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Petrobras recebe maior prêmio da indústria de petróleo e gás offshore mundial

Via Portal Brasil

Prêmio será concedido em reconhecimento ao conjunto de tecnologias desenvolvidas pela empresa para a produção da camada Pré-Sal.

Em maio de 2015, em Houston (EUA), a Petrobras receberá pela terceira vez o prêmio OTC Distinguished AchievementAward for Companies, Organizations, and Institutions em reconhecimento ao conjunto de tecnologias desenvolvidas para a produção da camada Pré-Sal.

Esse prêmio é o maior reconhecimento que uma empresa de petróleo pode receber na qualidade de operadora offshore.

Em 1992, a Petrobras recebeu o prêmio por conquistas técnicas notáveis relacionadas ao desenvolvimento de sistemas de produção em águas profundas relativas ao campo de Marlim e, em 2001, por avanços nas tecnologias e na economicidade de projetos de águas profundas, no desenvolvimento do campo de Roncador.

Em carta comunicando a premiação à Petrobras, o Presidente da Offshore Technology Conference (OTC), Edward G. Stokes, destacou: “Este prêmio é um reconhecimento das conquistas notáveis, significativas e únicas alcançadas pela Petrobras, e das grandes contribuições para a nossa indústria (óleo e gás offshore). O comitê de seleção (da OTC) ficou extremamente impressionado com esta nomeação. As conquistas que a Petrobras fez na perfuração e produção desses reservatórios desafiadores são de classe mundial. A indústria aprendeu muito a partir das informações compartilhadas pela Petrobras sobre o Pré-Sal nos artigos e sessões apresentados na OTC. Nós todos nos beneficiamos do seu sucesso.”

Produção no Pré-Sal

O recente recorde de produção de óleo na camada Pré-Sal, de 713 mil barris diários de petróleo, obtido em 21/12/2014, demonstra a robustez das tecnologias aplicadas.

Petrobras: a grande sabotagem

Por Bento Araújo

A mídia noticiou recentemente uma “suposta redução da produção na Petrobrás”, com a qual discordo e julgo descabido.

Foi noticiado internamente na empresa e no blog Desenvolvimentistas, e ainda continua sendo publicado, o que, na verdade, é um “Plano de Total Desinvestimento no Exterior”, ou seja, desde 2012, o que mais se fala na empresa, é a mudança radical do cenário que ele representa, pois tudo o que tudo o que foi comprado no exterior naquele “Plano de Internacionalização de FHC”, foi, na época, um ato intencional de vender a preços ínfimos ações na Bolsa de NY (NYSE) para propiciar uma drástica mudança de foco da empresa para o exterior, – uma espécie de “privatização branca” da gigantesca estatal petrolífera, pois naquela época, março de 1999, a Petrobras foi classificada pelo Forbes como a sexta empresa do mundo.

Esse programa de FHC teve várias denominações “programa desnacionalização”, “programa de internacionalização”, e, desde 2012, dada a importância da descoberta do Pré-sal, como mudou o cenário e também os planos, a Petrobras precisa vender essas unidades antigas no Exterior, compradas desde o início desse programa de FHC de internacionalização (desnacionalização), cujos resultados serão totalmente revertidos nos próximos anos. A Petrobras venderá a médio prazo, todas essas antigas unidades operacionais, pois muitas são antigas e obsoletas, e seu custeio para mantê-las seria muito alto. Todas essas unidades, seis compradas na era FHC no Exterior, pertencentes a multinacionais inglesas, espanholas e americanas na América Latina, mais as duas compradas pelo governo Lula (Okinawa e Pasadena) serão colocadas à venda, assim como as seis refinarias e unidades de produção, sendo uma delas a refinaria de Bahia Blanca.

O caso de Bahia Blanca foi uma negociata vergonhosa, feita com a empresa espanhola REPSOL, sete meses depois do afundamento da P-36, causado pelas ingerências do governo. Esse negócio foi um escândalo, que gerou perdas financeiras enormes para a Petrobras, coisa que a mídia e os políticos sequer comentam; tal sucata foi objeto de uma troca absurda, entregando-se uma refinaria de porte considerável, a moderna e eficiente REFAP – Canoas/RS, e mais o “brinde” de dez por cento das reservas do campo gigante de Albacora Leste (P-50). Todo esse patrimônio, que vale mais de três e meio bilhões de dólares foi trocado por uma bandeira de postos da Repsol – que valia muito pouco, – incluiu a obsoleta, minúscula refinaria de baixa complexidade de Bahia Blanca, a qual, além de não valer mais que 40 milhões de dólares, nunca deu lucro, e só amargou prejuízos para a Petrobras.

Tal negociata foi feita pelo genro do FHC, então chefe da ANP, sr David Zilbersztajn e pelo presidente estrangeiro da Petrobras, Monsieur Henry Phillipe, em dezembro de 2001, através de entendimentos com um parente de Carlos Menem, dono de um cassino de Buenos Aires, e antigo dono da Refinaria de Bahia Blanca.

As perdas financeiras provocadas por essa troca da Refap pela Refinaria de Bahia Blanca se agravaram depois da explosão ocorrida na unidade em 2012. Essa explosão causou mortes, e obrigou a unidade a permanecer fechada, sem condições de operar por muito tempo, com prejuízos enormes. Além disso, a Petrobrás ainda teve que pagar multas milionárias determinadas pela Justiça Argentina.

Portanto, esse acertado “Programa de Desinvestimento no Exterior”, anunciado em maio de 2012, foi amplamente divulgado no blog público da Petrobrás, logo após a demissão de Costa, em 30 de abril de 2012, e a demissão de Nestor Cerveró, que era diretor da Area Internacional. Ao assumir a presidência em 2012, a senhora Graça Foster exonerou o Cerveró da área internacional criada por FHC logo após a demissão de Costa, pois, além ser mudado o foco da empresa do mercado nacional para o Exterior, eles ainda realizaram, em março de 1999, uma absurda venda de um lote bilionário de ações (quase metade da Petrobras – 40% das ações OP PETR4), por um bilhão de dólares.

O governo brasileiro de então fez essa venda no pregão de Nova Iorque, ao mega-especulador norte-americano Sr George Soros, da Soros Fund Management e patrão de Armínio Fraga, então ministro do Banco Central (!) Na época, o comprador pagou com moedas podres do mercado imobiliário norte-americano, que nominalmente valiam 40 bilhões de dólares,– que pagou com moedas podres do mercado imobiliário americano, arrastados esses títulos na crise de alguns anos após. Esse negócio significou um enorme prejuízo para a Petrobrás, que deixou no NYSE a metade de seus lucros desde o ano 2000. George Soros, desde então já embolsou , apenas com a Petrobrás, mais de 90 bilhões somente no jogo de compra/vende aproveitando as altas e baixas das ações.

O patrimônio do Soros Fund Management” supera o PIB de muitos países, sendo ele o maior mega-especulador e mega-agiota do mundo. Armindo Fraga, que trabalha para Soros, muito ajudou nesses “negócios da China” no Brasil, e a empresa de Soros é o maior sócio privado da Petrobrás. Este foi um golpe de golpe de mestre na Bolsa de NY, pois as ações valiam mais de 45 bilhões de dólares e foram vendidas a um bilhão. Desde 2000, a Petrobras deixa no NYSE uma boa parte de seus lucros.

Sendo um antigo aplicador do mercado imobiliário norte-americano, Georges Soros percebeu ou antecipou o futuro colapso daquele sistema (que ocorreu em 2008) , e através de seu assistente ou assessor , o economista Arminio Fraga, passou a comprar os “negócios da China”, as “privatarias” de 65 empresas estatais brasileiras, 45 empresas estatais mexicanas e mais de 20 estatais na Argentina. Todos esses “negócios”, foram feitos respectivamente nos governos de FHC, Salinas e Menem. Esses verdadeiros “China Business” foram amplamente anunciados na imprensa internacional pelos bancos das privatizações, desses país, incluindo o BBA (Banco Bracher e Arida, pertencente aos senhores Fernão Bracher e Pérsio Arida), e o Banco Opportunity, do banqueiro Daniel Dantas, que teve sua prisão diligenciada pelo delegado Protógenes, e por cuja causa, para abafar o caso, Protógenes foi exonerado de suas funções na Polícia Federal.

Embora aposentado há dois anos na Petrobrás, lembro que em meus últimos anos passados na empresa esta já operava em muitos campos do Pré-Sal, reserva descoberta em julho de 2007, estimada em 80 bilhões de barris, que quintuplicou as reservas do Brasil. Acho que essa é a única explicação para os ataques ferozes do maior império consumidor de petróleo do mundo (EUA e Inglaterra). Todos esses campos do Pré-Sal estão batendo recordes diários e já estavam em operação inúmeros TLDs (Testes de Longa Duração) e FPSOs (Float Production Storage Operation), gigantesco navio-plataforma, que produz, no caso da Petrobras, cerca de 180 mil barris por dia e estoca mais de um milhão de barris. Essa carga é depois transferida para navios petroleiros, que leva o óleo para os Terminais da Petrobras.

Insisto, todas essas unidades estão em plena operação no Pré-sal, batendo recordes impressionantes a cada dia, e, na maioria das unidades com uma dezena de “poços produtores” e “poços de teste” – muitos uma com vazão surpreendente média de 40 a 45 mil barris por dia por poço, cada um capaz de abastecer uma refinaria.

Os TLDs são as unidades que operam na fase inicial do campo. Há 30 anos, essas unidades de produção inicial eram chamadas SPAs (Sistemas de Produção Antecipada) cujo objetivo, num prazo médio de 2 a 3 anos, é obter os dados da Geologia do petróleo, tais como viscosidade e grau API médio, para adequar a operação das futuras unidades definitivas.

No Brasil, novas regras legais surgiram desde 1997 com a criação da ANP (Agência Nacional do Petróleo), quando elas passaram a ser denominados TLDs (teste de longa duração), geralmente “unidades fretadas” disponíveis no mercado para operar na fase de testes. Essa é a maneira como atuam em todo o mundo, existindo grandes fretadoras de FPSOs de pequeno porte (SBM, Modec, BW, etc). Aqui no Brasil temos uma “limitação legal” criada pela ANP, pois em função dos “prazos prazos legais diferenciados” determinados pela ANP durante a sua criação em 1997, foi estabelecido para a Petrobras, um “prazo legal de três anos antes do início da operação após a “declaração da descoberta e da comercialidade do campo”. Esse prazo pode ser considerado arbitrário, porque para as petrolíferas estrangeiras, esse prazo é dilatado para oito anos.

Isso fez com que a Petrobras desde 1997, partisse para a opção dos “afretamentos” (aluguel de unidades na “fase de teste”, principalmente após o acidente da P-36, pois a pressa, a pressão e a ingerência da ANP, obrigaram a Petrobras, logo na descoberta do gigantesco Campo de Roncador em 1997, a fazer “contrato turn-key” para reduzir o prazo da obra, e atender aquela limitação legal absurda de apenas 3 anos para inicio da operação.

Se, no caso das grandes unidades, somarmos o prazo do “projeto conceitual e da Base de Projeto”, geralmente de um ano, e mais o prazo do “Projeto Básico”, que dura em média 18 meses nos casos de grandes unidades, considerando ainda o prazo do ‘Projeto de Detalhamento”, que demora na média, uns 24 meses e o prazo da obra que se inicia após o detalhamento, mais a fase de “pré-operação”, o prazo imposto não tem sentido, quando deveria, no mínimo, para cumprir com todas essas etapas, de 5 anos para a implantação de uma grande plataforma petrolífera. Também não se justifica que os prazos sejam diferentes para a empresa nacional e as estrangeiras privilegiadas. Tais regras foram estabelecidas pelos burocratas e advogados ligados aos senhores FHC e a seu genro, sr David Zilbersztajn, que nada entendem de obras de Engenharia.

Essa improvisação foi uma das causas do acidente e desastre da P-36. A ANP em concordância com a diretoria da época da empresa, Barusco e Duque, promoveram o contrato turn key, que não permite sequer uma eficiente fiscalização e controle. Nessa modalidade, a contratada assume todos os riscos, e o documento foi assinado com a Marítima em 1997. Tal empresa pertencia a um amigo de Zilbersztajn, sem qualquer experiência em plataformas petrolíferas. O acidente contou com outras causas coadjuvantes: falhas de construção pela inexperiência da empresa Marítima (o dono dessa empresa que construiu a P-36 é o Senhor German Eframovitch, um “testa-de-ferro” de Zilbersztajn, sendo que, com os lucros da P-36, ele pôde criar a empresa de aviação Oceanair, além de comprar a AVIANCA.

A produção na camada Pré-Sal, é portanto de alta produtividade em razão das características geológicas do petróleo leve da camada. Quando eu embarcava para resolver assuntos técnicos, os Geplats (Gerentes das plataformas) comentavam muito essa alta produtividade dos poços na camada Pré-Sal, que se estende numa faixa de 200 km da costa brasileira desde Santa Catarina até o sul da Bahia, na Bacia do Espirito Santo.

O que tenho acompanhado no blog da Petrobras, e nos sites do Sindipetro, é justamente o contrário da antipropaganda de “desinvestimento”: todos os investimentos da Petrobrás “no Brasil” serão mantidos, até porque os projetos estão adiantados, muitos já em fase de detalhamento e construção, incluindo os FPSOs “Replicantes” da Bacia de Santos, e os FPSOs da Cessão Onerosa. É interessante anotar que a empresa teve que pagar em dinheiro para a ANP, 5 bilhões de reais em 2011, para que não fosse leiloado.

Portanto, a notícia da redução dos investimentos da Petrobras só pode ser um equívoco ou uma interpretação equivocada da divulgação no blog da Petrobras sobre o Plano de Desinvestimento no Exterior, anunciado desde a demissão de Costa e Cerveró em março de 2012. Na mesma época, outros ex-diretores nomeados por FHC, ferozmente alinhados aos desmontes da internacionalização e extinção dos departamentos, e o fatiamento da empresa pela criação das Unidades de Negócio, foram demitidos (dois) e os outros se desligaram da Petrobrás para trabalhar em mercados privados ou para se aposentarem.

É importante também entender o desastre provocado pelo desmonte das 65 estatais lucrativas que foram privatizadas, sendo duas no governo Collor ( Usiminas e Acesita) e as outras 63 no governo FHC, incluindo o negócio mais lucrativo do mundo: as seis petroquímicas da Holding Petrobras que foram construídas pela Petrobras nas décadas de 1960 e 1970. Elas geram lucros exorbitantes para a Nação e agora esses lucros exorbitantes vão para os “bolsos privados” que as compraram a preços ínfimos em outros tantos “negócios da China”, ou seja, negociatas feitas por FHC em 1995 e 1996 como favores ao capital privado. Portanto todas as estatais lucrativas incluindo a metade das ações da Petrobrás e suas petroquímicas subsidiárias foram vendidas a preços ínfimos, além das 26 empresas de telecomunicações da Telebras, vendidas a “preço de banana” e com concessão de empréstimos, na maior parte para os espanhóis da Telefonica, crimes que se podem considerar de “lesa-pátria”.

Se as estatais fossem vendidas a preços corretos, na remuneração justa do capital, forneceriam recursos para construir e equipar vinte mil hospitais públicos, construir dez mil escolas, duas para cada cidade brasileira, e ainda sobraria para reconstruir as ferrovias brasileiras, sucateadas mais ferozmente também nos governos Collor e FHC.

Por essa razão, FHC criou uma REDE DE PROTEÇÃO, no “apagar das luzes” do governo em 2002, que proíbe por trinta anos (portanto até 2032) investigar todos os processos de privatização feitos no seu governo e ainda tornam sigilosos todos os documentos das privatizações, incluindo a venda das ações preferencias da Petrobras para o patrão de Armínio Praga, digo, Armínio Fraga, o megaespeculador George Soros dono da empresa de fomento que detém hoje o maior controle acionário privado da Petrobrás e ainda ele controla outras 25 empresas estatais de energia elétrica privatizadas no México, Argentina, Leste Europeu e Ásia.

Fernando Collor inclusive, contratou a consultoria de um banco estrangeiro para propor um maquiavélico Plano de Desnacionalização e Privatização das Estatais Brasileiras. O plano vazou na mídia empresarial por ser altamente lesivo aos interesses públicos, foi publicado na íntegra no jornal RR (Relatório Reservado – edição de Julho de 1990), com o título do relatório “Preliminary ideas for a privatization master plan in Brail of Petrbrás Group, Eletrobras Group, Telebras Group, Siderbras Group and Infraero Group – The First Suisse Bank of Boston – april 1990”.

O documento propôs centenas de ações governamentais e políticas “passo a passo” para fazer os desmontes nas 65 estatais brasileiras mais lucrativas, incluindo, o fatiamento dessas empresas em “Asets”, Unidades de Negócio, extinção de departamentos estratégicos e de todas as subsidiárias lucrativas, provocar sindicatos para fomentar “greves desgastantes”, internacionalizar a petroleira brasileira e vender ações no Exterior para tirar o foco nacional, desnacionalizar as empresas, nomear “aliados internos”, com algumas promoções “meteóricas” e muitas outras maldades.

Desejando-se conhecer o que sobrou após esses desmontes, digite-se o título no Google “Georges Soros e a Petrobrás”, e lá se encontrarão as últimas movimentações de Soros. Em 1999, ele ganhou a “raspadinha” do lote bilionário de quase metade das ações preferenciais da Petrobrás (PETR4) vendidas no NYSE por FHC e seu genro, a preços ínfimos. Soros pagou a bagatela de um bilhão de dólares com moedas podres do mercado imobiliário, depois ainda revendeu uma parte para outros investidores americanos em agosto de 2007, quando as ações tiveram a maior alta da história. Elas explodiram após a descoberta do Pré-Sal em julho de 2007, e agora, mais recentemente, durante todo o ano de 2014, com os ataques políticos no Brasil e o dumping mundial do preço do petróleo, iniciado em janeiro de 2014 – o qual fez cair pela metade o valor do barril de petróleo – golpe do Império para afetar os países produtores não-alinhados (Irã e Venezuela). As ações de 20 petrolíferas caíram desde janeiro do ano passado, e Soros aproveitou para recomprar as ações que ele vendeu na alta em 2007, recomprando agora na baixa.

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Bento Araújo, professor e engenheiro, tem uma carreira de 45 anos na indústria, sendo que 26 anos na Petrobrás. Anteriormente trabalhou (19 anos) em outros setores da área de infra-etrutura, como o Setor Elétrico, pela subsidiária SBE da Eletrobras; na construção e ampliação da ACESITA, empresa siderúrgica produtora de aços especiais; e na Cia Vale do Rio Doce – obras de ampliação da Mina Conceição e Mina do Campestre, em Itabira.

Quanto vale a Petrobras

Por Mauro Santayana | Via JB

O adiamento do balanço da Petrobras do terceiro trimestre do ano passado foi um equívoco estratégico da direção da companhia, cada vez mais vulnerável à pressão que vem recebendo de todos os lados, que deveria, desde o início do processo, ter afirmado que só faria a baixa contábil dos eventuais prejuízos com a corrupção, depois que eles tivessem, um a um, sua apuração concluída, com o avanço das investigações.

A divulgação do balanço há poucos dias, sem números que não deveriam ter sido prometidos, levou a nova queda no preço das ações.

E, naturalmente, a novas reações iradas e estapafúrdias, com mais especulação sobre qual seria o valor – subjetivo, sujeito a flutuação, como o de toda empresa de capital aberto presente em bolsa – da Petrobras, e o aumento dos ataques por parte dos que pretendem aproveitar o que está ocorrendo para destruir a empresa – incluindo hienas de outros países – vide as últimas idiotices do Financial Times – que adorariam estraçalhar e dividir, entre baba e dentes, os eventuais despojos de uma das maiores empresas petrolíferas do mundo.

O que importa mais na Petrobras?

O valor das ações, espremido também por uma campanha que vai muito além da intenção de sanear a empresa e combater eventuais casos de corrupção e que inclui de apelos, nas redes sociais, para que consumidores deixem de abastecer seus carros nos postos BR; à aberta torcida para que “ela quebre, para acabar com o governo”; ou para que seja privatizada, de preferência, com a entrega de seu controle para estrangeiros, para que se possa – como afirmou um internauta – pagar um real por litro de gasolina, como nos EUA”?

Para quem investe em bolsa, o valor da Petrobras se mede em dólares, ou em reais, pela cotação do momento, e muitos especuladores estão fazendo fortunas, dentro e fora do Brasil, da noite para o dia, com a flutuação dos títulos derivada, também, da campanha antinacional em curso, refletida no clima de “terrorismo” e no desejo de “jogar gasolina na fogueira”, que tomou conta dos espaços mais conservadores – para não dizer golpistas, fascistas, até mesmo por conivência – da internet.

Para os patriotas, e ainda os há, graças a Deus, o que importa mais, na Petrobras, é seu valor intrínseco, simbólico, permanente, e intangível, e o seu papel estratégico para o desenvolvimento e o fortalecimento do Brasil.

Quanto vale a luta, a coragem, a determinação, daqueles que, em nossa geração, foram para as ruas e para a prisão, e apanharam de cassetete e bombas de gás, para exigir a criação de uma empresa nacional voltada para a exploração de uma das maiores riquezas econômicas e estratégicas da época, em um momento em que todos diziam que não havia petróleo no Brasil, e que, se houvesse, não teríamos, atrasados e subdesenvolvidos que “somos”, condições técnicas de explorá-lo?

Quanto vale a formação, ao longo de décadas, de uma equipe de 86.000 funcionários, trabalhadores, técnicos e engenheiros, em um dos segmentos mais complexos da atuação humana?

Quanto vale a luta, o trabalho, a coragem, a determinação daqueles, que, não tendo achado petróleo em grande quantidade em terra, foram buscá-lo no mar, batendo sucessivos recordes de poços mais profundos do planeta; criaram soluções, “know-how”, conhecimento; transformaram a Petrobras na primeira referência no campo da exploração de petróleo a centenas, milhares de metros de profundidade; a dezenas, centenas de quilômetros da costa; e na mais premiada empresa da história da OTC – Offshore Technology Conferences, o “Oscar” tecnológico da exploração de petróleo em alto mar, que se realiza a cada dois anos, na cidade de Houston, no Texas, nos Estados Unidos?

Quanto vale a luta, a coragem, a determinação, daqueles que, ao longo da história da maior empresa brasileira – condição que ultrapassa em muito, seu eventual valor de “mercado” – enfrentaram todas as ameaças à sua desnacionalização, incluindo a ignominiosa tentativa de alterar seu nome, retirando-lhe a condição de brasileira, mudando-o para “Petrobrax”, durante a tragédia privatista e “entreguista” dos anos 1990?

Quanto vale uma companhia presente em 17 países, que provou o seu valor, na descoberta e exploração de óleo e gás, dos campos do Oriente Médio ao Mar Cáspio, da costa africana às águas norte-americanas do Golfo do México?

Quanto vale uma empresa que reuniu à sua volta, no Brasil, uma das maiores estruturas do mundo em Pesquisa e Desenvolvimento, no Rio de Janeiro, trazendo para cá os principais laboratórios, fora de seus países de origem, de algumas das mais avançadas empresas do planeta?

Por que enquanto virou moda – nas redes sociais e fora da internet – mostrar desprezo, ódio e descrédito pela Petrobras, as mais importantes empresas mundiais de tecnologia seguem acreditando nela, e querem desenvolver e desbravar, junto com a maior empresa brasileira, as novas fronteiras da tecnologia de exploração de óleo e gás em águas profundas?

Por que em novembro de 2014, há apenas pouco mais de três meses, portanto, a General Electric inaugurou, no Rio de Janeiro, com um investimento de 1 bilhão de reais, o seu Centro Global de Inovação, junto a outras empresas que já trouxeram seus principais laboratórios para perto da Petrobras, como a BG, a Schlumberger, a Halliburton, a FMC, a Siemens, a Baker Hughes, a Tenaris Confab, a EMC2 a V&M e a Statoil?

Quanto vale o fato de a Petrobras ser a maior empresa da América Latina, e a de maior lucro em 2013 – mais de 10 bilhões de dólares – enquanto a PEMEX mexicana, por exemplo, teve um prejuízo de mais de 12 bilhões de dólares no mesmo período?

Quanto vale o fato de a Petrobras ter ultrapassado, no terceiro trimestre de 2014, a EXXON norte-americana como a maior produtora de petróleo do mundo, entre as maiores companhias petrolíferas mundiais de capital aberto?

É preciso tomar cuidado com a desconstrução artificial, rasteira, e odiosa, da Petrobras e com a especulação com suas potenciais perdas no âmbito da corrupção, especulação esta que não é apenas econômica, mas também política.

A PETROBRAS teve um faturamento de 305 bilhões de reais em 2013, investe mais de 100 bilhões de reais por ano, opera uma frota de 326 navios, tem 35.000 quilômetros de dutos, mais de 17 bilhões de barris em reservas, 15 refinarias e 134 plataformas de produção de gás e de petróleo.

É óbvio que uma empresa de energia com essa dimensão e complexidade, que, além dessas áreas, atua também com termoeletricidade, biodiesel, fertilizantes e etanol, só poderia lançar em balanço eventuais prejuízos com o desvio de recursos por corrupção, à medida que esses desvios ou prejuízos fossem “quantificados” sem sombra de dúvida, para depois ser – como diz o “mercado” – “precificados”, um por um, e não por atacado, com números aleatórios, multiplicados até quase o infinito, como tem ocorrido até agora.

As cifras estratosféricas (de 10 a dezenas de bilhões de reais), que contrastam com o dinheiro efetivamente descoberto e desviado para o exterior até agora, e enchem a boca de “analistas”, ao falar dos prejuízos, sem citar fatos ou documentos que as justifiquem, lembram o caso do “Mensalão”.

Naquela época, adversários dos envolvidos cansaram-se de repetir, na imprensa e fora dela, ao longo de meses a fio, tratar-se a denúncia de Roberto Jefferson, depois de ter um apaniguado filmado roubando nos Correios, de o “maior escândalo da história da República”, bordão esse que voltou a ser utilizado maciçamente, agora, no caso da Petrobras.

Em dezembro de 2014, um estudo feito pelo instituto Avante Brasil, que, com certeza não defende a “situação”, levantou os 31 maiores escândalos de corrupção dos últimos 20 anos.

Nesse estudo, o “mensalão” – o nacional, não o “mineiro” – acabou ficando em décimo-oitavo lugar no ranking, tendo envolvido menos da metade dos recursos do “trensalão” tucano de São Paulo e uma parcela duzentas menor que a cifra relacionada ao escândalo do Banestado, ocorrido durante o mandato de Fernando Henrique Cardoso, que, em primeiríssimo lugar, envolveu, segundo o levantamento, em valores atualizados, aproximadamente 60 bilhões de reais.

E ninguém, absolutamente ninguém, que dizia ser o mensalão o maior dos escândalos da história do Brasil, tomou a iniciativa de tocar, sequer, no tema – apesar do “doleiro” do caso Petrobras, Alberto Youssef, ser o mesmo do caso Banestado – até agora.

Os problemas derivados da queda da cotação do preço internacional do petróleo não são de responsabilidade da Petrobras e afetam igualmente suas principais concorrentes.

Eles advém da decisão tomada pela Arábia Saudita de tentar quebrar a indústria de extração de óleo de xisto nos Estados Unidos, aumentando a oferta saudita e diminuindo a cotação do produto no mercado global.

Como o petróleo extraído pela Petrobras destina-se à produção de combustíveis para o próprio mercado brasileiro, que deve aumentar com a entrada em produção de novas refinarias, como a Abreu e Lima; ou para a “troca” por petróleo de outra graduação, com outros países, a empresa deverá ser menos prejudicada por esse processo.

A produção de petróleo da companhia está aumentando, e também as descobertas, que já somam várias depois da eclosão do escândalo.

E, mesmo que houvesse prejuízo – e não há – na extração de petróleo do pré-sal, que já passa de 500.000 barris por dia, ainda assim valeria a pena para o país, pelo efeito multiplicador das atividades da empresa, que garante, com a política de conteúdo nacional mínimo, milhares de empregos qualificados na construção naval, na indústria de equipamentos, na siderurgia, na metalurgia, na tecnologia.

A Petrobras foi, é e será, com todos os seus problemas, um instrumento de fundamental importância estratégica para o desenvolvimento nacional, e especialmente para os estados onde tem maior atuação, como é o caso do Rio de Janeiro.

Em vez de acabar com ela, como muitos gostariam, o que o Brasil precisaria é ter duas, três, quatro, cinco Petrobras.

É necessário punir os ladrões que a assaltaram ?

Ninguém duvida disso.

Mas é preciso lembrar, também, uma verdade cristalina.

A Petrobras não é apenas uma empresa.

Ela é uma Nação.

Um conceito.

Uma bandeira.

E por isso, seu valor é tão grande, incomensurável, insubstituível.

Esta é a crença que impulsiona os que a defendem.

E, sem dúvida alguma, também, a abjeta motivação que está por trás dos canalhas que pretendem destruí-la.

MP aponta responsabilidade de Alckmin na crise da água

Por Luis Nassif, em seu blog

Está no TRF-3 (Tribunal Regional Federal da 3a Região) a mais contundente acusação ao governo Geraldo Alckmin pelo descaso com que conduziu a questão da água de São Paulo.

Trata-se da Ação Civil Pública Ambiental, com pedido de tutela antecipada (isto é, de permitir decisões antes do julgamento final) proposta pelo Ministério Público Federal de São Paulo e pelo Ministério Público Estadual.

Não é ainda uma ação de responsabilização civil ou criminal. Por enquanto, é apenas uma iniciativa drástica para enfrentar a mais grave crise hídrica da história do Estado. Mas o acúmulo de provas e evidências levantado não deixará outra alternativa do que responsabilizar respectivamente o governador Geraldo Alckmin, o presidente da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), os dirigentes da ANA (Agência Nacional de Água) e do DAEE (Departamento de Água e Energia Elétrica) pela crise hídrica do Estado assim como suas consequências futuras.

Em 6 de agosto de 2004, uma portaria da ANA assegurou dez anos a mais de concessão a Sabesp, definindo as vazões médias mensais de captação para fins de abastecimento urbano da Região Metropolitana de São Paulo e medidas que deveriam ser tomadas para reduzir a vulnerabilidade do sistema Cantareira.

Nenhuma das obras previstas na outorga foi feita.

O que se seguiu foi uma gestão de alto risco na Cantareira.

A outorga do sistema à Sabesp impôs a obrigatoriedade da observância das chamadas “Curvas de Aversão a Risco” (CAR). Permite definir limites de retirada de água do sistema de forma segura, sem comprometer os 24 meses subsequentes de forma a manter uma reserva estratégica ou volume mínimo ao final do período hidrológico seco.

Diz a ação: “Se seguidas corretamente, essas regras teriam prevenido o agravamento da crise hídrica no Sistema Cantareira, possibilitando um nível de segurança de 95% podendo chegar a 99%”.

Essas curvas foram elaboradas para uma reserva estratégica de 5% (limite mínimo a ser mantido nos reservatórios) e um cenário hidrológico similar ao do biênio 1953/1954. Correspondem a um nível mínimo de segurança a ser obedecido.

Muitas vezes a ANA autorizou vazões maiores que os “Limites de Vazão da Retirada” determinadas pelas curvas de aversão ao risco.

Para driblar as restrições impostas pela “Curva de Aversão ao Risco”, a ANA e o DAEE apelaram para uma metodologia não reconhecida cientificamente, de nome “Banco de Águas”, utilizada apenas no brasil.

Funciona como um banco de horas. Teoricamente, se a Sabesp não retira a quantidade de água autorizada, fica com um “crédito” para ser utilizado a qualquer momento, independentemente da situação das bacias.

Além de rejeitar a nova metodologia, os promotores identificaram “gritantes disparidades” entre o tratamento dispensado à Sabesp e à bacia do rio Piracicaba.

Essa jabuticaba metodológica impediu a aplicação da CAR.

Pior: desde 2012 a Sabesp e o governo do estado já sabiam dos problemas climáticos. Na época, já se identificava como a pior estiagem registrada desde 1930, com vazão dos afluentes inferior às vazões mínimas registradas em 1953. E nada se fez, em um episódio de irresponsabilidade coletiva.

A Sabesp começou a agir apenas a partir de março de 2014, “de forma insuficiente e tardia”, segundo os promotores.

Em 7 de julho de 2014, outra aberração da ANA e do DAEE, uma Resolução Conjunta substituindo as regras e condições previstas na outorga de 2004. Afastaram os Comitês de Bacias e passaram a empalmar, sozinhos, as decisões. As atribuições do Comitê de Bacias são normas constitucionais. Ambos os órgãos alegaram uma crise hídrica – que eles próprios provocaram – para afastar os comitês.

“Paralelamente, foram os dois anos nos quais se obteve os maiores lucros líquidos da história da Companhia e de distribuição de dividendos, valendo observar que, neste período, o Sistema Cantareira foi responsável por 73,2% da receita bruta operacional da empresa, denotando a superexploração daquele sistema produtor que não mais conseguiu se recuperar diante da gravidade do atual evento climático de escassez”, diz a ação.

No seu relatório de gestão de janeiro de 2014, a Sabesp admitia que “todas as estratégias foram adotadas para concomitantemente no intuito de evitar a adoção do rodízio, pelo constrangimento que esta solução causa à população. No entanto, o rodízio deve ser planejado em face da situação crítica de armazenamento de água nos mananciais do sistema Cantareira (..) para evitar o colapso de seus mananciais”.

“Todavia”, constata a ação dos MPs, “o rodízio acabou sendo descartado pela alta gerência da Sabesp e pelo GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO (sic, em caixa alta), que, assumindo o risco do colapso de seus mananciais, deixou de adotar medidas de contingências efetivas, restringindo-se apenas a um “programa de incentivo”.

É preciso enfrentar o lobby do mercado livre de energia: Entrevista com Roberto D’Araújo

Por Rennan Martins | Vila Velha, 02/02/2015

Vertedouro da UHE Três Marias

O ano de 2014 trouxe à tona a crise do setor energético brasileiro. A estiagem deste verão comprometeu ainda mais a geração hidrelétrica e as caras termelétricas estão ligadas praticamente todo o tempo. As perspectivas são negativas e o debate sobre a política de geração de energia nacional é mais que oportuno.

A fim de pensar esta questão estratégica evitando as fáceis respostas que culpam São Pedro por nossos problemas, o Desenvolvimentistas conversou com Roberto D’Araújo, engenheiro e diretor do Instituto Ilumina. D’Araújo critica com veemência o modelo de livre mercado adotado para o setor, tido como mimetista e importado de realidades alheias a brasileira. Aponta o grande desperdício que se dá na distribuição e enxerga na fragmentação do sistema um dos principais problemas a ser enfrentado.

Confira a íntegra:

Nos últimos meses a geração de energia no país tem se mostrado dificultosa. Como explicar este quadro? Que fatores nos fizeram chegar a este ponto?

Na realidade, a crise de garantia, atributo pelo qual pagamos uma das mais altas tarifas do planeta, já estava mostrando seus sinais desde 2009. Quem acompanha os indicadores do setor já sabia disso há pelo menos 5 anos. O desespero dos últimos meses na verdade são consequências da inação e equívocos anteriores.

Temos também a baixa hidrologia, atraso em obras, operação otimista e omissões do governo. Por exemplo, ao avaliar erradamente a aceitação da intervenção da medida provisória 579/2012 e o equilíbrio do sistema, deixou de fazer leilões absolutamente necessários para a contratação das distribuidoras. O resultado é um quadro regulatório confuso, judicializado e contas bilionárias para serem pagas pelos consumidores.

És um grande crítico da atual política para o setor. De que forma o atual modelo de política energética influencia na geração? Quais são seus principais defeitos?

Quem conhece o singular sistema físico de produção de energia elétrica sabe que o que foi imaginado pelo governo FHC, mas efetivamente implantado pelos governos Lula-Dilma é uma adaptação mimetizada de modelos mercantis implantados em sistemas de base térmica. Não há como não ser crítico. Todos os problemas foram relatados ao governo Lula em 2003, mas a política resolveu ouvir o “mercado” e desprezar os avisos.

O modelo, além de mimetismo de realidades alheias, é totalmente fragmentado. O planejamento precisa simular a operação, mas os critérios são distintos do real. Um parâmetro do operador vira paradigma de preço de mercado e gera variações de preço que alcançam 7.000 %, algo inédito e vergonhoso em qualquer mercado de energia. Os leilões de novas fontes são feitos através de um índice custo-benefício subjetivo só para dizer que “o mercado resolve”. O resultado foi a contratação de um número espantoso de térmicas a óleo combustível e diesel. Essas usinas caras são computadas na oferta, mas quem gera no lugar delas são as hidráulicas. Ao contrário do senso comum, elas esvaziam reservatórios.

Até que ponto a estiagem deste verão compromete o sistema? A seca não era prevista?

Compromete porque o sistema já estava fragilizado. O ano de 2014 não é o pior ano do histórico de vazões. Portanto, a base de dados do setor mostra situações piores para as quais deveríamos estar preparados. Isso não quer dizer que não se reconheça mudanças de longo prazo no clima. Muito ao contrário. O Rio S. Francisco mostra hidrologias declinantes há mais de 10 anos. Ou se atua sobre a bacia para tentar reverter essa tendência ou se incorpora a perda hídrica à base de dados reconhecendo a perda energética e o desequilíbrio. O que é enganoso é nada fazer.

A matriz energética brasileira é realmente muito dependente da água? No que isso acarreta?

É dependente da água, mas isso não é uma desgraça como as autoridades querem fazer crer para se postar de vítimas. O Canadá e Noruega também são. Uma gestão adequada faz com que na imensa maioria do tempo essa característica se reverta em enormes benefícios para a economia. Nós conseguimos fazer o contrário.

Que usinas estão comprometidas? Permanecendo a seca haverá necessidade de desligá-las?

Nesse momento, Furnas e Três Marias. Pode parecer pouco, mas elas estão nas cabeceiras dos Rios Grande e S. Francisco. São caixas d’água importantíssimas.

Se o nível cai mais ainda, há inclusive o risco de danos a turbinas por efeitos de cavitação. Será inevitável o desligamento.

O quanto as termelétricas conseguem suprir a demanda nacional? Estamos seguros com elas somente?

As térmicas brasileiras, não foram projetadas para funcionar 100% do tempo, como, aliás, nenhuma térmica. Numa estimativa realista, elas podem garantir apenas 30% da carga. Basta que o resto (hidráulicas + eólicas) não consiga atender o resto para termos racionamento.

Que perspectivas você tem para este ano? Existe possibilidade de um “apagão”?

O brasileiro precisa entender que ter ou não ter apagão ou racionamento é o menos importante. A nossa complacência não entende que a questão é o risco. Nós pagamos para um risco baixo, nos entregam um risco alto e fica tudo por isso mesmo. Parece que essa questão não faz parte da consciência do cidadão. Claro que o risco está altíssimo.

Que medidas podem ser implementadas para uma economia considerável de energia? Onde há mais gordura para ser cortada?

As perdas de kWh na distribuição são enormes. Não há como ter eficiência com a bagunça dos postes visíveis em qualquer cidade brasileira. Ela causa desligamentos e perdas. Enganam-se os que pensam que as distribuidoras perdem receita com interrupções. São mal fiscalizadas e, além disso, a energia que não se consumiu no apaguinho será consumida depois.

Coisas óbvias não funcionam no Brasil. Uma lâmpada dicroica de 50 W pode ser substituída por uma LED de 6W. Ai está uma usina de 44W que não aquece o ambiente. Quanto custa uma LED? Que impostos pagam?

Energia solar distribuída. Preço aproximado com muitos impostos e pouca regulamentação: US$ 4500/kW, o triplo de uma usina hidroelétrica. Pasme! Se a energia produzida na casa do consumidor for para a rede, se consumi-la de volta, paga ICM-S.

Por quê a liberalização do setor não melhorou a geração e distribuição de energia? As regras do mercado não valem neste caso?

É preciso entender que o modelo implantado é bizarro. Quando o sistema está em equilíbrio ou quando a hidrologia é exuberante, o nosso mercado livre pratica preços tão baixos como R$ 16/MWh. Puro efeito da singularidade do nosso parque. Há naturalmente um incentivo em não contratar parte da carga no longo prazo. Exemplo: 2011, véspera da crise, ano úmido. 120% da média. 25% dos contratos no mercado livre eram mensais. Cerca de 28% do total de energia comercializado girou com esse prazo.

O pior é que é a regra do jogo! Não há especuladores mal intencionados. A captura da vantagem é legal e legítima! Insisto: Todas essas características são conhecidas há décadas.

As usinas comercializam uma quantidade de energia chamada “garantia física” que nada tem a ver com a geração real. É um subjetivo cálculo de escritório que faz parte do mimetismo. O que se está vendo é que esses valores estão todos superavaliados. Ou seja, o número, além de não ser físico, nem garantido é.

O que precisa ser feito para sanar os problemas do sistema atual? Quais os principais obstáculos neste caminho?

Dou uma resposta limitada, esquecendo por enquanto a relação que todo esse descaminho tem com a crise brasileira, política e cultural.

É preciso diminuir o grau de fragmentação de responsabilidades com o festival de instituições do setor. ANEEL, MME, ONS, EPE. CCEE, CSME são organizações que veêm um pedaço do problema.

É preciso enfrentar o lobby do mercado livre, onde foi capturada uma enorme vantagem do sistema.

É preciso cancelar a Lei de redução tarifária, que só conseguiu um pífio decréscimo a custa da Eletrobras, que hoje é uma empresa quebrada. Uma conta que mostra o absurdo: Para voltarmos a ter um preço de energia vigente em 2011, antes da desastrada intervenção, só conseguiríamos se as usinas ditas “amortizadas” pagassem pela energia que fornecem. Na realidade, nunca houve um diagnóstico para saber porque a tarifa subiu.

É preciso envolver outros ministérios (são tantos!) no licenciamento de usinas. Hidroelétricas não são meras fábricas de kWh como os governos FHC, LULA, e DILMA tratam. Elas poderiam ser vetores de integração dos diversos problemas regionais e não mais um enclave de uma região sobre outra.

O obstáculo é o próprio governo.

Da geopolítica do petróleo para a do gás

Por Imad Fawzi Shueibi | Via Oriente Mídia

A agressão midiática e militar contra Síria está diretamente relacionada com a concorrência global pelos recursos energéticos, explica o Professor Imad Shuebi no magistral artigo que apresentamos hoje.

Nesse exato momento em que assistindo ao colapso da zona do euro, e que uma grave crise econômica levou os Estados Unidos a acumular uma dívida superior a 14.940 bilhões de dólares; no momento em que a influência americana declina em contraste com os países emergentes que conformam o BRICS, se faz evidente que a chave para o exito econômico e o predomínio político reside principalmente no controle da energia do século XXI: o gás.

A Síria tornou-se alvo justamente por estar no meio do mais importante reservatório de gás do planeta. O petróleo foi a causa das guerras do século XX. Hoje estamos vivendo o surgimento de uma nova era: a das guerras do gás.

Após a queda da União Soviética, ficou claro para os russos que a corrida armamentista havia lhes prejudicado em demasia, sobretudo no campo energético, onde faltou a energia necessária ao processo de modernização industrial do país. Os Estados Unidos, por outro lado, tinham conseguido se desenvolver e impor, sem muitas dificuldades, sua política internacional nesta área graças a sua presença por décadas nas áreas de petróleo. Os russos decidiram, em seguida, posicionar-se nas fontes de energia, tanto nas que produzem petróleo, como nas empresas de produção de gás. Considerando que, devido à sua distribuição internacional, o setor de petróleo não oferecia boas perspectivas, Moscou apostou pelo gás, por sua produção, seu transporte e sua comercialização em larga escala. Tudo começou em 1995, quando Vladimir Putin traçou a estratégia da Gazprom: partindo desde as áreas de produção de gás da Rússia até Azerbaidjão, Turcomenistão, Irã (para comercialização), até o Oriente Médio. A verdade é que os projetos North Stream e South Stream demonstraram os esforços de Vladimir Putin e seu governo de situar a Rússia na arena internacional na área energética, que já desempenha um papel importante na economia européia, que, durante as próximas décadas, dependerá do gás como alternativa ao petróleo ou como complemento deste, quando deu prioridade ao gás, em detrimento do petróleo.

A partir desse contexto, era urgente para Washington implementar seu próprio projeto: Nabbuco, uma estratégia que concorria com a dos russos e que jogava para desempenhar um papel decisivo na determinação da estratégia e política energética para os próximos 100 anos.

Fato é que o gás será a principal fonte de energia do século XXI, uma alternativa diante da redução das reservas mundiais de petróleo e, ao mesmo tempo, uma fonte de energia limpa. O controle das zonas gasíferas no mundo disputado entre as antigas potências e as emergentes é o elemento que dá origem a um conflito internacional com manifestações de caráter regional.

É evidente que a Rússia aprendeu com as lições do passado, pelo menos no que se refere aquilo que, do ponto de vista da economia, contribuiu para o colapso da União Soviética, que foi, precisamente, a falta de controle dos recursos de energia indispensáveis para o desenvolvimento da estrutura industrial. A Rússia compreendeu que o gás está destinado a ser a fonte de energia do próximo século.

O gás da Síria

A ‘revolução síria” é uma encenação midiática que esconde a intervenção militar ocidental para a conquista do gás.

Quando Israel empreendeu a extração de petróleo e gás, a partir de 2009, ficou claro que a bacia do Mediterrânea se havia somado ao jogo e que haveria duas possibilidades: Síria seria alvo de um ataque ou toda a região viveria em paz, pois se supõe que o século XXI seja o século da energia limpa.

De acordo com o Washington Institute for Near East Policy (WINEP, Think-Tank do AIPAC), a bacia do Mediterrâneo contém as maiores reservas de gás e é, precisamente, na Síria onde se localizam as mais importantes. Este mesmo Instituto também emitiu a hipótese de que a batalha entre a Turquia e Chipre se intensificará porque a Turquia não pode aceitar a perda do projeto Nabucco (apesar do contrato assinado com Moscou em Dezembro de 2011 para o transporte de grande parte do gás de South Stream através da Turquia).

A revelação do segredo do gás sírio dá uma ideia da importância do que está realmente em jogo. Quem tenha o controle da Síria poderá controlar o Médio Oriente. E a partir da Síria, portão da Ásia, terá em suas mãos a chave da Rússia e, também, da China, através da “Rota da Seda”, assim você poderá dominar o mundo neste século, já que é o século do gás.

É esta a razão pela qual os signatários do acordo de Damasco, que permite que o gás iraniano passe pelo Iraque e chegue ao Mediterrâneo, criando um novo espaço geopolítico e cortando a linha vital do Projeto Nabucco, declararam na época que “A Síria é a chave da nova era”.

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Imad Fawzi Shueibi: geopolítico e filósofo. Presidente do centro de documentação e estudos estratégicos de Damasco – Síria.

Governo anuncia medidas para reforçar geração de energia

Por Sabrina Craide | Via Agência Brasil

Depois dos desligamentos de energia ocorridos ontem (19), em 11 estados e no Distrito Federal, o governo vai tomar medidas para reforçar a geração de energia no país. Segundo o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, serão adicionados 1,5 mil megawatts (MW) ao sistema elétrico da Região Sudeste.

Entre as medidas está a antecipação da entrada em operação de usinas termelétricas da Petrobras, que estão em manutenção preventiva. Até o dia 18 de fevereiro, serão adicionados 867 MW ao sistema. Também será feita a transferência adicional de 300 MW da Usina de Itaipu, o repasse de mais 400 MW de energia para as regiões Sudeste e Centro-Oeste e a ressincronização da Usina Nuclear Angra 1, com despacho parcial entre 100 MW e 200 MW. “Estamos fortalecendo o sistema para que intercorrências como a de ontem tenham ainda um nível maior de segurança”, disse.

O ministro explicou que o problema registrado ontem começou quando houve variação de geração de um gigawatt na linha de transmissão que liga o Nordeste ao Sul do país. Depois disso, várias usinas foram desativadas, sendo que a primeira foi a Usina Governador Ney Braga, no Paraná, administrada pela Copel, com 1,2 mil MW de potência, que foi desligada por atuação indevida da proteção de potência reversa. No entanto, ainda não é possível identificar se esse desligamento foi ocasionado por falha técnica ou humana.

Eduardo Braga ressaltou que se não tivessem sido registrados atrasos em grandes projetos de hidrelétricas como Belo Monte, no Pará, Jirau e Santo Antônio, em Rondônia, a situação atual seria diferente. “Se Belo Monte já estivesse funcionando, se não tivessem tocado fogo no canteiro de Jirau, se não tivesse acontecido nada em Santo Antônio, se todas as obras estivessem funcionando dentro do cronograma, nada disso estaria acontecendo.”

Ele também ressaltou que o país enfrenta um momento de alto rigor no ritmo hidrológico e lembrou que nos dois últimos anos os reservatórios das hidrelétricas trabalharam em regimes extremos. “Em 2015, eles entraram [em funcionamento] com menos água ainda, e as chuvas em janeiro foram extremamente raras, principalmente onde deveriam ocorrer. Mas Deus é brasileiro, temos que contar que ele vai trazer um pouco de chuva para que possamos ter mais tranquilidade ainda”, avaliou o ministro.

O secretário executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, disse que a falta de energia que ocasionou a paralisação do metrô, em São Paulo, não foi ocasionada pela ocorrência que resultou no desligamento da energia em vários estados. “Foi um problema local, que não tem nada a ver com essa ocorrência”. Segundo ele, quem define as cargas que devem ser desligadas quando há algum problema são as distribuidoras.