Arquivos da categoria: Internacional

Como transformar uma boa relação diplomática em corrupção

Por Patricia Faermann | Via Jornal GGN

Ao traduzir os relatórios do WikiLeaks, em que a Odebrecht e o ex-presidente Lula são citados, é possível constatar o real teor das informações.

Desde que a investigação de seu envolvimento com o esquema de corrupção da Petrobras teve início, a Odebrecht passou a ser alvo das buscas de outros países onde a empresa tem capital. Nos Estados Unidos, a empreiteira chegou a ser monitorada pela diplomacia, em 2007, 2008 e 2009, quando foram apontadas suspeitas de irregularidades em obras da empreiteira no exterior.

A informação foi divulgada pelo Estado de S. Paulo. De quatro casos usados de relatórios do WikiLeaks como exemplos, em apenas um aparece que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi importante para fechar acordo entre uma empresa angolana e a Odebrecht. Em outro, Lula é mencionado por ter apoiado a campanha de reeleição de Hugo Chavez, em evento de inauguração de obra da companhia na Venezuela. Sem alertar para as especificações, o lead da reportagem relaciona diretamente os possíveis esquemas de corrupção da companhia com uma suposta investida de Lula nas irregularidades.

“Telegramas confidenciais do Departamento de Estado norte-americano revelados pelo grupo WikiLeaks relatam ações da empresa brasileira e suas relações com governantes estrangeiros. Lula é citado em iniciativas para defender os interesses da Odebrecht no exterior”, publica o jornal.

Ao abrir o documento intitulado “A Productive Visit By Lula”, que em português significa “Uma visita produtiva de Lula”, é possível constatar o real teor das informações referentes à Angola.

Trata-se de um relatório da visita do ex-presidente ao país, nos dias 17 e 18 de outubro de 2007. O encontro resultou em sete acordos de assistência técnica, a duplicação para US$ 2,3 bilhões da linha de crédito do Brasil para a Angola e o anúncio de um acordo de negociação para construir uma usina de etanol com a produção de cana. “O ex-presidente aproveitou a visita para agradecer a Angola pelo apoio contínuo nos esforços do Brasil para obter um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU”, publicou o resumo do documento do WikiLeaks.

“Na frente da diplomacia, os dois países acordaram sobre discussões regulares e formais de questões bilaterais e reforço da cooperação entre as duas academias diplomáticas”, completa o documento.

No trecho do artigo que cita “biocombustíveis e geração alternativa” está o que o Estadão considerou uma participação de Lula nas irregularidades da Odebrecht. “Apesar de não ser um acordo de governo-governo, a visita de [Lula] Silva ajudou a concluir um acordo entre a brasileira gigante da construção Odebrecht, a estatal petrolífera angolana Sonangal, e Damer, uma empresa angolana até então desconhecida, a construir uma usina de biocombustível na província de Malange. Os planos incluem a construção de uma usina capaz de produzir não apenas etanol para exportação, mas a geração de 140 megawatts de eletricidade por ano através da queima do bagaço. O bagaço e o etanol serão produzidos a partir da cana, uma nova cultura para a região. O projeto deverá gerar 2.000 novos empregos”, é a citação.

O próprio jornal admite: “o papel de Lula não é colocado em questão” e afirma que a suspeita levantada pela diplomacia dos Estados Unidos refere-se, estritamente, à “parceria fechada pela Odebrecht”, que resultou em 40% de participação para a construtora brasileira, 20% para a Sonangol e os restantes 40% para a Damer. Nada mais é levantado.

Por fim, no comentário adicionado pelo redator do relatório, Francisco Fernandez, aponta-se os benefícios para os dois países das relações comerciais entre Brasil e Angola. “A Angola vê o Brasil como um parceiro natural, e muitos dos principais homens de negócios de Angola, incluindo membros do clã do Santos [presidente angolano], supostamente têm interesses comerciais substanciais no Brasil. As grandes construtoras brasileiras também estão se beneficiado do crescimento da construção na Angola. Devido à sua história compartilhada e a linguagem comum, a vontade desses laços comerciais só tendem a se aprofundar. Os brasileiros também enxergam investimento na infra-estrutura angolana, especialmente para vinculá-la para o resto da SADC, como um sábio investimento e uma entrada potencial para eles e para o resto do mercado da África do Sul”, diz o comentário.

O segundo documento em que Lula é citado é o apoio do ex-presidente à candidatura à reeleição de Hugo Chavez. O que teria “condenado” o ex-presidente, segundo o tratamento do jornal, é que a campanha pública ocorreu em evento de inauguração de uma ponte, construída pela Odebrecht e financiada pelo BNDES, na Venezuela.

No comentário, a embaixada americana comenta sobre as relações comerciais entre os dois países e restringe-se a dizer que o apoio de Lula a Chavez “poderia parecer um passo diplomático errado, mas realmente foi simplesmente um bom negócio”.

O que é questionado como suspeito no relatório é o valor da referida obra, que teria um custo 40% acima do orçamento. Também são apontadas irregularidades nos contratos, de que construções da Odebrecht no país latino ocorreram sem licitação.

“A relação entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a empreiteira Odebrecht e o governo da Venezuela também foi alvo de um exame por parte da diplomacia norte-americana”, assim o Estadão tratou o caso à suposta interferência do ex-presidente nas irregularidades. Para estender o ato ilegal ao legal, o jornal integra as duas ações – a negociação diplomática de Lula em obras de empresas brasileiras no exterior, com o suposto superfaturamento da Odebrecht nas construções -, como se uma fosse dependente da outra.

Casa Branca finaliza plano para fechar base militar de Guantánamo

Via Agência Lusa

A Casa Branca está “na fase final” de um plano para fechar a prisão militar da Baía de Guantánamo, em Cuba, onde os Estados Unidos mantêm suspeitos de terrorismo, anunciou hoje (22) o porta-voz presidencial, Josh Earnest.

“O governo está finalizando a elaboração de um plano que visa a fechar de forma responsável e segura a prisão de Guantánamo, para apresentá-lo ao Congresso”, disse o porta-voz em entrevista à imprensa.

Existem, atualmente, 116 detidos na prisão militar aberta há mais de 14 anos para encarcerar os suspeitos dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos.

O fechamento de Guantánamo é um interesse de segurança nacional e “uma prioridade para o presidente Barack Obama, que prometeu fechar a prisão quando chegou à Casa Branca, em janeiro de 2009”, disse Josh Earnest.

Mas a maioria republicana do Congresso continua conta o fechamento do campo de prisioneiros, tendo se esforçado para criar obstáculos legais para impedir a transferência de prisioneiros para os Estados Unidos ou para o exterior.

Tais entraves não bloquearam totalmente as libertações: 28 detidos deixaram a prisão em 2014 em direção ao Cazaquistão, Uruguai, à Geórgia e Eslováquia. “Fizemos muitos progressos. Passamos de 127 para 116 prisioneiros”, disse o porta-voz da Casa Branca. “Manter em funcionamento esta prisão não constitui uso eficaz dos impostos”.

A devolução do território de Guantánamo é uma das reivindicações de Havana para a normalização completa das relações diplomáticas entre os Estados Unidos e Cuba.

Banco de Desenvolvimento do Brics entra em funcionamento em Xangai

Via Opera Mundi

Instituição financiará cooperação entre os cinco países que concentram 41,4% da população mundial e totalizam mais de 25% do PIB do planeta.

O NBD (Novo Banco de Desenvolvimento), órgão financeiro multinacional criado pelos cinco membros do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), começou a operar nesta terça-feira (21/07) em Xangai, China.

Banco é inaugurado em Xangai: governo chinês espera que sede fortaleça cidade como centro financeiro mundial. EFE

Há cerca de duas semanas, os cinco líderes do bloco — Dilma Rousseff, Vladimir Putin, Narendra Modi, Xi Jinping e Jacob Zuma — formalizaram a criação da entidade, com um capital inicial de US$ 50 bilhões, durante a 7ª cúpula dos Brics, na cidade russa de Ufá.

Também conhecido como Banco dos Brics, o novo organismo foi elaborado como uma nova opção a outras instituições financeiras ao redor do mundo, como o FMI (Fundo Monetário Internacional) e o BM (Banco Mundial).

“Nosso objetivo não é desafiar o sistema existente, mas sim melhorar e complementar o sistema à nossa própria maneira”, explicou o primeiro presidente do NBD, o indiano Kundapur Vaman Kamath, segundo a Reuters.

Sediado na China e com escritório regional na África do Sul, o banco terá, a princípio, um presidente indiano, um diretor brasileiro e uma autoridade na Rússia.

Além do banco, foi elaborado um fundo de reservas no valor de US$ 100 bilhões. Destes, US$ 41 bi vieram de cofres chineses, já os governos brasileiro, indiano e russo colocarão US$ 18 bi — cada — e a África do Sul injetará US$ 5 bi.

A meta do NBD é financiar uma maior cooperação entre os cinco países, com projetos de infraestrutura e de desenvolvimento. Juntos, os Brics concentram 41,4% da população mundial e totalizam mais de 25% do PIB (Produto Interno Bruto) do planeta.

Mercosul busca um norte, e também um oeste

Por Victor Farinelli | Via Rede LatinAmérica

Cinco chefes de Estado cara a cara, sem a chilena Michelle Bachelet, que não quis ficar para ver o debate sobre o anseio boliviano de saída ao mar.

O encontro dos chanceleres, um dos eventos da última Cúpula do Mercosul, em Brasília. (foto: AFP)

Protegidos pelas paredes duras do Palácio do Itamaraty, e pela falta de entusiasmo da mídia corporativa com o evento, os presidentes protagonizaram mais uma Cúpula do Mercosul, onde Dilma pode presidir uma reunião sem sofrer as afrontas que ela se acostumou a receber no Brasil, por parte do Poder Legislativo e da imprensa, onde Evo Morales é convidado de honra, e não visto como um exótico presidente de um país insignificante, onde Cristina Kirchner é aplaudida de pé por seus colegas, em sua última participação, com o paraguaio Horacio Cartes se calando, constrangido, cada vez que Dilma e Nicolás Maduro reclamaram dos perigos de um novo golpe de Estado institucional na região.

Situações que dão a falsa impressão de que o Mercosul é um dos últimos refúgios dos líderes progressistas da região, uma instância onde eles podem dizer o que gostariam de dizer sempre, se o ambiente político do continente e as circunstâncias econômicas mundiais permitissem navegar em águas menos conturbadas, sem os questionamentos dos partidos da mídia e das forças de oposição cada vez mais raivosas.

O evento em si dá a oportunidade de que as frases e os gestos sejam bonitos, mas não efetivos. A proposta de inclusão da Bolívia é um grande passo para uma área que somente há poucos anos entendeu que não pode estar restrito ao Cone Sul se quiser ter maior relevância. Na década passada, porém, a absorção dos demais países do continente ficou restrita ao espaço de observadores, seja por falta de interesse dos mesmos em se envolver mais – como nos casos de Chile e Colômbia – ou porque os mecanismos para a adesão de novos participantes são mais burocráticos, por exemplo, que no caso da Aliança do Pacífico.

O Mercosul foi criado nos Anos 90, impulsado por um dos presidentes que simbolizou a avançada neoliberal e o sucateamento estatal no Cone Sul, o argentino Carlos Menem (1989-1999). Logo, também foi desenhado com um protocolo que visa evitar que grandes mudanças aconteçam de forma mais ágil. Por isso, o processo de inclusão de novos membros é extremamente lento, ainda mais quando se trata de uma Bolívia, como foi no caso da Venezuela, que demorou quase dez anos em conseguir a aprovação no Congresso do Brasil e do Paraguai – sempre os mais resistentes, tanto que são os únicos que ainda não aprovaram definitivamente a adesão boliviana.

Maduro já avisou Morales que a demora para a aprovar a adesão da Bolívia será longa. (foto: AFP)

Resistência essa pautada pela mídia conservadora, que exige a devida burocracia para as mudanças no Mercosul enquanto aplaude a Aliança do Pacífico por sua capacidade de tomar e implantar decisões rapidamente – como no processo de adesão da Costa Rica como membro pleno e do Panamá como observador.

A falta de maior integração com o continente deveria ser o principal objetivo, fortalecendo as relações comerciais dentro da região e as iniciativas como o Banco do Sul. Nesse sentido, o debate de uma saída ao mar para a Bolívia – tema mais adequado aos espaços políticos, como a Unasul –, que afugentou um Chile disposto a se aproximar mais do bloco, segundo vinha insinuando sua presidenta Michelle Bachelet, pode ter sido um passo para trás.

De qualquer forma, é difícil pensar no fortalecer o Mercosul quando os três países mais economicamente relevantes do bloco (Brasil, Argentina e Venezuela) enfrentam crises políticas internas com efeitos na economia.

O Mercosul precisa, primeiro, que esse eixo recupere certa estabilidade, que seus governos parem de somente reagir às agendas das oposições e tomem medidas, tanto para resolver seus problemas internos quanto para ter a tranquilidade necessária para dedicar algo de atenção aos desafios do bloco.

Depois, é preciso ampliar os horizontes. O Brasil começou, no governo de Lula da Silva, a diversificar suas relações diplomáticas, visando diversificar também suas relações comerciais. Porém, essa postura surgiu quando havia – e ainda há – obstáculos geográficos para uma política externa e um mercado que não tenham olhos somente para os Estados Unidos e a Europa. O mesmo acontece com Argentina e Venezuela, que incrementaram sua relação comercial com a China, mas continuam de costas para o Oceano Pacífico.

O Mercosul precisa de um novo norte, e esse norte pode ser o sul, como diz o lema do organismo, mas tem que ser um sul mais amplo, um sul com oeste e não só com leste, como o atual. Também precisa de uma liderança regional capaz de apostar e trabalhar por ele.

Telesur: 10 anos de jornalismo pela integração

Por Beto Almeida | Brasília, 20/07/2015

A Telesur – tv latino-americana, fruto da visão estratégica de Hugo Chávez, com o apoio de outros países – completa 10 anos de jornalismo transformador e de integração dos povos no dia 24 de julho, simbólica data do natalício de Simon Bolivar! Estruturar, manter no ar, qualificar e expandir a programação e o alcance, são vitórias da Revolução Bolivariana e do processo de integração da América Latina, levando ao mundo uma mensagem de que sim é possível fazer um jornalismo que não seja prisioneiro da ditadura de mercado, do consumismo ou da ideologia guerreira que o imperialismo impõe aos meios de comunicação no mundo.

Telesur segue colocando em prática a recomendação de Chávez de ser uma ferramenta de “enamoramento dos povos’, pelo tratamento noticioso solidário, democrático, revolucionário na forma e no conteúdo. Foi a única emissora a cobrir com independência e denunciar, a sanguinária agressão imperialista contra a Líbia, por exemplo, país que tinha os melhores indicadores sociais da África e que agora vive uma degradante tragédia social. Nestes 10 anos, foi a Telesur que ofereceu informação veraz sobre a Causa Palestina, sobre o golpe imperial na Ucrânia, sobre os processos de lutas dos excluídos em todos os lados, sobre as eleições e as conquistas de governo populares na Celac, fenômenos sistematicamente distorcidos pela mídia do capital.

Agora que o Mercosul se amplia e se fortalece com o ingresso da Bolívia, e que a integração econômica, produtiva, social, educacional, sanitária expande-se por vários países da região, e que a Telesur expande seu alcance, já transmitindo também em inglês, é muito importante que as forças progressistas priorizem a recomendação aprovada na Reunião do Mercosul Social para que todos os países do bloco transmitam a emissora bolivariana. Ou seja, um recado direto para o Brasil, onde um Convênio entre Telesur e TV Brasil, já existente, continua engavetado há anos, ficando os brasileiros privados de terem uma informação diversificada, humanizadora e profissional sobre o mundo, ao mesmo tempo em que fica descumprida diretriz constitucional que prega ser a integração latino-americana um objetivo da República do Brasil.

A trágica humilhação grega é um remake do Tratado de Versalhes

Por Paulo Santos | Via Correio da Cidadania

A Alemanha propôs aos gregos a criação de um fundo que arrecadará os valores provenientes das privatizações, estimadas em 50 bilhões de euros. Estes recursos serão utilizados para amortizar (pagar) a dívida grega, mas nenhum destes recursos será reinvestido na Grécia!

De imediato, mais 12 bilhões serão liberados para que os gregos paguem as parcelas em atraso dos empréstimos que venceram no final de junho e as que vencerão no final de julho. Outros 10 bilhões serão injetados nos bancos gregos para que os saques bancários sejam “normalizados”.

Um pacote de 82 bilhões de euros deverá ser negociado com os gregos após eles aprovarem o pacote de aumento de impostos e privatizações exigido pela Troika (Comissão Europeia, FMI e BCE). Além disso, será definida uma carência (suspensão temporária) dos pagamentos e aumento nos prazos de vencimento da dívida pública grega.

Na prática, os europeus, até agora, somente retirarão recursos da Grécia, pois os empréstimos, com exceção da injeção de moeda nos bancos, são todos operações meramente contábeis, não havendo entrada de recursos reais.

Para gerar os recursos demandados pela UE, os gregos precisam crescer, para crescerem precisam investir na economia, e, até agora, nenhum item do acordo garante estes investimentos.

O fundo proposto pelos alemães, provavelmente, lembrará o fundo Treuhand, criado no período da unificação alemã para privatizar as empresas públicas da Alemanha Oriental, o que resultou num dos processos mais fraudulentos de privataria, que encheu de dinheiro sujo o bolso do então chanceler alemão, Helmuk Kohl.

É isso que acordaram com a Grécia? Respeito muito e admiro Alexis Tsipras por ter sofrido e aguentado tanta humilhação nos últimos dias, mas acho que Yanis Varoufakis estava certo, o que negociaram ontem com os gregos foi um novo (e provavelmente fracassado) Tratado de Versalhes!

A Alemanha tentará destruir a Europa por uma terceira vez?

Porque a Globo destila ódio contra a Petrobrás

Por Emanuel Cancella | Via APN

O ódio das Organizações Globo à Petrobrás é tão grande que a empresa teve que veicular matéria paga quando recebeu o prêmio equivalente ao “Nobel” da indústria do petróleo, pela terceira vez, em 2015. No entanto, a estatal tem sido manchete diária na rádio, TV e jornal da família Marinho, quando as notícias servem para detonar a sua imagem.

A campanha sistemática contra a Petrobrás já confere à Globo o título de inimiga número 1 da empresa. Resta entender os motivos. Seria por conta da corrupção?

É pouco provável. O “portfólio” da Globo não recomenda. A emissora estaria envolvida em vários escândalos de corrupção. Gente ligada à Globo,Veja, Band e à Folha de São Paulo é citada nas contas do HSBC, na Suíça, em investigação sobre lavagem de dinheiro e sonegação fiscal.

A TV Globo também está sendo investigada como suspeita de sonegação do Imposto de Renda, na Copa do Mundo de 2002.

A rede dos Marinho estaria ligada à corrupção da Fifa. A Globo monopoliza transmissões esportivas há décadas. Um de seus sócios na TV TEM, em São Paulo, José Hawilla, já fez a “mea culpa” e devolveu à justiça US$ 151 milhões. Mas a poderosa rede de comunicação continua ilesa e ainda tem a cara de pau de fazer acusações a terceiros, no escândalo da Federação de Internacional de Futebol.

Essa, aliás, é uma diferença crucial entre os atos de corrupção que envolvem o nome da Petrobrás e da Globo. Enquanto os desvios na estatal estão sendo investigados e noticiados dia a dia, há mais de um ano; enquanto quatro diretores corruptos da companhia já estão na cadeia, gerentes estão sendo investigados e parte do dinheiro roubado está voltando aos cofres da empresa; os crimes da Globo continuam impunes.

Se a razão de tanto ódio não está centrada nos atos de corrupção, seriam razões políticas e econômicas?

A Globo sempre fez campanha aberta pela privatização da Petrobrás. Nos governos Collor-FHC a estatal era comparada a um paquiderme e seus trabalhadores chamados de marajás.

Nas privatizações dos governos Collor-FHC, com a cumplicidade da mídia, estatais eram vendidas a preço de banana. As tarifas dos serviços eram propositalmente congeladas, com o objetivo de onerar as estatais, reduzir seu valor de mercado, criando facilidades para os compradores, em geral empresas estrangeiras multinacionais.

O Sistema Petrobrás foi fragilizado pelas políticas neoliberais, mas suportou a pressão. Em 2006, a companhia deu a volta por cima. Anunciou as riquezas do pré-sal, considerada a maior descoberta petrolífera da atualidade, o que só foi possível graças à dedicação dos trabalhadores petroleiros que desenvolveram tecnologia inédita no mundo.

Acostumada a vencer desafios, a Petrobrás atravessou um período de grande crescimento. Basta dizer que, em 2003, valia R$ 15,4 bilhões no mercado. Em 2014, passou a valer R$ 214 bilhões. Portanto, houve um crescimento de mais de 300 por cento no período Lula-Dilma. Por que será a Globo omite essa informação dos seus leitores, ouvintes e telespectadores?

Estariam o PSDB e a grande mídia, Organizações Globo à frente, nessa campanha descarada para desqualificar a Petrobrás, empenhados em derrubar as ações da empresa para vendê-las mais barato? Forçar a venda de ativos, achatando seu valor de mercado?

Continua a pergunta, sem resposta. Mas por que logo a Petrobrás? Trata-se da maior empresa do país, responsável por 17% do PIB, empregadora de cerca de 400 mil trabalhadores. Financiadora maior das principais obras em andamento no país (PAC), através de seus impostos. A empresa é estratégica. Há 62 anos assegura o abastecimento de combustível em todas as regiões do país.

Ora, por que tanto ódio? Quem sabe porque a Globo seja ligada ao Grupo Time Life, americano. Quem sabe o grau dos compromissos assumidos pelo senador José Serra (PSDB) com a petrolífera Chevron, americana, para além do que já foi divulgado pela Wikileaks? Quem sabe…

Existem tantos mistérios a serem desvendados nesse obsessivo ódio da Globo/PSDB à Petrobrás quanto são enormes os desafios que a empresa brasileira ainda tem pela frente, para superar mais essa onda de ataques.

***

Emanuel Cancella é coordenador do Sindicato dos Petroleiros do Estado do Rio de Janeiro e da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP).