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A crise brasileira é fruto de conflitos globais: Entrevista com Flavio Lyra

Por Rennan Martins | Vila Velha, 29/04/2015

Potências do G7 em verde, e potências ascendentes do BRICS, em vermelho.

A crise que o Brasil atravessa só pode ser compreendida em sua totalidade conjugando o panorama nacional ao internacional. As contradições entre núcleos de poder internos, influenciados por poderio externo, acirram o conflito político e econômico desencadeado pela crise de 2008 e evidenciado desde a última corrida eleitoral.

Por trás do combate a corrupção da Operação Lava Jato estão interesses globais, alinhados as potências tradicionais declinantes, que visam a preservação da hegemonia por meio da sabotagem ao BRICS, da sujeição da Petrobras as regras dos cartéis transnacionais e do desmantelamento da indústria tecnológica e empreendedora brasileira.

Essas são as interpretações do economista Flavio Lyra, da escola da Unicamp. Em seu artigo A crise brasileira e os núcleos de poder que a determinam, Lyra traça as linhas gerais dessa importante tese. Pela relevância e originalidade da análise, o Blog dos Desenvolvimentistas entrevistou-o mais uma vez. Nela, Flavio aprofunda o diagnóstico da crise que assola o país, vê o ajuste fiscal como um perigo por conta da capacidade de desmobilização das forças populares, e sugere um pacto entre o empresariado nacional e os trabalhadores como forma de combater as forças que querem impôr um modelo eternamente dependente ao Brasil.

Confira a íntegra:

De que maneira a crise internacional afetou o modelo conciliatório praticado até o fim do ano passado? Que respostas seriam adequadas para manter e ampliar a inclusão social?

Antes de tudo, a crise interrompeu o “boom” de exportação de produtos primários, deflagrado pelo surpreendente crescimento da China. O Brasil conseguira acumular saldos positivos nas contas externas em apenas três anos. A partir de 2008 começaram a aparecer saldo negativos, que somente cresceram nos anos seguintes. Por seu turno, a indústria sofreu as consequências negativas do país manter a moeda apreciada visando controlar a inflação e favorecer a entrada líquida de capital estrangeiro para financiar o déficit das contas externas. O crescimento alcançado nos governos de Lula e a melhoria na distribuição da renda, somente foram possíveis em decorrência dessa conjuntura externa excepcional, porém com o altíssimo custo de aprofundar perigosamente o processo de desindustrialização que já vinha da década de 90.

Muito embora, tenha havido no período um forte afluxo de capital externo, a influência sobre a taxa de formação de capital foi muita pequena, mostrando que não dá para esperar que o capital estrangeiro seja fundamental para o crescimento da formação de capital no país. Para alguns autores, esse papel pode ser até negativo, pois aumenta a desnacionalização da economia quando vai para a atividade produtiva e extrai poupança interna quando se trata de capital meramente rentista.

O calcanhar de Aquiles da economia brasileira tem sido a baixa taxa de formação de capital, que está intimamente associada ao caráter rentista-financeiro do modelo de política econômica vigente, o chamado tripé, cujo funcionamento é um obstáculo ao financiamento do investimento produtivo público e privado, pois o sistema econômico é direcionado para a acumulação financeira através das altas taxas de juros que sobrecarregam as empresas produtivas e o setor público.

No quadro atual o mais provável é regridam os resultados alcançados no campo da inclusão social, pois o custo do ajuste que está sendo realizado, vai ser jogado nas costas dos trabalhadores, seja pela redução do gasto social, seja pela perda de poder de compra dos salários. Enquanto não for possível ao sistema de poder que gira em torno da classe trabalhadora se rearticular para poder influenciar as decisões do governo, será praticamente impossível retomar o crescimento e ampliar o processo de inclusão social.

A rearticulação do sistema de poder que gira em torno da classe trabalhadora, somente poderá acontecer em disputa ferrenha com o sistema de poder que gira em torno do sistema financeiro, dos setores tradicionais da indústria, das empresas estrangeiras e do agrobusiness. Essa disputa é que vai determinar o que acontecerá no país em termos de reforma política, especialmente da política econômica.

Nessa disputa, ainda não está inteiramente claro de que lado se situará o sistema de poder das grandes empresas nacionais, em que se incluem as grandes empreiteiras, que têm nítidos interesses no aumento da formação de capital produtivo do país, mas que têm interesses antagônicos em relação ao sistema de poder da classe trabalhadora. Um pacto, entre estes dois grupos de interesse seria indispensável para o país voltar a crescer e prosseguir com o processo de inclusão social. No momento, está havendo uma aliança tática entre estes núcleos, pois os interesses imediatos de ambos foram colocados sob ameaça com a campanha contra a corrupção desencadeada pelo sistema de poder que gira em torno do sistema financeiro privado, articulado com o sistema de poder externo, que gira em torno dos Estados Unidos e de seus aliados europeus.

A curto e mesmo a médio prazos não é possível vislumbrar formas de manter e ampliar a inclusão social, pois o modelo de política econômica vigente é notoriamente contrário à retomada do crescimento e ao aprofundamento da política social do governo. No melhor dos casos, será possível salvar algumas conquistas sociais alcançadas. Os salários reais deverão ser nitidamente prejudicados pela política econômica, no quadro de recessão que se desenha daqui pra frente.

Quais condições impediram o governo de prosseguir na agenda econômica progressista? De onde e como surgiu essa interdição?

A mudança na conjuntura internacional, com a desaceleração do crescimento chinês e o crescimento da competição no mercado de produtos industriais impediram a continuação do crescimento econômico e a continuação das políticas de inclusão social. Não sem razão, o crescimento industrial e a formação de capital foram bastantes afetados. A tentativa do governo Dilma de aumentar a taxa de investimento, mediante a ação de financiamento ao investimento privado pelo BNDES e a redução do superávit fiscal, para aumentar o investimento público, não produziram os resultados esperados. Os dois outros sistemas internos de poder, viram-se, então, diante da oportunidade de deslocar do governo o sistema de poder da classe trabalhadora. Para tanto, contaram com o apoio do sistema de poder externo, que gira em torno dos Estados Unidos e de seus aliados europeus, com a mobilização da grande imprensa e de setores da polícia federal e do poder judiciário.

Desencadearam, então, uma ampla campanha contra o governo e seu partido, que acabou afetando negativamente o clima negócios e neutralizando as ações do governo voltadas para a elevação da taxa de formação de capital, num quadro já desfavorável, em decorrência da redução dos preços e da taxa de expansão da demanda externa de produtos primários. A campanha eleitoral para a sucessão presidencial, voltada para concentrar no governo e no PT a culpa pelos atos de corrupção identificados nas relações entre a PETROBRAS e as empreiteiras, somente contribuiu para aumentar o clima de pessimismo entre os empresários e acelerar o processo de reajuste de preços.

Que interesses levam os núcleos externos de poder a promover/apoiar a desestabilização do Brasil? Como estes núcleos se articulam aos internos?

Flavio Lyra

O sistema externo que gira em torno dos Estados Unidos e da Europa têm basicamente quatro tipos de interesses, que são determinantes para o apoio a ações desestabilizadoras em relação ao Brasil. Primeiro, bloquear a consolidação do sistema externo de poder que começa a tomar forma em torno dos BRICS, especialmente da China, que representa uma séria ameaça a hegemonia do dólar na economia internacional. Segundo, desarticular o grupo dos países do MERCOSUL-UNASUL, que tende a acompanhar o Brasil nas disputas de poder no âmbito internacional. Terceiro, assegurar-se no tocante ao controle do petróleo da Venezuela e do Brasil. Por último, afastar competidores do mercado de construção pesada, no qual as empreiteiras do Brasil têm se destacado interna e externamente.

O sistema externo, que gira em torno dos Estados Unidos tem fortes articulações internas com o núcleo conformado pelas indústrias tradicionais, pelo setor agroexportador, pelo sistema financeiro privado e pelas empresas multinacionais. Este núcleo é defensor da integração dependente da economia brasileira com os Estados Unidos e a Europa, dentro de uma concepção neoliberal, que bloqueia o aparecimento de um novo ator de peso, como Brasil, na economia internacional. Já a articulação interna do sistema dos BRICS se dá principalmente com os segmentos que defendem maior autonomia na política de desenvolvimento do país, articulado em torno dos sistemas de poder da classe trabalhadora e das grandes empresas nacionais, privadas e públicas.

Por que mesmo diante da perda de hegemonia e alto endividamento os EUA e UE não reveem suas posições políticas e econômicas? Há sustentabilidade do arranjo que propõem essas potências?

Essa não é uma questão simples de ser equacionada. Por um lado, a liderança inconteste dos Estados na área militar, no desenvolvimento tecnológico e no controle da moeda internacional, embora ameaçados, ainda têm um papel dominante sobre os destinos da economia internacional. As mudanças que venham a ocorrer nessa área, tenderão a ser lentas e colocam o mundo diante da ameaça sempre presente de guerras de resultados imprevisíveis. Por seu turno, a Europa tem profundas divisões internas que lhe impedem ter uma estratégia comum frente ao mundo. Sem contar que, também se confrontam com contradições com os Estados Unidos, especialmente no mercado internacional.

Os arranjos propostos pelas grandes potências concentram-se essencialmente em manter as condições de dominação existentes no âmbito internacional e de evitar o fortalecimento de novos centros de poder. Daí, as ações baseadas em sanções econômicas que têm utilizado contra países como o Iran, a Rússia e as tentativas de desestabilização de governos que direta ou indiretamente tendam a participar em acordos que possam fragilizar o dólar, como moeda internacional, como é o caso dos BRICS.

Que propostas trazem os BRICS? De que forma essas propostas afrontam a ordem global?

A grande ameaça que o sistema dos BRICS representa para os interesses do sistema de poder que gira em torno dos Estados Unidos e da Europa, tem a ver com a perda de hegemonia do dólar nos mercados internacionais, seja no financiamento do comércio, seja no financiamento de grandes investimentos na infraestrutura. Atualmente, os países carentes de grandes investimentos na infraestrutura, que precisam de financiamento internacional, têm que se submeter às condicionalidades do Banco Mundial, cujo controle os Estados Unidos mantêm com mão de ferro, visando submeter as políticas econômicas desses países aos propósitos da integração dependente do sistema de poder sob a hegemonia daquele país. A política de privatização de empresas estatais no Brasil sofreu forte influência do Banco Mundial.

Por seu turno, o Fundo Monetário Internacional, continua fortemente dependente dos interesses dos Estados Unidos e da Europa. O esforço de maior participação nas quotas do Fundo, por parte de países como os BRICS, até hoje não teve desdobramentos práticos nos órgãos decisórios daquele organismo.

Por último, mas não menos importantes, o dólar como moeda de reserva internacional, constitui um importante instrumento de transferência de renda do mundo para a economia norte americana e um meio eficaz para o financiamento de sua indústria de guerra e dos projetos de desenvolvimento tecnológico associados a essa indústria.

O que desencadeou a cooptação de braços do Estado tido como neutros para a ação política? Não há formas de combater esse aparelhamento?

A influência dos Estados Unidos e dos países europeus nos centros do poder estatal no Brasil é um fenômeno que tem acompanhado nossa vida de longa data. Em certas épocas, essa influência se torna mais forte em função da conjuntura internacional. Não se pode esquecer que no golpe militar de 1964, os Estados Unidos tiveram papel determinante, não só em sua preparação, quanto na orientação das políticas internas subsequentes. Na conjuntura atual, os fato de o Brasil ter um governo considerado de esquerda, mobiliza naturalmente a atenção dos órgãos de segurança dos Estados Unidos e da Europa. Por outro lado, a atitude de maior autonomia dos países da região para a condução de suas políticas internas e externas, representa uma ameaça à hegemonia regional dos Estados Unidos e uma perda de capacidade no controle dos abundantes recursos naturais, especialmente o petróleo. Os acordos militares, de combate ao narcotráfico e de assistência técnica à formação e treinamento de pessoal, têm sido um canal privilegiado para a cooptação de funcionários do Estado brasileiro.

Poderia ilustrar como algo legítimo, que é o combate a corrupção, se torna um instrumento com fins políticos? Como diferenciar?

O combate à corrupção é uma bandeira de fácil manipulação pela imprensa e sempre esteve presente na vida política dos países, especialmente os da América Latina, onde prestou-se eficazmente para fomentar golpes de estado contra governos que se propunham a realizar reformas de cunho social. Ela tem a vantagem de atacar um problema que facilmente mobiliza as pessoas, sem despertar atenção para outras questões muito graves ligadas às desigualdades sociais. Embora a corrupção perpasse todas esferas da vida social, é muito fácil convencer as pessoas que a responsabilidade por sua existência é inteiramente do governo, quando na realidade tanto os poderes Judiciário e Legislativo, quanto a sociedade civil, têm se revelado muito susceptíveis a práticas ilícitas. A corrupção apresenta-se como um fenômeno endêmico em nossas sociedades, especialmente na cooptação de políticos por empresas, através do financiamento de caríssimas campanhas eleitorais. As campanhas contra a corrupção sempre encontram subsídios importantes na realidade e é muito difícil identificar quando seu uso é feito com finalidades políticas.

Quais os sinais de que o grande empresariado compreendeu a ameaça externa? É possível reestabelecer um pacto entre a classe trabalhadora e a indústria nacional?

Desde há bastante tempo existe uma política de reserva de mercado para as grandes empresas nacionais que atuam na siderurgia, na petroquímica, na construção civil e nas indústrias do petróleo e da energia. Essa política permitiu constituir grandes conglomerados produtivos que já estão presentes no mercado internacional, particularmente na América Latina, como competidores de peso das corporações internacionais. Os governos recentes do Brasil buscaram fortalecer esses conglomerados com apoio financeiro, através do BNDES e das políticas de compras no mercado interno, tanto no caso de grandes projetos de investimento no país, como são os casos do programa de construção naval e de exploração de petróleo pela Petrobras, da construção de hidroelétricas e obras rodoviárias e ferroviárias. Também, mediante o financiamento do BNDES na exportação de serviços, em obras importantes de infraestrutura exterior, como o porto de Mariel em Cuba.

Destaque-se, ainda a participação desses grupos no desenvolvimento da indústria de defesa, com projetos importantes na indústria de aviação civil e militar, na construção de submarinos nucleares e de armamentos em geral.

Essas grandes empresas passaram a constituir um dos três sistemas de poder que comandam a economia do país e seus interesses vão na direção de um projeto nacional de desenvolvimento, na contramão do projeto de internacionalização dependente que interessa ao sistema de poder que gira em torno das grandes corporações internacionais dos Estados Unidos e da Europa.

A campanha de combate à corrupção transformou-se, assim, num instrumento funcional para o sistema que gira em torno das grandes corporações internacionais, na medida em que presta-se para três propósitos: a) prejudicar o sistema das grandes empresas nacionais; b) desmoralizar a participação da classe trabalhadora no poder; c) desestimular a participação do Brasil na constituição do sistema dos BRICS, e d) prejudicar o esforço de integração regional com o fortalecimento do MERCOSUL – UNASUL.

O sistema de poder baseado na classe trabalhadora e o sistema de poder baseado na grande indústria vão ser naturalmente forçados a se aliarem por uma questão de sobrevivência, não obstante as contradições existentes entre eles. A questão crucial, neste caso, é a de saber qual sistema comandará o processo.

A reação em marcha no meio político contra a desestabilização do governo é uma indicação clara de que a grande empresa nacional compreendeu a inconveniência dessas ações para seus interesses econômicos. A estagnação econômica que se desenha para os próximos anos vai atuar como fator de estímulo à formação de um pacto entre o sistema da classe trabalhadora e o das grandes empresas nacionais, para a retomada do crescimento, acirrando o conflito interno entre esses dois sistemas e o sistema que gira em torno do setor financeiro e rentista da economia. A questão nacional, pode voltar a ser um ingrediente importante no cenário político do país, tão logo seja superado o clima atual de pressões para a desestabilização do governo.

É possível que a base social do PT se esvaia por conta do ajuste fiscal? Os efeitos dele ainda estão por se manifestar?

Esse é um perigo ostensivo. A incapacidade demonstrada pelo PT de preservar suas fontes de apoio junto aos movimentos sociais e de atuar para contrarrestar o controle dos meios de comunicação pelos segmentos mais tradicionais da elite brasileira, fragilizou bastante o partido, não somente na disputa pela preferência do eleitorado, quanto na afirmação de sua hegemonia sobre os partidos políticos da coalizão governamental. O ajuste fiscal que o governo está sendo obrigado a realizar vai na contramão do fortalecimento de sua base de apoio popular. Os efeitos negativos sobre o bem-estar da população ainda estão por se manifestar em toda sua extensão. A política econômica até agora adotada, não vai permitir a retomada do crescimento e, certamente vai afetar negativamente as conquistas salariais da classe trabalhadora e os benefícios alcançados pelos segmentos mais pobres da população.

Que ações imediatas seriam indicadas para despressurizar o cenário político? As perspectivas atuais são de melhora ou acirramento da crise?

O fortalecimento da aliança tática entre as forças políticas influenciadas pelo sistema de poder da classe trabalhadora e o sistema das grandes empresas nacionais, tem grande chance de atenuar as pressões, desestabilizadoras do governo, curto prazo. O direcionamento dos gastos de propaganda do governo para os segmentos da mídia menos agressivos contra o governo, pode atenuar a campanha de desestabilização vigente. Mas, como a política econômica não oferece perspectivas de retomada do crescimento, tende a prejudicar a classe trabalhadora e o ambiente de crise tende a permanecer, enquanto não seja possível realizar reformas políticas que desloquem o poder do setor financeiro e permitam mudanças na política econômica que sirvam para a retomada dos investimentos produtivos, em detrimento da acumulação financeira. A atual política econômica, centrada no tripé, precisa ser alterada em favor de uma política voltada para o investimento produtivo e a retomada do crescimento.

Ajuda da Petrobras salvou Santos de tragédia tóxica

Por Leandro Mazzini | Via Coluna Esplanada

Foto: UOL

Chamada às pressas, a Petrobras orientou os bombeiros e salvou a população dos bairros da zona portuária de Santos (SP) de uma tragédia tóxica no incêndio que atingiu seis tanques que estocavam combustíveis no pátio da Ultracargo.

Relatórios sigilosos de engenheiros da petroleira citam que as chamas lamberam dois tanques que continham cloro e amônia, e foram resfriados com prioridade, com sucesso e para alívio geral.

Caso fossem atingidos pelo fogo, o cloro, apesar de não inflamável, intensificaria a combustão; e a amônia causaria sérios danos a pessoas que inalassem o produto vazado, com riscos de cegueira, crise respiratória e até queimaduras que poderiam levar à morte.

OPERAÇÃO 

Assim que informada pelo serviço de inteligência, durante o incêndio que durou a Semana Santa, a presidente Dilma ordenou à petroleira que usasse todos os recursos.

O Corpo de Bombeiros de Santos, com atuação tímida – a despeito do reforço de quartéis de São Paulo – não deu conta. Os técnicos da Petrobras foram essenciais nas orientações sobre os produtos químicos ao terem acesso à empresa. A petroleira utilizou dois navios para puxar água do mar, e seis caminhões-tanques para apoio aos bombeiros.

Questionada sobre o cloro e a amônia nos estoques, em nota da assessoria a Ultracargo se limitou a informar que ‘Nas baias atingidas havia apenas combustível – gasolina e etanol’. Informou ainda que seguiu os protocolos para o caso, evacuando a área e evitando tragédia maior com o plano de ajuda mútua.

Petróleo e Petrobras no desenvolvimento futuro do Brasil

Via Jornal do Brasil

Consultor enfatiza importante papel da estatal para o desenvolvimento da economia nacional.

O consultor do setor de petróleo e gás e ex-diretor geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Haroldo Lima, publicou um artigo na edição de março da Revista Princípios, sobre o papel fundamental das atividades da Petrobras para o desenvolvimento do país. Lima destaca o setor petrolífero a partir de números do Produto Interno Bruto (PIB), que não deixa dúvida da dependência da economia nacional deste setor.

“A Petrobras é o carro chefe do setor e seu papel estratégico para o desenvolvimento nacional é algo que não pode ser menosprezado. Num momento em que a empresa sofre inúmeros ataques, é dever das forças progressistas encabeçar a luta em sua defesa. Está em jogo o interesse nacional”, analisa o consultor já na abertura do seu artigo.

Haroldo Lima escreve que:

O tema do desenvolvimento continua em pauta. Desenvolvimento no sentido amplo, econômico, social, político, cultural, ecológico, “síntese de várias determinações, unidade de multiplicidade” – em formulação de Marx. Mas seu ponto de partida é a retomada do crescimento econômico. No passado, tivemos expressivo crescimento, e do fim da Segunda Guerra Mundial até os primeiros anos da década de 1960, fomos um dos países que mais cresceram no mundo. Nos 15 anos que vão de 1948 a 1962, crescemos a uma média de 7,6% a.a., atingindo 10,8% em 1958. Entre 1970 e 1973, no chamado “milagre”, mantivemos um patamar de 11,9% a.a., cravando 14% em 1973. Na década “perdida” de 1980, tivemos um crescimento de 1,95% a.a., com um ano de recessão, 1981 (-4,3%). O período de oito anos de Fernando Henrique também foi de crescimento baixo. Excluindo 1998, de recessão (-0,1%), nos demais sete anos a média foi de 2,7% a.a. Dos oito anos com Lula na presidência, dois foram de recessão, 2003 e 2008 (-0,2% em cada), e o crescimento dos seis restantes de 4,9% a.a., com 7,5% em 2010. Com base em prognóstico do Banco Central, podemos admitir que a média de crescimento no primeiro governo de Dilma, de 2011 a 2014, será de 1,75%. Este número tem como pano de fundo a crise iniciada em 2008, a maior dos últimos 80 anos. Apesar disso, de 2008 a 2013, o Brasil foi a sexta economia que mais cresceu no G20. E no primeiro governo Dilma não houve recessão. Não por acaso. O governo manteve o emprego, o salário e os direitos. Gerou 5,5 milhões de novos empregos (o dobro que FHC em oito anos), sustentou o salário mínimo e os direitos sociais. Agora, para a manutenção desses fatores é fundamental a retomada do crescimento.

Petróleo e Petrobras no desenvolvimento do país

É conhecida a pujança da indústria do petróleo na economia brasileira. Sua participação no Produto Interno Bruto (PIB) era de 3% no ano 2000, saltou para 12% em 2010 e provavelmente fechará 2014 em torno de 13%. Mais de 70 petroleiras tem presença no Brasil, mas a Petrobras é, de longe, o carro chefe do setor. Sua política de conteúdo local tem contribuído para o crescimento de empresas. Quando Lula assumiu em 2003, a indústria naval tinha dois estaleiros e 7.465 trabalhadores. Em 2014 já contava com 10 estaleiros, 80 mil empregos diretos e 320 mil indiretos. As reservas petrolíferas estavam em 14 bilhões de barris de petróleo quando foram descobertas as gigantescas acumulações do pré-sal, em 2007. Cresceu também a produção. Quando do primeiro choque do petróleo, em 1973, importávamos quase 80% do petróleo que consumíamos e produzíamos cerca de 150 mil b/d. Em 2002, este número foi para 1,5 milhão e chegou a 2,4 milhões de barris/d no final de 2014. A Petrobras, que em agosto de 2013 era responsável por 93% dessa produção, tem uma exuberante história de lucratividade. Entre 1995 e 1999 – anos de governos de FHC – seu lucro foi pequeno, R$1,19 bilhão/a, mas, nos três últimos anos desse mesmo governo, foi de R$6,93 bilhões/a, seis vezes maior. Nos oito anos dos governos de Lula, o lucro da empresa foi a R$25,5 bilhões/a, passando pelo recorde de R$35,19 bilhões, em 2010. No governo de Dilma, a média dos lucros de 2011, 2012 e 2013 foi de R$25,96 bilhões, maior que a estupenda média dos governos Lula – média que cairá em 2014. É nessa empresa de tão brilhante trajetória que, de repente, se identifica uma quadrilha dilapidando seus bens.

De logo afastemos a ideia de que a corrupção atingiu a Petrobras por ser ela uma estatal e que isto é coisa desse governo. A Enron, norte-americana, não era estatal e foi à falência em meio a enormes escândalos. Desvios de dinheiro maiores que os da Petrobras ocorreram há pouco, em negócios de trens e metrôs de São Paulo, todos em governos do PSDB. O quadro, entretanto, é lastimável. Já foram presos três ex-diretores da Petrobras e mais de 20 dirigentes de empreiteiras. Só um funcionário concordou em devolver R$225 milhões! Na Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, e no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro, foram gastos mais de R$200 bilhões, suspeitando-se de desvios que podem ultrapassar R$11 bilhões. A empresa não conseguiu apresentar Balanço auditado. Nos EUA, foram abertas 11 ações contra a empresa, o que só foi possível porque a maior parte do capital que a União tinha na companhia foi vendida em Nova Iorque, na época de FHC. A companhia ficou submetida à legislação americana, além de ter ficado com mais capital privado que estatal. A luta contra a corrupção na Petrobras deve ser feita “doa a quem doer”, como disse Dilma. Quando veio a público uma relação de 23 empresas brasileiras ligadas ao esquema corrupto, a Diretoria da Petrobras suspendeu, temporariamente, relações contratuais com todas elas. A legisla- ção brasileira veda a possibilidade de firmar contrato público, para empresas que forem consideradas “inidôneas”. A situação pode envolver interesse nacional e extrapolar o âmbito jurídico, razão pela qual as providências não podem ficar sob a alçada exclusiva de delegados, promotores e juízes. A lista das 23 empresas, por exemplo, inclui todas as maiores companhias nacionais de construção pesada. No Brasil, o capital financeiro e as empreiteiras abusam do poder que têm, e a punição aos diretores e funcionários comprometidos com a corrupção deve ser exemplar. Mas, se as empresas forem excluídas do mercado, estaríamos entregando a construção pesada a companhias estrangeiras. Os interesses nacionais não teriam sido salvaguardados. E passaríamos a ideia tola de que achamos nossos empresários corruptos e os estrangeiros vestais impolutos. A ação de salteadores na estatal teve um grave impacto O valor de mercado da Petrobras, que em 2011 chegou a R$413 bilhões, despencou para R$184 bilhões. Mas a empresa faturou R$370 bilhões em 2013. É o “capital fictício”, de que falou Marx, que circula nas Bolsas e reflete o curto prazo das empresas. Não representa seu capital real, e a autonomia com que flutua, ainda segundo Marx, “reforça a ilusão de que é um verdadeiro capital ao lado do capital que representa”. Caem os preços do petróleo, muda a conjuntura A partir do segundo semestre de 2014, fato de grande magnitude impactou o negócio do petróleo – a queda do seu preço. Este que, em junho do ano passado esteve em US$112 /b, em outubro estava em US$90 /b e chegou a US$45 /b no meio de janeiro de 2015. Uma queda de cerca de 60% em seis a sete meses.

Variadas são as causas dessa reviravolta. A demanda dos combustíveis no mundo se enfraqueceu. Os EUA querem prejudicar a Rússia, o Irã, a Venezuela – grandes produtores. As fontes alternativas cresceram. Mas o fator decisivo foi o aumento exponencial da produção americana do shalegas e do shaleoil. Os EUA são os maiores consumidores de petró- leo do planeta – 21 milhões de b/d –, mas estavam também entre os maiores importadores dessa maté- ria-prima. Novas tecnologias permitiram a liberação de enormes quantidades de gás e óleo de folhelhos. E a maior economia do mundo, que em 2005 importava 60% do petróleo que consumia, foi diminuindo drasticamente sua dependência. A ascensão dessa matéria-prima não convencional fez a oferta ultrapassar a procura. Esperava-se que, para manter os preços, a OPEP reduzisse sua produção, como há 30 anos fazia, mas, desta vez, o cartel manteve sua produção. O preço do óleo desabou. A economia mundial, em curto prazo, será beneficiada com a queda do preço do óleo, os países exportadores não. O consumo do combustível fóssil aumentará, as condições da vida e o meio ambiente sofrerão. Os preços de produção do hidrocarboneto variam de acordo com as condições da bacia produtora. Na Arábia Saudita, a produção adicional de um barril sai por US$2/b, a produção do shaleoil americano oscila em US$60. No pré-sal brasileiro, admite-se que esse custo fique em torno de US$45/b. Projetos que produzem petróleo caro começam a se retrair. Nos EUA, de 50 a 60 deles já foram desativados (Valor Econômico, 09-01-2015). A OPEP garante que aprodu- ção de seus associados prevalecerá pelo menos no primeiro semestre de 2015. Segundo o Bank of America, a OPEP poderá esticar sua política por dois anos, o preço do barril do óleo pode baixar até US$40/b e, depois, sua estabilização pode se dar entre US$64/b e US$69/ b (Jornal do Comércio, 08- 01-2015). Conforme assevera um estudo de Duque Dutra (especialista da ANP), “o petróleo abaixo de US$50 não tem concorrente”, e os projetos alternativos de energia, de biocombustíveis, de eólicas, solar e outros só se desenvolveram “na base do alto preço do petróleo”.

Ações possíveis na nova situação É nesse quadro que se colocam a retomada do crescimento brasileiro e o papel do setor do petróleo e da Petrobras. Três medidas se destacam. A primeira é a realização da 13ª Rodada de Licitações de Blocos Exploratórios da ANP, já aprovada pelo CNPE, mas ainda não convocada. Estando a economia do país necessitando de impulsos, seria importante que essa rodada contivesse blocos promissores e fosse feita sem delongas, principalmente depois dos prejuízos causados ao setor, a partir de 2008, pela ausência de rodadas por cinco anos. A segunda vem na linha da concentração de esforços da Petrobras. No passado, para se concentrar, a estatal, por vezes, transferiu a operação de campos secundários, por exemplo, na Bahia, para outras empresas, através de “cessões de direitos” ou contratos de produção. Isto ainda é possível, exceto no pré-sal, onde a Petrobras é operadora única. Daí que a petroleira necessita abrir mão de atividades não fundamentais, dispersas pelo país. Esse comportamento não só permite à Petrobras concentrar esfor- ços, como vem ao encontro de uma necessária política governamental para fortalecer os produtores de petróleo independentes brasileiros, dispostos a revitalizar a produção em campos menores, operados pela estatal, em terra ou em águas rasas. A terceira medida necessita de uma reflexão maior. As dificuldades do momento tendem a obscurecer a enorme potencialidade do setor petrolífero e da Petrobras no Brasil, e a favorecer proposições retrógradas. Destas, uma é a que propõe o fim da partilha no pré-sal. Aparece na mídia conservadora e já se transformou no PLS 417/2014, apresentado ao Senado pelo líder do PSDB, Aloysio Nunes. O senador tucano é claro ao defender o fim da partilha no pré-sal, mas não é claro quando explica sua posição. A Justificação do PLS 417/2014 usa uma linguagem metafórica – “matamos a nossa galinha dos ovos de ouro” – que não demonstra nada. Quando tenta fazer a crítica concreta da partilha, diz que a mesma, “em primeiro lugar (…) estipula que a Petrobras teria participação mínima de 30% em todos os consórcios” – o que mostra que não compreendeu o que é a partilha.

A partilha da produção, como está definida na Lei 12.351/2010, é um regime de exploração e produção no qual o petróleo extraído é de propriedade da União, e não do concessionário, como na concessão, e o contratado apropria-se do custo em óleo na proporção estabelecida no contrato. A lei, depois de definir o que é a partilha, estabeleceu também, em seu art. 4º, que a Petrobras será a operadora única no pré-sal, razão pela qual tem que participar com um mínimo de 30% dos consórcios vencedores. O PLS 417/2014 pretende acabar com a partilha, mas não faz nenhum comentário sobre a mesma. Volta-se contra o fato de a Petrobras estar como operadora única. A partilha da produção não é criação dos brasileiros, já existe em diversos países. Diferentemente da concessão, usada quando há risco exploratório elevado e quantidade incerta de óleo a ser encontrado, a partilha predomina nos locais de baixo risco e de muito petróleo. Além de assegurar mais vantagens à Nação, permite ao Estado o controle da produção, para prevenir o “mal da abundância”, que pode ameaçar a industrialização do país. A partilha no pré-sal deve continuar, sem sombra de dúvidas. Finalmente, a retomada do desenvolvimento no Brasil não pode prescindir de ampliar a exploração do pré-sal. Aí, cabem considerações. A Petrobras, com o óleo que tem em Libra, no entorno da Cessão Onerosa e em campos sob concessão como Lula, Sapinhoá e outros, tem, no pré-sal, algo como 40 bilhões de barris de óleo. Poucas empresas do mundo têm retaguarda tão poderosa. Mas, para explorar e desenvolver essas áreas, a petroleira deve cumprir os contratos com a ANP e fazer outros investimentos altos. Seu orçamento até 2018 é de R$220,6 bilhões. Ampliar a exploração do pré- sal implica não protelar demasiadamente nova licitação na área. E aí uma questão se coloca. O marco da partilha é conhecido, as grandes empresas convivem com ele em diversos países. Mas, com os altos investimentos que tem que fazer e com as dificuldades de caixa do momento, pode a Petrobras ser obrigada a arcar com 30% dos dispêndios de todos os eventuais consórcios vitoriosos em futuros leilões do pré-sal? Outra hipótese é não se fazer leilão no pré-sal porque a Petrobras não pode assumir as obrigações previstas em lei. Mas isto seria pôr em segundo plano os interesses da Nação. Este problema decorre não da partilha, mas de ser a Petrobras a operadora única no pré-sal. A ideia de pôr a Petrobras como operadora única do pré-sal foi encaminhada ao Congresso em agosto de 2009, por decisão da Comissão Interministerial de oito membros, criada pelo governo Lula para examinar o que fazer no pré-sal. Membro dessa comissão, fui ardoroso defensor da partilha e da Petrobras como operadora única. Mas, a cotação do barril de petróleo na época era alta. Em 11 de junho de 2008 chegou a US$144/b. E, conforme admitia um estudo da EPE, o preço poderia chegar a US$200. A lucratividade para o negócio seria enorme e a Petrobras poderia arcar com esses dispêndios. Hoje a situação é completamente diferente. O barril oscila entre US$40 e US$50. Especula-se que, se cair mais, podem ser inviabilizados projetos novos no pré-sal. Se bem que, antes de inviabilizar projetos no pré-sal, inviabilizaria o shaleoil americano. De qualquer maneira, a atratividade do pré-sal continua, mas diminuiu. A crise passará e as grandes oportunidades não podem ser perdidas.

Não podemos dispensar, em um prazo médio, novas explorações no pré-sal. Seria o caso de se ajustar a legislação às condições atuais – o que poderia acontecer definindo a Petrobras não como operadora única do pré-sal, mas como sua operadora preferencial. A estatal poderia abrir mão, com justificação por escrito e ouvindo o CNPE, de operar blocos que não fossem os mais importantes, só tendo que investir em blocos prioritários. Com isso, grandes empresas poderiam se sentir mais atraídas para participar da partilha da produção no pré-sal brasileiro.

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Haroldo Lima é membro do Comitê Central do Partido Comunista do Brasil, consultor da área de petróleo e foi diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Diálogos Desenvolvimentistas: Lava-Jato, Pré-Sal e interesses estrangeiros

A notícia de que o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, propôs rediscutir do modelo de exploração do pré-sal no sentido de flexibilizar a participação obrigatória da Petrobras gerou considerações e comentários importantes por parte dos associados.

De um lado uns consideram que há uma guerra de informação e que o governo permanece firme em relação a lei de partilha e a política de conteúdo nacional, de outro temos os que veem uma negociação e recuo a fim de acomodar interesses conflitantes e garantir a dita “governabilidade”.

Confira:

Tania Faillace – Parece evidente que o bloco privatista ganha espaço gradualmente.

E parece do interesse público tentar saber o que realmente acontece sob os panos. E quais os elementos de pressão que estão sendo usados.

Fala-se que o PMDB está ganhando espaço maior graças a Eduardo Cunha, mas isso certamente é uma versão simplista, visando a dar destaque a Cunha em termos da modelagem de sua imagem pública, como líder imbatível.

Interessaria, porém, saber os instrumentos materiais ou dissuasivos usados para permitir que uma figura, antes de pouca expressão, adquirisse tal relevo.

A Chevron já foi expulsa uma vez do pré-sal. Estaria tentando a volta por cima? E, além do folclórico Serra, quais seriam as outras forças?

Que teriam a dizer os petroleiros sobre o assunto? Os velhos e os novos?

Paulo Moreno – Sim, a Chevron foi expulsa de uma concessão da área pós-sal na Bacia de Campos em 2012 quando tentaram “roubar” o óleo do pré-sal, extraindo-o sem autorização. Eles compraram a preços irrisórios um bloco na Bacia de Campos em 1998, pagaram um preço muito baixo, naquela rodada que o genro do FHC, David Zylbersztajn, que tinha uma empresa de consultoria a “DZ Energia” que facilitava a entrada dos gringos. David em 1998 ainda estava na ANP fazendo os leilões dos blocos a “preços irrisórios”. A Chevron ganhou essa raspadinha da sorte e ganhou rios de dinheiro na área pós-sal.

Não satisfeitos com os altos lucros no pós-sala eles viram a descoberta do pré-sal que tinha uma reserva próxima muito profunda a 5.500 metros e resolveram fazer uma extração não autorizada usando aquela tecnologia de “poço direcional” que fizeram no Iraque na fronteira com o Kwait em 1990 e foi descoberto e causou a sangrenta guerra do golfo em 1991.

Ao tentar atingir o pré-sal nessa camada profunda em 2012, perderam controle da pressão e das barreiras de proteção o que fissurou as rochas no fundo do oceano, gerando aquele tremendo vazamento que durou duas semanas na Bacia de Campos, atingindo diversas praias paradisíacas na região do Arraial do Cabo, o que causou muita indignação. A Petrobras foi chamada pela ANP para ajudar no controle do vazamento e conseguiram fazer um poço lateral e injetar cimento, o que estancou o vazamento. A Polícia Federal recolheu passaportes dos funcionários norte-americanos da Chevron e a Marinha ocupou a plataforma e o bloco foi devolvido. A lembrança da tentativa do roubo deixou os gringos afastados, pelo menos por enquanto. Esse fato aconteceu um ano depois que Dilma recusou negociar todo o pré-sal para as empresas americanas Chevron e Exxon Mobil. Agora o senador José Serra retorna com a febre do entreguismo e entrega do pré-sal pelo Regime de Concessão.

Osvaldo Maneschy – Fiquei surpreso com as declarações atribuídas a Eduardo Braga pela agência G1, das Organizações Globo, ontem, e também pela Exame, da Editora Abril.

Bem como a repercussão pelos demais onlines que multiplicaram fala do ministro das Minas Energia no Senado favorável a entrega do pré-sal para as multis de petróleo – e procurei saber mais sobre o depoimento do ministro.

E constatei que principalmente a G1 e a Exame carregaram nas tintas.

O que o ministro disse não foi exatamente o que está transcrito aqui na lista.

Confiram (aqui), por exemplo, o que a Agência Senado, mais isenta, narrou sobre a mesma fala do ministro.

Ou a agência 247, esta alinhada mais com o PT e o governo (aqui).

Ou seja, acho que está valendo aquela velha máxima do jornalismo: na guerra, a primeira vítima sempre é a verdade.

O Eduardo Braga começou a sua vida política como vereador do PDS e hoje é ministro de Minas e Energia pela cota do PMDB, se não me engano indicado pelo Lobão.

Acredito que ele não seja maluco de bater de frente com a Dilma que, anteontem, na posse do Janine, deixou bem claro para que o pré-sal e a Petrobrás são do Brasil.

Criar confusão é ferramenta importante na guerra da informação.

Paulo César Ribeiro Lima – Infelizmente, é muito pior do que está nas tintas.

Gustavo Santos – A lava jato está conseguindo seu maléfico intento, acabar com a governabilidade da Dilma para assim lhe impor a entrega do pré-sal aos gringos.

Helio Silveira – Para vocês verem a importância do Pré-Sal e a quebra da participação obrigatória de 30%,ontem foi anunciado a megacompra da BG Group pela Shell por US$70 bi, numa conjuntura péssima para o setor petróleo (cotação em torno de US$ 50,00). O claro interesse estratégico da Shell é reforçar reservas na crise, assim como fez Putin ao reforçar a participação do Estado Russo na Grazpon e como deveria fazer agora a Petrobras aumentando sua participação em petroquímica em vez de anunciar venda de patrimônio.

Nós sabemos, com a participação de nossos colegas bem informados, que a Petrobras, diante das reservas possuídas, não possui nenhuma restrição de natureza econômico-financeira, seja para manter seu patrimônio, seja fazer aquisições no setor, seja para manter seus investimentos, no entanto, está paralisada e perdendo patrimônio pela operação Lava-Jato (Na verdade operação “Joga-Lama-na-Geni”) e está claramente sofrendo uma ataque político com objetivos claros de abrirmos os poços Pré-Sal às reservas das “grandes Irmãs” e às nações “mui amigas”.

Aí vai o artigo em q o executivo da Shell, comentando a aquisição da BG Group, não se furtou em dizer q o interesse (ao meu ver o único) da operação foi de se fortalecer para “participar do Pré-Sal” (aqui). O Financial Times também reforça que o interesse é o Pré-Sal (aqui).

Osvaldo Maneschy – Aprendi trabalhando mais de 40 anos em jornal que o está nas tintas – é a versão dos fatos que o dono do jornal (da TV, do rádio, etc) quer que as pessoas acreditem.

Fato é fato, versão é versão.

Claro que você está aí no Congresso, sabe das coisas.

Mas a Dilma disse com todas as letras – ao ser diplomada no TSE, ao ser reempossada no Planalto, e na posse do Janine, anteontem – que a Petrobrás e o pré-sal são do Brasil.

O que ela diz sobre o assunto, para mim, conta muito.

Que a Shell – que há anos exporta petróleo cru do Brasil por conta das falcatruas lá de trás, do tempo das vacas gordas (pra ela) do entreguista FHC – a gente sabe.

Que as petrolíferas gringas, Shell na frente, querem botar a mão do pré-sal – a gente também sabe.

E que tem muito entreguista doido para ganhar uns caraminguados em troca do interesse nacional, a gente também sabe que existe.

Por isso é bom sempre lembrar o “Era Vargas”, do José Augusto Ribeiro.

Quando Chateaubriand, dono das Organizações Globo da época, na crise de agosto de 54, mandou recado para Vargas:

“Fecha a Petrobras que paro de fazer campanha contra”.

Getúlio não desistiu da Petrobrás e ela está aí.

Firme e forte, apesar de todas as tintas, cores e sons das fábricas de midiotas.

E da “República de Curitiba” do Moro e da gurizada do MPF, que é boa de estudo e concurso, mas não entende o Brasil.

Pepe Escobar: Empório eurasiano ou guerra nuclear?

Por Pepe Escobar | Via Rede Castor Photo

Angela Merkel e o telefone espionado…

Fonte de alto nível da diplomacia europeia confirmou para Asia Times que o governo da chanceler alemã Angela Merkel está em vigorosa campanha de aproximação com a China, tentando romper a parceria estratégica em várias frentes entre China e Rússia.

Pequim não precisa, necessariamente, dar muita atenção ao gesto político de Berlim, uma vez que a China está movendo os cordões de seu projeto de Nova Rota da Seda paneurasiana, que implica laços estreitos de comércio/ negócios/ business com a Alemanha e também com a Rússia.

O gambito alemão só mostra que setores falcões mais conservadores do governo norte-americano, dedicados a cercar e atacar a Rússia, aumentaram a pressão. Por mais que ainda se ouçam conversas sobre o quanto Merkel ficou ofendida por ter sido espionada pela Agência de Segurança Nacional dos EUA, que gravou seus telefonemas, a chanceler dança pela música de Washington. “Sentir-se muito ofendida” só significará alguma coisa, se a chanceler levantar unilateralmente as sanções alemãs contra o Irã. Enquanto Merkel não fizer isso, nada, aí, é mais importante que joguinhos de “policial bonzinho e policial durão”: táticas de negociação.

O resumo de tudo é que Washington absolutamente não pode tolerar qualquer relacionamento próximo comercial/político entre Alemanha e Rússia, porque isso ameaça diretamente a hegemonia dos EUA no Império do Caos.

Assim sendo, toda a tragédia na Ucrânia nada tem a ver com direitos humanos ou a santidade das fronteiras. A OTAN arrancou o Kosovo da Iugoslávia-Sérvia, sem se preocupar com referendo algum, do tipo que houve na Crimeia.

Preste atenção àqueles S-500s

Paralelamente, se desenvolve outro gambito fascinante. Alguns atores da Think-tankelândia norte-americana – com os acolhedores laços que mantêm com a CIA – estão redistribuindo suas fichas de apostas sobre a Guerra Fria 2.0, temerosos de que tenham errado na avaliação do que realmente acontece no tabuleiro de xadrez geopolítico.

Acabo de retornar de Moscou e há por lá uma sensação de que o Gabinete Federal de Segurança e a inteligência militar russa estão cada vez mais fartos do fluxo interminável de provocações que lhes chega do pessoal de Washington/OTAN – dos Bálticos à Ásia Central, da Polônia à Romênia, do Azerbaijão à Turquia.

Global Research publicou um sumário, extenso mas não completo, do que é visto em toda a Rússia como ameaça existencial: a tentativa, de Washington/OTAN, de bloquear o comércio e o desenvolvimento eurasiano da Rússia; de destruir seu perímetro de defesa; de arrastar a Rússia para guerra com tiroteio.

Sistema de defesa anti-mísseis S-500 – Rússia

Guerra com tiroteio não chega a ser, exatamente, ideia brilhante. Os mísseis antimísseis S-500 da Rússia, e os mísseis antiaéreos podem interceptar qualquer míssil balístico intercontinental existente, qualquer míssil cruzador ou qualquer aeronave. Os S-500s voam à velocidade de 15.480 milhas/hora, alcançam altitude de 115 milhas; viajam 2.174 milhas horizontais; e podem interceptar até dez mísseis simultaneamente. São armas que simplesmente não podem ser “contidas” por nenhum dos sistemas antimísseis que os norte-americanos tenham hoje.

Alguns, no lado dos EUA, têm dito que o sistema S-500 está sendo concluído num programa acelerado, como uma fonte na inteligência dos EUA disse a Asia Times. Não há confirmação do lado russo. Oficialmente, Moscou diz que o programa estará pronto em 2017. Resultado final, agora ou em breve: o sistema selará o espaço aéreo da Rússia. Não é difícil extrair as necessárias conclusões.

Daí nasce a “política” do governo Obama de promover histeria de guerra, combinada com lançar guerra de sanções, contra o rublo e contra o petróleo contra a Rússia – serviço que continua a ser executado por bando de subespécies subzoológicas.

Alguns adultos na União Europeia já viram o escrito na parede (nuclear). As defesas convencionais da OTAN são piada. Qualquer “avançada” militar – como está sendo tentada agora – é também piada, e pode ser demolida pelas 500 armas nucleares táticas que Moscou pode usar.

Na dúvida, abuse

Claro que é preciso tempo para virar a mentalidade vigente de Guerra Fria 2.0, mas há indicações de que talvez os Masters of the Universe estejam prestando atenção – como mostra esse ensaio de Stratfor. Pode-se dizer que apareceu uma primeira trinca (pública) no gelo.

Assumamos que a Rússia decida mobilizar cinco milhões de soldados, e entrar em produção para o exército. Num flash, o “ocidente” recuaria para uma entente cordiale. E assumamos que Moscou decida confiscar o que resta da riqueza dos oligarcas espertalhões. A taxa de aprovação de Vladimir Putin – que, no pé em que está hoje nada tem de modesta – alcançará… 98%. Até aqui, Putin tem-se mantido extremamente contido. Mesmo assim, persiste a mais furiosa demonização histérico-infantiloide do homem.

É cenário de escalada non-stop. Revoluções coloridas. O golpe de Maidan. Sanções; Putin/Hitler “do mal”; tentarem meter a Ucrânia na OTAN; bases da OTAN por toda a parte. Pois mesmo assim, a realidade – o contragolpe na Crimeia e as vitórias em campo dos exércitos das Repúblicas Populares de Donetsk e de Lugansk – já arrancaram dos trilhos a mais elaborada das políticas e planos do Departamento de Estado/OTAN. Além disso, Merkel e François Hollande da França foram forçados a uma entente cordiale com a Rússia – em torno de Minsk-2 – porque sabem que seria o único modo de impedir que Washington continuasse a armar Kiev.

Variação do índice de aprovação de Putin na Rússia

Putin está comprometido, essencialmente, num processo muito complexo de preservação/ florescimento da história e da cultura da Rússia, com sobretons de paneslavismo e eurasianismo. Comparar Putin a Hitler é ruim até como brincadeirinha de criança.

Mas, claro, que ninguém conte com a capacidade dos neoconservadores de Washington para compreender a história e a cultura da Rússia. A maioria deles seria reprovada até em joguinho de perguntas e respostas sobre seus amados heróis Leo Strauss e Carl Schmitt. Sobretudo, o anti-intelectualismo daquela gente, e aquela arrogância excepcionalista, só deixam espaço para o mais infindável bullying/ provocação.

Uma das minhas fontes, professor universitário norte-americano, enviou carta a Nancy Pelosi, com cópia para um conhecido neoconservador e marido de Victoria, Rainha do Nulandistão. A resposta dele, do endereço de e-mail da Brookings Institution: Por que você não vai se Fo*er [aqui “disfarçado”]?” Mais uma clara ilustração de caso em que marido e mulher falam a mesma língua.

Afinal vê-se sinal de vida inteligente na Av. Beltway, decidida a combater a célula de neocons que opera de dentro do Departamento de Estado, das páginas infestadas de neocons do Wall Street Journal e do Washington Post, uma gangue de think-tanks e, claro, a OTAN, cujo atual comandante militar, general Gen. Breedlove/Breed-ódio, trabalha duro nessa sua encarnação pós-tudo do Dr. Fantástico.

A “agressão” russa não passa de mito. Até aqui, a estratégia de Moscou tem sido exclusivamente de autodefesa. Moscou pode muito rapidamente avançar numa cooperação estratégica com o ocidente, bastando para isso que o ocidente compreenda os interesses de segurança da Rússia. Se esses interesses forem violados – como quando se provoca um urso – o urso responderá. Uma mínima compreensão da história revela que o urso sabe lá algumas coisinhas sobre resistir ao sofrimento. A Rússia absolutamente não entrará em colapso. Não derreterá.

Enquanto isso, outro mito foi também demolido: que as sanções feririam terrivelmente as exportações russas e seus excedentes comerciais. Claro que o país foi ferido, mas nada de insuportável. A Rússia goza de grande riqueza em matérias primas e tem massiva capacidade interna de produção – o suficiente para atender o núcleo mais duro da demanda interna.

Assim, voltamos à União Europeia, Rússia e China e todos entre uma e outra, todos unidos no maior empório comercial da história, por toda a Eurásia. Foi o que Putin propôs na Alemanha há alguns anos, e é o que os chineses já estão fazendo. E quanto aos neocons? O que os neocons têm a propor? Uma guerra nuclear em solo europeu.

***

Pepe Escobar (1954) é jornalista, brasileiro, vive em São Paulo, Hong Kong e Paris, mas publica exclusivamente em inglês. Mantém coluna (The Roving Eye) no Asia Times Online; é também analista de política de blogs e sites como: Sputinik, Tom Dispatch, Information Clearing House, Red Voltaire e outros; é correspondente/ articulista das redes Russia Today, The Real News Network Televison e Al-Jazeera.

A Comperj e sua relevância estratégica

Por Paulo Moreno

O Comperj não é uma empresa privada e nem construtora, trata-se do “Complexo petroquímico do Rio de Janeiro”, obra de gigantesca magnitude e de máximo grau de complexidade de uma unidade petroquímica que pertence à Petrobras. Portanto, o Comperj é uma complexa planta petroquímica muito parecida com as petroquímicas gigantescas que foram construídas pelos governos militares na década de 1970 pelo Grupo Petrobras e 20 anos depois privatizadas a preços irrisórios por FHC (COPENE, COPESUL, FAFEN, PETROQUISA, PQU).

A grande diferença das obras atuais é que os “graus de complexidade” das refinarias e plantas petroquímicas atuais seguem novas regras ambientais e requisitos normativos muito mais exigentes sobre a qualidade e margem de lucratividade dos produtos, além de terem capacidade muito maior que as refinarias construídas nas décadas de 1950 a 1980 possuem graus de complexidade elevados. A RNEST, por exemplo, que já está operando há poucos meses no Pernambuco, tem grau de complexidade 14 (!), bem maior que as refinarias da décadas de 1960/70 que têm grau de complexidade 6 e foram “revampeadas” e modernizadas recentemente (2003-2013) com a instalação de novas unidades HDTs de Diesel S-10, chegando então a graus de complexidade em torno de 10. Convém também notar que a capacidade de produção dessas novas unidades (RNEST e Comperj) são amplamente maiores que as refinarias construídas no governo militar, à exceção da REPLAN, que foi uma unidade gigantesca construída pelo governo militar em Paulínia na década de 1960 e entrou em operação em 1971, com capacidade fora do padrão mundial daquela época, ela processa 450 mil barris por dia. A razão para esse projeto da Replan na região de Campinas foi devido ao aumento explosivo do consumo de derivados com o início do “milagre brasileiro” e crescimento do parque industrial no estado de São Paulo nos anos 1960, quando cerca de 250 indústrias saíram do estado do Rio de Janeiro e instalaram suas fábricas em São Paulo que tinha maior disponibilidade de energia e insumos.

A última obra de construção de refinaria no governo militar na Petrobras foi a REVAP, que iniciou a produção em junho de 1980.

Depois da REVAP o Brasil “triplicou” o patamar de consumo de derivados e ficamos com as refinarias “sobrecarregadas” operando perigosamente em “fator operacional de 98%” desde o início da febre privatista de Collor e FHC, que impediram novas obras no refino e iniciaram os desmontes do parque industrial  do petróleo e petroquímico brasileiro e sua total entrega ao capital estrangeiro. FHC inclusive entregou as petroquímicas da Petrobras a preços irrisórios ao capital privado e impediu a construção da RNEST (Abreu e Lima) por oito anos seguidos (lembro-me das reuniões da Petrobras com o ministro Raimundo Brito e o José Serra do Planejamento quando se tocava no assunto da RNEST eles tinham um ataque de fúria.

Em 1982, quando o governo militar terminou a obra da Revap o Brasil consumia 870 mil barris por dia de derivados e importava 400 mil barris por dia petróleo, com a Revap passou a produzir 470 mil barris por dia e processar nas refinarias os 870 mil barris por dia. O setor passou a operar de forma muito perigosa quando o consumo interno “triplicou” e as refinarias eram as mesmas de 1982. O fator operacional médio nas refinarias brasileiras que era de 80% em 1982 passou a ser perigosamente operado a 98% e 99% até o final do ano passado. Quando entrou em operação a RNEST em novembro de 2014, a Dilma não quis nem fazer inauguração da UDA – Unidade de Destilação Atmosférica por causa do “clima de guerra” criado pelos políticos lesa-pátrias entreguistas e dos interesses estrangeiros (George Soros) contra a Petrobras.

O processo na Operação Lava Jato, portanto, é contra o “cartel das construtoras” e contra o sr PRC que maliciosamente atuou junto ao cartel desde 1996, e não contra o COMPERJ e nem contra a Petrobras.

O processo é contra os donos das construtoras e os ex-diretores nomeados por FHC (Paulo Roberto Costa, Renato Duque, Cerveró e Pedro Barusco que foram beneficiados no governo tucano com o “rasgamento dos acordos coletivos de trabalho e o plano de carreira” e venderam suas almas ao diabo FHC e tiveram carreiras meteóricas em troca de favorecimento político e do apoio aos desmontes de FHC nas estatais para justificar “privatarias”. Costa foi nomeado Diretoria do GÁS (Gaspetro) aos 42 anos de idade e ao completar 18 anos de empresa, Pedro Barusco foi nomeados mais jovem ainda e o poder lhe subiu à cabeça quando ele foi nomeado para Gerencia de E&P para “conduzir os contratos de afretamentos” (aluguel de plataformas estrangeiras junto a afretadoras). Esses absurdos só se tornaram possíveis em 1995, com o “rasgamento” do Plano de Carreira, a morte do Diretor de RH, Francisco Clotário que morreu infartado em 31/05/1995, numa reunião na Sede da Petrobras, aos brados com FHC, o ministro Raimundo Brito, Joel Rennó e o puxa-saco-mór de FHC, o senhor Paulo Roberto Costa, que naquela época ocupava o mais alto cargo na área de produção, o de Superintendente Geral da Bacia de Campos. Paulo Roberto Costa era um feroz aliado dos desmontes de FHC, desde 1995 passou a perseguir trabalhadores petroleiros, causou a morte de uma centena de petroleiros com a redução drástica do nível de manutenção (junto como braço direito terceirizador, o sr Alan Kardec Pinto, o AKP) eles iniciaram em 1997 um absurdo programa de terceirização de setores estratégicos da Petrobras (manutenção, segurança, operação) que culminaram com uma centena de acidentes e 302 petroleiros mortos (entre 1995-2002) até o afundamento da plataforma P-36 em 15 de março de 2001 com perdas de quatro bilhões de reais (1,3 bilhões US$) . Portanto, Costa era odiado pelos petroleiros que agora comemoram a sua prisão pelos malfeitos, pois ele atuava de forma maquiavélica desde 1995, quando o poder e as nomeações políticas precoces lhe subiram à cabeça. Os petroleiros só lamentam que o Costa tenham sido beneficiado pelos togados que o deixaram solto, sequer sem as tornozeleiras.

GRAUS DE COMPLEXIDADE DE REFINARIAS: POLÍTICOS E TOGADOS DESCONHECEM

Já mencionei sobre os graus de complexidades de “refinarias e petroquímicas” e até já enviei artigos internacionais sobre essa matéria a tão ignorada pelos leigos.

O problema maior no Brasil nesses imbróglios é o desconhecimento dos magistrados e dos políticos nessa matéria e a maioria dessa casta nunca pisou sequer numa refinaria, plataforma ou planta petroquímica, comparam plantas complexas com “eletrodomésticos” e “fábricas de baixa complexidade” e depois esses togados, donos de mídia e políticos saem por aí publicando inverdades, informações sem a mínima base técnica, e ainda ficam fazendo “juízos de valor na condição de leigos” sem sequer conhecerem os diferentes graus de complexidade das refinarias e das petroquímicas, se é que eles já leram algum artigo sobre esse assunto.

Janio de Freitas: De olho no óleo

Por Janio de Freitas | Via FSP

Há 60 anos, ‘O Petróleo é Nosso’ foi mais do que uma campanha, foi uma batalha. Olha aí o século 20 de volta

A pressão para que seja retirada da Petrobras a exclusividade como operadora dos poços no pré-sal começa a aumentar e, em breve, deverá ser muito forte. Interesses estrangeiros e brasileiros convergem nesse sentido, excitados pela simultânea comprovação de êxito na exploração do pré-sal e enfraquecimento da empresa, com perda de força política e de apoio público. Mas o objetivo final da ofensiva é que a Petrobras deixe de ter participação societária (mínima de 30%) nas concessionárias dos poços por ela operados.

Como o repórter Pedro Soares já relatou na Folha, a Petrobras está extraindo muito mais do que os 15 mil barris diários por poço, previstos nos estudos de 2010. A média da produção diária é de 25 mil barris em cada um dos 17 poços nos campos Lula e Sapinhoá, na Bacia de Santos (de São Paulo ao Espírito Santos). Perto de 70% mais.

Não é à toa que, se a Petrobras perde a confiança de brasileiros, ganha a da China, que a meio da semana concedeu-lhe US$ 3,5 bilhões em empréstimo com as estimulantes condições do seu Banco de Desenvolvimento.

O senador José Serra já apresentou um projeto para retirada da exclusividade operativa da Petrobras nos poços. Justifica-o como meio de apressar a recuperação da empresa e de aumentar a produção de petróleo do pré-sal, que, a seu ver, a estatal não tem condições de fazer: “Se a exploração ficar dependente da Petrobras, não avançará”.

A justificativa não se entende bem com a realidade comprovada. Mas Serra invoca ainda a queda do preço internacional do petróleo como fator dificultante para os custos e investimentos necessários às operações e ao aumento da produção pela Petrobras. Mesmo como defensor do fim da exclusividade, Jorge Camargo, ex-diretor da estatal e presidente do privado Instituto Brasileiro do Petróleo, disse a Pedro Soares que “a queda do [preço do] petróleo também ajuda a reduzir o custo dos investimentos no setor, pois os preços de serviços e equipamentos seguem a cotação do óleo”. E aquele aumento da produtividade em quase 70% resulta na redução do custo, para a empresa, de cada barril extraído.

O tema pré-sal suscita mais do que aparenta. As condições que reservaram para a Petrobras posições privilegiadas não vieram só das fórmulas de técnicos. Militares identificaram no pré-sal fatores estratégicos a serem guarnecidos por limitações na concessão das jazidas e no domínio de sua exploração. A concepção de plena autoridade sobre o pré-sal levou, inclusive, ao caríssimo projeto da base que a Marinha constrói em Itaguaí e à compra/construção do submarino nuclear e outros.

Há 60 anos e alguns mais, “O Petróleo é Nosso” foi mais do que uma campanha, foi uma batalha. Olha aí o século 20 de volta.