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Petrobrás: A maior derrota em doze anos

Por Breno Altman, em seu blog

Pela primeira vez, desde 2003, a Petrobras deixará de ser dirigida por um representante do campo popular que governa o país.

O novo presidente da estatal provavelmente sairá dos quadros de seus adversários – leia-se, alguém crítico ao regime de partilha e à política de conteúdo nacional, talvez até favorável à sua privatização.

O profissional indicado, imagina-se, terá que se comprometer junto ao governo de sublimar suas posições pessoais sobre esses assuntos para assumir o cargo.

Mas os riscos de retrocesso são evidentes e perigosos.

O PT e a esquerda estão perdendo os principais postos da direção econômica do governo, dando lugar a expoentes do pensamento seguidamente derrotado pelas urnas nesse século.

Os brutais erros cometidos pela atual gestão da Petrobrás, na tentativa de conter desabrida ofensiva para desidratar a empresa, tornaram inevitáveis mudanças de comando.

Decididas há dois meses, poderiam ter significado, por exemplo, a nomeação do petroleiro Jacques Wagner para sua presidência, com boas chances de estancar a crise e reorganizar a companhia sem dormir com o inimigo.

Ficou tarde demais para uma solução caseira e classista.

O governo demorou para reagir, não o fez a altura e foi obrigado a jogar a toalha, ganhando tempo para reorganizar a casa.

A presidente teria o caminho de fechar o capital da companhia e reduzir a capacidade ofensiva das forças privatistas. Seria, no entanto, medida incoerente com a orientação de profundo recuo adotada depois das eleições.

Na lógica da estratégia pós-outubro, restou nova capitulação ao mercado.

Trata-se da maior derrota do projeto democrático-popular em doze anos.

Será árduo o combate para recuperar a empresa sem o país perder sua principal ferramenta de desenvolvimento ou vê-la condicionada por interesses imperialistas.

BCE e Alemanha declaram guerra à Grécia

Via Esquerda.net

Medida aprovada pela instituição dirigida por Mário Draghi significa o começo da asfixia da economia grega e um golpe de Estado financeiro. Documento do governo alemão exige a capitulação de Atenas e a reversão de todas as medidas já tomadas pelo governo Tsipras. Este afirma que “é óbvio que estas sugestões não serão aceitas”.

Draghi mostrou as garras do BCE. Foto de European Parliament

Num momento em que decorrem as negociações entre o novo governo grego e a União Europeia, o Banco Central Europeu, dirigido pelo italiano Mário Draghi, tomou na noite desta quarta-feira uma decisão que significa um primeiro passo para a asfixia da economia grega.

Sem qualquer aviso, o conselho de governo do BCE decidiu deixar de aceitar como garantia os títulos da dívida grega nas suas operações de liquidez, argumentando que não é possível assumir que o plano de resgate da Grécia vá terminar com êxito.

A decisão deixa apenas um fio de ligação entre o sistema financeiro grego e o europeu: o ELA, o sistema de ajuda de emergência do BCE, que é mais oneroso e que tem um prazo para terminar se não houver acordo: 28 de fevereiro.

Golpe de Estado financeiro

A medida significa uma pressão brutal sobre a Grécia justamente no dia em que o ministro das Finanças grego se encontra como o homólogo alemão, e já está a ser considerada como um golpe de Estado financeiro, desferido por uma instituição não-eleita contra um governo acabado de ser eleito pelo seu povo.

O Ministério das Finanças grego recordou, porém, que o sistema bancário grego “está adequadamente capitalizado e protegido através do acesso à Assistência de Emergência de Liquidez” (o ELA) e que “o BCE está a pôr pressão sobre o Eurogrupo para que se realize um acordo rápido entre a Grécia e seus parceiros”, seguindo a linha de declarações otimistas dadas durante o périplo de Yanis Varoufakis por diversos países europeus.

Mas a medida parece ter sido tomada em sincronia com as pressões que a Alemanha quer pôr sobre a Grécia, no dia em que Varoufakis se reúne com Schauble, o ministro das Finanças germânico.

Um documento a que a Reuters teve acesso mostra que as exigências germânicas à Grécia são nada menos que a capitulação do seu novo governo.

Alemanha quer forçar a capitulação de Tsipras

O documento exige a manutenção da troika no país (Varoufakis anunciou que não negociaria com ela); o cumprimento de todos os pagamentos ao BCE e ao FMI; a manutenção dos superavits primários de 3% do PIB em 2015 e 4,5% em 2016 (Varoufakis tinha proposto 1%); o despedimento de 150 mil funcionários públicos (o novo governo recontratou aqueles postos em mobilidade); a manutenção do salário mínimo (o governo grego aumentou-o); a continuação das privatizações (Atenas suspendeu-as).

Uma fonte oficial grega ouvida pela Reuters disse que “é óbvio que estas sugestões não serão aceitas pelo governo grego. Eles estão a atacar o recente mandato dado pelo povo grego e isto não vai ajudar à perspetiva de crescimento da Europa”.

Venezuela pede ajuda à Unasul para dialogar com os EUA

Via Agência Brasil

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, pediu hoje (4) à União de Nações Sul-Americanas (Unasul) que promova um diálogo diplomático com os Estados Unidos, dois dias depois de Washington anunciar sanções contra funcionários públicos venezuelanos e seus parentes.

“Falei com o secretário-geral da Unasul, Ernesto Samper. Solicitei-lhe oficialmente que assuma uma iniciativa diplomática para evitar que os Estados Unidos continuem rumo a um beco sem saída, para procurar um mecanismo de diálogo com o governo norte-americano e construir uma diplomacia de paz, de diálogo, de entendimento”, disse.

O pedido foi anunciado durante o programa Em Contato com Maduro, transmitido pela televisão estatal venezuelana.

Nicolás Maduro destacou que a iniciativa tem como propósito “deter a agressão contra a Venezuela” e disse que manterá contato com a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos para unir os dois organismos na defesa da paz, do direito da Venezuela “à independência, à soberania, para deter os planos golpistas”.

Informou que entregará provas de conspirações, envolvendo banqueiros fugitivos da Justiça venezuelana, radicados em Miami, nos Estados Unidos, para combater o seu governo e dividir as Forças Armadas venezuelanas.

Por outro lado, o presidente acusou as agências internacionais de notícias de ocultar as tentativas de diálogo entre Caracas e o governo do presidente Barack Obama e “a sua intenção de, no melhor espírito da democracia chavista de paz, por meio do diálogo e da conversação, evitar danos maiores à pátria”.

Os Estados Unidos anunciaram, segunda-feira (2), novas sanções (suspensão de vistos) contra antigos e atuais funcionários do governo venezuelano,considerados “responsáveis ou cúmplices” por violações dos direitos humanos.

“Enviamos uma mensagem muito clara de que os violadores de direitos humanos, os que se beneficiam da corrupção e suas famílias não são bem-vindos aos Estados Unidos”, anunciou a porta-voz do Departamento de Estado, Jen Psaki.

Segundo ela, “ao ignorar os repetidos apelos a uma mudança, o governo venezuelano tem continuado a demonstrar falta de respeito pelos direitos humanos e pelas liberdades fundamentais”.

Washington acusa Caracas de tentar “sufocar a dissidência”, reprimindo manifestantes que protestam pela deterioração da situação política, econômica e de segurança no país.

Em julho, o governo dos EUA já tinha imposto restrições na concessão de vistos a 24 dirigentes venezuelanos, que estariam envolvidos em violações de direitos humanos e na repressão de protestos de grupos opositores a Maduro.

A invejável potência da Petrobras

Por Bento Araújo

Muito boa notícia para nós brasileiros, para os empregados e também para as gerências da Petrobras receber essa honrosa premiação mundial, que  demonstra o reconhecimento mundial da capacidade do corpo técnico da empresa.

Lembro-me muito bem do premio que a Petrobras recebeu na OTC nas décadas de 1980/90 pela descoberta dos CAMPOS GIGANTES MARLIM E ALBACORA, e depois na descoberta do CAMPO GIGANTE DE RONCADOR, em 1997.

Com essa recente premiação internacional, pelos recordes e a operação no pré-sal, espero que os políticos entreguistas do passado – que venderam a preços ínfimos parte das ações da Petrobras no NYSE – aproveitem o DUMPING INTERNACIONAL DO PETRÓLEO e recomprem essas mesmas ações, reflitam e parem com esses entreguismos, verdadeiros ataques furiosos e lesa-pátria contra a maior empresa nacional que somente aguça a voracidade de megaespeculadores internacionais.

Ontem as ações subiram 8% por conta dos recordes de produção no refino com a entrada em operação da UNIDADE DE DESTILAÇÃO ATMOSFÉRICA DA RNEST em novembro de 2014 e os recordes em dezembro, a produção de derivados subiu de 2.140.000 para 2.400.000 de barris por dia e na área do PRE-SAL os recordes diários estão aumentando, já superando a faixa dos 700 mil barris por dia. Isto mostra que os campos do pre-sal tem alta produtividade, e explica também a voracidade dos ataques furiosos dos políticos e dos interesses estrangeiros.

Continuemos em frente batendo mais recordes com a entrada em operação da primeira plataforma da série dos FPSOs REPLICANTES, que começará em breve. Ainda bem que comprei um lote de ações na semana passada, já ganhei 15%, todos os brasileiros deveriam fazer o mesmo e pedir a Dilma que libere mais uma vez o uso do FGTS para compra de ações da Petrobras, como fez Lula em 2003.

A Petrobras venceu a crise do “dumping do petróleo” de 1983 a 1986 com trabalho e dedicação, aumentando os números de prospecções e descobrindo os enormes campos de Marlim e Albacora, em 1986. Lembro-me perfeitamente, pois, foi nessa época que prestei o concurso na Petrobras, após ter trabalhado anteriormente 19 anos em outros segmentos da indústria.

O mais importante é que o corpo técnico da Petrobras é competente e adora desafios, essa crise será coisa do passado.

As ações subiram hoje mais 15% no Bovespa. Desejemos sucesso a quem for assumir a presidência da Petrobras e que Deus o ilumine a recomprar as ações no NYSE e continuar incentivando o corpo técnico.

O dumping do petróleo, ontem e hoje

A Veja publicou em 84 uma matéria intitulada “Como a Petrobras venceu a crise do Dumping Internacional do Petróleo de 1983″. Nessa época os EUA articularam a baixa de preços para atingir as economias da Rússia e Irã, por conta da queda do Xá iraniano, Reza Pahlevi, e a ascensão de Khomeine em 1979 concomitante a de Mikhail Gobachev, que vendeu ações da Gazprom como medida de desespero ao ver o petróleo cair de 50 para 13 dólares o barril, em 1983. Iniciou-se um cenário de “economia de guerra” que gerou a terrível crise da Perestroyka na Rússia e a posterior queda da URSS.

Assim como no dumping iniciado em janeiro de 2014, com o objetivo claro de afetar as economias da Venezuela e do Irã, o preço do barril caiu de 100 dólares para 60 dólares, fazendo despencar as ações de muitas petrolíferas, em particular as gigantes do petróleo, responsáveis pelas maiores descobertas recentes (Petronas, Petramina, ENI, Statoil, Gazprom, Petrobras, etc).

Aqui no Brasil pouco foi falado sobre o efeito do “dumping orquestrado pelo império AA”, que quer tomar posse das reservas do pré-sal brasileiro usando os mesmos políticos lesa-pátria que entregaram a George Soros, patrão de Armínio Fraga, a preços ínfimos, um lote bilionário de 40% das ações preferenciais Petrobras na Bolsa de NY. Os algozes dessa entrega generosa no NYSE foram os senhores FHC (filho do general sr Leônidas Cardoso, envolvido com a ESSO, no escândalo de 1943), que foi agraciado com um auto-exílio remunerado por decreto numa aposentadoria muito precoce, em 1969, aos quatro anos de trabalho na USP, e seu genro, David Zilbersztajn, estes dois foram os mentores do entreguismo desnacionalizante da Petrobras, em março de 1999, no NYSE.

Putin surpreendeu o mundo ocidental no mês passado quando recomprou todas as ações da GAZPROM, vendidas a preços ínfimos durante a Perestroyka, ganhando 20 bilhões com a valorização da empresa que estava afetada, juntamente com as outras 20 petrolíferas por conta do dumping iniciado ano passado. Esta baixa orquestrada dos preços fez cair as ações de todas as petrolíferas produtoras e detentoras de grandes reservas de óleo no mundo, inclusive a Petronas, Shell, ENI, Statoil, Gazprom e a Petrobras.

O governo do Brasil deveria fazer o mesmo que Putin e renacionalizar a Petrobras. O primeiro passo foi dado com o PRODESIN, anunciado na posse de Graça Foster em 2012, que prevê a venda de todos os ativos em unidades antigas e obsoletas compradas no exterior durante o Programa de Internacionalização do governo tucano de FHC.

O ex-presidente Lula, absurdamente, não quis trocar os diretores nomeados por FHC na Petrobras. Todos lá permaneceram, o que houve foi simplesmente uma “dança das cadeiras”. O Rodolfo Landim foi locado na BR Distribuidora, O senhor Paulo Roberto Costa, forte aliado e nomeado por FHC em 1995 no DEPRO/DPSE, foi da diretoria de gás e energia para a de abastecimento e refino, em 2003, no lugar do Eider de Aquino, que por sua se aposentou. Graça Foster assumiu a posição que era de Costa na diretoria de gás e energia. A engenheira química senhora Graça Foster atuou firmemente nos projetos das novas termelétricas e sem elas teríamos tido um novo apagão, mas foi jogada na cova dos leões ao assumir a presidência devido os absurdos do seu antecessor, o economista ortodoxo, senhor Sergio Gabrielle.

Portanto, Lula já sabia sobre os antecedentes vida pregressa de PRC e outros diretores nomeados por FHC par ajudar no PROGRAMA DE INTERNACIONALIZAÇÃO que incluiu a entrega da metade das ações no NYSE e a as absurdas compras de unidades operacionais muito antigas no exterior. Já corria no TCU desde 2000, um processo investigativo contra os diretores Paulo Costa, AKP, Barusco, e outros aliados os programas de desmontes na estatal, venda a preços de banana a oligopólios privados das maiores petroquímicas do Brasil que pertenciam a Petrobras e foram construídas pela estatal durante o governo militar (a BR perdeu um patrimônio de 50 bilhões de dólares com essas entregas das petroquímicas vendidas a preços ínfimos ao capital especulativo). Estão sendo investigados também pelo mal sucedido contrato assinado pela diretor da área de gás (antiga GASPETRO), senhor PRC, para gerir a Gasbol em 1996, com a pré-falida ENRON. Lula também aderiu aos leilões lesa-pátria das reservas de óleo brasileiro, o “líder sob encomenda”, escolhido pelos generais Golbery e Osvaldo de Oliva – pai do Mercadante – para ser treinado na AFL-SIO em John Hoopkings em 1974. Permaneceu no braço sindical da CIA e teve a ajuda do ex-patrão Paulo Villares, forte aliado de Golbery e do general Osvaldo Mercadante no Projeto de Distensão Controlada do governo militar, copiado do projeto da Polônia, fizeram uma réplica do WALESKA aqui no Brasil. Um líder sob encomenda que fez parceria com o filho do general Mercadante. Nessa época até pagaram a dívida da Polônia aqui no Brasil em 1978, conhecido como escândalo das polonetas do Luis Carlos Pécora. Temos então que FHC e Lula são alinhados dos banqueiros desde a origem.

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PS Desenvolvimentistas: Você pode baixar aqui e aqui, respectivamente, as matérias que explanam como a Petrobras venceu o dumping internacional de 1984 e o processo de “privatização branca” que nossa mais potente estatal está sofrendo.

Bento Araújo é professor e engenheiro, com uma carreira de 45 anos na indústria, sendo 26 deles na Petrobrás. Anteriormente trabalhou (19 anos) em outros setores da área de infra-estrutura, como o Setor Elétrico, pela subsidiária SBE da Eletrobras; na construção e ampliação da ACESITA, empresa siderúrgica produtora de aços especiais; e na Cia Vale do Rio Doce – obras de ampliação da Mina Conceição e Mina do Campestre, em Itabira.

Petrobras recebe maior prêmio da indústria de petróleo e gás offshore mundial

Via Portal Brasil

Prêmio será concedido em reconhecimento ao conjunto de tecnologias desenvolvidas pela empresa para a produção da camada Pré-Sal.

Em maio de 2015, em Houston (EUA), a Petrobras receberá pela terceira vez o prêmio OTC Distinguished AchievementAward for Companies, Organizations, and Institutions em reconhecimento ao conjunto de tecnologias desenvolvidas para a produção da camada Pré-Sal.

Esse prêmio é o maior reconhecimento que uma empresa de petróleo pode receber na qualidade de operadora offshore.

Em 1992, a Petrobras recebeu o prêmio por conquistas técnicas notáveis relacionadas ao desenvolvimento de sistemas de produção em águas profundas relativas ao campo de Marlim e, em 2001, por avanços nas tecnologias e na economicidade de projetos de águas profundas, no desenvolvimento do campo de Roncador.

Em carta comunicando a premiação à Petrobras, o Presidente da Offshore Technology Conference (OTC), Edward G. Stokes, destacou: “Este prêmio é um reconhecimento das conquistas notáveis, significativas e únicas alcançadas pela Petrobras, e das grandes contribuições para a nossa indústria (óleo e gás offshore). O comitê de seleção (da OTC) ficou extremamente impressionado com esta nomeação. As conquistas que a Petrobras fez na perfuração e produção desses reservatórios desafiadores são de classe mundial. A indústria aprendeu muito a partir das informações compartilhadas pela Petrobras sobre o Pré-Sal nos artigos e sessões apresentados na OTC. Nós todos nos beneficiamos do seu sucesso.”

Produção no Pré-Sal

O recente recorde de produção de óleo na camada Pré-Sal, de 713 mil barris diários de petróleo, obtido em 21/12/2014, demonstra a robustez das tecnologias aplicadas.

Cuba avisa EUA sobre ajuda a dissidentes antes da próxima negociação

Via Correio do Brasil

Josefina Vidal, diretora para assuntos dos EUA no Ministérios de Relações Exteriores de Cuba, em Havana

Cuba avistou aos Estados Unidos que espera que os diplomatas norte-americanos reduzam a ajuda aos dissidentes cubanos antes que os dois países possam reabrir embaixadas nas respectivas capitais.

Os dois adversários de longa data estão negociando o restabelecimento de relações diplomáticas como um primeiro passo para reverter mais de cinco décadas de confronto. Funcionários de ambos os governos se reuniram em Havana em janeiro, e uma segunda rodada de negociações está prevista para Washington este mês.

Mas a principal negociadora de Cuba disse em uma entrevista transmitida na televisão estatal, na segunda-feira, que, se os Estados Unidos querem a livre circulação dos seus diplomatas em Cuba, primeiro têm de parar de usá-los para apoiar a oposição política.

– A forma como esses diplomatas (dos EUA) agem tem de mudar no que se refere ao incentivo, organização, treinamento e fornecimento de financiamento a elementos dentro do nosso país que agem contra os interesses do governo do povo cubano – disse Josefina Vidal. “A total liberdade de movimento, que o lado dos EUA está pleiteando, está ligada a uma mudança no comportamento de sua missão diplomática e dos seus funcionários”, acrescentou Josefina, a principal representante de Cuba para assuntos norte-americanos.

Washington sempre criticou o governo comunista por reprimir os opositores do sistema de partido único no país. Embora o apoio da população aos dissidentes seja limitado, eles recebem muita atenção dos EUA e diplomatas ocidentais.

Os Estados Unidos dizem apoiar ativistas cubanos que exercem o seu direito à liberdade de expressão.

O restabelecimento das relações diplomáticas poderia ocorrer antes da cúpula regional no Panamá, em abril, quando o presidente dos EUA, Barack Obama, e o de Cuba, Raúl Castro, se reunirão pela primeira vez desde que apertaram as mãos no funeral de Nelson Mandela em dezembro de 2013.

Obama e Raúl falaram ao telefone um dia antes de seus anúncios separados, mas simultâneos, em 17 de dezembro, de que iriam tentar acabar com as hostilidades da Guerra Fria.

A advertência de Josefina sugere que há obstáculos para restabelecer relações diplomáticas, o que tem sido visto como um primeiro passo relativamente fácil antes de os dois lados tentarem resolver as diferenças mais profundas em questões como os direitos humanos e o embargo econômico dos EUA a Cuba.

Josefina disse que a conduta dos diplomatas cubanos em Washington foi “impecável”, embora tenha sugerido que os norte-americanos estavam se imiscuindo nos assuntos internos de Cuba. “Questões de assuntos internos de Cuba não são negociáveis”, afirmou.

“Nós também não estamos indo negociar assuntos de caráter interno relativo à soberania cubana em troca do levantamento do embargo. Fora isso, todo o resto é um processo de negociação.”

Krugman: Grécia põe Europa à prova

Por Paul Krugman | Via El País

Para poder fazer o que é certo, o continente deve deixar de substituir análises por moralização.

O ministro de Economia grego, Yanis Varoufakis. / KOSTAS TSIRONIS (REUTERS)

Nos cinco anos que se passaram desde o início da crise do euro, a lucidez escasseou consideravelmente. Mas essa falta de clareza tem que acabar imediatamente. Os últimos acontecimentos na Grécia representam um desafio crucial para a Europa: será que o continente é capaz de deixar para trás os mitos e a moralização e enfrentar a realidade de uma maneira que respeite seus valores essenciais? Caso contrário, todo o projeto europeu – a tentativa de consolidar a paz e a democracia através de uma prosperidade compartilhada – sofrerá um golpe terrível, talvez mortal.

Falemos primeiro desses mitos: muita gente parece acreditar que os empréstimos recebidos por Atenas desde o início da crise serviram para financiar a dívida grega.

A realidade, no entanto, é que a imensa maioria do dinheiro emprestado à Grécia foi utilizada simplesmente para pagar os juros e a parte principal de sua dívida. De fato, ao longo dos dois últimos anos, uma quantidade superior ao total enviado à Grécia foi reciclada da seguinte maneira: o Governo grego obtém mais rendimentos do que gasta em coisas que não são juros, e entrega os fundos adicionais a seus credores.

Ou, para simplificar as coisas um pouco mais, seria possível pensar que a política europeia representa um resgate econômico não apenas para a Grécia, mas também para os bancos dos países credores, e que o Governo grego simplesmente atua como intermediário (enquanto os cidadãos gregos, que viram seu nível de vida despencar, são exigidos ainda mais sacrifícios para que também possam aportar fundos a esse resgate).

Uma maneira de ver as exigências do recém-eleito Governo grego é que este quer que se reduza o valor desse aporte. Ninguém diz que a Grécia gasta mais do que recebe; a única coisa que se discute é a possibilidade de gastar menos em juros e mais em coisas como saúde e benefícios aos indigentes. E ao fazê-lo, a consequência seria uma redução enorme da taxa de desemprego grega, de 25%.

Mas a Grécia não teria obrigação de pagar as dívidas que seu próprio Governo decidiu contrair? É aí que entra em jogo a moralização.

É verdade que a Grécia (ou, para ser mais exato, o Governo de centro-direita que comandou o país entre 2004 e 2009) pegou emprestado de maneira voluntária uma quantia enorme de dinheiro. Mas também é verdade que os bancos da Alemanha e do resto do mundo emprestaram todo esse dinheiro para a Grécia de maneira voluntária. Em condições normais, seria de se esperar que as duas partes responsáveis por esse erro de julgamento pagassem por ele. Mas as entidades credoras privadas foram, em grande medida, resgatadas (apesar do “corte” de suas demandas em 2012). Enquanto isso, espera-se que a Grécia continue pagando.

Bem, a verdade é que ninguém acredita que a Grécia possa pagar tudo o que deve. Portanto por que não admitir essa realidade e reduzir os pagamentos a um nível que não imponha aos cidadãos um sofrimento eterno? Por acaso o objetivo é que a Grécia sirva de exemplo para outros países endividados? Se for assim, como se compatibiliza isso com os valores daquela que, supostamente, é uma comunidade de países democráticos e soberanos?

A pergunta sobre os valores ganha ainda mais força quando se leva em conta o motivo pelo qual os credores da Grécia continuam tendo poder. Caso se tratasse apenas de um problema de financiamento público, a Grécia poderia simplesmente declarar falência; o país não receberia mais empréstimos, mas também deixaria de pagar as dívidas que tem hoje e sua liquidez melhoraria claramente.

O problema da Grécia, no entanto, é a fragilidade de seus bancos, que atualmente (como os bancos de toda a zona do euro) têm acesso ao crédito do Banco Central Europeu. Se esse crédito é fechado, o sistema bancário grego provavelmente viria abaixo em meio ao pânico bancário. Portanto, enquanto continuar com o euro, a Grécia precisa da boa vontade do Banco Central, que por sua vez depende da atitude da Alemanha e de outros países credores.

Mas pensem na maneira como isso influi na negociação da dívida. Será que a Alemanha estaria realmente disposta a dizer a outra democracia da União Europeia: “Pague ou destruiremos seu sistema bancário”?

E pensem no que aconteceria se o novo Governo grego – que, afinal, foi eleito por prometer que vai acabar com a austeridade – não desse seu braço a torcer. É muito provável que esse caminho conduzisse a uma saída forçada da Grécia da zona do euro, com consequências econômicas e políticas que poderiam ser desastrosas para a Europa como um todo.

De um ponto de vista objetivo, resolver essa situação não deveria ser difícil. Ainda que ninguém saiba, o fato é que a Grécia avançou muito na recuperação de sua competitividade; os salários e os custos despencaram, de modo que, neste momento, a austeridade é o principal lastro sustentando a economia. Portanto, o que é preciso fazer é simples: deixar que a Grécia tenha superávits menores, mas positivos, o que mitigaria o sofrimento grego e permitiria ao novo Governo proclamar seu sucesso, o que aplacaria as forças antidemocráticas que aguardam nos bastidores. Enquanto isso, o custo para os contribuintes dos países credores – que nunca vão recuperar o importe total da dívida – seria mínimo.

Entretanto para poder fazer o que é correto seria necessário que outros europeus, mais concretamente os alemães, se esquecessem dos mitos egoístas e deixassem de substituir a análise pela moralização.

Será que conseguirão? É o que veremos em breve.

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Paul Krugman é ganhador do prêmio Nobel de Economia e professor de Economia e Relações Internacionais na Universidade de Princeton.