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China aplaude adesão de europeus a novo banco e irrita EUA

Via Zé Dirceu

Bem-vinda, Alemanha! Bem-vinda França! Bem-vindo, Reino Unido!” Ao saudar com essa euforia a adesão das três maiores potências econômicas da Europa ao Banco Asiático de Infraestrutura e Investimento (BAII), que entra em operação sob a liderança de Pequim irritou os Estados Unidos. A saudação está em artigo veiculado pela Xinhua, agência oficial de notícias da China.

Não importa a irritação americana, e nem Washington torná-la pública. O fato é que a adesão das três maiores economias europeias ao novo banco apesar da forte resistência dos EUA é, assim, uma das maiores vitórias da super agressiva “diplomacia econômica” da China, que tem agora no Banco Asiático de Infraestrutura e Investimento (BAII) um de seus carros-chefe.

Lançado em outubro pela China com outros 20 países, o novo banco é mais uma iniciativa de Pequim para contrabalançar o poder dos EUA em instituições multilaterais como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional. Países mais próximos da China, como Coreia do Sul e Austrália, estiveram ausentes no lançamento por pressão dos EUA, mas já indicaram que também irão aderir.

A China e muitos outros países – Brasil, inclusive – estão cansados de esperar a reforma do FMI e de outras instituições econômicas multilaterais (Banco Mundial e ONU) que defendem há anos. Em declarações ao “Financial Times”, um membro do governo Obama criticou a “constante acomodação” do governo britânico – seu maior aliado na Europa – com a China e revelou que a decisão de Londres foi tomada sem que Washington fosse consultado.

Com a decisão de França, Alemanha, Itália (antes dos outros três) e Reino Unido, o banco liderado pela China conta com metade do G7, o clube dos países ricos que inclui Japão, EUA e Canadá.

Defendamos a Venezuela em perigo

Por Guilhermo Almeyra | Via Esquerda.net

É ridículo que a Venezuela (ou qualquer outro país latino-americano) possa constituir uma ameaça à segurança da primeira potência mundial e justifique uma emergência nacional dos Estados Unidos.

Os Estados Unidos, cinicamente, preparam uma enésima aventura político-militar, desta vez contra a Venezuela. É ridículo que esta (ou qualquer outro país latino-americano) possa constituir uma ameaça à segurança da primeira potência mundial e justifique uma emergência nacional. A alegada fundamentação desta medida – existência de presos políticos, restrições à liberdade de imprensa, corrupção de funcionários públicos – é igualmente aberrante, além de prepotente e violadora das leis das nações e dos princípios das Nações Unidas. A corrupção é ampla e existe, mas não é qualitativamente diferente da existente nos países súbditos dos Estados Unidos, como o México, e é uma praga que os próprios venezuelanos podem e devem resolver. Quanto aos supostos presos políticos, estão encarcerados como golpistas ou terroristas ou por atos criminosos comprovados, e além disso a oposição antichavista controla a maioria dos jornais diários e das emissoras existentes no país e difunde as mentiras que quer.

Obama recorda a fábula de La Fontaine sobre o lobo e o cordeiro na qual a fera, que bebia água acima do cordeiro e queria comê-lo, o acusou de sujar-lhe a água e, perante os argumentos lógicos da sua vítima, respondeu: se não eras tu, foi o teu avô!, e lançou-se sobre ele.

A ameaça à Venezuela faz parte da mesma ofensiva que afeta o governo brasileiro de Dilma Rousseff e o de Cristina Fernández, na Argentina. Venezuela, Brasil e Argentina são o pilar do Mercosul e da Unasul que Washington deseja destruir porque têm uma política diferenciada da do seu Departamento de Estado. Os Estados Unidos precisam limpar e pôr em ordem o seu quintal (isto é, derrubar os governos que não sejam, como o do México, agentes servis ainda que tenham políticas capitalistas muito moderadas) para encarar com a retaguarda protegida a preparação do confronto bélico contra a Rússia e a China.

A recuperação da economia norte-americana é débil, frágil, e está ameaçada pelo aumento da crise racial e social. A União Europeia, por sua vez, sofre os efeitos do aumento do dólar, que só a mais longo prazo favorecerá as exportações alemãs, inglesas e francesas mas aumentará a crise social nos países meridionais. O retorno aos Estados Unidos das divisas antes dedicadas à especulação com o petróleo ou com as matérias primas lança gasolina no fogo nos países que exportam esses produtos (como as monarquias árabes, os BRICS, os países emergentes). Assim, enquanto Washington foi derrotado no Iraque, não consegue nada na Síria, na Líbia, no Afeganistão e na Ucrânia e perde pouco a pouco a sua hegemonia (que ainda conserva, sobretudo no plano militar).

Ainda que o capitalismo não esteja ameaçado por uma revolução socialista em nenhuma parte do mundo, está-o pelos movimentos nacionais em defesa da soberania nacional, estejam ou não cobertos por véus raciais ou religiosos, aos quais qualifica de terroristas quando o verdadeiro terrorista é quem invade, bombardeia, ameaça, sabota e mata massivamente desde há décadas. Washington, sobretudo, teme os efeitos que uma catástrofe mundial maior (bélica ou ecológica), provocada pelo lucro dos monopólios à custa de todos e de tudo, poderia ter sobre a decisão e a visão política das grandes massas.

Esse é o sentido da ameaça contra a Venezuela: preparar um possível bloqueio naval, ou bombardeamentos, ou uma invasão de mercenários a partir da Colômbia… se uma rápida contraofensiva diplomática dos países da região e um apoio a Caracas da Rússia ou de Pequim não lhe dificultar a tarefa.

Maduro não é Chávez, que tinha maior sensibilidade e abertura aos trabalhadores. É torpe, pretende lutar contra a extrema direita com o aparelho e as instituições, não enfrenta a burocracia e vê os operários e os camponeses como simples infantaria, que para ele pesa muito menos que os comandos militares, educados num pensamento verticalista e conservador, dos quais depende. Aparte os seus delírios com os pássaros, levado pela verborreia não sabe medir as consequências das suas palavras e assim dá pretextos e armas aos inimigos do processo venezuelano. O seu cesarismo, ao mesmo tempo, afasta-lhe amigos numa esquerda que não sabe distinguir entre um processo social de mudança, confuso e inédito, e a direção transitória do mesmo e é, portanto, ou chavista acrítica ou antichavista cega perante o facto de que o imperialismo ataca a Venezuela por medo do contágio a outros países sul-americanos das experiências venezuelanas de auto-organização popular e não pelas torpezas de Maduro.

Quase metade dos eleitores venezuelanos não são chavistas, e nesse setor só um grupo é pró-imperialista e fascista. Quando Maduro acusa toda a oposição de terrorismo e de servir os Estados Unidos na realidade une, quando o elementar é separar os simplesmente atrasados ou conservadores dos exploradores e agentes da CIA.

Mas os povos não se devem deixar enganar. Os inimigos de Washington não são os governos progressistas (Maduro, Fernández, Rousseff), mas os setores populares que estes ao mesmo tempo controlam, contêm, subordinam e utilizam como apoio. A ação desestabilizadora desses governos procura fazer retroceder ainda mais os trabalhadores e as suas conquistas para ter as mãos livres para aumentar a exploração e os lucros. A ameaça não vai contra Maduro, mas sim contra o nível de consciência e de organização conseguido desde há anos em alguns países a que se quer impor uma situação e um governo do tipo mexicano. É uma ameaça contra todos e além disso faz parte de um plano selvagem que desemboca numa terrível guerra para a qual desde há algum tempo os Estados Unidos se preparam.

Devemos opor-nos fortemente às tentativas destrutivas dos Estados Unidos. Os que, como o governo uruguaio e o seu vice-presidente Raúl Sendic, acham que tirarão proveito do seu vergonhoso papel de lambe-botas, devem ser repudiados porque ajudam os modernos escravizadores.

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Guilhermo Almeyra é historiador, investigador e jornalista. Doutor em Ciências Políticas (Universidade de París VIII), professor-investigador da Universidade Autónoma Metropolitana, unidade Xochimilco, do México, professor de Política Contemporânea da Faculdade de Ciências Políticas e Sociais da Universidade Nacional Autónoma do México. Jornalista do La Jornada do México.

Mundo terá déficit de 40% de água em 2030 se consumo não mudar

Via Agência Efe

O planeta terá um déficit de água de 40% em 2030 se a forma atual de consumo não mudar, alertou um relatório publicado nesta sexta-feira pela Unesco, que pede que a melhor gestão deste recurso faça parte dos objetivos do planeta da ONU.

O estudo, elaborado por 31 órgãos da ONU sob o guarda-chuva da Unesco, estabeleceu que nos últimos anos houve avanços no acesso à água e ao saneamento no mundo, mas a tensão persiste e será mais evidente por causa do crescimento demográfico.

Em 2030 déficit de água reduzirá 40%. EFE/Gustavo Amador

Por isso, considerou que os objetivos de Desenvolvimento Sustentável para 2016-2030, que devem substituir os Objetivos do Milênio (2001-2015) precisam ser mais ambiciosos na proteção dos recursos hídricos.

Atualmente o plano da ONU só destaca o acesso à água e ao saneamento.

O relatório da Agência da ONU para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) pediu que sejam incluídos também a administração dos recursos hídricos, a qualidade de água, a gestão das águas residuais e a prevenção de catástrofes naturais causadas pela água.

A água é fonte de desenvolvimento econômico, que frequentemente precisa de grandes volumes, assim como a agricultura e a produção energética, e precisam de “equilíbrio”, explicou o principal autor do relatório, Richard Connor.

Ainda existem no mundo 748 milhões de pessoas que não têm acesso a água livre de contaminação e as primeiras vítimas são os pobres, os marginalizados e as mulheres, segundo o estudo.

Os autores assinalaram que o setor agrícola, que consome mais quantidade, terá que aumentar sua produção em 60% até 2050, o que provocará mais tensão no acesso à água.

A demanda de produtos manufaturados também crescerá e o relatório assinalou que suas necessidades de água aumentarão 400% nesse período.

A esse aumento da demanda se soma uma gestão defeituosa, que faz com que persista a irrigação intensiva e que muitas águas fiquem contaminadas por causa de pesticidas e produtos químicos perto de leitos fluviais.

Segundo o relatório, 20% das águas subterrâneas do planeta estão sendo exploradas de forma abusiva.

O elemento também sofre com o aquecimento climático, na forma de maior evaporação causada pelo aumento da temperatura, e pela alta do nível do mar que pode afetar reservatórios aqüíferos de água doce.

Todas estas pressões “podem desembocar em uma competição pela água entre diferentes setores econômicos, regiões ou países”.

O relatório também apontou uma “gestão deficiente que, com frequência, cobra um preço inferior ao seu valor real e que não é levada em conta na hora de adotar decisões no setor energético ou industrial”.

“Os esforços realizados por alguns países indicam que é possível conseguir uma melhor gestão e uma utilização mais escrupulosa dos recursos hídricos, inclusive nos países em vias de desenvolvimento”, assinalou o relatório.

Um dos fatores de economia de água preconizados no estudo é o fomento das energias renováveis em vez das centrais térmicas, grandes consumidoras de água e que produzem atualmente 80% da eletricidade do mundo.

Para tomar este tipo de decisão, assinalaram os autores, é preciso que “os poderes públicos possam influenciar nas decisões estratégicas que têm repercussões determinantes na perdurabilidade dos recursos hídricos”.

Outro dos métodos de economia pode ser o subsídio para que a agricultura invista em sistemas de irrigação eficientes, o que atacaria outra das principais fontes de desperdício de água.

1967: A CIA cunhou a expressão “teóricos da conspiração”

Via Pravda

1967: a CIA cunhou a expressão “teóricos da conspiração”, como ferramenta para atacar quem desmentisse narrativas ‘oficiais’. Antes, os teóricos da conspiração eram gente como a gente.

A democracia e o capitalismo de livre mercado nasceram sobre a base de teorias de conspiração.

A Magna Carta, a Constituição e a Declaração de Independência e outros documentos ocidentais fundacionais nasceram de teorias conspiracionais. A democracia grega e o capitalismo de livre mercado, idem.

Mas, isso, só naqueles velhos maus tempos. Depois, tudo mudou.

Em 1967, a CIA cunhou a expressão ‘teóricos da conspiração’

Nos anos 1960, tudo mudou.

Exatamente em abril de 1967, a CIA redigiu um despacho, no qual cunhou a expressão “teorias da conspiração” (…) e recomendou práticas para desacreditar tais teorias. O despacho/memorando levava um carimbo, “psico”, fórmula abreviada para “operações psicológicas” ou “ação de desinformação”; e outro carimbo, “CS”, sigla da unidade de “Clandestine Services” da CIA.

O despacho da CIA foi redigido em resposta ao requerimento de informações feito a uma corte judicial, nos termos do Freedom of Information Act ["Lei da Liberdade de Informar"], pelo jornal New York Times, em 1976.

A CIA, naquele documento diz que:
2. Essa tendência é motivo de preocupação para o governo dos EUA, inclusive para nossa organização.

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O objetivo desse despacho é oferecer material que contradiga e desacredite os argumentos dos teóricos da conspiração, e também inibir a circulação dessas opiniões em outros países. Aqui se oferece informação de fundo, apresentada em seção sigilosa, e vários anexos não sigilosos.

3. Ação. Não recomendamos que a questão [conspirações] seja iniciada onde já não esteja implantada. Onde a discussão já esteja ativada são indispensáveis algumas medidas:

a. Discutir publicamente o problema com contatos amigáveis na elite (especialmente políticos e editores de imprensa), mostrando que [a investigação oficial do evento em discussão] foi investigação tão exaustiva quanto humanamente possível; que as acusações dos críticos não têm qualquer fundamento; e que mais discussões sobre o tema só favorecem a oposição. Deve-se também destacar as partes das conversas sobre alguma conspiração que mais pareçam deliberadamente geradas por propagandistas.

Conclamar aquelas elites para que usem a influência que têm e desencorajem qualquer especulação sem fundamento e irresponsável.

b. Usar todos os recursos de propaganda acessíveis para refutar os ataques vindos dos críticos. Colunas assinadas por especialistas amigáveis e resenhas de livros são especialmente adequadas para esse objetivo. Os anexos desse documento de orientação contêm material útil para ser passado aos agentes.

Nosso discurso deve destacar, sempre que couber, que os críticos (I) já diziam a mesma coisa antes de haver qualquer indício ou prova; que (II) têm interesses políticos; que (III) têm interesses financeiros; que (IV) dizem qualquer coisa, sem qualquer pesquisa ou investigação que o comprove; ou que (V) só dão atenção a teorias que eles mesmos inventem.

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4. Em contatos privados com a mídia, não dirigidos diretamente a qualquer jornalista, colunista ou editor ou escritor em particular, ou para atacar publicações que ainda não estejam nas ruas, os seguintes argumentos podem ser úteis:

a. Não surgiu nenhuma nova prova, que a Comissão de investigação não tenha considerado.

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b. Regra geral, os críticos sobrevalorizam itens específicos e ignoram outros. Tendem a dar mais ênfase às lembranças de testemunhas individuais (sempre menos confiáveis e mais divergentes – e, portanto, mais vulneráveis a críticas) (…)

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c. Seria impossível ocultar as grandes conspirações seguidamente sugeridas nos EUA, especialmente porque os informantes poderiam ganhar muito dinheiro se denunciassem as conspirações, etc.

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d. Os críticos sempre são tomados por alguma espécie de vaidade intelectual: falam de uma teoria e apaixonam-se por ela para sempre; e criticam os investigadores porque nem sempre respondem com prova cabal e decisão absoluta numa direção ou noutra.

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f. Quanto a acusações de que os relatórios da comissão de investigação seria serviço apressado, sem cuidado: só foi distribuído três meses depois do prazo marcado inicialmente. Mas a Comissão muito se esforçou para apressar a divulgação do relatório; o atraso explica-se pela pressão de especulação irresponsável que já surgia antes até do relatório ser conhecido, em alguns casos vinda dos mesmos críticos que, se recusando a admitir os próprios erros, aparecem agora com novas críticas.

g. Acusações vagas como “mais de dez pessoas morreram misteriosamente” sempre podem ser explicadas por via natural(…).

5. Sempre que possível, reagir contra a especulação forçando a referência ao próprio relatório da Comissão. Leitores estrangeiros de mentalidade aberta sempre podem ser impressionados pelo cuidado, atenção, objetividade e velocidade do trabalho da Comissão de Investigação. Especialistas em resenhar livros para a imprensa, devem ser encorajados a acrescentar, ao que digam sobre [seja o que for], a ideia de que, recorrendo sucessivas vezes ao texto do relatório da comissão de investigação, perceberam que o relatório foi trabalho muito mais bem feito que o trabalho dos que o criticam.

Aqui se veem fotos de parte do memorando da CIA.
Resumo das táticas que o despacho/memorando da CIA recomendava, contra os ‘teóricos da conspiração’:

- Diga sempre que seria impossível que tanta gente mantivesse segredo sobre alguma grande conspiração

- Consiga que pessoal amigável ataque as ideias de conspiração, e insistam na ideia de repetir sempre o relatório da comissão de investigação

- Diga sempre que testemunho ocular não é confiável

- Diga sempre que são notícias velhas [porque] “não surgiu nenhuma nova prova”

- Ignore completamente o que se diga sobre conspirações, exceto se a discussão já estiver ativa demais

- Diga sempre que especular é comportamento irresponsável

- Acuse os teóricos da conspiração de serem vaidosos de suas próprias ideias e de não serem capazes de superá-las

- Acuse os teóricos da conspiração de terem motivação política

- Acuse os teóricos da conspiração de terem interesses financeiros na promoção de teorias de conspirações.
Em outras palavras, a unidade de serviços clandestinos da CIA criou argumentos para atacar o que chamou de ‘teorias de conspirações’ e ‘declará-las’ não confiáveis, nos anos 1960s, como parte de suas operações de guerra psicológica.

Mas teorias da conspiração são de fato… total piração?

[...] Evidentemente não. Por exemplo, o esquema Ponzi de Bernie Madoff foi um crime de conspiração, movido por uma teoria daquela específica conspiração.

Conspirar é crime muito claramente tipificado na lei norte-americana, ensinado no primeiro ano de qualquer faculdade de Direito como item do currículo básico. Dizer a um juiz que alguém está envolvido numa “teoria de conspiração” é como dizer em juízo que o sujeito matou, roubou, invadiu propriedade alheia, roubou um carro. É conceito legal claro e conhecido.

Madoff não é o único. Diretores da Enron foram também condenados por crime de conspiração, e também do diretor de Adelphia [há muitos e muitos casos de funcionários do estado também condenados pelo mesmo crime.

Justin Fox, colunista de finanças da Time Magazine escreve:

Algumas conspirações no mercado financeiro são reais (…) Muitos bons repórteres investigativos são teóricos de conspirações, por falar nisso.

E também são criminosos, pela prática do crime de conspiração – desde que os crimes sejam denunciados e provados e os réus sejam condenados – a Agência de Segurança Nacional e as empresas de tecnologias que ajudem na prática do crime (se algum dia forem condenadas).

Mas “nossos líderes NUNCA fariam tal coisa…”

Embora já haja quem admite que empresários e funcionários de baixo escalão possam envolver-se em conspirações – ainda há muita gente que resiste à ideia de que os mais ricos e os muito poderosos também podem ter praticado o crime de conspirar.

Verdade é que até os mais poderosos conspiram; alguns até confessaram. Por exemplo, o administrador do Gabinete de Informações e Assuntos de Regulação do governo Obama, Cass Sunstein, escreveu:

Claro que algumas teorias conspiracionais, conforme nossa definição, comprovaram-se verdadeiras. O quarto do hotel Watergate usado pelo Comitê Nacional do Partido Democrata foi realmente invadido e teve instalados equimentos para escuta clandestina, por funcionários do Partido Republicano a mando da Casa Branca. Nos anos 1950s, a CIA realmente administrou LSD e outros alucinógenos a participantes do Projeto MKULTRA, para investigar possibilidades de “controle da mente”. A Operação Northwoods, muito discutido plano do Departamento de Defesa para simular atos de terrorismo e culpar a Cuba, foi realmente proposto, como conspiração, por funcionários de alto escalão do governo.

Mas “alguém teria dado coa língua nos dentes”…

Argumento sempre repetido por quem queira desviar a atenção de uma investigação, ‘diagnosticando’ alguma ‘conspiração’ no ar é que “alguém teria dado com a língua nos dentes”, caso houvesse ali realmente alguma conspiração.

Quem explica é o conhecido demolidor de metiras e whistleblower Daniel Ellsberg:

Ouve-se muito que “não se consegue guardar segredos em Washington” ou que “numa democracia, não importa o quanto o segredo seja sensível, é provável que, dia seguinte, seja publicado no New York Times.” Não há tolice maior, nem truísmo mais falso. Há, sim, estórias ocultadas, meios para enganar e desviar a atenção de jornalistas e leitores, que são parte do processo para encobrir o que é realmente secreto. Claro que eventualmente muitos segredos acabam por ser revelados, que talvez não fossem jamais revelados numa sociedade absolutamente totalitária. Mas a verdade é que a vastíssima maioria dos segredos jamais chegam ao conhecimento da opinão pública norte-americana. É verdade mesmo quando a informação ocultada é bem conhecida de algum inimigo e quando é claramente essencial para a operação do poder de guerra do Congresso e para algum controle democrático sobre a política externa.

A realidade desconhecida do público e de muitos membros eleitos do Congresso e da imprensa é que segredos da mais alta importância para muitos deles podem, sim, permanecer confortavelmente ocultados por autoridades do Executivo durante décadas, mesmo que sejam bem conhedicos por milhares de insiders.

A história prova que Ellsberg tem razão. Por exemplo:

- 130 mil pessoas, de EUA, Grã-Bretanha e Canadá trabalharam no Projeto Manhattan. O segredo foi mantido durante anos.

- Documentário da BBC mostra que:

Houve uma tentativa de golpe nos EUA em 1933, organizado por um grupo de empresários norte-americanos de extrema direita (…) O golpe pretendia derrubar o presidente Franklin D Roosevelt, com o auxílio de meio milhão de veteranos de guerra. Os golpistas, entre os quais estavam algumas das mais famosas famílias norte-americanas (proprietários de Heinz, Birds Eye, Goodtea, Maxwell Hse & George Bush [avô], Prescott) acreditavam que o país devesse adotar políticas de Hitler e Mussolini para superar a grande depressão.”

Mais que isso, “os magnatas disseram ao general Butler que o povo norte-americano aceitaria o novo governo, porque aquelas famílias controlavam todos os jornais”. Alguém ouvira falar, antes, dessa conspiração? Com certeza foi conspiração vastíssima. E, se os golpistas controlavam a imprensa-empresa naquele momento, muito mais controlam hoje, com as empresas-imprensas já ‘consolidadas’.

- sete 7 de oito bancos gigantes quebraram nos anos 1980, durante a “Crise latino-americana”, e a resposta do governo foi ocultar a insolvência. A ocultação-falcatrua durou várias décadas

- bancos foram envolvidos em comportamento criminoso sistemático e manipularam todos os mercados

- há 50 anos governos encobrem derretimento de núcleo radiativo de usinas nucleares, para proteger a indústria nuclear. Governos sempre operaram para encobrir a gravidade de inúmeros outros eventos com comprometimento do meio ambiente. Durante muitos anos os funcionários do Texas intencionalmente informaram índices diminuídos de radiação na água potável, para evitar ter de notificar violações das normas.

- A vigilância ilegal do governo dos EUA sobre os cidadãos começou sete meses antes do 11/9 (confirmado here e here. E vejam essa discussãogravada há mais de 30 anos.) Mas o público só soube sobre isso muitos anos depois. Na verdade, o New York Times adiou a publicação, de modo que não afetasse o resultado da eleição presidencial de 2004.

- A decisão de iniciar a guerra do Iraque foi tomada antes do 11/9. De fato, o ex-diretor da CIA George Tenet disse que a Casa Branca queria invadir o Iraque desde muito antes do 11/9, e inseriu “lixo” em suas justificativas para invadir o Iraque. O ex-secretário do Tesouro Paul O’Neill – membro do Conselho de Segurança Nacional – também diz que Bush planejou a guerra do Iraque antes do 11/9. E altos funcionários britânicos dizem que os EUA discutiram mudança de regime no Iraque um mês antes de Bush ser empossado. Dick Cheney ao que parece até converteu os campos de petróleo iraquianos em prioridade nacional dos EUA antes do 11/9.

E há muito tempo se sabe que um punhado de pessoas foi responsável por deliberadamente ignorar as muitas evidências de que não havia armas de destruição em massa no Iraque. São fatos que só recentemente foram abertos para conhecimento público. De fato, Tom Brokaw até explicou que “todas as guerras são baseadas em propaganda”.

E esforço organizado para gerar propaganda é uma conspiração – e é crime nos EUA.
(…) A admissão sempre ocorre várias décadas depois dos eventos. O que mostra que, sim, é possível manter conspirações em segredo por muito tempo, sem que alguém “dê coa língua nos dentes”.

(…) Além do mais, os que supõem que conspiradores dariam com a língua nos dentes esquecem que pessoal militar ou de inteligência – e quem tenha quantias gigantescas de dinheiro investido numa ‘operação’ secreta – tende a ser muitíssimo disciplinado. Dificilmente se embebedam num balcão de bar e põem-se a contar ‘vantagem’ do que fazem e de quem conhecem…

Por fim, pessoas que se envolvem em operações clandestinas podem fazê-lo por profunda convicção ideológica. Jamais subestime a convicção de um ideólogo!

Conclusão

A conclusão disso tudo é que há conspirações inventadas, mas há conspirações reais. Umas e outras têm de ser avaliadas pelos fatos que lhes dão forma. (…)

Quem opera longe dos contrapesos e controles democráticos – e sem a força desinfetante da luz do sol da supervisão democrática – tende a pensar mais nos próprios interesses; e os mais fracos são os mais prejudicados. (…) Gente de poder podem não ser más pessoas. Mas podem ser sociopatas, bandidos, doidos perversos.

Na dúvida, se alguém tentar dissuadi-lo de investigar, e acusá-lo de ter sucumbido a alguma ‘ridícula teoria da conspiração’ – expressão que a CIAinventou para afastar bons cidadãos de boas investigações – não pare, não veja, não ouça (a CIA) e… investigue mais e mais.

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Original em inglês disponível em: http://www.zerohedge.com/news/2015-02-23/1967-he-cia-created-phrase-conspiracy-theorists-and-ways-attack-anyone-who-challenge

União Europeia diz que Grécia tem ‘tratamento privilegiado’ e libera € 2 bilhões

Via Opera Mundi

Para líder do bloco, pacote bilionário não irá para cofres do Estado grego, mas ‘será utilizado para intensificar esforços de crescimento e coesão social’ do país.

Após dois dias de cúpula, os líderes da UE (União Europeia) anunciaram nesta sexta-feira (20/03) que disponibilizarão € 2 bilhões em fundos estruturais para a Grécia, com o objetivo de reforçar o crescimento econômico do país.

Cúpula teve presença da chanceler alemã, Angela Merkel, e o chefe de Estado francês, François Hollande, na capital belga. Agência Efe

“A situação econômica da UE, e mais concretamente a da zona do euro, é positiva e vemos com satisfação que a recuperação chegou”, afirmou o presidente da Comissão, Jean-Claude Juncker, em coletiva de imprensa.

Segundo o líder do Executivo do bloco, Atenas tem “um tratamento privilegiado na medida em que a taxa de cofinanciamento da Grécia foi melhorada largamente, ao ser reduzida em 5%, o que normalmente é de 15%”.

No entanto, Juncker acrescentou que o pacote bilionário não irá para os cofres do Estado grego, mas “será utilizado para intensificar os esforços de crescimento e de coesão social”.

Durante a madrugada foi realizada uma reunião sobre a situação da Grécia, com a participação dos presidentes do Conselho Europeu, do Eurogrupo e do BCE (Banco Central Europeu). O encontro ainda teve presença da chanceler da Alemanha, Angela Merkel, e do chefe de Estado da França, François Hollande.

De acordo com os membros do bloco, a cúpula serviu para que os parceiros europeus recuperassem a confiança em relação a Atenas. “Não era uma reunião para tomar decisões, mas para analisar a realidade e evitar mal-entendidos ao mais alto nível político”, explicou o presidente permanente do Conselho, Donald Tusk.

“A Grécia vai apresentar suas próprias reformas estruturais, que vai colocar em prática”, tranquilizou hoje o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, que na próxima segunda-feira visitará Merkel em Berlim.

“Em primeiro lugar, devemos trabalhar no sentido de acabar com o tóxico ‘jogo de culpa’ e o moralizador ‘apontar de dedo’ que beneficia apenas os inimigos da Europa”, escreveu o ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis, em seu blog nesta sexta.

Juristas analisam legitimidade de doações feitas por envolvidos no Swissleaks

O cruzamento entre dados de pessoas físicas que doaram dinheiro para campanhas nas eleições de 2014 com os registros do HSBC vazados pelo ex-técnico de informática do banco, Hervé Falciani, rendeu mais uma página no chamado Swissleaks. Dezesseis pessoas que doaram acima de R$ 50 mil estão na lista de correntistas da filial do banco na Suíça. A comprovação pela Polícia Federal levantou questionamentos sobre a legitimidade dessas doações. Candidatos de 12 partidos receberam R$ 5,8 milhões desse grupo suspeito.

“Se estiver corretamente declarado ao Imposto de Renda brasileiro, respeitado o disposto no art. 23, & 1º, inciso I, da Lei 9.504/97 com a modificação introduzida pela Lei 12.034/2009 que limita a doação de pessoa física a 10% (dez por cento) dos rendimentos do ano anterior às eleições, a doação é legal. No entanto, se não declarado, ainda que em retificação, é ilegal”, explica o jurista José Gerardo Grossi. Ele ainda acrescenta que, nestes termos, a doação adviria de evasão de divisas, o que é crime, previsto na Lei 7.492/86, art. 22.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ainda não encerrou o trabalho de análise das contas referentes às campanhas eleitorais dos candidatos que participaram do pleito em outubro de 2014. Seguindo o protocolo, o TSE prioriza a avaliação dos dados dos candidatos que foram eleitos. O caso Swissleaks não alterou a rotina de trabalho do órgão, que só deve tomar alguma providência se receber alguma solicitação do Ministério Público Eleitoral ou de partidos.

De acordo com o TSE, se uma conta apresentar suspeita por doações envolvendo o caso Swissleaks, e já tiver sido aprovada, como o prazo para entrada de recursos é de três dias, qualquer questionamento só poderá ser feito via Ministério Público Eleitoral ou partido, em um novo processo. Se a conta ainda não tiver sido analisada, é possível apresentar uma petição nos autos da prestação. No entanto, a origem do dinheiro não é rastreada pela Justiça Eleitoral. “O que interessa para a Justiça Eleitoral é se a doação foi registrada e feita dentro dos limites, nos termos da legislação eleitoral”, esclarece o órgão.

O jurista Pedro Paulo Castelo Branco Coelho acredita que os candidatos favorecidos devem justificar os valores destinados às campanhas a título de doação, o que legaliza o processo. Já a Justiça deve responsabilizar quem fez a doação, caso o dinheiro depositado na filial do HSBC no exterior não tenha sido declarado à Receita Federal no Brasil. Na visão de Castelo Branco, mesmo que a doação ao político ou partido seja considerada um processo legal, mas numa comprovação de fonte ilegal, permanece forte o estigma da forma ilícita. “Qualquer sanção, nestes casos, deve ser aplicada apenas ao tesoureiro do partido”, sugere ele.

Dia 9 de Maio começa oficialmente a Guerra Fria do século XXI

Por Antonio Ribeiro Ferreira | Via MSN

O divórcio oficial entre a Rússia e os seus aliados, por um lado, e o bloco ocidental, por outro, vai acontecer em Moscovo, no dia 9 de Maio. As comemorações do 70.º aniversário do fim da II Guerra Mundial marcarão o princípio de uma nova ordem mundial. Ao lado de Putin estarão o presidente da China, Xi Jinping; do Irão, Ali Khamenei; do Egipto, marechal Sisi; da Coreia do Norte, Kim Jong-un; da Venezuela, Nicolás Maduro; da Turquia, Erdogan; e da Grécia, Tsipras, entre outros líderes de países, como a Bielorrússia, que sempre estiveram ao lado de Moscovo nos bons e maus momentos. Obama, Merkel, Hollande, Cameron e tantos outros vão ficar de fora, com a OTAN a ver dois dos seus membros ao lado de Putin.

A Guerra Fria do século XXI vai, assim, começar oficialmente, muito embora as relações entre o Leste e Oeste nunca tenham sido felizes e muito menos amistosas.

As humilhações russas

Basicamente, a paz durou pouco tempo e só existiu verdadeiramente na última década do século XX, com a Rússia de gatas depois do fim da Guerra Fria e da queda do império soviético e da Cortina de Ferro. Com Boris Ieltsin ao leme, Moscovo viveu tempos difíceis e teve de sofrer várias humilhações de um Ocidente arrogante com a vitória alcançada. A mais grave aconteceu em 1999, quando a NATO, leia-se os Estados Unidos, declarou guerra à Sérvia por causa da ocupação do Kosovo. Belgrado era então o único aliado de Moscovo nos Balcãs e umas semanas de bombardeamentos chegaram para pôr fim ao regime pró-Rússia de Milosevic.

A Rússia engoliu a humilhação e Boris Ieltsin passou os comandos do Kremlin ao desconhecido Vladimir Putin. Iludidos com o novo líder, os vencedores ocidentais voltaram ao ataque e levaram a Geórgia a tentar recuperar a Ossétia do Sul e a Abecásia. O conflito começou em Agosto de 2008, quando tropas da Geórgia avançaram, decididas, para a Abecásia. Tudo acabou em Outubro. Putin, já líder incontestado da Rússia, enviou as suas tropas e obrigou os georgianos a recuar de forma desordenada. Só então o Ocidente percebeu que tudo era diferente e que a velha Rússia estava de volta.

Ofensiva da OTAN

Mas antes da ofensiva da Geórgia, a OTAN e os Estados Unidos avançaram decididos para leste e integraram em 2004, na Aliança Atlântica, os três países bálticos – Estônia, Letônia e Lituânia – e a Polônia.

A Rússia ficava com quatro países integrantes do velho inimigo junto à sua fronteira.

Ucrânia, o espaço vital

Agora, em 2014, 14 anos depois da chegada de Putin ao poder, nova ofensiva ocidental, desta vez na sensível Ucrânia, velha relíquia da Rússia dos czares e da União Soviética, que só conheceu a independência em 1991. Evidentemente que a Ucrânia sempre foi uma região disputada por russos e alemães. Hitler definiu-a como o espaço vital alemão e Stalin via-a exatamente da mesma maneira. Em 2014 surgiu a oportunidade, há muito esperada pelo Ocidente, para pôr o pé na Ucrânia. E foi assim que, a reboque da Alemanha de Merkel, a União Europeia tentou o presidente pró-russo Yanukovitch a assinar um acordo de parceria muito aplaudido pelos ucranianos do Oeste.

Putin chamou Yanukovitch a Moscou e obrigou-o a assinar uma parceria com a Rússia. Os protestos na Praça Maidan, em Kiev, subiram de tom, alimentados por forças nacionalistas e fascistas. O massacre de dezenas de manifestante em fevereiro, crime que ainda hoje não está esclarecido, fez cair Yanukovitch. Na madrugada de 23 de Fevereiro, Putin tomou duas decisões: salvar o seu aliado ucraniano e trazer a Crimeia de volta à Rússia. E decidiu também criar uma zona de segurança junto à fronteira com a Ucrânia, que sonha agora integrar a OTAN. Com a Crimeia anexada e as regiões de Donetsk e Lugansk controladas, Putin garante o acesso ao mar Negro e ao oceano Atlântico e protege a sua fronteira dos avanços da OTAN.

A aliança com a China

A posição russa face ao Ocidente é, nesta fase do conflito, defensiva. Moscou quer uma nova ordem na Europa, com novos acordos sobre segurança e armas convencionais, e responde à ofensiva ocidental com alianças estratégicas que podem alterar rapidamente as relações de força no mundo. A mais importante é com Pequim. Não é apenas uma parceria energética; é uma aliança militar e política em que os dois países estão juntos em todos os teatros internacionais. Mas se Moscou se voltou para a Ásia, também não esqueceu o Oriente Médio. Além do Irã e da Síria, a Rússia voltou a ter no Cairo um amigo. O mundo está a mudar. E a Guerra Fria está de volta.