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Genocídio dos pobres

Por Paulo Metri

Há exatos cem anos, os armênios começavam a ser perseguidos e exterminados pelo Império Otomano, em triste “limpeza étnica”, na qual morreram mais de um milhão e meio de pessoas. Os turcos, herdeiros do Império Otomano, não admitem que o ocorrido tenha sido um genocídio, porém, reconhecem que muitos armênios morreram em embates com as forças turcas na Primeira Guerra Mundial. Só 22 países do mundo reconhecem o genocídio dos armênios e, entre eles, não está o Brasil.

Os genocídios étnicos ou por outras motivações, inclusive ideológicas, e as atrocidades das guerras ocorrem desde antigos registros da História. O genocídio dos judeus é sempre o primeiro a vir à mente, mas, durante a Segunda Guerra, procurou-se exterminar também ciganos, comunistas, homossexuais, deficientes físicos e mentais. Oponentes de sistemas políticos foram e são, em muitos países, caçados e mortos. Infelizmente, na África e no Grande Oriente, ocorreram e ocorrem perseguições e massacres. Nestes locais, populações civis são encontradas no meio de lutas sangrentas de dominação, incentivadas, usualmente, por grupos econômicos ou nações estrangeiras.

Não poderemos ser considerados verdadeiramente humanos enquanto correções, como o reconhecimento do genocídio armênio, não forem feitas. Mais do que satisfazer aos descendentes dos armênios, declarando que seus ancestrais foram mártires, trata-se de dignificar a nossa espécie, que precisa fazer jus ao seu rótulo de humana. O Clube de Engenharia, em memorável sessão do seu Conselho Diretor, do dia 11 de maio passado, aprovou por unanimidade a recomendação ao governo brasileiro de reconhecimento do genocídio dos armênios. Nosso governo deveria se engrandecer e tomar a decisão recomendada por este Clube.

No reino animal, a totalidade das espécies, na maioria das situações, não mata seus semelhantes, com exceção do homem, que é capaz de matar outro da sua espécie. No livro “Era dos extremos”, o historiador Eric Hobsbawm constata que, “no Breve Século XX, mais homens foram mortos ou abandonados à morte por decisão humana do que jamais ocorrera antes na história”. Infelizmente, Hobsbawm não viveu para analisar o mundo atual.

Defendo a tese que vivemos, hoje, o genocídio dos pobres. Com o neoliberalismo, que é o capitalismo exacerbado, os genocídios existem dissimulados e são praticados sutilmente. Não se usa mais gás mortífero, nem bala, nem granada, nem facão e não se bombardeia com aviões e tanques.

Em um país que serve para análise, diminui-se o salário médio dos trabalhadores, diminui-se o poder aquisitivo das aposentadorias e das pensões, provoca-se desemprego em massa, corta-se o seguro desemprego, diminui-se o salário de sobrevivência e o número de beneficiados, diminuem-se outros benefícios sociais, terceiriza-se o emprego, corta-se o atendimento escolar, diminui-se o número de creches por habitantes, cortam-se verbas da saúde, além de outras “medidas de ajuste”, seguindo os preceitos de instituições pertencentes ao grande capital, incluindo as agências classificadoras de risco, e têm-se como consequência inevitável a diminuição da vida média dos habitantes deste país em análise.

Os habitantes morrem antes do que deveriam morrer. Este plano sutil é ou não é um plano de extermínio? É ou não é um genocídio? Pode-se dizer que é um plano de cuja existência poucos sabem, e muitos o vivenciam na total ignorância, com seus destinos previamente traçados e em plena execução. Diversos países, hoje, seguem este receituário imposto pelo grande capital, países em que as populações não têm controle sobre as ações dos governantes.

Esta receita maximiza os ganhos do capital, que por isso a impõe. Obviamente, os primeiros a serem exterminados são os miseráveis do país, seguidos pelos mais pobres e assim por diante. Nos Estados Unidos, os maiores sofredores do modelo são chamados de “perdedores”, em um esforço para jogar a culpa do infortúnio só em cima dos próprios desventurados.

Por isso, quando vejo o ex-presidente Fernando Henrique escrevendo artigos em que desmerece o ex-presidente Lula, fico pensando como isso é possível. Ele aplicou o receituário à risca e o ex-presidente Lula salvou 36 milhões do extermínio eminente ao retirá-los da linha da miséria.

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Paulo Metri é conselheiro do Clube de Engenharia e colunista do Correio da Cidadania.

Banco chinês ICBC e Caixa criarão fundo de US$ 50 bi para infraestrutura, dizem fontes

Por Alonso Soto e Guillermo Parra-Bernal | Via Reuters

BRASÍLIA (Reuters) – A Caixa Econômica Federal e o Banco Industrial e Comercial da China (ICBC) criarão um fundo para investimentos em infraestrutura no Brasil de US$ 50 bilhões, disseram nesta quarta-feira duas fontes do governo com conhecimento do tema.

O fundo será financiado completamente pelo ICBC, mas ambos os bancos precisam estabelecer o marco regulatório para tomar decisões sobre os projetos, garantiram as fontes brasileiras, que pediram para não ser identificadas.

O plano será oficialmente anunciado quando o primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, visitar o Brasil na semana que vem, acrescentaram.

Trem da costa brasileira até a costa peruana

Os governos concordaram que o fundo financiará uma linha ferroviária que irá da costa brasileira no oceano Atlântico até a costa peruana no Pacífico a fim de reduzir os custos de exportações para a China, afirmou uma das fontes.

O fundo também financiará um empreendimento conjunto para produzir aço no Brasil.

Em janeiro, o presidente chinês, Xi Jinping, se comprometeu com US$ 250 bilhões em investimentos na América Latina durante os próximos 10 anos, como parte das tentativas do gigante asiático, ávido por recursos naturais, de ganhar terreno numa região que durante um longo tempo foi influenciada pelos Estados Unidos.

No ano passado, China e Brasil concordaram com um financiamento de US$ 7,5 bilhões para a mineradora Vale e a compra de 60 aeronaves de passageiros da Embraer.

A Caixa não quis comentar o assunto. Não foi possível obter declarações do Ministério das Relações Exteriores de imediato.

Mudanças climáticas: estudo sugere que uma em cada seis espécies está ameaçada de extinção

Por Tomi Mori | Via Esquerda.net

Pela primeira vez na história, é a ação humana, organizada num tipo determinado de estrutura social, a capitalista, que pode levar à aniquilação da vida no planeta, incluindo a extinção da própria espécie humana.

A águia da Nova Zelândia, a maior águia de que se tem notícia, foi extinta ao redor de 1400. Pode ter pesado de 10 a 15 quilos e as suas asas abertas poderiam ter chegado a três metros.

Em estudo recente, publicado na Science, o pesquisador Mark C. Urban, da Universidade de Connecticut, nos EUA, afirmou que “O resultado sugere que os riscos de extinção vão acelerar-se com a futura temperatura global, ameaçando uma em cada seis especies sob as atuais políticas.”

A importância do estudo de Urban reside no facto de acrescentar mais um alerta cientifico sobre a ameaça que as mudanças climáticas representam para a vida no planeta.

A extinção das espécies: um número inacreditável

Quando falamos de extinção, as imagens que nos vêm à cabeça são as da matança das baleias, dos golfinhos, dos pandas, tigres e, recentemente dos orangotangos e ursos polares.

Mas, se considerarmos os números que podem representar a vida no planeta, a catástrofe ecológica atinge, já, um número inacreditável.

Segundo o cientista Edward O. Wilson, no seu livro “Future of life”, “quantas espécies existem no mundo? Algo em torno de 1,5 e 1,8 milhão foram descobertas e receberam nomes científicos. As estimativas, dependendo do método utilizado, variam de 3,6 milhões a 100 milhões ou mais. A média das estimativas é pouco maior do que 10 milhões, mas poucos especialistas arriscariam a sua reputação insistindo nesse valor ou qualquer outro, mesmo com relação ao próximo milhão. A verdade é que mal começámos a explorar a vida na terra.”

Como vemos, os números são incríveis, já que incluem animais, plantas, e microrganismos que sequer vemos e, também, sabemos que parte dessa vida já está extinta e o resto pode desaparecer nos próximos anos. Ainda de acordo com Wilson, “podemos dizer com segurança que, pelo menos, um quinto das espécies de plantas e animais podem desaparecer ou estar próximas da extinção em 2030 e metade até o final do século.

A extinção das espécies animais ou vegetais avançou de forma rápida durante o seculo XX, com a expansão capitalista, e continua de forma dramática durante o atual. O facto de os números existentes não serem grandes provoca uma ilusão, já que decretar uma espécie extinta é um processo que leva anos, até se confirmar que não existe mais nenhum espécime. O outro motivo que algumas espécies contam com apenas um indivíduo ou alguns indivíduos, que já não podem mais reproduzir-se. Outra parte diz respeito às espécies que foram extintas sem que tenham sido descobertas ainda e, que, finalmente serão classificadas no futuro com a descoberta de seus restos.

O capitalismo acelera a extinção da vida no planeta

A extinção da vida faz parte da história do planeta. A mais famosa delas é a extinção de seres como os dinossauros, que povoa, inclusive, o imaginário das nossas crianças, ainda que essas não tenham consciência do fenómeno. Foi uma extinção massiva, cuja causa permanece indefinida, ainda que uma grande parte da comunidade cientifica acredite que foi provocada pela queda de um gigantesco meteorito.

A águia da Nova Zelândia, a maior águia de que se tem notícia, foi extinta ao redor de 1400. Pode ter pesado de 10 a 15 quilos e as suas asas abertas poderiam ter chegado a três metros. Foi classificada cientificamente, após a sua extinção, por Julius von Haast, em 1871, através de restos encontrados por F. Fulereno. No caso dessa águia, a extinção pode ter sido provocada pela ação humana, que dizimou uma ave dessa região, que poderia ter sido item principal de sua alimentação.

As engrenagens sociais que levaram o navegador português Fernão de Magalhães à aventura da circunavegação foram um marco importante na história humana. A partir desse ponto, em poucos séculos chegaríamos à atual globalização e, nesse trajeto, foram deixados um rastro que se mantém interminável de extinção da vida.

O predomínio do atual modo de produção capitalista acentuou a devastação da vida. Isso pode ser confirmado na afirmação de Mike Barrat, diretor do WWF (World Wide Fund for Nature – em português: Fundo Mundial para a Natureza): “nós perdemos metade da população animal”, referindo-se aos últimos 40 anos, em artigo publicado pelo The Guardian.

O avanço do capitalismo em todo o planeta e o crescimento populacional, com os atuais 7 mil milhões de habitantes, tem devastado com rapidez avassaladora a natureza. A destruição do meio-ambiente para a extração dos recursos naturais – madeira, minério – e também para a expansão urbana, bem como atividades agrícolas e pecuárias. E é essa mesma destruição ambiental para a manutenção da sociedade industrial que também é responsável pela atual catástrofe climática.

Segundo o estudo de Urban, os riscos de extinção são maiores na América do Sul, Austrália e Nova Zelândia.

“Os estragos já feitos não podem ser reparados em nenhum espaço de tempo significativo para a inteligência humana. Os registos fósseis mostram que uma nova flora leva milhões de anos para evoluir para a riqueza do mundo anterior ao homem.”, afirma Wilson no seu livro “The diversity of life”.

Ainda que toda esta discussão se mantenha polémica, principalmente pela existência de interesses económicos opostos, pela primeira vez na história é a ação humana, organizada num tipo determinado de estrutura social, a capitalista, que pode levar à aniquilação da vida no planeta, incluindo a extinção da espécie humana.

Essa realidade já é compreendida por milhões de pessoas no planeta; no entanto, não existe uma resposta para a seguinte pergunta: “Quanto tempo nos resta?” Mas todos os dados científicos mostram que não é tanto tempo assim.

O ranking mundial da educação e a síndrome de vira-latas

O Brasil Econômico publicou ontem (14) uma matéria sobre o ranking mundial da educação da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico). O material informa que o Brasil ficou na posição 60 de 76 países avaliados, fazendo ainda comparações com os países mais bem avaliados.

Ocorre que a educação é outro tema em que o debate está obscurecido e muito do que se fez é ignorado, por isso, reproduzimos aqui o artigo em questão, seguido de uma análise crítica do economista e especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental, Luis Felipe Giesteira, que nos traz algumas informações esclarecedoras.

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O ranking mundial de educação e a síndrome de vira-latas

Por Luis Felipe Giesteira, especial para o Blog dos Desenvolvimentistas

O tema educação é o prato cheio para os mitólogos que alimentam a síndrome de vira-lata brasileira. A grande mídia, e seu áulico, a classe média narcisista, se refestela, porque o assunto cai como uma luva para exalar sua convicção de que o povo brasileiro não presta pra nada.

Infelizmente, contudo, uma parte da esquerda ecoa essa baboseira preconceituosa, amiúde imbuída de uma suposta causa progressista, que é pedir mais recursos para a educação (até porque a parte da classe média que não é bestificada vive nos arredores desse meio) – é o que conduz a declarações como “Por aqui, jamais se conferiu à Educação a prioridade que merece”. Basta lembrar que nos anos 80 nós gastávamos pouco mais da metade do que a OCDE gastava, e hoje nosso padrão – 6,7% do PIB – é altíssimo, bem acima da OCDE e quase o dobro da Coréia (que o pessoal que lê jornal gosta tanto de citar tsc, tsc). No mesmo período, nosso gasto com infraestrutura, por exemplo, é que caiu para níveis irrisórios.

Além disso, é sempre bom lembrar que:

- O exame base desse ranking é o PISA da OCDE, de forma que trata-se de uma amostra absolutamente enviesada dos países do mundo (o terço das nações do mundo mencionado), pois praticamente todos desenvolvidos estão presentes, mas apenas uns poucos não desenvolvidos (3/4 da humanidade). Ou seja, o Brasil está no final de um ranking com os que formam o topo. É mais ou menos como pegar um nadador amador joão braço rápido, botá-lo pra nadar com os que formaram a final da olimpíada passada e dizer que o joão é o pior nadador do mundo.

- Aliás, não é um detalhe observar que na verdade estamos á frente de outros que tem mais tradição educacional ou são mais ricos que nós como Argentina, Peru, Albânia, Arábia e África do Sul.

- Esse resultado seria melhor caso se comparasse alhos com alhos: os estudantes brasileiros ainda estão “fora do ano correto”. Vale dizer, muitos alunos de 15 anos estão ainda na 5a ou 6a série e foram cobrados por conteúdos correspondentes à 9a, pois o PISA faz exames por idade. Só isso alteraria a nota média em 15% (no PISA), a colocando apenas pouco abaixo da média geral.

- Outro fator que prejudica fundamentalmente nosso desempenho comparado é que o Brasil está em pleno processo de universalização, partindo de uma base social horrível. Alunos que fizeram PISA em 2012 (último ano) nasceram em um Brasil muito ruim para crianças, com mortalidade infantil altíssima, desnutrição boçal etc. Eles são uns 30% dos que fazem o exame.

- Isso na verdade resulta de uma grande virtude da “falta de prioridade à educação”: a elevação impressionante na escolaridade média – que saiu de 4,5 para 8,7 anos em apenas 23 anos! É a segunda taxa mais rápida do mundo (entre 167 países, aí sim, com todos subdesenvolvidos também), só atrás da Índia (que se recusa a fazer o PISA, por que será?). Repito: é a segunda que mais melhora do mundo, o mesmo salto levou quatro décadas em países hoje ricos.

- Com tudo isso, o desempenho brasileiro em pontos na nota geral é o terceiro que mais melhorou entre todos países avaliados pelo PISA e o primeiro em matemática. Essa é a avaliação isoladamente mais relevante a ser feita quando se trata de uma política pública: o indicador alvo melhorou? Na verdade, isso está dito no relatório de 2012. Mas parece que poucos jornalistas brasileiros se interessaram pela notícia, poucos leitores chegaram a ler essa parte e os que leram preferiram se ater no que bate com os mitos inferiorizantes que lhe martelaram na cabeça desde tenra idade.

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Educação – Brasil está em 60º lugar no ranking de 76

Asiáticos lideram ranking global de educação da OCDE; os EUA aparecem apenas na 28ª posição entre 76 países, e o Brasil, bem mais abaixo, em 60º lugar.

Por Florência Costa

Países da Ásia estão no topo de um ranking global de educação em matemática e ciências divulgado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), com Cingapura em primeiro, Hong Kong (região administrativa da China) em segundo, Coreia do Sul em terceiro, e Japão e Taiwan empatados em quarto lugar. Em um dos mais completos rankings mundiais de qualidade de educação, a OCDE mostra a relação entre educação e crescimento econômico. A organização analisou 76 países ricos e pobres. Isso representa o total de um terço das nações do mundo. O Brasil figura em um distante 60º lugar, próximo das nações africanas. A última colocação coube à Gana, na África. Os asiáticos, que começaram a investir pesado em educação na década de 90, deixaram países industrializados ocidentais para trás, como o Reino Unido, que ficou na 20ª posição, a França (23º), a Itália (27º), e os EUA, maior economia do planeta, que amargou o 28º lugar, atrás de países mais pobres como o Vietnã, em uma impressionante 12ª colocação. O ranking foi estabelecido com base em resultados de testes de matemática e ciências aplicados nesses países.

Foram considerados os resultados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa, na sigla em inglês), o TIMSS (dos EUA), e o TERCE, da América Latina. A China e a Índia não estão na lista porque se recusam a participar da aferição da OCDE. Entre os países dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) analisados, a Rússia está aparece melhor, em34ª posição. A África do Sul está pior do que o Brasil, em 76º lugar. Imediatamente à frente do Brasil estão a Geórgia (59º), o Líbano (58º) e Barein (57º). A OCDE calcula que o PIB do Brasil poderá crescer mais de sete vezes nas próximas décadas se o país oferecer educação básica universal de qualidade para todos os adolescentes de 15 anos, informou a BBC Brasil. “Políticas e práticas educativas deficientes deixam muitos países em um permanente estado de recessão econômica”, afirma o relatório da OCDE. Na América Latina, o país que se saiu melhor foi a Costa Rica, em 53º lugar, seguido do México, em54ª colocação, e do Uruguai, em 55ª posição. Mas a Argentina está atrás do Brasil, em 62º lugar. Outros países da região que estão na lanterninha do ranking são Colômbia (67º), Peru (71º) e Honduras (74º).

O primeiro país não asiático a aparecer na lista é a Finlândia, em sexto lugar, seguida da Estônia (7º), Suíça (8º), Holanda (9º), e Canadá (10º). O relatório da organização ressalta também o declínio da Suécia, em 35º lugar, imediatamente atrás da Rússia. A OCDE já havia advertido, em um relatório divulgado na semana passada, que o país nórdico sofre de uma série de problemas em seus sistema educacional. Segundo o diretor de educação da organização, Andreas Schleicher, a ideia é permitir aos países, ricos e pobres que comparem seu desempenho com as nações líderes em educação, “para descobrirem suas forças e fraquezas relativas, e para perceberam os ganhos econômicos de longo prazo que terão com a melhoria da educação”. O novo ranking é diferente do mais conhecido Pisa, também da OCDE, a referência internacional mais usada para avaliar a educação, e que até agora focava principalmente nos países industrializados mais ricos. “Esta é a primeira vez que temos verdadeiramente uma escala global sobre a qualidade da educação”, disse Schleicher. Se os cinco primeiro lugares estão na Ásia, os cinco piores resultados estão na África, América Latina e Oriente Médio.

O sucesso da Ásia na educação, diz Schleicher, se explica não somente pela prioridade dada pelos governos à educação, embora este seja o principal fator. Mas a cultura que valoriza o conhecimento e a obtenção do sucesso também tem forte influência. “Se você assistir uma aula em uma escola asiática, vai perceber que os professores esperam que cada um de seus alunos tenha sucesso. Há muito rigor, muito foco e coerência”, conta ele. Cingapura, a estrela do ranking, tinha altos índices de analfabetismo nos anos 60. A cidade – Estado, de 5,5 milhões de habitantes, já registrou altos níveis de analfabetismo na década de 60. Seu desempenho excelente é citado como um exemplo da evolução educacional em uma sociedade em um período de tempo relativamente curto. Ex-colônia britânica, o país asiático se tornou independente somente em 1965. Os resultados desta pesquisa serão formalmente apresentados no Fórum Mundial de Educação, que será realizado na Coreia do Sul, na próxima semana, quando as Nações Unidas vão encabeçar uma conferência sobre os alvos para a evolução da educação global até 2030.

Ministro norte-coreano aparece em programa de TV após ter morte ‘noticiada’ pela imprensa ocidental

Via Diário Liberdade

Coreia do Norte - O Ministro da Defesa da Coreia do Norte, Hyon Yong-chol, apareceu em um programa de TV norte-coreano nesta quinta-feira (14), um dia depois que o serviço de inteligência da Coreia do Sul anunciou a sua morte por fuzilamento.


Na quarta-feira (13), o Serviço Nacional de Inteligência (SNI) sul-coreano havia anunciado, sem nenhuma prova, o fuzilamento, ou execução com tiros de canhão antiaéreo, do ministro norte-coreano, apresentando como motivo um “cochilo” do funcionário do governo e falta de respeito com o presidente do país, Kim Jong-un. Rapidamente, a imprensa sul-coreana “noticiou” a suposta execução, o que repercutiu em toda a mídia ocidental, a serviço do grande capital, do imperialismo e do governo dos EUA.

Devido ao aparecimento do Ministro da Defesa norte-coreano em rede nacional no país socialista, o Serviço de Inteligência da Coreia do Sul teve que retificar sua própria declaração e afirmou que seguirá acompanhando o caso, segundo a agência de notícias sul-coreana Yonhap.

A farsa da morte bizarra do alto funcionário do governo norte-coreano durou pouco tempo, mas as mentiras e manipulações orquestradas pelo governo da Coreia do Sul com apoio da imprensa ocidental a serviço do imperialismo estadunidense não cessam, sendo necessário sempre esclarecer e desmentir esse tipo de “informação”.

A fantasia da ilha

Por Marcelo Manzano | Via Brasil Debate

Defensor da agenda da ortodoxia liberal e da panaceia da austeridade, o ex-presidente do BC Henrique Meirelles vê na vitória dos conservadores na Inglaterra uma prova de que “cortes de despesa bem feitos” geram confiança, crescimento e empregos.

Em artigo publicado na Folha de S. Paulo do último dia 10, Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central do Brasil (2003-2010), apresenta uma perspectiva peculiar a respeito da recente vitória do Partido Conservador na Inglaterra.

Obviamente interessado em defender a agenda da ortodoxia liberal e a panaceia da austeridade, o ex-Bacen procura transformar o resultado eleitoral britânico na prova de que “cortes de despesas bem feitos e reformas geram importante choque de confiança, que geram investimentos, que geram crescimento e empregos. Geram também, como vimos, grandes triunfos eleitorais“.

Ao que acrescenta: “na busca de equilíbrio fiscal, os conservadores têm tido particular cuidado em evitar aumento de impostos, principalmente os que prejudicam a produtividade, lição importante ao Brasil neste momento.“

Ora, Dr. Meirelles não podia estar mais distante dos fatos – políticos e econômicos – que estiveram por trás da eleição britânica.

Senão, vejamos:

Produtividade:

O ONS (IBGE deles) acaba de divulgar que após quatro anos de austeridade praticada, sem constrangimentos, pelo governo de David Cameron a produtividade da economia britânica continua estagnada em patamar inferior ao de 2007, registrando no último trimestre de 2014 uma queda de 0,2%. Na comparação histórica, o quadro é ainda mais dramático: é a pior média anual desde 1946! (leia aqui).

Emprego:

De fato, a taxa de desemprego tem declinado na ilha, mas infelizmente tal queda não tem nada a ver com a austeridade de Mr. Cameron e seu impiedoso Ministro G. Osborne. Resulta antes de mais nada de uma cínica mudança na legislação trabalhista que criou o “contrato zero hora“.

Trata-se de uma modalidade de contrato de trabalho por meio da qual o trabalhador fica à disposição da empresa e, caso seja necessário, é convocado para trabalhar nos momentos de pico. Da parte da empresa, enquanto não utilizar o trabalhador, fica desobrigada de qualquer pagamento de salário ou benefícios trabalhistas.

Por conta dessa engenharia contratual que transfere o risco da atividade capitalista para o trabalhador, centenas de milhares de britânicos passam os dias marcando o passo, sem que entretanto sejam considerados desempregados.

Segundo as estatísticas oficiais, estima-se que em 2014 cerca de 1,8 milhão de empregos no Reino Unido (aprox. 5% do total) eram regidos por contratos do tipo “zero hora“ e que 700 mil trabalhadores estavam nessa condição.

Reunindo as duas informações, conclui-se que, frente à absoluta falta de certeza quanto às possibilidades de pagar as contas no final do mês, os trabalhadores se dispõem a ter dois ou mais empregos no esquema “zero hora“, aguardando no sofá o chamado da empresa A, B ou C. Segundo estudo realizado pela CIPD, uma gigante do ramo de intermediação de mão de obra, apenas 38% dos trabalhadores “zero hora“ trabalham mais de 30 horas semanais.

Não por acaso, os salários dos trabalhadores britânicos vêm caindo ano após ano, registrando a pior média anual entre os países do G20 desde a crise de 2007 (leia aqui).

Votos

Assim como as estatísticas de emprego, também os resultados das urnas devem ser analisados com especial cuidado, pois houve grande discrepância entre a composição final do parlamento e o volume de votos dado a cada partido nas urnas.

Embora os Tories (conservadores) tenham conseguido eleger uma portentosa bancada de 331 deputados (50,9%) e os trabalhistas apenas 232 cadeiras no parlamento (35,7%), o percentual de votos em cada um dos dois partidos foi, respectivamente, de 36,9% e 30,4%, uma diferença de apenas 6,4%.

Para melhor entender esses números é preciso lembrar de dois fatores:

1º) a singularidade do sistema eleitoral britânico – parlamentarismo com voto distrital em um reino dividido em quatro nações (em cada uma delas um partido diferente saiu vencedor)

2º) a campanha eleitoral foi marcada pela polarização política. Por um lado os partidos nacionalistas de esquerda conseguiram eleger um bom número de deputados em seus países (especialmente na Escócia ocorreu um verdadeiro arrastão, com o SNP abocanhando 40 deputados trabalhistas e 10 liberais democratas num total de 59 cadeiras) e, por outro, os votos da centro-direita (antes concentrados no Partido Liberal Democrata) fluiram como ovelhas para o quintal dos Conservadores, cuja campanha lançou mão do discurso do medo, alegando que uma eventual vitória da oposição (coalização entre trabalhistas e nacionalistas de esquerda) significaria entregar o futuro da ilha aos “radicais“ da Escócia.

Ou seja, longe de ser o coroamento da política econômica ortodoxa, como gostaria o Dr. Meirelles, o que ocorreu no Reino Unido (?) foi um duplo movimento:  fragmentação do voto de esquerda (com migração dos votos da centro-esquerda trabalhista para a esquerda mais radical e anti-austeridade da Escócia e do País de Gales) e uma concentração dos votos da direita no Partido Conservador, conduzidos pelo medo e pelo discurso xenófobo e antieuropeu que emergiaram justamente com o mal-estar econômico e social dos seguidos anos de austeridade.

Nada a comemorar, nem muito menos copiar em terras brasileiras.

Petrobras e pré-sal: breve história do entreguismo

Por Rennan Martins | Vila Velha, 14/05/2015

Ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, foi aos EUA dizer que quer abrir o pré-sal a estrangeiros.

O Partido dos Trabalhadores e a presidente Dilma se afastam a passos largos de seus propósitos históricos. Paralisados pelo temor ao embate político e a incapacidade de ir além da conciliação de classes, o governo que se elegeu com uma plataforma progressista tripudia de seu compromisso e resolve aplicar integralmente a agenda derrotada nas urnas.

Assim como se enganaram julgando que aplacariam a sanha golpista das velhas oligarquias lhes entregando a Fazenda por meio da nomeação do mandatário do FMI, Joaquim Levy, outra vez erram ao aderir a cantilena mercadológica em torno da Petrobras e do pré-sal, anunciando aqui e ali que vão “flexibilizar” a política de conteúdo local e o regime de partilha.

O problema é que a regressão nesse campo é ainda mais séria que na política econômica. Abrindo mão da principal reforma estrutural levada a cabo pelos governos petistas, o que temos é a entrega de riquezas inestimáveis ao cartel transnacional do petróleo, conjuntamente a condenação do país a eterna condição de colônia, de economia primária e dependente.

Pré-sal: história e conspirações

Depois de décadas de estudo, desenvolvimento de pesquisas e investimentos milionários, enfrentando ainda o descrédito da imprensa vassala e antinacional, a Petrobras e seu distinto corpo técnico anunciaram, em 2007, a descoberta de jazidas de petróleo na camada pré-sal.

No ano seguinte a descoberta, 2008, a Agência Nacional do Petróleo anuncia que o pré-sal tem potencial de nada menos que 80 bilhões de barris de petróleo e gás natural. Tal volume de reservas colocou-nos numa posição cobiçada frente a geopolítica mundial, acendendo a cobiça das grandes potências.

E eis que, concomitante aos debates da lei 12.351/10, que estabeleceu o regime de partilha e deu a Petrobras a condição de operadora única do pré-sal, o inveterado entreguista José Serra (PSDB-SP) trocava mensagens com executivos das petroleiras norte-americanas, insatisfeitos por não poderem se tornar donos dos campos frente ao marco regulatório que se avizinhava. Disse ele em correspondência a Patricia Pradal, diretora da Chevron, uma frase que agora soa profética:

Deixa esses caras (do PT) fazerem o que eles quiserem. As rodadas de licitações não vão acontecer, e aí nós vamos mostrar a todos que o modelo antigo funcionava… E nós mudaremos de volta.

No intervalo de tempo entre a instituição da partilha e os dias de hoje, os Estados Unidos permaneceram extremamente atentos, observando tanto o governo brasileiro quanto a Petrobras e tudo que se referia as riquezas do pré-sal. O escândalo de espionagem denunciado pelo ex-analista da CIA, Edward Snowden, provou ao mundo que a NSA (National Security Agency) fazia uso de seus expedientes para espionar a presidente Dilma, seus assessores e a Petrobras. Sem dúvida que as informações roubadas foram e estão sendo amplamente usadas para favorecer os cartéis norte-americanos.

Adentramos 2014, ano seguinte ao escândalo mundial de espionagem supracitado e de eleições no Brasil, e a Operação Lava Jato estoura. O que seria uma oportunidade de passar a limpo as históricas relações de patrimonialismo e as espúrias conexões entre poder político e econômico tornou-se uma campanha oportunista contra o PT e as políticas que fortalecem a Petrobras, a ponto de uma comissão do Ministério Público Federal ter ido aos EUA assinar um acordo de “cooperação” nas investigações com o Banco Mundial, instituição privatista por excelência e completamente servil a Washington.

Após a reeleição de Dilma Rousseff e o pesado lobby, o governo abandona suas convicções e agora analisa o projeto de lei do senador da oposição, José Serra. Figuras como o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga e o vice-presidente, Michel Temer, já se pronunciaram publicamente em favor da abertura do pré-sal para estrangeiros, o que na prática mina a política de investimento em educação e saúde baseada nos rendimentos dessas reservas.

Enquanto isso, o silêncio da presidente endossa a movimentação e indica que, avançando as propostas entreguistas, o máximo que veremos é um jogo de cena dos parlamentares do PT e a concordância tácita do executivo, em nome da governabilidade.

Dizem alguns que esse recuo é meramente tático. Discordo. No caso da política de conteúdo nacional e do regime de partilha, abandoná-las seria entregar os dedos e ficar com os anéis, ou seja, renegar qualquer valor e projeto somente para ter o comando, este ainda completamente submisso ao verdadeiro poder.