
A notícia de que o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, propôs rediscutir do modelo de exploração do pré-sal no sentido de flexibilizar a participação obrigatória da Petrobras gerou considerações e comentários importantes por parte dos associados.
De um lado uns consideram que há uma guerra de informação e que o governo permanece firme em relação a lei de partilha e a política de conteúdo nacional, de outro temos os que veem uma negociação e recuo a fim de acomodar interesses conflitantes e garantir a dita “governabilidade”.
Confira:
Tania Faillace – Parece evidente que o bloco privatista ganha espaço gradualmente.
E parece do interesse público tentar saber o que realmente acontece sob os panos. E quais os elementos de pressão que estão sendo usados.
Fala-se que o PMDB está ganhando espaço maior graças a Eduardo Cunha, mas isso certamente é uma versão simplista, visando a dar destaque a Cunha em termos da modelagem de sua imagem pública, como líder imbatível.
Interessaria, porém, saber os instrumentos materiais ou dissuasivos usados para permitir que uma figura, antes de pouca expressão, adquirisse tal relevo.
A Chevron já foi expulsa uma vez do pré-sal. Estaria tentando a volta por cima? E, além do folclórico Serra, quais seriam as outras forças?
Que teriam a dizer os petroleiros sobre o assunto? Os velhos e os novos?
Paulo Moreno – Sim, a Chevron foi expulsa de uma concessão da área pós-sal na Bacia de Campos em 2012 quando tentaram “roubar” o óleo do pré-sal, extraindo-o sem autorização. Eles compraram a preços irrisórios um bloco na Bacia de Campos em 1998, pagaram um preço muito baixo, naquela rodada que o genro do FHC, David Zylbersztajn, que tinha uma empresa de consultoria a “DZ Energia” que facilitava a entrada dos gringos. David em 1998 ainda estava na ANP fazendo os leilões dos blocos a “preços irrisórios”. A Chevron ganhou essa raspadinha da sorte e ganhou rios de dinheiro na área pós-sal.
Não satisfeitos com os altos lucros no pós-sala eles viram a descoberta do pré-sal que tinha uma reserva próxima muito profunda a 5.500 metros e resolveram fazer uma extração não autorizada usando aquela tecnologia de “poço direcional” que fizeram no Iraque na fronteira com o Kwait em 1990 e foi descoberto e causou a sangrenta guerra do golfo em 1991.
Ao tentar atingir o pré-sal nessa camada profunda em 2012, perderam controle da pressão e das barreiras de proteção o que fissurou as rochas no fundo do oceano, gerando aquele tremendo vazamento que durou duas semanas na Bacia de Campos, atingindo diversas praias paradisíacas na região do Arraial do Cabo, o que causou muita indignação. A Petrobras foi chamada pela ANP para ajudar no controle do vazamento e conseguiram fazer um poço lateral e injetar cimento, o que estancou o vazamento. A Polícia Federal recolheu passaportes dos funcionários norte-americanos da Chevron e a Marinha ocupou a plataforma e o bloco foi devolvido. A lembrança da tentativa do roubo deixou os gringos afastados, pelo menos por enquanto. Esse fato aconteceu um ano depois que Dilma recusou negociar todo o pré-sal para as empresas americanas Chevron e Exxon Mobil. Agora o senador José Serra retorna com a febre do entreguismo e entrega do pré-sal pelo Regime de Concessão.
Osvaldo Maneschy – Fiquei surpreso com as declarações atribuídas a Eduardo Braga pela agência G1, das Organizações Globo, ontem, e também pela Exame, da Editora Abril.
Bem como a repercussão pelos demais onlines que multiplicaram fala do ministro das Minas Energia no Senado favorável a entrega do pré-sal para as multis de petróleo – e procurei saber mais sobre o depoimento do ministro.
E constatei que principalmente a G1 e a Exame carregaram nas tintas.
O que o ministro disse não foi exatamente o que está transcrito aqui na lista.
Confiram (aqui), por exemplo, o que a Agência Senado, mais isenta, narrou sobre a mesma fala do ministro.
Ou a agência 247, esta alinhada mais com o PT e o governo (aqui).
Ou seja, acho que está valendo aquela velha máxima do jornalismo: na guerra, a primeira vítima sempre é a verdade.
O Eduardo Braga começou a sua vida política como vereador do PDS e hoje é ministro de Minas e Energia pela cota do PMDB, se não me engano indicado pelo Lobão.
Acredito que ele não seja maluco de bater de frente com a Dilma que, anteontem, na posse do Janine, deixou bem claro para que o pré-sal e a Petrobrás são do Brasil.
Criar confusão é ferramenta importante na guerra da informação.
Paulo César Ribeiro Lima – Infelizmente, é muito pior do que está nas tintas.
Gustavo Santos – A lava jato está conseguindo seu maléfico intento, acabar com a governabilidade da Dilma para assim lhe impor a entrega do pré-sal aos gringos.
Helio Silveira – Para vocês verem a importância do Pré-Sal e a quebra da participação obrigatória de 30%,ontem foi anunciado a megacompra da BG Group pela Shell por US$70 bi, numa conjuntura péssima para o setor petróleo (cotação em torno de US$ 50,00). O claro interesse estratégico da Shell é reforçar reservas na crise, assim como fez Putin ao reforçar a participação do Estado Russo na Grazpon e como deveria fazer agora a Petrobras aumentando sua participação em petroquímica em vez de anunciar venda de patrimônio.
Nós sabemos, com a participação de nossos colegas bem informados, que a Petrobras, diante das reservas possuídas, não possui nenhuma restrição de natureza econômico-financeira, seja para manter seu patrimônio, seja fazer aquisições no setor, seja para manter seus investimentos, no entanto, está paralisada e perdendo patrimônio pela operação Lava-Jato (Na verdade operação “Joga-Lama-na-Geni”) e está claramente sofrendo uma ataque político com objetivos claros de abrirmos os poços Pré-Sal às reservas das “grandes Irmãs” e às nações “mui amigas”.
Aí vai o artigo em q o executivo da Shell, comentando a aquisição da BG Group, não se furtou em dizer q o interesse (ao meu ver o único) da operação foi de se fortalecer para “participar do Pré-Sal” (aqui). O Financial Times também reforça que o interesse é o Pré-Sal (aqui).
Osvaldo Maneschy – Aprendi trabalhando mais de 40 anos em jornal que o está nas tintas – é a versão dos fatos que o dono do jornal (da TV, do rádio, etc) quer que as pessoas acreditem.
Fato é fato, versão é versão.
Claro que você está aí no Congresso, sabe das coisas.
Mas a Dilma disse com todas as letras – ao ser diplomada no TSE, ao ser reempossada no Planalto, e na posse do Janine, anteontem – que a Petrobrás e o pré-sal são do Brasil.
O que ela diz sobre o assunto, para mim, conta muito.
Que a Shell – que há anos exporta petróleo cru do Brasil por conta das falcatruas lá de trás, do tempo das vacas gordas (pra ela) do entreguista FHC – a gente sabe.
Que as petrolíferas gringas, Shell na frente, querem botar a mão do pré-sal – a gente também sabe.
E que tem muito entreguista doido para ganhar uns caraminguados em troca do interesse nacional, a gente também sabe que existe.
Por isso é bom sempre lembrar o “Era Vargas”, do José Augusto Ribeiro.
Quando Chateaubriand, dono das Organizações Globo da época, na crise de agosto de 54, mandou recado para Vargas:
“Fecha a Petrobras que paro de fazer campanha contra”.
Getúlio não desistiu da Petrobrás e ela está aí.
Firme e forte, apesar de todas as tintas, cores e sons das fábricas de midiotas.
E da “República de Curitiba” do Moro e da gurizada do MPF, que é boa de estudo e concurso, mas não entende o Brasil.








