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A nova disputa pelo Pré-Sal

Por Mauro Santayana | Via AEPET

Os jornais voltam a anunciar que se discute, dentro e fora do governo, o fim da atuação da Petrobras como operadora exclusiva do pré-sal, com fatia mínima de 30%.

Alegam, entre outras coisas, seus adversários que seria inviável para a Petrobras continuar a explorar o petróleo do pré-sal com a baixa cotação atual do barril no mercado global, quando a produção oriunda dessa área cresceu 70% em março e se aproxima de 500 mil barris por dia.

Ora, se a Petrobras, que acaba de ganhar (pela terceira vez) o maior prêmio da indústria internacional de exploração de petróleo em águas marinhas, o OTC Distinguished Achievement Award for Companies, Organizations and Institutions, nos EUA, justamente pelo desenvolvimento de tecnologia própria para a extração do óleo do pré-sal em condições extremas de profundidade e pressão, estaria tendo prejuízo na exploração desse óleo, porque as empresas estrangeiras, a quem se quer entregar o negócio, conseguiriam ter lucro como operadoras, se não dispõem da mesma tecnologia?

Se a Petrobras explora petróleo até nos Estados Unidos, em campos como Cascade, Chinook e Hadrian South, onde acaba de descobrir reservas de 700 milhões de barris, em águas territoriais norte-americanas do Golfo do México, porque tem competência para fazer isso, qual é a lógica de abandonar a operação do pré-sal em seu próprio país, onde pode gerar mais empregos e renda com a contratação de serviços e produtos locais, e o petróleo é de melhor qualidade?

A falta de sustentação dessa tese não consegue ocultar seus principais objetivos. Se quer aproveitar uma “crise” da qual a empresa sairá em poucos meses (as ações com direito a voto já se valorizaram 60% desde janeiro; o balanço foi apresentado com enormes provisões para perdas por desvios de R$ 6 bilhões, que delatores “premiados”, cuja palavra foi considerada sagrada em outros casos, já negaram que tenham ocorrido; a produção e as vendas estão em franco crescimento) para fazer com que o país recue no regime de partilha de produção, de conteúdo nacional mínimo, e na presença de uma empresa nacional na operação de todos os poços, para promover a entrega da maior reserva de petróleo descoberta neste século para empresas ocidentais, como a Exxon, por exemplo, que acaba de perder, justamente para a Petrobras, o título de maior produtora de petróleo do mundo de capital aberto.

Como ocorreu na década de 1990, cria-se um clima de terror para promover a entrega de uma das últimas empresas sob controle nacional ao estrangeiro.

Enquanto isso não for possível, procura-se diminuir sua dimensão e importância, impedindo sua operação na exploração de reservas que são suas, por direito, situadas em uma área que ela descobriu, sozinha, graças ao desenvolvimento de tecnologia própria e inédita e à capacidade de realização da nossa gente.

Diálogos Desenvolvimentistas: O imperialismo, o “livre-comércio” e o PT

No diálogo que transmitimos abaixo, fruto da discussão do último artigo escrito pelo economista Flavio Lyra intitulado O fracasso da via liberal-dependente, o autor e a também economista e doutora em políticas públicas, Ceci Juruá, fazem um importante debate em que analisam os objetivos do imperialismo, a doutrina mistificadora do livre-comércio e a inserção que os governos petistas fizeram do Brasil nesse contexto de alta desregulação do capitalismo.

Confiram:

Ceci Juruá - Realmente os países considerados centrais tem objetivos de longo prazo.

1- Garantir o acesso aos recursos naturais indispensáveis ao aproveitamento econômico e ao sucesso de suas próprias políticas. A baixo custo, é claro.

2- Garantir um campo seguro para aplicação e multiplicação de seus excedentes financeiros.

Daí a defesa do livre comércio e da livre circulação de capitais, esta é a ideologia básica, fundamental, cuja hegemonia no espaço mundial depende de muitos e muitos outros fatores. Porque não se trata de uma ideologia generosa, de solidariedade universal, nem de benefício recíproco. Aparentemente, e só aparentemente, tais objetivos são realizados através da “livre” competição, não tão livre porque se dá entre atores desiguais, desiguais em matéria de capacidade de aproveitamento de oportunidades econômicas e políticas.

Mas tais objetivos de longo prazo, funcionais à formação de impérios, são permanentemente ajustados a contextos e a conjunturas diferenciados. As políticas dos States, por exemplo, variaram bastante entre as décadas 1950/1960 e 1980/1990. Nesse último período, foram propostas inovações institucionais mais adaptadas a um novo regime de acumulação – a financeirização -, ou a mundialização do capital como escreveu François Chesnais. O novo regime de acumulação, em escala planetária, passou a ditar as mudanças necessárias na periferia. Ou seja, às mudanças no centro do império deveriam corresponder mudanças na periferia. É isto que precisamos estudar, nós os brasileiros.

Nesse sentido o artigo do Fiori foi brilhante. É a primeira vez que um acadêmico do seu porte, coloca com tanta clareza os acordos firmados por FHC e sua troupe. Não estava escrito, aquele não era necessariamente nosso destino, havia outras alternativas. Á direita e à esquerda. No período 1990 a 1995 ocorreram as grandes traições, à revelia da Nação. A principal arma de guerra do império foi econômica – a dívida externa e a hiperinflação a ela vinculada. Mas também a mídia e a desmoralização de todos, entre nós, que não estivessem de acordo com os planos imperiais. E ainda, a corrupção, as ameaças, e a conspiração do silêncio em torno dos desafetos. Enquanto não conhecermos em detalhes o plano e os instrumentos, e as medidas estratégicas e táticas da época, estaremos fortemente desguarnecidos culturalmente para enfrentar os verdadeiros inimigos do desenvolvimento brasileiro. Mas não basta conhecer, é preciso divulgar e fazer um trabalho – difícil – de “deslavagem” cerebral.

Se abandonamos o economicismo, veremos que as vantagens comparativas existem. Claro que elas existem. E foram utilizadas contra nós. O resultado aí está. Não adianta muito falar em modelo e mudança de modelo, se desconhecemos o modelo nos seus detalhes. Salvo aliança divina (?) a mudança do modelo exigirá guerra/revolução (quem está apto ou disposto?) ou hábil diplomacia e unidade nacional. Cada país, cada Nação, tem o seu próprio caminho, não há fórmulas mágicas para se atingir tal objetivo.

Dizer que a única alternativa é a intervenção estatal assemelha-se quase a dizer que não há alternativa em situações onde o Estado esteja capturado, ou de mãos atadas frente a uma rede de compromissos internos e internacionais. Nas condições atuais, falar nessa única alternativa não seria uma maneira de espalhar a desesperança ?

Também não considero que os governos do PT fizeram remendos. Fizeram o que foi possível na época frente a uma sociedade desaparelhada para o enfrentamento com os reais inimigos da Pátria. Eles são humanos, pessoas iguais a nós. Em matéria de política internacional não há bola de cristal. Foram até bem corajosos, ousados, em matéria dos enfrentamentos possíveis – as relações com Cuba, Irã, Rússia, China, Mercosul e Unasul. Lamentável seria não reconhecermos isto, pousando apenas como vítimas em lugar de reconhecer, valorizar, prestigiar alguns avanços realizados. Há um ditado popular brasileiro, que aprecio muito – quem não valoriza o que tem a perder vem.

Flavio Lyra - Suas observações têm sido muito pertinentes e, no pior dos casos, merecedoras de algum tipo de escrutínio. Confesso-lhe que ando contrariado com a atuação de Dilma. Depois do esforço realizado em favor de sua eleição e da defesa de seu mandato esperava mais dela. Não em termos de solução dos problemas, mas de comunicação com a base social que a apoiou e que está perplexa com as medidas adotadas. Seu silêncio é anti-democrático e despolitizante. A meu ver, Dilma continua achando que com decisões na cúpula vai sair do atoleiro político em que se encontram ela e o país.

Quanto à falta de alternativas que menciono no texto, sinceramente não vejo outra que a mencionada, embora seja muito consciente da “abertura da História”. Gostaria muito de saber se tem alguém vislumbrando alguma outra alternativa que tenha um mínimo de viabilidade no médio prazo. Como não tenho encontrado nada a respeito, fixo-me na mencionada, já que estou convencido de que a via liberal-dependente esgotou-se como rumo para os interesse da classe trabalhadora, no Brasil e no mundo capitalista. Não me atrevo sequer a falar numa via socialista, pois acho que ainda estamos muito distantes disto ou de algo assemelhado.

Tenho procurado ser compreensivo sobre as limitações do PT e do seus governos, pois sei muito bem das dificuldades e barreiras que enfrentam em nossa sociedade conservadora. Também, não deixo de reconhecer a coragem e o discernimento que tiveram para realizar algumas mudanças. Mas, não posso deixar de ser muito crítico em relação às condutas individualista e mesmo primárias dos petistas escolhidos para o Poder Legislativo e o Executivo, com muitos dos quais convivi durante mais de três anos na Liderança do Governo no Senado. O derretimento atual já era previsível para quem acompanha de perto a vida política do país. Fizemos muito menos do que seria possível, em decorrência da improvisação e falta de rumos que caracterizou os governos do PT. Escrevi vários textos a respeito, que foram considerados pessimistas por gente do governo que achava que a classe trabalhadora tinha chegado ao Paraíso. Assisti de muito perto a administração de Palloci no MF, com sua equipe herdada de FHC. Depois, ainda vejo Palloci como coordenador da campanha de Dilma. Dá para esperar algo de sério em favor mudanças efetivas no país, sob a influência de Palloci?. Participei da elaboração do Programa do PT, que depois Palloci jogou na lata de lixo, ao preparar a Carta aos Brasileiros, documento de rendição à continuidade da política econômica do PSDB.

Enfim, acho que a hora é de pleitear mudanças e de realizar autocrítica e não de justificar os erros cometidos, que foram muitos e cujo preço o povo está começando a pagar, sem sequer poder identificar quem são seus inimigos de classe, pois o PT e seus governos se especializaram em disfarçar a polarização que de fato existe no país, transmitindo a impressão todos trabalhamos para os mesmos objetivos.

Deveríamos nos preparar para um colapso dos Estados Unidos ao estilo soviético?

Por Antonio Gelis-Filho | Via Carta Maior

Deveríamos nos preparar para um colapso dos Estados Unidos ao estilo soviético? A resposta, por diversas razões, é sim.

A longa sequência de insucessos econômicos e geopolíticos dos Estados Unidos desde a virada do século recebeu agora mais um elemento: a ameaça de um atentado nuclear no solo norte-americano, feita dias atrás pelo Estado Islâmico. Absurdo? Até prova em contrário (que, esperamos, nunca venha) sim, é um absurdo completo. Mas o ponto aqui é menos a inimaginável possibilidade da concretização do atentado que a despreocupação com que a ameaça foi feita. Obviamente, o Estado Islâmico não teme os Estados Unidos. E por que deveria? Após decapitar reféns norte-americanos, após ver no campo de batalha soldados iraquianos, supostamente muito bem treinados por instrutores americanos, fugindo da luta, após capturar uma enorme quantidade de material bélico americano e após quem sabe quais outros fatos ainda mais assustadores que nunca se tornaram conhecidos fora do terreno de operações, a horda terrorista pode se dar ao luxo de ameaçar com um ataque nuclear aquela que é, ao menos no papel, a maior potência mundial.

O Estado Islâmico expressa, com sua usual violência extrema, aquilo que já é percebido pela maior parte do mundo: os Estados Unidos parecem ter atingido um ponto de não-retorno em seu declínio. A Rússia lutou – e venceu – uma guerra não declarada contra o Ocidente na Ucrânia; a China agora ocupa sua “Crimeia marítima”, as ilhas do Mar do Sul da China onde constrói e militariza ilhas artificiais em atóis reclamados por várias nações, mas que ela considera como parte de seu território. Os protestos e advertências dos Estados Unidos contra tais movimentos chineses são tratados por Beijing com o desprezo que é tratado o zumbido de um pernilongo inconveniente. A recuperação econômica norte-americana prometida pela enésima vez no final do ano passado revelou-se na verdade uma retração econômica de 0,7% no primeiro trimestre de 2015, em valores anualizados. Após tantos falsos anúncios de recuperação econômica, após todos os fracassos geopolíticos, após os sinais de decomposição do tecido social do país com os tumultos em Ferguson e Baltimore contra a brutalidade policial, talvez tenha chegado a hora de fazermos a pergunta impensável: deveríamos nos preparar para um colapso dos Estados Unidos ao estilo soviético?

A resposta, por diversas razões, é sim. Isso não significa que tal colapso seja inevitável ou mesmo provável. Mas o fato de ser possível e as potenciais consequências gigantescas de tal evento faz com que preparar-se para ele, ao menos como cenário estratégico, seja aconselhável para qualquer governo responsável. E por que tal colapso é possível? A explicação está nas razões que mantêm o país unido. Os Estados Unidos não foram construídos ao longo de linhas étnicas, algo que tende a manter as estruturas nacionais unificadas mesmo em tempos de crise. Também não há uma predeterminação geográfica: sua fronteira com o Canadá é quase inteiramente artificial. Na verdade, os Estados Unidos são uma polity artificial, e não uma que surgiu historicamente de forma mais ou menos espontânea. É o resultado de um plano de expansão muito bem-sucedido. E esse é o único e essencial fator unificador do país: sucesso. A insurreição Confederada no século XIX já deixava claro que o potencial físsil do país é grande. Mas o retumbante sucesso do projeto americano desde então criou um monstro que se alimenta de sucesso. E esse monstro agora está faminto. A despeito de toda retórica em torno dos ideais de liberdade, a razão que leva a maioria dos imigrantes ao país é uma só: progresso material. O que poderá manter o país unificado quando esse progresso já não for uma possibilidade razoável? Á medida que o cobertor revelar-se cada vez mais curto, as elites locais dos estados mais ricos terão incentivos para não mais bancarem os estados mais pobres. O culto do sucesso, essa verdadeira “religião secular” dos americanos e que foi responsável pela longa e rica trajetória do país, será então o combustível para seu possível fracionamento.  É tentador imaginar que as Forças Armadas do país evitariam tal colapso. Inicialmente isso poderia ser verdade, mas o enfraquecimento econômico, a partir de certo ponto, também ameaçaria os interesses da corporação, e livrar-se daquilo que então poderia ser visto como o “peso morto” dos estados mais pobres garantiria mais, e não menos, poder àqueles que conseguissem controlar as forças armadas. O fracionamento poderia então facilmente escapar ao controle destes. Algo assim aconteceu na União Soviética.

Um hipotético colapso dos Estados Unidos seria muito mais perigoso para o mundo do que foi o colapso da União Soviética. Esta fora construída em torno de um núcleo histórico extenso, a Rússia. Isso permitiu que o colapso seguisse linhas historicamente pré-definidas. O mesmo foi verdade para as outras repúblicas soviéticas. Elas já possuíam uma vida institucional dentro da União Soviética, portanto as linhas de desintegração já estavam desenhadas. Onde essas linhas não estavam claras, a dissolução foi seguida de conflitos. Abkhazia e Ossétia do Sul lutaram pela independência contra a Geórgia; Armênia e Azerbaijão lutaram pelo controle de Nagorno-Karabakh e Nakhichevan; a Moldávia dividiu-se em dois; Ucrânia e Rússia disputariam o controle de Sebastopol. Esses conflitos permanecem até hoje sem resolução ou agravaram-se. Como imaginar o que poderia acontecer nos Estados Unidos, um país onde se estima que o número de armas de fogo nas mãos de civis pode chegar a 200 milhões? É pouco provável que tal hipotética fragmentação seguisse as linhas estaduais. Se por um lado é verdade que alguns estados norte-americanos possuem uma longa história e riqueza suficiente para tomarem conta de si mesmos, é também verdade que muitos deles foram destacados de enormes territórios de forma mais ou menos arbitrária. As muitas linhas retas que definem as fronteiras de vários estados do oeste comprovam esse fato. Muitos desses estados não possuem saída para o mar e dependeriam de outros para exportarem o que quer que produzissem. E muitos condados na fronteira com o México possuem uma enorme população mexicana ou mexicano-americana, que naturalmente buscaria proteção no país do sul em caso de colapso.

Ademais, o colapso soviético ocorreu durante tempos economicamente róseos para o Ocidente. Absorver economicamente os fragmentos da União Soviética foi algo natural, e até mesmo empolgante. Mas mesmo considerando-se o sucesso econômico atual da China, tal possibilidade não existiria hoje, em uma economia mundial em condições muito piores.

Outra razão para temermos e nos prepararmos para tal contingência é o “império” formado por centenas de bases militares norte-americanas espalhadas pelo mundo, frequentemente muito mais bem armadas que os governos locais. Quem as administraria e como? As lições do colapso soviético aqui não são fonte de otimismo.

E temos ainda o maior de todos os problemas: quem cuidaria do enorme arsenal nuclear norte-americano? Diferentemente daquilo que ocorreu na União Soviética, onde Moscou possuía poder suficiente sobre as forças estratégicas soviéticas para garantir o controle sobre elas durante o colapso, nada nesse estilo existe nos Estados Unidos.

Essas são razões suficientes para que os tomadores de decisões políticas nas potências mundiais ascendentes preparem cenários lidando com a situação, ainda improvável, mas de maneira alguma impossível, de um colapso norte-americano ao estilo soviético.

Banco do Brics promete crédito à Grécia

Via Gazeta Russa

Em encontro com vice das Finanças russo, ministro da Reforma Industrial, do Meio Ambiente e da Energia grego confirmou o interesse do país em se tornar membro do Novo Banco do Desenvolvimento do Brics.

Ministro da Reforma Industrial, do Meio Ambiente e da Energia da Grécia, Panagiotis Lafazanis Foto: EPA/Vostock-photo

Em encontro com vice das Finanças russo Serguêi Stortchak, ministro da Reforma Industrial, do Meio Ambiente e da Energia da Grécia, Panagiotis Lafazanis, confirmou o interesse do país em se tornar membro não fundador do Novo Banco do Desenvolvimento do Brics, de acordo com comunicado divulgado pela assessoria de imprensa do cabinete grego.

O documento afirma ainda que Stortchak teria falado sobre a possibilidade de o novo banco conceder crédito a projetos de desenvolvimento na Grécia.

Ainda em maio, Stortchak, que é representante da Rússia no banco do Brics,  sugeriu ao premiê grego Alexis Tsipras a possibilidade de o país se tornar membro da instituição.

Anteriormente, o vice das Finanças russo havia anunciado que a entrada da Grécia não seria discutida até a realização da cúpula do grupo em Ufá, em julho deste ano.

“Lafazanis e Stortchak analisaram o progresso e os próximos passos na questçao do financiamento da companhia grega que participará da construção do gasoduto [que levará gás russo à Europa]. Os bancos comerciais russos mostraram interesse em participar do projeto de financiamento, que é apoiado pelo governo russo. Lafazanis ressaltou a importância de tal crédito, que poderia ser usado visando ao desenvolvimento”, diz o comunicado.

Lafazanis também reiterou o interesse da Grécia em participar como membro não fundador do Novo Banco de Desenvolvimento do Brics, que será de vital importância ao país. No encontro, discutiram-se os passos que poderão ser dados nesse sentido.

“Stortchak confirmou que a Rússia, que no momento preside o Brics, decididamente apoia o pedido da Grécia de participar no novo banco. Ele também anunciou que a contribuição da Grécia pela participação como parceira do novo banco não será alta, e que a Grécia pode usar financiamento do banco para o desenvolvimento assim que sua criação estiver concluída”, lê-se no documento.

O acordo para a criação do Novo Banco do Desenvolvimento do Brics foi assinado em junho de 2014 na cúpula de Fortaleza.

O submarino brasileiro e a retomada da indústria de defesa

Por Luiz de Queiroz | Via Jornal GGN

Nos últimos anos, a indústria brasileira de defesa tem ganhado maior atenção do governo federal, que sem interferir politicamente nos assuntos de segurança nacional está incentivando projetos inovadores.

Um exemplo disso é o acordo com a sueca Saab para desenvolver no Brasil o caça de quarta geração Gripen NG.

Outro exemplo é a parceria com o governo da França no desenvolvimento de quatro submarinos convencionais e um de propulsão nuclear, assunto que foi tema de debate no 59º Fórum de Debates Brasilianas.org.

De acordo com contra-almirante Sydney dos Santos Neves, gerente do Empreendimento Modular de Obtenção dos Submarinos Convencionais da Marinha do Brasil, o projeto original (de 2008), do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB) tinha um valor de € 6,7 bilhões.

“Uma parte é financiada por um consórcio de bancos. E outra vem da União – e está sujeita aos contingenciamentos da União”, disse. Ainda assim, ele espera que o programa não seja impactado pelos cortes orçamentários.

Assim, será possível cumprir o cronograma de entrega, que prevê a conclusão de um estaleiro até o final deste ano, um estaleiro de manutenção ao final de 2017 e uma área nuclear até 2021. Tudo isso em um único lugar, a base do projeto em Itaguaí (RJ). “Em 2025 ele [o submarino de propulsão nuclear] vai para o mar”, garantiu o contra-almirante.

E não é apenas o desenvolvimento em solo nacional de uma tecnologia de ponta. Há de se considerar todas as externalidades positivas, ou seja, os benefícios para toda uma cadeia de valor.

Apenas no projeto do submarino nuclear, são 145 engenheiros empregados. “Esse número no pico deve chegar a 400 engenheiros e técnicos”, prevê Santos Neves.

Como um todo, o PROSUB tem 1600 pessoas envolvidas. A maior parte oficiais da Marinha, mas também civis. “Só oficiais não conseguem fazer tudo. Então, estão sendo abertos concursos públicos também”, disse o contra-almirante.

Mas não são só empregos diretos. Atualmente, 600 empresas estão envolvidas no processo. “A participação da indústria nacional no projeto se dá nos itens que ela dispõe para oferecer e nas áreas onde há interesse estratégico de transferência tecnológica”, explicou Santos Neves.

“Há 56 projetos prioritários, dos quais 20 estão em execução e 27 em análise”, o restante está em fases mais iniciais, de busca de investimentos ou formulação de contratos.

Para o contra-almirante Santos Neves, as empresas buscam participar do programa até como um desafio e uma oportunidade para crescer. “Mas o fato real é que a empresa se sustenta por encomenda. Então, a gente tem que seguir esse projeto. Não pode parar nesse primeiro submarino”, suplicou.

“É o maior programa da Marinha nos últimos tempos e um dos maiores do Brasil na área de defesa, construção civil e desenvolvimento. Hoje eu vejo que o passo foi até ousado demais. Mas deu certo. Na medida em que o Prosub avança, seus resultados técnicos e tecnológicos comprovam que estamos vencendo esse complexo desafio”.

Para viabilizar o desenvolvimento, o governo brasileiro foi buscar a ajuda da França, em um acordo feito entre os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Nicolas Sarcozy, assinados pelos ministros da Defesa dos dois países e pelas Forças Armadas. “Não havia necessidade de fazer todo o submarino na França para aprender. Pegamos aproximadamente um terço e trouxemos para o Brasil para terminar. O projeto se mostrou bem sucedido e com base nisso nós multiplicamos o conhecimento”.

O aspecto nuclear do projeto não envolve a França. “O programa nuclear da Marinha já tem décadas”.

Além dos submarinos convencionais e do nuclear, o projeto prevê contratos para o desenvolvimento de torpedos e despistadores de torpedos, além da construção da base naval.

As bases conceituais são: a qualificação de pessoal em novas tecnologias, geração de emprego e o desenvolvimento da indústria nacional.

A corrupção eternamente impune

Por Rennan Martins | Vila Velha, 29/05/2015

O timing e as coincidências em torno dos escândalos de corrupção sugerem que há uma coordenação por trás deles que visa favorecer uma agenda específica de interesses geopolíticos. A sabotagem está travestida de justiça?

Vigilância é liberdade

É intrigante, deveras conveniente o timing no qual os escândalos de corrupção têm estourado nos últimos tempos. Ainda mais estranhado ficamos ao notar os beneficiários diretos destes, interrelacionando-os com alguns fatos amplamente publicizados, mas pouco lembrados pelos comentaristas e críticos de uma imprensa cada dia mais submissa a interesses econômicos e geopolíticos.

O primeiro dos escândalos – impune e talvez chave para compreensão da sincronia no qual são expostos os outros – é o que veio à tona por meio ex-analista da CIA, Edward Snowden. Em 2013, o mundo inteiro descobriu, perplexo, que o Big Brother saiu do romance de Orwell e existe na realidade, encarnado na National Security Agency (NSA). A agência em questão opera um esquema de ciberespionagem massiva que monitora as comunicações de inúmeros políticos, grandes empresas e até mesmo cidadãos comuns. O aparato tinha como justificativa a segurança nacional, mas serviu a interesses comerciais e geopolíticos. Um levantamento do Washington Post baseado em de 160 mil e-mails e mensagens de chats de mais de 11 mil contas de internet descobriu que nada menos que 90% dos vigiados constituem pessoas comuns. Ou seja, no momento que lês esse artigo, caro leitor, talvez estejas sendo bisbilhotado.

No Brasil, não podemos deixar de notar como a Operação Lava Jato se deu justamente no contexto consolidação do pré-sal como reserva altamente produtiva, e da Petrobras no posto de operadora única desses recursos. A prática do superfaturamento, ou “overprice”, é velha conhecida do mundo executivo. Empreiteiras das mais variadas nacionalidades corrompem políticos largamente financiados por interesses corporativos. E eis que, justamente no ano em que se contrapuseram candidaturas presidenciais com propostas divergentes para o pré-sal, uma de entrega pura e simples por meio das concessões, a outra de desenvolvimento e relativa soberania, caso da partilha, é que explodiram as revelações de práticas espúrias na estatal e parceiros comerciais. Que coincidência agradável para os “investidores” e o “mercado”.

Os beneficiários dessa crise já colhem seus frutos. Empreiteiras estrangeiras tomam o lugar das nacionais nos contratos com a Petrobras, a nova gestão encabeçada por Bendine planeja a venda de ativos com intermédio de bancos norte-americanos, e no Congresso Nacional pululam projetos de retrocesso que visam “flexibilizar” a lei do pré-sal, abrindo espaço para operadores de fora. Ora, considerando que os desvios na estatal ocorriam desde no mínimo 98, conforme assegurou o delator e diretor Pedro Barusco, por que razão nossos parceiros do norte não nos alertaram? Sim, se são os líderes excepcionais e baluartes da transparência e democracia, poderiam ter informado o Brasil, já que espionaram a presidente Dilma, seus assessores e a própria Petrobras durante bom tempo, e provavelmente ainda o fazem.

Essa semana foi a vez da FIFA, também sabidamente mafiosa, sofrer intervenção do FBI, que ordenou a prisão de sete executivos da entidade que estavam reunidos em Zurique, Suíça. O contexto desse escândalo impressiona. As prisões se deram justamente na semana das eleições para a presidência do órgão, onde se esperava reeleição tranquila de Joseph Blatter. Os ventos mudaram, providencialmente, e agora o adversário de Blatter, o príncipe da Jordânia Ali bin Al-Hussein, tem chances de chegar ao segundo turno.

Outro ponto interessante é que a Rússia – com quem os EUA vive uma escalada de tensão desde o golpe de Estado na Ucrânia – será a próxima anfitriã da Copa do Mundo, tendo em Blatter grande entusiasta. Nem bem ocorreram as prisões e as lideranças ianques iniciaram sua agenda. Os senadores Robert Menendez e John McCain pediram o afastamento de Blatter e a revisão da sede do evento para 2018, dizendo que “Ao permitirem que (a Rússia) receba a competição, vão oferecer um salva-vidas econômico que contraria as sanções multilaterais impostas pela comunidade internacional”. Outra coincidência, vejam só, é o apoio da Europa, EUA, Austrália, entre outros “parceiros”, a Ali bin Al-Hussein.

Aos que duvidam e pensam se tratar de teoria da conspiração, temos as palavras do professor John Shulman, formado em direito na Universidade de Harvard, especialista em mediação e negociações e cofundador do Centro para a Negociação e a Justiça dos EUA. Na visão dele o acontecido significa “os EUA mobilizando seu aparato legal interno em prol de questões geopolíticas. No caso, para colocar pressão na Rússia (sede da Copa de 2018), com quem o país tem tido problemas recentemente, e no Qatar (sede da Copa de 2022), onde também existem questões geopolíticas”, acrescentando que “É claro que a FIFA é corrupta. Todo mundo sabe disso. Mas os EUA não estão fazendo isso pelo bem do futebol”.

Por fim, fica evidente que está longe de ser justiça o que se pretende tanto para a Petrobras quanto para a FIFA. Os fatos, quando contextualizados, dão sérios indícios de que os serviços de inteligência norte-americanos usam de informações ilegalmente obtidas para promover a agenda da Casa Branca e das castas oligárquicas a ela alinhadas.

Especialista de Harvard alerta sobre interesses dos EUA em crise na Fifa

Por Daniel Lisboa | Via Uol

John Shulman, que estudou direito em Harvard, fala sobre o escândalo na Fifa

“Eu estou chocado, você não está?”, diz John Shulman ao atender a reportagem do UOL. Ele tem uma opinião diferente sobre o envolvimento dos Estados Unidos no escândalo da FIFA. Professor convidado da Fundação Dom Cabral, especialista em mediação de negociações, cofundador do Centro para a Negociação e a Justiça dos EUA, e formado em direito pela Universidade de Harvard, ele acredita que a intervenção “não teve cunho legal, mas geopolítico”.

“Com essa ação, os EUA enviam dois recados. Para o mundo, o de que o nosso sistema legal pode te pegar se você estiver fazendo algo errado. Internamente, mostramos que tomamos a iniciativa de resolver a corrupção dos outros”, diz o professor.

E John entende tanto de geopolítica quanto de futebol. Seu currículo de mediador inclui diversos trabalhos ao redor do mundo, incluindo no Oriente Médio, na Índia e em Ruanda. Sobre o “soccer”, uma curiosidade: o hoje professor já jogou profissionalmente na Índia, onde, segundo ele, foi o primeiro jogador ocidental por aquelas bandas.

“Os Estados Unidos nunca deram a menor bola para o futebol. De repente, pela primeira vez na história, o The New York Times vem com a primeira página inteira falando do assunto. Aí eu me pergunto: por quê?”, questiona John. Para o professor, há vários pontos obscuros no envolvimento americano. “A logística de uma operação internacional deste porte simplesmente não vale a pena. Até porque não há um número de vítimas nos EUA que justifiquem tamanha mobilização”, argumenta ele. “Há empresas nos EUA muito mais corruptas do que a FIFA, pode ter certeza”, crava o especialista.

“Para mim, trata-se claramente do seguinte: são os EUA mobilizando seu aparato legal interno em prol de questões geopolíticas. No caso, para colocar pressão na Rússia (sede da Copa de 2018), com quem o país tem tido problemas recentemente, e no Qatar (sede da Copa de 2022), onde também existem questões geopolíticas”.

John cita ainda a chance para os EUA desestruturarem uma organização que, corrupta ou não, tem tentáculos de poder que fogem ao seu alcance. “A ONU está presente em vários países, mas os EUA têm poder sobre ela. Isso não acontece com a FIFA, o que causa uma ruptura da hegemonia americana.”

Quer dizer, se você está feliz que alguém finalmente tomou a iniciativa de enquadrar a FIFA, comemore com moderação. “É claro que a FIFA é corrupta. Todo mundo sabe disso. Mas os EUA não estão fazendo isso pelo bem do futebol”, completa John.