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Ignacio Ramonet: Brasil, futebol e protestos

Por Ignacio Ramonet*, via Other News

É pouco provável que os brasileiros obedeçam o pedido de Michel Platini – no passado um grande jogador, hoje político e presidente da União Europeia de Associações de Futebol (UEFA) – feito em 26 de abril: “Façam um esforço, segurem essa indignação e acalmem-se por um mês”(1).

A Copa do Mundo começa em São Paulo no próximo dia 12 e encerra no dia 13 de junho, no Rio de Janeiro. Há uma séria preocupação. Não somente nas instâncias internacionais do esporte como no próprio governo de Dilma Roussef, no caso dos protestos ganharem intensidade durante o evento. O rechaço da população tem sido expressado desde junho do ano passado, quando do início da Copa das Confederações. A maioria dos brasileiros afirmam que não voltariam a postular o Brasil como sede de um mundial. Pensam que isto causa mais danos que benefícios (2).

Porque tanto repúdio contra a festa suprema do futebol no país considerado a meca do próprio? Há quase um ano, sociólogos e cientistas políticos tratam de responder a esta pergunta partindo de uma constatação: nos últimos onze anos – ou seja, desde o início do governo do Partido dos Trabalhadores (PT) – o nível de vida dos brasileiros cresceu significativamente. Os sucessivos aumentos do salário-mínimo conseguiram melhorar substancialmente os ganhos dos mais pobres. Graças a programas como “Bolsa Família” e “Brasil sem miséria”, as classes modestas veem suas condições de vida cada vez melhores. Vinte milhões de pessoas saíram da pobreza. A classe média também obteve progresso e agora possuem acesso a planos de saúde, cartões de crédito, moradia e veículos próprios, viagens… Porém, ainda falta muito para que o Brasil seja um país menos injusto e com condições materiais dignas para todos, porque as desigualdades seguem abismais.

Ao não dispor de maioria política – nem na câmara dos deputados nem no senado – , a margem de manobra do PT sempre foi muito limitada. Para lograr avanços na distribuição das remunerações, os governantes do PT – e em primeiro lugar o próprio Lula – não tiveram outra opção que não aliar-se a partidos conservadores (3). Isto criou um vácuo de representação e uma paralisia política, pois, o PT teve de frear as contestações sociais em troca deste apoio.

Daí temos cidadãos descontentes que se põem a questionar o funcionamento da democracia brasileira. Sobretudo quando as políticas sociais passam a sinalizar seus limites. Pois, ao mesmo tempo, está ocorrendo uma “crise de maturidade” da sociedade. Ao sair da pobreza, muitos brasileiros passaram da exigência quantitativa (mais empregos, mais escolas, mais hospitais) para a qualitativa (melhores empregos, escolas e serviços de saúde).

Nas revoltas de 2013, pode-se constatar que os manifestantes eram na maioria jovens pertencentes as classes modestas que se beneficiam de programas sociais implementados pelos governos Lula e Dilma. Estes jovens – que estudam a noite, são aprendizes, ativistas culturais, técnicos em formação- são milhões e recebem baixa remuneração, porém, agora possuem acesso a internet e permanecem muitas horas conectados, o que lhes permite conhecer novas formas de protesto. Desejam “subir no trem”(4) deste novo Brasil até mesmo porque tiveram sua expectativa de vida aumentadas, mais que sua condição social. Mas, neste ponto, descobrem uma sociedade pouco disposta a mudar, a aceitá-los, o que gera frustração e descontentamento.

E então, temos a Copa como o catalisador destas insatisfações. Obviamente, os protestos não são contra o futebol, mas sim contra algumas práticas administrativas, contra os conchavos feitos na organização do evento. O mundial exigiu um investimento estimado em 8,2 bilhões de euros. Os cidadãos pensam que, com este montante, poderiam ter ocorrido construções de mais e melhores escolas, mais e melhores casas, mais e melhores hospitais para o povo.

Como o futebol é o universo simbólico e metafórico o qual mais se identificam muitos dos brasileiros, é normal que o tenham usado para chamar atenção do governo e do mundo para o que, segundo eles, não funciona no país. Nesse sentido, a copa foi reveladora. Serviu para denunciar, por exemplo, essa forma escusa de se fazer negócios com o dinheiro público. Só nos estádios, o custo final foi 300% superior ao pressuposto inicialmente. As obras foram financiadas com dinheiro público através do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o qual confiou estas gigantescas obras às empresas privadas. Estas, calcularam friamente, e então deixaram atrasar os prazos de entrega, realizando uma extorsão sistemática. Sabiam que, ante as pressões da FIFA, quanto mais atrasassem a construção, maiores seriam os ganhos adicionais a receber. De maneira que os custos finais triplicaram. As manifestações denunciam estes superfaturamentos, feitos em detrimento dos precários serviços públicos de educação, saúde, transporte, etc.

Estas mesmas reivindicações denunciam também as expulsões, ocorridas nas cidades sede, de milhares de famílias, desalojadas de seus lares para abrir espaço para a ampliação de aeroportos, rodovias e estádios. Estima-se que 250.000 pessoas foram vítimas destas desocupações. Outros protestam contra o processo de mercantilização do futebol que a FIFA favorece. Segundo os valores dominantes atuais – difundidos pela ideologia neoliberal-, tudo é mercadoria e o mercado é mais importante que o ser humano. Uns poucos jogadores talentosos são apresentados pelos grandes meios de comunicação como “modelos” de juventude, “ídolos” da população. Ganham milhões de euros, e seu êxito cria a ilusão de uma possível ascensão social por meio do esporte.

Muitas reivindicações são dirigidas diretamente contra a FIFA, não só pelas condições que impõem para proteger os privilégios das marcas patrocinadoras do mundial (Coca Cola, McDonald’s, Budweiser, etc.) que são aceitas pelo governo, e também pelas regras que impedem, por exemplo, a venda ambulante nas proximidades dos estádios.

Diversos movimentos têm por lema “Copa sem povo, tô na rua de novo”, e expressam cinco reivindicações (uma pra cada título mundial ganho pelo Brasil): moradia própria, transporte público, educação, justiça (fim da violência do Estado nas favelas e desmilitarização da polícia militar) e por último, uma sexta: que se permita a presença de vendedores informais nas imediações dos estádios.

Os movimentos sociais que lideram as manifestações dividem-se em dois diferentes grupos. Uma fração radical, com o lema “Se não tiver direitos não vai ter copa”, que são os setores de maior violência, incluídos os Black Bloc com sua depredação extrema. O segundo grupo é organizado por meio de comitês populares da copa, e denunciam o “Mundial da FIFA” sem participar de mobilizações violentas.

De qualquer forma, as manifestações atuais não parecem possuir a amplitude das de junho do ano passado. Os grupos radicais contribuíram pro esvaziamento dos atos, e não há uma direção orgânica do movimento. Resultado: segundo uma pesquisa recente, dois terços dos brasileiros são contra as manifestações durante a copa. E, sobretudo, desaprovam as formas violentas de protesto.

Qual será o custo político de tudo isto para o governo de Dilma Roussef? As manifestações do ano passado constituíram um duro golpe na presidenta que, nas três primeiras semanas, perdeu mais de 25% de aprovação popular. Depois, a mandatária declarou escutava a “voz das ruas” e propôs uma reforma política no Congresso. Essa enérgica resposta permitiu a recuperação de parte da popularidade perdida. Desta vez, o desafio será nas urnas, porque as eleições presidenciais serão no próximo dia 5 de outubro.

Dilma desponta como favorita. Porém, terá de enfrentar uma oposição agrupada em dois polos: o do centrista Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), cujo candidato será Aécio Neves; e, o muito mais temível, do polo social-democrata Partido Socialista Brasileiro (PSB), constituído pela aliança de Eduardo Campos (ex-ministro da Ciência e Tecnologia de Lula) e da ambientalista Marina Silva (ex-ministra do Meio Ambiente de Lula). Neste cenário, decisivo não só para o Brasil como para toda a América Latina, será o desenrolar da Copa do Mundo no Brasil.

Referências:

(1) http://www.dailymotion.com/video/x1rao84_mondial-2014-platini-le-bresil-faites-un-effort-pendant-un-mois-calmez-vous-25-04_sport

(2) Folha de São Paulo, São Paulo, 8 de abril de 2014.

(3) Desde a época de Lula, a base de la coalizão que governa o Brasil é formada fundamentalmente pelo PT e o Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB, centro-direita, além de outras pequenas forças como o Partido Progressista (PP) e o Partido Republicano de Ordem Social (PROS).

(4) Leia-se Antônio David e Lincoln Secco, “Saberá o PT identificar e aproveitar a janela histórica?”, Viomundo, 26 de junio de 2013. http://www.viomundo.com.br/politica/david-e-secco-sabera-o-pt-identificar-e-aproveitar-a-janela-historica.html

(5) http://www.rebelion.org/noticia.php?id=183873&titular=entre-goles-negociados-y-especulaciones-electorales-

*Jornalista espanhol. Presidente do Conselho de Administração e diretor de la redação do “Le Monde Diplomatique” em espanhol. Editorial Nº: 224 Junio 2014

Tradução: Rennan Martins

Agente que se negou a matar José Dirceu lhe envia carta à Papuda

Por Claudio Tognolli, em seu Yahooblog

Herwin de Barros com José Dirceu em foto de arquivo pessoal

Corria julho de 1998. O mais antigo amigo deste blogueiro, Marcelo Rubens Paiva, havia obtido documento inédito, com a brasilianista Martha Huggins. Atestava a participação dos serviços de inteligência dos EUA no movimento de 1964, ora cinquentão.

Mas, para a confecção da capa daquela caderno Mais!, publicado a 23 de agosto de 1998, era necessário algo praticamente sobrenatural: encontrar no Brasil algum agente do que viria a ser a CIA, central de inteligência do Uncle Sam (e que falasse com o gravador ligado). Precisávamos de alguém que tivesse ajudado a dar o chamado Golpe de 1964, e com a chancela lustrosa dos EUA na carteirinha. Parecia impossível.

Foi o finado advogado criminalista Cezar Rodrigues quem deu a dica: um dos tiras mais experientes da Polícia Civil de São Paulo, Herwin de Barros, havia sido contratado pela futura CIA para ajudar a dar o “golpe”. O agente gringo e agenciador de Barros tinha um nome bem literário: Peter Costello.

Logo depois de termos colocado Herwin de Barros na capa daquela reportagem longuíssima, intitulada “A Companhia Secreta”, Herwin virou capa da revista Isto É. Afinal, nos havia revelado que fora pautado para assassinar ninguém menos que José Dirceu, no congresso da UNE em Ibiúna, em 1968.

“Eu tinha ordens emanadas da CIA, a central de inteligência dos EUA, para assassinar Zé Dirceu. Não cumpri isso. E fui execrado. Em abril de 1984 mudaram até o regimento interno da polícia de São Paulo para que eu pudesse ser afastado. Tudo porque me neguei a assassinar friamente Zé Dirceu”.

Em vez de matar Dirceu, resolveu detê-lo usando apenas um ancinho enferrujado e um pedaço de pau de 70 centímetros.

Uma piada, uma boutade, que corre por aí, diz que Fernando Gabeira é o responsável pelo Mensalão: afinal foi Gabeira que determinou que, em 1969, José Dirceu seria era um dos 15 presos políticos que foram retirados da cadeia e trocados pelo embaixador sequestrado americano Charles Burke Elbrick.

Bem, a culpa não é de Gabeira: quem salvou Dirceu foi Herwin de Barros…

Herwin de Barros escreveu uma carta ao José Dirceu que ele salvou. Você verá ao final deste post.

“Minha vida toda fui perseguido por agentes de segurança, que queriam saber de que lado eu afinal estava. Ninguém acreditava que eu não estava de lado nenhum. Em 1975 o SNI plantou duas mulheres lindíssimas em cima de mim, uma negra e uma loira. Deram em cima de mim para simplesmente saber qual era a minha ligação com as esquerdas”, revela Erwin.

Ele lembra de algo que lhe custou caro.

Corria o ano de 1985. Um vetusto e poderoso delegado de polícia civil de São Paulo impede a entrada do advogado de Herwin na sala, para defender seu cliente. O advogado retira-se e bate a porta. Lá dentro, o delegado dispara a Herwin, varado de ódio: “Agora você vai ver o que é bom, ninguém mandou ter ficado ao lado dos terroristas”.

“Paguei muito caro o preço por não ter torturado, espancado, ou levado armas automáticas para prender Zé Dirceu no Congresso da UNE de outubro de 1968”, diz o hoje advogado Herwin de Barros.

Consultor de estrelas

Herwin é hoje consultor de estrelas do direito paulista como Paulo Sérgio Leite Fernandes, Ivo Galli, Orlando Maluf Haddad e Otávio Augusto Rossi Vieira. Tem duas filhas devotadas ao marketing. Herwin foi pai de santo por 30 anos. Agora é devoto da Igreja Renascer. Chamam-no, ainda, pelos nomes dos tempos jubilosos de 40 anos atrás, Brucutu ou Peito de Aço.

Seu pai, o pernambucano Eufrásio Barros de Oliveira, estrela da polícia paulista, mas que foi amigo do cangaceiro Lampião em pessoa, fez de Herwin um atleta. Nadava, boxeava, fazia halterofilismo, jogava volley profissionalmente.

Herwin de Barros tem a voz rouquenha, de trovão. Ama as vulgatas de psiquiatria. Já foi um apaixonado pelas armas brancas, facas, navalhas, adagas, paus. Gosta de indicar como imobilizava bandidos empregando apenas uma navalha. “Ela vai na sua jugular, não dá tempo de você reagir”, demonstra.

“Eu tinha ordens expressas de interrogar radicalmente, interrogar fisicamente, Zé Dirceu e os líderes do Congresso, o Ribas e o Travassos. Era uma ordem manifestamente ilegal: eu deveria cumpri-la para robustecer o flagrante, arrancar na porrada confissões do Zé Dirceu para poder enquadrar eles na Lei de Segurança Nacional. Mas não fiz isso. E por isso fui perseguido, muito, dentro da polícia. Se fizesse o que eles mandavam, as sequelas que deixaria neles não os fariam sobreviver por muito tempo”.

Herwin relata um diálogo que teve com Zé Dirceu já preso em Ibiúna. “Ele deu aquele riso que chamo de um meio esgar irônico. Ele me perguntou se, como condutor do flagrante, eu não iria usar arma contra eles. Eu disse que não. Ele me respondeu que não acreditava em mim. Então eu disse “Zé Dirceu, a primeira coisa que vem na certidão de uma pessoa é se é homem, não se é macho. Eu sou homem, e de palavra”.

Chegados em São Paulo, numa perua Willis, no Departamento de Ordem Política e Social, no largo General Osório, centro de São Paulo, Herwin de Barros entregou José Dirceu às autoridades. Manhosamente, inventou que ia se lavar da lama. Pulou a janela do Dops e foi para casa, fazendo atalho pela ferrovia. Só voltou ao trabalho três dias depois. “Só eu sei como fui repreendido por ter sumido. Mas não tinha como usar armas contra estudantes. Eles não eram terroristas que assaltavam bancos. Eram baderneiros”, explica Herwin.

Diploma de Uncle Sam

Ele guarda daquela época um tributo impresso do qual se orgulha: o diploma de segurança de dignitários, assinado pelo general Adélio Barbosa de Lemos, então secretário da segurança pública de São Paulo. A data da chancela lustrosa do general é evocativa dos anos de chumbo. “Ele assinou o diploma em 14 de março de 1964, pouco antes da Revolução de 64, a qual já sabíamos que ia acontecer”. Em verdade os vocábulos “segurança de dignitários” eram eufemismos: o diploma era a notificação notarial de que Herwin de Barros tinha feito, com 40 homens escolhidos a dedo, um curso ministrado em São Paulo pela CIA, a Central de Inteligência dos EUA. “Quem deu o curso foi um septuagenário, de cabelos brancos, norte-americano, chamado Peter Costello. Era da CIA e formado na Escola das Américas”, explica.

“Eu havia prendido Zé Dirceu. Comecei a ser seguido. Um dia entro no meu carro e vejo um envelope branco no banco. Abro. E leio “se você estiver do nosso lado, queime este envelope agora. Se não, apenas o guarde e depois se livre dele”. Era sinal inequívoco que Herwin estava sendo observado. Mas por quem? Bandidos ou mocinhos de então? “Até hoje eu não sei”, gargalha Herwin de Barros. Com toda essa vida incandescente, com tantos episódios abismais, Herwin confessa jamais ter temido a morte. “Quem não morre não vê Deus”.

A carta a José Dirceu

Herwin de Barros entregou a este blog, com exclusividade, uma carta que escreveu a José Dirceu. Confira:

Caro José Dirceu:

Eu, refletindo nestes últimos anos, observo o nosso querido país viver entre intestinos ranços, uma das mais delicadas situações generalizadamente promovida por egos exacerbados emanados pelo poder aliado à grande cupidez.

É com pesar que vejo a olhos claros tais desmandos. Outrora eram mais sofisticados de difícil transparência, porém com o mesmo fim, aliás de uma forma ou outra é no mundo, isto porque: o amor ao dinheiro em primeiro plano é a raiz de todos os males.

Há minoria proba que não se vende, respeitam valores e princípios. Por falar em princípios, reporto-me a 1968 quando em Ibiúna foi desfeito o congresso nacional da UNE onde então te conheci, caro José Dirceu, você que foi um dos maiores lideres estudantis da história do Brasil.

Jovem procurado por articular grandes passeatas, comícios relâmpago, e ações outras não-radicais e sem armas, vocês se defrontavam em pelo com policiais, no mano a mano.

Entre outros procurados, era você o grande líder.

Reiterando a profícua palavra “princípio”, quando de você me recordei, tinha eu ordens para radicalizar teu interrogatório no próprio local, longe dos demais, pois era área de quase mata, e se assim o fizesse para tirar-te informações preciosas, poderia você ter sofrido algum mal maior ou definitivo….

Não atendi a esta ordem manifestamente legal, porque não era você o roubador de banco, guerrilheiro urbano, terrorista com bombas e atentados, que feriram e mataram muitos inocentes além de membros da segurança interna –como foi o oficial da forca pública Alberto Mendes Junior, morto a pauladas, Mario Kozel Filho, a bomba, etc. Se elencarmos a proporção, dos dois lados, eles quase se equivalem.

Mas a maioria incute aos menos avisados que existe um lado só, como se fosse possível guerra sem inimigos.

Se fosse você um destes, como eu te disse naqueles dias, você veria de verdade quem era quem era eu, Brucutu, do saudoso Setor Contra de Assaltos de Bancos, , hoje Deic …uma época de confronto entre homens, cada um cumprindo o seu mister.

Após tão histórico fato, deparei-me com você no aeroporto de Congonhas, num corredor sombrio, só nos dois, por volta das 22h30, naquele longínquo 1998, quando você retornava de Brasília, 30 anos após,. Você era deputado federal.

Nos dias de hoje, o que tenho a te dizer é que sempre há primeira vez em tudo, e por consequência todos têm o direito à segunda vez. Digo isto porque você é intrépido, astuto, inteligente e com perfil para ser um grande estadista.

Mas não sei por quais águas você andou e provavelmente pecou por erro de avaliação, ao confiar ao longo dos anos em pessoas que, vendo o seu potencial, provavelmente o envolveram, sabendo como fazê-lo até galgarem altos postos; e como dizia sir Winston Churchill, o maior estadista do mundo, “o poder é o maior afrodisíaco que existe”.

Quanto a Ação Penal 470, não conheço os autos: mas é obvio que como advogado respeito a decisão do STF. Mas vi também muitos cerceamentos e diminuições de colegas, por parte de ministros que comportaram-se com o devido rigor, como o faria nosso grande mestre e decano Paulo Sergio Leite Fernandes.

Quanto ao teu trabalho fora da cadeia, este só é possível após dois quintos da pena, quando passarem para o regime aberto. O semi -aberto é cumprido em instituto penal agrícola ou industrial, retornando à tranca a noite.

Não haveria sentido na vida se todos que erros cometessem não pudessem purgar os mesmos e retomarem seus novos rumos, com nova vida a trilar a trilhar caminhos outros.

Quem não tem pecados que atire a primeira pedra.

Ninguém e tão e inteligente quanto parece e ninguém é tão burro quanto parece; gosto muito de jargões, sejam eles os chulos, das calçadas, ou bíblicos.

Como diziam os grande e românticos os grandes e românticos malandros de outrora, da velha Lapa do Rio de Janeiro, “macaco é 17 mas dá com 68”…

Infelizmente a hipocrisia reina nos dias de hoje de forma avassaladora, com os valores invertidos, desagregação da família natural, a sociedade decadente com a mídia televisiva a propagar tudo isso…

Não abro mãos dos meus princípios familiares. Em sua maioria, a mídia apresenta o que lhe convém, por motivos outros. A meu ver, no mundo Sodoma, Gomorra e Torre de Babel já estão instaladas há muito.

Eu, como todo aquele que respeita a vida, fui execrado e até hoje o sou por não ter executado você, José Dirceu.

Quem tem poder de a vida e morte é Deus, e a ira cabe só ao Senhor.

Encerrando, te desejo sorte. E que deus o abençoe e que a glória da segunda casa seja maior do que a da primeira.

Em terreno árido só há agua cavando: portanto seja como a corsa, caro José Dirceu.

Afetuosamente, de quem te salvou

Herwin de Barros

 

Se a direita ganhar

Por Igor Fuser, via Brasil de Fato

Engana-se quem imagina apenas uma reprise do que foram os tempos de FHC. Para entender o que pode vir por aí, é melhor pensar no Tea Party estadunidense, no uribismo colombiano, na direita ucraniana.

O Brasil enfrenta, nas eleições presidenciais deste ano, o risco de um brutal retrocesso político, com o eventual retorno das forças de direita – representadas, principalmente, pelo candidato tucano Aécio Neves – ao governo federal. Nesse caso, teremos uma guinada rumo a um país mais desigual, mais autoritário, mais conservador. Engana-se quem imagina apenas uma reprise do que foram os tempos de FHC. Para entender o que pode vir por aí, é melhor pensar no Tea Party estadunidense, no uribismo colombiano, na direita ucraniana.

Limitando este exercício de imaginação apenas à política externa, é aposta certa supor que uma das primeiras medidas de um governo Aécio seria a expulsão dos profissionais cubanos engajados no programa Mais Médicos. Também imediata seria a adesão do Brasil a um acordo do Mercosul com a União Europeia nos termos da finada Alca, cujas “viúvas” – também conhecidas como o Partido dos Diplomatas Aposentados – recuperarão o comando do Itamaraty, ávidas por agradar aos seus verdadeiros senhores, as elites e o governo dos Estados Unidos.

O Mercosul, se sobreviver, voltará a ser apenas um campo comercial, destituído do projeto político de uma integração mais profunda. A Unasul e a CELAC, esvaziadas, se tornarão, sem a liderança do Brasil, siglas irrelevantes, enquanto a moribunda OEA – o Ministério das Colônias, na célebre definição de Fidel Castro – ganhará um novo sopro de vida. Quanto ao Brics, articulação central no combate ao domínio unipolar do planeta pelo império estadunidense, sofrerá um baque, com a deserção (oficializada ou não) do seu “B” inicial.

Golpistas latino-americanos, já assanhados após os triunfos em Honduras e no Paraguai (ações antidemocráticas combatidas com firmeza por Lula e Dilma), ganharão espaço, certos de contar com a omissão ou até o apoio de um governo brasileiro alinhado com os ditames de Washington. Que o diga a performática Maria Corina Machado, líder da atual campanha de desestabilização na Venezuela, recebida com fanfarra pelo governador Geraldo Alckmin e por uma penca de jornalistas tucanos, no programa Roda Viva.

Governos e movimentos sociais progressistas, na América Latina e no mundo, perderão um ponto de apoio; as forças das trevas, como o lobby sionista internacional, ganharão um aliado incondicional em Brasília. Isso é apenas uma parte do que está em jogo nas eleições brasileiras. Espantoso é que, no campo da esquerda, tantos pareçam não se dar conta.

Pela III República Espanhola: Xeque mate ao regime

Por Esther Vivas*, via publico.esesquerda.net

É hora de sair à rua, exigir a abertura de um processo constituinte em todo o Estado espanhol, poder decidir que futuro queremos. Passar à ofensiva: xeque mate ao regime.

O regime desmorona-se, morre, e na sua agonia, o rei abdica. Nunca o regime surgido da Transição tinha sido tão questionado como agora. Os pilares que o sustentam, a monarquia, o poder judicial e o bipartidarismo, estão há muito tempo fortemente deslegitimados. Não acreditamos já nas suas mentiras, que procuram sustentar um regime que cai em pedaços. O que até há muito pouco tempo parecia impossível, agora torna-se uma realidade. Empurremos com força, para abrir ainda mais essa brecha que a crise econômica, social e política tornou possível.

Desde a caça de elefantes de “sua majestade” no Botswana, passando pela imputação do seu genro Iñaki Urdangarín no caso Nóos, o envolvimento da Infanta Cristina na teia, até às múltiplas, e milionárias, operações à anca do monarca, faturadas ao erário público, a Casa Real converteu-se numa caricatura de si própria. Um dos principais defensores desta “democracia” foi atingido, muito atingido, mas não foi afundado.

O anúncio da abdicação real é uma última tentativa, desesperada, para salvar a situação, uma tentativa de “make up” para relegitimar não só a monarquia mas também todo o seu séquito de juízes, políticos, comentadores… que durante tantos anos, demasiados, têm vivido à custa dessa falsa Transição, tentando apagar ou mascarar o passado coletivo. O nosso esquecimento, foi o substrato da sua vitória, não só moral mas também política e econômica.

A crise econômica convertida numa profunda crise social e, também política, pôs em xeque o rei e o regime de 78. As pessoas disseram “já basta”. Vimo-lo com a emergência do 15M, há três anos atrás, com a extensão da desobediência civil, com a ocupação de casas vazias, casas que estão nas mãos dos bancos, com um amplo apoio popular, apesar da criminalização do protesto. A mais pobreza, mais dor, corresponde, graças a essa mobilização, a mais consciência de quem ganha com esta situação, banqueiros, políticos, e de quem perde.

O auge do soberanismo na Catalunha também encostou o regime às cordas. Assinalando o carácter profundamente antidemocrático de uma Constituição que não permite aos povos o direito de decidirem. Agora, as eleições europeias deram “o golpe de misericórdia” num regime em decomposição. A perda de mais de cinco milhões de votos por parte do PP e do PSOE. A emergência do Podemos, com cinco mandatos. O regime fica nervoso, muito nervoso.

A abdicação real é a última tentativa de salvação. No entanto, recordemos, o sistema tem capacidade de manobra. A abdicação do rei mostra a debilidade dos pilares do regime, e a força popular. Mas, não queremos nem Juan Carlos nem Felipe. É hora de sair à rua, exigir a abertura de um processo constituinte em todo o Estado, poder decidir que futuro queremos. Passar à ofensiva: xeque mate ao regime.

*- Esther Vivas é ativista e investigadora em movimentos sociais e políticas agrícolas e alimentares. Licenciada em jornalismo e mestre em sociologia.

Tradução: Carlos Santos

Brasil apresenta projeto contra a homofobia à cúpula dos Estados Americanos

Via Rede Brasil Atual

País apoia declaração dos 33 países que integram a organização continental contra a discriminação a homos, bis e trans; até quarta-feira, só Argentina, Uruguai e Equador apoiavam o texto

Ministros das relações exteriores dos países americanos participam da cerimônia de abertura da cúpula

São Paulo – O Brasil é um dos 28 países presentes à 44ª cúpula da Organização dos Estados Americanos (OEA), iniciada ontem (3) em Assunção, no Paraguai, que segue até a sexta-feira (6), quando será apresentada a “Declaração de Assunção”. O documento, de acordo com o tema geral do encontro, tratará da reconciliação do crescimento econômico com a redução das desigualdades, mas o Brasil espera conseguir aprovar, também, uma moção contra o preconceito em relação a homossexuais, bissexuais e transsexuais. O texto ressalta que as populações LGBT devem ter acesso garantido à “participação política e em outros âmbitos da vida pública.”

Até ontem, no entanto, a perspectiva era negativa: apenas Argentina, Uruguai e Equador assinaram a proposta; o Paraguai, país anfitrião do encontro, negou-se publicamente a assinar a declaração e enfrentou protestos de um grupo de lésbicas que se manifestou em frente ao local onde os chanceleres dos países integrantes da OEA se reúnem. As militantes feministas relembraram que, às vésperas da realização da cúpula da OEA, o Senado paraguaio aprovou moção em que convocava o governo do presidente Horácio Cartes a “promover o direito à vida desde a concepção e a proteção integral da família nos moldes estabelecidos pela Constituição”, ou seja, apenas aquela composta por um homem e uma mulher.

Cartes, de orientação política conservadora, foi eleito presidente do Paraguai após o golpe de estado contra o ex-presidente Fernando Lugo, de perfil progressista. O golpe que derrubou Lugo foi articulado justamente pelo Senado paraguaio, reduto dos partidos de direita do país.

No Brasil, dados do Grupo Gay da Bahia, entidade de defesa dos direitos LGBT mais antiga do país, dão conta de que a homofobia causa uma morte a cada 26 horas. Em 2012, foram 388 vítimas de crimes de ódio contra homo, bi e transsexuais. De acordo com estudo realizado pelo grupo, o Brasil estava em primeiro lugar no ranking mundial de assassinatos homofóbicos em 2012, concentrando 44% do total de mortes desse tipo em todo o planeta naquele ano, 770.

Ainda segundo o grupo, com base nos dados de 2012, São Paulo foi o Estado onde mais homossexuais foram assassinados em números absolutos, com 45 vítimas, e Alagoas foi o Estado mais perigoso para homossexuais em termos relativos, com um índice de 5,6 assassinatos por milhão de habitantes. Para toda a população brasileira, o índice é 1,7 vítima LGBT por milhão de brasileiros.

Obama promete 1 bilhão de dólares para aumentar a ajuda militar à Europa em consequência da crise Ucrânia

Barack Obama anunciou, no início de uma visita de quatro dias à Polônia que ele estava buscando o apoio do Congresso para fortalecer a presença militar dos EUA na Europa. Fotografia: Bartlomiej Zborowski / EPA

Comentário do tradutor: Obama Oba Oba, moleque de recado do complexo industrial-militar dos States, caso veja atendido seu pedido, vai injetar um bilhão de dólares na conta bancária dos senhores da guerra norte-americanos. E tudo isso, como sempre, às custas da classe trabalhadora e do povo simples dos EUA.

A medida é mais uma forma de extorquir dinheiro do contribuinte americano para salvar as forças capitalistas/colonialistas/imperialistas da grave crise sócio-econômica que faz estremecer os alicerces do sistema a nível mundial.

O Tio Sam está prestes de exaurir sua capacidade de imprimir dinheiro para financiar guerras de agressão e pilhagem contra os povos pacíficos do mundo. De bilhão em bilhão o vetusto pirata está chegando à exaustão, à beira da falência, do abismo financeiro.

Por Ian Traynor, via The Guardian

Barack Obama prometeu um programa militar de bilhões de dólares de reforços na Europa para atenuar o alarme do leste europeu, diante das ambições expansionistas do Kremlin, após a crise na Ucrânia.

Chegando à Varsóvia para marcar 25 anos desde as primeiras eleições semi-livres no bloco comunistaquando foi eleito um primeiro-ministro não-comunista da Europa oriental, o presidente dos EUA falou sobre a segurança da Polônia e dos três Estados bálticos, todos da OTAN e membros da União Europeia.

Dando início a uma semana de intensa diplomacia na Europa focada em respostas ocidentais a Vladimir Putin e Ucrânia, Obama anunciou que ele estava buscando o apoio do Congresso para um fundo de um bilhão de dólares para colocar mais tropas americanas dentro e fora da Polónia, reforçar patrulhas aéreas sobre o Báltico, e reforçar as operações navais no Mar Negro ao largo das costas da Rússia e da Ucrânia.

Na Rússia e fronteiras da Ucrânia, Polônia, Lituânia, Letônia e Estônia – dois deles com consideráveis ​​minorias russas étnicas – estão alarmados com a sua vulnerabilidade à pressão russa e consternados com o fato de que a Otan tem recorrido apenas a gestos simbólicos para acalmar seus nervos.

Radek Sikorski, ministro das Relações Exteriores polonês, que espera se tornar o próximo chefe de política externa da UE, rejeitou movimentos dos EUA para aumentar missões aéreas sobre o Báltico e para colocar mais tropas dentro e fora da Polônia como “implementações virtuais” e queixou-se amargamente de que bases dos EUA na Europa, todas na Europa ocidental, estão em lugares errados.

Obama procurou amenizar essas preocupações. “Nosso compromisso com a segurança da Polónia, bem como a segurança de nossos aliados na Europa Central e Oriental é uma pedra angular da nossa própria segurança e é algo sagrado”, disse ele.

Um comunicado da Casa Branca disse: “Nós estamos revendo nossa presença vigorosa na Europa à luz dos novos desafios de segurança no continente.”

Bilhões de dólares para a Europa — iniciativa de Obama–, está condicionada à aprovação do Congresso americano, tem a finalidade de acalmar a angústia do leste europeu em relação à Rússia.

Obama fará um discurso em Varsóvia na quarta-feira sobre a segurança europeia, a tomada de terras por Putin na Ucrânia, e o

25 º aniversário da eleição semi-livre da Polônia, em 1989, que foi um triunfo para o movimento Solidariedade anti-comunista e desencadeou uma reação em cadeia em toda a região.

Obama em seguida, viaja a Bruxelas para um encontro de dois dias com a cimeira G-7, que também será dominada pela questão da Ucrânia, depois da expulsão da Rússia do G-8 em março.

Na sexta-feira, Obama e os líderes ocidentais estarão em Paris e nas praias da Normandia para o dia D — 70 º aniversário, com a presença de Vladímir Putin. Eles se reunião pela primeira vez desde a eclosão da crise da Ucrânia em fevereiro.

A chanceler alemã, Angela Merkel, e a oportunidade de conversações com Putin na França. Não está claro se Putin e Obama se reunirão diretamente.

Altos funcionários europeus disseram que as sanções econômicas contra a Rússia manteve-se “em preparação”, a ênfase se deslocou para a diplomacia desde as eleições presidenciais da semana passada na Ucrânia. O foco das negociações nos próximos dias seria estimular as negociações diretas entre Moscou e Kiev.

“A prioridade é para tentar obter uma solução diplomática, política, usando a oportunidade fornecida pela “eleição ucraniana”, disse um alto funcionário da UE. “Existe agora esta janela e que deve ser usada.”

Em Bruxelas, os ministros de Defesa da OTAN também lutaram com as implicações da crise Ucrânia antes da cúpula da Otan em Cardiff, em setembro. Países do Norte da Europa concordaram em aumentar as suas contribuições para a sede regional da Otan pequena na costa báltica da Polónia.

Autoridades russas advertiram que Moscou iria responder a qualquer uma maior presença militar dos EUA ou da Otan no território do que costumava ser o pacto de Varsóvia, enquanto a mídia pró-Kremlin detectous novos planos ocidentais para conter, cercar e invadir a Rússia.

“Estão a Polônia e outros países da Europa Central e do Leste felizes de ser” campo de batalha “, no caso de um conflito com a Rússia? Não é integração à Otan uma ameaça, ao invés de um benefício, para a segurança da Polônia e de outros novos membros da Otan no centro e leste da Europa? ” perguntou a “Voz da Rússia”. “Os recentes acontecimentos parecem confirmar uma” aliança profana “entre o nacionalismo extremista anti-russo e os políticos tradicionais da Europa Central e Oriental.”

Tradução: Giovanni G. Vieira

 

 

Após regulação, mortes por tráfico de drogas chegam a zero no Uruguai

Via O Tempo

Secretário Nacional de Drogas do Uruguai, Julio Heriberto Calzada afirmou que o país conseguiu reduzir a zero as mortes ligadas ao uso e ao comércio da maconha

Durante debate da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa no Senado, nesta segunda-feira (2), o Secretário Nacional de Drogas do Uruguai, Julio Heriberto Calzada afirmou que o país conseguiu reduzir a zero as mortes ligadas ao uso e ao comércio da maconha desde que adotou regras para regulamentar o cultivo e a venda da droga.

Em resposta ao senador Cristovam Buarque (PDT-DF), Calzada disse que a legalização da maconha talvez aumente o número de usuários, mas ele acredita que a combinação com outras ferramentas de política pública, em aspectos culturais e sociais, poderão modificar padrões de consumo e levar ao êxito na redução de usuários.

Conforme relatou, o país assegura o acesso legal à maconha por meio de autocultivo, com até seis pés por cada moradia; pela participação de clubes de cultivo, com 15 a 45 membros; ou pela aquisição a partir de um sistema de registro controlado pelo governo.

No debate, o secretário afirmou que respostas efetivas para a questão das drogas dependem de clareza na delimitação do problema. Ele apresentou aos senadores perguntas que devem ser respondidas: Qual é a questão central das drogas? O foco deve estar na substancia? Nas pessoas? Na cultura? Na sociedade? Na política? Na geopolítica? Nas normas? Na fiscalização do trafico ilícito?

Os países, disse o secretário, devem ter em conta que as substancias – tabaco, maconha, heroína, cocaína – não são iguais e devem ser analisadas em suas particularidades e tratadas conforme o conjunto de aspectos referentes a cada uma. Pela grande complexidade do problema das drogas, disse, o Uruguai busca embasar suas ações em evidências científicas.

Conforme avaliou, a criminalização de usuários de drogas seria ineficiente por fazer com que cidadãos passem a ser tratados como viciados ou dependentes. Uma das consequências, disse, é o sistema de saúde ficar refratário a essas pessoas. Dados citados pelo secretário dão conta de que mais de 90% dos usuários de drogas não buscam ajuda no sistema de saúde.

Calzada afirmou ainda que, como outras drogas, como álcool, por exemplo, há riscos e efeitos colaterais negativos com o consumo de maconha, o que requer regulação e controle do Estado.

A audiência desta segunda-feira (2), que conta com participação popular pelos canais de interatividade do Senado, é a primeira de um ciclo de debates promovido pela CDH para ouvir autoridades, lideranças sociais e intelectuais, visando embasar o parecer da comissão sobre proposta de iniciativa popular (Sugestão 8/2014) que define regras para o uso recreativo, medicinal e industrial da maconha.

Também participam do debate a coordenadora-geral de Combate aos Ilícitos Transnacionais do Ministério das Relações Exteriores, Márcia Loureiro; o representante do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime no Brasil, Rafael Franzini Batle; o relator da Sugestão 8/2014, senador Cristovam Buarque (PDT-DF); e a presidente da CDH, senadora Ana Rita (PT-ES).