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Stiglitz: O ataque da Europa à democracia grega

Por Joseph Stiglitz | Via Esquerda.net

Prémio Nobel da Economia Joseph Stigliz na Universidade de Columbia. Foto de Abhisit_Vejjajiva/Flickr

Devemos ser claros: quase nenhum do enorme manancial de dinheiro emprestado à Grécia foi verdadeiramente para lá. Foi canalizado para pagar aos credores do setor privado – incluindo bancos alemães e franceses. O que a Grécia obteve foi uma ninharia, mas pagou um elevado preço para preservar os sistemas bancários desses países.

O crescimento exponencial de disputa e conflitualidade no seio da Europa pode parecer a quem está de fora como sendo o resultado inevitável do amargo fim do jogo entre a Grécia e os seus credores. Na verdade, os líderes europeus estão finalmente a revelar a verdadeira natureza da disputa da dívida em curso, e a resposta não é agradável: é sobre poder e democracia muito mais do que dinheiro e economia.

Claro, a política económica por detrás do programa que a troika (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional) tem impingido à Grécia há cinco anos tem sido abismal, resultando num declínio de 25% do PIB do país. Não consigo pensar em nenhuma depressão que alguma vez tenha sido tão deliberada e que tenha tido tais consequências catastróficas: a taxa de desemprego entre os jovens da Grécia, por exemplo, já ultrapassa os 60%.

É surpreendente que a troika se tenha recusado a aceitar a responsabilidade por alguma coisa destas ou admitir o quão maus tenham sido as suas previsões e modelos. Mas, o que é ainda mais surpreendente é que os líderes europeus não tenham sequer aprendido. A troika ainda exige que a Grécia alcance um excedente orçamental primário (excluindo o pagamento de juros) de 3,5% do PIB em 2018.

Economistas de todo o mundo condenaram essa meta como punitiva, porque exigi-la resultará inevitavelmente numa recessão mais profunda. Na verdade, mesmo que a dívida da Grécia seja reestruturada para além de qualquer coisa imaginável, o país permanecerá em depressão se os eleitores se comprometerem com a meta da troika no referendo, a ser realizado sob pressão este fim de semana.

No que respeita a transformar um grande défice primário num excedente, poucos países fizeram algo parecido com o que os gregos alcançaram nos últimos cinco anos. E, embora o custo em termos de sofrimento humano tenha sido extremamente elevado, as propostas recentes do governo grego fizeram um longo caminho para serem atendidas as exigências dos seus credores.

Devemos ser claros: quase nenhum do enorme manancial de dinheiro emprestado à Grécia foi verdadeiramente para lá. Foi canalizado para pagar aos credores do setor privado – incluindo bancos alemães e franceses. O que a Grécia obteve foi uma ninharia, mas pagou um elevado preço para preservar os sistemas bancários desses países. O FMI e os outros credores “oficiais” não precisam do dinheiro que está a ser exigido. Num cenário business-as-usual, o dinheiro recebido, provavelmente, serviria para ser novamente emprestado à Grécia.

Mas, novamente, o que interessa não é o dinheiro. É sobre usar “prazos” para forçar a Grécia a ceder e aceitar o inaceitável – não apenas medidas de austeridade, mas outras políticas regressivas e punitivas.

Mas por que é que a Europa está a fazer isto? Por que é que os líderes da União Europeia estão a resistir ao referendo e a recusar-se a estender, por alguns dias, o prazo de 30 de junho para o próximo pagamento da Grécia ao FMI? Não foi a Europa toda formada em cima da ideia da democracia?

Em janeiro, os cidadãos da Grécia votaram por um governo comprometido em acabar com a austeridade. Se o governo estivesse simplesmente a cumprir as suas promessas eleitorais, já teria rejeitado a proposta. Mas queria dar aos gregos uma hipótese para refletirem sobre esta questão, tão determinante para o bem-estar futuro do seu país.

Esta preocupação com a legitimidade popular é incompatível com a política da zona euro, que nunca foi um projeto muito democrático. A maioria dos seus governos não procurou aprovação do seu povo quando entregou a soberania monetária ao BCE. Quando a Suécia o fez, os suecos disseram não. Entenderam que o desemprego subiria se a política monetária do país fosse estabelecia por um banco central que incidisse única e exclusivamente sobre a inflação (e também que houvesse uma atenção insuficiente para com a estabilidade financeira). A economia sofreria, porque o modelo subjacente à zona euro se baseou em relações de poder desfavoráveis aos trabalhadores.

E, com certeza, o que estamos a ver agora, 16 anos após a zona euro ter institucionalizado essas relações, é a antítese da democracia: muitos líderes europeus querem ver o fim do governo de esquerda do primeiro-ministro Alexis Tsipras. Afinal de contas, é extremamente inconveniente ter na Grécia um governo que é tão contrário aos tipos de política que tanto fizeram para aumentar a desigualdade em muitos países avançados, e que é tão empenhado em reduzir o poder desenfreado da riqueza. Parecem acreditar que podem, eventualmente, derrubar o governo grego forçando-o a aceitar um acordo que viola o seu mandato.

É difícil aconselhar os gregos a como votar a 5 de julho. Nenhuma alternativa – aceitação ou rejeição dos termos da troika – vai ser fácil, e ambos carregam enormes riscos. Um voto sim significa depressão quase sem fim. Talvez um país empobrecido – que já vendeu todos os seus ativos e cujo povo jovem brilhante emigrou – poderá finalmente conseguir um perdão da dívida; talvez, depois de se ter transformado numa economia de rendimento médio, a Grécia poderá finalmente receber apoio do Banco Mundial. Tudo isto pode acontecer na próxima década, ou talvez na década seguinte.

Por contraste, um voto não abre, pelo menos, a possibilidade de a Grécia, com a sua forte tradição democrática, pegar no destino pelas suas próprias mãos. Os gregos poderão ganhar a oportunidade de moldar um futuro que, embora não tão próspero quanto o passado, é muito mais esperançoso que a inconcebível tortura do presente.

Eu sei como votaria.

Petrobras: Desinvestimento e desmobilização

Por Deyvid Bacelar | Via deyvidbacelar.com.br

Aldemir Bendine, atual presidente da Petrobras e responsável pela orientação mercadológica imprimida nas políticas da estatal.

O resultado disso deve ser a redução de emprego, renda e a desarticulação de vários setores da indústria nacional.

O término da última reunião do Conselho de Administração da Petrobrás determina um marco na trajetória da empresa e toda a categoria petroleira nas últimas décadas. Desde as grandes dificuldades vivenciadas no período governo tucano, como as tentativas recorrentes de privatização, a estatal vive provavelmente a maior ameaça de desintegração dos últimos 15 anos.

Após a fracassada estratégia do governo FHC de pulverização, fatiamento e abandono da Petrobrás, cuja finalidade era a sua privatização, o governo Lula formulou uma nova estratégia, reconstruindo-a. A empresa expandiu exponencialmente sua taxa de investimentos, descobriu as enormes reservas de petróleo e gás na camada do pré-sal brasileiro, reassumiu o papel de integração da cadeia de energia, ampliou sua atuação em novos setores de energia sustentável, assumiu uma posição de grande player internacional por meio da realização de investimentos em vários mercados internacionais e se tornou, nos últimos anos, o maior símbolo global de sucesso tecnológico e inovador, chegando a produzir 800 mil barris por dia em apenas 8 anos de descoberta do pré-sal. Na crise internacional de 2008, ao lado dos bancos públicos, realizou um papel central na política anti-cíclica elaborada pelo Governo Federal que impediu uma recessão ainda mais grave da economia brasileira naquele momento.

No entanto, apenas seis anos depois, a nova gestão retoma a fadada estratégia do governo tucano. O projeto de recuperação proposta pela nova gestão é nada mais, nada menos, que o retorno, talvez mais intenso, do projeto tucano de fatiamento, diminuição e pulverização da Petrobrás. A resposta para crise da Lava-Jato e do mal resultado observado em 2014 atende uma antiga demanda dos mercados de capitais, representados pelos acionistas minoritários da empresa e pelos segmentos conservadores da sociedade brasileira. A opção é desinvestir brutalmente, abrir mão de setores não lucrativos e reduzir fortemente a atuação em segmentos que não estejam envolvidos com a área de exploração e produção. A expectativa é que, com essa nova estratégia, a empresa retome a confiança dos mercados e recupere sua trajetória de lucro. Neste sentido, as primeiras linhas da divulgação do novo Plano de Negócios, a empresa apresenta como objetivos fundamentais “a desalavancagem da Companhia e a geração de valor para os acionistas”.

Por outro lado, ao tomar essas iniciativas de redução dos investimentos, a Petrobrás esta ignorando todos os impactos sociais em várias regiões do país e seu papel fundamental de impulsionadora de vários outros segmentos da indústria, na geração de emprego e renda para a sociedade brasileira. A escolha foi a retomada da credibilidade com o mercado, em contrapartida, estamos perdendo a Petrobrás que, quando atua, materializa um Estado Nacional forte e envolvido com as demandas sociais do Brasil.

Para que não pareça exagero, veja os montantes que a nossa Petrobrás pretende desmobilizar nos próximos anos: redução de cerca de 37% dos investimentos da empresa para os próximos cinco anos, o que significa US$76,2 bilhões; a projeção da produção de petróleo se reduziu de 4,2 milhões de barris/dia para 2,8 milhões em 2020. Além disso, a estatal apresentou um plano de desinvestimentos, ou seja, VENDA de ativos que envolve US$15,1 bilhões durante 2015/2016 e US$42,6 bilhões em 2017/2018.

Como se não bastasse a estratégia de investimento, o embate político-ideológico se tornou totalmente convergente aos interesse únicos e exclusivos do mercado. Todas as alternativas colocadas pela FUP para financiamento da empresa – desoneração tributária, tomada de recursos com pagamento de óleo – foram prontamente refutadas e ignoradas pela Diretoria da empresa. Além disso, a posição da Diretoria em relação à alteração da lei do pré-sal – proposta pela oposição tucana – é que seja inserida na lei o direito de recusa da Petrobrás em adquirir os 30% da exploração do campo do pré-sal, ou seja, a empresa também concorda que possa abrir da sua exploração em certas situações.

Em suma, o resultado da reunião do Conselho, foi que a estratégia de pulverização de áreas e descontinuidade de várias atividades, como petroquímica, distribuição e logística; a priorização de áreas altamente rentáveis impulsionando inclusive a venda de alguns negócios do E&P, inclusive no pré-sal. E, por fim, um forte afastamento do papel social da Petrobrás, tendo em vista a postura demonstrada pelos conselheiros sobre os interesses públicos e o papel social da Petrobrás, inclusive em confronto com os interesses do próprio petroleiro.

Para os trabalhadores, talvez seja o momento mais crítico observado desde a greve de 1995. É uma terrível coincidência que vinte anos após aquele momento, a categoria se depare, com uma nova tentativa de destruição da Petrobrás. Além das ameaças de uma redução ainda mais intensa dos empregos terceirizados, várias cidades e regiões, sofrem uma perspectiva de desarticulação das suas cadeias produtivas e dos setores de serviços. Assim como a empresa remontou à vinte anos atrás, é o momento da categoria petroleira ter a unidade e a força para evitar mais um retrocesso contra a maior empresa desse país.

Banco Asiático de Investimento em Infraestruturas é criado na China

Via Agência Lusa

Representantes de 50 países, entre os quais o Brasil, assinaram hoje (29) o acordo constitutivo do Banco Asiático de Investimento em Infraestruturas (BAII), a primeira instituição financeira internacional proposta pela China. A assinatura, que demorou cerca de 40 minutos, aconteceu em um dos salões do Grande Palácio do Povo, no centro de Pequim.

Um a um, por ordem alfabética, os representantes de cada país assinaram o acordo constitutivo do novo banco: a Austrália foi o primeiro e o Vietnã o último. Cinquenta e sete países de cinco continentes estão aprovados como membros fundadores do BAII, mas sete aguardam ainda a autorização interna, disse a imprensa oficial chinesa. O Brasil estava representado pelo seu embaixador na China, Valdemar Carneiro Leão.

O acordo terá ainda de ser ratificado pelos parlamentos dos países fundadores, mas até ao final do ano, o banco estará formalmente instituído, anunciou o ministro chinês das Finanças, Lou Jiwei. Depois da cerimônia, os chefes das delegações encontraram-se com o presidente chinês, Xi Jinping.

Visto inicialmente em Washington como um concorrente ao Banco Mundial e ao Fundo Monetário Internacional, duas instituições sediadas nos Estados Unidos e habitualmente lideradas por norte-americanos e europeus, o BAII acabou por suscitar a adesão de mais de 20 países fora da Ásia, da Austrália  à Alemanha. Das grandes economias mundiais, apenas os Estados Unidos e o Japão ficaram de fora.

O  novo banco terá sede em Pequim e deverá funcionar ainda este ano com um capital de US$ 100 bilhões, cerca de 30% dos quais assegurados pela China.

Proposto em outubro de 2013 pela China, o projeto de criação do BAII foi formalmente apresentado há nove meses em Pequim com o apoio de 22 países asiáticos, entre os quais a Índia, que é o segundo maior investidor.

Num artigo publicado na semana passada no jornal  China Daily, o ministro chinês das Finanças garantiu que o novo banco “adotará as boas práticas internacionais” e irá “operar de forma profissional, eficiente, transparente e limpa”.

Segundo estimativas citadas na imprensa chinesa, as necessidades da Ásia-Pacífico no domínio das infraestruturas ao longo da próxima década serão de aproximadamente US$ 8 bilhões.

Comissão europeia apresentará nova proposta à Grécia, que decreta feriado bancário

Via Jornal do Brasil

O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, fará nova propostas para tentar evitar a saída do país da zona do euro. A informação foi dada pelo comissário de Assuntos Econômicos e Financeiros da União Europeia, Pierre Moscovici, “Juncker vai indicar o caminho a seguir. Espero que todo mundo pegue a via do compromisso”, disse o comissário em entrevista concedida à emissora “RTL”.

O governo grego, no entanto, declarou que vai aguardar a resposta do referendo, que será realizado no dia 5 de julho, para tomar qualquer decisão.Está marcada para esta segunda-feira (29) manifestação popular a favor do “não”, ou seja, de o governo não aceitar as medidas de austeridade, com corte em benefícios para os gregos.

O Banco Central Europeu anunciou que vai manter o nível de empréstimos aos bancos gregos até terça-feira (30/6) prazo para o vencimento da parcela da dívida da Grécia.

Os bancos gregos ficarão fechados por seis dias a partir desta segunda-feira. No dia 5 de julho está marcado referendo para determinar se a população aceita as medidas impostas pelos credores para liberação de empréstimos para o país.

Os saques estão limitados a 60 euros por dia. Os turistas estrangeiros na Grécia e qualquer pessoa com um cartão de crédito emitido no exterior não serão afetados pelos controles impostos para sacar dinheiro nos caixas eletrônicos, anunciou o governo na madrugada desta segunda-feira (29/6)

Intitulada “Feriado Bancário de Curta Duração”, a ordem executiva especifica as medidas em vigor para o período de 28 de junho a 6 de julho para as entidades financeiras.

A origem dessas medidas extraordinárias, explica o governo, está na decisão do Eurogrupo de não ampliar o plano de ajuda à Grécia após 30 de junho.

A esquerda brasileira, a Petrobras e a questão nacional

Por Rennan Martins | Vila Velha, 26/06/2015

Há, em consideráveis setores da esquerda brasileira, uma incompreensão preocupante no que se refere a questão nacional e da soberania. Quando confrontados com a bandeira da Petrobras e da importância do controle estatal sobre o petróleo, reagem desconfiados, apontando o perigo de um suposto nacionalismo xenófobo e fascista. Seja por imaturidade ideológica ou falta de domínio teórico, o fato é que essa postura contribui decisivamente para a apatia frente ao duro ataque em curso que objetiva rapinar o pré-sal.

Pelas mesmas razões acima apontadas e por receio de serem confundidos com “defensores de corruptos”, essa esquerda apoia acriticamente a Operação Lava Jato. Não enxerga os fortes interesses geopolíticos nela atuantes e é complacente frente a sistemática violação ao Estado de Direito por parte do juiz Sergio Moro. Na esperança de finalmente fazer valer a lei para o empresariado corruptor e patrimonialista, não denunciam o viés político das investigações e vazamentos, esquecendo-se que a parcialidade por si já anula a possibilidade de fazer justiça. Assistem a destruição das bases produtivas nacionais sem qualquer sobressalto.

O nacionalismo por si não é reacionário e nem se associa automaticamente ao fascismo, tal interpretação é fruto de uma visão eurocêntrica e colonizada. No contexto da América Latina, historicamente submetida a forças primeiramente coloniais e depois imperiais, o nacionalismo ascendeu com caráter libertador e igualitário, de repúdio a dependência político-econômica frente a potências estrangeiras.

O verdadeiro nacionalismo reconhece a pluralidade e autonomia dos povos, e o direito deles de se desenvolver de forma independente, sob suas próprias instituições, sem a pretensão ocidental de impôr o Estado liberal como ideal de democracia. Os povos e nações precisam ter respeitados sua autodeterminação e a possibilidade de dispôr de seus recursos sem pressões imperiais que visem explorá-los. Uma nação de economia dependente e primária se vê forçada a ceder as exigências dos desenvolvidos, trata-se da eterna troca de toneladas de ouro por espelhinhos.

Hannah Arendt, em sua obra Origens do Totalitarismo, na parte II, segundo capítulo (O pensamento racial antes do racismo), denuncia como o nazifascismo perverteu a questão nacional de seus valores originais:

Embora seja óbvio que o racismo é a principal arma ideológica da política imperialista, ainda se crê na antiga e errada noção de que o racismo é uma espécie de exagerado nacionalismo. […]

O racismo deliberadamente irrompeu através de todas as fronteiras nacionais, definidas por padrões geográficos, linguísticos, tradicionais ou quaisquer outros, e negou a existência político-nacional como tal. […]

Historicamente falando, os racistas, embora assumissem posições aparentemente ultranacionalistas, foram piores patriotas que os representantes de todas as outras ideologias internacionais; foram os únicos que negaram o princípio sobre o qual se constroem as organizações nacionais de povos – princípio da igualdade e solidariedade de todos os povos, garantido pela ideia de humanidade.

O que o fascismo faz é instrumentalizar o sentimento nacional, que visa a soberania, autodeterminação e independência, para fins imperiais e de sujeição de outros povos ditos “inferiores”. Inflama-se o nacionalismo a tal ponto que este se contradiz, passando a admitir que outros Estados nacionais sejam dominados política e economicamente, acarretando, no limite, em episódios inumanos e genocidas.

Portanto, passou da hora da esquerda tupiniquim chegar ao entendimento de que sem soberania e desenvolvimento não podemos praticar a justiça social. Para construirmos um país democrático, plural e de bem-estar social, precisamos de um projeto nacional que nos forneça as condições materiais para tanto.

Como essa postura se traduz em prática na atual conjuntura política? Com a denúncia sistemática do ataque a Petrobras que visa usurpar o pré-sal e utilizar a Operação Lava Jato como instrumento para o retrocesso econômico brasileiro. O imperialismo existe e não está aí de brincadeira, não é por acaso que o Departamento de Justiça norte-americano está “colaborando” com as investigações as empreiteiras, e nem munido de boas intenções o fato do Banco Mundial ter selado acordo de “cooperação” com o Ministério Público Federal.

Grécia e credores seguem sem acordo

Via Deutsche Welle

A Grécia e seus credores internacionais continuam longe de um acordo nesta quinta-feira (25/06), a cinco dias de o país ter de honrar um compromisso de 1,6 bilhão de euros com o Fundo Monetário Internacional (FMI), apesar de uma maratona de reuniões emergenciais em Bruxelas.

“Não estamos fazendo o progresso necessário. Tenho até mesmo a impressão de que, em algumas áreas, estamos andando para trás”, declarou a chanceler federal alemã, Angela Merkel.

Sem acordo, os ministros das Finanças da zona do euro voltarão a se reunir nos próximos dias. “O Eurogrupo vai voltar [a se reunir], mas não hoje”, escreveu o ministro finlandês das Finanças, Alexander Stubb, no Twitter. Segundo fontes europeias, o Eurogrupo poderá se reunir novamente neste sábado.

O encontro desta quinta-feira começou às 13h30 (horário de Bruxelas) e foi suspenso cerca de duas horas depois. Um diplomata adiantou que a interrupção tinha por objetivo aguardar novidades do governo grego quanto às propostas que permitam desbloquear um acordo. No entanto, a interrupção foi curta, e os ministros voltaram a se reunir, mas apenas por pouco tempo. Depois, o encontro foi dado por encerrado.

Também em Bruxelas, o primeiro-ministro Alexis Tsipras e os credores internacionais da Grécia voltaram a se reunir nesta manhã para tentar chegar a um acordo sobre uma lista de reformas e medidas de austeridade para o país, mas não tiveram sucesso. Os pontos mais polêmicos continuam sendo as aposentadorias e o imposto sobre produtos e serviços.

O encontro teve início às 9h (horário local) e dele participaram, além de Tsipras, os presidentes da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, e do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, e o responsável pelo Mecanismo Europeu de Estabilidade, Klaus Regling.

Essas mesmas pessoas já haviam se reunido duas vezes nesta quarta-feira, sem que se tenha chegado a qualquer acordo sobre o pagamento de uma parcela de 7,2 bilhões de euros da ajuda externa à Grécia, até a próxima terça-feira, mesmo dia em que Atenas tem que pagar 1,6 bilhão de euros de empréstimos ao FMI.

O encontro dos ministros das Finanças tinha por objetivo abrir caminho para um acordo a ser selado durante a reunião seguinte, do Conselho Europeu, da qual participam os chefes de Estado e de governo da União Europeia (UE). Os temas centrais do encontro, iniciado no fim da tarde, são questões econômicas e imigração, mas a situação da Grécia é o pano de fundo.

No início da reunião, o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, afirmou que certamente ainda serão necessárias muitas horas para se alcançar um acordo com a Grécia, mas disse ter um “bom palpite” de que essa história terá “um final feliz”.

Nova comitiva de senadores terá agenda intensa na Venezuela

Via Agência Senado

Os senadores Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), Telmário Mota (PDT-RR), Lindbergh Farias (PT-RJ) e Roberto Requião (PMDB-PR) terão uma intensa agenda nesta quinta-feira (25). Eles compõem a comitiva externa do Senado que visita a Venezuela e viajaram ao país vizinho nesta quarta-feira (24), em um avião da Força Aérea Brasileira (FAB). O objetivo da visita, segundo Lindbergh, é conversar com representantes do governo e da oposição para entender a situação política atual da Venezuela. A comitiva também vai defender a democracia, com a realização de eleições livres e isentas.

Logo no início da manhã, a comitiva de senadores vai se reunir com o Comitê de Familiares Vítimas das Guarimbas – como são chamadas as ações de guerrilha na Venezuela. Está prevista para as 13h uma reunião com partidos de oposição. As legendas oposicionistas acusam o governo do presidente de Nicolás Maduro de tomar posições antidemocráticas e limitar a liberdade de imprensa. Logo depois, às 15h, os senadores vão se encontrar com representantes do Ministério Público e da Defensoria Pública.

Para as 17h, está prevista a última reunião oficial do dia. A comitiva vai se encontrar com o presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, e com a ministra de Relações Exteriores, Delcy Rodrigues. Ao fim do dia, os senadores retornam para o Brasil.

A constituição de uma comitiva para visitar a Venezuela foi aprovada pelo Plenário do Senado na semana passada. O requerimento pedia a verificação in loco da situação política, social e econômica da Venezuela. O presidente do Senado, Renan Calheiros, disse esperar que a comitiva tenha uma recepção civilizada. Segundo o presidente, a comitiva atual representa o Senado, assim como a comitiva anterior.

Esta é a segunda comissão de senadores que visita a Venezuela em duas semanas. Na quinta-feira passada (18), um grupo de senadores desembarcou no país vizinho com a intenção de conversar com presos políticos. No entanto, a van que conduzia os senadores foi parada por manifestantes. Depois do incidente, a comitiva enfrentou problemas no trânsito e teve de voltar ao aeroporto, sem cumprir a missão.

No retorno ao Brasil, os senadores criticaram a Venezuela e o governo brasileiro – que, segundo eles, não apoiou a comitiva de forma devida. O senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) chegou a dizer que os parlamentares brasileiros foram para uma “arapuca armada pelo governo venezuelano”, com a cumplicidade do governo brasileiro. Como reação, os senadores integrantes da comitiva anunciaram ações que visam a exclusão da Venezuela do Mercosul.

A senadora Ana Amélia (PP-RS) apresentou um voto de repúdio – que foi enviado à Venezuela, mesmo sem ter o apoio da maioria dos colegas. A constituição de outra comissão também foi motivo de discussão entre os senadores. Para Aécio Neves (PSDB-MG), a nova comitiva é “chapa branca”. Na visão de Lindbergh, porém, a comissão anterior teve um papel incendiário na Venezuela e atuou com um viés político, de olho na política interna do Brasil.

“Queremos ter uma posição equilibrada. A última coisa que queremos é que a Venezuela entre em uma guerra civil”, afirmou Lindbergh.