até 2016, alerta ONG

Via BBC

Renda anual individual de parcela mais rica da sociedade pode chegar a R$ 7 milhões

A partir do ano que vem, os recursos acumulados pelo 1% mais rico do planeta ultrapassarão a riqueza do resto da população, segundo um estudo da organização não-governamental britânica Oxfam.

A riqueza desse 1% da população subiu de 44% do total de recursos mundiais em 2009 para 48% no ano passado, segundo o grupo. Em 2016, esse patamar pode superar 50% se o ritmo atual de crescimento for mantido.

O relatório, divulgado às vésperas da edição de 2015 do Forum Econômico Mundial de Davos, sustenta que a “explosão da desigualdade” está dificultando a luta contra a pobreza global.

“A escala da desigualdade global é chocante”, disse a diretora executiva da Oxfam Internacional, Winnie Byanyima.

“Apesar de o assunto ser tratado de forma cada vez mais frequente na agenda mundial, a lacuna entre os mais ricos e o resto da população continua crescendo a ritmo acelerado.”

Desigualdade

A concentração de riqueza também se observa entre os 99% restantes da população mundial, disse a Oxfam. Essa parcela detém hoje 52% dos recursos mundiais.

Porém, destes, 46% estão nas mãos de cerca de um quinto da população.

Isso significa que a maior parte da população é dona de apenas 5,5% das riquezas mundiais. Em média, os membros desse segmento tiveram uma renda anual individual de US$ 3.851 (cerca de (R$ 10.000) em 2014.

Já entre aqueles que integram o segmento 1% mais rico, a renda média anual é de US$ 2,7 milhões (R$ 7 milhões).

A Oxfam afirmou que é necessário tomar medidas urgentes para frear o “crescimento da desigualdade”. A primeira delas deve ter como alvo a evasão fiscal praticada por grandes companhias.

O estudo foi divulgado um dia antes do aguardado discurso sobre o estado da União a ser proferido pelo presidente americano Barack Obama.

Espera-se que o mandatário da nação mais rica – e uma das mais desiguais – do planeta defenda aumento de impostos para os ricos com o objetivo de ajudar a classe média.

Pequim desloca Washington na América Latina

Por Cesar Fonseca | Via Independência Sul Americana

A expansão monetária americana que exerce pressão inflacionária, na América do Sul, por meio de guerra monetária,responsável por gerar déficit público como produto do aumento dos juros, para enxugar liquidez que eleva dívida interna e risco econômico, entram em choque com governos sul-americanos nacionalistas, dispostos a melhorar distribuição da renda que essa guerra monetária bloqueia. Em cena o ataque midiático ao nacionalismo.

250 bilhões de dólares é o que a china promete para a América Latina nos próximos anos. Comércio entre China e região pode alcançar 500 bilhões de dólares. É o novo cenário da geopolítica global que avança ao largo do dólar.

A China está se aproximando da América Latina, rapidamente, por meio de concessão de empréstimos a prazos longos e juros baixos, para servir de anteparo ao perigo de aumento da taxa de juro americana, previsto, antecipadamente, pelo BC dos EUA, para acontecer ainda no primeiro semestre de 2015.

As consequências desse movimento macroeconômico do império americano serão sucateamento industrial na periferia capitalista e desmobilização de patrimônios nacionais, privatizações, com avanço das multinacionais na economia nacional etc, acelerando processos de oligopolização etc.

A expansão monetária americana, acelerada depois da crash capitalista de 2007-2008, responsável por exportar inflação dos Estados Unidos para a periferia capitalista, obrigando-a endividar-se por meio do aumento dos juros internos, de modo a enxugar excesso de liquidez advinda de fora para dentro, desorganizando políticas fiscais nacionais, representa o grande perigo para toda a América do Sul e Caribe.

Dispondo de apoio financeiro chinês, as economias sul-americanas terão alternativa aos empréstimos sob condicionalidades draconianas ao estilo dos praticados pelo FMI, sempre que pintam desorganização periférica nos balanços de pagamentos em conta-corrente. Se o apoio chinês chega em paralelo, como está ocorrendo em relação à Venezuela e ao Equador, cria-se outra conjuntura alternativa ao garroteamento produzido pelo império americano na América do Sul, do tipo que já aconteceu em ocasiões anteriores, como, por exemplo, nos anos 1980, introduzindo, na sequência, as estratégias imperialistas do Consenso de Washington.

O avanço chinês, que se desenha nas relações China e América Latina, esboçadas na reunião em Pequim com os representantes dos países da CELAC – Comunidade dos Estados Latino-americanos e do Caribe -, semana passada, cria outro cenário para as relações internacionais da América do Sul.

A expansão inflacionária produzida pela guerra monetária americana é, sem dúvida, a grande produtora de desajustes fiscais, que os credores dos países do continente querem sejam atacados pelos remédios que Joaquim Levy, no Brasil, está receitando, com consequências perigosas, paralisantes, para as forças produtivas, como alerta o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, senador Armando Monteiro Neto (PTB-PE).

Por que o BNDES não acelera aproximação com a China, para formação de uma providência binacional Brasil-China, voltada à alavancagem de investimentos em infraestrutura na América do Sul, o mais urgente possível, lançando as bases financeiras do Banco do Sul? Seria o fortalecimento prático dos BRICS no continente sul-americano, criando e expandindo expectativas desenvolvimentistas, em vez de se deixar envolver pelo discurso de Washington, favorável aos ajustes fiscais draconianos à lá Levy que destruirão, se implementados, as bases produtivas sul-americanas.

Como sempre a grande mídia brasileira está de costa para a América Latina.

Não se viu nenhuma matéria de peso, nenhum comentário mais abrangente, sobre a reunião do governo chinês com os países integrantes da CELAC em Pequim.

Não seria desdobramento da nova geopolítica global colocada em cena pelos BRICS, com a China de ponta de lança, abrindo novas picadas para a expansão chinesa, com vista à construção da infraestrutura sul-americana, com recursos possíveis do Banco BRICS, a serem contabilizados mais à frente, enquanto são entabuladas negociações nesse sentido?

Durante o encontro, os chineses anunciaram empréstimos de 20 bilhões de dólares à Venezuela, que, como se sabe, enfrenta grandes dificuldades advindas da queda do preço do petróleo, responsável maior por gerar déficits em conta corrente do balanço de pagamento venezuelano.

Sabe-se, também, que foram acertados empréstimos entre China e Equador, bilhões de dólares, com prazo de 30 anos para pagar a juros de 2% ao ano.

Certamente, os chineses estão desovando, na América do Sul, parte dos dólares das suas reservas trilionárias, acumuladas no período de vacas gordas, quando a economia chinesa estava, praticamente, toda voltada para as exportações, mediante juro barato e câmbio desvalorizado, favorecendo instalação de multinacionais na China, com compromisso de exportações etc.

As reservas chinesas estarão, acelerando, investimentos em infraestrutura na América do Sul, como já está fazendo na África, bem como atua, na Europa, desovando-as em troca de ativos poderosos, no momento em que a economia europeia padece de forte queda da taxa de lucro por conta do excesso de capital acumulado, sinalizando deflação.

Seria mais do que conveniente, nesse momento, apressar funcionamento do Banco do Sul, de modo a recepcionar os dólares chineses, fugindo do perigo de desvalorização forte do dólar, se a estratégia monetária americana, de inundar a praça mundial, der com os burros nágua, mediante impossibilidade de Washington enxugar o meio circulante, via puxada forte nos juros, sob pena de agravar, ainda mais, a crise mundial.

Esse dinheiro, o das reservas chinesas, iriam, claro, para tocar a infraestrutura, por intermédio de reconversão monetária, adquirindo a cara das moedas locais, para comprar/importar mercadorias chineses, cotadas em yuan.

Essa prática já está em andamento nas relações comerciais entre China e Rússia e tende a ser incrementada, também, entre China, Rússia e Índia, de acordo com o avanço das relações diplomáticas verificadas entre eles na segunda metade de 2014.

Esse movimento de aproximação China e Rússia acelerou-se como providência capaz de ajudar a Rússia, depois que Estados Unidos e Europa – Inglaterra, França e Alemanha – intensificaram bloqueio comercial aos russos por conta da geopolítica de Putin, de reagir ao golpe de estado, na Ucrânia, financiado pela Otan, invadindo a Crimeia e deixando os europeus sob perigo de cortes de energia e petróleo importados da economia russa.

A China, nesse momento, atua para fortalecer a Rússia e estica a sua ação cooperativa à América do Sul, cujos governos nacionalistas estão sob ataques de Washington, cujo espírito cooperativo no continente encontra-se totalmente arrefecido por parte dos agentes financeiros americanos, como o BID e o Banco Mundial, carentes de recursos, para atender as demandas sul-americanas.

A onda política nacionalista sul-americana favorece, portanto, a penetração chinesa na América do Sul, enquanto Washington não cair na real quanto à mudança na correlação de forças, no continente, que remove as forças antes sua aliada.

Atua contra Washington, na reaproximação com a América do Sul, dominada pelo pensamento nacionalista, as ameaças do Banco Central dos Estados Unidos de aumentar a taxa de juro para enxugar o excesso de liquidez em dólar.

O BC americano está criando expectativas negativas, em escala crescente, especialmente, porque pratica, ainda, política monetária expansionista que aumenta taxa de juro na periferia capitalista como reação à ameaça hiperinflacionária decorrente da enxurrada de dólares que entra devido à insuficiência de controle à livre circulação de capital a economia nacional.

É por isso que os banqueiros querem a sustentação do câmbio flutuante: enchem de dólares a circulação interna que pressiona a inflação, obrigando o governo a adotar, igualmente, as metas inflacionárias, ao lado dos superavit primários draconianos.

A política monetária americana expansionista é a bombeadora do discurso favorável ao tripé neoliberal: meta inflacionária, cambio flutuante e superavit primário.

Como não perceber que essa política monetária americana destrói as economias nacionalistas sul-americanas, sucateando-as, industrialmente, para que se abra espaço para a volta dos aliados políticos ao poder, a fim de rearrumar situação que favorece os interesses de Washington?

Se a China, com suas reservas trilionárias de dólar, passa a socorrer a América do Sul contra o perigo americano, expressa na ameaça monetária expansionista – guerra monetária – os aécio neves da vida e suas pregações neoliberais dificilmente emplacariam, como não emplacou na última eleição.

Mas, se Joaquim Levy carregar demais na mão, claro, estará cumprindo o roteiro adequado aos interesses de Washington.

Se fosse o BNDES que tivesse feito essa jogada financeira chinesa, botar dólares das reservas brasileiras para apoiar países latino-americanos, os conservadores do poder midiático nacional Valor Econômico- O Globo-O Estado de São Paulo-Folha de São Paulo – teriam caído de pau.

Diriam que seria deixar ao léu os negócios no Brasil para privilegiar negócio dos outros.

Quando as empresas brasileiras, de qualidade e competência indiscutíveis, na área de engenharia, avançam no exterior, não merecem, do poder midíatico, o mesmo tratamento que dão às empresas de outros países que chegam ao Brasil para aproveitar as oportunidades de investimentos, especialmente, na infraestrutura.

É o tal negócio do complexo de vira lata tupiniquim, como diria Nelson Rodrigues.

Brasileiro fazer sucesso é escândalo.

As grandes empresas de engenharia brasileiras faziam tremendo sucesso no Oriente Médio até que os Estados Unidos, depois dos atentados nas torres gêmeas de Nova York, invadiram e destruíram o Iraque.

Lá trabalhavam grandes empreiteiras nacionais; foram despachadas, depois da invasão americana, para dar lugar às empreiteiras de Tio Sam.

Mesma coisa aconteceu na Líbia de Kadafi: a Otan – Estados Unidos e Europa (França, Alemanha e Inglaterra) -, derrubou o governo kadafiano, destruiu o País, que, agora, está sendo reconstruído, não pelas empresas brasileiras, lá instaladas, mas pelas americanas, que chegaram para ganhar a concorrência, depois que as bombas dos impérios abriram caminho para elas, sem concorrência internacional.

O laissez-faire dos oligopólios é esse: bombas para abrir mercados.

Essas empreiteiras internacionais querem, agora, chegar junto da Petrobras, para ocupar o lugar das brasileiras, acusadas de corrupção e forçadas, pela legislação, a serem afastadas.

O que a grande mídia americana faz que a grande mídia brasileira não faz? Por geniais doleiros, como Alberto Yousseff.

Por que não prender banqueiros ou grandes executivos de bancos, como foram presos executivos de empresas?

Se pretendem inviabilizar as empresas, nas suas relações com a Petrobras, porque tiveram executivos seus agindo corruptamente, o mesmo deve ser feito ou não com os bancos, que ajudaram na expatriação de capital?

Criam essas situações para prejudicar o capitalismo nacional, a fim de abrir espaço para os concorrentes internacionais.

Capitalismo, como já disse Proudon, implica roubo sistemático, porque se trata de regime de exploração econômica do homem pelo homem, dos concorrentes pelos concorrentes, dos governos pelos governos, sempre no sentido da exploração do mais fraco pelo mais forte etc.

Então, é claro que enquanto existir capitalismo existirá também as deformações do sistema, entre elas a corrupção.

Escandalizar é coisa de udenista.

Por isso é que Montesquieu bolou a República – Executivo, Legislativo e Judiciário -, de modo a que fossem os três poderes sistematicamente organizados para serem fiscalizados respectivamente entre si.

O árbitro do processo, claro, é o voto popular, com a força da renovação, sempre que necessária, dada pela correlação de forças políticas etc.

O certo, portanto, é caçar os corruptos, usando os poderes vigentes da República e não acabar com as empresas, como o poder midiático tupiniquim se esforça por fazê-lo, anti-nacionalmente.

Proteger a indústria nacional.

O poder midiático tupiniquim mistura as coisas: está dando pau firme nas empreiteiras nacionais, esvaziando-as, desmoralizando-as, criando as condições para afastá-las da Petrobras, acusando-as de corrupção etc.

Nesse sentido, o poder midiático não diz nada sobre os grandes bancos que intermediaram o dinheiro da corrupção patrocinada.

Familiares de estudantes mexicamos desaparecidos exigem respostas do governo

Via Brasil de Fato

Familiares retomam conversas com governo para exigir respostas sobre o desaparecimento dos 43 estudantes de Ayotzinapa.

Os familiares dos estudantes desaparecidos de Ayotzinapa ainda procuram por respostas. Exigindo investigações sobre o papel do Exército no caso, eles retomaram o diálogo com o governo mexicano, nesta terça-feira (13), em uma reunião realizada na sede da Procuradoria Geral da República do país.

Além dos familiares, estiveram presentes o ministro do Interior mexicano, Miguel Ángel Osorio, o procurador Jesús Murillo, e o diretor da Agência de Investigação Criminal da procuradoria, Tomás Zerón, entre outros funcionários.

Em declarações à imprensa ao final do encontro, o advogado das famílias, Vidulfo Rosales, classificou o encontro como “pobre” e referiu que os avanços na investigação ainda são “limitados”, apesar dos detidos.

Segundo o advogado, os representantes do governo insistem em afirmar que as investigações apontam que os restos mortais achados em valas no município de Cocula são os dos estudantes.

No entanto, em novembro passado, após analisar as valas os peritos da Equipe Argentina de Antropologia Forense (EAAF) chegaram a conclusão que os restos mortais encontrados não eram dos 43 mexicanos desaparecidos.

Entenda o caso

Cerca de oitenta estudantes da escola rural para professores Raúl Isidro Burgos, da cidade de Iguala, viajavam em ônibus da empresa Costa Line, no dia 26 de setembro, para atividades que organizariam para coletar fundos. Os jovens eram provenientes de diversas regiões do país e, além de pedir recursos para a educação, protestavam contra a má qualidade do ensino.

Segundo relatos divulgados, após terem sido atacados pela polícia local, que abriu fogo contra o ônibus dos estudantes, eles foram vistos sendo conduzidos à força para o interior de viaturas. Segundo as autoridades, os policiais municipais teriam entregado os jovens para membros do cartel “Guerreros Unidos”.

Três membros do cartel admitiram que os estudantes foram assassinados e os corpos, queimados. De acordo com a investigação, o líder do grupo, Sidronio Casarrubias, ordenou o desaparecimento dos jovens por acreditar que eram membros dos “Los Rojos”, um grupo criminoso rival.

Segundo a Anistia Internacional, cerca de 70 pessoas, entre policiais, funcionários públicos e supostos criminosos, já foram presos por envolvimento no desaparecimento. Protestos pelo país continuam acontecendo em busca de respostas.

“O combate ao terrorismo é usado como desculpa para afirmação dos interesses geoestratégicos dos EUA”: Entrevista com Marcelo Zero

Por Rennan Martins | Vila Velha, 16/01/2015

Ronald Reagan e os talibãs, na época em que os EUA considerava-os “guerreiros da liberdade”

Na semana passada ocorreu em Paris o terrível ataque a redação do Charlie Hebdo, como todos sabem. Desencadeou-se então uma enormidade de discussões que vão desde se somos ou não Charlie, passando pela liberdade de expressão versus o discurso de ódio, desembocando na história e geopolítica que envolve o ocidente e os povos muçulmanos.

Muitas das opiniões caíram no intolerante e fácil julgamento que atribui ao Islã a responsabilidade pelo terrorismo. Este tipo de posicionamento é o que mais contribui para a violência, seja por meio do revanchismo ou pela legitimação de intervenções militares.

Para além das interpretações superficiais e buscando uma visão abrangente dessa problemática, entrevistei Marcelo Zero, sociólogo e especialista em relações internacionais. Zero considera que o terrorismo cresceu “exponencialmente” após as guerras que visavam combatê-lo, que as posições da extrema-direita saem fortalecidas após esse atentado, e nos alerta para o fato de que o terror é um conceito usado ao bel-prazer dos EUA a fim de conduzir intervenções que atinjam seus objetivos geopolíticos e econômicos.

Confira:

Com a ocorrência de mais este terrível atentado, dessa vez em Paris, o que se espera dos países da OTAN como resposta?

Até pouco tempo, a OTAN não se envolvia de forma significativa em atividades de contraterrorismo. O entendimento era o de que a organização existia para proteger o Atlântico Norte de ameaças externas, e não de ameaças internas. Além disso, a OTAN entendia o terrorismo como um método de luta, e não como um inimigo concreto e definido a ser combatido.

Entretanto tudo isso mudou com o 11 de setembro. A OTAN entendeu que os EUA foram atacados de fora, por forças da Al-Qaeda ligadas ao Taliban do Afeganistão. O atentado contra as Torres Gêmeas fora, assim, um agressão externa perpetrada por um inimigo concreto e identificável.

A partir desse evento, a OTAN passou a se envolver cada vez mais em atividades de contraterrorismo e na chamada Guerra Contra o Terror.

Em 2010, na reunião de Cúpula de Lisboa, a OTAN definiu seu novo Conceito Estratégico. Conforme essa nova estratégia, o terrorismo não é mais um simples instrumento operacional e tático de conflitos assimétricos difusos, mas sim uma “ameaça direta aos cidadãos dos países da OTAN e à estabilidade e prosperidade internacionais”. Dessa forma, desde 2010 que o terrorismo tem, clara e formalmente, absoluta centralidade na ação estratégica da OTAN.

A resposta da OTAN, em linha com a da França e dos EUA, será, sem dúvida, fortalecer e intensificar suas atividades de contraterrorismo, tanto no plano interno dos países que compõem a organização, tanto no plano externo, particularmente no Iêmen e na Síria.

Que propostas e forças políticas ganham projeção agora? Haverá uma onda islamofóbica na Europa?

Do ponto de vista político, as forças que ganham com esse atentado são, sem dúvida, as forças ligadas à direita e à extrema direita, tradicionalmente islamofóbicas e racistas. Marine Le Pen, em particular, que cresceu bastante nas últimas eleições, deve se fortalecer ainda mais.

Na realidade, a recessão vem provocando um recrudescimento dos sentimentos anti-imigrantes e xenófobos em toda a Europa.

O atentado, obviamente, tende a intensificar essa onda de intolerância contra outras religiosidades, culturas e etnias.

O problema maior não é, contudo, a onda de intolerância e islamofobia, que parece minoritária, mas sim a reação dos governos a ela. No caso da França, o governo socialista de Hollande provavelmente incorporará algumas medidas típicas da direita, como forma de conter o avanço eleitoral e político dessas forças.

Qual o significado do ato ocorrido em Paris que reuniu diversas lideranças mundiais? É possível uma resposta bélica por parte do ocidente?

A resposta bélica já existe. A Guerra ao Terror é constante e sistemática, embora oculta da grande mídia ocidental. Praticamente toda semana algum “alvo” dessa guerra é bombardeado ou atacado de alguma forma, seja no Paquistão, no Afeganistão, na Síria, no Iraque, na Palestina, no Iêmen, etc.

Somente no Iêmen houve 117 ataques, nos últimos 5 anos, com a morte de mais de 1.100 pessoas, pelo menos. A maior parte desses ataques foi feita com o uso de dos chamados drones, veículos não-tripulados controlados por operadores em território norte-americano.

Evidentemente, é de esperar uma intensificação desses ataques, particularmente no Iêmen, sede mais relevante da chamada Al-Qaeda da Península Arábica, invocada pelos irmãos Kouachi no atentado, e que se responsabilizou pelo ato.

Não acredito, no entanto, numa operação militar convencional, pois o governo corrupto do Iêmen coopera com os EUA na Guerra contra o Terror.

Porque Netanyahu recebeu tanto destaque na passeata e no evento ocorrido em seguida na Grande Sinagoga de Paris? Há algum significado nisso?

Embora tenha se afirmado que Hollande não queria Netanyahu na passeata, o fato concreto é que Israel é visto como um grande aliado das potências ocidentais na Guerra Contra o Terror. A contrainteligência e o contraterrorismo da França, dos EUA, etc. precisam dos serviços e da expertise fornecidos por Israel. Israel é o grande parceiro estratégico dos EUA e da Europa no Oriente Médio.

Como podemos entender o conceito de terrorismo? Procedem as alegações de que os governos fazem uso político do termo?

O combate ao terrorismo é usado como desculpa para afirmação dos interesses geoestratégicos dos EUA a aliados no mundo.

Até hoje, a ONU não conseguiu produzir uma conceituação sobre o que é, de fato, o terrorismo. Grupos que são considerados terroristas por Israel e os EUA, como o Hamas e Hezbollah, são muitas vezes considerados como “combatentes da libertação”, por outros.

Tecnicamente, o terrorismo é somente uma tática de luta. Ele não tem um conteúdo político específico.

Qual o esquema de operação da Al-Qaeda? Existe uma estrutura centralizada que coordena as ações do grupo?

Não, não há. A Al-Qaeda reúne, na realidade, diversas organizações difusas e descentralizadas. Não há uma hierarquia e uma estrutura organizacional fixa. Seria mais preciso se falar em “Al-Qaedas”, e não numa só organização. Daí a dificuldade em combatê-la. Esses grupos têm autonomia política e operacional. Há também disputas internas entre eles. O Estado Islâmico, por exemplo, surgiu como dissidência da Al-Qaeda na Síria.

Quanto a dita Guerra ao Terror. Ela conseguiu sufocar o terrorismo em alguma medida? Quais são os reais objetivos dessa guerra?

Os fatos mostram que não. Ao contrário, a Guerra contra o Terror e as invenções militares no Oriente Médio a ela associadas só fizeram aumentar a violência e as atividades dos grupos fundamentalistas. São os casos, por exemplo, das intervenções desastradas no Iraque e na Síria. Nesses países, as mortes já ascendem, em conjunto, a 700 mil pessoas e as atividades terroristas dos grupos islâmicos fundamentalistas aumentaram exponencialmente.

Reforço, o combate contra o terrorismo na realidade é usado como escusa para a derrubada de regimes que são considerados hostis pelas potências ocidentais, particularmente os EUA. Nesse processo, muitas vezes se incentivam grupos fundamentalistas que fazem oposição a esses regimes. Foi o caso do Estado Islâmico, grupo terrorista financiado e incentivado pelos EUA porque esteve e está envolvido na guerra contra o regime sírio de Al-Assad.

Convém lembrar que o Taliban é resultado, em grande parte, do apoio que os EUA deu aos mujahedin que, na década de 80, combatiam os soviéticos no Afeganistão.

Trata-se de um padrão repetitivo e preocupante de intervenção que desestabiliza politicamente a região e incentiva a violência e o terrorismo.

É possível atribuir o terrorismo a filosofia muçulmana em si?

Não, claro que não. A religião muçulmana já deu grandes exemplos históricos de tolerância. Numa época em que os cristãos promoviam Cruzadas, o Islã abrigava pacificamente, em muitas de suas grandes cidades, bairros judaicos e cristãos.

Na Espanha, que esteve durante séculos sob domínio muçulmano, houve convivência pacífica entre cristãos, judeus e árabes, nas cidades controladas pelos califados. Os cristãos não eram obrigados a se converter à religião muçulmana e existiam templos cristãos que funcionavam livremente, assim como sinagogas.

Os judeus eram particularmente valorizados, pois dominavam o árabe e o castelhano, além do idioma hebreu. A Inquisição, recorde-se, é uma invenção do cristianismo.

De onde provém a interpretação fundamentalista do islã que rege o EI e Al-Qaeda?

Como toda grande religião que se espraia no tempo e no espaço, o Islã produziu muitas interpretações, variantes, seitas e cismas. O mesmo aconteceu e ainda acontece com o cristianismo, por exemplo. No Islã, há sunitas, xiitas, salafistas, alauítas, etc. No cristianismo, há católicos e uma infinidade de variantes do protestantismo.

A interpretação fundamentalista do Islã, ou melhor, as interpretações fundamentalistas do Islã nascem de uma leitura rigorosa e literal do Corão e da Sunnah, combinada, muitas vezes, com leis e costumes tribais. Em alguns países, como a Arábia Saudita, a lei religiosa, a sharia ou charia, é aplicada totalmente, sendo a única fonte do direito. Já em vários outros países, a fonte do direito é secularista. Em outros, há uma mistura.

É controverso, no entanto, se essas interpretações fundamentalistas dão realmente suporte religioso ou moral às atividades violentas de grupos como o Estado Islâmico.

Do ponto de vista social e cultural, no entanto, essa violência está muito ligada às condições socioeconômicas de muitas populações islâmicas, excluídas do desenvolvimento, bem como aos conflitos políticos e geopolíticos presentes, sobretudo, no Grande Oriente Médio.

A violência não nasce da religião em si. A religião é apenas usada para justificá-la.

Nos últimos dias muito se falou sobre a Al-Qaeda do Iêmen, que seria uma das células mais ativas. Em que se baseiam essas afirmações? Que interesses o ocidente tem naquele país?

De fato, há muita atividade desse tipo no Iêmen. Esse país é, na realidade, bastante pobre. Sua renda per capita, segundo o critério PPP, é de apenas US$ 2.500 dólares, uma ninharia na afluente Península Arábica. Suas fontes de petróleo são escassas e estão diminuindo, embora ainda sejam responsáveis por cerca de 25% do PIB ienemita. A economia do Iêmen sofreu muito com a Guerra do Golfo, já que seus trabalhadores que estavam no Iraque e no Kuwait, responsáveis pelo envio de divisas para o país, tiveram que retornar à casa com o conflito.

A importância do Iêmen para o Ocidente tange à sua localização estratégica no estreito de Ormuz, rota entre a Ásia e a Europa por onde passam diariamente 17 bilhões de barris de petróleo, e à necessidade de manter a Península Arábica sob a órbita geopolítica ocidental e longe do extremismo islâmico.

Putin e Maduro discutem mercado do petróleo em Moscou

Via Brasil 247

O presidente russo, Vladimir Putin, e o venezuelano, Nicolás Maduro, tiveram nesta quinta-feira uma “discussão detalhada” sobre a situação do mercado global de petróleo, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov; “Nós vamos manter contato no nível presidencial… para que possamos sair em defesa do mercado de petróleo”, disse Maduro à imprensa estatal venezuelana depois do encontro.

Moscou (Reuters) – O presidente russo, Vladimir Putin, e o venezuelano, Nicolás Maduro, tiveram nesta quinta-feira uma “discussão detalhada” sobre a situação do mercado global de petróleo, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, segundo a agência de notícias Interfax.

Peskov não deu outros detalhes sobre a reunião de Putin e Maduro em Moscou, que faz parte do roteiro do presidente da Venezuela em importantes países produtores de petróleo em busca de uma reação à forte queda dos preços da commodity.

“Nós vamos manter contato no nível presidencial… para que possamos sair em defesa do mercado de petróleo”, disse Maduro à imprensa estatal venezuelana depois do encontro.

Ele disse que sua viagem, que inclui encontros no Irã, Arábia Saudita, Catar e Argélia, busca “fortalecer o petróleo internacionalmente”, o que ajudaria a economia venezuelana.

A Venezuela, membro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), depende do produto para 96 por cento de suas receitas em dinheiro, deixando o país à mercê de um mercado que acumula forte queda desde meados de 2014.

(Por Gabriela Baczynska, em Moscou; com reportagem adicional de Diego Oré e Corina Pons, em Caracas)