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O cavaleiro solitário da Zelotes, e do HSBC

Por Thales Bouchaton | Via Blog do Thales

Deputado Federal Paulo Pimenta – PT/RS (Reprodução Congresso em Foco)

Quem acompanha o Sul 21 e as demais mídias alternativas conhece bem o que se passa, ou ao menos o que deixa de passar na grande mídia, sobre a Operação Zelotes e o “HSBC”, que foi muito oportunamente definido pelo Deputado Federal pelo PT e atual Presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, Paulo Pimenta, como possivelmente o “maior esquema já detectado de corrupção no mundo”.

Todos os dias abrimos o jornal ou vemos na TV algo negativo sobre a Petrobrás, o PT, Lula, Dilma e etc. E a Zelotes? E o HSBC? E o Mensalão Tucano? E o Trensalão?

Praticamente nenhuma linha. Para não dizer nenhuma.

Só no caso do HSBC é estimado que tenham sido movimentados nesse monstruoso esquema de evasão de divisas e sonegação fiscal a quantia de, aproximadamente, 7 bilhões de dólares. E na Zelotes outros 19 BILHÕES de reais, enquanto a midiática operação “Lava Jato” apuram desvios de “apenas” 2,1 bilhões de reais.

Ou seja, a Zelotes e o HSBC movimentaram cerca de 40 bilhões de reais, quase 20 vezes mais do que a “Operação Lava Jato”, mas com 20 vezes menos espaço na grande imprensa e sem a mesma indignação dos paneleiros do Leblon, dos Jardins ou do Bela Vista.

Aécio Neves, José Serra e a camarilha tucana, sempre tão vociferantes para denunciar ou comentar supostos desvios contra o PT e contra o governo, que bradam ensandecidamente contra a “corrupção”, curiosamente, não falaram uma linha e tampouco assinaram o pedido de CPI do HSBC.

Tentando furar esse bloqueio midiático, o Deputado Paulo Pimenta luta, arduamente, para que essas investigações saiam do papel e alcancem os responsáveis por esse desfalque bilionário contra povo brasileiro.

Em artigo publicado na Carta Maior, o parlamentar tece críticas ao comportamento da mídia no caso HSBC, o que pode também ser estendido para a Zelotes: “Um caso que transborda hipocrisia de parte da grande mídia e casuísmo de ampla maioria da sociedade e que pode, ao fim, comprovar a seletividade de nosso sistema de justiça penal.” E continua: “A grande mídia parece estar constrangida e sem saber como lidar com o tema. Porém, tem a obrigação de informar a sociedade a respeito desse escândalo, especialmente se isso significa denunciar fatos que envolvem grupos historicamente por ela protegidos.”

Porém, a batalha não será fácil.

Olhando a listagem dos envolvidos na Zelotes e do HSBC, vemos o envolvimento das maiores empresas do Brasil, incluindo grupos midiáticos como a RBS, afiliada da Rede Globo, além de bancos como o Santander, Bradesco, Safra, Gerdau, além dos familiares e/ou proprietários dos Grupos Folha, Globo e diversos outros sócios de grupos de comunicação.

Ou seja, é uma luta hercúlea contra os maiores capitalistas do Brasil. Até porque Bradesco, Santander, HSBC fazem propagandas milionárias em qual empresa? Na Globo, é claro, e não tenho a menor esperança de ver a Globo fazer uma das suas reportagens investigativas, massacrantes e destruidora de reputações contra os seus financiadores.

Infelizmente, até o presente momento, não vi nenhum outro parlamentar encampar essa luta, seja ele da Câmara ou do Senado. Porém, essa não é uma luta de uma pessoa só. Ela precisa de apoio de todas os partidos, independente de espectro partidário, de esquerda ou de direita e não ser apenas a batalha de um cavaleiro solitário contra os verdadeiros achacadores e rufiões da pátria.

Diálogos Desenvolvimentistas: Tucanos e sua ótima relação com o departamento de Estado dos EUA

Este post dedica-se tão somente a reproduzir diálogo travado entre os participantes do grupo Desenvolvimentistas o qual explica clara e rapidamente de onde surgiu e quem se beneficiou do verdadeiro saque generalizado ao Estado brasileiro que foram as privatizações espúrias feitas nos anos 90, sob a batuta do príncipe FHC.

Paulo Moreno – FHC e tropa de choque tucana compraram o Judiciário, nomearam juízes do MP e do STF, agraciados com cargos vitalícios, altos salários e ajudas de custo moradia, nomearam também os engavetadores oficiais no judiciário e no STJ, e por essa razão 45 CPI’s foram abafadas durante a gestão tucana, e muitas CPI’s e processos contra Aécio Neves (o campeão de processos no TJ-MG) seguem engavetados e monitorados pelos engavetadores oficiais do Judiciário, que se transformou num grande manicômio e teatro nacional. Se cobrir com lona pode cobrar ingresso. Que triste república! Confiram no artigo de Altamiro Borges.

Tania Faillace – Esses eventos todos não são locais, não são de inspiração local.

Durante o governo Itamar, FHC foi para os Estados Unidos onde serviu como embaixador ou parecido, e recebeu as instruções que Collor teria recebido antes, e cumprido até o final, se não tivesse exagerado em seu personalismo.

Então não foram os tucanos que inventaram, foi o Departamento de Estado que inventou. Os tucanos não passam de executores. É isso o que temos que entender e reconhecer. Nos últimos 50 ou mais anos, nada acontece no Brasil que não tenha sido previsto ou planejado lá.

Bento Araújo – Esses planos de crimes lesa-pátria são antigos, datam do final dos anos 1980 e início dos 1990. São planos de entreguismos e de privatizações fraudulentas, criadas pelo Consenso de Washington, que afetou o Brasil, Argentina e México, considerados países-chave na América Latina que precisavam ter seu desenvolvimento freado, conforme Plano de Kissinger e da cúpula norte-americana.

Essas notícias foram mostradas bombasticamente aqui no Brasil pelo Jornal Empresarial RR – Relatório Reservado edição de junho de 1990, e também na Revista Empresarial americana EIR do Lindon Larouche – Executive Intelligence Review com o título Preliminary ideas for a privatization master plan in Brazil of Petrobras group, Petrochemical group, Eletrobras group, Telebras group and Infraero group – The first Suisse Bank of Boston – april 1990. Portanto, na época que Fernando Collor assumiu seu “desgoverno” e criou a Secretaria da Desestatização em 1990. Na mesma época FHC estava ainda no Itamaraty como chanceler em Washington, e lá tramava como entregar as 137 empresas estatais, as reservas de petróleo e gás e riquezas minerais aos estrangeiros.

E foi na gestão FHC que 95% do patrimônio público brasileiro foi cedido a preços ridículos aos mega-especuladores internacionais. Não escapou nem a PETROBRAS que sofreu a privato-doação de 40% das ações preferenciais PETR4 na Bolsa de NY, entrega essa feita por FHC e seu mafioso genro David Zylberszytajn (ele criou em 1995 uma empresa de fachada DZ Energia para oferecer ajuda aos gringos a saquear os leilões do petróleo e a entrega da Eletropaulo para a americana AES). Portanto, entregou-se quase metade da Petrobras ao mafioso, agiota e mega-especulador, senhor George Soros (patrão de Armínio Fraga), com os tucanos beneficiando centenas de multinacionais norte-americanas, lideradas à época pela Shell.

Weatherford, Exxon, Enron e Hallibourton também se aproveitaram das nefastas privatarias tucanas, facilitadas por propinas bilionárias pagas por multinacionais, o que gerou mega-fortuna, toda ela estando muito bem escondida, conforme mostrado nos livros bombásticos de Henrique Fontana, Amaury Junior e Aloisio Biondi. Esse saqueio foi lavado para contas secretas de 91 políticos demo-tucanos obedientes as privatarias. O Banestado, o Banco do Estado do Paraná, foi privatizado e usado como ponte para lavar as propinas de 150 bilhões para contas secretas dos políticos nas Ilhas Cayman, esquema este operado pelo doleiros Alberto Youssef e Olga Youssef, velhos conhecidos dos tucanos, Yousseff inclusive cedeu seu jato para as campanhas tucanas de Álvaro Dias, Beto Richa e muitos outros políticos conterrâneos dele no Paraná.

Arábia Saudita bombardeia o Iêmen, depois doa ajuda milionária

Por Thalif Deen | Via Esquerda.net

Casas destruídas em Sana após bombardeamentos da coligação árabe, liderada pela Arábia Saudita.

Os sauditas são acusados de bombardeamentos indiscriminados que causaram a morte de 1.080 pessoas, na sua maioria civis. Como se quisesse compensar os seus pecados, a Arábia Saudita anunciou a doação de 274 milhões de dólares “para as operações humanitárias no Iêmen”.

A mão direita da Arábia Saudita não sabe o que faz o seu pé esquerdo, afirma um diplomata asiático para descrever a paradoxal política militar em curso no Iémen.

Os sauditas, que lideram uma coligação de países árabes em apoio ao presidente iemenita, Abdu Rabbu Mansur Hadi, cujo governo foi derrubado por forças rebeldes xiitas hities em janeiro, são acusados de bombardeamentos indiscriminados que causaram a morte de 1.080 pessoas, na sua maioria civis, e deixaram 4.352 feridos, o que criou uma crise humanitária em grande escala no Iémen.

Como se quisesse compensar os seus pecados, a Arábia Saudita anunciou no mês passado a doação de 274 milhões de dólares “para as operações humanitárias no Iémen”, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU).

No dia 22 de abril a Arábia Saudita suspendeu temporariamente os ataques aéreos, que duraram quase um mês, presumivelmente pela pressão dos Estados Unidos, cujo governo se preocupa com a mortandade civil. O jornal “The New York Times” perguntou a um funcionário norte-americano não identificado por que Washington interveio para que Riade cessasse os bombardeamentos. “Muito dano colateral”, respondeu, referindo-se às mortes de civis.

Os ataques da chamada Operação Tempestade Decisiva no Iémen demoliram fabricas e bairros residenciais, e também afetaram um centro de armazenamento pertencente à organização humanitária Oxfam, com sede em Londres, que informou que ali eram guardadas provisões humanitárias sem valor militar. A Oxfam recebeu com satisfação o anúncio sobre a suspensão dos bombardeamentos no Iémen, mas alertou que o trabalho para levar ajuda a milhões de iemenitas apenas começou.

Grace Ommer, diretora da organização no Iémen, afirmou à IPS que os bombardeamentos aéreos e a violência dos últimos 28 dias antes da trégua teriam matado 900 pessoas, das quais metade eram civis. “A notícia de que os ataques aéreos terminaram, pelo menos temporariamente, é bem-vinda e esperamos que isto prepare o caminho para que todas as partes no conflito atual encontrem uma paz negociada permanente”, afirmou.

Segundo Ommer, “a notícia também dá enorme alivio aos 160 trabalhadores iemenitas que temos no país, bem como ao resto da população civil, que luta para sobreviver a esta última crise no seu frágil país”. Como a instabilidade, a insegurança e os combates continuam, as partes em conflito devem permitir que as organizações de ajuda entreguem a assistência humanitária aos milhões de pessoas que dela precisam, acrescentou.

A Oxfam também informou que o Iémen é o país mais pobre do Médio Oriente, onde 16 milhões dos seus 26 milhões de habitantes dependem da ajuda para sobreviver. A recente escalada da violência só agravou a catástrofe humanitária existente, ressaltou a organização.

Sara Hashash, da Amnistia Internacional disse que mais de 120 mil pessoas foram obrigadas a abandonar as suas casas desde que começou a campanha militar saudita em março, o que provocou “uma crescente crise humanitária”.

O porta-voz da ONU, Stephane Djurric, disse à imprensa que a doação saudita será destinada às necessidades de 7,5 milhões de iemenitas nos próximos três meses. Os fundos proporcionarão “assistência alimentar a 2,6 milhões de pessoas, água potável e saneamento a cinco milhões de pessoas, serviços de proteção a 1,4 milhões e apoio nutricional para cerca de 79 mil pessoas”, acrescentou.

No mês passado os bombardeamentos destruíram uma fábrica de produtos lácteos matando 31 trabalhadores, e um bairro inteiro, com saldo de 25 mortos. “Os ataques aéreos reiterados contra uma fábrica de produtos lácteos situada perto de bases militares mostram um cruel desprezo pelos civis por ambas as partes do conflito armado no Iémen”, disse Joe Stork, subdiretor para o Oriente Médio e norte da África da organização de direitos humanos Human Rights Watch (HRW).

“O ataque pode ter violado as leis da guerra, por isso os países envolvidos devem investigar e tomar as medidas apropriadas, incluindo a indemnização das vítimas dos ataques ilegais”, afirmou Stork. A morte de civis não implica necessariamente que se tenha violado as leis da guerra, mas a elevada perda de vidas numa fábrica aparentemente utilizada com fins civis deve ser investigada de maneira imparcial, recomendou a HRW em comunicado.

“Se os Estados Unidos proporcionaram informação ou outro apoio direto aos bombardeamentos, compartilharia, como parte no conflito, da obrigação de minimizar os danos a civis e investigar supostas violações das leis”, acrescentou a HRW. Segundo a organização, a coligação liderada pela Arábia Saudita e responsável pelos ataques aéreos é integrada por Bahrein, Egito, Emirados Árabes Unidos, Jordânia, Kuwait, Marrocos, Qatar e Sudão.

Para Stork, “se os Estados Unidos estão a fornecer informação (para realizar os bombardeamentos) é uma parte no conflito e está obrigado a acatar as leis da guerra. Embora não seja assim, no seu apoio à coligação Washington irá querer garantir que a totalidade dos bombardeamentos e demais operações sejam feitas de modo a evitar perda de vidas e propriedades civis, que já atingiram níveis alarmantes”.

Quanto às denúncias de mortes civis, Dujarric disse que “à primeira vista, esse tipo de denúncia é extremamente preocupante quando se vê a probabilidade de um nível elevado de vítimas civis. Mas, creio que toda a violência que temos visto serve como lembrança para que as partes atendam ao apelo” feito pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, no dia 17 de abril, para que “cessem as hostilidades e se pronuncie o cessar-fogo”.

Beto Richa e terceirização: Gostinho de ditadura

Por FC Leite Filho

Depois da truculência do Beto Richa, eu me pergunto como ficam esses colunistas da Veja e da Globo que vivem chamando o Lula, a Dilma e a Cristina de ditadores. Ou será que democracia para eles é o regime dos generais Médici, Pinochet e Videla, a que eles jamais aludiram como ditadores, em seus textos. Pelo contrário, os generais-presidentes da fase mais obscurantista da América Latina (1960-1980), eram por eles tratados reverencialmente como estadistas, mesmo tendo passado todos os seus governos prendendo, torturando, matando e perseguindo dissidentes, sobretudo estudantes mal entrados na universidade.

A ação policial comandada pelo governador do Paraná, que feriu 200 professores em protesto de rua em Curitiba, na semana passada, veio, no entanto, lançar uma luz sobre os reais propósitos da arremetida midiática, que quase derruba o atual governo brasileiro. Lembre-se que, num movimento paralelo, a Câmara aprovava, quase na mesma semana, o projeto da terceirização, com potencial de reduzir conquistas sociais, com diminuição de salários, eliminação de garantias trabalhistas e inviabilizar os concursos públicos. As duas ações, aparentemente independentes, mas interligadas dentro do plano maior da reinstauração do neoliberalismo, o mesmo que se abateu sobre nós por mais de 20 anos. Seu objetivo é, em última análise, transplantar para cá as políticas recessivas hoje reinantes na Europa, que já quebraram a Grécia, Espanha e Itália. Daqui a pouco vão querer dar em cima de nosso 13o. salário, reduzir pensões e impor o congelamento salarial, como já se escuta nos corredores do Congresso, pois, como se observa, a ordem é de maximizar os lucros dos banqueiros e multinacionais, nem que a à custa do sangue do trabalhador

Ainda bem que isso está vindo à tona, porque, assim, o país, não de todo refeito do torpor das piroctecnias de rua e de mídia, vai se dando conta da trama por trás do denuncismo que se apossou do noticiário nos últimos 15 meses. Mostra igualmente que eles não vieram para brincar e que estão dispostos a trazer de volta a ditadura, não a de mentirinha, mas a verdadeira, se preciso for. Nada mais sintomático, neste aspecto, do que a repressão de Beto Richa. O passar do tempo serviu igualmente para demonstrar que a Petrobrás não está assim tão mal, tendo, pelo contrário, voltado a puxar as ações da bolsa, e que os envolvidos nos seus escândalos não eram só do PT, mas, rigorosamente, de todos os partidos, inclusive os da oposição, à frente o PSDB e o PMDB dissidente. A diferença é que os jornais só noticiavam e, em alguns casos, com grosseiras manipulações, os políticos petistas, estes sem o mínimo direito de defesa, tal qual fizeram no passado contra Leonel Brizola.

É importante que observemos que tanto o atual governo de Richa,  como o de Aécio Neves, em Minas, entre 2002 e 2010, constituem, com seu “choque de gestão”, o jeito tucano de governar. Na verdade, esses dois meninos mimados da mídia corporativa, aprofundam, com sua perseguição a professores e funcionários públicos, a experiência neoliberal do octênio de Fernando Henrique Cardoso (1994-2002), no plano federal, quando o presidente eleito pelo PSDB, não só entregou nossas grandes estatais a empresários amigos e associados, como também fez o trabalhador amargar oito anos de congelamento salarial, enquanto o desemprego assumia proporções alarmantes, e nosso florescente projeto de industrialização ia para o brejo.

A estratégia real era baixar um pacotaço com a eleição Aécio Neves, em 2014, que as elites consideravam como favas contadas, mas que fracassou com a decisão do eleitorado de optar pela manutenção de Dilma Rousseff como presidente da República, por mais quatro anos. Era tão evidente este plano diabólico, que Aécio tinha nomeado por antecipação seu ministro da Fazenda, Armínio Fraga. E quem é Armínio Fraga? É, um brasileiro-americano, com residências no Rio e em Nova York e tido como dos principais agentes de George Soros, um dos maiores especuladores internacionais e cérebro privilegiado da ofensiva de desmonte dos pobres estados nacionais. Para cúmulo da coincidência, o mesmo George Soros veio ao Brasil, na semana passada, para jantar com FHC, hoje, aos 83 anos, chefe dos tucanos e grande referência internacional da privataria. Para os que não se recordam, Armínio Fraga tinha sido presidente do Banco Central do mesmo FHC, trazendo evidentemente seu aporte técnico para o desmantelamento de nosso aparato estatal.

Se mirarmos os exemplos recentes do Peru e do México, onde a retomada privatista já engoliu as empresas de petróleo e os bancos oficiais, com nova explosão do desemprego, numa incipiente blitz grieg neoliberal em território latino-americano, podemos ter ideia de como também seriam aqui abocanhados a Petrobrás, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica, no caso da eleição de Aécio ou de de qualquer candidato bafejado pelas ondas ensurdecedoras dos meios de comunicação. Mas se perderam o Palácio do Planalto, o esquema golpista se apoderou do quorum qualificado da Câmara e do Senado, a partir de onde começaram a agir, forçando-os a aprovar leis restritivas ao trabalhador, os direitos individuais e à soberania nacional, como bem demonstra o projeto da terceirização, aprovado pela Câmara, e em ponto de bala para tramitar no Senado.

Paralelammente, o projeto da terceirização, certamente, vai abrir caminho, se não for sustado a tempo no Senado ou vetado pela presidenta, para novas investidas do grande capital. Deus queira que não cheguemos aos níveis da Espanha, onde, com essa mesma toada de “acabar com a corrupção” e “flexibilizar o mercado de trabalho”, reduziu salários, eliminou benefícios sociais do antigo wellfare state e ainda tomou as casas de quem não pôde pagar. Mesmo despejado, o cidadão fica obrigado a continuar pagando aos bancos emprestadores. Por causa disso, há 800 mil apartamentos vazios no país. O desemprego é outra vergonha para esta potência europeia: situa-se há mais de cinco anos numa média de 25% (no Brasil, país emergente, está em 6,2 e na Argentina, 6,9%), sendo que, entre os jovens, beira os 50%, e isso depois de três anos de uma reforma trabalhista flexibilizadora, baixada por decreto-lei.

Como revela relatório da Organização Internacional do Trabalho, o Brasil, ao lado da Argentina, foi o país que mais diminuiu a desigualdade salarial no mundo nos últimos dez anos, reduzindo-a em 72%. O mesmo relatório (o Global Report 2014/15 on Wages and Income Inequality) sustenta que aconteceu o contrário nas economias desenvolvidas. onde houve aumento da desigualdade social e da perda de empregos. É isso tudo que querem eliminar os “democratas” do establishment, com sua interminável obsessão em fazer o Brasil a voltar à condição de país periférico, do qual se levantou a partir de 2003, acompanhando a tendência autonômica de outros países progressistas da região, que a mídia não cansa de chamar de ditaduras, mas que realizam eleições com crescente participação popular.

Banco Central bloqueia participação do Brasil no Banco dos BRICS

Por J. Carlos de Assis

Em mais uma ação de cabal subordinação à finança anglo-americana, o Banco Central do Brasil está dificultando, com evidente intenção de sabotar a capitalização da parte brasileira no Banco dos BRICS sob o pretexto imbecil de proteger as reservas internacionais. O Banco dos BRICS é, de longe, o principal legado do primeiro mandato de Dilma no plano internacional. Deverá ser o grande instrumento de financiamento da infraestrutura no bloco, independente da interferência, das taxas de juros e das condicionalidades norte-americanas e europeias.

O argumento da vertente entreguista do Banco Central é grotesco, já que a transferência de recursos das reservas para a capitalização do banco não altera a posição fiscal brasileira. Afinal, é muito mais interessante ter dinheiro rendendo juros no banco do que rendendo os pífios juros dos títulos públicos dos Estados Unidos, nos quais as reservas são aplicadas. No Banco dos BRICS o dinheiro vai gerar investimentos reais, e não apenas um fluxograma de recursos totalmente desvinculado da economia real.

Já é tempo de nacionalizarmos o Banco Central do Brasil. É curioso que ele tenha sido criado pelos militares, num primeiro momento sem oposição americana, como um banco desenvolvimentista, grande financiador da agricultura brasileira. Foi nossa titubeante democracia, no Governo Sarney, e pelas mãos de economistas ditos progressistas, que o Banco Central virou-se para o lado da ortodoxia anglo-americana, tornando-se, pela política monetária, um dos principais obstáculos ao nosso desenvolvimento econômico.

Outra curiosidade é que não foram os americanos, mas os ingleses e franceses, que espalharam pelo mundo a concepção de bancos centrais ortodoxos. Descrevi isso na minha tese de doutorado na Coppe, convertida em livro, “Moeda, Soberania e Trabalho”, ed. Europa. A total conversão à ortodoxia se deu via influência posterior dos Estados Unidos no FMI, revelando outra tremenda contradição: os americanos exigem que todo mundo tenha banco central ortodoxo, mas eles próprios tem um banco desenvolvimentista, organizado de forma tão cínica que é capaz de despejar moeda fiduciária no mundo sem qualquer tipo de controle.

O Banco dos BRICS, que o Banco Central tenta boicotar, será a primeira fissura na arquitetura financeira internacional erigida pelos anglo-americanos no pós-guerra. Será um banco ligado à produção, à economia real. Não essa fábrica de papel sórdida operada nos EUA e agora também no BCE, oferecendo a seus nacionais dinheiro de graça para que adquiram patrimônios reais mundo afora, praticamente sem custos. Com a próxima vinda ao Brasil do Primeiro Ministro chinês, a Presidenta Dilma poderia aproveitar a oportunidade para dar uma ordem seca ao Banco Central para deixar de criar obstáculos para o Banco dos BRICS e disponibilizar imediatamente as reservas a fim de que isso seja feito.

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J. Carlos de Assis é economista, professor, doutor pela Coppe/UFRJ, autor de mais de 20 livros sobre economia política brasileira, estando dois novos no prelo.

Ministro Braga quer ‘flexibilizar’ o regime do pré-sal

Por Breno Altman | Via Opera Mundi

O ministro das Minas e Energia, Eduardo Braga, filiado ao PMDB, surpreendeu o mundo petroleiro, no último domingo, dia 2 de maio, em Houston, nos Estados Unidos, durante entrevista realizada antes da Offshore Technology Conference, que reúne empresas especializadas na extração submarina de hidrocarbonetos.

Perguntado sobre a possibilidade de mudanças na regulação do modelo exploratório do pré-sal, o ex-governador do Amazonas deixou portas abertas para essa hipótese, embora declarando que qualquer alteração dependeria do Congresso Nacional e que não está se discutindo a matéria dentro do governo.

Quando lhe questionaram especificamente sobre a participação mínima obrigatória da Petrobras em campos leiloados, fixada atualmente em 30%, além de exercer a direção dos poços, Braga deu resposta ao gosto das corporações internacionais:

“O que se discute é a obrigatoriedade da operação”, afirmou. “Defendo que a Petrobras tenha direito à recusa de participar.”

Se fosse esta a posição do governo e viesse a ser referendada pelo parlamento, um dos aspectos essenciais do regime de partilha deixaria de ser política de Estado e passaria à tutela empresarial. Os óbvios espaços que se abririam para as multinacionais do ramo dispensam maiores comentários.

Tal rebaixamento de norma, aliás, poderia ser comparado ao fim do monopólio da Petrobrás na exploração do petróleo, efetivado pelo governo Fernando Henrique Cardoso nos anos 1990.

De quebra, Braga também flertou com o abrandamento da norma de conteúdo local, que determina a compra preferencial de equipamentos e serviços de origem nacional.

Para quem tiver curiosidade, as declarações do ministro foram publicadas em nota da agência Bloomberg, sob o título Brasil estuda alívio regulatório para Petrobras após acúmulo de dívidas. Assinantes do diário Folha de S.Paulo também podem acessar a matéria “Ministro estuda alterar conteúdo nacional”.

Diversos outros veículos de imprensa noticiaram o mesmo conteúdo.

Claro que existe a hipótese de ter havido manipulação editorial. Caberia ao ministro, nesse caso, desmentir imediatamente as reportagens a seu respeito.

Se os artigos não tiverem distorcido as palavras de Braga, porém, quem terá dois problemas nas mãos será a presidente Dilma Rousseff.

O primeiro deles: esclarecer ao país e à comunidade internacional, mais uma vez, se está mantida ou não a postura histórica dos governos liderados pelo PT.

Há mais de oito anos tanto a atual mandatária quanto seu antecessor comandam batalhas em defesa da principal reforma estrutural do período petista: a adoção do modelo de partilha, cujo núcleo decisivo é o papel da Petrobras no controle e gestão operativa do pré-sal.

Não há uma só palavra ou ato da presidente, além do mais, que coloque em dúvida seu compromisso com a política petrolífera vigente.

O segundo problema será o que fazer com um ministro sem pejo de contrariar posição presidencial sobre o mais importante dos instrumentos relativos ao desenvolvimento brasileiro, ainda por cima estando em território norte-americano.

Se for verdadeira a entrevista de Eduardo Braga, ficará escancarada a presença de um ministro entreguista e indisciplinado no comando do setor que é a menina dos olhos de interesses imperialistas.

Rússia e OTAN instalam linha de comunicação direta

Via Sputnik

Os comandos militares da Rússia e da OTAN instalaram uma linha telefônica direta para o caso de crise, escreve o jornal alemão Frankfurter Allgemeine.

Os comandos militares da Rússia e da OTAN instalaram uma linha telefônica direta para o caso de crise, escreve o jornal alemão Frankfurter Allgemeine.

Na semana passada, os números de contato foram entregues ao lado russo. No entanto, os detalhes da criação do novo canal de comunicação ainda não são públicos, de acordo com a publicação.

Pela primeira vez desde a Guerra Fria, a Rússia e OTAN passam novamente a ter uma forma de comunicação direta entre as chefias militares. Agora o comandante das forças conjuntas da OTAN na Europa, bem como o chefe do Comitê Militar da OTAN, terão acesso à linha direta com Moscou. Os canais de comunicação permanecerão sempre abertos e serão alvo de verificação de segurança constante.

O jornal escreveu que o tempo de ativação da linha ainda é desconhecido.

A iniciativa de criar a linha direta pertence ao ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier. Anteriormente, devido ao aumento das tensões no mundo, nomeadamente ao conflito ucraniano, ele propôs a criação de uma ligação direta entre a Rússia e a OTAN, a ser usada nas situações de crise.

Após a crise dos mísseis de Cuba em 1962 entre a liderança militar da União Soviética e os Estados Unidos também foi criada uma linha telefônica direta, chamada de “telefone vermelho”.