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Acordo com a China: mais um xeque da Dilma? Complementos e análise

O articulista do blog O Cafezinho, Miguel do Rosário, publicou no último dia 19 uma interessante análise sobre a ofensiva contra a presidente, os acordos com a China e suas implicações no tabuleiro político. Por aqui reproduzimos o artigo juntamente com os comentários de nossos associados, Gustavo Santos, doutor em economia e funcionário do BNDES, e Weber Figueiredo, engenheiro e professor da CEFET-RJ.

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Acordo com a China: mais um xeque da Dilma?

Por Miguel do Rosário | Via O Cafezinho

Parece que subestimamos um pouco a nossa presidenta.

Em novembro do ano passado, mencionei uma jogada política astuta dela, ao “deixar rolar” a Lava Jato. Num post intitulado “O xeque-mate de Dilma em seus adversários“, eu fazia a seguinte especulação: que a investigação na Petrobrás iria deixar um rastro destruidor, mas que o setor renasceria renovado, e a presidenta levaria os louros de ter sido a primeira governante a realmente liderar uma verdadeira luta contra a corrupção. Dilma teria lutado à sua maneira, de maneira republicana, democrática, como convêm a um estadista (a quem não compete o papel de juiz ou polícia), não intervindo, em silêncio, dando autonomia inclusive a setores explicitamente hostis ao governo.

Era uma jogada arriscada, mas astuta.

Não foi um xeque-mate, porém. O jogo ainda estava longe de terminar.

Do final do ano até hoje, a mídia conseguiu diversas vitórias: elegeu Cunha, conseguiu impor a narrativa de que a corrupção na Petrobrás “nasceu” com o PT, e continuou vazando delações de maneira seletiva.

Por fim, Sergio Moro mergulhou na piscina barbosiana, recebeu o prêmio Faz Diferença, da Globo, e assumiu orgulhosamente o papel de juiz político, mais interessado em holofotes do que em justiça.

A prisão de Vaccari & família selou a sua imagem de carrasco implacável.

Então eu – e a torcida de todos os times, à esquerda e à direita – passamos a criticar duramente a presidenta Dilma.

A conspiração parecia ter saído do controle. O PSDB, com apoio explícito da mídia, passou a falar diariamente em impeachment. Todos os dias, os jornais catavam no baú algum pretexto para derrubar a presidenta. A palavra golpe se tornou companheira nossa de cada dia.

A direita botou milhões de coxinhas psicóticos na rua, pedindo intervenção militar.

E os procuradores se mostraram determinados a destruir as empreiteiras, para produzir, deliberadamente, recessão e desemprego, criando uma atmosfera propícia ao impeachment.

Dilma, mais uma vez, parecia entregar várias peças importantes, e não demonstrava nenhuma reação.

Até que ela… jogou.

E novamente aplica um xeque em seus adversários. Não arriscarei afirmar que se trata de um xeque-mate. Agora está claro que esse jogo só vai terminar em meados do ano que vem, ou então ao final de 2018.

Depois de apanhar calada como nunca dantes na história desse país, a presidenta Dilma finalmente parece ter encaçapado lindamente uma bola!

O acordo que o governo está celebrando com a China deu um prodigioso drible da vaca na conspiração midiático-judicial.

Uma conspiração que pretendia derrubá-la através de uma estratégia incrivelmente suja e canalha: asfixiando um dos setores mais importantes da economia, o de construção civil, e criando um clima de terrorismo econômico e caos político.

A semana passada, conforme analisei no post anterior, terminou mal para os paneleiros, e boa para o resto da população.

Quero martelar na cabeça do leitor dois fatos importantes: o lucro de R$ 5 bilhões da Petrobrás e o anúncio da China de investir R$ 160 bilhões no Brasil.

Hoje a presidenta encontrou o primeiro-ministro chinês, que confirmou a intenção da China de fazer os investimentos em infra-estrutura. Com destaque para… trens.

Na entrevista com Dilma da qual participei, minha pergunta foi justamente sobre isso: por que o governo não promovia a criação de uma indústria ferroviária no país, a única maneira de nos livrarmos da dependência da indústria automobilística, que é tão importante, mas que não pode, naturalmente, ter o monopólio sobre a política industrial?

A China está cruzando seu país com trens-bala e trens de transporte. Num primeiro momento, ela vai construir ferrovias para nos ajudar a escoarmos nossa produção. Num segundo, a fazer trens-bala ligando todas as grandes capitais do país.

Sobre esse tema, sugiro uma notícia publicada na BBC, que me chegou via o blog DCM.

Diante das notícias da China, a conspiração midiático-judicial ganhou uma aparência incrivelmente ridícula.

Óbvio que é importante lutar pela recuperação do dinheiro desviado da Petrobrás.

Mas não é isso que os procuradores, com apoio de setores do judiciário, estão fazendo.

O Moro já conseguiu e conseguirá recuperar alguns milhões, mas não adiantará nada se o fizer à custa da falência do setor naval, por exemplo.

Não adianta recuperar alguns ovos, e matar as galinhas.

Ontem, li que os procuradores conseguiram bloquear, nos últimos dias, cerca de R$ 1 bilhão das empreiteiras.

Pareceu-me que os procuradores estão realmente dispostos a sacrificar, no altar da Globo, nossas maiores indústrias de construção civil.

Acontece que, se as empresas quebrarem, aí que não pagarão mais nada ao Estado.

Finito.

Com a entrada da China, esse terrorismo, contudo, se torna patético e, ironicamente, antipatriótico.

A China se tornou a vacina contra o golpe. Se os procuradores levarem adiante sua estratégia insana de destruir importantes empresas nacionais, nós as substituiremos por chinesas.

Quem vai pagar o pato não serão os operários, que continuarão brasileiros, e sim um punhado de paneleiros executivos dos escalões médios das grandes empresas – e admito que terei dificuldade em sentir compaixão.

As denúncias contra os deputados, por sua vez, já aceitas pelo judiciário (um judiciário sempre pusilânime quando entram os holofotes da mídia), revelaram-se, mais uma vez, inconsistentes. Não que os deputados sejam santos, mas os procuradores não encontraram nada de concreto contra eles, e mais uma vez irão colher as provas após as denúncias, após prendê-los, invertendo pela enésima vez o princípio da presunção da inocência.

Pior, a força-tarefa da Lava Jato os acusou de crimes que não tem absolutamente nada a ver… com a Lava Jato. Um deputado do PP foi denunciado por incorporar uma doméstica como sua assessora, e um deputado petista por supostamente influenciar a Caixa a anunciar na agência de publicidade de seu irmão. Tudo ainda sem prova nenhuma, e sem nada a ver com o “petrolão”.

Com o último cartucho da Lava Jato já detonado com as delações confusas de Ricardo Pessoa, presidente da UTC, só falta resolver isso: não deixar que os procuradores, frustrados, destruam Paris.

Ou seja, é preciso impedir que os procuradores, desesperados com o fracasso de seu golpe contra o voto de 54 milhões de eleitores, detonem alguma bomba atômica sobre a indústria brasileira de construção civil, em especial os setores que trabalham com a Petrobrás.

O golpe político já está morto. Mas eles ainda podem (aliás, já estão fazendo) promover estragos de curto prazo na economia. Se conseguirmos evitar isso, através de acordos de leniência, que permitam às empreiteiras voltarem a trabalhar, pagar impostos, gerar empregos, e quitarem suas multas no devido tempo, a vitória do Brasil contra o terrorismo midiático será completa.

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Gustavo Santos - De fato ajuda a dar governabilidade, pois os gringos, que usam o Moro e os procuradores como marionetes, perceberão que apenas estão jogando o Brasil no colo da China. Essa é a disputa.

Suposta estratégia da Dilma. Se for é só uma estratégia de encurralado. Só sobrevivência, só de redução de perdas. Cair no colo da China dessa forma é muito melhor do que tomar um golpe judicial dos gringos, mas não será nada agradável. Empreiteiras estrangeiras só aumentam a corrupção porque utilizam o poder diplomático e da espionagem de seus países para facilitá-la.

Weber Figueiredo - Parabéns Dilma! Não que a relação com a China seja a “salvação da lavoura”, mas já é uma mudança de paradigma onde os negócios são realizados entre dois estados e não entre empresas que visam ao lucro em curto prazo.

A verdadeira “salvação da lavoura” só virá do próprio povo brasileiro, desde que seja instruído e evoluído. Caso contrário é a manutenção da eterna dependência externa a qual gera (1) dívida, (2) desemprego, (3) pobreza, (4) atraso e (5) criminalidade.

O Mercosul e a Vendeta Neoliberal

Por Marcelo Zero

Com alarmante frequência, têm surgindo na mídia, no Congresso e em foros de debates opiniões favoráveis à extinção do Mercosul ou ainda à flexibilização de sua união aduaneira, de modo a transformá-lo em mera área de livre comércio.

Argumenta-se que o Mercosul é um “fracasso”, uma “farsa”, e que a sua união aduaneira, ao impor a negociação conjunta de acordos comerciais extrabloco, impede maior participação dos Estados Partes nas cadeias produtivas globais e nos grandes fluxos comerciais internacionais. Conforme essa visão mercocética, a “solução” seria o abandono da união aduaneira, para permitir que os países do bloco possam negociar livre e separadamente acordos de livre comércio com os EUA, a União Europeia e outras potências econômicas.

Recentemente, o próprio Secretário de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger, chegou a sugerir que o Mercosul abandonasse a sua união aduaneira “provisoriamente”, de modo a permitir que o Brasil, livre do “protecionismo” da Argentina, negocie logo acordos de livre comércio com os EUA e a União Europeia. Como se fosse possível abandonar a união aduaneira de forma provisória. Obviamente, o abandono da união aduaneira é um caminho do qual não haveria retorno.

No Congresso, formou-se uma anacrônica “bancada da Guerra Fria”, que abomina a integração regional e procura “comunistas” e “bolivarianos” até mesmo embaixo do BNDES e da cama de embaixadores de carreira, como o competente Guilherme Patriota.

Tal visão mercocética é inteiramente equivocada e resulta de um crasso desconhecimento da dinâmica do Mercosul, das complexidades inerentes às negociações comerciais e da nova geoeconomia que vem se conformando em nível global.

O Mercosul não é um fracasso. Ao contrário, esse bloco, mesmo com suas conhecidas insuficiências e incompletudes, é claro êxito.

Em 2002, exportávamos somente US$ 4,1 bilhões para o Mercosul. Já em 2013, incluindo a Venezuela no bloco, as nossas exportações saltaram para US$ 29,53 bilhões. Isso significa um fantástico crescimento de 617%. No mesmo período, o crescimento das exportações mundiais foi de “apenas” 183%. Ou seja, o crescimento das nossas exportações intrabloco foi muito superior ao crescimento das exportações mundiais. Já para os parceiros tradicionais e mais desenvolvidos, Japão, União Europeia e os EUA, as nossas exportações cresceram “somente” 279%, 205% e 60,3%, respectivamente, no mesmo período.

Quanto ao argumento de que o Mercosul, com sua união aduaneira, impede maior participação do Brasil no comércio mundial, basta constatar que, entre 2003 e 2013, as exportações brasileiras cresceram 300%, ao passo que as exportações mundiais aumentaram “apenas” 180%.

Além disso, o Mercosul e a integração regional nos propiciam, mesmo na atual crise, alentados superávits e mercado fundamental para nossa combalida indústria de transformação.

Entre 2009 e 2014, a integração regional, mediante o bloco da Associação Latino-Americana de Integração (ALADI), nos deu saldo comercial positivo de US$ 60,2 bilhões, bastante superior ao obtido com os BRICs (US$ 42,6 bilhões) e muito superior ao conseguido com a União Europeia (US$ 8,5 bilhões). Esse grande saldo comercial positivo contribuiu para compensar o enorme déficit acumulado com os EUA (-45,3 bilhões de dólares).

No período de 2010 a 2014, todos os países desenvolvidos somados absorveram apenas 40% das nossas exportações de manufaturados. Em contraste, a ALADI, que inclui o Mercosul, conseguiu absorver 43% dessas exportações. Em outras palavras, a integração regional absorveu mais manufaturados brasileiros que todos os países desenvolvidos combinados.

Ressalte-se que o Mercosul, ao contrário do que afirmam seus críticos, não é um bloco autárquico. Na realidade, o Mercosul, conforme determina o artigo 20 do Tratado de Assunção, é bloco aberto à adesão de qualquer país da ALADI.

O Mercosul já tem livre comércio com toda a América do Sul, inclusive com a Aliança do Pacífico, e, no campo extrarregional, negocia ativamente a liberação de seus fluxos de comércio. Com a União Europeia, por exemplo, o bloco sul-americano já apresentou nova oferta abrangente, a qual aguarda pacientemente a resposta das autoridades europeias, as quais precisam obter o aval de todos os países europeus para apresentar sua aquiescência, exatamente como no Mercosul.

Esse ativismo comercial é cercado, contudo, das cautelas e salvaguardas necessárias para evitar danos irreversíveis aos setores econômicos de todos os Estados Partes, não somente da Argentina, particularmente as suas indústrias, já afetadas por um processo de desnacionalização que limita a capacidade de inovação tecnológica e de indução do desenvolvimento ao longo das cadeias produtivas.

O Mercosul também vem fazendo lentos, mas significativos progressos, no que tange ao imprescindível enfrentamento das assimetrias regionais, à livre circulação de trabalhadores, à instituição de órgãos supranacionais, e à construção de uma cidadania comum na região, objetivo maior do processo de integração.

Para o Brasil e os demais Estados Partes, o Mercosul confere fundamental vantagem estratégica. A construção de sinergias econômicas, comerciais e geopolíticas, baseada na união aduaneira, permite aos Membros do bloco negociar, em condições mais vantajosas das que seriam possíveis obter de forma isolada, sua inserção na globalização assimétrica. Tal vantagem estratégica é ainda mais acentuada, num contexto de crise econômica mundial e de acirramento dos embates comerciais.

Nesse contexto, o abandono da união aduaneira e a celebração célere e isolada de acordos de livre comércio com grandes potências econômicas, como querem os detratores do Mercosul, seria trágico erro. Lembre-se que, além das grandes assimetrias entre as partes, tais acordos contêm cláusulas relativas à propriedade intelectual, às compras governamentais e ao regime jurídico dos investimentos, que podem comprometer, em definitivo, o espaço para a implantação de políticas industriais e de desenvolvimento tecnológico.

Portanto, a extinção da união aduaneira e a celebração isolada e açodada de TLCs poderia até agradar, no curto prazo, a alguns grupos econômicos internacionalizados, mas significaria golpe mortal para o Mercosul e o futuro dos Estados Partes. Para o Brasil, em particular, o fim do Mercosul significaria a perda de um mercado fundamental para a sua indústria e do seu novo protagonismo regional.

Essa ofensiva contra a integração regional, o Mercosul e política externa brasileira é parte daquilo que Domenico de Masi denominou apropriadamente de “vendeta neoliberal”.

O que se quer é restaurar o finado projeto da Alca, desta vez mediante acordos bilaterais. A implantação dessa nova Alca “bilateralizada”, herdeira do fracassado paleoliberalismo, além de implodir o Mercosul, implodiria também a liderança regional do Brasil e o grande protagonismo internacional que o nosso país conquistou com a política externa “ativa e altiva”, que apostou na integração regional e na diversificação das parcerias estratégicas. Política essa muito diferente da política externa praticada na época em que mandavam os detratores da integração regional, fundamentada na autonomia pela integração aos ditames da superpotência mundial.

A diferença fundamental entre as duas é o êxito pragmático da primeira, que aproveitou bem as mudanças geopolíticas e geoeconômicas que ocorreram na ordem mundial, e o fracasso ideológico da segunda, que não produziu nem maior autonomia, nem maior integração.

Uma apequenou o país; a outra teve como resultado principal o engrandecimento do Brasil.

Assim, a vendeta neoliberal contra o Mercosul e a política externa do país é, na verdade, uma vendeta contra o Brasil.

Brasil e China assinam 35 acordos num total de US$ 53 bilhões

Via Jornal do Comércio

No total, são 35 contratos bilaterais em áreas como planejamento, infraestrutura, comércio, energia, mineração e aviação.

Presidente Dilma Rousseff recebeu o primeiro-ministro Li Keqiang no Palácio do Planalto, em Brasília. MARCELO CAMARGO/ABR/JC

A presidente Dilma Rousseff recebeu, nesta terça-feira, no Palácio do Planalto, o primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, e assinou 35 acordos bilaterais nas áreas de planejamento, infraestrutura, comércio, energia, mineração, entre outras, no valor de mais de US$ 53 bilhões, de acordo com o governo brasileiro. Dilma viajará à China em 2016 para estreitar ainda mais o relacionamento entre os países.

O Palácio do Planalto aposta nos negócios com a China para evitar uma “paralisia do governo” com o corte do Orçamento de 2015, que deve ficar entre R$ 70 bilhões e R$ 80 bilhões.

Uma das principais apostas do acordo é a Ferrovia Transoceânica, que ligará Brasil e Peru. Em seu discurso durante a assinatura dos atos, Dilma se mostrou animada com a megaferrovia. “Um novo caminho para a Ásia se abrirá pelo Brasil”, afirmou. No entanto, o projeto está longe de sair do papel e o preço final ainda não está definido – projeções variam de US$ 5 bilhões a US$ 12 bilhões.

Entre os acordos em diversas áreas, está a assinatura de um memorando para a compra de 40 aeronaves da Embraer e outro para a compra de 24 navios de minério de ferro. Em nota, a Embraer confirmou a venda de um primeiro lote de 22 aeronaves aos chineses. A operação, acertada com a Tianjin Airlines, tem valor estimado em US$ 1,1 bilhão.

A entrega da primeira aeronave está programada para este ano – uma segunda será entregue em 2018. As aeronaves fazem parte de pacote prometido pelo presidente chinês Xi Jinping em visita ao Brasil, no ano passado. “Os 18 restantes (são 40 no total) farão parte de uma segunda aprovação das autoridades chinesas em fase posterior”, afirma a assessoria de imprensa da Embraer.

A exportação será financiada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (Bndes). O valor do negócio é de até US$ 1,3 bilhão. “Trata-se do primeiro acordo de financiamento do Bndes para exportações de aeronaves brasileiras para a China e envolverá, na etapa inicial, até 10 aeronaves entre 2016 e 2017″, detalhou o banco de fomento, em nota.

Além da cooperação para o financiamento de projetos da Petrobras, foram assinados acordos para desenvolvimento de um satélite de sensoriamento remoto e instalação de um complexo siderúrgico no Maranhão, entre outros.

Dilma afirma que parceria entre o País e a potência oriental é estratégica 

A presidente Dilma Rousseff afirmou que a parceria entre Brasil e China é “estratégica” para os dois países e que é construída por “princípios de igualdade”. A presidente disse ainda que aceitou um convite do presidente chinês Xi Jinping e que programa uma nova visita ao país asiático em 2016.

Segundo Dilma, a reunião com a comitiva chinesa pela manhã foi marcada por diálogo franco e disposição de avançar, para fortalecer e efetivar a parceria. “Tivemos nesta manhã uma reunião produtiva”, disse, destacando um plano conjunto que prevê ações entre 2015 e 2021. “Esse plano inaugura uma etapa superior do nosso relacionamento”, disse.

Entre os diversos acordos firmados, Dilma destacou “em especial” os das áreas de infraestrutura e comércio. “Teremos a oportunidade de dialogar com o empresariado dos dois países sobre o importante papel que exercem nesse processo”, afirmou.

A presidente destacou ainda o projeto de infraestrutura que pretende ligar áreas brasileiras, via Peru, mais rapidamente a portos chineses. “Brasil, Peru e China iniciam juntos estudos de viabilidade para conexão ferroviária transcontinental, que vai cruzar o nosso País no sentido leste-oeste”, disse. “A ferrovia vai cortar o continente sul-americano, ligando os oceanos Atlântico e Pacífico. E convidamos empresas chinesas a participar dessa grande obra”, completou, destacando que a ferrovia atravessará os Andes até chegar ao Peru. “É um novo caminho para a Ásia, que vai reduzir a distância e os custos”, acrescentou. Após a cerimônia, Dilma participou de almoço com a comitiva chinesa.

O ministro da Defesa, Jaques Wagner, e o diretor da Administração Nacional de Ciência, Tecnologia e Indústria para Defesa Nacional da China, Xu Dazhe, assinaram um “memorando de entendimento sobre sensoriamento remoto, telecomunicações e tecnologia da informação”.

O Brasil deve ainda construir em parceria com a China uma fábrica de painéis solares fotovoltaicos. O acordo será fechado entre a Apex e a BYD Energy do Brasil.

Petrobras anuncia financiamentos de US$ 7 bilhões

A Petrobras assinou dois acordos para financiamento com a China, num total de US$ 7 bilhões, durante cerimônia com autoridades brasileiras e chinesas em Brasília. Um deles, de US$ 5 bilhões, foi fechado com o Banco de Desenvolvimento da China (CDB), o mesmo que em abril já havia emprestado US$ 3,5 bilhões.

Outro acordo prevê financiamento no valor de US$ 2 bilhões do China EximBank para projetos da Petrobras. Também foi feito um acordo de cooperação para a criação de relacionamento de longo prazo entre Petrobras e Banco Industrial e Comercial da China (ICBC). No empréstimo fechado em abril, fontes do governo e especialistas em geral afirmaram que a ajuda financeira pode ter como contrapartida exigida a compra de equipamentos chineses e fornecimento de petróleo.

Além das trocas comerciais, foi fechado um fundo para negócios entre os dois países, por meio da Caixa Econômica Federal e o Banco Industrial e de Comércio da China (ICBC), com recursos de US$ 50 bilhões. E um outro fundo bilateral, no qual a China colocará US$ 30 bilhões – o Brasil ainda não definiu sua contrapartida. O governo brasileiro está otimista de que essas parcerias, grande parte delas na área de logística e infraestrutura, reaqueçam a economia.

Os acordos são importante porque têm um potencial de alavancar investimentos. Os chineses? têm interesse em investir na área de estaleiro, de refinarias e de telefonia.

Fabricantes de trens locais temem ameaça com a chegada dos investidores chineses

A entrada dos chineses em projetos de infraestrutura logística ainda é uma promessa, mas começa a tirar o sono da indústria nacional de ferrovias. O setor, que faturou R$ 5,6 bilhões no ano passado e gera 20 mil empregos diretos, teme que a investida dos asiáticos comprometa a produção nacional.

Os chineses estão de olho na Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (Fico), uma malha de 883 quilômetros prevista para ligar o maior polo de produção de grãos no País, na região de Lucas do Rio Verde, no Mato Grosso, até sua ligação com a Ferrovia Norte-Sul, em Campinorte (GO).

O temor da indústria não é a construção da ferrovia, uma iniciativa que é muito aguardada pelo setor. A apreensão é com os acordos atrelados ao projeto, como importação de trens de passageiros, vagões, locomotivas e tudo o mais que envolva a estrada de ferro.

“Não somos contrários a investimentos estrangeiros, muito pelo contrário. Mas é importante assegurar que todos atuem de acordo com as mesmas regras e que enfrentem a mesma realidade”, diz o presidente da Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (Abifer), Vicente Abate. “Não queremos passar pelo que está acontecendo hoje com a Argentina, que viu a sua indústria ferroviária praticamente desaparecer.”

China autoriza frigoríficos brasileiros a vender carne

A negociação entre Brasil e China para o fim do embargo à carne bovina brasileira chegou ao fim na manhã desta terça-feira, quando a ministra Kátia Abreu recebeu o ministro da Administração de Inspeção de Qualidade e Quarentena da China, Vhi Shiping, e obteve a habilitação de plantas. A ministra fechou um acordo para que, além do fim do embargo à carne bovina, sejam abertos também os negócios, com a autorização de plantas frigoríficas que possam vender carne para o país.

O acordo prevê que oito plantas de carne bovina sejam reabertas imediatamente e que outras 17 sejam habilitadas no futuro. O acordo desta terça prevê também a reabilitação imediata de uma planta de aves que havia sido suspensa em 2012 em função de divergências sobre o corte do produto. Cada uma das 26 plantas, contando a de aves, tem potencial para gerar US$ 20 milhões em negócios por ano, o equivalente a US$ 520 milhões no total.

Parte das tratativas ocorreram no país asiático, na semana passada, quando uma série de documentos foram preparados em conjunto entre o Ministério da Agricultura brasileiro e o governo chinês.

A ministra anunciou a medida na manhã de ontem, durante uma coletiva de imprensa no Ministério da Agricultura, em Brasília, antes de ir para a cerimônia no Palácio do Planalto. “Acabamos de entregar uma pasta com toda a documentação em inglês. Ele saiu daqui com toda a promessa de uma cooperação rápida, de que tem toda disposição de ajudar”, disse a ministra. Kátia Abreu afirmou que combinou com o ministro chinês de ir à China em junho para buscar a autorização das demais plantas que não foram habilitadas ontem. “Também estamos negociando transgênicos. Eles querem regras próprias para produção de transgênicos”, disse a ministra. Segundo ela, está sendo negociado um acordo de cooperação entre a Embrapa e os chineses para isso.

E se Putin estiver dizendo a verdade?

Por F. William Engdahl | Via Rede Castor Photo

Vladimir Putin em 26/4/2015

Dia 26/4/2015, o canal de TV Rossiya 1, o principal da Rússia, mostrou o presidente Vladimir Putin num documentário ao povo russo sobre os eventos do período recente, incluindo a reintegração da Crimeia, o golpe de Estado dos EUA na Ucrânia, e o estado geral das relações com os EUA e a UE. Putin falou com franqueza. Em sua fala à TV, o ex-chefe da KGB russa disparou uma bomba política, algo de que a inteligência russa já sabia há duas décadas.

Putin disse sem meias palavras que, pela avaliação dele, o ocidente só se daria por satisfeito se encontrasse uma Rússia fraca, sofrendo e implorando misericórdia ao oeste, o que, bem evidentemente, o país não está disposto a fazer. Adiante, pouco depois, o presidente russo disse, pela primeira vez publicamente, algo de que a inteligência russa já sabia há quase duas décadas mas mantivera em silêncio até agora, talvez com esperanças de uma era de relações mais normais entre Rússia e EUA.

Putin disse que o terror na Chechênia e no Cáucaso russo no início dos anos 1990s foi ativamente apoiado pela CIA e pelos serviços ocidentais de inteligência, deliberadamente para enfraquecer a Rússia. Disse que os serviços de inteligência do Gabinete de Relações Internacionais da Rússia encontraram provas do papel clandestino dos EUA naquelas ações, sem dar detalhes.

O que Putin, que foi oficial do mais alto nível da inteligência da Rússia, apenas sugeriu nos seus comentários, eu já havia relatado detalhadamente, colhido de fontes não russas. Aquele relatório teve implicações imensas, porque revelou ao mundo a agenda clandestina de círculos muito influentes em Washington, dedicados a destruir a Rússia como estado soberano funcional, agenda que inclui o golpe dos neonazistas na Ucrânia e severa ação de guerra financeira contra Moscou.

O que aqui publico é extraído do meu livro, Amerikas’ Heilige Krieg [A guerra santa dos EUA, 2014].

As guerras chechenas da CIA

Pouco depois de os mujahidin financiados pela CIA e pela inteligência saudita terem devastado o Afeganistão no final dos anos 1980s, forçando a saída do Exército Soviético em 1989 e a dissolução da própria URSS alguns meses depois, a CIA pôs-se a procurar pontos possíveis, na União Soviética, onde seus “árabes afegãos” treinados pudessem ser infiltrados para desestabilizar sempre mais a influência russa no espaço eurasiano pós-soviético.

Eram chamados “árabes afegãos” porque haviam sido recrutados dos ultraconservadores muçulmanos sunitas wahhabistas da Arábia Saudita, dos Emirados Árabes, do Kuwait e de outros pontos do mundo árabe onde se praticasse o Islã wahhabista ultrarestritivo. Haviam sido trazidos para o Afeganistão no início dos anos 1980s por um saudita recrutado pela CIA e que havia sido mandado para o Afeganistão, de nome Osama bin Laden.

Com a União Soviética já em total caos e confusão, o governo de George H.W. Bush (Bush pai) decidiu “chutá-los quando estavam por baixo” [orig. kick’em when they’re down], lamentável erro. Washington realocou seus terroristas afegãos veteranos, para desestabilizar e levar o caos a toda a Ásia Central, até à própria Federação Russa, então mergulhada em crise profunda e traumática durante o colapso econômico na era Yeltsin.

No início dos anos 1990s, a empresa Halliburton, de Dick Cheney, havia examinado o Azerbaijão, o Cazaquistão e toda a Bacia do Mar Cáspio, pesquisando para determinar o potencial de petróleo em alto mar. Concluíram que a região seria “outra Arábia Saudita”, valendo vários trilhões de dólares no câmbio de hoje. EUA e Reino Unido decidiram que era necessário manter bem longe do controle dos russos toda aquela orgia de petróleo, a qualquer custo.

A primeira medida de Washington foi encenar um golpe no Azerbaijão, contra o presidente eleito Abulfaz Elchibey, para ali instalar presidente mais amigável em relação a um oleoduto Baku-Tbilisi-Ceyhan (BTC) controlado pelos EUA, “o oleoduto mais político do mundo”, levando petróleo de Baku, do Azerbaijão, através da Geórgia, até a Turquia e o Mediterrâneo.

Naquele momento, o único oleoduto que partia de Baku era da era soviética e atravessava a capital chechena, Grozny, levando o petróleo de Baku para o norte, pela província russa do Daguestão, atravessando a Chechênia até o porto russo de Novorossiysk no Mar Negro. O oleoduto era o único concorrente e grande obstáculo à caríssima rota alternativa de Washington e das grandes britânicas e norte-americanas do petróleo.

“Oil majors” dos EUA e Inglaterra, por David Simonds.

O presidente Bush Pai deu aos seus velhos conhecidos na CIA autorização para destruir aquele oleoduto russo-checheno e para criar tal caos no Cáucaso que nenhuma empresa nem ocidental nem russa cogitaria de usar o oleoduto russo de Grozny.

Graham E. Fuller, velho conhecido de Bush e ex-vice diretor do Conselho Nacional de Inteligência da CIA havia sido um dos principais arquitetos da estratégia da CIA com os mujahidin. Fuller descreveu a estratégia da CIA no Cáucaso no início dos anos 1990s:

A política de guiar a evolução do Islã e de ajudá-los contra nossos adversários funcionou maravilhosamente bem no Afeganistão contra o Exército Vermelho. As mesmas doutrinas podem ainda ser usadas para desestabilizar o que resta do poder russo.” (Nota 6, in Amerikas’ Heilige Krieg [A guerra santa dos EUA, 2014]).

Para a operação, a CIA usou um veterano em truques sujos, general Richard Secord. Secord criou uma empresa de fachada para a CIA, MEGA Oil. Secord havia sido condenado nos anos 1980s por seu papel chave nas operações ilegais da CIA, de drogas e armas, do chamado “Caso Iran-Contras”.

Em 1991, Secord, ex-Vice-Secretário de Defesa Assistente, aterrissou em Baku e cuidou da instalação da empresa de fachada para encobrir a ação da CIA, MEGA Oil. Era veterano das operações clandestinas da CIA no comércio de ópio no Laos durante a Guerra do Vietnã. No Azerbaijão, implantou uma empresa aérea pela qual voaram clandestinamente centenas dos mujahidin da al-Qaeda de bin Laden, do Afeganistão para dentro do Azerbaijão. Em 1993, a empresa MEGA Oil já recrutara e armara 2 mil mujahidin, convertendo Baku numa base para operações terroristas por toda a região do Cáucaso.

A operação clandestina dos mujahidin do general Secord no Cáucaso iniciou o golpe militar que derrubou o presidente eleito Abulfaz Elchibey naquele ano, e instalou em seu lugar Heydar Aliyev, fantoche mais curvável aos desejos dos EUA. Relatório secreto da inteligência turca que vazou para o Sunday Times de Londres confirmou que “duas gigantes do petróleo, BP e Amoco, uma britânica e outra norte-americana respectivamente, que juntas constituem o Consórcio Internacional Azerbaijão de Petróleo [orig. AIOC (Azerbaijan International Oil Consortium)], estão por trás do golpe de estado.

Turki al-Faisal, chefe da inteligência saudita conseguiu que seu agente, Osama bin Laden, que ele próprio enviara para o Afeganistão no início da guerra afegã nos primeiros anos da década dos 1980s, usasse sua organização afegã Maktab al-Khidamat (MAK) para recrutar “árabes afegãos” para o que já se convertia rapidamente numa Jihad global. Os mercenários de Bin Laden eram usados como tropas de choque pelo Pentágono e CIA, para coordenar e apoiar ofensivas de grupos muçulmanos não só no Azerbaijão mas também na Chechênia e, depois, na Bósnia.

Reagan e os terroristas do Maktab al-Khidamat (MAK) no salão oval.

Bin Laden trouxe outro saudita, Ibn al-Khattab, para ser comandante, ou emir dos mujahidin jihadistas na Chechênia (sic!), com Shamil Basayev, senhor-da-guerra checheno. Não importava que Ibn al-Khattab fosse árabe saudita que mal pronunciava duas palavras em checheno, e nem isso em russo. Sabia reconhecer soldados russos e sabia matar.

A Chechênia era tradicionalmente uma sociedade em que predominavam o sufismo, ramo apolítico e moderado do Islã. Mesmo assim a infiltração sempre crescente de mujahidin terroristas bem pagos e bem treinados patrocinados pelos EUA e que pregavam uma Guerra Santa contra os russos transformou o movimento dos chechenos que inicialmente era reformista. Eles espalharam a ideologia linha duríssima da versão do islamismo praticada pela al-Qaeda por todo o Cáucaso. Sob a orientação do general Secord, as operações terroristas dos mujahidin já se haviam rapidamente estendido para os vizinhos Daguestão e Chechênia, o que fez de Baku um ponto de embarque de que se servia a máfia chechena para suas exportações de heroína afegã.

Desde meados da década dos 1990s, bin Laden pagou aos líderes da guerrilha chechena Shamil Basayev e Omar ibn al-Khattab a bela soma de vários milhões de dólares/mês, fortuna digna de reis naquela Chechênia economicamente devastada nos anos 1990s, o que os capacitou para atropelar a maioria chechena, que era moderada. (Nota 21, in Amerikas’ Heilige Krieg [A guerra santa dos EUA, 2014]).

A inteligência dos EUA permaneceu profundamente envolvida no conflito checheno até o final dos anos 1990s. Segundo Yossef Bodansky, então diretor da Força Tarefa do Congresso dos EUA para Terrorismo e Guerra não Convencional, Washington estava ativamente envolvida em “outra jihad anti-Rússia, buscando dar apoio e poder às forças islamistas antiocidentais mais virulentas”.

Chefe da jihad anti-Rússia dos EUA no Afeganistão

Bodansky revelou em detalhes toda a estratégia da CIA no Cáucaso. Diz que funcionários do governo dos EUA participaram de

(…) uma reunião formal no Azerbaijão em dezembro de 1999 na que se discutiram e aprovaram-se programas específicos para dar treinamento e fornecer de equipamento e armas a mujahidin do Cáucaso, da Ásia Sul e Central e de todo o mundo árabe, culminando tudo isso no tácito encorajamento, por Washington, aos aliados muçulmanos (principalmente Turquia, Jordânia e Arábia Saudita) e a “empresas privadas norte-americanas de segurança” (…) para que dessem assistência aos chechenos e aos seus aliados muçulmanos para um levante na primavera de 2000, e para que mantivessem por bem longo tempo a jihad que dali adviria (…).

A jihad islamista no Cáucaso foi meio para impedir que a Rússia se beneficiasse de uma rota viável para seu oleoduto; para isso, disparou-se a espiral de violência e terrorismo que hoje se conhece.”

A fase mais intensa das guerras chechenas só começou a ceder em 2000, quando pesada ação militar russa derrotou afinal os islamistas. Foi vitória de Pirro, que custou perda massiva de vidas humanas e destruição de cidades inteiras. O número exato de mortos no conflito checheno insuflado pela CIA permanece ignorado. Estimativas não oficiais calculam de 25 mil a 50 mil mortos e desaparecidos, a maioria civis. Os russos perderam quase 11  mil soldados, segundo o Comitê de Mães de Soldados Mortos.

Oleoduto Baku–Tbilisi–Ceyhan

As gigantes anglo-norte-americanas do petróleo e os agentes da CIA gostaram muito. Obtiveram o oleoduto Baku–Tbilisi–Ceyhan que tanto queriam, e que passava ao largo do oleoduto russo em Grozny.

Os jihadistas chechenos, sob comando islamista de Shamil Basayev, mantiveram os ataques terroristas dentro e fora da Chechênia. A CIA já estava reorientada para o Cáucaso.

A conexão saudita de Basayev

Basayev foi parte chave da jihad global criada pela CIA. Em 1992, reuniu-se com o terrorista saudita Ibn al-Khattag no Azerbaijão. Do Azerbaijão, Ibn al-Khattab levou Basayev ao Afeganistão para encontrar-se com o aliado de al-Khattab e também saudita, Osama bin Laden. O papel de Ibn al-Khattab era recrutar muçulmanos chechenos que quisessem fazer sua Jihad contra forças russas na Chechênia, já como ação estratégica clandestina da CIA para desestabilizar a Rússia pós-soviética e assegurar para EUA e Grã-Bretanha o controle sobre a energia do Cáspio.

De volta à Chechênia, Basayev e al-Khattab criaram a Brigada Islâmica Internacional [orig. International Islamic Brigade (IIB)] com dinheiro da inteligência saudita, aprovada pela CIA e coordenada graças à amizade íntima entre o embaixador saudita em Washington, príncipe Bandar bin Sultan, e a família Bush. Bandar, embaixador saudita em Washington por mais de vinte anos era tão íntimo da família Bush que George W. Bush referia-se ao playboy e embaixador saudita como “Bandar Bush”, espécie de Bush honorário.

Basayev e al-Khattab importaram para a Chechênia fanáticos sunitas wahhabistas. Ibn al-Khattab comandou o que se conhecia como “os mujahidin árabes na Chechênia”, seu próprio exército privado de árabes, turcos e outros combatentes estrangeiros. Também recebeu a tarefa de organizar campos para treinamento paramilitar nas montanhas do Cáucaso checheno, para dar treinamento a chechenos e muçulmanos das repúblicas russas do norte do Cáucaso e da Ásia Central.

Ibn al-Khattab (morto em 2002) e Shamil Basayev

A Brigada Islâmica Internacional financiada por sauditas e pela CIA foi responsável por atos terroristas não só na Chechênia. São autores também da captura de reféns em outubro de 2002 no Teatro Dubrovka em Moscou; e pelo horrendo massacre da escola Beslan, em setembro de 2004. Em 2010, o Conselho de Segurança da ONU publicou o seguinte relatório sobre a Brigada Islâmica Internacional de al-Khattab e Basayev:

Brigada Islâmica Internacional foi listada dia 4/3/2003 (…) como associada à Al-Qaeda, a Osama bin Laden ou ao Talibã, por “participar no financiamento, planejamento, facilitação, preparação e perpetração de atos ou atividades, ou em conjunção com, ou sob o nome de, ou com o apoio da Al-Qaeda. (…) A Brigada Islâmica Internacional foi fundada e comandada por Shamil Salmanovich Basayev (morto) e é associada ao Batalhão Riyadus-Salikhin dos Chechenos Mártires de Reconhecimento e Sabotagem [orig. Reconnaissance and Sabotage Battalion of Chechen Martyrs (RSRSBCM)] (…) e ao Regimento Islâmico para Operações Especiais [orig. Special Purpose Islamic Regiment (SPIR)]. (…)

Na noite de 23/10/2002, membros do BII, do RSRSBCM e do SPIR em operação conjunta, tomaram mais de 800 reféns no Teatro Podshipnikov Zavod (Dubrovka) em Moscou.

Em outubro de 1999, emissários de Basayev e Al-Khattab viajaram até a base de Osama bin Laden na província afegã de Kandahar, onde ficou acertado que forneceriam substancial assistência militar e financeira, inclusive com arranjos para enviar à Chechênia várias centenas de combatentes, para combater contra tropas russas e executar atos de terrorismo. Adiante, no mesmo ano, Bin Laden enviou quantias substanciais de dinheiro para Basayev, Movsar Barayev (líder do SPIR) e Al-Khattab, que devia ser usado exclusivamente para treinar atiradores, recrutar mercenários e comprar munição.

A “ferrovia terrorista”, da al-Qaeda afegã-caucasiana, financiada pela inteligência saudita, tinha dois objetivos. Um era objetivo dos sauditas de disseminar a jihad wahhabista fanática por toda a região centro-asiática da União Soviética. O segundo era a agenda da CIA, de desestabilizar e forçar ao colapso a Federação Russa depois da URSS.

Beslan

Dia 1/9/2004, terroristas armados da BII de Basayev e al-Khattab tomaram mais de 1.100 pessoas como reféns, num sítio que incluiu 777 crianças e obrigaram-nos a entrar na School Number One (SNO) em Beslan na Ossetia do Norte, república autônoma da Federação Russa no norte do Cáucaso, próximo da fronteira com a Geórgia. Vídeo a seguir com legendas em português:

No 3º dia da crise dos reféns, quando se ouviram explosões dentro da escola, soldados do serviço secreto e outros soldados de tropas de elite russas invadiram o prédio da escola. No final, havia 334 reféns mortos, inclusive 186 crianças, com número significativo de feridos e desaparecidos. Divulgou-se imediatamente que as forças russas haviam executado mal a ação de intervenção.

A máquina de propaganda de Washington, da Radio Free Europe ao New York Times e à rede CNN, puseram-se imediatamente a demonizar Putin e a Rússia pelo fracasso no encaminhamento de solução para a crise de Beslan.

A “indignação” distraiu a atenção. E passou sem qualquer comentário, análise ou providência o fato de que havia links entre Basayev, Al-Qaeda e a inteligência saudita. Qualquer referência a esses laços chamaria a atenção mundial para as relações muito íntimas entre a família do então Presidente dos EUA, George W. Bush, e a família bin Laden, de bilionários sauditas.

Dia 1/9/2001, apenas dez dias antes do dia dos ataques ao WTC e ao Pentágono, o chefe da inteligência saudita, educado nos EUA, príncipe Turki bin Faisal Al Saud, que dirigia a inteligência saudita desde 1977, incluído aí todo o período da operação dos mujahidin Osama bin Laden no Afeganistão e no Cáucaso, renunciou abruptamente e inexplicavelmente, apenas alguns dias depois de ter sido nomeado pelo rei para mais um mandato como chefe da inteligência. Não deu qualquer explicação. E foi rapidamente nomeado para um posto em Londres, longe de Washington.

Os registros das relações muito íntimas entre as famílias bin Laden e Bush foram soterrados – de fato, foram totalmente apagados, sob alegação de “risco à segurança nacional” (sic!) no relatório da Comissão dos EUA sobre o 11/9. A evidência de que 14 dos 19 ditos terroristas do 11/9 eram sauditas também foi deletada do relatório final da comissão oficial que investigou os ataques, e que só foi divulgado em julho de 2004 pelo governo Bush, quase três anos depois dos eventos.

Basayev exigiu sua paga por ter mandado os terroristas a Beslan. Queria a total independência da Chechênia (fim de todas as conexões com a Rússia), o que daria a Washington e ao Pentágono considerável vantagem estratégica na barriga sul da Federação Russa.

Chechênia e o Cáucaso

No final de 2004, depois da tragédia de Beslan, o presidente Putin, ao que se sabe, ordenou uma missão secreta de identificação e localização para caçar e matar os líderes chaves dos mujahidin do Cáucaso de Basayev. Al-Khattab havia sido morto em 2002. Não demorou para que as forças de segurança da Rússia descobrissem que praticamente todos os terroristas árabes afegãos da Chechênia haviam fugido. E que se distribuíram, ou na Turquia, país membro da OTAN; ou na Alemanha, país membro da OTAN; ou em Dubai – dos mais íntimos aliados dos EUA nos países árabes; ou no Qatar; todos esses aliados muito próximos dos EUA haviam garantido paraíso seguro àqueles terroristas. Em outras palavras: os terroristas chechenos haviam recebido asilo e abrigo seguro… da OTAN.

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Frederick William Engdahl é jornalista, conferencista e consultor para riscos estratégicos. É graduado em política pela Princeton University; autor consagrado e especialista em questões energéticas e geopolítica da revista online New Eastern Outlook.

Lava Jato abre espaço para investimento chinês no Brasil

Por Mariana Schreiber | Via BBC Brasil

Li Keqiang desembarca junto com empresários chineses nesta segunda-feira em Brasília

O primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, e uma missão de empresários de seu país desembarcam nesta segunda-feira em Brasília com a promessa de investir dezenas de bilhões de dólares em diversos setores da economia – de ferrovias a hidrelétricas, passando por autopeças, agronegócios, mineração, siderurgia e TI (tecnologia da informação).

O momento é visto como especialmente favorável a esses investimentos.

De um lado, o governo tem sido obrigado a cortar gastos em infraestrutura devido às restrições orçamentárias.

De outro, os setores de construção e óleo e gás passam por um cenário difícil por causa da Operação Lava Jato, que investiga esquemas de corrupção envolvendo Petrobras, grandes obras públicas e empreiteiras nacionais.

O contexto complicado acaba sendo uma oportunidade para o capital chinês, nota Maria Luisa Cravo, gerente Executiva de Investimentos da Apex (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos).

“Com certeza, cria uma oportunidade. Empresas estrangeiras, quando estão avaliando um país para investir, levam em conta todo tipo de fator. Certamente, empresas de óleo e gás que não estava atuando no Brasil, não eram fornecedores da Petrobras, têm interesse e sabem que há uma oportunidade (agora)”.

Segundo Charles Tang, presidente da Câmara de Comércio e Indústria Brasil China (CCIBC), um estaleiro chinês ganhou neste ano parte da concorrência internacional aberta pela Petrobras para construção de módulos de compressão, cujo contrato original de US$ 750 milhões foi cancelado com a brasileira Iesa, após citações na Lava Jato. O grupo Inepar, ao qual pertence a Iesa, está em recuperação judicial.

“Como se sabe, os grandes projetos de infraestrutura e de petróleo e gás sempre foram dominados por grandes empreiteiras brasileiras que ora têm dificuldade de concluir as suas obras. Nossa Câmara têm se esforçado para trazer investimentos de grandes empresas chinesas para ajudar a recuperar a economia do Brasil e manter empregos brasileiros”, afirma.

“O empréstimo de US$ 3,5 bilhões (R$ 10,5 bilhões) feito recentemente à Petrobras demonstra a confiança que a China deposita no Brasil e demonstra a importância que a China dá a essa aliança estratégica e comercial. Um amigo em hora de necessidade é um amigo verdadeiro”, acrescenta Tang.

O financiamento, obtido junto ao Banco de Desenvolvimento Chinês no início de abril, chega em um momento que a Petrobras está com o endividamento elevado e enfrenta dificuldade de obter recursos emitindo títulos e ações.

Agenda

Li Keqiang reúne-se com a presidente Dilma Rousseff nesta terça-feira de manhã e no dia seguinte cumpre agenda no Rio e Janeiro, antes de seguir viagem para Colômbia, Peru e Chile.

A China vem ampliando sua presença na região e tem laços próximos também com Venezuela e Argentina.

Durante a passagem da comitiva chinesa pelo Brasil serão assinados mais de 30 documentos, entre acordos governamentais, empresariais e outros atos, sinalizando intenções novas de investimentos de US$ 50 bilhões (R$ 150 bilhões), segundo o embaixador José Alfredo Graça Lima, atualmente à frente da Subsecretaria-Geral de Assuntos Políticos 2, área responsável pelas relações políticas e econômicas do Brasil com a Ásia.

Petrobras recebeu US$3,5 bilhões em empréstimo recente da China

Segundo informações da agência Reuters, será anunciado também a criação de um fundo na Caixa de US$ 50 bilhões com recursos do Banco Industrial e Comercial da China (ICBC) para investimento em infraestrutura – não está claro em que medida essas duas cifras se sobrepõem.

Enquanto maior parceiro comercial do país, a China já tem hoje peso importante na economia brasileira. Para Graça Lima, o crescente interesse chinês em investir aqui traz o relacionamento dos dois países a um novo patamar.

“A visita do primeiro-ministro Li Keqiang segue um histórico de visitas de alto nível que se iniciaram em 2004 e que vêm contribuindo para adensar a relações bilaterias entre Brasil e China. E (essas relações) estão tomando outro vulto, ou subindo de patamar, na forma de uma cooperação mais voltada para investimentos, tanto em infraestrutura, como em capacidade produtiva, que são duas áreas de especial interesse para o Brasil de hoje”, disse Graça Lima, em apresentação a jornalistas na semana passada.

Se tudo que está sendo anunciado vai sair do papel é outra história.

Segundo o embaixador, são projetos que estão em diferentes estágios de negociação e planejamento. Um dos mais importantes para os dois países é a construção de uma ferrovia transoceânica, que cortará Brasil e Peru, facilitando o escoamento de grãos e outros produtos da região Centro-Oeste para o Oceano Pacífico.

Infraestrutura

Segundo o diretor executivo da Confederação Nacional do Transporte (CNT), Bruno Batista, é justamente essa preocupação com escoamento de produtos brasileiros para a China, “questão de segurança alimentar”, que tem elevado a disposição do país em investir na logística brasileira.

Até hoje, observa Batista, a presença do capital chinês na infraestrutura de transportes do Brasil é pequena, mas a expectativa é que isso mude nos próximos anos.

Fábrica chinesa na África: região tem recebido milhões de dólares em investimentos do país.

Em junho, o governo federal pretende anunciar um novo pacote de concessão de obras em infraestrutura, e, segundo o diretor da CNT, há grande interesse chinês nas ferrovias.

Para os investimentos se confirmarem, porém, é preciso clareza nos detalhes técnicos e na taxa de retorno desses investimentos, afirma ele.

Batista lembra que nenhuma das ferrovias anunciadas no pacote de concessões de 2012 saiu do papel até hoje, porque essas incertezas afastaram investidores.

Naquele ano, o governo anunciou que as concessões significariam investimentos de R$ 91 bilhões em ferrovias – os projetos estão sendo revisados para entrar no novo pacote previsto para junho.

“A insfraestrutura de transportes está num momento de crise de recursos, com a redução dos investimentos públicos e dos financiamentos liberados pelo BNDES. O capital privado ganha mais importância agora e a única sinalização clara de interesse (em investir) é do governo chinês”, destaca Batista.

Interesse brasileiro

Em entrevista à imprensa chinesa na semana passada, Dilma sinalizou que o interesse brasileiro nessa parceria também é grade.

“O Brasil passa por um momento em que todo o conhecimento e a expertise da China na área de investimento em infraestrutura nós podemos aproveitar, tanto na área de rodovias, ferrovias, portos e aeroportos”, disse ela ao China Business News, ressaltando que a participação chinesa em ferrovias vai ser “essencial” para o Brasil.

Monitoramento da Apex indica que, entre 2004 e 2014, a China investiu US$ 50 bilhões no Brasil. Maria Luisa Cravo explica que antes esses investimentos eram mais concentrados em fábricas e que agora o escopo está se ampliando para obras de infraestrutura, que são mais caras.

A montadora Chery é uma das empresas chinesas que chegou recentemente ao Brasil

Entre as empresas chinesas que investiram no Brasil nos últimos dez anos, destacam-se JAC Motors e Chery (montadoras), Sinopec (petróleo e gás), Huawei (telecomunicações), Foxconn (eletrônicos), Banco da China (financeiro) e a Companhia Nacional da Rede Elétrica da China (energia). Recentemente, a Apex mediou a instalação da uma empresa de ônibus elétricos em Campinas – a primeira fábrica na América Latina da gigante chinesa BYD.

Mas o que estaria por trás do apetite bilionário chinês pelo Brasil?

Certamente, é de interesse do país melhorar a logística das nossas exportação, reduzindo os custos de produtos comprados em grande quantidade pela China, como soja e minério de ferro.

Apesar de a queda nos preços das commodities ter provocado um recuo no valor das vendas brasileiras para a China, o país manteve-se como principal parceiro comercial do Brasil em 2014, quando a corrente de comércio (soma de importações e exportações) foi de US$ 78 bilhões.

Questionado sobre se haveria também uma estratégia geopolítica da China no sentindo de ampliar sua influência na América do Sul, o embaixador Graça Lima descartou a existência de “uma agenda secreta” e minimizou uma possível perda de protagonismo do Brasil na região.

“Interessa ao Brasil que seus 11 vizinhos progridam, que tenham uma grau de desenvolvimento que sirva para mais estabilidade, mais paz, mais segurança (na região). Nesse ponto, a China é vista como uma parceiro bem vindo”, argumentou.

Geopolítica

Para Charles Tang, porém, há sim uma intenção geopolítica, na medida em que a China busca a se contrapor aos Estados Unidos como potência global.

Esse é o entendimento também de Renato Baumann, diretor da área de Relações Econômicas e Políticas Internacionais do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada). “A China quer expandir sua áreas de influência e tornar o yuan uma moeda de referência global”, afirma ele.

Com enorme volume de reservas internacionais, da ordem de US$ 4 trilhão, a China também busca diversificar suas aplicações.

Há anos já vem investindo na África, não sem alguma controvérsia, como por exemplo na construção de ferrovias cuja bitola só serve para trens chineses ou devido à prática de importar mão de obra chinesa para essas obras.

Investidores chineses já tentaram trazer mão de obra nacional na construção de umas das linhas de transmissão de energia da usina de Belo Monte, no Pará, mas foram barrados pela legislação trabalhista brasileira.

Sobre essas polêmicas, o embaixador Graça Lima disse que o Brasil “não é totalmente ignorante” e que o país estará atento aos riscos.

“Para isso que são requeridos mecanismo de acompanhamento, memorandos de entendimentos, que deixem muito claro que o se busca é um benefício equilibrado”, garantiu.

Redução da maioridade penal pode agravar violência, afirma ONU

Via DW

Nações Unidas argumentam que adolescentes são mais vítimas do que autores da violência e que infrações de jovens devem ser tratadas como sinal da restrição do acesso a direitos fundamentais.

A ONU afirmou nesta segunda-feira (11/05) que acompanha com preocupação a tramitação, no Congresso Nacional, de uma proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos e também o debate nacional sobre o tema.

Segundo a ONU, é “com grande inquietação que se constata que os adolescentes vêm sendo publicamente apontados como responsáveis pelas alarmantes estatísticas de violência no país, num ciclo de sucessivas violações de direitos”.

A ONU argumenta que os adolescentes são muito mais vítimas do que autores da violência. “Dados oficiais mostram que, dos 21 milhões de adolescentes que vivem no Brasil, apenas 0,013% cometeu atos contra a vida”, afirma nota divulgada pela instituição. Por outro lado, “os homicídios já são a causa de 36,5% das mortes de adolescentes por causas não naturais, enquanto, para a população em geral, esse tipo de morte representa 4,8% do total”.

“Somente entre 2006 e 2012, pelo menos 33 mil adolescentes entre 12 e 18 anos foram assassinados no Brasil”, prossegue a nota. “Na grande maioria dos casos, as vítimas são adolescentes que vivem em condições de pobreza na periferia das grandes cidades.”

“O Sistema ONU alerta que, se as infrações cometidas por adolescentes e jovens forem tratadas exclusivamente como uma questão de segurança pública e não como um indicador de restrição de acesso a direitos fundamentais, a cidadania e a justiça, o problema da violência no Brasil poderá ser acentuado, com graves consequências no presente e futuro.”

A redução da maioridade penal está sendo analisada por uma comissão especial na Câmara dos Deputados. Se aprovada, vai para votação na Câmara. Se passar, vai para o Senado.

Espanha retira imunidade de conselheiro que matou sua mulher no Brasil

Via Agência Efe

O Ministério de Relações Exteriores da Espanha retirou, a pedido das autoridades brasileiras, a imunidade diplomática ao comissário e conselheiro de Interior da embaixada da Espanha no Brasil, Jesús Figón, após o assassinato de sua esposa, confirmaram nesta quinta-feira à Agência Efe fontes oficiais.

O Brasil solicitou na quarta-feira a retirada da imunidade de Figón, dada a “gravidade” dos fatos, informaram as fontes.

Conselheiro espanhol alegou legítima defesa ao assassinar brasileira no Espírito Santo. EFE/Archivo/Jeffrey Arguedas

Após receber o pedido, a embaixada da Espanha, de acordo com as instruções do ministro das Relações Exteriores, José Manuel García-Margallo, apresentou uma nota na qual concordava com a solicitação das autoridades brasileiras.

García-Margallo anunciou ontem que se fosse demonstrado que “houve violência machista” no assassinato, a Espanha renunciaria à imunidade porque esta “não pode servir, em nenhum caso, como álibi em fatos tão desagregáveis como os que estão sendo investigados”, afirmou.

O ministro ressaltou que a embaixada comunicou à Chancelaria brasileira, por instruções suas, que a Espanha “não só não põe nenhum inconveniente à investigação em andamento das autoridades brasileiras”, mas estava “a sua disposição para colaborar na investigação de um fato da gravidade que se discute”.

A Polícia brasileira deteve na terça-feira passada o responsável de segurança da embaixada da Espanha no Brasil acusado de matar sua esposa, a brasileira Rosemary Justino Lopes de 50 anos.

No entanto, ele foi posto em liberdade poucas horas depois por gozar de “imunidade diplomática”.