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“Despovoamento estratégico” da Síria, causa provável da crise dos refugiados na UE, diz Assange

Via ODiario.info

A informação não é nova nem é surpreendente. Mas é útil juntá-la ao infindável rol dos crimes do imperialismo, para cujas ambições nenhuma tragédia humanitária é suficientemente grande.

A inundação da Europa por incontáveis vagas de refugiados pode ser o resultado do “despovoamento estratégico” da Síria levado a cabo pelos opositores ao governo do país, sugeriu o fundador de WikiLeaks.

A organização WikiLeaks, que se empenha na transparência, descortinou analisando mensagens diplomáticas «uma especulação interessante acerca do movimento de refugiados», disse Assange em entrevista a um sítio web de notícias grego, ThePressProject.

«Assim, a especulação era esta: opositores de um país empenhar-se-iam em certos momentos no despovoamento estratégico, com vista a reduzir a capacidade de combate de um governo», explicou.

O homem que tem estado associado a tantas revelações sublinhou que «quem está a fugir da Síria é predominantemente a classe média» tendo em conta que possuem «habilitações linguísticas, dinheiro, alguns relacionamentos». Engenheiros, gestores e funcionários públicos são «precisamente as classes que são necessárias para manter o governo em funcionamento», disse.

A gente síria é encorajada a fugir do seu país «pela Alemanha, dizendo que aceitará muitos, muitos refugiados, e pela Turquia, acolhendo perto de três milhões de refugiados, e dessa forma enfraquecendo de forma significativa o governo sírio», sublinhou Assange.

A Síria não é caso único na história recente na utilização da migração como arma; no decurso da guerra do Iraque a Suécia, segundo mensagens reveladas, informou os EUA de que «a aceitação de refugiados iraquianos fazia parte do seu contributo.»

O fundador de WikiLeaks disse que é uma «desgraça» que os EUA recusem acolher refugiados sírios, porque é Washington quem deveria ser responsabilizado pelas centenas de milhares de pessoas que chegam à Europa e que estão a fazer com que estados europeus fechem fronteiras entre si.
«A situação surge em resultado das políticas dos EUA, Grã-Bretanha e França no Médio Oriente, juntamente com o comportamento dos seus aliados regionais no Médio Oriente – Qatar, Turquia, Jordânia e Israel … e Arábia Saudita», disse.

Os documentos interceptados, já publicados por WikiLeaks, revelaram que os EUA vêm conspirando para derrubar o governo sírio desde 2006, assinalou Assange.
«Tentaram tornar ‘paranóico’ o governo sírio, procurando que reagisse de forma desproporcionada ao clima criado de medo e paranóia; procurando que estivesse sempre temendo golpes; procurando agudizar tensões sectárias entre sunitas e shiitas…procurando deter o investimento estrangeiro na Síria e financiando secretamente também uma diversidade de ONG’s instaladas na Síria para provocar confusão, utilizando os sauditas e o Egipto para ajudar em tudo isto,» disse.

Entretanto, quaisquer tentativas de Assad de combater o terrorismo e a expansão do Estado Islâmico era apresentadas como sinais de fraqueza e «exemplos de como o governo sírio não dispunha de efectivo controlo sobre o seu território, a fim de encorajar o derrube do governo», acrescentou.
Assange sublinhou que o povo americano nada tem a ganhar com o conflito sírio, e que apenas «as facções privadas que o impulsionaram» pode acreditar que iram ter algum benefício final.

«A CIA, evidentemente, sabe que beneficia dele. Criam um problema e depois recebem um orçamento acrescido para resolver o problema. E acontece da mesma forma com os que recebem contratos, os negociantes de armamento e os fabricantes de armas. Se não existe problema os seus orçamentos reduzem-se. Portanto, criam problemas,» explicou Assange.

Com a ingerência na Síria, Washington visou também «uma estratégia de largo alcance para enfraquecer o Hezbollah, para permitir a Israel um ainda maior controlo dos Montes Golan, e talvez também uma zona tampão; para derrubar a Síria, aliado regional do Irão; para eliminar a última base russa que resta fora da antiga União Soviética, em Tartus; para criar um percurso para um gasoduto cujo trajecto proposto vem do Qatar para a Arábia Saudita e daí através da Síria em direcção à Europa, e que irá competir com o gás russo», acrescentou Assange.

A interferência dos EUA na Síria provocou que esta se afundasse desde 2011num conflito sangrento. Mais de 220 000 pessoas foram mortas, segundo estimativas da ONU. As forças governamentais têm combatido no decurso do conflito diversos grupos armados, incluindo a chamada “oposição moderada” apoiada pelo ocidente, e os grupos terroristas Jabhat al-Nusra e o jihadista ISIL.

Em finais de Setembro a Rússia iniciou, a pedido do Presidente Bashar Assad, acções de bombardeamento aéreo contra os terroristas na Síria, permitindo às forças governamentais desencadear uma ofensiva de larga escala, e indiciando um ponto de viragem no conflito.

BRICS assinam declaração sobre cooperação científica

Via Sputnik Brasil

© Sputnik/ Grigory Sysoev

Os ministros da Ciência, Tecnologia e Inovação dos países-membros do grupo BRICS assinaram uma declaração de cooperação que visa fomentar projetos conjuntos multilaterais de pesquisa científica.

“A criação do conteúdo do nosso documento estratégico principal, a Declaração, assinala uma nova etapa no desenvolvimento das nossas relações na área da ciência e tecnologia. São passos importantes no caminho da formação de um espaço científico-tecnológico comum”, frisou a vice-ministra da Educação e Ciência da Rússia, Lyudmila Ogorodova.

A declaração adotada é o resultado principal do encontro dos ministros da Ciência, Tecnologia e Inovação dos BRICS, celebrado nesta quarta-feira (28) em Moscou.

Rede

Às margens do encontro, o ministro da Educação e Ciência russo, Dmitry Livanov, fez outras afirmações de interesse.

Uma delas se refere à Rede Universitária dos BRICS, projeto comum cuja ideia foi proposta há duas semanas pelo reitor da Universidade de Relações Internacionais de Moscou (MGIMO), Anatoly Torkunov. A estimativa é que este projeto seja realizado em forma de uma infraestrutura internacional que irá facilitar o intercâmbio científico e a mobilidade acadêmica entre os BRICS.

Segundo Livanov, a Rede Universitária dos BRICS começará a funcionar em 2016.

 

“Desde o próximo ano letivo, uma estrutura em rede já estará funcionando, e muitos dos alunos, inclusive os russos, terão a possibilidade de cursar uma parte do seu ensino nas melhores universidades dos nossos parceiros dos BRICS”, disse o ministro russo.

Megainstalações

Além disso, o ministro russo afirmou que a Rússia está já implantando cinco megainstalações científicas no seu território. Fez esta declaração depois do encontro dos ministros, no fórum Inovações Abertas.

Megainstalações são projetos de pesquisa científica internacional que exigem a participação de diversos países, devido à envergadura dos projetos concretos.

“Hoje, nós temos a possibilidade única de unificar os recursos da Federação da Rússia e de outros países que integram os BRICS, para a criação dessas e de outras grandes estruturas de pesquisa que permitirão aos nossos países manter-se na liderança nas áreas científicas correspondentes”, ressaltou.

Fórum Inovações Abertas. © SPUTNIK/ GRIGORY SYSOEV

Em 2013, 15 universidades russas assinaram um convênio sobre a parceria em projetos semelhantes.

O ministro sugeriu ainda a criação de um organismo único que iria regular as atividades no âmbito da megaciência nos BRICS.

O encontro ministerial fecha a Cúpula Global das Universidades dos BRICS, que começou na segunda-feira (26).

A brasileirização das eleições na Argentina

Por Victor Farinelli | Via Carta Capital

Quem acompanhou a apuração dos resultados do primeiro turno da Argentina tendo vivido o que aconteceu nas eleições brasileiras do ano passado deve ter sentido aquele clássico déjà vu: um candidato governista que as pesquisas diziam que lutava por uma vitória no primeiro turno, e apesar de ser apoiado por um presidente muito popular, termina obtendo uma magra e decepcionante vitória, contra um opositor de direita flertando com consignas de esquerda e alcançando uma derrota com sabor de vitória, já que começa a corrida pelo segundo como claro favorito.

Daniel Scioli e Dilma Rousseff, em encontro na semana passada, em Brasília. (foto: Presidência da República)

O primeiro personagem pode ser tanto Dilma Rousseff quanto o peronista Daniel Scioli – o candidato governista nas eleições argentinas, que teve 36,8% dos votos no último domingo. O opositor, em um dos casos, é Aécio Neves, no outro, é o neoliberal Mauricio Macri – 34,3% dos votos. Talvez o desfecho dessas histórias seja diferente, ou nem tanto, e as próximas semanas dirão o que vai acontecer nesses países onde a política e o futebol estão em grave crise. O fato é que, lá e cá, o enredo é o mesmo.

Claro que essa brasileirização eleitoral argentina tem a ver com uma comparação de detalhes mais recentes, mas numa visão mais ampla, podemos constatar que o resultado deste domingo não pode ser lido como um fato isolado do resto do continente. Além de Brasil e Argentina, podemos citar a Venezuela, que viveu algo semelhante em 2013, quando Maduro sofreu mais do que se esperava contra Henrique Capriles, e no Equador, onde a direita obteve vitórias em eleições municipais do ano passado, só para ficar em dois exemplos. O fenômeno é o mesmo em todos esses países: um projeto que chegou ao poder há mais de dez anos e agora enfrenta os primeiros sinais de fadiga eleitoral.

Esses projetos também têm em comum o fato de nascerem como uma resposta da cidadania aos efeitos da longa noite neoliberal, e que conseguiram dar os primeiros passos na direção de um Estado de bem-estar, começando com uma melhor distribuição da riqueza. Talvez por isso, seus defensores mais fervorosos acreditaram que bastaria a eterna gratidão daqueles que saíram da miséria ou do desemprego graças às políticas públicas para mantê-los no poder.

Isso pode convencer como teoria em alguns meios, mas na rua não funciona assim. A cidadania quer mais, e principalmente mais direitos. O discurso de “não podemos perder as conquistas já alcançadas” pode funcionar numa eleição, mas na segunda ele já é um problema. A eleição de 2014 mostrou isso, e isso somado às medidas do segundo mandato de Dilma, com retrocesso em alguns direitos trabalhistas e financiamentos para projetos sociais explicam porque nem mesmo os que votaram nela se animam a defendê-la.

O que aconteceu na Argentina neste primeiro turno passa um pouco por esses fatores. O governo efetivamente desfruta uma boa aceitação entre as camadas populares, as que melhoraram de vida graças às políticas sociais. Essa população é capaz de eleger um presidente na Argentina, mas ela não vota apenas com a gratidão daquilo que já foi feito.

Agora, elas querem comida, diversão e arte. Esperaram a candidatura governista entregar sua proposta, e não viram nada. A campanha de Scioli foi toda ela trabalhada na defesa do projeto kirchnerista, esperando um voto de gratidão. E esse voto veio, e foi suficiente para uma vitória no primeiro turno, apesar de não apresentar nenhuma proposta nova claramente direcionada àquele público que tradicionalmente garante as vitórias da centro-esquerda – pelo menos desde 2003.

A falta de conteúdo político das campanhas é outro fator que une Daniel Scioli e Dilma Rousseff. Uma estratégia que talvez era mesmo a mais adequada em outros tempos, mas que vem se mostrando cada vez mais obsoleta, conforme o mundo em si vai se tornando mais polarizado, e as pessoas não querem mais políticos que tenham opiniões genéricas sobre temas cruciais.

Lula da Silva e Cristina Kirchner: dois projetos com grandes eleitorados cativos, que agora enfrentam o desafio de continuar cativando. (foto: Telam)

Falando mais claramente, todo mundo sabe que existe uma crise, podem não saber se a crise é nacional ou mundial, e talvez nem se interessem por isso, ou sobre qual é a responsabilidade do governo nesse quadro. O que elas querem saber é qual é a postura do governo diante dessa crise, que tipo de prioridade vai dar aos interesses, aos direitos e às necessidades dos trabalhadores.

Um dos segredos da popularidade de Lula foi saber dar essa resposta ao seu público cativo em 2008, quando ele afirmou que a crise seria uma marolinha, engoliu um caminhão de críticas arrogantes da dobradinha entre a mídia e a oposição, se manteve firme com sua política e provou que tinha razão. Grande parte da vitória de Dilma em 2010 foi graças a esse sucesso.

Aquele Lula governou numa época em que talvez a despolitização fosse mais efetiva eleitoralmente que hoje. Mesmo assim, na hora do aperto, ele sabia que precisava ser claro nas prioridades que daria a cada público.

Daniel Scioli talvez tenha entendido isso tarde demais, e tampouco entendeu que o eleitorado sabe que ele, dentro do projeto governista atual, representa mais o peronismo – que poderia ser comparado no Brasil com o PMDB, guardadas certas proporções – que o kirchnerismo, esse sim mais identificado com os programas sociais. Durante o primeiro turno, o peronista não apresentou grandes propostas novas, se omitiu em diversos temas, não foi a nenhum debate e tentou ignorar a acusação dos candidatos à sua esquerda, de que sua candidatura escondia um projeto de ajustes econômicos iguais aos de Dilma no Brasil.

Minutos antes da revelação dos resultados das urnas, Scioli fez um discurso estranho, com tudo aquilo que o eleitorado cativo do kirchnerismo esperava dele durante a campanha: falou em reforçar os direitos adquiridos, mas sem ideias mais claras a esse respeito, e apostou de novo no voto de gratidão, afirmando que a oposição representa a perda desses direitos. Finalmente, assegurou que seu projeto não contém um ajuste sobre os benefícios dos trabalhadores, e que o segundo turno será baseado nesse debate, entre um projeto com ajuste e outro sem ajuste.

Um discurso de quem sentiu o baque das urnas e que sabe que remar dos 36% até os 51% necessários no dia 22 de novembro vai ser difícil, ainda mais quando o opositor tem mais possibilidades de absorver apoios dos candidatos que ficaram pelo caminho.

Por sua parte, Mauricio Macri mostra como esse discurso genérico é muito mais adequado à direita que à esquerda. Depois de flertar com o estatismo, o candidato neoconservador passou a dividir o seu discurso em duas partes: o da segurança e do combate ao narcotráfico, e o da erradicação da miséria no país. Esse segundo ponto é mais polêmico, já que Macri não explica como pretende fazer isso, dá a entender que continuará com os programas sociais do governo, mas tampouco garante que assim será.

Ainda assim, a simples intenção do discurso consegue ser mais efetiva que a falta de conteúdo mostrada por seu adversário até agora. Prova disso é que conseguiu boas votações nos distritos mais pobres da Argentina: onde os Kirchner venciam antes com quase a metade, ou mais da metade dos votos, Scioli quando muito obteve 40%, e ele passou dos 30%. Também por isso, suas primeiras declarações visando o segundo turno foram apontando nessa direção, reforçando a ideia do combate à miséria, mesmo que ainda sem propostas claras. Também é bom lembrar que Macri já se vacinou para um possível resultado apertado no segundo turno, e vem acusando à possibilidade de fraude eleitoral desde agosto – sem nenhuma prova –, dando a entender que não reconhecerá os resultados se eles favorecem a Scioli, o que levaria a Argentina a uma guerra política pós-eleitoral semelhante a que existe hoje no Brasil.

Enquanto isso, Scioli corre duas vezes contra o tempo, para recuperar o que perdeu no primeiro turno, e para tentar levar o cenário eleitoral a um quadro do passado, quando era mais fácil segurar o voto cativo ao projeto de governo que ele representa.

Na verdade, esses projetos nunca perderam esse eleitorado cativo. Em entrevista recente, Ciro Gomes afirmou que basta Dilma estalar os dedos e voltar sua política econômica para a defesa da condição socioeconômica da classe trabalhadora que votou por ela para recuperar grande parte de sua popularidade. Algo nesse sentido pode ser dito sobre Scioli, com o agravante de que ele precisa de resultados efetivos em quatro semanas, e para isso precisa de ofertas novas e melhores. Só assim poderão, Dilma e Scioli, vencer o desafio de continuar cativando.

Da necessidade de superar o atual modelo político e econômico

Por Adriano Benayon

O problema não é apenas essa contradição dos governos petistas tentando aplicar, ao mesmo tempo, as políticas monetárias, inclusive juros estupidamente (em todos os sentidos) altos, e fiscais de que os reacionários e entreguistas gostam [como você sabe, evito essa terminologia de esquerda e direita, neoliberais etc.], juntamente com algumas políticas sociais distributivistas ou propiciadoras de maior igualdade de oportunidades.

A questão, para começar, é que a aplicação conjunta dessas políticas é geradora de crises recorrentes e cada vez mais graves, inclusive porque os efeitos acumulados dessas políticas geram desequilíbrios cada vez maiores, agravados por defeitos estruturais do “modelo brasileiro”, caracterizado pela desnacionalização e dependência financeira e tecnológica, tudo isso conducente à desindustrialização, ou melhor, reprimarização, e ao desemprego.

Devo assinalar também que, mesmo excluindo as políticas sociais, a simples combinação dos defeitos estruturais do modelo com a política macroeconômica imposta pelo sistema financeiro (independentemente de o governo ser petista ou peessedebista) é suficiente para gerar recorrentemente crises cada vez mais graves, enquanto a estrutura econômica e social se deteriora aceleradamente durante todo esse processo (durante as crises e entre uma e outra).

Aduzo que, mesmo que se adotassem ou tentassem adotar princípios recomendados por Keynes, Minski, Kalecki, ou lá quem seja – e nesse ponto estou de acordo com a arguta colega Ceci Juruá -, não se chegaria a lugar algum tolerável, dada a estrutura de produção concentrada e desnacionalizada presentes, sem falar nas avacalhadas infra-estruturas da economia física e da social, as quais também não são reformáveis no quadro da atual estrutura de poder.

O império angloamericano conseguiu, através de seus asseclas locais, ao longo destes 60 e poucos anos, desestruturar a economia e até os fatores de produção, não só desocupando-os, como abaixando o nível cultural, educacional etc.

Estou fazendo uma comparação: o império conseguiu aqui resultado não tão diferente do que obteve no Iraque, Líbia etc., por meio de bombas de urânio pobre. É a devastação sem necessidade de bombas, drones e mísseis, tendo por instrumento a política econômica, apoiada em leis básicas e outras voltadas para esse objetivo.

Eis por que penso que temos de nos preparar para discutir o projeto para o Brasil com base em dados que escapem às falsas alternativas colocadas pelo sistema político e partidário presentes, mesmo porque esses sistemas estão sob controle dos concentradores imperiais e prepostos locais.

Conselho da Petrobras aprova venda de 49% das ações da Gaspetro

Por Nielmar de Oliveira | Via Agência Brasil

O Conselho de Administração da Petrobras aprovou ontem (23) a venda de 49% das ações da Petrobras Gás (Gaspetro) para a Mitsui Gás e Energia do Brasil.

Segundo a estatal, o valor total da transação é R$ 1,9 bilhão, que representa o montante no momento do fechamento da operação, previsto para dezembro de 2015.

A Mitsui Gás e Energia do Brasil Ltda. é uma subsidiária integral da japonesa Mitsui & Co. e já tem participação societária em oito companhias estaduais de distribuição de gás natural no Brasil. Segundo a Petrobras, a operação, realizada através de processo competitivo, faz parte do Programa de Desinvestimentos previsto no Plano de Negócios e Gestão 2015-2019.

A empresa esclarece, ainda, que a conclusão da transação está sujeita a “determinadas condições precedentes usuais, incluindo a aprovação pelos órgãos competentes”.

Na mesma reunião, o Conselho de Administração aprovou o adiamento por prazo indeterminado do processo de registro de companhia aberta e de registro da oferta pública de ações da sua subsidiária integral Petrobras Distribuidora (BR). Esses processos haviam sido autorizados pelo Conselho de Administração da companhia em reunião realizada em 6 de agosto de 2015. O conselho também autorizou a busca de parceiro estratégico para a BR, em concordância com a decisão da diretoria executiva divulgada ao mercado em 14 de outubro de 2015.

STF determina bloqueio e sequestro de R$ 9,6 mi de contas de Cunha na Suíça

Via Uol Notícias

Teori Zavascki

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Teori Zavascki determinou o bloqueio e o sequestro dos recursos mantidos pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB), em contas na Suíça – no total de 2,4 milhões de francos suíços ou R$ 9,6 milhões.

A decisão atende a pedido da PGR (Procuradoria Geral da República). Os procuradores temiam que, com a transferência da investigação para o Brasil, o dinheiro fosse desbloqueado e pudesse ser movimentado.

Com o sequestro, os recursos serão depositados numa conta judicial e ficarão indisponíveis até o fim do processo.

O pedido de novo bloqueio dos recursos foi apresentado pela PGR na sexta-feira passada. São duas contas, uma em nome de Cunha e outra da mulher do deputado, Cláudia Cordeiro Cruz, no banco Julius Baer. “Há a possibilidade concreta de que ocorra o desbloqueio das contas, com a consequente dissipação dos valores depositados nas contas bancárias estrangeiras”, disse o órgão no pedido.

O processo foi transferido para a PGR por autoridades suíças já que o presidente da Câmara é brasileiro, está no país e não poderia ser extraditado para a Suíça.

No pedido, o procurador-geral da República em exercício, Eugênio Aragão, diz que não há dúvidas em relação à titularidade das contas. “Há cópias de passaportes – inclusive diplomáticos – do casal, endereço residencial, números de telefones do Congresso Nacional e do Palácio do Planalto”, diz. Seu patrimônio estimado, à época da abertura da conta, era de aproximadamente US$ 16 milhões.

Na semana passada, em nota à imprensa, Cunha reafirmou que não tem contas no exterior e nunca recebeu “vantagem de qualquer natureza”.

Petrobras já tem proposta de compra de fatia da BR

Por Rodrigo Polito, Cláudia Schuffner, André Ramalho e Rafael Rosas | Via Valor Econômico

O conselho de administração da Petrobras se reúne amanhã e vai avaliar, entre outros temas, uma primeira proposta de compra de uma fatia de até 25% na BR Distribuidora. Uma fonte a par do assunto, que preferiu não revelar o nome da empresa interessada, disse que existe a possibilidade de que a negociação avance e seja concluída ainda este ano. Com a entrada do sócio estratégico, mais adiante a empresa deverá fazer um IPO para cada negócio vinculado à rede de postos.

Se concretizada, a operação reforçará o caixa da estatal brasileira e alavancará o programa de venda de ativos da companhia. A venda de uma fatia da BR ganha ainda mais peso num momento em que o governo do Estado da Bahia e a Termogás entraram com ações contrárias à principal negociação em curso pela Petrobras ­ a venda de 49% da Gaspetro para a Mitsui. A disputa promete atrapalhar um negócio estimado em R$ 2 bilhões.

Existe, ainda, a expectativa de que a Petrobras anuncie até o fim do ano outras duas vendas de ativos: a rede postos da América do Sul (excluída a carteira de ativos da Argentina) e um dos campos de petróleo colocados à venda pela companhia, provavelmente Tartaruga Verde, previsto para entrar em produção em 2017, no pós­sal da Bacia de Campos. O Valor apurou que a estatal conta com essas duas operações para fechar a meta de venda de ativos de 2015, revisada este mês de US$ 3 bilhões para US$ 700 milhões.

A Petrobras ainda discute alguns termos do negócio da BR, entre eles, a definição sobre se o novo sócio terá ou não a opção de se tornar majoritário na distribuidora de combustíveis no futuro. Na última semana, a estatal informou que a diretoria executiva havia autorizado a busca de parceiro estratégico para a BR e que o assunto seria apreciado pelo conselho de administração na próxima reunião.

Entre outros pontos da extensa pauta do encontro de conselheiros amanhã, está, segundo fontes, a proposta de mudança do estatuto da companhia, para que cerca de 50 gerentes executivos passem a ter responsabilidade estatutária sobre seus atos. De acordo com uma fonte a par do assunto, porém, não está certo se haverá uma deliberação sobre o assunto na reunião de sexta­feira ou se o tema será apenas apresentado e discutido.

Hoje, está prevista reunião do conselho de administração da BR Distribuidora. No encontro, os integrantes do colegiado devem debater sobre a definição de um novo presidente para a companhia, em substituição a José Lima de Andrade Neto, que renunciou ao cargo em setembro. No entanto, não está certo de que os conselheiros já façam a escolha na reunião desta quinta­feira.

A Korn Ferry, empresa de “headhunter”, chegou a ser contratada para seleção de candidatos ao comando da BR, mas, segundo uma fonte, o salário­teto oferecido para o presidente da companhia é baixo para os padrões do mercado e tem dificultado a atração de executivos da iniciativa privada.

A decisão de buscar um sócio estratégico para a BR já era avaliada pela companhia há alguns meses, mas a procura ganhou corpo após a Petrobras ter decidido adiar a oferta pública de ações (IPO) da distribuidora.

O banco JP Morgan avalia que 49% da BR Distribuidora, a partir da entrada de um sócio e do IPO, renda à Petrobras cerca de US$ 5 bilhões. Com meta de obter até US$ 700 milhões com venda de ativos neste ano, a companhia anunciou até o momento apenas dois negócios, que totalizam US$ 126 milhões: uma fatia de 20% nos campos de Bijupirá e Salema, na Bacia de Campos, por US$ 25 milhões para a PetroRio (ex­ HRT); e os ativos de exploração e produção na Bacia Austral, na Argentina, para a Companhia Geral de Combustíveis, por US$ 101 milhões.