Arquivos da categoria: Energia

Petróleo e ataque ao Estado brasileiro

Por Paulo Metri | Via Correio da Cidadania

Gosto de separar os macroeventos, de importância magna e efeitos duradouros, dos eventos menores, de importância e efeito restritos. Os roubos ocorridos na Petrobras e recém-descobertos deixam os atuais adultos perplexos. No futuro, quando as crianças que nascem hoje forem adultas, estes roubos não terão existido. Entretanto, o Pré-Sal estará jorrando petróleo por cerca de 50 anos, ou seja, durante duas gerações. Através de plano minuciosamente arquitetado e em fase de execução, busca-se subtrair dos brasileiros os usufrutos do Pré-Sal.

Sobre o roubo ocorrido na Petrobras, ladrões domésticos, sedentos por riqueza e poder, são personagens da novela macabra, que a população brasileira assiste no noticiário diário, escandalizada e atônita. A novidade é que eles, com o advento da delação premiada, têm a capacidade de incluir versões que podem comprometer, de forma mentirosa, qualquer cidadão. Como era de se esperar, a grande mídia, onde a maioria da população se informa, faz uma cobertura tendenciosa. Curiosamente, esta mídia reivindica o direito de continuar influenciando a sociedade em uma única direção, o que ela chama de “liberdade de expressão”.

No silêncio sepulcral que acoberta o maior roubo do momento, que a população nem desconfia da existência, faço esta denúncia. Em primeiro lugar, o império e o capital internacional se amaldiçoam pelo fato de a natureza ter formado o Pré-Sal no hemisfério sul e em um país não totalmente submisso. Tendo ocorrido, inesperadamente, o imbróglio na Petrobras, os dois entes citados aproveitam o momento de extrema emoção da sociedade e começam, com auxílio da sua mídia, a criar conceitos e legislações que irão comprometer nosso bem mais valioso, o Pré-Sal.

Assim, é ouvido que, se a Petrobras fosse privatizada, o roubo acabaria. Explico que, com a privatização, o roubo só iria ficar maior e institucionalizado. Também, um político representante do capital internacional prega, despudoradamente, a não obrigatoriedade de a Petrobras ter 30% de todos os consórcios do Pré-Sal e ser a única operadora desta área. Ele também quer o término da política de conteúdo local.

O ponto principal que pretendo transmitir é que existe toda sorte de ataques contra o Estado brasileiro e a mídia só quer difundir, a seu modo, os eventos da Petrobras, satisfazendo aos interesses externos e conquistando votos para a eleição de presidente de 2018. Enquanto isso, o Estado brasileiro vai sendo usurpado. A atuação atabalhoada dos nossos poderes, meio perdidos, também não está ajudando.

O Executivo resolve colocar a engenharia brasileira como inidônea, e não só os dirigentes corruptos das principais empresas de engenharia. Estes corruptos que paguem pelos seus malfeitos perante a Justiça, mas não as empresas e toda a cadeia de fornecedores que elas alimentam. Neste instante, a mídia entreguista sugere a contratação de empresas de engenharia estrangeiras, sem a mínima informação para a população sobre o que isto representa. Não se fala que matar as empresas brasileiras de engenharia significa só ter especificações das compras, que levam ao mercado externo.

Significa também destruir o conhecimento acumulado nestas empresas, graças ao esforço de anos, que lhes permite, inclusive, competir no exterior. Será que pensam que pode existir alto índice de desenvolvimento de um país sem existirem empresas nacionais de engenharia e de desenvolvimento tecnológico?

A Justiça, graças ao excessivo rigor da sua atuação, sem avaliar todos os impactos das suas decisões, pode estar causando desemprego. Certamente, as investigações devem ser aprofundadas e os comprovados corruptos devem pagar exemplarmente por seus crimes. Mas, nos Estados Unidos, em 2008, quando começou a quebradeira de instituições financeiras, graças à crise do subprime, o governo deste país salvou empresas causadoras da crise, pois não quis contaminar toda a economia.

O Legislativo criou uma nova CPI da Petrobras, contrariando o usual procedimento para criação de uma CPI. O comum é a imprensa divulgar fatos comprometedores, uma CPI ser criada e, depois, a Polícia Federal e o Ministério Público serem acionados. No presente caso, estes últimos já atuaram e continuam atuando. Não deverá aparecer nada de novo. O objetivo verdadeiro da CPI é servir para reverberar fatos antigos e não os deixar cair no esquecimento. Esta CPI se enquadra como ação da luta pelo poder em 2018 e os que a criaram estão pouco se importando se este fato irá diminuir a força da Nação no quadro internacional.

A tese de Henry Kissinger de indução secreta para a criação de inimigos internos nos países do Cone Sul da América Latina, como forma de enfraquecimento das eventuais coalizões nacionais destes povos, teve sucesso durante os 21 anos da ditadura brasileira, quando se combatia uma força comunista impotente, quase inexistente. Desta forma, pode-se imaginar que, hoje, grupos políticos atuantes no Brasil podem estar recebendo apoio da CIA ou da NSA, por exemplo, para se contraporem à formação de uma unidade nacional de objetivos socialmente atraentes.

É custoso invadir o Brasil militarmente para ter as bases de apoio em terra para a exploração e produção do Pré-Sal. Portanto, é mais barato, e melhor para divulgação na mídia internacional, que um partido existente no Brasil ganhe as eleições, tome o poder e, depois, a lei dos contratos de partilha seja derrubada e rodadas de leilões de entrega do petróleo nacional sejam realizadas. Assim, uma ação de inteligência muito atraente pode ser ter congressistas e mandatários brasileiros como devedores de contribuições de campanhas.

No London Review of Books, foi publicado o artigo “It’s the Oil” de Jim Holt de 2007, no qual ele afirma que: “O Iraque tem 115 bilhões de barris de reservas de petróleo conhecidas. (…) E, por causa de seu longo isolamento, é a menos explorada das nações ricas em petróleo do mundo. (…) Foi estimado pelo ‘Council on Foreign Relations’ que o Iraque pode ter mais 220 bilhões de barris de petróleo não descobertos. (…) O valor do petróleo do Iraque, em grande parte leve e com baixo custo de produção, seria da ordem de US$ 30 trilhões aos preços de hoje. Para efeito de comparação, o custo total projetado da invasão e ocupação dos EUA é de cerca de US$ 1 trilhão. Os custos são desprezíveis quando comparados aos US$ 30 trilhões de riqueza petrolífera. A guerra assegurou a supremacia geopolítica norte-americana e gasolina barata para os eleitores. Em termos de realpolitik, a invasão do Iraque não é um fiasco e, sim, um retumbante sucesso”.

A afirmação de Alan Greenspan, ex-presidente do Federal Reserve dos Estados Unidos, no seu livro de memórias, também é reveladora: “Entristece-me que seja politicamente inconveniente reconhecer o que todos sabem: a guerra do Iraque é, sobretudo, por causa do petróleo”.

Obviamente, todos os corruptos do escândalo da Petrobrás devem ser julgados com as provas conseguidas, mas é primordial não se cair na manipulação da mídia para entregar o Pré-Sal, como o capital internacional e o potências hegemônicas desejam. Ele é um dos últimos redutos de soberania que nós, brasileiros, temos. É interessante notar que o capital internacional, não havendo a possibilidade de a Petrobras ser privatizada, quer que ela continue atuando no Pré-Sal, porém, associada às suas empresas, porque sabe que ela descobre petróleo.

Aliás, um representante deste capital internacional, quando perguntado se a Petrobras iria se soerguer depois do escândalo, respondeu que sim, porque “ela tem um excelente quadro técnico e muitas reservas”. Fiquei esperando ele dizer: “ambos conquistados graças ao monopólio estatal”. Mas isso ele nunca dirá, apesar de saber.

Segundo a antiga diretoria da Petrobras, o roubo na empresa foi de US$ 4 bilhões a US$ 5 bilhões. O Pré-Sal possui, possivelmente, mais uns 100 bilhões de barris de petróleo, a serem ainda descobertos. Sendo conservador, se for usado o preço médio do barril, para um período de 50 anos, de US$ 80, o petróleo a descobrir vale US$ 8 trilhões. Então, o brasileiro deve dar mais importância ao roubo da Petrobras ou ao roubo do Pré-Sal, cujo prejuízo potencial é 2 mil vezes maior?

Brasil exporta cerca de 112 trilhões de litros de água doce por ano

Por Thais Lobo | Via O Globo

Soja, uma das grandes consumidoras de água do país. Os recursos hídricos não entram no preço do produto.

Atuação no mercado de commodities coloca em pauta a exportação indireta de recursos hídricos.

Contêineres saem diariamente de portos na costa brasileira abarrotados de carne bovina, soja, açúcar, café, entre outros produtos agrícolas exportados para o mundo. Mas dentro deles há um insumo invisível, cujo valor ultrapassa cálculos estritamente econômicos. Ao longo do ano, o Brasil envia ao Exterior cerca de 112 trilhões de litros de água doce, segundo dados da Unesco — o equivalente a quase 45 milhões de piscinas olímpicas ou mais de 17 mil lagoas do tamanho da Rodrigo de Freitas. Tantos litros são o total dos recursos hídricos necessários para produzir essas commodities. E colocam o país como o quarto maior exportador de “água virtual”, atrás apenas de Estados Unidos (314 trilhões litros/ano), China (143 trilhões litros/ano) e Índia (125 trilhões litros/ano).

A exportação desse recurso, ainda que indiretamente, tende a crescer num cenário de escassez global, pressionando o país a pensar em políticas públicas voltadas à gestão hídrica.A posição do Brasil no alto do ranking não se deve tanto ao desperdício da água ou à falta de produtividade nas atividades agropecuárias do país, mas principalmente a um fenômeno global de escassez dos recursos hídricos. Num momento em que países como Malta e Kuwait têm 92% e 90%, respectivamente, de “água virtual” importada em seus produtos, o Brasil, com disponibilidade hídrica e territorial, tende a ganhar relevância. Segundo estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), entre 2007 e 2010, as commodities avançaram de 41% para 51% no total de produtos vendidos pelo país ao exterior.

As Nações Unidas (ONU) estimam que, até 2025, cerca de dois terços da população mundial estarão carentes de recursos hídricos, sendo que cerca de 1,8 bilhão enfrentarão severa escassez de água. Na metade do século, quando já seremos 9 bilhões de habitantes do mundo, 7 bilhões enfrentarão a falta do recurso em 60 países. A água, portanto, já é motivo de conflitos em várias regiões do mundo.

— A alocação dos recursos hídricos, além de ambiental, é uma questão econômica, porque quando a água é escassa é preciso destiná-la para onde haverá maiores benefícios para a sociedade. Mas sendo a água um bem público, o mercado não é o único determinante. A água deve ser usada para produzir alimentos para a população, para culturas ligadas a biocombustíveis ou para plantações de commodities para exportação? Isso é uma escolha política — aponta Arjen Hoekstra, criador do conceito de “pegada hídrica” e autor de diversos estudos sobre água virtual numa parceria entre Unesco e a Universidade de Twente.

Recursos hídricos sem preço

Um dos principais parceiros comerciais do país, a China possui 6% da água doce do planeta e já sofre com uma escassez do recurso, aliada a uma redução das terras agricultáveis — desde 1997, o país já perdeu 6% de sua área cultivável devido à erosão e urbanização. No Brasil, o cenário é outro: o país dispõe 40% de terras aráveis, abriga 12% da água doce do planeta e recebe chuvas abundantes durante o ano em mais de 90% do território — ainda que numa distribuição hídrica desigual, com um semiárido de água escassa.

— O Brasil não tem dependência de irrigação, precisa apenas administrar a água da chuva. Não há também a questão populacional, com uma competição entre agricultura e cidades. E enquanto na China há 250 mil unidades agrícolas, no Brasil são apenas 5 mil — enumera Marcos Jank, professor da Esalq-USP e especialista em agronegócio.

A crescente demanda por alimentos de um país que pretende crescer 7,5% este ano provocou uma disparada nos preços das commodities brasileiras. Em 2011, a soja, principal produto exportado a Pequim, teve o preço elevado em 31,6%. A China também foi o principal destino das exportações brasileiras, totalizando US$ 44,3 bilhões no ano passado.

— A tendência de queda dos preços das commodities foi revertida nesta última década com a escassez de água e degradação dos solos mundialmente. E a China foi a principal responsável por essa uma mudança no padrão de comércio — afirma Jank. — O Brasil tem tudo para aproveitar isso, mas hoje a agricultura brasileira está se tornando um negócio de alto custo devido às taxas de câmbio, juros altos e problemas de infraestrutura. São problemas domésticos que estão tirando a possibilidade de usar melhor o boom asiático a nosso favor.

A soja brasileira exportada sustenta, sob a forma de ração, boa parte do rebanho bovino da China, que tem aumentado exponencialmente seu consumo de carne. Segundo projeção da “Economist”, o consumo de carne bovina na China entre 1985 e 2009 demandou em recursos hídricos o equivalente ao uso anual de água em toda a Europa.

Água sustentável

A pegada hídrica têm ajudado a mudar o entendimento de que a água é algo finito e gratuito. O desafio agora, segundo especialistas, é melhorar a precisão dos números para, assim, adotar o conceito no comércio formal.

— Atualmente, ninguém paga o preço total pelo consumo de água. A escassez e a poluição precisam ser incluídas no preço das commodities. Isso criaria um incentivo para consumir e poluir menos. Mas as legislações também podem ser melhoradas e em alguns produtos pode ser útil incluir o uso de água sustentável no rótulo — sugere Hoekstra.

A Austrália, sexto maior exportador de água virtual (89 trilhões de litros por ano), segue um modelo de distribuição de recursos hídricos inovador. Foi o primeiro país a instaurar um sistema de comércio da água em 1982: o governo define uma parcela a ser usada pelos agricultores, que podem vender parte dessas licenças de uso que acreditam estarem excedentes. As transações pelos direitos de uso da água no país movimentaram US$ 1,5 bilhão entre 2010 e 2011, segundo dados divulgados pela Comissão Nacional de Água em dezembro passado. Hoje, o sistema passa por uma reforma para reduzir distorções de mercado e dar mais transparência às negociações.

Críticos afirmam que o modelo de privatização dos recursos hídricos deixa os agricultores sujeitos às flutuações de mercado. O australiano Mike Young, do Instituto de Meio Ambiente da Universidade de Adelaide e autor do capítulo sobre água do estudo ONU para a Rio+20, acredita que este sistema é capaz de mensurar de forma eficiente o recurso e garantir a sua preservação.

— Assim como a Austrália, o Brasil tem muita água, portanto está em vantagem em termos de usar este recurso de modo inteligente para produzir a maior quantidade de bens possível. O futuro do manejo da água está na alocação deste recurso e não em tentar quantificar precisamente quanta água está incluída nas commodities exportadas — defende Young. — De fato, precisamos encontrar meios mais eficientes de usar a água, mas não é preciso ficar preocupado com quanta água é usada em cada produção se o governo estabelece um sistema de alocação. É preciso entender que o comércio cria grandes oportunidades de negócios.

No Brasil, a cobrança pelo uso da água na irrigação de plantações funciona através de um sistema de outorgas, dada por órgãos gestores estaduais ou pela Agência Nacional de Águas, quando o recurso hídrico é de domínio da União. O sistema, vigente desde 1997, ainda enfrenta desafios, já que a fiscalização do uso da água no setor agrícola é mais difícil do que em áreas urbanas e industriais, mais concentradas territorialmente.

— O controle dos recursos naturais vai se tornar mais complexo no século XXI porque o uso se tornará mais competitivo. O Brasil ainda tem uma área de expansão agrícola, então o país precisa se planejar para as próximas décadas de modo que o crescimento da área irrigada seja sustentável — prevê Mônica Porto, engenheira ambiental da Politécnica da USP. — Não há nada de errado em o Brasil exportar água através das commodities se há essa disponibilidade hídrica. A forma como isso é gerenciado internamente é o que importa, através do controle do uso e do aumento de produtividade.

Escolhas políticas

A escassez de água em alguns países, de fato, pode levar a escolhas políticas para restringir a exportação de alimentos. O governo de Israel, por exemplo, desencoraja a exportação de laranjas — tradicionalmente cultivadas com um sistema de irrigação pesado —, para evitar que grandes quantidades de água virtual sejam exportadas para diferentes partes do mundo.

Mesmo no Brasil, abundante de recursos hídricos, precisa levar em conta o uso de água nas culturas diante de uma distribuição desigual em seu território. Menos povoada, a Região Amazônica concentra a maior parte da água superficial do país, enquanto a populosa Região Sudeste tem disponível 6% do total da água doce. No semiárido nordestino, os rios são pobres e temporários, o que acaba criando uma pluviosidade baixa.

— A pegada hídrica tem que ter relação com o local onde é produzida a cultura agrícola. Produzir uma pecuária leiteira no Agreste Nordestino vai demandar muito mais água do que fazer o mesmo no Centro-Oeste, onde a pluviosidade é muito maior — afirma o engenheiro ambiental Michael Becker, coordenador do Programa Cerrado da WWF Brasil. — Mas além do viés da localização é preciso ter em conta a própria produção, buscando gastar cada vez menos água bruta para fabricar o mesmo produto.

A otimização pode acontecer através de técnicas de irrigação mais eficientes, como o uso de gotejamento em vez de jatos d’água; o melhoramento de sementes para o plantio em regiões com menos disponibilidade de água; e desenvolvimento de técnicas de contenção da água da chuva. Estima-se que o setor agrícola já contribua atualmente com 92% do consumo total de água no país.

Apesar de a produtividade agrícola no Brasil ter apresentado grandes avanços — com um crescimento de 3,6 % ao ano, segundo estudo da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) de 2011—, especialistas afirmam que é preciso melhorar o diálogo com o setor. A conturbada discussão do Código Florestal no Congresso dá indícios deste desafio.

— Ainda não avançamos o suficiente na discussão entre o setor ambiental e agrícola para que se possa ter um entendimento comum de que um necessita do outro. Precisamos produzir, mas para realmente tirar proveito da exportação de commodities precisamos entender a água como um insumo de produção. O Brasil quer ter no futuro a seca de um Centro-Oeste americano ou preservar este recurso no aspecto de insumo para produção? Essa é uma pergunta que veio para ficar e que vai se tornar cada vez mais frequente daqui para frente — aposta Becker.

***

Weber Figueiredo: 

Esse é o modelo econômico brasileiro que usa o ambiente natural como moeda de trocas internacionais. O Brasil troca seus recursos naturais por computadores, celulares, remédios, remessa de lucros, juros da dívida eterna, digo, externa, bens de capital etc.

Para piorar a situação temos os entreguistas e ignorantes que impedem o desenvolvimento tecnológico nacional. Dentre eles, alguns juízes, com o apoio da TV, os quais, a pretexto de combaterem a corrupção de seus inimigos políticos, trabalham, de forma intencional ou não, para destruir empregos e o que resta de empresas brasileiras com algum grau de autonomia tecnológica.

Esses malfeitores de toga não têm discernimento, nem caráter, nem maturidade para punir apenas os corruptos sem inviabilizar a geração de riquezas do País.

Esses juízes de visão limitada, ou mal intencionada, me lembram aquele policial que para prender um ladrão e depois soltá-lo por delação premiada, mata vários inocentes, se gaba de cumprir a lei, e é aplaudido pelo povo.

Enquanto o povo aplaude e a TV manipula, a tecnologia nacional, que nada tem a ver com a bandalheira política, vai sendo enfraquecida de forma sub-reptícia para ser aniquilada pelas empresas estrangeiras concorrentes.

Crimes sem castigo: Aepet denuncia dez estragos do governo FHC na Petrobras

Por Fernando Siqueira | Via CUT

“Estragos produzidos na Petrobrás, pelo governo FHC, visando desnacionalizá-la:

1993 – Como ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso fez um corte de 52% no orçamento da Petrobrás, previsto para o ano de 1994, sem nenhuma fundamentação ou justificativa técnica.

Ele teria inviabilizado a empresa se não tivesse estourado o escândalo do Orçamento, fazendo com que se esquecessem da Petrobrás. Todavia, isso causou um atraso de cerca de 6 meses na programação da empresa, que teve de mobilizar as suas melhores equipes para rever e repriorizar os projetos integrantes daquele orçamento.

1994 – Ainda como ministro da Fazenda, com a ajuda do diretor do Departamento Nacional dos Combustíveis, Fernando Henrique manipulou a estrutura de preços dos derivados do petróleo, de forma que, nos 6 últimos meses que antecederam o Plano Real, a Petrobrás teve aumentos mensais, na sua parcela dos combustíveis, em valores 8% abaixo da inflação. Por outro lado, o cartel internacional das distribuidoras de derivados teve, nas suas parcelas, aumentos de 32% acima da inflação.

Isto significou uma transferência anual, permanente, de cerca de US$ 3 bilhões do faturamento da Petrobrás para o cartel dessas distribuidoras.

A forma de fazer isso foi através dos dois aumentos mensais, que eram concedidos aos derivados, pelo fato da Petrobrás comprar o petróleo em dólares, no exterior, e vender no mercado, em moeda nacional. Havia uma inflação alta e uma desvalorização diária da nossa moeda. Os dois aumentos repunham parte das perdas que a Petrobrás sofria devido a essa desvalorização.

Mais incrível: a Petrobrás vendia os derivados para o cartel e este, além de pagá-la só 30 a 50 dias depois, ainda aplicava esses valores, e o valor dos tributos retidos para posterior repasse ao Tesouro, no mercado financeiro, obtendo daí vultosos ganhos financeiros, em face da inflação galopante então presente. Quando o Plano Real começou a ser implantado, com o objetivo de acabar com a inflação, o cartel reivindicou uma parcela maior nos aumentos, porque iria perder aquele duplo e absurdo lucro.

1995 – Em fevereiro, já como presidente, FHC proibiu a ida de funcionários de estatais ao Congresso para prestar informações aos parlamentares e ajudá-los a exercer seus mandatos com respaldo em informações corretas.

Assim, os parlamentares ficaram reféns das manipulações da imprensa comprometida. As informações dadas aos parlamentares no governo de Itamar Franco, como dito acima, haviam impedido a revisão da Constituição Federal com um claro viés neoliberal.

Fernando Henrique emitiu um decreto, nº 1403/95, que instituía um órgão de inteligência, o SIAL, Serviço de Informação e Apoio Legislativo, com o objetivo de espionar os funcionários de estatais que fossem a Brasília falar com parlamentares. Se descobertos, seriam demitidos.

Assim, tendo tempo de trabalho para me aposentar, solicitei a aposentadoria e fui para Brasília por conta da Associação. Tendo recursos bem menores que a Petrobrás (que, no governo Itamar Franco, enviava 15 empregados semanalmente ao Congresso), eu só podia levar mais um aposentado para ajudar no contato com os parlamentares. Um dos nossos dirigentes, Argemiro Pertence, mudou-se para Brasília, às suas expensas, para ajudar nesse trabalho.

Também em 1995, FHC deflagrou o contrato e a construção do Gasoduto Bolívia-Brasil, que foi o pior contrato que a Petrobrás assinou em sua história. FHC, como ministro da Fazenda do governo Itamar Franco, funcionou como lobista em favor do gasoduto. Como presidente, suspendeu 15 projetos de hidrelétricas em diversas fases, para tornar o gasoduto irreversível. Este fato, mais tarde, acarretaria o “apagão” no setor elétrico brasileiro.

As empresas estrangeiras, comandadas pela Enron e Repsol, donas das reservas de gás na Bolívia, só tinham como mercado o Brasil. Mas a construção do gasoduto era economicamente inviável. A taxa de retorno era de 10% ao ano, enquanto o custo financeiro era de 12% ao ano. Por isso, pressionaram o governo a determinar que a Petrobrás assumisse a construção. A empresa foi obrigada a destinar recursos da Bacia de Campos, onde a taxa de retorno era de 80%, para investir nesse empreendimento.

O contrato foi ruim para o Brasil pelas seguintes razões: mudança da matriz energética para pior, mais suja; ficar dependente de insumo externo dominado por corporações internacionais, com o preço atrelado ao do petróleo e valorada em moeda forte.

Foi ruim para a Bolívia, que só recebia 18% pela entrega de uma de suas últimas riquezas, a mais significativa. Evo Morales elevou essa participação para 80% (a média mundial de participação dos países exportadores é de 84%) e todas as empresas aceitaram de bom grado.

E foi péssimo para a Petrobrás que, além de tudo, foi obrigada a assinar uma cláusula de “Take or Pay”, ou seja, comprando ou não a quantidade contratada, ela pagaria por ela. Assim, por mais de 10 anos, pagou por cerca de 10 milhões de metros cúbicos, sem conseguir vender o gás no mercado nacional.

Ainda em 1995, o governo, faltando com o compromisso assinado com a categoria, levou os petroleiros à greve, com o firme propósito de fragilizar o sindicalismo brasileiro e a sua resistência às privatizações que pretendia fazer. Havia sido assinado um acordo de aumento de salário de 13%, que foi cancelado sob a alegação de que o presidente da Petrobrás não o havia assinado. Mas o acordo foi assinado pelo então Ministro das Minas e Energia, Delcídio Amaral, pelo representante do presidente da Petrobrás e pelo Ministro da Fazenda, Ciro Gomes.

Além disso, o acordo foi assinado a partir de uma proposta apresentada pelo presidente da Petrobrás. Enfim, foi deflagrada a greve, após muita provocação, inclusive do Ministro do TST, Almir Pazzianoto, que disse que os petroleiros estavam sendo feitos de palhaços. FHC reprimiu a greve fortemente, com tropas do exército nas refinarias, para acirrar os ânimos. Mas deixou as distribuidoras multinacionais de gás e combustíveis sonegarem os produtos, pondo a culpa da escassez nos petroleiros. No fim, elas levaram 28% de aumento, enquanto os petroleiros perderam até o aumento de 13%, já pactuado e assinado.

Durante a greve, uma viatura da Rede Globo de Televisão foi apreendida nas proximidades de uma refinaria, com explosivos, provavelmente pretendendo uma ação de sabotagem que objetivava incriminar os petroleiros. No balanço final da greve, que durou mais de 30 dias, o TST estabeleceu uma multa pesada que inviabilizou a luta dos sindicatos. Por ser o segundo maior e mais forte sindicato de trabalhadores brasileiros, esse desfecho arrasador inibiu todos os demais sindicatos do país a lutar por seus direitos. E muito menos por qualquer causa em defesa da Soberania Nacional. Era a estratégia de Fernando Henrique para obter caminho livre e sangrar gravemente o patrimônio brasileiro.

1995 – O mesmo Fernando Henrique comandou o processo de mudança constitucional para efetivar cinco alterações profundas na Constituição Federal de 1988, na sua Ordem Econômica, incluindo a quebra do Monopólio Estatal do Petróleo, através de pressões, liberação de emendas, barganhas e chantagens com os parlamentares.

Manteve o presidente da Petrobrás, Joel Rennó, que, no governo Itamar Franco, chegou a fazer carta ao Congresso Nacional defendendo a manutenção do monopólio estatal do petróleo, mas que, no governo FHC, passou a defensor empedernido da sua quebra.

AS CINCO MUDANÇAS CONSTITUCIONAIS PROMOVIDAS POR FHC:

1) Mudou o conceito de empresa nacional. A Constituição de 1988 havia estabelecido uma distinção entre empresa brasileira de capital nacional e empresa brasileira de capital estrangeiro. As empresas de capital estrangeiro só poderiam explorar o subsolo brasileiro (minérios) com até 49% das ações das companhias mineradoras. A mudança enquadrou todas as empresas como brasileiras. A partir dessa mudança, as estrangeiras passaram a poder possuir 100% das ações. Ou seja, foi escancarado o subsolo brasileiro para as multinacionais, muito mais poderosas financeiramente do que as empresas nacionais.

A Companhia Brasileira de Recursos Minerais havia estimado o patrimônio de minérios estratégicos brasileiros em US$ 13 trilhões. Apenas a companhia Vale do Rio Doce detinha direitos minerários de US$ 3 trilhões. FHC vendeu essa companhia por um valor inferior a um milésimo do valor real estimado.

2) Quebrou o monopólio da navegação de cabotagem, permitindo que navios estrangeiros navegassem pelos rios brasileiros, transportando os minérios sem qualquer controle.

3) Quebrou o monopólio das telecomunicações, para privatizar a Telebrás por um preço abaixo da metade do que havia gasto na sua melhoria nos últimos 3 anos, ao prepará-la para ser desnacionalizada. Recebeu pagamento em títulos podres e privatizou um sistema estratégico de transmissão de informações. Desmontou o Centro de Pesquisas da empresa e abortou vários projetos estratégicos em andamento, como capacitor ótico, fibra ótica e TV digital.

4) Quebrou o monopólio do gás canalizado e entregou a distribuição a empresas estrangeiras. Um exemplo é a estratégica Companhia de Gás de São Paulo, a COMGÁS, que foi vendida a preço vil para a British Gas e para a Shell. Não deixou a Petrobrás participar do leilão através da sua empresa distribuidora. Mais tarde, abriu parte do gasoduto Bolívia-Brasil para essa empresa e para a Enron, com ambas pagando menos da metade da tarifa paga pela Petrobrás, uma tarifa baseada na construção do Gasoduto, enquanto que as outras pagam uma tarifa baseada na taxa de ampliação.

5) Quebrou o Monopólio Estatal do Petróleo, através de uma emenda à Constituição de 1988, retirando o parágrafo primeiro, elaborado pelo diretor da AEPET, Guaracy Correa Porto, que estudava Direito e contou com a ajuda de seus professores na elaboração. O parágrafo extinto era uma salvaguarda que impedia que o governo cedesse o petróleo como garantia da dívida externa do Brasil. FHC substituiu esse parágrafo por outro, permitindo que as atividades de exploração, produção, transporte, refino e importação fossem feitas por empresas estatais ou privadas. Ou seja, o monopólio poderia ser executado por várias empresas, mormente pelo cartel internacional.

1996 – Fernando Henrique enviou o Projeto de Lei que, sob as mesmas manobras citadas, se transformou na Lei 9.478/97.

Esta Lei contém artigos conflitantes entre si e com a Constituição Brasileira. Os artigos 3º, 4º e 21º, seguindo a Constituição, estabelecem que as jazidas de petróleo e o produto da sua lavra, em todo o território nacional (parte terrestre e marítima, incluído o mar territorial de 200 milhas e a zona economicamente exclusiva) pertencem à União Federal. Ocorre que, pelo seu artigo 26º – fruto da atuação do lobby, sobre uma brecha deixada pelo Projeto de Lei de FHC – efetivou a quebra do Monopólio, ferindo os artigos acima citados, além do artigo 177 da Constituição Federal que, embora alterada, manteve o monopólio da União sobre o petróleo. Esse artigo 26º confere a propriedade do petróleo a quem o produzir.

“O PETRÓLEO AGORA É VOSSO”

1997 – Fernando Henrique criou a Agência Nacional do Petróleo e nomeou o genro, David Zylberstajn, que havia se notabilizado como Secretário de Minas e Energia do Estado de São Paulo, desnacionalizando várias empresas de energia por preços irrisórios, inclusive a Eletropaulo, vendida para a empresa americana AES que, para essa compra, lançou mão de um empréstimo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e não pagou.

Cabe salientar que, dos recursos do BNDES, 50% são originários do FAT – Fundo de Amparo ao Trabalhador – e foram emprestados a empresas estrangeiras para comprar empresas nacionais, que demitiram, em média, 30% dos trabalhadores. Ou seja, o FAT foi usado para desempregar os trabalhadores.

Zylberstajn, no ato de sua posse, com o auditório cheio de empresas estrangeiras ou de seus representantes, bradou: “O petróleo agora é vosso”. Empossado, iniciou os leilões de áreas, já com alguma pesquisa feita pela Petrobrás, com tal avidez entreguista que os blocos licitados tinham áreas 220 vezes maiores do que a dos blocos licitados no Golfo do México.

Zylberstajn, inicialmente, mandou que a Petrobrás escolhesse 10% das áreas sedimentares, de possível ocorrência de hidrocarbonetos, nas 29 províncias onde ela já havia pesquisado, para continuar explorando por mais 3 anos, quando, se não achasse petróleo, teria que devolvê-las à ANP. Depois de 6 meses de exaustivos estudos, a Petrobrás escolheu as áreas que queria. Surpreendentemente, Zylberstajn, aproveitando que a atenção do país estava voltada para a Copa do Mundo de futebol, em realização na França, retomou 30% dessas áreas que a Petrobrás havia escolhido, sob rigorosos critérios técnicos, pelos seus especialistas. Assim, a Petrobrás passou a ter direito de explorar apenas 7% do total das rochas sedimentares brasileiras. Esse prazo de 3 anos se mostrou inviável e foi estendido para 5 anos. Nós publicamos informativos mostrando que as multinacionais tinham 8 anos de prazo contra os 3 da Petrobrás.

1998 – A Petrobrás é impedida pelo governo FHC de obter empréstimos no exterior para tocar seus projetos – a juros de 6% a/a -, e de emitir debêntures que visavam à obtenção de recursos para os seus investimentos.

FHC cria o REPETRO, através do decreto 3161/98, que libera as empresas estrangeiras do pagamento de impostos pelos seus produtos importados, mas sem, contudo, dar a contrapartida às empresas nacionais. Isto, somado à abertura do mercado nacional iniciada por Fernando Collor, liquidou as 5.000 empresas fornecedoras de equipamentos para a Petrobrás, gerando brutais desemprego e perda de tecnologias para o País. Essas empresas haviam sido criadas através do repasse de tecnologia que a Petrobrás gerava ou absorvia. A presença do fornecedor nacional facilitava em muito a operação da empresa.

Ainda em 1998, seis empresas multinacionais (duas delas comandaram a privatização da YPF Argentina – Merryl Linch e Gaffney Cline) passaram a ocupar o 12º andar do prédio da Petrobrás (Edise) para examinar minuciosamente todos os dados da Companhia, sob o argumento de que se tratava de uma avaliação dos dados técnicos e econômicos necessários à venda de ações da Empresa, em poder do governo.

Durante dois anos, essas empresas receberam todas as informações que quiseram dos gerentes da Petrobrás, inclusive as mais confidenciais e estratégicas, de todas as áreas. Reviraram as entranhas da Companhia, de uma forma jamais realizada em qualquer empresa que aliene suas ações.

1999 – Muda-se o estatuto da Petrobrás com três finalidades:

1)permitir que estrangeiros possam ser presidentes da empresa (Philippe Reichstul)

2) permitir a venda de ações para estrangeiros;

3) retirar os diretores da empresa do Conselho de Administração, colocando em seu lugar representantes do Sistema Financeiro Internacional, como Jorge Gerdau Johannpeter (comandante do lobby para a quebra do Monopólio), Roberto Heiss, Paulo Haddad e outros;

Reichstul inicia o mandato cancelando atabalhoadamente (propositalmente?) o contrato da empresa Marítima – fornecimento de 6 plataformas para perfuração exploratória – um mês antes dela incorrer numa grave inadimplência. O cancelamento salvou a Marítima de pesadas multas e ainda deu a ela argumentos para processar a Petrobrás, pedindo R$ 2 bilhões de indenização pelo incrível cancelamento. Ganhou em primeira instância.

Reichstul viaja aos EUA com o ex-jogador Pelé e, juntos, fazem propaganda do lançamento e venda de ações da Petrobrás em Wall Street; o governo vende, então, 20% do capital total da Petrobrás, que estavam em seu poder. Posteriormente, mais 16% foram vendidos pelo irrisório valor total de US$ 5 bilhões. Como a “Ação Direta de Inconstitucionalidade” da AEPET contra o artigo 26, já mencionado, assinada pelo governador Roberto Requião (Paraná), foi derrubada, e a Petrobrás é dona das reservas, em detrimento da União, esses acionistas incorporaram ao seu patrimônio um acervo de 10 bilhões de barris – 36% de 30 bilhões de barris nas mãos da Petrobrás (incluindo 16 bilhões do pré-sal, já cubados) – os quais, pela Constituição pertencem à União.

Como, agora, estamos no limiar do pico de produção mundial, o barril de petróleo, em queda temporária, vai ultrapassar os US$ 100, esse patrimônio transferido, gratuitamente, valerá mais de US$ 1 trilhão. Considerando que já existiam no mercado cerca de 20% das ações em mãos de testas de ferro, o governo, hoje, detém 54% das ações com direito a voto, mas apenas 40% do capital total da Petrobrás (antes das mudanças, o governo detinha 87% do capital total da Companhia).

O poder dos novos e felizardos acionistas de Wall Street os levam a exigir da Petrobrás a quitação dos débitos que a Companhia tem com o Fundo de Pensão (Petros), de preferência pelo menor preço possível. Reichstul usa R$ 8 bilhões em títulos de longuíssimo prazo do governo (NTN tipo B, recebidos na privatização das subsidiárias da Companhia – prazos de 23 e 32 anos) e quita a dívida, financeiramente, mas não atuarialmente, pelo valor de face dos títulos. A Petrobrás contabiliza a saída dos títulos por R$ 1,8 bilhão e o Fundo de Pensão os recebe por R$ 8 bilhões.

Reichstul dobra o salário dos gerentes da Petrobrás, amplia o número deles, e lhes dá poderes ilimitados para contratar empresas e pessoas. Ganha com isso o apoio para fazer todas as falcatruas que planejava. Desmonta a competente equipe de planejamento da Petrobrás e contrata, sem concorrência, a Arthur De Little, empresa americana, presidida pelo seu amigo Paulo Absten, para comandar o planejamento estratégico da Companhia.

Isto resulta numa série de desastres consecutivos. Entre eles, a compra de ativos obsoletos na Argentina, na Bolívia e em outros países. Os gerentes – cooptados – se fartam de contratar empresas e pessoas, sem controle. A terceirização atinge o estrondoso absurdo de 120.000 contratados, com nepotismo e corrupção, enquanto os empregados efetivos caem de 60.000 para cerca de 30.000, seguindo a estratégia aplicada na Argentina, de enxugar para desnacionalizar. Abre-se acesso às entranhas da empresa para pessoas alocadas por empreiteiras e concorrentes estrangeiras.

Reichstul tenta mudar o nome da empresa para Petrobrax, para facilitar a pronúncia dos futuros compradores estrangeiros. Causa uma reação de indignação nacional e recua. Mas segue a sua meta desnacionalizante e divide a empresa em 40 unidades de negócio, seguindo a proposta do Credit Suisse First Boston, apresentada ao Governo Collor, para a desnacionalização da Companhia. Pulveriza as equipes técnicas, desmantelando a tecnologia da empresa e preparando para, através do artigo 64 da Lei 9478/97, transformar cada unidade de negócio em subsidiária e privatizá-las, como iniciou fazendo com a Refinaria do Rio Grande do Sul, a Refap.

Essa privatização foi feita através de uma troca de ativos com a Repsol Argentina (pertencente ao Banco Santander, braço do Royal Scotland Bank Co), onde a Petrobrás deu ativos no valor de US$ 500 milhões – que avaliamos em US$ 2 bilhões – e recebeu ativos no valor de US$ 500 milhões, os quais, dois dias depois, com a crise da Argentina, passaram a valer US$ 170 milhões.

A avaliação dos ativos foi feita pelo banco Morgan Stanley, do qual Francisco Gros era diretor, acumulando, desde o inicio da gestão Reichstul, o cargo de membro do Conselho de Administração da Petrobrás. Gros, segundo sua biografia publicada pela Fundação Getúlio Vargas, veio para o Brasil, como diretor do Morgan Stanley, para assessorar as multinacionais no processo de privatização. Através de sindicalistas do Rio Grande do Sul, entramos com uma ação judicial na qual ganhamos a liminar, cassada, mas que interrompeu esse processo de desnacionalização.

A gestão Reichstul levou a empresa a um nível de acidentes sem precedentes na sua história: 62 acidentes graves – em dois anos – contra a série histórica de 17 acidentes em 23 anos (1975 a 1998), segundo relatório publicado pelo Conselho Regional de Engenharia do Estado do Paraná.

Nós pedimos investigação de sabotagem aos vários órgãos de segurança: Polícia Federal, Marinha, Procuradoria Federal. Não investigaram, mas os acidentes cessaram.

2001 – Reichstul, desgastado, dá lugar a Francisco Gros, que, ao assumir a presidência da Petrobrás, num discurso em Houston, EUA, declara que, na sua gestão, “a Petrobrás passará de estatal para empresa privada, totalmente desnacionalizada”.

Gros compra 51% da Pecom Argentina, por US$ 1,1 bilhão, embora a dita empresa tenha declarado, publicamente, um déficit de US$ 1,5 bilhão; cria um sistema para mascarar acidentes, nos quais os acidentados não os possam reportar; tenta implantar um plano de Benefício Definido no fundo de pensão – Petros.

Faz, ainda, um contrato de construção de duas plataformas com a Halliburton, com uma negociação obscura, sem concorrentes, que resulta, além de um emprego maciço de mão-de-obra estrangeira, em dois atrasos superiores a um ano e meio. Esses atrasos fizeram com que, pela primeira vez na história da empresa, houvesse uma queda de produção, fato ocorrido em novembro de 2004. Apesar desses atrasos, a Halliburton não pagou multa e ainda ganhou cerca de US$ 500 milhões adicionais da Petrobrás, em tribunal americano.

Com a eleição de Lula para a presidência da República, antes da sua posse, houve uma renegociação em massa dos contratos de serviço em andamento, com novos prazos, superiores a 4 anos, de forma a criar uma blindagem ao novo governo, impedindo as reanálises, renegociações ou revogações dos contratos feitos sem concorrência, incluindo empresas ligadas aos amigos de alguns gerentes do governo FHC.”

***

PS do Desenvolvimentistas: Em tempos sombrios de ataques a Petrobras e distorção da narrativa que visa creditar ao atual governo todo o mal, é fundamental que lembremos quando teve o início a sabotagem a nossa mais importante estatal e o motivo de o mercado apostar na tese do “quanto pior, melhor”.  A descoberta do Pré-Sal botou o Brasil no mapa geopolítico, isso nos torna alvo preferencial de especulações e articulações estrangeiras que desejam avidamente se apossar de nossos recursos.

A falta d’água, os projetos esquecidos e as soluções: Entrevista com professor Bento Araújo

Por Rennan Martins | Vila Velha, 06/02/2015

Retirada de água do volume morto do Cantareira. G1/Reprodução

As perspectivas de escassez hídrica para 2015 são preocupantes. A baixa dos reservatórios teve início no estado de São Paulo e agora se alastra por toda a região sudeste. Por parte dos governantes, o que observamos é apatia e receio de tomar medidas que atinjam frontalmente o conforto da população e as atividades econômicas.

Porém, as soluções existem e basta vontade política para materializá-las, é o que sustenta o engenheiro e ex-professor da PUC-MG, Bento Araújo. Grande conhecedor da técnica, o professor traça um histórico de projetos abandonados que teriam evitado este quadro, sustenta que o sucateamento de setores estratégicos é feito visando a privatização, e nos lista diversas soluções tecnológicas de curto e médio prazo como a perfuração de poços, o uso de água da chuva para fins não potáveis e até mesmo a dessalinização como formas de enfrentar esta questão central para a sociedade.

Confira:

Como explicar o atual quadro de severa escassez hídrica que se manifestou inicialmente em SP e agora se alastra pelo sudeste inteiro? Quais os principais fatores que influíram neste quadro?

Essa crise hídrica atingiu gravemente os estados de Minas e São Paulo, que são os mais afetados em razão de elevado número de pessoas atingidas pela crise. Nos estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo e no polígono das secas no nordeste a população também sofre muito com a crise hídrica.

Essa crise hídrica atual poderia ter sido evitada e era perfeitamente previsível. Houve descaso dos governos que não investiram em saneamento básico. No Brasil, os investimentos nessa área não ultrapassam 1% do PIB. As últimas obras de grande porte nessa área ocorreram ainda nas décadas de 1970 e 1980. Desde essa época pouco se investiu em novos projetos e ampliação e na manutenção adequada dos sistemas existentes, como o desassoreamento recondicionamentos dos conjuntos moto-bomba, manutenção básica nos sistemas de bombeamento e filtragem, etc.

Portanto houve muito descaso dos governos, principalmente em Minas Gerais (muitos pecuaristas mineiros no noroeste do estado perderam o gado que morreu de sede) e em São Paulo a situação se agrava com a estiagem desde maio de 2014, inclusive a diretoria e a presidência da Sabesp, por causa da grave crise hídrica, foi recentemente trocada pelo governador reeleito Geraldo Alckmin no início do segundo mandato, mas já causou muito desconforto as notícias divulgadas pelos depoimentos do ex-diretores nos jornais sobre muitos projetos importantes da Sabesp que foram cancelados e postergados. Essas notícias foram veiculadas nos jornais de São Paulo. Muitos projetos prontos na Sabesp desde 1990, nunca saíram do papel como o importante Sistema de Captação de São Lourenço, que abastecerá a região metropolitana da Grande São Paulo, de porte muito maior que o Sistema de Captação da Cantareira, foi inúmeras vezes postergado desde o governo de Mario Covas.

Agora sob forte pressão da população, pressão interna dos técnicos e especialistas em saneamento básico e do corpo técnico da própria SABESP, o governador refletiu sobre os impactos da seca e da falta dos investimentos e com bom senso, caiu a ficha. Alckmin autorizou o início da implantação do projeto Sistema de Captação São Lourenço, ele também informou que iniciará o projeto de reúso de água em algumas regiões do estado.

O racionamento de água em São Paulo foi anunciado na mídia na semana passada, os paulistanos ficarão sem água por cinco dias na semana e terão apenas dois dias de suprimento por semana, isto já está acontecendo nas cidades da Grande São Paulo desde o dia 2 de fevereiro.

Outros projetos em São Paulo como o Sistema de Captação Artesiana de Botucatu, região mais favorável para implantação de um sistema de captação profunda no estado, nunca saiu do papel, mas foi largamente divulgado pelas diretorias que saíram na gestão anterior.

A estiagem deste verão é realmente mais intensa que as normais? Ela não era previsível?

Sim, mas não foi mais intensa que a crise de 2001, teve igual intensidade. No passado a crise hídrica originou os apagões no sistema elétrico brasileiro. Foi muito similar, entretanto, pois naquela época o governo tinha uma forte bandeira privativista para o setor elétrico e desde o governo Collor os projetos de ampliação do Sistema de Transmissão foram completamente paralisados nos governos Collor e FHC com vistas a justificar as privatizações, incluindo também a suspensão de projetos de 32 novas hidrelétricas e a ampliação dos troncos de transmissão elétrica norte-centro-oeste, sul-sudeste, nordeste-sudeste, todos foram cancelados com a justificativa das privatizações, pois o apagão seria um forte argumento dos privativistas para entregar as 26 empresas estatais de energia ao capital privado estrangeiro, previsto de forma clara no Programa de Desestatização do governo na década de 1990. Isto fez causar o colapso no sistema elétrico brasileiro e serviu para o governo como bandeira para justificar a total privatização do sistema de distribuição elétrica realizada em todos os estados do Brasil.

Esse fenômeno do “superaquecimento global” acontece ciclicamente, e de forma acentuada a cada 12 a 15 anos, e é conhecido na NASA como CME (sigla em inglês de massa de escape coronal, uma mancha solar observada pelos cientistas há décadas, que faz aumentar a radiação em forma de ondas magnéticas que escapam em erupção do sol, o que pode afetar o sinal de satélites e linhas de transmissão elétrica). Outros fatores para a intensificação das estiagens estão associados a questões climáticas e da poluição, excesso de CO2 que acentua o efeito estufa, e também o desmatamento acelerado, avanço da produção agrícola sobre a selva amazônica, etc. Os desmatamentos na selva amazônica estão diminuindo graças ao controle de órgãos públicos gestores do meio ambiente (IBAMA e órgãos estaduais) e o sistema de monitoramento via satélite existente no INPE em São José dos Campos que monitora em tempo real toda a área do território brasileiro. Os efeitos do CME que ocorre lateralmente no sol na região denominada pela NASA de região solar 1402 no mapa solar traçado pela agência espacial americana e afetam ambos os hemisférios, a cada 12 a 15 anos ocorrem de forma acentuada, e a cada ciclo de 150 anos esse fenômeno é variável de maior intensidade, criando ciclos máximos de resfriamento e aquecimento global. No momento estamos no meio de um ciclo máximo de aquecimento. Portanto essa seca está afetando diversos países do mundo e principalmente as regiões desérticas da Espanha, EUA, toda a Africa, América do Sul, América Central e países asiáticos.

A única diferença em relação aos países mais secos afetados é que esses governos já planejam desde longa data a implantação de projetos alternativos para produção de água potável tais como os projetos de captação artesiana e os projetos de sistemas de dessalinização que seriam perfeitamente viáveis e aplicáveis aqui no Brasil para as regiões próximas até 200 km da Costa. A água obtida é de excelente padrão de potabilidade, poderiam ser projetadas plantas na região da costa e a água seria bombeada através de dutos revestidos. Na Espanha, Israel, Turquia e muitos outros países com regiões áridas e semiáridas, esses sistemas são usados há muitas décadas. Essa alternativa de dessalinização já está sendo estudada e avaliada pelos governos do Pernambuco, do Ceará e na Ilha de Fernando de Noronha. A dessalinização já existe e é uma realidade em razão da grande movimentação turística.

Fui professor de Hidráulica na PUC-MG na década de 1970 e conheço bem essa matéria, realmente só depende da vontade política dos governos no Brasil para tomar medidas pró-ativas e evitar novas crises no futuro.

Recentemente repassei a dezenas de jornalistas diversas matérias que publiquei na mídia com muitas proposta de soluções, e como estou aposentado após 45 anos atuando na engenharia, propus ajudar os governos na elaboração de uma Programa de Ações de Contingência e Programa de Investimentos Robustos em Saneamento Básico, até hoje ainda não tive retorno, mas estou à disposição para ajudar no delineamento desse programa que em médio prazo evitará a necessidade de racionamentos no futuro.

Como explicar o fato do racionamento ainda não ter sido declarado oficialmente? As medidas até aqui tomadas têm sido efetivas?

Essas medidas “paliativas” dos governantes resolvem apenas uma situação momentânea e não evitam novas crises, porém mesmo as medidas paliativas têm sido postergadas desde agosto de 2014 para evitar desgaste político. Portanto, na maioria dos estados esse assunto foi ocultado pelos governadores a fim de preservar suas imagens, mas o problema se agravou porque as medidas eficazes não foram tomadas nos estados atingidos.

Sobre a SABESP. É possível afirmar que a abertura do capital pela qual passou a empresa influi na atual crise hídrica?

Não resolve o problema, pois trata-se de algo puramente político e não técnico. As soluções técnicas todos os engenheiros especialistas as conhecem muito bem. Falta apenas vontade política dos governantes para consolidar esses projetos robustos e definitivos e não ficar mais dependendo das chuvas. Existem projetos alternativos adotados em todo o mundo, e ainda mais no Brasil, que detém 12% dos recursos hídricos mundiais. Aqui teríamos bons resultados com essas soluções.

A privatização já aconteceu em algumas regiões do estado de São Paulo com a concessão de águas e esgotos para a empresa privada DAE (região de Campinas e cidades da Serra do Japi) e como nessa serra existem mananciais naturais, o suprimento da água em Campinas e Jundiaí e Vinhedo não está sujeito ao racionamento.

As fontes de água naturais e nascentes na região da Serra do Japi são “presentes” da natureza, não resultado da privatização. Observe que em Itu, uma cidade vizinha que já sofre com o racionamento, mesmo com a privatização (DAE) nenhuma ação eficaz foi tomada após as crises hídricas locais, ocorridas em 2013 e 2014, e agora em 2105 a situação está extremamente agravada.

A mídia local mostra que a crise afetou muitas cidades na região de Sorocaba e Itu e que o Sistema do Alto Tietê, implantado há décadas, não dá conta do aumento do consumo dos últimos anos. Por essa razão o Sistema São Lourenço sairá do papel após vários adiamentos e entraves em órgãos ambientais. Veja que as informações e dados da ANAC e da SABESP sobre a crise hídrica em São Paulo são muito divergentes e não se somam para obter uma solução definitiva. Os técnicos da SABESP têm mostrado que o cancelamento e adiamento de muitos projetos da própria estatal muitas vezes esbarram em questão ambientais e divergências dos RIMA’s (Relatório de Impacto Ambiental) que ficam travados no IBAMA por muitos anos, pois mesmo sendo soluções práticas e tecnicamente simples os órgãos de controle ambiental por vezes algumas dificuldades. Aqui em Minas Gerais o órgão controlador CETEC e em São Paulo é a CETESB, ambos atuam de forma muito rígida no controle ambiental, e a ANAC e o IBAMA também intervêm, portanto não depende somente da SABESP, depende na união de todos os órgãos de controle em obter um “programa robusto único” para todo o Brasil, logicamente com algumas diferenciações em razão da geologia de cada região.

Por exemplo, os poços artesianos em Minas Gerais tem necessidade de tratamento por conta dos altos teores de ferro presentes na água captada e para isto existem eficientes tratamentos que adéquam a turbidez e clarificam essa água ferruginosa. Nos poços artesianos do Nordeste existem muitos outros componentes na água que precisam tratamentos diferenciados, tais como os sais de sódio e magnésio, de cloretos, e de areia, nada que um bom filtro e um bom polieletrólito não possa resolver. Porém, em algumas regiões, principalmente onde existem bacias sedimentares, a presença de jazidas e campos de petróleo no solo como nos estados da Bahia, Alagoas, Sergipe e mais intensamente no Rio Grande do Norte, encontramos água salobra com muitos contaminantes, o que as torna não indicadas para uso humano, estas são geralmente usadas para irrigação, e não para consumo.

Portanto, cada região do país tem características diferentes em função das formações geológicas.

O senhor é um grande conhecedor dos projetos de saneamento e captação de água brasileiros. Houve algum que se executado teria evitado esta situação? Se sim, por que não foi executado?

Nos estados do Ceará e no Pernambuco a dessalinização é utilizada e já foram implantados sistemas com essa tecnologia na Ilha de Fernando de Noronha, por ser região turística reconhecida internacionalmente, o governo implantou esse sistema de dessalinização, usando a tecnologia de membranas. Outros nove estados do Brasil os governos estão avaliando essa tecnologia. O custo da dessalinização é três vezes superior ao custo da captação em rios e mananciais, mas na falta de recursos hídricos nas regiões secas, é uma boa solução.

Essas tecnologias alternativas de produção de água potável por dessalinização e o “waterex fresh water” (muito usado no Líbano) se equiparam com a situação das termelétricas, são caras e tem custo operacional alto cerca de 30 vezes o custo do KWH gerado por fontes hídricas, mas são necessárias nos períodos de seca intensa. A construção dessas usinas termelétricas feitas pela Petrobras na gestão da engenheira Graça Foster, ex-diretora da Diretoria de Gás e Energia, foi que salvou o Brasil de um racionamento de energia nessa seca de 2014 e se arrasta em 2015.

Quanto aos sistemas de captação profunda (artesiana e semi-artesiana) já existem milhares de poços operando em sítios e fazendas utilizados para irrigação da lavoura e alguns casos quando se encontra um “padrão de potabilidade” ou com baixos teores de impurezas, a água captada é tratada para o consumo humano, isto é uma realidade em propriedades privadas e em muitas regiões do Brasil. No noroeste de Minas Gerais, região duramente afetada pelas secas, existem fazendas com centenas de poços artesianos, muitos tem tratamento para uso humano e outras para irrigação e outras para o gado, isto evitou a morte do gado em muitas fazendas da região.

O aquífero Guarani é uma opção de enfrentamento da escassez, quanto ele está sendo explorado? É possível intensificar o uso destes lençóis?

Sem dúvida, já existem milhares de poços artesianos em sítios e fazendas, essa solução precisa ser adotada como padrão a ser orientado pela ANAC e pelos governos estaduais, não somente por iniciativa dos proprietários rurais.

Quais são as chances de ocorrer uma crise humanitária em SP? É possível que precisemos evacuar algumas regiões?

Não considero necessário pois existem soluções técnicas de curto prazo, até mesmo um estudo de interligação de bacias hidrográficas. Não será necessário retirar pessoas por conta das secas, já encaminhei aos estados soluções para cada região do país e muitas repassei a jornalistas.

Que medidas de curto prazo devem ser implementadas?

a – Medidas paliativas imediatas:

- Redução no consumo em sistemas de irrigação racionalizando o consumo. A maioria das lavouras no estado utilizam sistema de irrigação por aspersores rotativos, isso causa uma perda de 80% do volume de água. Recomendamos para esses sistemas de irrigação nas lavouras a troca desses aspersores por tubos de pvc com gotejadores que além de reduzir para um quinto o consumo geram maior produtividade na agricultura;

- Perfuração de poços artesianos e semiartesianos próximos as maiores demandas de consumo;

- Programas de conscientização nos canais de TV mostrando as maiores perdas como lavagens de calçadas, limpeza, etc. Estimular a captação de água de chuva para serviços de limpeza doméstica e não usar água potável tratada para essas aplicações;

b – Medidas de racionamento; com o agravamento da crise os governos de Minas Gerais e São Paulo já anunciaram o racionamento. Na região metropolitana de São Paulo a água somente é fornecida dois dias por semana, a população está convivendo a duras penas com essa situação;

c – Desengavetar os projetos na SABESP. O projeto do Sistema de Captação de São Lourenço já está sendo retomado após 20 anos de arquivamento, mas existem outros ainda arquivados, como as captações profundas de Botucatu, etc;

d – Elaboração de um Plano de Ação Conjunto de Projetos Alternativos de Captação e Produção de Água Potável dos governos dos estados brasileiros atingidos (nordeste, centro-oeste, sudeste, sul) com a ANAC para implantar esses projetos alternativos em todo o país. Estou à disposição para elaborar o projetos conceituais e projetos básicos desses sistemas e de dutos de água, caso os governos necessitem sou engenheiro mecânicos e especialista em térmica e hidráulica.

Conselho da Petrobras se reúne para aprovar novo CEO e diretores

Por Marta Nogueira | Via Reuters

Rio de Janeiro – O Conselho de Administração da Petrobras se reúne nesta sexta-feira para eleger cinco novos diretores e ratificar um nome indicado pela Presidência da República para ocupar a cadeira de presidente-executivo da petroleira estatal.

O encontro, marcado para as 9h, já fazia parte do calendário do conselho, mas de última hora a pauta teve que ser alterada, após a apresentação da renúncia inesperada de cinco diretores e da presidente Maria das Graças Foster, nesta semana.

O novo comando da empresa terá entre seus desafios iniciais a regularização da publicação das demonstrações financeiras da estatal. Isso em meio à apuração de um escândalo de corrupção que exigirá que a estatal realize baixas contábeis de ativos sobrevalorizados.

Entre os nomes apontados pelo mercado como possíveis para assumir a presidência da Petrobras estão o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles, o ex-presidente da mineradora Vale Roger Agnelli, o atual presidente da Vale, Murilo Ferreira, o ex-executivo da Petrobras e OGX Rodolfo Landim, além do ex-CEO da companhia petroquímica Braskem José Carlos Grubisich.

Saída inesperada

A saída dos executivos, anunciada na quarta-feira, aconteceu quase um ano após a deflagração da Operação Lava Jato, da Polícia Federal, que investiga o suposto esquema de corrupção, no qual funcionários e ex-funcionários da estatal teriam desviado recursos da petroleira para pagamento de subornos e para financiar partidos políticos.

Os novos diretores vão substituir os seguintes executivos que renunciaram: Almir Barbassa (Finanças), José Carlos Cosenza (Abastecimento), José Miranda Formigli (Exploração e Produção), José Alcides Santoro (Gás e Energia) e José Antônio Figueiredo (Engenharia, Tecnologia e Materiais).

Permanecem na diretoria João Elek Junior, recentemente empossado para a nova diretoria de Governança, Risco e Conformidade, e José Eduardo Dutra, diretor Corporativo e de Serviços.

A renúncia dos executivos nesta semana surpreendeu integrantes do governo, que previam uma mudança na diretoria apenas no fim do mês, segundo uma fonte governamental.

Os diretores não aceitaram ficar no cargo por mais tempo, quando a saída deles foi dada como certa, após a presidente Dilma Rousseff finalmente aceitar o pedido de demissão de Graça Foster, segundo outra fonte próxima à diretoria da estatal.

Já bastante desgastados, os diretores não quiseram mais ser diretamente associados ao escândalo de corrupção, um dos maiores da história do país, sem denúncias de que teriam participado.

A situação dos diretores foi agravada depois que a companhia apresentou, com atraso de mais de dois meses, o balanço do terceiro trimestre não auditado.

O atraso foi causado pela dificuldade da companhia em incluir no seu relatório financeiro informações sobre a suposta corrupção que teria comprometido os números da Petrobras.

Agora, a nova diretoria terá como missão correr contra o tempo para apresentar os números do quarto trimestre dentro do prazo, até o fim de abril, auditado e com as baixas contábeis.

A não apresentação dos números dentro do prazo poderá causar questionamentos de credores e até mesmo a execução imediata de dívidas bilionárias de detentores de títulos.

Crise hídrica: O burro na sala dos paulistas

Por Luciano Martins Costa | Via OI

Inconfidência de funcionário que trabalha na assessoria de comunicação do governo de São Paulo dá conta de que a comissão de gestão da crise hídrica não considera seriamente realizar um racionamento de cinco dias sem água e dois dias com fornecimento. Técnicos afirmam que os riscos seriam muito grandes.

O ponto máximo do corte seria quatro dias sem água seguidos de dois dias com fornecimento sob pressão reduzida. A ameaça de cinco dias de seca é o burro na sala.

Há um grande descontentamento em algumas secretarias cujas atribuições são afetadas diretamente pela incúria da Sabesp e do governador Geraldo Alckmin. Os assessores de comunicação dessas secretarias foram alijados do centro de decisões e se veem obrigados a lidar diariamente com medidas restritivas que são inventadas sem que sejam consultados. A secretaria da Educação, por exemplo, foi surpreendida pelo anúncio de corte de verba para higiene e limpeza nas escolas públicas.

A centralização de decisões é uma das medidas mais comuns na gestão de crises que podem afetar a reputação de governantes ou de empresas. Portanto, compreende-se a preocupação do governador Geraldo Alckmin e seu subsecretário de Comunicação em evitar que os bastidores de reuniões estratégicas vazem por meio de funcionários descontentes.

No entanto, a preocupação não tem fundamento, porque a imprensa não demonstra nenhuma disposição para questionar suas políticas públicas – ou a falta delas. Pelo contrário: diante da evidência de que o corte de fornecimento tem potencial para causar transtornos nas escolas, o que fazem os jornais?

O Estado de S. Paulo publica que as universidades públicas do Estado cogitam suspender aulas, pela impossibilidade de realizar a limpeza de banheiros, por exemplo – e temem que isso venha a prejudicar o andamento de pesquisas. Já a Folha de S. Paulo foi atrás de especulações sobre restrições ao uso de água nas escolas municipais.

Segundo a Folha, alguns diretores de escolas municipais decidiram vetar o uso de escovas de dentes e supervisionar o acesso de alunos aos bebedouros. O texto se refere a interpretações extremadas de uma orientação oficial da Secretaria Municipal de Educação, no sentido de que as escolas promovam ações contra o desperdício, cuidem da manutenção para evitar vazamentos e aproveitem para orientar os alunos sobre o uso racional da água.

Secos e molhados

Como se vê, trata-se de iniciativa necessária, diante da gravidade que a crise pode adquirir com a volta às aulas. O objetivo da recomendação é conseguir que as escolas da capital paulista reduzam em 20% o consumo de água. No entanto, o jornal faz parecer que alguns diretores de escolas municipais são estúpidos ao tomarem “medidas extremas”.

Enquanto isso, a imprensa agasalha passivamente a estratégia de comunicação do governo do Estado, que conseguiu diminuir as notícias negativas sobre as causas da falta de água, por exemplo, dando destaque a iniciativas atuais, que deveriam ter sido tomadas muitos anos atrás.

Nesta quarta-feira (4/2), além das referências às universidades públicas e escolas municipais, o leitor vai encontrar notícias sobre proposta de lei para obrigar os novos edifícios a economizar água e o anúncio de obras para interligar os reservatórios da região metropolitana.

Sempre que é necessário tomar medidas emergenciais, deve-se analisar os possíveis danos colaterais. Por exemplo, a reversão do fluxo do rio Juquiá, já considerada no passado, tem provocado reações de entidades ambientalistas: o rio Ribeira, do qual o Juquiá é tributário, vem sofrendo uma constante perda de volume por causa de abusos na retirada de areia. Essa areia alimenta a indústria de construção civil na capital paulista. Como se vê, a coisa não é assim tão simples.

Sempre foi papel da imprensa mostrar que toda questão tem múltiplas facetas, e não apenas “os dois lados”, como costumam justificar os jornais. No caso das medidas que o governador anuncia com anos de atraso, a imprensa engole, por exemplo, a isca do rodízio de cinco dias e ajuda a empurrar goela abaixo o racionamento que já está em curso há meses.

Jornalistas gostam de repetir a frase de Millôr Fernandes: “Jornalismo é oposição; o resto é armazém de secos e molhados”.

No caso da mídia tradicional brasileira, curiosamente, a citação vale apenas para alguns. Uma imprensa crítica em igual medida para todo o espectro político ajuda a melhorar as instituições públicas. Uma imprensa que se comporta como organização partidária e extensão de assessorias de comunicação é uma constante ameaça à democracia.

A invejável potência da Petrobras

Por Bento Araújo

Muito boa notícia para nós brasileiros, para os empregados e também para as gerências da Petrobras receber essa honrosa premiação mundial, que  demonstra o reconhecimento mundial da capacidade do corpo técnico da empresa.

Lembro-me muito bem do premio que a Petrobras recebeu na OTC nas décadas de 1980/90 pela descoberta dos CAMPOS GIGANTES MARLIM E ALBACORA, e depois na descoberta do CAMPO GIGANTE DE RONCADOR, em 1997.

Com essa recente premiação internacional, pelos recordes e a operação no pré-sal, espero que os políticos entreguistas do passado – que venderam a preços ínfimos parte das ações da Petrobras no NYSE – aproveitem o DUMPING INTERNACIONAL DO PETRÓLEO e recomprem essas mesmas ações, reflitam e parem com esses entreguismos, verdadeiros ataques furiosos e lesa-pátria contra a maior empresa nacional que somente aguça a voracidade de megaespeculadores internacionais.

Ontem as ações subiram 8% por conta dos recordes de produção no refino com a entrada em operação da UNIDADE DE DESTILAÇÃO ATMOSFÉRICA DA RNEST em novembro de 2014 e os recordes em dezembro, a produção de derivados subiu de 2.140.000 para 2.400.000 de barris por dia e na área do PRE-SAL os recordes diários estão aumentando, já superando a faixa dos 700 mil barris por dia. Isto mostra que os campos do pre-sal tem alta produtividade, e explica também a voracidade dos ataques furiosos dos políticos e dos interesses estrangeiros.

Continuemos em frente batendo mais recordes com a entrada em operação da primeira plataforma da série dos FPSOs REPLICANTES, que começará em breve. Ainda bem que comprei um lote de ações na semana passada, já ganhei 15%, todos os brasileiros deveriam fazer o mesmo e pedir a Dilma que libere mais uma vez o uso do FGTS para compra de ações da Petrobras, como fez Lula em 2003.

A Petrobras venceu a crise do “dumping do petróleo” de 1983 a 1986 com trabalho e dedicação, aumentando os números de prospecções e descobrindo os enormes campos de Marlim e Albacora, em 1986. Lembro-me perfeitamente, pois, foi nessa época que prestei o concurso na Petrobras, após ter trabalhado anteriormente 19 anos em outros segmentos da indústria.

O mais importante é que o corpo técnico da Petrobras é competente e adora desafios, essa crise será coisa do passado.

As ações subiram hoje mais 15% no Bovespa. Desejemos sucesso a quem for assumir a presidência da Petrobras e que Deus o ilumine a recomprar as ações no NYSE e continuar incentivando o corpo técnico.

O dumping do petróleo, ontem e hoje

A Veja publicou em 84 uma matéria intitulada “Como a Petrobras venceu a crise do Dumping Internacional do Petróleo de 1983″. Nessa época os EUA articularam a baixa de preços para atingir as economias da Rússia e Irã, por conta da queda do Xá iraniano, Reza Pahlevi, e a ascensão de Khomeine em 1979 concomitante a de Mikhail Gobachev, que vendeu ações da Gazprom como medida de desespero ao ver o petróleo cair de 50 para 13 dólares o barril, em 1983. Iniciou-se um cenário de “economia de guerra” que gerou a terrível crise da Perestroyka na Rússia e a posterior queda da URSS.

Assim como no dumping iniciado em janeiro de 2014, com o objetivo claro de afetar as economias da Venezuela e do Irã, o preço do barril caiu de 100 dólares para 60 dólares, fazendo despencar as ações de muitas petrolíferas, em particular as gigantes do petróleo, responsáveis pelas maiores descobertas recentes (Petronas, Petramina, ENI, Statoil, Gazprom, Petrobras, etc).

Aqui no Brasil pouco foi falado sobre o efeito do “dumping orquestrado pelo império AA”, que quer tomar posse das reservas do pré-sal brasileiro usando os mesmos políticos lesa-pátria que entregaram a George Soros, patrão de Armínio Fraga, a preços ínfimos, um lote bilionário de 40% das ações preferenciais Petrobras na Bolsa de NY. Os algozes dessa entrega generosa no NYSE foram os senhores FHC (filho do general sr Leônidas Cardoso, envolvido com a ESSO, no escândalo de 1943), que foi agraciado com um auto-exílio remunerado por decreto numa aposentadoria muito precoce, em 1969, aos quatro anos de trabalho na USP, e seu genro, David Zilbersztajn, estes dois foram os mentores do entreguismo desnacionalizante da Petrobras, em março de 1999, no NYSE.

Putin surpreendeu o mundo ocidental no mês passado quando recomprou todas as ações da GAZPROM, vendidas a preços ínfimos durante a Perestroyka, ganhando 20 bilhões com a valorização da empresa que estava afetada, juntamente com as outras 20 petrolíferas por conta do dumping iniciado ano passado. Esta baixa orquestrada dos preços fez cair as ações de todas as petrolíferas produtoras e detentoras de grandes reservas de óleo no mundo, inclusive a Petronas, Shell, ENI, Statoil, Gazprom e a Petrobras.

O governo do Brasil deveria fazer o mesmo que Putin e renacionalizar a Petrobras. O primeiro passo foi dado com o PRODESIN, anunciado na posse de Graça Foster em 2012, que prevê a venda de todos os ativos em unidades antigas e obsoletas compradas no exterior durante o Programa de Internacionalização do governo tucano de FHC.

O ex-presidente Lula, absurdamente, não quis trocar os diretores nomeados por FHC na Petrobras. Todos lá permaneceram, o que houve foi simplesmente uma “dança das cadeiras”. O Rodolfo Landim foi locado na BR Distribuidora, O senhor Paulo Roberto Costa, forte aliado e nomeado por FHC em 1995 no DEPRO/DPSE, foi da diretoria de gás e energia para a de abastecimento e refino, em 2003, no lugar do Eider de Aquino, que por sua se aposentou. Graça Foster assumiu a posição que era de Costa na diretoria de gás e energia. A engenheira química senhora Graça Foster atuou firmemente nos projetos das novas termelétricas e sem elas teríamos tido um novo apagão, mas foi jogada na cova dos leões ao assumir a presidência devido os absurdos do seu antecessor, o economista ortodoxo, senhor Sergio Gabrielle.

Portanto, Lula já sabia sobre os antecedentes vida pregressa de PRC e outros diretores nomeados por FHC par ajudar no PROGRAMA DE INTERNACIONALIZAÇÃO que incluiu a entrega da metade das ações no NYSE e a as absurdas compras de unidades operacionais muito antigas no exterior. Já corria no TCU desde 2000, um processo investigativo contra os diretores Paulo Costa, AKP, Barusco, e outros aliados os programas de desmontes na estatal, venda a preços de banana a oligopólios privados das maiores petroquímicas do Brasil que pertenciam a Petrobras e foram construídas pela estatal durante o governo militar (a BR perdeu um patrimônio de 50 bilhões de dólares com essas entregas das petroquímicas vendidas a preços ínfimos ao capital especulativo). Estão sendo investigados também pelo mal sucedido contrato assinado pela diretor da área de gás (antiga GASPETRO), senhor PRC, para gerir a Gasbol em 1996, com a pré-falida ENRON. Lula também aderiu aos leilões lesa-pátria das reservas de óleo brasileiro, o “líder sob encomenda”, escolhido pelos generais Golbery e Osvaldo de Oliva – pai do Mercadante – para ser treinado na AFL-SIO em John Hoopkings em 1974. Permaneceu no braço sindical da CIA e teve a ajuda do ex-patrão Paulo Villares, forte aliado de Golbery e do general Osvaldo Mercadante no Projeto de Distensão Controlada do governo militar, copiado do projeto da Polônia, fizeram uma réplica do WALESKA aqui no Brasil. Um líder sob encomenda que fez parceria com o filho do general Mercadante. Nessa época até pagaram a dívida da Polônia aqui no Brasil em 1978, conhecido como escândalo das polonetas do Luis Carlos Pécora. Temos então que FHC e Lula são alinhados dos banqueiros desde a origem.

***

PS Desenvolvimentistas: Você pode baixar aqui e aqui, respectivamente, as matérias que explanam como a Petrobras venceu o dumping internacional de 1984 e o processo de “privatização branca” que nossa mais potente estatal está sofrendo.

Bento Araújo é professor e engenheiro, com uma carreira de 45 anos na indústria, sendo 26 deles na Petrobrás. Anteriormente trabalhou (19 anos) em outros setores da área de infra-estrutura, como o Setor Elétrico, pela subsidiária SBE da Eletrobras; na construção e ampliação da ACESITA, empresa siderúrgica produtora de aços especiais; e na Cia Vale do Rio Doce – obras de ampliação da Mina Conceição e Mina do Campestre, em Itabira.