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Brasil de 200 bilhões de barris

Por Paulo Metri | Via Correio da Cidadania

O setor do petróleo fornece um farto material para a constatação da ganância humana. Com a pretensão de trazer alguma explicação para o que acontece nestes dias com o Brasil, sem existir preocupação alguma da mídia para explicar, defendo a tese de que ocorreu uma rápida ascensão do nosso país no ranking daqueles atrativos para o capital internacional. Até 2006, era um país com abundância de recursos naturais, território e um razoável mercado consumidor. Mas ele não possuía petróleo em quantidade suficiente para se tornar grande exportador. Era fornecedor de minérios e grãos não tão valiosos no mercado internacional quanto o petróleo. Implícito está que o preço do barril irá subir brevemente para algum valor, pelo menos, em torno de US$80.

A partir dos anos 90, o Brasil perdeu graus de soberania e passou a ser um exemplar subalterno do capital internacional. Por exemplo, tem uma lei complacente de remessa de lucros, permite livre trânsito de capitais, não protege a empresa nacional genuína, tem uma política de superávit primário e câmbio que tranquiliza os rentistas, permite a desnacionalização do parque industrial, oferece a subsidiárias estrangeiras benefícios fiscais e creditícios, tem uma mídia hegemônica pertencente a este capital, que aliena a sociedade, e possui uma defesa militar incipiente. Assim, pode-se dizer que, após 1990, a sociedade brasileira passou a ter uma maior sangria de suas riquezas e seus esforços para o exterior. Este era o Brasil subalterno, que só tinha 14 bilhões de barris de petróleo, suficientes somente para 17 anos do seu consumo.

Em 2006, descobre-se o Pré-Sal, que pode conter de 100 a 300 bilhões de barris de petróleo, dos quais 60 bilhões já foram descobertos – e em menos de dez anos. Ao mesmo tempo, começou-se a recuperar a proteção à industria nacional, com a proibição da compra de plataformas de petróleo no exterior. Também, decidiu-se recompor as Forças Armadas, com o desenvolvimento de submarinos e caças no país, e, também, novos equipamentos de defesa para o Exército. Recentemente, decidiu-se desenvolver um avião militar de transporte de carga.

O Brasil, que já vinha participando do Mercosul, amplia sua interação soberana em outros fóruns internacionais, como a Unasul, a Celac e os Brics, contrariando interesses geopolíticos dos Estados Unidos. Recentemente, um banco e um fundo monetário dos Brics foram criados. Ocorreu no período, também, a mudança da política externa do Brasil, que buscou a aproximação com os países em desenvolvimento da África, do Oriente Médio e de outras regiões, sem hostilizar os Estados Unidos, a Europa e o Japão. A presidente Dilma propôs aos países da ONU uma ação conjunta para conter a espionagem internacional, que tem participação da CIA e da NSA, do governo dos Estados Unidos.

Com a descoberta do Pré-Sal, abandona-se o modelo das concessões, que permitia a quase totalidade do lucro e todo o petróleo irem para o exterior. Adota-se o modelo do contrato de partilha para esta área, que é melhor do que a concessão. No contrato de partilha, uma parte adicional do lucro, acima do royalty, vai para o fundo social e parte do petróleo vai para o Estado brasileiro. Decidiu-se também escolher a Petrobras para ser a operadora única do Pré-Sal, o que é importante para maximizar a compra de bens e serviços no país. No leilão de Libra, foi formado um consórcio com a participação de duas petrolíferas chinesas, fugindo-se ao esquema de só participarem empresas ocidentais. No final do ano de 2014, quatro campos do Pré-Sal, que somam cerca de 14 bilhões de barris, foram entregues diretamente à Petrobras, sem leilão, o que contrariou as petrolíferas estrangeiras que desejavam vê-los leiloados.

A partir da descoberta do Pré-Sal, a Quarta Frota da Marinha dos Estados Unidos é reativada em 2009, o presidente norte-americano Barack Obama vem ao Brasil em 2011 e seu vice-presidente se transforma em figura fácil de ser encontrada aqui. Ele se reúne diretamente com a presidente da Petrobras, o que é muito estranho. O governo norte-americano procura levar a qualquer custo a presidente Dilma para uma visita oficial aos Estados Unidos, com direito a jantar na Casa Branca, considerada uma honraria sem igual. Por esta e outras razões, FHC gostaria muito de o Pré-Sal ter sido descoberto no seu mandato, mas ele só se preocupava em preparar a Petrobras para a privatização. Surpreendentemente, meu candidato a um prêmio das Nações Unidas para grandes promotores da paz no mundo, Edward Snowden, nos informa que até os telefones da presidente Dilma foram interceptados pela inteligência estadunidense.

O tempo passa e chega o momento de nova eleição presidencial no Brasil. O capital internacional de forma geral e, especificamente, o capital do setor petrolífero, com grande influência na Casa Branca, quiseram aproveitar esta eleição para mudar algumas regras de maior soberania, estabelecidas nos últimos anos, inclusive as do Pré-Sal. Além disso, o capital internacional quer eleger um mandatário do Brasil mais subserviente. Assim, explica-se a campanha de muito ódio e enorme manipulação executada pela mídia deste capital no período eleitoral. Possivelmente, a NSA e a CIA, utilizando empresas estrangeiras aqui estabelecidas, devem tê-las incentivado a contribuir com recursos para eleger os seus candidatos em 2014, formando uma bancada no Congresso Nacional que é um misto de entreguistas com alienados corruptos, porém, muito fiéis aos doadores de campanha.

Com o acontecimento independente da descoberta dos ladrões na Petrobras, aliás, muito bem-vindo pelos estrategistas do roubo do petróleo nacional, o terceiro turno da campanha presidencial tomou corpo na mídia, assim como a tarefa de confundir a população para acreditar que a Petrobras rouba dinheiro do povo e não são os ladrões ocupantes de cargos nela que roubam.

Com uma Petrobras fraca, de preferência até privatizada, fica mais fácil levar o petróleo do Pré-Sal. Um fato importante é que, no governo FHC, existiram denúncias que a Polícia Federal e o Ministério Público pareceram ser ineptos e a mídia criminosamente benevolente com o governo. Uma destas denúncias foi a de compra de votos para a reeleição, que, mesmo com um réu confesso declarando ter recebido dinheiro para votar a favor da reeleição, nada teve de apurada; já a mídia, deu divulgação mínima e o Ministério Público não apresentou denúncia à Justiça.

Enfim, para o bem ou para o mal, tudo mudou de figura. Morreu o Brasil de só 14 bilhões de barris de petróleo. Ele terá, brevemente, uma reserva de 200 bilhões de barris, que corresponderá a uma das três maiores do mundo e irá requerer muitas medidas de soberania, se é que a sociedade brasileira deve usufruir desta riqueza. Assim, agora, na visão do capital internacional, o Brasil não chega a estar se tornando um país antagônico, como China, Rússia, Irã e Venezuela, mas está criando regras e tomando medidas hostis a este capital. Está-se no estágio da busca da cooptação dos poderes e do controle da população pela mídia do capital.

Contudo, a população não está, na sua imensa sabedoria, acreditando tanto na mídia. Se a população não der apoio para o plano do impeachment da presidente, novas tramas poderão acontecer, como uma “primavera brasileira para tirar os ladrões da Petrobras do governo”. Eventualmente, será um golpe de Estado dado pelo Congresso com o apoio da mídia. O povo precisa não dar apoio à quebra do regime democrático e não apoiar também governantes que permitam a perda do Pré-Sal.

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Paulo Metri é conselheiro do Clube de Engenharia e colunista do Correio da Cidadania, acesse o blog o autor.

Ato em defesa da Petrobras reunirá sindicalistas, artistas, intelectuais e movimentos sociais

Via RBA

Programado para terça-feira (24) na sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no Rio, ato resgata a imagem da empresa, alvo de uma campanha de desmoralização que prejudica a economia do país.

Refinaria Abreu e Lima, no Pernambuco: paralisação de obras prejudica trabalhadores e a economia do país

São Paulo – Um ato em defesa da Petrobras será realizado nesta terça-feira (24), no Rio de Janeiro, com a mobilização de sindicalistas, representantes dos movimentos sociais, estudantes, artistas, advogados, jornalistas e intelectuais.“Defender a Petrobras é defender o Brasil” é o slogan do ato, organizado pela CUT e pela Federação Única dos Petroleiros (FUP).

Estão confirmadas as presenças dos escritores Eric Nepumoceno e Fernando Moraes, da jornalista Hildegard Angel, do cineasta Luiz Carlos Barreto, da filósofa Marilena Chauí e do economista Luiz Gonzaga Belluzzo, além de lideranças sindicais, estudantis e dos movimentos sociais.

O evento, que será realizado no auditório da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), integra uma campanha nacional em defesa da Petrobrás, que já teve início nas redes sociais, com a coleta de assinaturas de adesão ao manifesto, que será lançado oficialmente no dia 24.

“A investigação, o julgamento e a punição de corruptos e corruptores, doa a quem doer, não pode significar a paralisia da Petrobrás e do setor mais dinâmico da economia brasileira”, reitera o Manifesto em Defesa da Petrobrás e do Brasil, cuja íntegra pode ser acessada em http://www.fup.org.br/2012/assinatura-de-manifesto.

“É urgente denunciar, no entanto, que esta ação tem servido a uma campanha visando à desmoralização da Petrobrás, com reflexos diretos sobre o setor de óleo e gás, responsável por investimentos e geração de empregos em todo o País; campanha que já prejudicou a empresa e o setor em escala muito superior à dos desvios investigados”, afirma também o manifesto.

A campanha em defesa da estatal prosseguirá após o ato do dia 24, com atividades por todo o país. Uma manifestação já está agendada para o dia 13 de março, na Avenida Paulista, em São Paulo.

Serviço
Ato em Defesa da Petrobrás
Dia: 24 de fevereiro de 2015
Horário: 18h
Local: ABI – Rua Araújo Porto Alegre, 71 – Centro – Rio de Janeiro

Veríssimo: O contexto maior

Por Luís Fernando Veríssimo | Via O Globo

Mais do que em qualquer outro confronto, na luta pela Petrobras, e por tudo que ela simboliza além da exploração de uma riqueza, se definem os lados com nitidez.

Recomenda-se a desiludidos com a atualidade em geral e com o PT em particular a procurar refugio no contexto maior. O contexto maior não absolve, exatamente, o contexto imediato, a triste realidade de revelações e escândalos de todos os dias, mas consola. Nossa inspiração deve ser o historiador francês Fernand Braudel, que — principalmente no seu monumental estudo sobre as civilizações do Mediterrâneo — ensinou que, para se entender a Historia, é preciso concentrar-se no que ele chamava de la longue durée, que é outro nome para o contexto maior. Braudel partia do particular e do individual para o social e daí para o nacional e o generacional, se é que existe a palavra, e na sua história da região, o indivíduo e seu cotidiano eram reduzidos a “poeira” (palavra dele também, que incluía até papas e reis) em contraste com a longue durée, o longo prazo da história verdadeira. Assim na sua obra se encontram as minúcias da vida diária nos países do Mediterrâneo mas compreendidas sub specie aeternitatis, do ponto de vista da eternidade, que é o contexto maior pedante.

Do ponto de vista da eternidade nada do que está sendo revelado, em capítulos diários, sobre o propinato na Petrobras e os partidos políticos que beneficiou deixa de ser grave, mas é impossível não ver o cerco à estatal do petróleo no contexto maior da velha guerra pelo seu controle, que já dura quase 70 anos, desde que a Petrobras venceu a primeira batalha, a que lhe permitiu simplesmente existir, quando diziam que nunca se encontraria petróleo no Brasil. Mais do que em qualquer outra frente de confronto entre conservadores e progressistas e direita e esquerda no Brasil, na luta pela Petrobras, e por tudo que ela simboliza além da exploração de uma riqueza nacional, se definem os lados com nitidez. A punição dos responsáveis pelos desvios que enfraqueceram a estatal deve ser exemplar e todos os partidos beneficiados que se expliquem como puderem, mas que se pense sempre no contexto maior, no qual a sobrevivência da estatal como estatal, purgada pelo escândalo, é vital.

Fernand Braudel viveu e lecionou no Brasil. Não conheço nenhum texto dele sobre sua experiência brasileira. Seria interessante saber como ele descreveria, ou preveria, hoje, a longue durée da nossa História. O que significaria, na sua avaliação, o longo dia no poder do PT? O contexto maior tudo perdoaria ou tudo justificaria? Enfim, o contexto maior de todos é o Universo, que, no fim, engole todos os significados. O que também não é um consolo.

Sem reflorestamento, ações de combate à seca não têm efeito

Via RBA

SOS Mata Atlântica lança edital para plantio de 1 milhão de mudas para recuperar até 400 hectares de mata, promovendo conservação de 4 milhões de litros de água por ano na área do Cantareira

Dos 5 mil quilômetros de extensão dos rios que formam o Sistema Cantareira, somente 1.190 quilômetros estão com a mata preservada. Nessas condições, uma área produtora de água tem muito menos condições de passar por um período de estiagem prolongado.

São Paulo – Sem um programa intensivo de reflorestamento, boa parte das ações para enfrentar a crise hídrica em São Paulo vai ter efeito reduzido, e o problema tende a se repetir com o passar do tempo, segundo afirmou a coordenadora da Aliança pela Água, Marussia Whateli, hoje (12), na Câmara Municipal, em reunião promovida pela Comissão de Meio Ambiente.

De acordo com um mapeamento por satélite feito pela Fundação SOS Mata atlântica, em parceria com Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe), somente 21,5% da área que compreende o Sistema Cantareira contam com cobertura vegetal. Dos 5 mil quilômetros de extensão dos rios que formam o sistema, somente 1.190 quilômetros estão com a mata preservada. O entorno de outros reservatórios estão em situação semelhante e implicados em outros problemas, como a poluição na represa Billings.

“Nessas condições, uma área produtora de água tem muito menos condições de passar por um período de estiagem prolongado como o que estamos vivendo”, explica Marussia. Sem vegetação, a água infiltra menos no solo, reduzindo o volume de água nos lençóis freáticos, que alimentam nascentes. Além disso, sem mata ocorre erosão do solo, cuja terra vai para os rios e, consequentemente, para os reservatórios. Isso reduz a capacidade de armazenamento, além de tornar a região mais propícia a enchentes.

Malu Ribeiro, coordenadora da Rede das Águas da SOS Mata Atlântica, ressalta que os planejamentos estratégicos de saneamento, como o Plano de Ação da Macrometrópole Paulista, produzido pelo governo de São Paulo, não contam com propostas de reflorestamento. “Nós encaixotamos nossos rios, poluímos nossas águas, destruímos a mata. E só pensamos em buscar água cada vez mais longe. É claro que em algum momento ficaríamos sem água”, afirmou.

Propostas

As ativistas fizeram suas ponderações após o professor e diretor do Centro Internacional de Referência em Reúso de Água da Universidade de São Paulo (USP) Ivanildo Hespanhol defender uma série de ações para enfrentar a crise, sobretudo voltadas ao tratamento de esgoto. Segundo ele, seria possível aumentar os atuais 16 metros cúbicos por segundo (m³/s) de esgoto tratado para 35m³/s sem realizar obras civis, somente com a mudança do sistema de filtragem atual para o sistema de membranas de ultrafiltração.

“Prioritariamente, podemos ampliar o processo na estação de tratamento de esgoto de Barueri, dos atuais 4m³/s para 11m³/s. E levá-los para o Sistema Cantareira por uma rede de dutos que utilize o caminho do trecho Norte do Rodoanel Mário Covas. A obra toda levaria de dois a três anos”, explicou o professor.

Hespanhol defendeu que, com a ampliação do tratamento nas demais estações, essa água seja lançada nos reservatórios para posterior tratamento e fornecimento à população. E que ao longo do tempo o sistema pode ser melhorado, para que o esgoto seja tratado a ponto de ser potável novamente. “Temos tecnologia para produzir e certificar água potável. Em condições, inclusive, para fornecer à indústria farmacêutica, que exige um grau de pureza da água ainda maior do que para consumo humano”, afirmou.

O professor também propôs que sejam pensados sistemas de captação de água de chuva na região metropolitana, utilizando construções amplas como shoppings e estádios. Isso poderia garantir uma grande reserva de água, que poderia ser utilizada para consumo não potável. “Tem chovido intensamente na área urbana e essa água acaba correndo para os rios e córregos, que estão poluídos”, ponderou Hespanhol.

Já o professor doutor da Escola Politécnica da USP Nelson Rodrigues Nucci defendeu maior controle no adensamento populacional da região metropolitana de São Paulo, além de um efetivo controle de perdas na rede da Sabesp. Segundo ele, havendo controle da demanda, o aumento na oferta de água deve ser de 13 m³/s até 2035. Caso contrário, serão necessários mais 58 m³/s, o que levaria a uma insegurança hídrica ainda maior e à necessidade de se buscar água cada vez mais longe. Hoje a Sabesp produz 69 m³/s de água tratada para a região metropolitana.

Divergências

Os professores defenderam as obras propostas pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) – alterar a fonte de água dos bairros, redução de pressão, bônus, multa, transposição do rio Paraíba do Sul, trazer água do rio São Lourenço – e a atuação da Sabesp no enfrentamento da crise. “A Sabesp foi extremamente eficiente”, disse Nucci, para quem não havia condições de prever tamanha falta de chuvas.

A afirmação foi contestada pela coordenadora da Aliança pela Água. Ela analisa que a Sabesp agiu muito mais com preocupações políticas do que técnicas. “Não é que simplesmente chegou menos água nos reservatórios. Se retirou mais água do que entrava. A Sabesp desrespeitou a curva de aversão a riscos. Desde 2011 está havendo redução na afluência do sistema, mas só em fevereiro de 2014 se começou a reduzir a retirada de água”, disse Marussia.

Para Malu, é preciso ter cuidado para que as críticas à má gestão da Sabesp não sirvam de justificativa para defender a privatização do sistema. “Não se trata de privatizar a gestão. Quando criticamos, falamos de ter sido feita uma gestão política e não técnica, econômica e não social. É preciso pensar em uma agência reguladora com participação da sociedade”, defendeu a coordenadora da Rede das Águas.

O vereador Gilberto Natalini (PV), organizador do debate, fez coro com as ativistas. “Há, sim, responsabilidade do governo de São Paulo. Estavam sambando em uma nota só. Não há governo que acredite nas mudanças climáticas. E por isso não tomaram as medidas necessárias”, afirmou.

Já o rodízio de água, que pode ser adotado a qualquer momento em São Paulo, é visto com preocupação pelos especialistas. Isso porque com os dutos vazios, a água que vazou por fissuras no sistema da Sabesp pode retornar à rede, levando poluentes e contaminação. Hoje, a Sabesp perde até 30% da água produzida, segundo o Instituto Trata Brasil, ou 20%, segundo a companhia.

Um ponto em que todos os palestrantes concordaram é que vivemos um momento de incerteza. Projeções de que o sistema vai se recuperar ou que vai secar completamente são consideradas frágeis pelos especialistas. O Sistema Cantareira opera hoje com 6,7% da capacidade. “Uma certeza que temos é de que é preciso economizar água, fazer uma gestão responsável, esclarecer a população e investir em proteção e recuperação dos mananciais. A crise é grave, mas podemos passar por ela”, concluiu Malu.

Edital de reflorestamento

A Fundação SOS Mata Atlântica prorrogou para 7 de agosto deste ano edital para seleção de áreas prioritárias para a restauração florestal da Mata Atlântica – por meio do qual a entidade pretende plantar 1 milhão de mudas – com propostas de conservação e proteção dos recursos hídricos do Sistema Cantareira. Por meio do programa Clickarvore, serão investidos até R$ 2 milhões em propostas enviadas por pessoas físicas ou jurídicas, associações, Oscips ou ONGs ambientalistas e por proprietários de terras.

“Petrobrás não é isso”: Mensagem de Delfim Netto para Bendine

Via JB
Da esquerda para a direita: Aldemir Bendine, Paulo César e Delfim Netto.

Da esquerda para a direita: Aldemir Bendine, Paulo César e Delfim Netto.

Bendine pode estar tomando o caminho errado ao reavaliar ativos e metodologia.

Em resposta ao artigo que o ex-ministro Delfim Netto publicou na quarta-feira no jornal Folha de S. Paulo, o consultor legislativo da Câmara dos Deputados Paulo César Ribeiro Lima elaborou argumentos nos quais alerta que o novo presidente da Petrobras, Aldemir Bendine, pode estar tomando a decisão errada ao anunciar a reavaliação de ativos e metodologias.

Paulo César Ribeiro Lima, que foi engenheiro na Petrobras durante muitos anos, destaca que a estatal tem uma série de ativos integrados que permitem a venda, por exemplo, do óleo diesel, cujo custo de produção é baixíssimo para a companhia. “É por isso que a Petrobras é a empresa mais rentável do País. Se não fosse a Operação Lava Jato, o lucro da companhia em 2015, poderia ser de R$ 45 bilhões, o maior de sua história.”

Veja a resposta de Paulo César Ribeiro Lima:

O novo Presidente da Petrobras pode tomar o caminho errado: “Nós estamos aí reavaliando uma série de ativos e as metodologias empregadas”.

A questão do “valor real ativos” da Petrobras é muito mais complexa do que se imagina. A Petrobras tem uma série de ativos integrado que permitem a venda, por exemplo, do óleo diesel, cujo custo de produção é baixíssimo para a companhia.

Supondo-se um valor do petróleo de US$ 50, o custo de produção de um litro de diesel é de cerca de R$ 0,60, enquanto seu valor no mercado internacional é de aproximadamente R$ 1,35 por litro; o preço de realização da Petrobras é de R$ 1,56 por litro. Observa-se, então, que o custo de produção do derivado é muito menor que o preço de venda, tanto no mercado interno quanto no mercado internacional. É por isso que a Petrobras é a empresa mais rentável do País. Se não fosse a Operação Lava Jato, o lucro da companhia em 2015, poderia ser de R$ 45 bilhões, o maior de sua história.

Essa lucratividade extraordinária da Petrobras decorre, principalmente, dos seus principais “ativos”: reservatórios do Pré-Sal e do Pós-Sal, terminais, dutos, refinarias e excelente corpo técnico. E por que a Petrobras têm esses ativos? Porque ela foi monopolista integral até 1997 e voltou a ser monopolista na operação do Pré-Sal e em áreas estratégicas a partir de 2010.

No caso dos grandes reservatórios nacionais, a Petrobras opera praticamente todos. Os grandes destaques são os campos de Lula (65%), Búzios (100%) e Libra (40%), cada um com mais de 10 bilhões de barris recuperáveis. Apenas em três campos, os volumes recuperáveis da Petrobras serão da ordem de 20 bilhões de barris, considerado o percentual de participação (entre parênteses). Registre-se, que existem muitos outros campos operados pela Petrobras.

Apenas para demonstrar os privilégios da Petrobras, o Conselho Nacional de Política Energética – CNPE, por meio da Resolução nº 1, de 24 de junho de 2014, aprovou a contratação direta da Petrobras para produção de volumes adicionais ao contrato de cessão onerosa. Dessa forma, a companhia tem uma posição privilegiada de produzir, sem licitação, volumes estimados, em barris equivalentes de petróleo, da ordem de:

- Búzios: 6,5 a 10 bilhões;

- Entorno de Iara: 2,5 a 4 bilhões;

- Florim: 300 a 500 milhões;

- Nordeste de Tupi: 500 a 700 milhões.

Em Búzios e em Libra, os contratos são extremamente favoráveis à Petrobras, assim como em todos os campos operados pela empresa. Na verdade, os campos petrolíferos, principalmente em águas profundas, são os grandes ativos da Petrobras.

A principal pergunta é: como esses ativos estão lançados no balanço? Pelo valor da aquisição do direito de exploração e produção, que são baixíssimos. Dessa forma, o atual patrimônio líquido da empresa é absolutamente irreal. As alavancagens financeiras divulgadas pelo mercado servem apenas para desvalorizar a Petrobras.

O principal ativo para que o custo de produção do óleo diesel seja da ordem de R$ 0,60 por litro são os grandes reservatórios, não as refinarias.

Essa posição privilegiada da Petrobras na área de exploração e produção pressupõe um compromisso da companhia em investir no refino no Brasil. Poderia até haver uma política pública que determinasse a obrigatoriedade de que produtores de petróleo refinassem um determinado percentual de sua produção no País. Isso obrigaria a se ter um cálculo integrado do retorno dos ativos.

Isso faz sentido na Noruega, por exemplo? Não, uma vez que o retorno sobre o investimento no refino é muito menor que na produção de petróleo, que o país não precisa de uma política de desenvolvimento regional e que não tem interesse em gerar grandes demandas de mão de obra, nem na construção de parques industriais poluidores.

Essa, contudo, não é a situação do Brasil, onde temos a Petrobras com grandes privilégios na produção e com monopólio real dos terminas, dutos e refinarias, o que pressupõem um compromisso da companhia com o desenvolvimento do País. Situação muito diferente da Petrobras é a do Banco do Brasil, que também é uma sociedade de economia mista, mas que compete efetivamente no mercado.

Dessa forma, é fundamental que a Petrobras e seus acionistas tenham uma visão integrada do valor e da sinergia de todos ativos da companhia, não de um ativo isolado, como, por exemplo, uma refinaria.

Analisa-se, a seguir, o caso da Refinaria de Pasadena. Com a crise financeira de 2008, as margens do refino e o valor dos ativos diminuíram. Isso levou a Petrobras a realizar baixas contábeis, denominadas impairments, que totalizaram US$ 530 milhões, sendo US$ 160 milhões em 2008, US$ 147 milhões em 2009 e US$ 223 milhões em 2012. Essas baixas decorreram da avaliação do valor de mercado do ativo.

No caso do complexo de Pasadena no Texas, que inclui uma refinaria com capacidade de 100 mil barris por dia e uma comercializadora, fornece gasolina e diesel para o exigente mercado americano e está localizada em uma área estratégica, a Petrobras investiu cerca de US$ 1,5 bilhão. Nesse caso, as baixas contábeis de US$ 530 milhões foram adequadas?

Qual seria, então, a baixa contábil da Refinaria Abreu e Lima, com capacidade de 230 mil barris por dia e cujos investimentos já foram de cerca de US$ 18 bilhões e novos gastos serão necessários para finalizar o segundo trem de refino?

Mesmo sendo capaz de refinar óleo pesado, será difícil chegar a um valor de mercado para a Refinaria Abreu e Lima superior a US$ 6 bilhões pelas metodologias convencionais, o que resultaria em uma baixa contábil de US$ 12 bilhões. No entanto, o superfaturamento da refinaria, que inclui eventuais propinas, foi da ordem de US$ 4 bilhões. Ou seja, pelos “critérios de mercado” poderia haver uma baixa contábil três vezes maior que o superfaturamento.

Se for computado o “valor integrado dos ativos” (reservatório de Marlim, navio de transporte, dutos, Terminal Suape, Refinaria Abreu e Lima etc), pode concluir que não há necessidade de nenhuma baixa contábil. Muito pelo contrário, pode-se concluir que esse conjunto de “ativos” está subavaliado, uma vez que os derivados produzidos terão um custo muito menor que o valor de venda, o que geraria um altíssimo valor presente líquido – VPL.

É isso que precisa ser informado à sociedade brasileira, mas não está sendo.

Delfim Netto diz na Folha de hoje: “Os portadores da opinião que o ente metafísico a que se dá o nome de mercado é divino, vêm a sua materialidade nas cotações das Bolsas. Trata-se de pura ideologia”.

Planalto responsabiliza BW por acidente de navio plataforma

Via Correio do Brasil

Na nota oficial, Dilma externou “solidariedade” às famílias das vítimas e disse que a “Petrobras irá cuidar para que a BW preste toda a assistência

Insatisfeita com os esclarecimentos da Petrobras sobre a explosão do navio plataforma da norueguesa BW offshore na quarta-feira, na costa do Espírito Santo, a presidente Dilma Rousseff emitiu um nota inusual nesta quinta-feira para reforçar que a assistência aos trabalhadores é de responsabilidade da empresa estrangeira.

Na nota oficial, Dilma externou “solidariedade” às famílias das vítimas e disse que a “Petrobras irá cuidar para que a BW preste toda a assistência às famílias envolvidas”, num esclarecimento pouco comum em notas da Presidência da República.

Para o Palácio do Planalto, segundo uma fonte ouvida pela Reuters, não havia ficado claro o suficiente nas explicações prestadas pela Petrobras que a operação do navio plataforma era de responsabilidade da BW offshore.

A tripulação do navio era formada por funcionários próprios e terceirizados da norueguesa BW Offshore e apenas um fiscal da Petrobras, segundo o coordenador da Federação Única dos Petroleiros (FUP), José Maria Rangel.

Rangel, que ocupou a cadeira do Conselho de Administração da Petrobras em 2013, quando tinha como uma de suas principais bandeiras um Comitê de Segurança, Meio Ambiente e Saúde, criticou a iniciativa da Petrobras de afretar navios.

– Não vou dizer que a Petrobras teria mais força para evitar um acidente como esse, mas o fato concreto é que a Petrobras e os sindicatos que representam seus funcionários têm mecanismos de cobrança de práticas de segurança muito fortes – afirmou.

“Essas plataformas terceirizadas têm sindicatos de fachada, que representam os funcionários com interesses próprios, sem comprometimento”, acrescentou.

Com a eleição no novo conselheiro Deyvid Bacelar, também apoiado pela FUP, Rangel afirmou que os funcionários vão buscar levar essa demanda, de evitar o afretamento de plataformas, ao Conselho.

A explosão a bordo do navio plataforma FPSO Cidade de São Mateus na costa do Espírito Santo, que ocorreu na quarta-feira, causou a morte de cinco pessoas, sendo que quatro trabalhadores ainda estão desaparecidos, informou a norueguesa BW Offshore, proprietária da embarcação, em um comunicado nesta manhã.

A FPSO Cidade de São Mateus, que armazena e produz petróleo e gás, estava trabalhando para a Petrobras.

Segundo boletim mais recente da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), 25 pessoas estão feridas e quatro permanecem desaparecidas.

Bendine e Petrobrás: 88 bilhões de baixa contábil são fantasia

Por Paulo Lima

O novo Presidente da Petrobras pode estar tomando o caminho errado: “Nós estamos aí reavaliando uma série de ativos e as metodologias empregadas”.

A questão do “valor real dos ativos” da Petrobras é muito mais complexa do que se imagina. A Petrobras tem uma série de ativos que permitem a venda, por exemplo, do óleo diesel, cujo custo de produção é baixíssimo para a companhia.

Supondo-se um valor do petróleo de US$ 50, o custo de produção de um litro de diesel é de cerca de R$ 0,60, enquanto seu valor no mercado internacional é de aproximadamente R$ 1,35 por litro; o preço de realização da Petrobras é de R$ 1,56 por litro. Observa-se, então, que o custo de produção do derivado é muito menor que o preço de venda, tanto no mercado interno quanto no mercado internacional. É por isso que a Petrobras é a empresa mais rentável do País. Se não fosse a Operação Lava Jato, o lucro da companhia em 2015, poderia ser de R$ 45 bilhões, o maior de sua história.

Essa lucratividade extraordinária da Petrobras decorre, principalmente, dos seus principais “ativos”: reservatórios do Pré-Sal e do Pós-Sal, terminais, dutos, refinarias e excelente corpo técnico. E por que a Petrobras têm esses ativos? Porque ela foi monopolista integral até 1997 e voltou a ser monopolista na operação do Pré-Sal e em áreas estratégicas a partir de 2010.

No caso dos grandes reservatórios nacionais, a Petrobras opera praticamente todos. Os grandes destaques são os campos de Lula (65%), Búzios (100%) e Libra (40%), cada um com mais de 10 bilhões de barris recuperáveis. Apenas em três campos, os volumes recuperáveis da Petrobras serão da ordem de 20 bilhões de barris, considerado o percentual de participação (entre parênteses). Registre-se, que existem muitos outros campos operados pela Petrobras.

Apenas para demonstrar os privilégios da Petrobras, o Conselho Nacional de Política Energética – CNPE, por meio da Resolução nº 1, de 24 de junho de 2014, aprovou a contratação direta da Petrobras para produção de volumes adicionais ao contrato de cessão onerosa. Dessa forma, a companhia tem uma posição privilegiada de produzir, sem licitação, volumes estimados, em barris equivalentes de petróleo, da ordem de:

− Búzios: 6,5 a 10 bilhões;

− Entorno de Iara: 2,5 a 4 bilhões;

− Florim: 300 a 500 milhões;

− Nordeste de Tupi: 500 a 700 milhões.

Em Búzios e em Libra, os contratos são extremamente favoráveis à Petrobras, assim como em todos os campos operados pela empresa. Na verdade, os campos petrolíferos, principalmente em águas profundas, são os grandes ativos da Petrobras.

A principal pergunta é: como esses ativos estão lançados no balanço? Pelo valor da aquisição do direito de exploração e produção, que são baixíssimos. Dessa forma, o atual patrimônio líquido da empresa é absolutamente irreal. As alavancagens financeiras divulgadas pelo mercado servem apenas para desvalorizar a Petrobras.

O principal ativo para que o custo de produção do óleo diesel seja da ordem de R$ 0,60 por litro são os grandes reservatórios, não as refinarias.

Essa posição privilegiada da Petrobras na área de exploração e produção pressupõe um compromisso da companhia em investir no refino no Brasil. Poderia até haver uma política pública que determinasse a obrigatoriedade de que produtores de petróleo refinassem um determinado percentual de sua produção no País. Isso obrigaria a se ter um cálculo integrado do retorno dos ativos.

Isso faz sentido na Noruega, por exemplo? Não, uma vez que o retorno sobre o investimento no refino é muito menor que na produção de petróleo, que o país não precisa de uma política de desenvolvimento regional e que não tem interesse em gerar grandes demandas de mão de obra, nem na construção de parques industriais poluidores.

Essa, contudo, não é a situação do Brasil, onde temos a Petrobras com grandes privilégios na produção e com monopólio real dos terminas, dutos e refinarias, o que pressupõem um compromisso da companhia com o desenvolvimento do País. Situação muito diferente da Petrobras é a do Banco do Brasil, que também é uma sociedade de economia mista, mas que compete efetivamente no mercado.

Dessa forma, é fundamental que a Petrobras e seus acionistas tenham uma visão integrada do valor e da sinergia de todos ativos da companhia, não de um ativo isolado, como, por exemplo, uma refinaria.

Analisa-se, a seguir, o caso da Refinaria de Pasadena. Com a crise financeira de 2008, as margens do refino e o valor dos ativos diminuíram. Isso levou a Petrobras a realizar baixas contábeis, denominadas impairments, que totalizaram US$ 530 milhões, sendo US$ 160 milhões em 2008, US$ 147 milhões em 2009 e US$ 223 milhões em 2012. Essas baixas decorreram da avaliação do valor de mercado do ativo.

No caso do complexo de Pasadena no Texas, que inclui uma refinaria com capacidade de 100 mil barris por dia e uma comercializadora, fornece gasolina e diesel para o exigente mercado americano e está localizada em uma área estratégica, a Petrobras investiu cerca de US$ 1,5 bilhão. Nesse caso, as baixas contábeis de US$ 530 milhões foram adequadas?

Qual seria, então, a baixa contábil da Refinaria Abreu e Lima, com capacidade de 230 mil barris por dia e cujos investimentos já foram de cerca de US$ 18 bilhões e novos gastos serão necessários para finalizar o segundo trem de refino?

Mesmo sendo capaz de refinar óleo pesado, será difícil chegar a um valor de mercado para a Refinaria Abreu e Lima superior a US$ 6 bilhões pelas metodologias convencionais, o que resultaria em uma baixa contábil de US$ 12 bilhões. No entanto, o superfaturamento da refinaria, que inclui eventuais propinas, foi da ordem de US$ 4 bilhões. Ou seja, pelos “critérios de mercado” poderia haver uma baixa contábil três vezes maior que o superfaturamento.

Se for computado o “valor integrado dos ativos” (reservatório de Marlim, navio de transporte, dutos, Terminal Suape, Refinaria Abreu e Lima etc), pode-se concluir que não há necessidade de nenhuma baixa contábil. Muito pelo contrário, pode-se concluir que esse conjunto de “ativos” está subavaliado, uma vez que os derivados produzidos terão um custo muito menor que o valor de venda, o que geraria um altíssimo valor presente líquido – VPL.

É isso que precisa ser informado à sociedade brasileira, mas não está sendo.

Nunca pensei que iria citar o Senhor Delfim Netto, mas esse dia chegou. Ele diz na Folha de hoje: “Os portadores da opinião que o ente metafísico a que se dá o nome de mercado é divino, vêm a sua materialidade nas cotações das Bolsas. Trata-se de pura ideologia”.