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A Lava Jato à luz de Hannah Arendt

Por Miguel do Rosário | Via O Cafezinho

Se o leitor prestou atenção aos meus posts sobre o assunto, verá que fiz um esforço heroico para acreditar na Operação Lava Jato.

Minha relação com a Lava Jato foi bipolar, pois eu não queria acreditar que testemunharíamos mais uma sequência de arbítrios protagonizados por autoridades cegas pelos holofotes da mídia.

As relações promíscuas entre essas autoridades do Lava Jato e a oposição sempre estiveram em evidência.

Primeiro, o flagrante patético dos delegados da Lava Jato xingando Lula e Dilma nas redes sociais.

Segundo, descobrimos que a esposa do juiz Sergio Moro trabalha para o PSDB, e que ele mesmo foi estagiário e depois testemunha de defesa, de um tributarista condenado por associação com um prefeito tucano corrupto do interior do Paraná.

Terceiro, um blogueiro nos revelou a história de que o pai de Sergio Moro é um antipetista sectario e raivoso, a ponto de nunca mais entrar numa locadora de video, apenas porque descobriu que o seu gerente votava no PT.

Quarto, o advogado de Alberto Youssef, pivô de todo o esquema da Lava Jato, o senhor Antonio Augusto Lopes Figueiredo Basto, trabalhou por anos no Conselho da Sanepar, a companhia de saneamento do governo do Paraná, estado governado pelo PSDB.

Quinto, o próprio Alberto Youssef foi durante toda a sua vida um dos principais operadores do PSDB.

Os executivos “delatores”, por sua vez, também são ligados ao PSDB.

O primeiro a “piar”, após a estratégia da República do Paraná, de manter os executivos presos por tempo indeterminado, foi Augusto Ribeiro de Mendonça Neto, um dos sócios da Toyo Setal, e primo de um tucano de alta plumagem, Marcos Mendonça, presidente da Fundação Anchieta.

Mendonça Neto participa de esquemas tucanos desde meados dos anos 90, entre eles o já famoso “trensalão”.

Júlio Camargo também é da Toyo Setal, empresa envolvida até o pescoço no trensalão tucano.

O próprio Pedro Barusco, eleito a categoria de heroi pela mídia e pelas autoridades da Java Jato, após denunciar o PT, mesmo sem apresentar uma mísera prova, também fez escola na era tucana, vide que ele confessa que recebe propina, em negócios da Petrobrás, desde 1997.

Pedro Barusco era diretor operacional da Sete Brasil, controlada pelo BTG, que pertence ao ultra-tucano Andre Esteves, o mesmo que pagou a viagem de lua de mel para Aécio Neves em Nova York.

Entre os executivos presos, tanto das empreiteiras quanto da Petrobrás, não há nenhum petista ou com histórico na esquerda.

Paulo Roberto Costa, funcionário da Petrobrás desde a década de 70, foi indicado pelo PP (legenda que, apesar de compor a base governista, é ideologicamente muito mais próxima do PSDB e DEM, do que do PT), e vinha crescendo na estatal desde a era FHC.

Esses são os que “confessaram” crimes. Renato Duque é acusado de muitas coisas, mas ainda não confessou nada e não foi condenado.

*

O espetáculo promovido ontem fez cair a máscara de Sergio Moro?

Sim.

Tendo em vista que não havia necessidade de nenhuma decisão “coercitiva” para levar o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, a prestar depoimento, a operação visou apenas a mídia e constituiu uma arbitrariedade.

Neto é um dos mais importantes dirigentes políticos do partido que governa o Brasil, tem residência fixa, e jamais se recusou a depor na Justiça. Cúmulo da truculência: não há sequer nenhuma acusação formal contra Vaccari.

Por que a violência? Por que o arbítrio?

Porque era preciso estabelecer uma narrativa.

O depoimento “coercitivo” de Vaccari foi o único, entre dezenas de outros, todos arbitrários também, diga-se de passagem, visto que ninguém se recusou a depor, em momento algum, foi o único vazado de manhã cedo para a mídia.

Portais e telejornais noticiaram que agentes da PF tiveram que pular o portão da casa de Vaccari. Uma mentira.

O Jornal Nacional dedicou 20 minutos à Lava Jato, citando o nome do PT mais de 30 vezes. Fez acusações pesadíssimas contra o partido baseado num depoimento de uma pessoa declaradamente corrupta, que não apresentou nenhuma prova.

Aliás, diversas denúncias feitas até agora pelos delatores não trouxeram nenhuma prova.

Parece um roteiro pré-determinado. Sergio Moro lidera um espetáculo midiático na quinta-feira, com tempo de pegar os políticos de oposição ainda em plenário. Na sexta-feira, a bomba vai para a manchete de todos os jornalões. No sábado, para as revistas semanais. No domingo, chega ao Fantástico.

E assim a semana se inicia sob fortíssimo bombardeio midiático.

Ninguém se preocupa com um detalhe: a delação premiada deveria ser feita em sigilo absoluto, exatamente para não permitir que bandidos confessos se utilizem desse instrumento para se vingar de seus desafetos, ou pior, exercer ou traficar influência política.

Ao invés de me torturar lendo os espasmos golpistas dos jornalões, passei a noite e a manhã de hoje, lendo um capítulo do livro As Origens do Totalitarismo, de Hannah Arendt. É o capítulo que fala do Caso Dreyfus, o oficial judeu condenado pela Justiça Francesa por alta traição, mas que era inocente.

Há muitas semelhanças. Eu já havia abordado o caso Dreyfus ao discutir o caso Pizzolato, o petista do Banco do Brasil condenado no mensalão por algo que não fez, não podia ter feito, não tinha sequer instrumentos para fazê-lo.

Hoje eu vejo que o verdadeiro Dreyfus contemporâneo não é Pizzolato, mas o PT.

Arendt aponta o caso Dreyfus como uma das feridas nunca totalmente fechadas da história política e judicial da França, e que serviriam de caldo cultural para a explosão do nazismo europeu.

Assim como o mensalão e agora o petrolão, o caso Dreyfus envolveu uma conspiração entre mídia e judiciário.

A mídia francesa da época, assim como a brasileira, atiçou todos os preconceitos e rancores do populacho (mob, em inglês) contra Dreyfus e seus defensores, que de início eram uma minoria ilustre.

Também a França vivia sob o impacto de um grande escândalo de corrupção no parlamento: o escândalo do Canal de Panamá.

Um jornal reacionário e antissemita alcançara uma tiragem recorde após denunciar o clamoroso escândalo de propinas pagas a parlamentares e lobistas, como “comissão” aos financiamentos que o Estado francês dava à Companhia do Panamá.

Igualzinho hoje. A Companhia do Panamá era um pool de empreiteiras, que viviam do dinheiro do Estado, assim como as nossas. Para ser justo, assim como todas as empreiteiras do mundo.

Os deputados franceses haviam encontrado os métodos que deveriam pôr em prática. Nas palavras de Arendt: “a política correta era a defesa de interesses particulares e corporativos, e o método adequado seria a corrupção. Em 1881, a tramoia tornou-se a única lei”.

Entretanto, não foram os deputados que tomaram a iniciativa de usar o caso Dreyfus como uma estratégia de poder. Eles surfariam na onda, satisfeitos de ver a atenção pública olhar para outro lado. A mesma coisa vale para a maioria dos nossos corruptos. É reconfortante para eles ver a mídia apontando o dedo apenas para o PT.

No caso dos empreiteiros presos, o juiz já sinalizou: apontou o dedo para o PT, está solto. Não apontou: prisão por tempo indeterminado, com ameaças veladas contra toda a família.

Na França, o golpe contra Dreyfus veio dos estamentos burocráticos e meritocráticos, onde a elite descendente do ancien regime, falida pelas revoluções, havia se refugiado, e onde procuravam se vingar pela perda de seus privilégios. No caso francês: o exército e o judiciário. No Brasil, o MP, PF e Judiciário, também histórico refúgio de antigas e decadentes elites nacionais.

A mídia, como sempre, cumpriu o papel de instrumento da classe dominante, ontem e hoje. A Companhia de Jesus, os jesuítas, que dominavam o alto clero da época, foi a principal articuladora política do movimento contra Dreyfus. Nossos “jesuítas” de hoje são os tucanos e moralistas de ocasião da mídia.

Arendt lembra que os socialistas demoraram a se enfileirar ao lado dos “dreyfusard” (os que defendiam Dreyfus), e mesmo assim vieram divididos, porque viam nisso apenas uma escaramuça da alta burguesia.

Apenas quando Clemenceau convenceu o grande líder socialista Jean Jaurès, de que a injustiça praticada contra um era uma injustiça contra todos, é que este último aderiu à causa, e mesmo assim, não com os argumentos que, segundo Arendt, seriam os mais corretos, a defesa da justiça e da dignidade humana, mas com argumentos classistas, visto que aristocracia e alto clero lideravam o movimento contra Dreyfus.

O erro dos socialistas franceses me parece o mesmo cometido pelo PT, por ocasião do mensalão.

E a mesma desconfiança dos trabalhadores franceses, contra um problema que parecia se limitar a uma divergência doméstica das classes dominantes, vimos também surgir entre os petistas e na esquerda em geral, quando estes se defrontaram com a Ação Penal 470 e, agora, com a Operação Lava Jato.

Tanto o mensalão quanto o petrolão levaram figuras dominantes da política e do capital à cadeia.

O que foi vendido pela mídia brasileira como um “avanço” democrático, não passa de uma tática recorrente do arbítrio para empolgar o populacho, desde os primórdios da história. Todas as ditaduras, explícitas ou disfarçadas, fazem isso.

É o que tentam fazer agora novamente.

As próprias elites entendem que é preciso sacrificar alguns de seus mais queridos empregados, a fim de assegurar o poder no longo prazo.

Por ocasião do julgamento da Ação Penal 470, os colunistas da grande mídia, e depois até mesmo alguns ministros do supremo, batiam na tecla que não era possível decepcionar a expectativa da “opinião pública”.

Sequer escondiam a descarada solapagem do Estado Democrático de Direito, em nome de uma vulgar e covarde rendição a um populacho manipulado pela mídia.

Arendt explica a diferença entre esta “opinião pública”, ou “populacho”, e o povo

propriamente dito. O populacho é a representação dos setores frustrados de todas as classes sociais. Pobres, classe média e ricos insatisfeitos com a representação política, prontos a aderirem a qualquer aventura golpista: este é o populacho de todas as eras. Eles têm uma opinião instável, cambiante, mas com uma propaganda bem planejada, é possível orientá-lo na direção certa, enquanto este for útil.

Não é difícil para a mídia, num segundo momento, descartar o populacho, com desprezo, tratando-o como uma massa desorganizada e inculta.

Onde estão os protestos inflamados de juristas e ministros do supremo contra as arbitrariedades da polícia?

Quando prenderam Daniel Dantas, e a PF começou a realizar uma série de operações para combater sobretudo crimes financeiros e sonegação (Daslu e automóveis de luxo, lembram?), um grito desesperado tomou conta das elites, através da mídia: é o Estado Policial!

Gilmar Mendes aparecia diariamente nos jornalões para bradar contra isso, e até mesmo urdiu uma trama, em parceria com o senador Demóstenes Torres (mais tarde defenestrado por corrupção), para inventar um grampo de seu telefone, e criar um escândalo que iria derrubar o diretor da Polícia Federal, Paulo Lacerda.

A derrubada de Paulo Lacerda representa um momento chave da política brasileira contemporânea, porque, aparentemente, é a partir daí que a Polícia Federal toma um caminho diferente: ao invés de investigar a sonegação das grandes empresas, que contam com a cumplicidade da mídia (também grande sonegadora, como vimos), a PF voltou suas baterias contra agentes do Estado. E aí ela, a PF, passa a contar com entusiástica cumplicidade da mídia.

Não há nada de errado na PF se voltar contra agentes do Estado. Ao contrário, é até saudável.

Errado é a PF entrar no jogo da mídia, promovendo vazamentos seletivos e espetáculos que visam apenas interferir no debate político-partidário.

Também já especulei sobre a tendência do Ministério Público em desenvolver um sentimento de oposição ao Executivo – um sentimento que é primo de seu orgulho corporativo.

Entretanto, se o Executivo não reage, tanto a PF quanto o MP avançam o sinal, e transformam-se em instrumentos de arbítrio, sob forte influência da mídia.

*

Para piorar o quadro, o governo permanece num silêncio aterrorizante.

Uma mera intervenção oral de Dilma, ou de seu ministro da Justiça, nem que fosse para pontuar o debate com algum comentário irônico ou crítico sobre a violência judicial cometida contra o tesoureiro de seu próprio partido, João Vaccari Neto, ajudaria a dar algum equilíbrio à crise política.

(PS: Menos mal que o ministro da Comunicação, Ricardo Berzoini, manifestou-se sobre o tema).

Mas essa postura vem desde a Ação Penal 470. Ao sacrificarem Henrique Pizzolato, por exemplo, o partido sacrificou o próprio Estado de Direito.

Assim como Dreyfus era ridicularizado por seus adversários, e mesmo por seus amigos, porque ostentava arrogantemente a riqueza de sua família e a quantidade de dinheiro que gastava com mulheres e bebidas, assim os “amigos” de Pizzolato se negaram a defendê-lo porque ele usava “ternos caros”, gravatas borboleta, e conseguira juntar dinheiro para comprar imóveis.

A AP 470 fez escola. O “Estado de Direito” começou a ruir ali, e não agora, com o depoimento “coercitivo” de João Vaccari Neto.

Todos os métodos usados na frente midiática durante o mensalão estão sendo repetidos agora. Os jornais criaram uma nova alcunha, o “petrolão”, que já se tornou aba ou chapeu em todos os portais.

Jamais a nossa mídia criou alcunha ou abas editoriais para a compra de votos para a reeleição de FHC, para o trensalão, para o Banestado, ou pelo menos nada que durasse muito.

*

O PT anuncia que “entrará na Justiça” contra Pedro Barusco, pela denúncia contra o partido.

Está certo, tem que fazer isso mesmo.

Porém mais uma vez o partido foge da política, única instância onde é um protagonista, e tenta se refugiar sob as asas do judiciário, onde a mídia tem mais influência.

A política é o único palco onde o PT pode ganhar, porque é a legenda com maior número de filiados no país, várias vezes superior a todas as outras. Seus presidentes, sobretudo Lula, ainda são as figuras públicas mais populares da nossa história, até hoje. É o partido com maior número de deputados na Câmara Federal. O partido que tem mais ministros, incluindo o Ministério da Comunicação e da Justiça. Tem a presidência da república. É o único partido que tem uma militância orgânica de massa, real e digital.

Por que o PT foge da luta política?

A impressão que eu tenho é que o PT esqueceu o que é fazer política.

Até mesmo alguns militantes esqueceram o que é fazer política. Alguns falam, incluindo Lula: temos que ir às ruas, como se bastasse vagar perdido por aí, sem saber o que dizer, para obter qualquer resultado prático na política.

A política, numa democracia, é, antes de tudo, uma luta intelectual, que deve ser travada através da persuasão.

Para isso, é preciso investir em cultura.

Somente a cultura pode salvar a política brasileira.

A cultura é o deus ex-machina que pode nos salvar da barbárie para onde a mídia está nos arrastando.

Por exemplo, nos EUA, existem centenas de filmes e livros sobre os arbítrios da mídia. A começar pelo primeiro filme do cinema moderno: Cidadão Kane, uma terrível denúncia contra o monopólio e a concentração de poder em mãos de poucos.

Aqui, são raríssimos as obras de arte que abordam a questão da mídia, apesar dela ser, desde os anos 50, o principal ator político do país.

A campanha contra a criação da Petrobrás, o suicídio de Vargas, as marchas da família, o golpe de 64, a sustentação da ditadura, o poder das oligarquias nordestinas, o antipetismo do sudeste, mensalão, petrolão, a mídia é sempre o protagonista.

Por que não são escritos ou filmados livros, séries, filmes, novelas sobre o tema?

Por que o governo, principal patrocinador da cultura, nunca abriu editais voltados especificamente para a crítica de mídia?

Alô, Juca, agora não podemos mais perder tempo!

O governo, por sua vez, encontra-se paralisado, indeciso, com o pior sistema de comunicação dentre todos os poderes.

O Legislativo, Câmara e Senado, tem ótimos portais, com várias TVs, e os próprios parlamentares agem como porta-vozes de si mesmos.

O MP criou até uma historinha do mensalão para crianças…

Já o Executivo tem uma comunicação dispersa, fragmentada, negligente.

Todos os presidentes da república, em todo mundo, externam pontos-de-vista e intervêm constantemente no debate político. Falam e escutam, junto com seus ministros. Aqui, não.

Há dias em que os únicos representantes do Estado que falam de política na mídia são ministros do Supremo, ou seja, justamente aqueles que são proibidos pela Constituição de exercer atividade politico-partidária.

E agora toda a política nacional volta a girar em torno de um juiz tratado como heroi pela mídia – já ganhou até o prêmio da Globo – e cercado por todos os lados de conspiradores golpistas.

A democracia brasileira se vê, mais uma vez, a mercê de arbítrios judiciais e conspirações midiáticas.

O problema da política é a sua dinâmica desesperada. Tudo acontece rápido demais para que o bom senso prevaleça.

A análise ponderada, objetiva, fria dos fatos, nunca chega a tempo, de maneira que os homens se tornam como que cobaias de si mesmos. No médio e longo prazo, as coisas tendem a se equilibrar, mas quantas revoluções, guerras, tragédias, golpes, não foram necessários para chegarmos onde chegamos?

Enfim, dá vontade de forçar o relógio da história em alguns anos, quiçá décadas, para vermos logo o que será do país quando as novas gerações, mais saudáveis, mais bonitas, melhor alimentadas, mais escolarizadas, mais livres, tão distantes da neurastenia forçada e hipócrita do antipetismo midiático, ainda mais distantes desse conservadorismo quase sociopata de alguns medalhões do jornalismo, o que será do Brasil quando esta geração tomar o poder?

Sanções contra a Rússia custaram € 21 bilhões à UE em exportações

Via AFP

AFP / JOHN THYS. O chanceler da Espanha, José Manuel Margallo

O ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel García Margallo, afirmou nesta segunda-feira que, com as sanções contra a Rússia relacionadas ao conflito na Ucrânia, a União Europeia (UE) perdeu 21 bilhões de euros em exportações.

“Até agora a UE perdeu em exportações 21 bilhões de euros. A Espanha foi muito afetada em exportações agrícolas e no turismo”, disse García Margallo.

Para o chefe da diplomacia espanhola, a reunião de Minsk (Belarus), prevista inicialmente para quarta-feira, é a “última oportunidade” antes de “aumentar as sanções com um custo severo para todos”.

A UE iniciou, em março do ano passado, a aplicar medidas restritivas contra autoridades russas e ucranianas pela “desestabilização” da Ucrânia. Mas depois da queda de um avião da Malaysia Airlines sobre a Ucrânia, o bloco decidiu em julho impor sanções contra vários setores econômicos russos.

As sanções incluem um bloqueio ao mercado de capitais europeu para os bancos públicos russos, um embargo à compra de armamento e a restrição de exportações para a Rússia de tecnologias com uso duplo (civil e militar), incluindo as tecnologias no setor de energia.

A Espanha seguiu os sócios europeus no momento da adoção das sanções contra a Rússia, mas o governo do primeiro-ministro Mariano Rajoy considera que as medidas não apresentam os efeitos esperados em Moscou, uma mudança na postura do Kremlin.

O ódio que cresceu 550% na América Latina

Por Antonio Lassance | Via Carta Maior

O ódio é proporcional ao feito de redução das desigualdades, mas também aos problemas da relação entre o Estado e o capitalismo nesses países. Do sucesso aos riscos de derrota dos governos de esquerda.

O que há de comum entre Brasil, Argentina, Venezuela, Bolívia e Equador? Entre as inúmeras coincidências, a primeira é que eles são governados por partidos de esquerda.

Segunda coincidência: seus governos têm demonstrado uma inédita longevidade, a maioria com mais de uma década.

Terceira coincidência: seus governos são duramente atacados e constantemente fustigados por oposições agressivas e tentativas golpistas. Em todas essas situações, a mídia tradicional releva-se o principal ou um dos principais partidos golpistas.

Quarta intrigante coincidência: esses países estão entre os que mais reduziram a desigualdade na América Latina, diminuindo a proporção e o contingente de pobres e miseráveis.

Na década de 1990, a América Latina permaneceu estagnada política, econômica e socialmente. Naquela década, os governos neoliberais que sucederam os ditadores, em muitos países do continente, mantiveram a desigualdade de renda nos níveis deixados pela década perdida, os anos 1980, período final das ditaduras, quando a situação social chegou ao fundo do poço.

A partir da década de 2000, uma leva de governos de esquerda chegou ao poder como resultado de um longo processo de acumulação de forças, iniciado primeiro na luta contra as ditaduras e, depois, impulsionado pelo desgaste de governos neoliberais corruptos, incompetentes e de péssimos resultados econômicos (baixo crescimento, desemprego elevado) e sociais (aumento da pobreza).

Os governos de esquerda que sucederam os neoliberais demonstraram fôlego razoável por pelo menos uma década.

Hugo Chávez, que tomou posse em 1999 e governou até 2013, reagiu e sobreviveu a um golpe ainda em 2002, mas atravessou sua primeira crise generalizada em 2009.

O preço do petróleo chegou a menos de US$ 50 e houve problemas sérios no abastecimento de água e de energia elétrica. A popularidade do governo despencou, setores do governo o abandonaram, acusações de corrupção vieram à tona, a oposição fortaleceu-se e radicalizou-se mais amplamente.

No Brasil, uma década separou a posse de Lula, em janeiro de 2003, das manifestações de junho de 2013. O presidente foi ameaçado com a crise política instalada em 2005, a partir das acusações sobre o financiamento de campanha do chamado mensalão. Superou a crise, reelegeu-se e fez sua sucessora, Dilma Rousseff.

Mas a revolta de 2013, embora não dirigida inicialmente de forma direta contra a presidenta e seu partido, acabou sendo paulatinamente reorientada, com um grande esforço da mídia, para que seu governo e seu partido se tornassem o alvo prioritário e passassem a ser ainda mais estigmatizados do que já tinham sido no passado.

Néstor Kirchner (2003-2007) e Cristina Kirchner (2007 até hoje) também viveram temporalidades críticas coincidentes ao período de uma década e um processo de destruição midiática muito parecido.

Veremos como Evo Morales (presidente desde 2006) e Rafael Correa (empossado em 2007) se sairão quando as maldições de uma década de governo começarem de fato a bater às portas de seus governos.

Projetos cristalizados são ameaçados

A longevidade de uma década, pelo menos, levou a que esses projetos de esquerda se cristalizassem como uma referência política própria, muito associada ao modelo de governança de seus presidentes e às políticas públicas empreendidas.

Com isso, passou-se a falar em chavismo, lulismo e kirchenismo. Idem para Evo Morales e Rafael Correa, cujas presidências passaram a ser vistas, e de fato são, como o início de um novo projeto político e de gestão de políticas públicas.

O que parece comum a todos esses governos e que merece uma reflexão aprofundada é em que medida eles apresentam, além de um novo padrão, cada qual a seu modo, um comportamento cíclico comum – ascensão, sobrevida, crise e ameaças constantes de derrota ou mesmo queda.

Em torno desses ciclos comuns, pode haver elementos explicativos importantes de serem apreendidos pela esquerda latinoamericana. Algo que pode ser relevante a seu aprendizado comum, um elemento decisivo à sua sobrevivência política e um passo crucial para a sua reinvenção.

De comum, esses foram governos de inversão de prioridades, com a elevação dos gastos em políticas públicas diretamente incidentes no combate à pobreza e redução da miséria.

A rápida melhoria nos indicadores de desigualdade mostrou como é relativamente barato para o Estado reduzir desigualdades sem mexer no padrão econômico dominante dessas sociedades. No entanto, mais cedo ou mais tarde, não mexer no padrão econômico dominante dessas sociedades se torna um grande problema.

De 2003 até a crise de 2008, a América Latina teve um bom período de crescimento econômico. Mais exuberante, porém, foi a tendência de diminuição da concentração de renda e, consequentemente, redução da desigualdade nos países governados pela esquerda.

Segundo a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), o índice de Gini na região caiu cerca de 5% em relação ao patamar de 2002. Argentina, Bolívia e Venezuela lideraram uma redução de 10% na desigualdade. Brasil e Equador chegaram a reduzir o Gini em cerca de 7%.

Depois dessa importante redução na desigualdade, ocorre agora um estancamento. Manter as políticas sociais já não garante avanços tão rápidos e significativos quanto no passado.

Para seguirem adiante, esses governos deveriam gastar mais e melhor com políticas sociais, reduzindo a prioridade dada aos setores mais ricos – que ocorre seja pelo pagamento de juros, seja pelas desonerações de impostos, seja pela estrutura tributária regressiva, seja pelas práticas de privilégio econômico, algumas delas eivadas de corrupção.

Os gastos sociais puderam até manter uma trajetória crescente, sem incomodar os ricos, quando os governos de esquerda puderam sustentar taxas de crescimento elevadas e inflação baixa, lembrando que a inflação é um dos grandes impostos que pesam contra os mais pobres.

Porém, qualquer desarranjo nesses fatores afeta a equação montada e leva os presidentes ao risco de desgaste, ameaçando inclusive a continuidade de seus mandatos.

Por isso, os que enfrentam crises mais agudas são ainda mais estigmatizados. Dilma, mais do que Lula; Cristina Kirchner, mais do que seu marido, Néstor; Nicolás Maduro, mais do que Chávez.

Ódio dos ricos e de parte da classe média cresceu: por quê?

Governos de esquerda, ao reduzir a desigualdade, mexem com interesses dos ricos e da classe média. Mesmo que não os ameacem, os incomodam.

No Brasil, em uma década (2001-2011, sobretudo a partir de 2003), enquanto a renda per capita dos 10% mais ricos subiu 16,6%, a renda dos mais pobres elevou-se em 91,2% – conforme dados da PNAD analisados pelo IPEA http://goo.gl/WXYSkr .

Os ricos ganham, mas enervam-se com o fato de que os pobres passem a ter ganhos de renda superiores aos seus devido ao fato de que, com a renda mais alta e desemprego em baixa, o custo da mão de obra se eleva.

Se a renda dessa faixa de pessoas mais pobres cresceu 550% mais rápido que a dos 10% mais ricos, o ódio dos mais ricos contra os governos que fizeram isso acontecer também cresceu nessa mesma proporção. Há 550% mais ódio contra os partidos de esquerda e seus governantes.

O ódio cresceu na medida em que esses projetos se cristalizaram, fomentados politicamente por um conjunto de políticas que conquistou a adesão justamente dos setores mais pobres.

A classe média tornou-se o maior contingente de inconformados. Como os governos de esquerda não mexem ou mexem muito pouco com os ricos, é principalmente sobre a classe média que recaem os custos maiores das políticas de benefícios sociais aos mais pobres.

A classe média foi penalizada com impostos mais altos que bancam uma grande proporção dos gastos dos governos. Embora os gastos maiores do Estado seja com os mais ricos, são os programas sociais para as camadas de mais baixa renda que mais irritam a classe média.

Essa classe média se sente passada para trás quando recorda que tinha custos bem mais baixos, por exemplo, com a mão de obra de serviços domésticos, e uma situação de servilhismo dos pobres em relação a ela. Mesmo que não fosse rica, a classe média vivia em uma condição social distinta em que parecia fazer parte do mundo dos ricos, mesmo que em menor escala.

O castelo de ilusões da classe média tradicional ruiu. Está ocupado por uma legião de pessoas que passam a ter bens de consumo e a frequentar espaços públicos em condições similares – ou quase.

O mercado de trabalho está habitado cada vez mais por pessoas que ameaçam a classe média tradicional por estarem brigando, quase que em pé de igualdade, pelo mesmo ambiente rarefeito.

A revolta da classe média é que isso tornou-se possível com o patrocínio de seu dinheiro, usado pelos governos de esquerda em benefício dos mais pobres. Por isso, a radicalização direitista de uma parte dessa classe se volta contra esses governos, e não contra partidos de direita.

Para esse setor da classe média, a ameaça que sofre não vem dos ricos, e sim dos pobres. Eles lhes causam asco, indignação e um sentimento de ódio pela perda da noção de superioridade, na medida em que os pobres que ascenderam já nem acreditam mais nisso.

Essa parcela da classe média, ainda minoritária, mas crescente, aprecia o elitismo radical embalado pelo liberalismo autoritário.

A corrupção “de esquerda”: uma aliança política que precisa ser rompida

A corrupção não é apenas comportamento individual. É e sempre foi parte do processo de competição econômica e política em um sistema capitalista.

Desde os barões ladrões da “era dourada” (“Gilded Age”), nos Estados Unidos, século XIX, ao Brasil das privatizações e das empreiteiras, a corrupção é parte do jogo de cartelização capitalista.

Os interesses do capital necessitam de recursos públicos e, ainda mais importante, precisam interferir na regulação estatal, mudando ou mantendo as regras do jogo em seu benefício.

A maneira como isso afeta governos de esquerda precisa ser analisada do ponto de vista político.

Alguns processos corruptivos, seja na América Latina, seja os que estiveram associados ao domínio do Congresso Nacional Africano (o CNA de Nelson Mandela, na África do Sul) têm em comum o fato de representarem uma tática que alguns governos de esquerda usaram para romper o cerco em relação a setores mais ricos – associando-se a alguns deles mais intimamente.

Ao manter relações privilegiadas com esses setores, buscaram não só torná-los sócios majoritários de um projeto político, mas também, no longo prazo, fortalecê-los no interior da classe capitalista.

A ação é, portanto, ao mesmo tempo pragmática e programática. Os setores escolhidos são, em geral, centrais para os eixos tradicionais de desenvolvimento do país. São também grupos econômicos que eram sócios igualmente tradicionais de partidos de direita.

Mas a aproximação de governos de esquerda e tais grupos tende a reforçar a configuração cartelizada ou mesmo monopolista em muitos desses setores.

Como mexer com esse jogo de interesses envolve entrar por meandros nem sempre abertos e institucionalizados, envereda-se por meio de práticas à margem ou contra a lei. Em uma palavra: quem se aventura por esse caminho cai na corrupção.

Além de patrocinar o superenriquecimento de alguns setores, os partidos, sejam de esquerda ou direita, buscam reforçar-se política e financeiramente na disputa de poder.

O jogo é o mesmo, seja ele feito pela direita ou pela esquerda. A diferença é que os cartéis midiáticos e os órgãos judiciais dão tratamento diferenciado aos casos que envolvem governos de esquerda.

O desvendamento dos casos de corrupção em governos de esquerda unificam, sob uma mesma bandeira, os que querem derrotar esses governos e punir exemplarmente todos os que traíram sua classe, pois aliaram-se àqueles que deveriam ser combatidos sem trégua.

A corrupção fornece o elã para que ricos e parte da classe média tradicional disputem os votos dos pobres com um ódio feito sob medida para estigmatizar, cirurgicamente, apenas os governos de esquerda e seus aliados de ocasião, e não as práticas corruptivas em si.

As denúncias de corrupção feitas pela grande mídia, ela própria um setor capitalista cartelizado e com interesses claros nas disputas políticas e econômicas em curso, vêm claramente desacompanhadas de uma denúncia sobre a permanência da corrupção ao longo do tempo.

Jamais se demonstra a conclusão óbvia de que a corrupção é parceira, de longa data, das práticas capitalistas mais usuais, em sua relação com a política e com o Estado. Salvo em países onde a democracia é forte o bastante para torná-la impossível de não estar exposta.

Os pobres reagem ceticamente em relação a esses apelos com a percepção de que, na verdade, são todos iguais, e a diferença está apenas nos resultados que cada governo oferece. A natureza corrupta do jogo de interesses no poder os iguala. As políticas e seus resultados é que os diferenciam.

Aliás, os mais pobres são os únicos que costumam ter uma posição mais realista e menos hipócrita, embora conformista, sobre o jogo sujo da corrupção entre políticos e grandes capitalistas.

O fato é que os governos de esquerda, quando repetem tais práticas, desmoralizam-se politicamente. Não apenas pelos escândalos, mas quando demonstram que vieram para mudar algumas coisas, mas se mostram incapazes de alterar o essencial nas relações entre Estado e capitalismo.

Continuam com algum crédito e fôlego para se livrar de tentativas golpistas apenas enquanto suas políticas demonstram capacidade de entregar resultados palpáveis, efetivos.

Por sua vez, em momentos de estagnação, elevam-se as chances de adesão aos apelos do golpismo e aumentam as pressões para que os judiciários e legislativos promovam golpes de espada e cortem cabeças.

Conclusão: um modelo que precisa ser mudado

Os governos de esquerda produziram inúmeros e importantes avanços, mas encontram-se fortemente ameaçados.

Depois de uma década, as acusações de que “o modelo esgotou-se” tornam-se comuns.

A pobreza diminuiu significativamente, em grande medida, graças aos programas de transferência de renda, que hoje cobrem 17% da população da América Latina e Caribe (dados da Cepal).

Ao mesmo tempo, os percentuais e os contingentes de pobres ainda são absurdamente altos – quase 170 milhões de pessoas pobres e mais de 70 milhões na pobreza extrema.

Fonte: CEPAL. A Hora da igualdade: brechas por fechar, caminhos.

Os governos de esquerda precisam fazer os países voltarem a crescer, mas se limitarem a isso seu horizonte estarão afundados na mediocridade e indiferenciados dos partidos de direita.

Deveriam concentrar suas escolhas de crescimento não em setores tradicionais e em poucos grupos econômicos privilegiados, mas em novos setores econômicos dinâmicos, inovadores, e em arranjos produtivos que fortaleçam a economia familiar, as pequenas e médias empresas.

Dariam uma boa sinalização de mudança a uma parcela da classe média que normalmente detesta a esquerda – e com grande parcela de razão, quando são esquecidos por ela.

Os governos de esquerda deveriam dedicar parte importante de seu trabalho de regulação a descartelizar setores que aboliram a competição, deixaram pequenas e médias empresas à míngua e se tornaram grandes demais para falir.

Isso vale para os grupos de mídia, mas também deveria valer para empreiteiras, para os fornecedores do serviço público, os grupos de telefonia, os planos de saúde e tantos outros.

Novos e significativos avanços demandariam uma expansão das políticas de bem-estar social e investimentos muito maiores em educação, saúde, previdência e assistência do que são possíveis diante do atual modelo da maioria desses países, baseado em gastos altíssimos com o sistema financeiro, uma intocável concentração das atividades econômicas e em profunda injustiça tributária.

A necessária e utópica mudança de modelo passaria por romper os laços promíscuos com setores econômicos dominantes, raiz das práticas de corrupção que põem em xeque todo o patrimônio de lutas sociais que deram origem a muitos dos partidos, dos movimentos e das pessoas que hoje governam esses países.

Com a ascensão de setores pobres ao patamar de classe média, uma nova geração de eleitores desgarrou-se da esquerda e já vota contra ela, contrariando justamente quem foi responsável por sua ascensão.

Mobilidade social resulta também em mobilidade política, o que impactará decisivamente a eleição dos futuros presidentes. Os mais pobres ainda são muitos, mas cada vez dividem seu peso em eleições com setores de uma classe média não tradicional.

A esquerda só terá alguma chance eleitoral se reforçar o sentido social de seu projeto. Para tanto, precisa cumprir o papel de formar uma aliança dos setores mais pobres com a classe média em um modelo em que ambos avaliem que ainda vale a pena estarem juntos e governados por partidos progressistas.

Do contrário, a América Latina poderá, dentro em breve, ser novamente governada por partidos elitistas, excludentes, corruptos e que só serão novamente derrotados depois de imporem ao continente toda uma nova década de atraso, com a economia ainda mais concentrada e a pobreza retrocedendo a patamares alarmantes.

Nessa hora, porém, as alternativas podem já não ser mais tão promissoras se a esquerda, linchada, estiver com todas as suas cabeças cortadas e penduradas em praça pública.

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Antonio Lassance é cientista político.

O procurador-geral da República poderia aproveitar sua viagem

Por Bento Araújo

Uma boa sugestão a procuradoria-geral da República e sua força tarefa, seria que aproveitassem a viagem aos EUA para solicitar uma cópia da investigação feita no FBI e na CIA sobre o caso Banestado (50 bilhões de dólares lavados pela agência de Nova Iorque), que foi arquivada aqui no Brasil em 2001 e lá no ano seguinte.

O livro do deputado professor Henrique Fontana intitulado “FHC, crise e corrupção” cita diversas investigações do ex-delegado da Polícia Federal, Protógenes Queiroz, sobre o doleiro Youssef e o esquema Banestado, usado para lavar dinheiro para das Ilhas Cayman. Contém muitos documentos e depoimentos, inclusive de Bill Clinton e dos chefes da CIA e do FBI sobre esse banco que no período de 1995 a 2002 lavou nada menos que 150 bilhões em remessas ilegais das privatarias. Seria ótimo discutirmos este assunto, pois Clinton ordenou o arquivamento quando soube através dos chefes dos serviços de inteligência e polícia que a origem do dinheiro estava ligado as privatizações.

Sobre o livro de Henrique Fontana, quem estiver em Brasilia pode obter um exemplar do livro diretamente das mãos do autor, ele está doando os exemplares pois foram censurados em 2002, após a criação a lei que proíbe investigar os processos de privatização por 30 anos (até 2032).

Assim matam dois coelhos de uma só vez, o Banestado e a entrega de 40% das ações preferenciais da Petrobras para George Soros, ocorrida em março de 1999 no NYSE, este por sua vez patrão de Armínio Fraga.

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Bento Araújo, professor e engenheiro, tem uma carreira de 45 anos na indústria, sendo que 26 anos na Petrobrás. Anteriormente trabalhou (19 anos) em outros setores da área de infra-etrutura, como o Setor Elétrico, pela subsidiária SBE da Eletrobras; na construção e ampliação da ACESITA, empresa siderúrgica produtora de aços especiais; e na Cia Vale do Rio Doce – obras de ampliação da Mina Conceição e Mina do Campestre, em Itabira.

Bancos gregos são castigados após decisão do BCE

Via Correio do Brasil

O primeiro-ministro da Grécia, Alexis Tsipras, e seu ministro das Finanças, Yanis Varoufakis, passaram a semana em visita por capitais europeias buscando construir apoio para renegociar a dívida

Os custos de empréstimo para Grécia saltaram e as ações bancárias despencavam nesta quinta-feira depois que o Banco Central Europeu (BCE) abruptamente cortou seu financiamento para o setor financeiro do país, no que Atenas classificou como um ato de coerção.

A decisão do BCE de cancelar a aceitação dos bônus da Grécia em troca de financiamento passa o fardo de financiar bancos gregos para o banco central do país, e marca ainda mais um revés para a tentativa do governo de negociar novo acordo sobre a dívida com colegas da zona do euro.

A bolsa de valores de Atenas despencou 22,6% na abertura antes de ter um pouco de recuperação. Os custos de empréstimos do governo para três anos subiram mais de 3 pontos percentuais, para quase 20%, deixando a Grécia completamente fora dos mercados.

– A Grécia não quer chantagear ninguém, mas também não será chantageada – disse uma autoridade do governo grego em comunicado. “A decisão do BCE… é um ato de pressão política para que um acordo seja alcançado rapidamente”.

Os bancos gregos receberam aprovação para, se necessário, captar 10 bilhões de euros adicionais em financiamento emergencial além do teto existente, disse a autoridade.

O primeiro-ministro da Grécia, Alexis Tsipras, e seu ministro das Finanças, Yanis Varoufakis, passaram a semana em visita por capitais europeias buscando construir apoio para renegociar a dívida e afrouxar as medidas de austeridade sob o programa de resgate do país, que ambos dizem não ter interesse de estender para além do fim de fevereiro.

Eles encontraram pouco ou nenhum apoio em Paris, Roma, Frankfurt e Bruxelas e, nesta quinta-feira, Varoufakis se encontrará com o alemão Wolfgang Schaeuble, o ministro das Finanças mais linha dura da zona do euro.

O vice-presidente da Comissão Europeia, Valdis Dombrovskis, disse que Atenas deve estender seu programa de resgate para ganhar tempo para negociar um programa de prazo mais longo.

– Na avaliação da Comissão Europeia, o caminho mais realista é… estender a duração do programa por mais alguns meses ou um semestre – disse Dombrovskis no agência inglesa de notícias Reuters Euro Zone Summit.

Varoufakis não deve conseguir qualquer concessão de Schaeuble, e a decisão do BCE surgiu apenas horas após ele sair de uma reunião com o presidente Mario Draghi e anunciar que o BCE faria “o que fosse necessário” para apoiar a Grécia.

Um documento preparado pela Alemanha para a reunião de autoridades financeiras da UE, obtido pela Reuters, deixa claro que Berlim quer que Atenas volte atrás nas promessas de elevar o salário mínimo, interromper as privatizações, recontratar funcionários públicos e reimplantar um bônus de Natal para pensionistas pobres.

– O objetivo é a perpetuação da agenda de reforma acertada (sem voltar atrás em medidas), cobrindo áreas importantes como administração de receitas, taxação, administração financeira pública, privatização, administração pública, saúde, pensões, assistência social, educação e a luta contra corrupção -trouxe o documento.

Os novos líderes gregos tiveram uma recepção fria mesmo em países com tendências à esquerda como a França e a Itália, que Atenas esperava que iriam apoiar seu argumento para um alívio da dívida.

Conselho da Petrobras se reúne para aprovar novo CEO e diretores

Por Marta Nogueira | Via Reuters

Rio de Janeiro – O Conselho de Administração da Petrobras se reúne nesta sexta-feira para eleger cinco novos diretores e ratificar um nome indicado pela Presidência da República para ocupar a cadeira de presidente-executivo da petroleira estatal.

O encontro, marcado para as 9h, já fazia parte do calendário do conselho, mas de última hora a pauta teve que ser alterada, após a apresentação da renúncia inesperada de cinco diretores e da presidente Maria das Graças Foster, nesta semana.

O novo comando da empresa terá entre seus desafios iniciais a regularização da publicação das demonstrações financeiras da estatal. Isso em meio à apuração de um escândalo de corrupção que exigirá que a estatal realize baixas contábeis de ativos sobrevalorizados.

Entre os nomes apontados pelo mercado como possíveis para assumir a presidência da Petrobras estão o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles, o ex-presidente da mineradora Vale Roger Agnelli, o atual presidente da Vale, Murilo Ferreira, o ex-executivo da Petrobras e OGX Rodolfo Landim, além do ex-CEO da companhia petroquímica Braskem José Carlos Grubisich.

Saída inesperada

A saída dos executivos, anunciada na quarta-feira, aconteceu quase um ano após a deflagração da Operação Lava Jato, da Polícia Federal, que investiga o suposto esquema de corrupção, no qual funcionários e ex-funcionários da estatal teriam desviado recursos da petroleira para pagamento de subornos e para financiar partidos políticos.

Os novos diretores vão substituir os seguintes executivos que renunciaram: Almir Barbassa (Finanças), José Carlos Cosenza (Abastecimento), José Miranda Formigli (Exploração e Produção), José Alcides Santoro (Gás e Energia) e José Antônio Figueiredo (Engenharia, Tecnologia e Materiais).

Permanecem na diretoria João Elek Junior, recentemente empossado para a nova diretoria de Governança, Risco e Conformidade, e José Eduardo Dutra, diretor Corporativo e de Serviços.

A renúncia dos executivos nesta semana surpreendeu integrantes do governo, que previam uma mudança na diretoria apenas no fim do mês, segundo uma fonte governamental.

Os diretores não aceitaram ficar no cargo por mais tempo, quando a saída deles foi dada como certa, após a presidente Dilma Rousseff finalmente aceitar o pedido de demissão de Graça Foster, segundo outra fonte próxima à diretoria da estatal.

Já bastante desgastados, os diretores não quiseram mais ser diretamente associados ao escândalo de corrupção, um dos maiores da história do país, sem denúncias de que teriam participado.

A situação dos diretores foi agravada depois que a companhia apresentou, com atraso de mais de dois meses, o balanço do terceiro trimestre não auditado.

O atraso foi causado pela dificuldade da companhia em incluir no seu relatório financeiro informações sobre a suposta corrupção que teria comprometido os números da Petrobras.

Agora, a nova diretoria terá como missão correr contra o tempo para apresentar os números do quarto trimestre dentro do prazo, até o fim de abril, auditado e com as baixas contábeis.

A não apresentação dos números dentro do prazo poderá causar questionamentos de credores e até mesmo a execução imediata de dívidas bilionárias de detentores de títulos.

Com intervenção dos EUA, caos no Iêmen gera risco de uma guerra maior

Por Thalif Deeb | Via Carta Maior

Caos político atual, com o presidente, primeiro ministro e gabinete tendo sido forçados a renunciar em massa, ameaça tornar o país um Estado falido.

 

 

 

 

 

 

 

 

Quando o Iêmen norte e sul se uniram em um único país sob a bandeira República Árabe do Iêmen em maio de 1990, um jornal britânico ressaltou com sarcasmo: “dois países pobres agora se tornaram um país pobre.”

Desde seu nascimento, Iêmen continuou a ser categorizado pela ONU como um dos 48 países menos desenvolvidos do mundo, o mais pobre dos pobres, dependente de auxilio estrangeiro e batalhando pela sobrevivência econômica.

Mas o caos político atual – com o presidente, primeiro ministro e gabinete tendo sido forçados a resignar em massa semana passada – ameaça tornar o país em um estado falido.

E, mais significante, Iêmen também corre o risco de se dividir em dois novamente – e pode estar a caminho de outra guerra civil.

Charles Schmitz, um analista do Instituto do Oriente Médio, foi citado semana passada dizendo: “Estamos olhando para a ruptura de um país, e estamos entrando em um processo longo de negociações, mas também podemos estar entrando em uma guerra.”

Em um relatório divulgado na terça-feira, o Grupo de Crise Internacional com sede em Bruxelas disse que a caída do governo botou de pé a transição atribulada e “levanta o verdadeira perspectiva de fragmentação territorial, colapso econômico e violência disseminada se não houver um acordo logo.”

O governo do presidente Abdu Rabbu Mansour Hadi era um aliado próximo dos EUA, que cooperava com os ataques de drones americanos contra a Al-Qaeda na Península Arábica (AQAP) localizada nas regiões remotas do Iêmen.

Os EUA estavam tão confiantes com seu aliado que as demissões no governo “surpreenderam oficiais americanos,” de acordo com o New York Times. Matthew Hoh, membro sênior no Centro de Políticas Internacionais (CIP), disse à IPS, “não sei se o Iêmen irá se dividir em dois ou não. Mas acredito que o medo maior é de que o Iêmen descenda ao caos massivo com violência entre muitas facções como vemos no Afeganistão, Iraque, Líbia e Síria, todas as nações que foram recipientes da política externa americana de intervencionismo.”

De acordo com um diplomata Árabe, os Houthis que tomaram o poder são parte integral do setor xiita muçulmano, os Zaydis, e são aparentemente financiados pelo Irã. Mas o país é dominado por uma maioria sunita e que é apoiada pelo vizinho Arábia Saudita, ele disse, o que poderia fomentar um conflito sectário – como na Síria, Iraque e Líbano.

Ironicamente, todos eles, incluindo os EUA, têm um inimigo em comum na AQAP, o qual se disse responsável pelo recente massacre nos escritórios da revista satírica em Paris.

“Em suma, é uma bagunça política monumental,” disse o diplomata, falando como anônimo.

Vijay Prashad, George e Martha Kellner Chair em História do Sul da Ásia e Professor de Estudos Internacionais na Faculdade Trinity, disse à IPS que é muito difícil avaliar o que irá acontecer no Iêmen a esta altura.

“As linhas de batalha estão longe de serem claras,” ele disse. O chamado governo pró-EUA tem, desde 2004, jogado um jogo muito delicado com os Estados Unidos em termos de contra-terrorismo.

De um lado, ele disse, o governo do ex presidente Ali Abdullah Saleh e depois Hadi, sugeriu aos EUA que fossem anti al-Qaeda. Mas por outro lado, usaram o fato da al-Qaeda para ir atrás de seus adversários, incluindo os Zaydis (Houthis).

“Esse jogo duplo sempre foi conhecido pelos americanos. Cooperavam com isso. Foi o que permitiu a AQAP tomar Jar e outras regiões do Iêmen e segurá-las com alguma facilidade,” disse Prashad.

Ele dispensou como “ridículas” as alegações de que os Zaydis são “representantes do Irã”. Disse que são uma confederação tribal que encarou o limite da espada de Saleh-Hadi.

“São decididamente contra a al-Qaeda, e não tornariam necessariamente fácil a existência da AQAP,” disse Prashad ex Edward Said Chair na Universidade Americana de Beirute e autor de “Primavera Árabe, Inverno Libanês.”

Hoh disse à IPS: “baseado nos resultados de décadas de influencias norte-americana em tentar escolher ganhadores e perdedores nesses países ou continuar a jogar o jogo geopolítico absurdo de apoiar uma teocracia repressiva, Arábia Saudita, contra outra, Irã, em guerras representadas, o melhor para os Iemenitas é que os americanos não se metam ou tentam posicionar um lado contra o outro.” A política externa americana no Oriente Médio pode ser categorizada como um desastre, especialmente para o povo do Oriente Médio.

“Os únicos beneficiários das políticas americanos no Oriente Médio tem sido os grupos extremistas, os quais tiram vantagem da guerra, dos ciclos de violência e ódio, para recrutar e preencher sua mensagem e propaganda, e companhias de armas americanas e ocidentais que vêem lucros aumentando cada ano,” disse Hoh, que serviu junto com o Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA no Iraque e nos times da embaixada no Afeganistão e no Iraque.

Quando os dois Iêmen se uniram, a maioria das armas que o pais unificado herdou vieram da Rússia, que era um aliado militar próximo do Iêmen do Sul.

Os aviões de guerra do Iêmen e seus helicópteros da ex União Soviética – incluindo MiG-29 jatos e Mi-24 helicópteros de ataque – foram mais tarde reforçados com sistemas de armas americanos e ocidentais, incluindo naves de transporte (transferidas da Arábia Saudita), helicópteros Bell, mísseis anti-tanque TOW e tanques de batalha M-60.

Nicole Auger, uma analista militar monitorando o Oriente Médio/África no Internacional Forecast, uma líder em inteligência defensiva de mercado e meteorologia industrial, disse à IPS que armas americanas e auxilio militar tem sido cruciais para o Iêmen ao longo dos anos, especialmente pelo financiamento do Departamento de Defesa 1206 “treinar e equipar.”

Desde 2006, ela apontou, Iêmen recebeu um pouco mais de 400 milhões de dólares no auxilio da seção 1206 a qual apoiou a Força Aérea Iemenita (com aquisições de transporte e naves de vigilância), suas unidades de operações especiais, seu monitoramente de fronteiras e suas guardas costeiras.

Enquanto isso, o auxilio militar americano sob os programas Financiamento Externo Militar (FMF) e Treinamento e Educação Internacionais Militares (IMET) aumentou substancialmente, ela disse.

Também, o Iêmen está recebendo assistência com os programas de Não-Proliferação, Anti-Terrorismo, Não-Exploração e Programas Relacionados (NADR) e de Controle Internacional de Narcóticos e Aplicação da Lei (INCLE).

De acordo com a justificação orçamentária congressista americana – o apoio americano ao setor militar e de segurança “irá continuar uma prioridade em 2015 de forma a avançar com a paz e a segurança no Iêmen.”