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EUA derruba aviões do Iraque que atacavam posições do Exercito Islâmico

Via Hispan TV

A chamada coligação internacional anti-EIIL liderada por os EUA, atacaram um modelo de aeronave de combate da Força Aérea Sukhoi no Iraque, durante a realização de uma operação antiterrorista na cidade de Al-Ramadi, capital da província de Al-Anbar.

A agência de notícias Almaalomah, citando testemunhas, informou que dois aviões de guerra bombardeavam posições do grupo terrorista EIIL e que matou 35 terroristas ele e causou grandes danos ao seu equipamento.

Uma aeronave da coalizão liderada pelos Estados Unidos apareceu e atacou um dos aviões iraquiano fazendo com que o dispositivo explodisse no céu.

As autoridades iraquianas ainda não emitiu qualquer comentário sobre o incidente, que ocorreu no deserto de Huran, no entanto, fontes dizem que a agressão cometida pela coalizão estrangeira foi intencional.

Este não é um acontecimento isolado. Em várias ocasiões, o Iraque postou fotos e gravações, segundo a qual as tropas estrangeiras em vez de atacarem os terroristas direcionam seus ataques contra o exército iraquiano e, em seguida, afirmam que foi um erro.

Em quatro de março, aviões de combate da coalizão anti-EIIL bombardearam uma posição voluntária de forças iraquianas perto da capital, Bagdá.

De acordo com uma testemunha local, dois membros do grupo de voluntários que lutam lado a lado com as forças armadas iraquianas para livrar o país de terroristas takfiríes, morreram em consequência dos ferimentos graves sofridos durante o ataque.

Fontes confiáveis ​​dizem que nos últimos meses, os aviões de combate da coalizão nunca bombardearam as províncias de Daesh e Salah al-Din (centro) e Al-Anbar, mas liberaram grandes quantidades de armas e munições para os elementos EIIL em áreas de conflito.

Almaalomah acrescentou que alguns partidos políticos iraquianos pediram ao governo que interrompa a sua colaboração militar com os EUA e que recorra à Rússia ou outros países para os fornecimentos de armas de que necessita para lutar contra os terroristas.

Em oito de agosto, os EUA e seus aliados lançaram ataques aéreos no Iraque e no final do mês de Setembro, estenderam para a Síria.

No entanto, até agora não houve nenhum resultado tangível e apenas o bombardeio da coalizão têm contribuído para a destruição de infraestruturas vitais na Síria e no Iraque, independentemente do número de vítimas civis.

Ele acrescentou que os 24 participantes nesta coalizão, junto com os países das Nações Unidas (ONU), pretendem realizar uma reunião em junho para tratar sobre os últimos desenvolvimentos na Síria e no Iraque.

Sobre o Iraque, os membros da coalizão abordarão, entre outras questões, a queda da cidade de Al-Ramadi agora sobre controle dos terroristas e a formação de um “governo mais abrangente”, através do qual segundo varias autoridades iraquianas, os americanos buscam dividir o Iraque.

Enquanto isso, o Congresso dos Estados Unidos apresentou um plano para fornecer armas e dinheiro diretamente para as comunidades sunitas e curdas no Iraque sem consultar o governo central em Bagdá.

O governo iraquiano se opôs à iniciativa de fornecer assistência militar direta às forças sunitas e curdas Peshmerga e tribos sunitas a parti da Lei de Defesa Nacional de 2006, pois trata essas comunidades como “dois estados” será um incentivo a mais divisões e incentiva regionalismo em território Iraque.

O governo iraquiano denunciou o plano porque ele afeta a soberania e “uma flagrante interferência nos assuntos internos”.

Analistas políticos questionam os objetivos de Washington nesta nova luta contra o terrorismo no Oriente Médio, e nos lembram de que grupos extremistas como o EIIL nascido com a ajuda financeira de países como o próprio Estados Unidos, Turquia, Arábia Saudita e Qatar.

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Tradução: Valter Xéu

Sinedino: Lucro no trimestre demonstra que Petrobás não tem problema operacional

Por Rogerio Lessa | Via AEPET

Alguns aspectos do balanço do primeiro trimestre de 2015, que não receberam o devido destaque nas notícias sobre o recente desempenho da Petrobrás:

- O lucro ajustado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) somou R$ 21,518 bilhões, representando um crescimento de 50% ante igual período de 2014.

- O lucro operacional foi de R$ 13,3 bilhões, 76% superior ao do primeiro trimestre do ano passado, principalmente devido ao crescimento da produção de petróleo e gás, a maiores margens na comercialização de derivados e aos menores gastos com participação governamental e importações. Além disso, o resultado do 1º trimestre de 2014 foi impactado pelo provisionamento de gastos com o Programa de Incentivo ao Desligamento Voluntário (R$ 2,4 bilhões), o que não se repetiu em 2015.

Para Silvio Sinedino, ex-conselheiro eleito pelos funcionários para o Conselho de Administração da Petrobrás, o lucro de R$ 5,3 bilhões no primeiro trimestre só confirma o que ele vem reiterando insistentemente: os problemas da Companhia não são de ordem operacional. “Se os preços estiverem minimamente alinhados, sem o subsídio aos preços dos combustíveis, a empresa continuará lucrando”, disse.

Sinedino, que é diretor da AEPET, considera que, além do subsídio aos combustíveis, os contratos do tipo EPC contribuíram para a crise vivida pela Companhia. Ele espera que a mudança neste quesito será decisiva para manter a Petrobrás nos trilhos. “Na RNEST (Abreu e Lima), os contratos das obras tiveram nada menos que 362 aditivos, o que é um absurdo. No mais, basta deixar o petroleiro trabalhar que o resultado será positivo”, disse, minimizando as análises pessimistas quanto ao nível de endividamento da empresa, sobretudo as notícias após a divulgação do balanço trimestral.

“O endividamento subiu, mas é importante reparar que a quantidade de barris que temos no pré-sal não está devidamente contabilizada nos balanços, pois com aquelas reservas a relação entre a dívida e os ativos da Companhia seria outra”, ponderou.

O destaque dado aos preços dos combustíveis pela Petrobrás na divulgação do balanço trimestral mostra convergência com a opinião de Sinedino, que foi presidente da AEPET. A Companhia destacou que houve, no trimestre, o efeito integral dos reajustes de 5% no preço do diesel e de 3% no preço da gasolina ocorridos em 7 de novembro de 2014. Também influenciaram no resultado, segundo a Petrobrás, os menores custos de vendas por conta da redução dos gastos.

Vale ressaltar que nem todo o noticiário foi negativo para a empresa. A Folha de S. Paulo, por exemplo, veiculou que a recuperação das ações da Petrobrás têm o potencial de impulsionar um novo ciclo de alta na Bolsa brasileira e uma entrada maior de investimentos estrangeiros no país. Na avaliação de analistas ouvidos pelo jornal paulista, a empresa conseguiu se apropriar da defasagem no preço dos combustíveis vendidos no país e mostrou resiliência para lidar com o impacto da alta do dólar nas importações e na gestão da dívida. “O resultado foi um lucro líquido de R$ 5,33 bilhões no primeiro trimestre, 1,2% abaixo do mesmo período de 2014, mas acima da previsão de ganho próximo de R$ 2,5 bilhões”, pontua o jornal. De acordo com o veículo, as ações da Petrobrás respondem por 9,85% do Ibovespa, principal índice da Bolsa, atrás apenas dos bancos Itaú (11,14%) e Bradesco (9,93%).

E se Putin estiver dizendo a verdade?

Por F. William Engdahl | Via Rede Castor Photo

Vladimir Putin em 26/4/2015

Dia 26/4/2015, o canal de TV Rossiya 1, o principal da Rússia, mostrou o presidente Vladimir Putin num documentário ao povo russo sobre os eventos do período recente, incluindo a reintegração da Crimeia, o golpe de Estado dos EUA na Ucrânia, e o estado geral das relações com os EUA e a UE. Putin falou com franqueza. Em sua fala à TV, o ex-chefe da KGB russa disparou uma bomba política, algo de que a inteligência russa já sabia há duas décadas.

Putin disse sem meias palavras que, pela avaliação dele, o ocidente só se daria por satisfeito se encontrasse uma Rússia fraca, sofrendo e implorando misericórdia ao oeste, o que, bem evidentemente, o país não está disposto a fazer. Adiante, pouco depois, o presidente russo disse, pela primeira vez publicamente, algo de que a inteligência russa já sabia há quase duas décadas mas mantivera em silêncio até agora, talvez com esperanças de uma era de relações mais normais entre Rússia e EUA.

Putin disse que o terror na Chechênia e no Cáucaso russo no início dos anos 1990s foi ativamente apoiado pela CIA e pelos serviços ocidentais de inteligência, deliberadamente para enfraquecer a Rússia. Disse que os serviços de inteligência do Gabinete de Relações Internacionais da Rússia encontraram provas do papel clandestino dos EUA naquelas ações, sem dar detalhes.

O que Putin, que foi oficial do mais alto nível da inteligência da Rússia, apenas sugeriu nos seus comentários, eu já havia relatado detalhadamente, colhido de fontes não russas. Aquele relatório teve implicações imensas, porque revelou ao mundo a agenda clandestina de círculos muito influentes em Washington, dedicados a destruir a Rússia como estado soberano funcional, agenda que inclui o golpe dos neonazistas na Ucrânia e severa ação de guerra financeira contra Moscou.

O que aqui publico é extraído do meu livro, Amerikas’ Heilige Krieg [A guerra santa dos EUA, 2014].

As guerras chechenas da CIA

Pouco depois de os mujahidin financiados pela CIA e pela inteligência saudita terem devastado o Afeganistão no final dos anos 1980s, forçando a saída do Exército Soviético em 1989 e a dissolução da própria URSS alguns meses depois, a CIA pôs-se a procurar pontos possíveis, na União Soviética, onde seus “árabes afegãos” treinados pudessem ser infiltrados para desestabilizar sempre mais a influência russa no espaço eurasiano pós-soviético.

Eram chamados “árabes afegãos” porque haviam sido recrutados dos ultraconservadores muçulmanos sunitas wahhabistas da Arábia Saudita, dos Emirados Árabes, do Kuwait e de outros pontos do mundo árabe onde se praticasse o Islã wahhabista ultrarestritivo. Haviam sido trazidos para o Afeganistão no início dos anos 1980s por um saudita recrutado pela CIA e que havia sido mandado para o Afeganistão, de nome Osama bin Laden.

Com a União Soviética já em total caos e confusão, o governo de George H.W. Bush (Bush pai) decidiu “chutá-los quando estavam por baixo” [orig. kick’em when they’re down], lamentável erro. Washington realocou seus terroristas afegãos veteranos, para desestabilizar e levar o caos a toda a Ásia Central, até à própria Federação Russa, então mergulhada em crise profunda e traumática durante o colapso econômico na era Yeltsin.

No início dos anos 1990s, a empresa Halliburton, de Dick Cheney, havia examinado o Azerbaijão, o Cazaquistão e toda a Bacia do Mar Cáspio, pesquisando para determinar o potencial de petróleo em alto mar. Concluíram que a região seria “outra Arábia Saudita”, valendo vários trilhões de dólares no câmbio de hoje. EUA e Reino Unido decidiram que era necessário manter bem longe do controle dos russos toda aquela orgia de petróleo, a qualquer custo.

A primeira medida de Washington foi encenar um golpe no Azerbaijão, contra o presidente eleito Abulfaz Elchibey, para ali instalar presidente mais amigável em relação a um oleoduto Baku-Tbilisi-Ceyhan (BTC) controlado pelos EUA, “o oleoduto mais político do mundo”, levando petróleo de Baku, do Azerbaijão, através da Geórgia, até a Turquia e o Mediterrâneo.

Naquele momento, o único oleoduto que partia de Baku era da era soviética e atravessava a capital chechena, Grozny, levando o petróleo de Baku para o norte, pela província russa do Daguestão, atravessando a Chechênia até o porto russo de Novorossiysk no Mar Negro. O oleoduto era o único concorrente e grande obstáculo à caríssima rota alternativa de Washington e das grandes britânicas e norte-americanas do petróleo.

“Oil majors” dos EUA e Inglaterra, por David Simonds.

O presidente Bush Pai deu aos seus velhos conhecidos na CIA autorização para destruir aquele oleoduto russo-checheno e para criar tal caos no Cáucaso que nenhuma empresa nem ocidental nem russa cogitaria de usar o oleoduto russo de Grozny.

Graham E. Fuller, velho conhecido de Bush e ex-vice diretor do Conselho Nacional de Inteligência da CIA havia sido um dos principais arquitetos da estratégia da CIA com os mujahidin. Fuller descreveu a estratégia da CIA no Cáucaso no início dos anos 1990s:

A política de guiar a evolução do Islã e de ajudá-los contra nossos adversários funcionou maravilhosamente bem no Afeganistão contra o Exército Vermelho. As mesmas doutrinas podem ainda ser usadas para desestabilizar o que resta do poder russo.” (Nota 6, in Amerikas’ Heilige Krieg [A guerra santa dos EUA, 2014]).

Para a operação, a CIA usou um veterano em truques sujos, general Richard Secord. Secord criou uma empresa de fachada para a CIA, MEGA Oil. Secord havia sido condenado nos anos 1980s por seu papel chave nas operações ilegais da CIA, de drogas e armas, do chamado “Caso Iran-Contras”.

Em 1991, Secord, ex-Vice-Secretário de Defesa Assistente, aterrissou em Baku e cuidou da instalação da empresa de fachada para encobrir a ação da CIA, MEGA Oil. Era veterano das operações clandestinas da CIA no comércio de ópio no Laos durante a Guerra do Vietnã. No Azerbaijão, implantou uma empresa aérea pela qual voaram clandestinamente centenas dos mujahidin da al-Qaeda de bin Laden, do Afeganistão para dentro do Azerbaijão. Em 1993, a empresa MEGA Oil já recrutara e armara 2 mil mujahidin, convertendo Baku numa base para operações terroristas por toda a região do Cáucaso.

A operação clandestina dos mujahidin do general Secord no Cáucaso iniciou o golpe militar que derrubou o presidente eleito Abulfaz Elchibey naquele ano, e instalou em seu lugar Heydar Aliyev, fantoche mais curvável aos desejos dos EUA. Relatório secreto da inteligência turca que vazou para o Sunday Times de Londres confirmou que “duas gigantes do petróleo, BP e Amoco, uma britânica e outra norte-americana respectivamente, que juntas constituem o Consórcio Internacional Azerbaijão de Petróleo [orig. AIOC (Azerbaijan International Oil Consortium)], estão por trás do golpe de estado.

Turki al-Faisal, chefe da inteligência saudita conseguiu que seu agente, Osama bin Laden, que ele próprio enviara para o Afeganistão no início da guerra afegã nos primeiros anos da década dos 1980s, usasse sua organização afegã Maktab al-Khidamat (MAK) para recrutar “árabes afegãos” para o que já se convertia rapidamente numa Jihad global. Os mercenários de Bin Laden eram usados como tropas de choque pelo Pentágono e CIA, para coordenar e apoiar ofensivas de grupos muçulmanos não só no Azerbaijão mas também na Chechênia e, depois, na Bósnia.

Reagan e os terroristas do Maktab al-Khidamat (MAK) no salão oval.

Bin Laden trouxe outro saudita, Ibn al-Khattab, para ser comandante, ou emir dos mujahidin jihadistas na Chechênia (sic!), com Shamil Basayev, senhor-da-guerra checheno. Não importava que Ibn al-Khattab fosse árabe saudita que mal pronunciava duas palavras em checheno, e nem isso em russo. Sabia reconhecer soldados russos e sabia matar.

A Chechênia era tradicionalmente uma sociedade em que predominavam o sufismo, ramo apolítico e moderado do Islã. Mesmo assim a infiltração sempre crescente de mujahidin terroristas bem pagos e bem treinados patrocinados pelos EUA e que pregavam uma Guerra Santa contra os russos transformou o movimento dos chechenos que inicialmente era reformista. Eles espalharam a ideologia linha duríssima da versão do islamismo praticada pela al-Qaeda por todo o Cáucaso. Sob a orientação do general Secord, as operações terroristas dos mujahidin já se haviam rapidamente estendido para os vizinhos Daguestão e Chechênia, o que fez de Baku um ponto de embarque de que se servia a máfia chechena para suas exportações de heroína afegã.

Desde meados da década dos 1990s, bin Laden pagou aos líderes da guerrilha chechena Shamil Basayev e Omar ibn al-Khattab a bela soma de vários milhões de dólares/mês, fortuna digna de reis naquela Chechênia economicamente devastada nos anos 1990s, o que os capacitou para atropelar a maioria chechena, que era moderada. (Nota 21, in Amerikas’ Heilige Krieg [A guerra santa dos EUA, 2014]).

A inteligência dos EUA permaneceu profundamente envolvida no conflito checheno até o final dos anos 1990s. Segundo Yossef Bodansky, então diretor da Força Tarefa do Congresso dos EUA para Terrorismo e Guerra não Convencional, Washington estava ativamente envolvida em “outra jihad anti-Rússia, buscando dar apoio e poder às forças islamistas antiocidentais mais virulentas”.

Chefe da jihad anti-Rússia dos EUA no Afeganistão

Bodansky revelou em detalhes toda a estratégia da CIA no Cáucaso. Diz que funcionários do governo dos EUA participaram de

(…) uma reunião formal no Azerbaijão em dezembro de 1999 na que se discutiram e aprovaram-se programas específicos para dar treinamento e fornecer de equipamento e armas a mujahidin do Cáucaso, da Ásia Sul e Central e de todo o mundo árabe, culminando tudo isso no tácito encorajamento, por Washington, aos aliados muçulmanos (principalmente Turquia, Jordânia e Arábia Saudita) e a “empresas privadas norte-americanas de segurança” (…) para que dessem assistência aos chechenos e aos seus aliados muçulmanos para um levante na primavera de 2000, e para que mantivessem por bem longo tempo a jihad que dali adviria (…).

A jihad islamista no Cáucaso foi meio para impedir que a Rússia se beneficiasse de uma rota viável para seu oleoduto; para isso, disparou-se a espiral de violência e terrorismo que hoje se conhece.”

A fase mais intensa das guerras chechenas só começou a ceder em 2000, quando pesada ação militar russa derrotou afinal os islamistas. Foi vitória de Pirro, que custou perda massiva de vidas humanas e destruição de cidades inteiras. O número exato de mortos no conflito checheno insuflado pela CIA permanece ignorado. Estimativas não oficiais calculam de 25 mil a 50 mil mortos e desaparecidos, a maioria civis. Os russos perderam quase 11  mil soldados, segundo o Comitê de Mães de Soldados Mortos.

Oleoduto Baku–Tbilisi–Ceyhan

As gigantes anglo-norte-americanas do petróleo e os agentes da CIA gostaram muito. Obtiveram o oleoduto Baku–Tbilisi–Ceyhan que tanto queriam, e que passava ao largo do oleoduto russo em Grozny.

Os jihadistas chechenos, sob comando islamista de Shamil Basayev, mantiveram os ataques terroristas dentro e fora da Chechênia. A CIA já estava reorientada para o Cáucaso.

A conexão saudita de Basayev

Basayev foi parte chave da jihad global criada pela CIA. Em 1992, reuniu-se com o terrorista saudita Ibn al-Khattag no Azerbaijão. Do Azerbaijão, Ibn al-Khattab levou Basayev ao Afeganistão para encontrar-se com o aliado de al-Khattab e também saudita, Osama bin Laden. O papel de Ibn al-Khattab era recrutar muçulmanos chechenos que quisessem fazer sua Jihad contra forças russas na Chechênia, já como ação estratégica clandestina da CIA para desestabilizar a Rússia pós-soviética e assegurar para EUA e Grã-Bretanha o controle sobre a energia do Cáspio.

De volta à Chechênia, Basayev e al-Khattab criaram a Brigada Islâmica Internacional [orig. International Islamic Brigade (IIB)] com dinheiro da inteligência saudita, aprovada pela CIA e coordenada graças à amizade íntima entre o embaixador saudita em Washington, príncipe Bandar bin Sultan, e a família Bush. Bandar, embaixador saudita em Washington por mais de vinte anos era tão íntimo da família Bush que George W. Bush referia-se ao playboy e embaixador saudita como “Bandar Bush”, espécie de Bush honorário.

Basayev e al-Khattab importaram para a Chechênia fanáticos sunitas wahhabistas. Ibn al-Khattab comandou o que se conhecia como “os mujahidin árabes na Chechênia”, seu próprio exército privado de árabes, turcos e outros combatentes estrangeiros. Também recebeu a tarefa de organizar campos para treinamento paramilitar nas montanhas do Cáucaso checheno, para dar treinamento a chechenos e muçulmanos das repúblicas russas do norte do Cáucaso e da Ásia Central.

Ibn al-Khattab (morto em 2002) e Shamil Basayev

A Brigada Islâmica Internacional financiada por sauditas e pela CIA foi responsável por atos terroristas não só na Chechênia. São autores também da captura de reféns em outubro de 2002 no Teatro Dubrovka em Moscou; e pelo horrendo massacre da escola Beslan, em setembro de 2004. Em 2010, o Conselho de Segurança da ONU publicou o seguinte relatório sobre a Brigada Islâmica Internacional de al-Khattab e Basayev:

Brigada Islâmica Internacional foi listada dia 4/3/2003 (…) como associada à Al-Qaeda, a Osama bin Laden ou ao Talibã, por “participar no financiamento, planejamento, facilitação, preparação e perpetração de atos ou atividades, ou em conjunção com, ou sob o nome de, ou com o apoio da Al-Qaeda. (…) A Brigada Islâmica Internacional foi fundada e comandada por Shamil Salmanovich Basayev (morto) e é associada ao Batalhão Riyadus-Salikhin dos Chechenos Mártires de Reconhecimento e Sabotagem [orig. Reconnaissance and Sabotage Battalion of Chechen Martyrs (RSRSBCM)] (…) e ao Regimento Islâmico para Operações Especiais [orig. Special Purpose Islamic Regiment (SPIR)]. (…)

Na noite de 23/10/2002, membros do BII, do RSRSBCM e do SPIR em operação conjunta, tomaram mais de 800 reféns no Teatro Podshipnikov Zavod (Dubrovka) em Moscou.

Em outubro de 1999, emissários de Basayev e Al-Khattab viajaram até a base de Osama bin Laden na província afegã de Kandahar, onde ficou acertado que forneceriam substancial assistência militar e financeira, inclusive com arranjos para enviar à Chechênia várias centenas de combatentes, para combater contra tropas russas e executar atos de terrorismo. Adiante, no mesmo ano, Bin Laden enviou quantias substanciais de dinheiro para Basayev, Movsar Barayev (líder do SPIR) e Al-Khattab, que devia ser usado exclusivamente para treinar atiradores, recrutar mercenários e comprar munição.

A “ferrovia terrorista”, da al-Qaeda afegã-caucasiana, financiada pela inteligência saudita, tinha dois objetivos. Um era objetivo dos sauditas de disseminar a jihad wahhabista fanática por toda a região centro-asiática da União Soviética. O segundo era a agenda da CIA, de desestabilizar e forçar ao colapso a Federação Russa depois da URSS.

Beslan

Dia 1/9/2004, terroristas armados da BII de Basayev e al-Khattab tomaram mais de 1.100 pessoas como reféns, num sítio que incluiu 777 crianças e obrigaram-nos a entrar na School Number One (SNO) em Beslan na Ossetia do Norte, república autônoma da Federação Russa no norte do Cáucaso, próximo da fronteira com a Geórgia. Vídeo a seguir com legendas em português:

No 3º dia da crise dos reféns, quando se ouviram explosões dentro da escola, soldados do serviço secreto e outros soldados de tropas de elite russas invadiram o prédio da escola. No final, havia 334 reféns mortos, inclusive 186 crianças, com número significativo de feridos e desaparecidos. Divulgou-se imediatamente que as forças russas haviam executado mal a ação de intervenção.

A máquina de propaganda de Washington, da Radio Free Europe ao New York Times e à rede CNN, puseram-se imediatamente a demonizar Putin e a Rússia pelo fracasso no encaminhamento de solução para a crise de Beslan.

A “indignação” distraiu a atenção. E passou sem qualquer comentário, análise ou providência o fato de que havia links entre Basayev, Al-Qaeda e a inteligência saudita. Qualquer referência a esses laços chamaria a atenção mundial para as relações muito íntimas entre a família do então Presidente dos EUA, George W. Bush, e a família bin Laden, de bilionários sauditas.

Dia 1/9/2001, apenas dez dias antes do dia dos ataques ao WTC e ao Pentágono, o chefe da inteligência saudita, educado nos EUA, príncipe Turki bin Faisal Al Saud, que dirigia a inteligência saudita desde 1977, incluído aí todo o período da operação dos mujahidin Osama bin Laden no Afeganistão e no Cáucaso, renunciou abruptamente e inexplicavelmente, apenas alguns dias depois de ter sido nomeado pelo rei para mais um mandato como chefe da inteligência. Não deu qualquer explicação. E foi rapidamente nomeado para um posto em Londres, longe de Washington.

Os registros das relações muito íntimas entre as famílias bin Laden e Bush foram soterrados – de fato, foram totalmente apagados, sob alegação de “risco à segurança nacional” (sic!) no relatório da Comissão dos EUA sobre o 11/9. A evidência de que 14 dos 19 ditos terroristas do 11/9 eram sauditas também foi deletada do relatório final da comissão oficial que investigou os ataques, e que só foi divulgado em julho de 2004 pelo governo Bush, quase três anos depois dos eventos.

Basayev exigiu sua paga por ter mandado os terroristas a Beslan. Queria a total independência da Chechênia (fim de todas as conexões com a Rússia), o que daria a Washington e ao Pentágono considerável vantagem estratégica na barriga sul da Federação Russa.

Chechênia e o Cáucaso

No final de 2004, depois da tragédia de Beslan, o presidente Putin, ao que se sabe, ordenou uma missão secreta de identificação e localização para caçar e matar os líderes chaves dos mujahidin do Cáucaso de Basayev. Al-Khattab havia sido morto em 2002. Não demorou para que as forças de segurança da Rússia descobrissem que praticamente todos os terroristas árabes afegãos da Chechênia haviam fugido. E que se distribuíram, ou na Turquia, país membro da OTAN; ou na Alemanha, país membro da OTAN; ou em Dubai – dos mais íntimos aliados dos EUA nos países árabes; ou no Qatar; todos esses aliados muito próximos dos EUA haviam garantido paraíso seguro àqueles terroristas. Em outras palavras: os terroristas chechenos haviam recebido asilo e abrigo seguro… da OTAN.

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Frederick William Engdahl é jornalista, conferencista e consultor para riscos estratégicos. É graduado em política pela Princeton University; autor consagrado e especialista em questões energéticas e geopolítica da revista online New Eastern Outlook.

Mudanças climáticas: estudo sugere que uma em cada seis espécies está ameaçada de extinção

Por Tomi Mori | Via Esquerda.net

Pela primeira vez na história, é a ação humana, organizada num tipo determinado de estrutura social, a capitalista, que pode levar à aniquilação da vida no planeta, incluindo a extinção da própria espécie humana.

A águia da Nova Zelândia, a maior águia de que se tem notícia, foi extinta ao redor de 1400. Pode ter pesado de 10 a 15 quilos e as suas asas abertas poderiam ter chegado a três metros.

Em estudo recente, publicado na Science, o pesquisador Mark C. Urban, da Universidade de Connecticut, nos EUA, afirmou que “O resultado sugere que os riscos de extinção vão acelerar-se com a futura temperatura global, ameaçando uma em cada seis especies sob as atuais políticas.”

A importância do estudo de Urban reside no facto de acrescentar mais um alerta cientifico sobre a ameaça que as mudanças climáticas representam para a vida no planeta.

A extinção das espécies: um número inacreditável

Quando falamos de extinção, as imagens que nos vêm à cabeça são as da matança das baleias, dos golfinhos, dos pandas, tigres e, recentemente dos orangotangos e ursos polares.

Mas, se considerarmos os números que podem representar a vida no planeta, a catástrofe ecológica atinge, já, um número inacreditável.

Segundo o cientista Edward O. Wilson, no seu livro “Future of life”, “quantas espécies existem no mundo? Algo em torno de 1,5 e 1,8 milhão foram descobertas e receberam nomes científicos. As estimativas, dependendo do método utilizado, variam de 3,6 milhões a 100 milhões ou mais. A média das estimativas é pouco maior do que 10 milhões, mas poucos especialistas arriscariam a sua reputação insistindo nesse valor ou qualquer outro, mesmo com relação ao próximo milhão. A verdade é que mal começámos a explorar a vida na terra.”

Como vemos, os números são incríveis, já que incluem animais, plantas, e microrganismos que sequer vemos e, também, sabemos que parte dessa vida já está extinta e o resto pode desaparecer nos próximos anos. Ainda de acordo com Wilson, “podemos dizer com segurança que, pelo menos, um quinto das espécies de plantas e animais podem desaparecer ou estar próximas da extinção em 2030 e metade até o final do século.

A extinção das espécies animais ou vegetais avançou de forma rápida durante o seculo XX, com a expansão capitalista, e continua de forma dramática durante o atual. O facto de os números existentes não serem grandes provoca uma ilusão, já que decretar uma espécie extinta é um processo que leva anos, até se confirmar que não existe mais nenhum espécime. O outro motivo que algumas espécies contam com apenas um indivíduo ou alguns indivíduos, que já não podem mais reproduzir-se. Outra parte diz respeito às espécies que foram extintas sem que tenham sido descobertas ainda e, que, finalmente serão classificadas no futuro com a descoberta de seus restos.

O capitalismo acelera a extinção da vida no planeta

A extinção da vida faz parte da história do planeta. A mais famosa delas é a extinção de seres como os dinossauros, que povoa, inclusive, o imaginário das nossas crianças, ainda que essas não tenham consciência do fenómeno. Foi uma extinção massiva, cuja causa permanece indefinida, ainda que uma grande parte da comunidade cientifica acredite que foi provocada pela queda de um gigantesco meteorito.

A águia da Nova Zelândia, a maior águia de que se tem notícia, foi extinta ao redor de 1400. Pode ter pesado de 10 a 15 quilos e as suas asas abertas poderiam ter chegado a três metros. Foi classificada cientificamente, após a sua extinção, por Julius von Haast, em 1871, através de restos encontrados por F. Fulereno. No caso dessa águia, a extinção pode ter sido provocada pela ação humana, que dizimou uma ave dessa região, que poderia ter sido item principal de sua alimentação.

As engrenagens sociais que levaram o navegador português Fernão de Magalhães à aventura da circunavegação foram um marco importante na história humana. A partir desse ponto, em poucos séculos chegaríamos à atual globalização e, nesse trajeto, foram deixados um rastro que se mantém interminável de extinção da vida.

O predomínio do atual modo de produção capitalista acentuou a devastação da vida. Isso pode ser confirmado na afirmação de Mike Barrat, diretor do WWF (World Wide Fund for Nature – em português: Fundo Mundial para a Natureza): “nós perdemos metade da população animal”, referindo-se aos últimos 40 anos, em artigo publicado pelo The Guardian.

O avanço do capitalismo em todo o planeta e o crescimento populacional, com os atuais 7 mil milhões de habitantes, tem devastado com rapidez avassaladora a natureza. A destruição do meio-ambiente para a extração dos recursos naturais – madeira, minério – e também para a expansão urbana, bem como atividades agrícolas e pecuárias. E é essa mesma destruição ambiental para a manutenção da sociedade industrial que também é responsável pela atual catástrofe climática.

Segundo o estudo de Urban, os riscos de extinção são maiores na América do Sul, Austrália e Nova Zelândia.

“Os estragos já feitos não podem ser reparados em nenhum espaço de tempo significativo para a inteligência humana. Os registos fósseis mostram que uma nova flora leva milhões de anos para evoluir para a riqueza do mundo anterior ao homem.”, afirma Wilson no seu livro “The diversity of life”.

Ainda que toda esta discussão se mantenha polémica, principalmente pela existência de interesses económicos opostos, pela primeira vez na história é a ação humana, organizada num tipo determinado de estrutura social, a capitalista, que pode levar à aniquilação da vida no planeta, incluindo a extinção da espécie humana.

Essa realidade já é compreendida por milhões de pessoas no planeta; no entanto, não existe uma resposta para a seguinte pergunta: “Quanto tempo nos resta?” Mas todos os dados científicos mostram que não é tanto tempo assim.

Petrobras e pré-sal: breve história do entreguismo

Por Rennan Martins | Vila Velha, 14/05/2015

Ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, foi aos EUA dizer que quer abrir o pré-sal a estrangeiros.

O Partido dos Trabalhadores e a presidente Dilma se afastam a passos largos de seus propósitos históricos. Paralisados pelo temor ao embate político e a incapacidade de ir além da conciliação de classes, o governo que se elegeu com uma plataforma progressista tripudia de seu compromisso e resolve aplicar integralmente a agenda derrotada nas urnas.

Assim como se enganaram julgando que aplacariam a sanha golpista das velhas oligarquias lhes entregando a Fazenda por meio da nomeação do mandatário do FMI, Joaquim Levy, outra vez erram ao aderir a cantilena mercadológica em torno da Petrobras e do pré-sal, anunciando aqui e ali que vão “flexibilizar” a política de conteúdo local e o regime de partilha.

O problema é que a regressão nesse campo é ainda mais séria que na política econômica. Abrindo mão da principal reforma estrutural levada a cabo pelos governos petistas, o que temos é a entrega de riquezas inestimáveis ao cartel transnacional do petróleo, conjuntamente a condenação do país a eterna condição de colônia, de economia primária e dependente.

Pré-sal: história e conspirações

Depois de décadas de estudo, desenvolvimento de pesquisas e investimentos milionários, enfrentando ainda o descrédito da imprensa vassala e antinacional, a Petrobras e seu distinto corpo técnico anunciaram, em 2007, a descoberta de jazidas de petróleo na camada pré-sal.

No ano seguinte a descoberta, 2008, a Agência Nacional do Petróleo anuncia que o pré-sal tem potencial de nada menos que 80 bilhões de barris de petróleo e gás natural. Tal volume de reservas colocou-nos numa posição cobiçada frente a geopolítica mundial, acendendo a cobiça das grandes potências.

E eis que, concomitante aos debates da lei 12.351/10, que estabeleceu o regime de partilha e deu a Petrobras a condição de operadora única do pré-sal, o inveterado entreguista José Serra (PSDB-SP) trocava mensagens com executivos das petroleiras norte-americanas, insatisfeitos por não poderem se tornar donos dos campos frente ao marco regulatório que se avizinhava. Disse ele em correspondência a Patricia Pradal, diretora da Chevron, uma frase que agora soa profética:

Deixa esses caras (do PT) fazerem o que eles quiserem. As rodadas de licitações não vão acontecer, e aí nós vamos mostrar a todos que o modelo antigo funcionava… E nós mudaremos de volta.

No intervalo de tempo entre a instituição da partilha e os dias de hoje, os Estados Unidos permaneceram extremamente atentos, observando tanto o governo brasileiro quanto a Petrobras e tudo que se referia as riquezas do pré-sal. O escândalo de espionagem denunciado pelo ex-analista da CIA, Edward Snowden, provou ao mundo que a NSA (National Security Agency) fazia uso de seus expedientes para espionar a presidente Dilma, seus assessores e a Petrobras. Sem dúvida que as informações roubadas foram e estão sendo amplamente usadas para favorecer os cartéis norte-americanos.

Adentramos 2014, ano seguinte ao escândalo mundial de espionagem supracitado e de eleições no Brasil, e a Operação Lava Jato estoura. O que seria uma oportunidade de passar a limpo as históricas relações de patrimonialismo e as espúrias conexões entre poder político e econômico tornou-se uma campanha oportunista contra o PT e as políticas que fortalecem a Petrobras, a ponto de uma comissão do Ministério Público Federal ter ido aos EUA assinar um acordo de “cooperação” nas investigações com o Banco Mundial, instituição privatista por excelência e completamente servil a Washington.

Após a reeleição de Dilma Rousseff e o pesado lobby, o governo abandona suas convicções e agora analisa o projeto de lei do senador da oposição, José Serra. Figuras como o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga e o vice-presidente, Michel Temer, já se pronunciaram publicamente em favor da abertura do pré-sal para estrangeiros, o que na prática mina a política de investimento em educação e saúde baseada nos rendimentos dessas reservas.

Enquanto isso, o silêncio da presidente endossa a movimentação e indica que, avançando as propostas entreguistas, o máximo que veremos é um jogo de cena dos parlamentares do PT e a concordância tácita do executivo, em nome da governabilidade.

Dizem alguns que esse recuo é meramente tático. Discordo. No caso da política de conteúdo nacional e do regime de partilha, abandoná-las seria entregar os dedos e ficar com os anéis, ou seja, renegar qualquer valor e projeto somente para ter o comando, este ainda completamente submisso ao verdadeiro poder.

Para Petrobras, produção e custos já mostram acerto do regime de partilha do pré-sal

Via RBA

Produtividade é maior do que se previa; calculava-se que os poços renderiam de 15 a 20 mil barris diários, mas a média está em 25 mil, chegando a 40 mil.

Pré-sal se desenvolveu com mais velocidade na bacia de Campos, no Rio de Janeiro, devido à infraestrutura

São Paulo – As primeiras notícias do pré-sal correram o mundo há oito anos e colocaram o Brasil imediatamente no grupo das potências globais de energia. Especialistas chegaram a duvidar da capacidade de se retirar petróleo a 300 quilômetros da costa brasileira e a mais de 5 mil de profundidade no mar. Hoje, porém, os resultados são surpreendentes e mostram o pré-sal como uma realidade bastante concreta.

Em março deste ano, a produção no pré-sal chegou 672 mil barris por dia (equivalente a 28% da produção nacional), bem acima dos 395 mil de 2014 e dos 42 mil de 2010. A produtividade também é maior do que se previa. Calculou-se inicialmente que os poços renderiam de 15 a 20 mil barris diários. Atualmente, a média está em 25 mil, chegando 40 mil em poços dos campos de Sapinhoá e Lula (na bacia de Santos).

Os custos de produção eram outra fonte de dúvida, por conta do desafio tecnológico. No começo, estimou-se que o pré-sal seria viável a US$ 45 por barril. Nesta semana, a diretora de Exploração e Produção da Petrobras, Solange Guedes, informou que os números de viabilidade econômica caminham para valores bem menores, em torno de US$ 9, graças à escala de produção maior e aos investimentos em tecnologia.

“Nós podemos garantir que o pré-sal é viável com um custo de produção de nove dólares por barril. Se considerarmos que duas unidades de produção ainda não estão produzindo com sua capacidade total, o custo de produção será menor ainda. A eficiência operacional em torno de 92% contribuiu significativamente para atingirmos estes baixos custos”, afirmou.

Segundo ela, o pré-sal se desenvolveu com mais velocidade na bacia de Campos, no litoral norte do Rio de Janeiro, devido à infraestrutura já existente. A primeira produção comercial ocorreu em 2008. Já na bacia de Santos, os desafios foram bem maiores, uma vez que não havia infraestrutura instalada, os reservatórios estão a 2.500 metros de profundidades no mar, além de uma camada de sal de 2 mil metros de espessura. No final das contas, o petróleo encontra-se até 7 mil metros abaixo da superfície do mar.

Educação e Saúde

Com resultados expressivos, uma das vantagens do pré-sal é o modelo de exploração. Foi escolhido o sistema de “partilha” que garante à Petrobras uma participação de, pelo menos, 30% nos consórcios. Se O Pré-sal fosse pelo formato de “concessão”, a empresa operadora seria detentora integral do que se produz. A lei brasileira garante ainda que 75% dos royaltes do pré-sal devem ser aplicados na área de Educação e 25% em Saúde

“O modelo de partilha é o mais compensador para o país, pelo fato de o pré-sal ser uma reserva testada e segura”, diz o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, ex-ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos. Para ele, a escolha do governo foi muita acertada e tem uma dimensão estratégica para além da área de petróleo. “É muito importante o uso dos 75% dos royalties para Educação e os 25% para Saúde”, acrescentou.

Nacionalismo e petróleo

Por Wladmir Coelho | Via Política Econômica do Petróleo

A campanha contra a Petrobras revela em seus fundamentos uma série de preconceitos repetidos desde o final do século XIX. Estes preconceitos apresentam-se nos meios de comunicação revestidos de números, exemplos e vocabulário refinado sempre condenando as iniciativas nacionalistas confundidas ou transformadas em populismo entendido este como sinônimo de irresponsabilidade política e econômica.

O vocabulário e as práticas econômicas defendidas na grande mídia originam-se do pensamento liberal radicalizado no modelo neoliberal de nossos dias. Neste discurso é negada a existência de um sistema econômico nacional e considerado pecado mortal a intervenção do Estado na economia.

Nacionalismo econômico

No século XIX o economista alemão Friedrich List observou como mola do crescimento econômico dos Estados Unidos exatamente a forte presença do Estado na economia seja subsidiando ou protegendo a iniciativa nacional. List, ao contrário dos liberais clássicos, entendeu e defendeu a existência do sistema econômico nacional como base do crescimento econômico.

Este sistema econômico nacional seria amparado no conceito de nação ideal, defendido por List, cujo principio aplicava-se perfeitamente aos Estados Unidos segundo as observações do economista alemão. Nação ideal, entendia List, seria aquela com pleno controle das fontes de energia, alimentação e existência de um mercado interno em condições de manter a economia.

Acrescentava List a necessidade de apoio dos países mais desenvolvidos aos mais atrasados como forma, inclusive, de garantir a paz. O neoliberalismo de nossos dias defende exatamente o contrário ao dividir o mundo entre fornecedores de matéria prima e consumidores de tecnologia.

A ficção neoliberal

No caso do petróleo devemos observar, inclusive, a conversão de países considerados desenvolvidos, vide o caso do Canadá, em fornecedores de matéria prima. A situação do Canadá é assustadora aumentando este país a sua dependência dos Estados Unidos em função da venda de petróleo bruto.

A negativa da existência do sistema econômico nacional criou a verdade neoliberal entendendo qualquer alternativa ao modelo vigente como falsa economia ou não ciência.

Reforçou-se a ficção na qual existe um mercado controlado por forças naturais ou mágicas cujo motor encontra-se na livre concorrência. Elegeram-se sábios com total conhecimento da economia de ficção cuja função diária é reforçar a superstição e punir os eventuais hereges.

Um exemplo: Decorrente do sistema econômico nacional temos o nacionalismo econômico base do chamado Estado de bem estar social. Este modelo econômico ganhou força na Europa do pós-guerra principalmente na França, Inglaterra, Alemanha.

Todavia, desde o agravamento da crise econômica em 2008, recebe este modelo ataques em nome da manutenção da ficção econômica neoliberal preocupando-se os governos com o pagamento dos juros aos banqueiros em detrimento dos interesses dos trabalhadores.

Para o pagamento destes juros determinam-se as chamadas políticas de austeridade representadas no corte de benefícios sociais, no consumo e aumento do desemprego. Neste ponto podemos observar que o Estado de bem estar social não resultou na derrota ou desaparecimento dos interesses do poder econômico.

Neste modelo a iniciativa privada continuou existindo e foi claramente permitida uma ampliação do poder do sistema financeiro através das múltiplas fusões e desregulamentação dos chamados mercados. Entre a ampliação do lucro e manutenção de direitos sociais optaram os governos europeus pelo primeiro. Temos aqui uma clara distinção entre Estado de bem estar social e socialismo.

Políticas nacionalistas na América do Sul

Na América do Sul não foram poucas as tentativas de implantação de políticas econômicas nacionalistas. Sempre combatidas com violência pelos grandes grupos internacionais estas iniciativas não conseguiram implantar as transformações sociais verificadas na Europa.

No Brasil, a partir de 1930, inicia-se a modernização do Estado priorizando a regulamentação de setores da economia e oficializando direitos trabalhistas. Neste período o petróleo recebeu especial atenção através da criação de uma legislação própria – a partir de 1934 – efetivando-se o pleno controle estatal deste mineral quase duas décadas depois – 1953- com a criação da Petrobras.

A tentativa de aprofundamento de uma política econômica nacionalista nos anos 60, durante o governo João Goulart, resultou na oposição dos Estados Unidos e consequente introdução de uma ditadura militar cujo principal objetivo foi desnacionalizar a economia incluindo a quebra do monopólio do petróleo através da introdução do contrato de risco e desvio da Petrobras para o chamado mundo do mercado.

Durante o mesmo período vamos verificar exemplos semelhantes na Argentina, Venezuela, Bolívia sempre seguidos de golpes de Estado financiados através de empresas e governo dos Estados Unidos.

O Bolivarianismo

Atualmente a Venezuela, através do Bolivarianismo, representa um modelo de nacionalismo econômico direcionado para a implantação de um Estado de bem estar social.

O modelo econômico venezuelano encontra-se embasado no maior controle estatal do bem econômico petróleo utilizando este para o financiamento dos programas de assistência social, educação, pesquisa, defesa e criação de empresas publicas ou privadas nos diferentes setores da economia.

A Bolívia possui um modelo semelhante e consegue, igual à Venezuela, elevar determinados índices sociais notadamente aqueles relativos a pobreza absoluta, alfabetização e assistência médica.

Romper com o modelo neoliberal não constitui tarefa fácil. As elites políticas e econômicas da América Latina sobrevivem, desde o século XV, associadas aos interesses exportadores.

A base colonial de nossa economia possibilita a vida de luxo dos senhores de terras, eufemicamente tratados por empresários do agronegócio, dos executivos de multinacionais diversas que condenam os países a condição de montadores em prejuízo do desenvolvimento de uma tecnologia própria.

Estes senhores adotam, inclusive, o discurso do auxílio do mais rico ao mais pobre através da mitificação e mistificação do termo investimento externo confundido este com a necessidade de ampliação da exploração da mão de obra (incluindo a escravidão) e pleno acesso aos recursos da natureza sem a mínima preocupação com as consequências tenha esta a forma de falta d’água e destruição do meio ambiente.

Nacionalismo à brasileira

Enquanto a grande imprensa condena as ações sociais dos últimos 12 anos no Brasil os governos Lula e Dilma Rousseff tornaram-se mestres em manipular o vocabulário nacionalista escondendo as reais intenções neoliberais.

No discurso frases em defesa da Petrobras incluindo a falsa afirmativa da manutenção de sua condição estatal. Na prática provoca-se a asfixia da empresa forçando uma associação em desvantagem com os oligopólios de sempre.

Desta encenação a Petrobras tornou-se a principal vítima ao manter, o governo, a fórmula iniciada durante a ditadura e aprofundada no governo Fernando Henrique Cardoso.

Lula e Dilma Rousseff não recuperaram a Petrobras para a sua função de garantir a autossuficiência nacional mantendo o mito da 8ª irmã iniciado durante a ditadura. A imprensa com sua linguagem neoliberal utiliza a velha e corroída luta moralista aproveitando para acabar de vez com qualquer possibilidade da Petrobras assumir o seu verdadeiro papel.

Quem está dentro não quer sair, quem está fora quer entrar

A Petrobras vai seguindo o seu caminho em meio aos ataques. Nenhuma novidade. Esforça-se governo em seu discurso nacionalista e sua prática neoliberal defendendo a austeridade do jeitinho que ensinou o guru da ditadura Delfim Netto.

A oposição parlamentar, em sua maioria defensora do neoliberalismo, apropria-se do discurso moralista contra a corrupção e ressuscita o perigo comunista, clama pela volta da ditadura. Parece que estamos vivendo naquele samba do Sérgio Porto.

De forma indecente a grande imprensa divulga os “perigos” da ditadura bolivarianista, mas incentiva o culto aos tempos da ditadura militar. Todavia associam-se imprensa e governo e oposição parlamentar neoliberal quando o assunto é austeridade econômica.

Defendem governo, oposição neoliberal e grande imprensa a “necessidade” do aumento no valor da energia elétrica, da água, gasolina e os cortes nos direitos dos aposentados, viúvas e desempregados.

Escondem, todos eles, que estas empresas de energia, água, comunicação e petróleo foram construídas com dinheiro do povo para atender o povo. A privatização, total ou parcial destas empresas, não implicou, para seus proprietários, novos investimentos. Receberam tudo a preço de banana. Não admitem, todavia, uma queda em seus lucros que devem ser direcionados aos acionistas confortavelmente instalados nos Estados Unidos e Europa.

Vejam: Os donos do poder desejam apagar qualquer vestígio de combate a ficção neoliberal e transformam a crise econômica em crise moral cujo final seria o impeachment.

Esta palavra mágica, impeachment, reúne toda espécie de oportunistas interessados em manter o Brasil em sua condição colonial. Procuram iludir o povo percorrendo as ruas, gastam horas na internet atacando os patriotas e divulgando vídeos de militares aposentados defendendo a ditadura ou delirando com a invasão do Brasil por forças cubanas e venezuelanas. Alguns, mais honestos, aproveitam para aumentar a renda familiar vendendo Kits com camisetas e bonés.

O povo, apesar do bombardeio midiático, pergunta aos oportunistas: E depois do impeachment? Saindo a Dilma vamos direto ao paraíso? Conquistaremos de imediato aumentos salariais, redução nas tarifas de ônibus, energia elétrica e a água vai voltar a jorrar?

Em termos objetivos não oferecem, os oportunistas, uma resposta clara. Apenas vendem ilusões a serviço dos entreguistas e inimigos do povo com reforço da ficção neoliberal.

O trabalhador tem plena consciência da não existência de palavras mágicas. A crise não é moral. O momento requer uma profunda modificação no modelo econômico incluindo a ampliação de direitos dos trabalhadores e nacionalização dos recursos necessários à manutenção econômica nacional.