Arquivos da categoria: Cultura

Diálogos Desenvolvimentistas: A democracia, o marxismo e o desafio da esquerda na atualidade | Parte 2

György Lukács. Boitempo Editorial/Reprodução

Edição por Rennan Martins

Na última terça, há dois dias, publicamos um trecho do ótimo Diálogo Desenvolvimentista travado por Paulo Timm e Flavio Lyra, de nome A democracia, o marxismo e o desafio da esquerda na atualidade. Aos que não leram a primeira parte, recomendo o clique e a volta posterior.

Fiquem com a continuação:

Flavio Lyra – Temos muitas convergências, mas também muitas divergências, pelo que a seguir exponho:

1. Continuo acreditando firmemente que há dois aspectos da realidade que nunca foram negados de forma convincente nem pela ciência, nem pelas filosofias ortodoxas: a) as relações capitalistas de produção, que colocam de um lado os proprietários do capital e de outro os trabalhadores, numa relação de subordinação dos segundos em relação aos primeiros, representam a forma básica em que as sociedades capitalistas atuais realizam sua atividade de produção e reprodução das condições de vida da população. A acumulação de capital, na forma de propriedade dos meios de produção, continua sendo o fim último perseguido pelos proprietários dos meios de produção. Tampouco, tenho dúvidas de que essa relação é imanentemente contraditória no plano das unidades produtivas e impossível de ser controlada no plano coletivo; b) A história da humanidade mostra que as formas em que os homens têm se relacionado ao longo do tempo para realizar a produção e a reprodução de suas condições materiais de existência não são permanentes. Portanto, as relações capitalistas de produção não têm por que ser definitivas. Qual será a alternativa é uma questão em aberto. Luto para seja uma alternativa menos perniciosa do que a atual, que a meu ver só será possível se os interesses coletivos puderem ser priorizados em relação aos interesses individuais e as relações entre os homens no processo produtivo deixarem de ser contraditórias (relações de exploração). Por conseguinte, enquanto existir o capitalismo (relações capitalistas de produção) o marxismo vai ser válido, não obstante as adaptações e mudanças em seus aspectos teóricos e suas práticas exigidos pelo desenvolvimentos do processo histórico.

2. A experiência do chamado socialismo real foi terrível para o pensamento marxista. O dogmatismo stalinista no plano teórico (fortemente influenciado pelo positivismo) e a frustrante experiência no plano prático, contribuíram certamente para o descrédito do marxismo, mas seu renascimento é uma realidade indiscutível. As contribuições de Lukács e Mészáros (Ontologia do ser Social e Para Além do Capital, entre outros) não só retomam as bases originais do marxismo, mas o renovam e firmam sua validade para o entendimento da fase atual do desenvolvimento do capitalismo.

3. Tenho profundas dúvidas de que a visão de Kant tenha maiores semelhanças com o pensamento marxista. A epistemologia kantiana é essencialmente idealista, pois pretende explicar a realidade a partir do pensamento, enquanto que o marxismo parte da realidade concreta para explicar sua dinâmica, independentemente da consciência humana. O pensamento marxista é ontológico (não no sentido da metafísica transcendental kantiana, mas no sentido do conhecimento do ser em sua concretude). Para Lukács, a filosofia kantiana é uma tentativa de conciliar o conhecimento do mundo com a religião, daí suas categorias de análise serem fruto do pensamento e partirem da impossibilidade do conhecimento da realidade, “a coisa em si”, e se concentrarem nos fenômenos, ou seja, na aparência das coisas e não em sua essência. O próprio Hegel, com a adoção do método dialético, que procura conhecer as mudanças da realidade através de suas contradições, já representou um forte opositor as ideias kantianas, ainda que compartilhasse com ele uma visão idealista da realidade e não materialista.

4. Sempre vi o desenvolvimentismo como uma doutrina que visa expandir o capitalismo nos países que se atrasaram na criação de uma base econômica capitalista, inclusive por conta da exploração a que foram submetidos na época colonial e continuam sofrendo depois de sua independência política por conta do imperialismo dos países centrais. Alguns desses países possuem potencialidades que lhes permitem sonhar com o avanço da acumulação de capital dentro de suas fronteiras nacionais. A China é um exemplo notório disto. A globalização, porém vem crescentemente tornando cada vez mais improvável que os países mais atrasados possam explorar suas potencialidades com um mínimo de autonomia nacional em relação ao capitalismo internacional, controlado pelas grandes corporações privadas. Imaginar que o desenvolvimentismo em qualquer de suas versões representa uma saída das contradições do capitalismo é uma grande ilusão, por conseguinte. É preciso pensar mais longe e preparar a sociedade para uma nova etapa do desenvolvimento da história da humanidade que permita um maior controle da sociedade sobre as condições de produção e reprodução de sua vida material. O único que podemos saber antecipadamente é que essa nova etapa precisaria estabelecer relações de produção entre os homens mais igualitárias. Não importa o nome que venha ter.

5. Defendo as reformas de moldura social-democráticas, mas sou realista. Vejo que capitalismo atual caminha na direção de reduzir o espaço de possibilidades para o avanço da social-democracia. No Brasil, o PT é ainda a organização política mais próxima das forças populares, não obstante seus desvios. Não acredito que seja viável um aprofundamento da democracia no Brasil, sem a participação do PT. Esse aprofundamento passa pelo fortalecimento dos movimentos sociais e pelo crescimento de formas diretas de participação. Vejo a democracia atual, como uma forma capitalista de organização política. Não estou certo de sua transformação será viável por reformas ou, alternativamente, por revolução. Por enquanto, sigo lutando pela via reformista, mas sempre de olho num futuro que muito provavelmente não verei: a de substituição do capitalismo por uma ordem econômica e política mais apropriada para a sociedade, mais igualitária, porquanto livre da submissão do trabalho ao capital.

6. Considero que o grande obstáculo ao desenvolvimento do Brasil no regime capitalista é o imperialismo globalizante liderado pelas grandes corporações internacionais. Este, tende a favorecer no Brasil um sistema de governamentalidade voltado para o estímulo às relações de mercado e a concorrência, de tipo neoliberal, portanto deixando a questão social como uma consequência do crescimento econômico. A elite empresarial e política do país é, no mínimo, de centro-direita e aliada natural grandes corporações internacionais. Não dá para alimentar esperanças de que essa elite comandará um processo de desenvolvimento que não seja muito dependente do Exterior. Somente as forças políticas de centro-esquerda têm condições reais de liderar um processo de desenvolvimento com maior autonomia das grandes corporações internacionais. Portanto, imaginar que a direita e a esquerda no Brasil podem se aliar em função de um projeto nacional de desenvolvimento é uma grande ilusão. Nossa direita está condenada a ser associada e dependente do grande capital internacional, diferentemente das experiências chinesa e coreana, onde se formou uma burguesia nacional que lidera o desenvolvimento econômico.

Mais uma vez, insisto em que só o PT pode vir a reunir condições de liderar um processo de desenvolvimento com maior autonomia frente ao capitalismo internacional.

7. Considero muito possível que já não haja condições do país conseguir enveredar por uma linha desenvolvimentista com autonomia relativa das grandes corporações internacionais, e que, ,portanto, os sonhos de avançar na direção de uma social-democracia já não possam se materializar. Se for assim, nossos intelectuais que desejam mudanças, mas que não tem coragem de combater o capitalismo vão ter que sair do armário. Muitos deles estão escondidos, há muito tempo, sob o rótulo de desenvolvimentistas, o que é muito cômodo pois não requer colocar em questão o caráter perverso do sistema capitalista. Vivem na doce e cômoda ilusão de que dá para fazer omelete sem quebrar os ovos. Nada tenho contra ser desenvolvimentista, mas sou consciente de que o desenvolvimentismo não representa a solução para as mazelas do capitalismo. O desenvolvimento pode ser uma etapa, mas nunca o objetivo a ser alcançado num prazo mais longo.

Paulo Timm – Quem está querendo fazer omelete sem quebrar os ovos é o PT. Aliás, numa insólita aliança de uma esquerda corporativa e desmobilizadora com o alto capital. Proponho quebrar os ovos, mas não os ovos da burguesia em geral num confronto Capital x Trabalho, no rumo de um retórico socialismo que se volta contra a classe média.

Sou favorável a que se quebrem os ovos não da burguesia em geral, nem da pequena burguesia proprietária e empreendedora, mas de um confronto da nação contra o pequeno grupo que a controla em articulação com interesses internacionais. Isso é difícil e está fora da Agenda Eleitoral? Sim. É uma pena. As forças de esquerda mais agressivas são ainda mais ortodoxas que os teóricos do PT. Acertam nas intenções, mas erram na análise. Continuam doutrinários. Sem visão do processo de emancipação nacional que até hoje não se completou no nosso país.

Mas, acredite, sei que o movem os mais elevados sentimentos para a construção de uma sociedade menos desigual. Nisso, aliás, somos aliados.

Não só Lukács, um filósofo que me foi extremamente útil quando comecei a militar no partidão, em 1965, mas ortodoxo Igual o Mészáros, mas inúmeros bons autores reafirmam permanentemente a ortodoxia marxista até hoje. Ao tempo de Lukács, entretanto, não havia um grande debate no seio do marxismo, salvo a dissidência social-democrata forte na Alemanha,

e o trotskismo, estigmatizado pelo Movimento Comunista Internacional.

O marxismo tem essa característica: É um bólido. Tem um poder fantástico de aglutinação ideológica. Tanto que dominou o pensamento crítico por cem anos. Aliás, exatamente porque se nutriu dos pressupostos do iluminismo, do qual foi uma espécie de filho que matou o Pai, vale dizer Kant. Como, aliás, Freud, no século seguinte. Hipotecaram tudo na hipostasia da razão e na possibilidade de fazer das Ciências Humanas um equivalente racional das Naturais em expansão. Daí que, como dizes, o stalinismo caiu no positivismo. Não só o estalinismo. Mas o Marxismo em Geral, muito bem explicado num livro de Marcuse, O Marxismo Soviético. Isso se refletiu irremediavelmente nos desdobramento do marxismo, convertido em doutrina dogmática em oposição ao seu valor moral, muito mais importante. Marx e Freud, foram, ambos foram vitais para o desvendamento da razão cativa do sujeito. E para as teorias subsequentes que revelaram a capitulação do sujeito iluminista clássico, kanntiano, hegeliano e marxista.

Mas desde então, deles mesmos, tudo mudou. Inclusive e principalmente o debate no seio do pensamento crítico. Veio Gramsci que desembocou no grande debate entre os socialistas europeus nos anos 70, visando a valorização da Política como instrumento da luta de classes. Veio a Escola de Frankfurt, vieram os debates sobre o socialismo com face humana na Tchecoslováquia e Polônia na década de 60, a dissidência chinesa, emergiu o movimento nacional popular no Terceiro Mundo, as teses de grande marxistas como Castoriadis, Hobsbawm, etc. E os debates em diversas Revistas europeias que reviraram os fundamentos mesmos da Filosofia do Sec. 18-19. Enfim, uma enxurrada de reflexões contemporâneas.

Não creio, que nos falte, honestamente, leitura deste ou daquele autor.

O que nos distingue é a sensibilidade ao método que nos ilumina.

Robben merecia ser punido como Suárez

Por Scott Moore, via DCM

DCM/Reprodução

Ladies & Gentlemen:

Um escritor afirmou que o pior pecado depois do pecado é a publicação do pecado.

Foi o que ocorreu hoje com Robben, o atacante holândes.

Depois de uma série infindável de mergulhos para simular pênaltis, ele admitiu a uma tevê holandesa que pelo menos uma vez tentou enganar o árbitro.

Diante da repercussão dessa confissão desconcertante, ele emendou posteriormente que não foi o caso do pênalti que afinal classificou a Holanda.

Neste caso, segundo ele, foi mesmo pênalti – uma afirmação que as imagens colocam claramente sob dúvida. O zagueiro mexicano teria pisado no seu pé, segundo os crédulos. Ora, isto tivesse mesmo ocorrido, o pé pisado, e portanto preso, impediria o voo de Robben. Elementar.

Ladies & Gentlemen: minha tia Mimi dizia, de um certo ator, que era muito bom apesar de careca. (Nota da tradutora: in spite of being bald.)

Sigo tia Mimi e digo que Robben é um grande jogador, apesar de careca.

Mas é também um fanfarrão. Assim como Suárez é um mordedor serial, Robben é um mergulhador serial, compulsivo.

Também como Suárez, é um caso psiquiátrico, mais que futebolístico. Ele sabe que age errado, e mesmo assim não consegue se corrigir.

Nós, europeus, conhecemos bem essa característica detestável de Robben. Não é a primeira vez que ele se desculpa publicamente por trapacear.

O que espanta é que o juiz tenha caído na armadilha de Robben. Não teria informações suficientes sobre ele? É possível.

O técnico mexicano tem razão: Robben já deveria ter recebido cartão amarelo pelas simulações antes do lance fatal. Dificilmente ele teria dado aquele último mergulho que eliminou o bravo México.

Suarez foi punido. E Robben, réu confesso, não deveria ser também?

Tenho certeza de que não será. E sei a razão: ele não é uruguaio, ou sul-americano, ou africano.

É europeu.

Sincerely.

Scott

Tradução: Erika Kazumi Nakamura

PS: Corre nesta segunda a informação de que a Fifa poderia punir Robben por encenação.

 

Albert Camus ficaria orgulhoso da seleção da Argélia

Por Pedro Zambarda de Araújo, via DCM

Albert Camus

“O que finalmente eu mais sei sobre a moral e as obrigações do homem eu devo ao futebol”, dizia Camus. Argelino de Mondovi, atual Dréan, o menino franzino sempre gostou de bola e era goleiro. Escritor, dramaturgo e jornalista, Albert Camus certamente teria orgulho de assistir a Copa do Mundo 2014 no Brasil. Por quais motivos? Pela classificação inédita da seleção da Argélia nas oitavas de final — e pelo protesto do craque Karim Benzema ao não cantar o hino da França por ter raízes muçulmanas e argelinas, assim como Zinédine Zidane.

Albert Camus era o que os franceses chamavam de “pied-noir”, um “pé preto”. Essa expressão significava que ele era um filho de europeus que viviam na colônia francesa da Argélia. Pobre, e cercado pela cultura dos árabes mesclada à dos brancos, se dedicou cedo aos estudos, obtendo um diploma de filosofia em Argel. O ensino universitário e a militância comunista foram seus passaportes para o jornalismo.

Como tinha tuberculose, nunca conseguiu levar a sério sua paixão pelo futebol, jogando apenas como lazer.

Na imprensa, conheceu e se tornou amigo do francês Jean-Paul Sartre. Com a ajuda do filósofo existencialista, passou a viver em Paris durante a Segunda Guerra Mundial, fazendo jornalismo engajado contra a Alemanha nazista.

Albert Camus publicou o romance “O Estrangeiro”, em 1942, falando sobre o absurdo, pensamento de que seres humanos cometem atos imperdoáveis quando estão na liberdade absoluta, desligados da história e de um passado ou de um futuro. Levou suas teses para explicar a Segunda Guerra Mundial e as bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki.

O sucesso literário lhe rendeu um Nobel de Literatura em 1957 e desentendimentos filosóficos e ideológicos com Sartre nos jornais. Embora quem não conheça profundamente sua obra o considere um filósofo existencialista, Albert Camus dizia que não era um pensador, mas apenas um escritor da sua realidade de país pobre e, depois, sobre a França. Segundo ele, Jean-Paul Sartre era sim um filósofo por suas teorias originais sobre o ser. Mesmo dando créditos ao amigo, brigou quando Sartre apoiou a Revolução Chinesa, o stalinismo e Cuba.

Durante a Guerra de Independência da Argélia, Albert Camus não tomou partido da esquerda armada e das milícias que queriam a independência. Suas convicções pessoais, mais pacifistas, ficaram abaladas com os assassinatos sistemáticos de franceses e argelinos em sua terra natal. Foi criticado, duramente, por sua falta de ação na época. Os argelinos, embora tenham um Nobel na literatura, não reconhecem Camus por isso.

No entanto, foi venerado justamente por suas posturas originais dentro do pensamento de esquerda, sempre condenando as guerras e a violência promovidas pelo capitalismo, sobretudo na Alemanha nazista. Camus se transformou em um dos maiores nomes da intelectualidade do século 20, ao lado de seu ex-amigo Sartre. Morreu tragicamente em um acidente de carro em Villeblevin, perto de Paris, em 1960. Tinha 46 anos e optou pelo automóvel ao invés de tomar um trem. Uma decisão fatal.

Em 1949, Albert Camus viajou ao Brasil. Passou por Recife, pelo Rio de Janeiro e conheceu Manuel Bandeira, Otto Lara Resende, Otto Maria Carpeaux e Érico Veríssimo. Deu entrevista a Claudio Abramo no Estado de S. Paulo.

Registrou suas impressões em uma coletânea que foi lançada no Brasil com o nome “Diário de Viagem”. O que ele achou de nosso país? “O Brasil com sua fina armadura moderna, uma chapa metálica sobre esse imenso continente fervilhante de forças naturais e primitivas”.

As forças naturais e primitivas estão agora trabalhando pela seleção da Argélia.

Pedro Zambarda de Araújo é escritor, jornalista e blogueiro. Atualmente escreve sobre tecnologia e games no site TechTudo. Teve passagem pelo site da revista EXAME. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, estuda filosofia na FFLCH-USP.

 

A sociedade sob códigos empresariais e religiosos

Por Laurez Cerqueira*

Os sintomas são cada vez mais evidentes. A sociedade brasileira está sendo regida fundamentalmente por códigos empresariais e religiosos. Valores que inspiraram a República e a Democracia estão se afogando na água turva que brota de fontes medievais.

A democracia e as instituições estão ameaçadas pela força dos grandes negócios e das organizações confessionais com suas ramificações ideológicas, que solapam o Estado laico e a cidadania de forma assustadora, levando o país a retroceder, a ver aviltados direitos conquistados na história recente, inscritos na Constituição de 1988.

As igrejas se expandem no vácuo das deficiências da educação, da escola laica que não consegue se firmar como pilar da democracia, da cidadania e da República. O grande capital se impõe operando por meio dos imperativos ideológicos, econômicos e tecnológicos, monopolizando o tempo, a consciência, esterilizando vidas.

Partidos políticos e instituições populares, que historicamente promoveram a cidadania e as lutas libertárias estão, na prática, perdendo espaço para as igrejas. Tornaram-se reféns dos poderes empresariais e religiosos.

No Congresso Nacional essas forças atuam à luz do dia. Bloqueiam a aprovação de leis fundamentais para consolidação de direitos humanos, da laicidade do Estado, e de muitas outras iniciativas que teriam como finalidade ampliar as conquistas democráticas e a cidadania.

Igrejas tentaram impedir a aprovação até do Plano Nacional de Educação (PNE) por não aceitarem que as escolas abordassem a questão de gênero em sala de aula e, entre outras ações, apoiaram aberrações como a aprovação do projeto da “cura gay” na Comissão de Direitos Humanos, na época presidida pelo pastor e deputado Marcos Feliciano.

Bloqueiam a aprovação de todos os projetos de reforma política que põem fim ao financiamento empresarial de campanhas eleitorais porque o poder econômico e confessional não abrem mão do controle político do Congresso e dos governos. Aqui, vale ressalva à CNBB, que integra o conjunto de entidades que apóiam o projeto de lei da OAB, de reforma política.

As forças políticas empresariais e religiosas têm projeto de poder e estratégia. Pelo andar da carruagem, o risco maior é, em breve, efetivarem uma aliança suficiente para promover ampla reforma na Constituição, suprimir direitos e garantias consagradas ou até mesmo convocar uma Assembleia Constituinte e fazer outra Constituição de caráter teocrático e plutocrático. A continuar os ataques aos setores democráticos, a tendência é de um perigoso retrocesso institucional.

O poder das organizações empresariais e religiosas não são nenhuma novidade nas relações econômicas, sociais, culturais e políticas numa sociedade capitalista selvagem e de herança colonial como a nossa. Mas avança como nunca, turbinado com os oligopólios de mídia.

Na história recente, os anos 1990 foram o período de maior investida do grande capital na apropriação indiscriminada, quando aqui a campanha contra o Estado se estabeleceu já no governo de Fernando Collor e ganhou força no governo Fernando Henrique Cardoso.

O Estado passou a ser o diabo e o mercado, Deus, senhor das soluções de todos os problemas do país.

Evidente que o Estado não é panaceia para solução dos nossos problemas. Se fosse não teríamos chegado ao Século XXI com cerca de 50 milhões de pessoas ainda vivendo na pobreza e a riqueza concentrada nas mãos de uma minoria opulenta que vive no topo da pirâmide social.

Até porque não há capitalismo sem Estado. Mas as investidas contra a “Constituição cidadã”, como a denominou o ex-presidente da Constituinte, deputado Ulysses Guimarães, para suprimir dela garantias econômicas e sociais, tornou-se uma obsessão do poder econômico e das igrejas desde o início dos anos 1990, com Fernando Collor.

Ganhou uma dimensão inimaginável nos últimos tempos com a expansão de meios de comunicação, novas tecnologias, conglomerados empresariais de mídias, e a adesão voluntária de setores das classes média e média-alta a ideais neoliberais e religiosos.

Empresas que monopolizam as concessões do Estado, de meios de comunicação, como, por exemplo, as organizações Globo, cujos proprietários se tornaram os mais ricos do país, segundo a revista Forbes, assumiram publicamente em recentes editoriais em tv e jornais, que apoiaram o golpe civil-militar em 1964, mas não disseram que apoiaram a ditadura durante 21 anos.

Cinicamente pediram desculpa ao país e agora apostam todas as fichas na definição do pleito eleitoral deste ano apoiando desavergonhadamente, juntamente com os donos do grupo Abril, do grupo Folha, do grupo Estado, e outros, o candidato escolhido por setores do capital financeiro nacional e internacional para que possam retomar o projeto interrompido em 2002 com a eleição de Lula.

Guardadas as devidas exceções, a grande mídia tornou-se uma espécie de “Feitor”, de chicote em punho, dos grande negócios, pregadora ideológica do projeto do grande capital e das religiões.

Submete instituições ao açoitá-las com suas manchetes. Constrói versões de fatos com o jornalismo manipulativo e se estabelece como instrumento político dos grandes negócios na coação do poder republicano e democrático.

Como fez com o Ministério Público e o STF no episódio do julgamento dos réus da AP-470 ao transformá-lo num espetáculo midiático.

A maioria do STF, sob a presidência do ministro Joaquim Barbosa, se curvou ao “Feitor”. Se curvou à versão dos fatos. Imagina se o STF tivesse absolvido os réus por falta de provas. Estaria hoje na vala de esgoto da história.

A manipulação da informação corre solta, opera no subliminar, instala nos confins dos corações e das mentes dos desavisados o ódio, preconceitos generalizados, a negação da política, como se a política fosse para a sociedade o mal dos novos tempos.

A cidadania está sendo sorrateiramente esterilizada, o debate interrompido e a participação da sociedade nas decisões, na escolha do futuro, desmobilizada.

As manifestações de junho parecem ter sido muito mais um fenômeno das redes sociais, principalmente do Facebook.

Tanto que os manifestantes, passado o furor, não se organizaram, não se associaram para outras jornadas. Nada de novo aconteceu. O que se viu foi uma desconfiança generalizada de que os usuários foram vítimas de algo estranho. Esse sentimento foi manifestado em grande escala, logo depois, nas redes sociais.

O que querem com a tentativa de destruição da política? Que todos baixem as cabeças, trabalhem, consumam, e deixem o futuro nas mãos do mercado, o “senhor dos destinos”? Como despertar a nova geração para a política se a política, como querem impingir os manipuladores, representa “o mal para a sociedade?”.

A política é a mais perfeita invenção do ser humano para resolver os problemas da sociedade e do Estado, para fazer avançar no processo de civilização. Matar a política é matar a democracia, a cidadania e o desenvolvimento.

As grandes redes de tv/rádio, os portais de internet, ganharam níveis de alcance e sofisticação inimagináveis com a expansão e os novos recursos tecnológicos.

Os donos das grandes empresas de comunicação, na política, têm lado, usam e abusam das concessões a favor de suas ideologias, de seus negócios e de seus correligionários, sempre foi assim. Chega de hipocrisia. Isso é uma realidade.

As concessões de canais de serviços de rádio e tv passam de pais para filhos como capitanias hereditárias. As empresas se agigantaram e se tornaram as mais poderosas armas para a manutenção do poder econômico e político no país.

Nenhum governo, em 26 anos da nova Constituição, ousou regulamentar os artigos 221 e 222 da Carta Magna, que definem a prestação de serviços de comunicação.

O monopólio dos meios de comunicação continua intacto. Esses veículos são, na sua grande maioria, das mesmas famílias que manipularam o povo e levaram Getúlio Vargas ao suicídio e multidões às ruas para derrubar o ex-presidente João Goulart, em 1964.

São os mesmos grupos que hoje atuam, na política, em parceria com a oposição ao governo, e formam a opinião de gerações.

O atraso organizado retoma posições semelhantes às de antes do golpe militar de 1964. Quem tiver curiosidade histórica pode ir aos arquivos dos jornais daquela época para ver a semelhança da forma pela qual a imprensa de hoje, que serve à oposição, trata o governo atual, com a imprensa que derrubou o ex-Presidente João Goulart.

Em outras palavras, “a UDN saiu do armário”, mostra a cara com ranço conservador e ideológico inimaginável, numa clara reação pela manutenção do status quo a qualquer custo.

A reação dos setores conservadores é visível no ódio de classe que permeia as relações sociais, trazendo à tona conflitos ancestrais da colonização, cristalizados na disputa política e no medo da perda de poder no atual ciclo de democracia. Na democracia eles perdem sempre.

É perceptível, na histeria cotidiana, a gana pela ressubordinação dos trabalhadores, que estão se libertando do domínio da aristocracia senhorial. Querem recolocá-los nos lugares de antes, colocá-los para fora dos shoppings, como fizeram no episódio dos “rolezinhos” em São Paulo, com decisão judicial; para fora dos aeroportos, como desejou a “glamourosa” professora de letras da PUC-Rio ao ver um senhor saboreando um sanduíche na sala de embarque; para fora do salão de beleza, como tentou uma moradora de um condomínio de luxo em Brasília, ao ver a empregada doméstica de uma amiga cuidando das unhas e dos cabelos no mesmo salão frequentado por ela.

A reconfiguração de classe está levando a arquitetura a mudar a ordem residencial colonial. O modelo sala, cozinha e dependência de empregados (senzala) não cabe mais na realidade brasileira.

Estão tendo que retirar a senzala de dentro de casa, cubículo onde famílias senhoriais enfiam os empregados domésticos. Os empregados domésticos conquistaram igualdade de direitos com a “lei das domésticas”. Ou seja, tudo junto e misturado está causando um grande incômodo à elite.

Essa obsessão da oposição, e da mídia que serve a ela, pela destruição do Partido dos Trabalhadores, por exemplo, não é de agora. O PT sempre foi tratado como um intruso na política brasileira desde quando nasceu, no final dos anos 1970.

A elite não o perdoa, por ter sido capaz de organizar a base da pirâmide social e dar voz e ação aos trabalhadores.

Garantiu um governo que aprofundou a cidadania, cria condições para libertação da população oprimida do domínio de aristocratas, exploradores e opressores de todo tipo; retira da pobreza extrema dezenas de milhões de pessoas, reduz a desigualdade em tempo recorde, como reconheceu a ONU, e promove a inclusão social com acesso aos serviços públicos. Sem desconsiderar os demais partidos de esquerda, PT é o que restou de maior força organizada da luta democrática do pais.

Tristes trópicos, que tem uma elite branca que sequer admite a construção da cidadania. Ela continua desenraizada, com os olhos para além do Atlântico e para o hemisfério norte. De mentalidade ainda colonial, se interessa apenas pelos grandes negócios na colônia.

A “velha UDN” está por aí, travestida, clandestina. Dispõe ainda de uma cultura política e ideológica poderosíssima. Hoje, nos salões, nos cafés, nas redações, ricaços, celebridades, artistas, jornalistas, âncoras de TV e de rádio, comentaristas, pessoas expressivas dessa tendência, diria, exemplares da nova versão da UDN, pessoas muito bem pagas, fazem a pregação conservadora.

Têm microfones e câmeras à disposição para destilar preconceitos generalizados e ódio contra os agora empoderados pela participação popular na política, nos movimentos das últimas décadas, e incluídos socialmente.

Comentaristas de economia malham o governo dia e noite, nas grandes redes de TV, radio e jornais, com um discurso surrado, atrasado, da década de 1990, fora do contexto, na defesa cega de ideias derrotadas, superadas na crise internacional.

Organizações empresariais multinacionais, principalmente do sistema financeiro, não admitem que nenhum pais de porte econômico como o Brasil esteja fora da malha e da estratégia de negócios delas.

Por ter conseguido, em parte, certa autonomia, com um projeto de desenvolvimento sustentável, tendo o Estado como indutor, o Brasil sofre uma ofensiva virulenta dessas organizações, que tentam reconduzi-lo aos desígnios do sistema financeiro internacional com a ajuda de gente daqui, operadores do mercado financeiro, donos de grandes corretoras de fundos de grandes negócios dos maiores conglomerados internacionais.

Para eles, o Estado é o inimigo número um. Têm um candidato à Presidência da República e prestam assessoria a ele. Vêem as imensas jazidas de petróleo, recém-descobertas na camada do pré-sal, como as maiores oportunidades de negócios do país e do mundo fora da malha do sistema financeiro internacional e a Petrobras como entrave por controlar a produção.

O senador Aécio Neves bradou no dia do lançamento da sua candidatura à presidência da República que quer varrer o PT do poder com um tsunami. Diz ele que quer tirar o PT porque o PT ocupa órgãos do Estado. Disse isso deixando claro sua visão patrimonialista que considera o Estado uma propriedade da Elite.

Ou seja, a “Casa Grande” mandou um recado à “Senzala”.

Resta aos setores democráticos da sociedade brasileira defender intransigentemente a Constituição, a República, a Federação, articular um movimento capaz de deter o avanço das forças dos grandes negócios, das religiões e dos “feitores” da grande mídia, para que possamos avançar na consolidação da democracia, na superação da desigualdade e na inclusão social.

(*) Laurez Cerqueira é autor, entre outros trabalhos, de Florestan Fernandes – vida e obra; e O Outro Lado do Real.

Pela III República Espanhola: Xeque mate ao regime

Por Esther Vivas*, via publico.esesquerda.net

É hora de sair à rua, exigir a abertura de um processo constituinte em todo o Estado espanhol, poder decidir que futuro queremos. Passar à ofensiva: xeque mate ao regime.

O regime desmorona-se, morre, e na sua agonia, o rei abdica. Nunca o regime surgido da Transição tinha sido tão questionado como agora. Os pilares que o sustentam, a monarquia, o poder judicial e o bipartidarismo, estão há muito tempo fortemente deslegitimados. Não acreditamos já nas suas mentiras, que procuram sustentar um regime que cai em pedaços. O que até há muito pouco tempo parecia impossível, agora torna-se uma realidade. Empurremos com força, para abrir ainda mais essa brecha que a crise econômica, social e política tornou possível.

Desde a caça de elefantes de “sua majestade” no Botswana, passando pela imputação do seu genro Iñaki Urdangarín no caso Nóos, o envolvimento da Infanta Cristina na teia, até às múltiplas, e milionárias, operações à anca do monarca, faturadas ao erário público, a Casa Real converteu-se numa caricatura de si própria. Um dos principais defensores desta “democracia” foi atingido, muito atingido, mas não foi afundado.

O anúncio da abdicação real é uma última tentativa, desesperada, para salvar a situação, uma tentativa de “make up” para relegitimar não só a monarquia mas também todo o seu séquito de juízes, políticos, comentadores… que durante tantos anos, demasiados, têm vivido à custa dessa falsa Transição, tentando apagar ou mascarar o passado coletivo. O nosso esquecimento, foi o substrato da sua vitória, não só moral mas também política e econômica.

A crise econômica convertida numa profunda crise social e, também política, pôs em xeque o rei e o regime de 78. As pessoas disseram “já basta”. Vimo-lo com a emergência do 15M, há três anos atrás, com a extensão da desobediência civil, com a ocupação de casas vazias, casas que estão nas mãos dos bancos, com um amplo apoio popular, apesar da criminalização do protesto. A mais pobreza, mais dor, corresponde, graças a essa mobilização, a mais consciência de quem ganha com esta situação, banqueiros, políticos, e de quem perde.

O auge do soberanismo na Catalunha também encostou o regime às cordas. Assinalando o carácter profundamente antidemocrático de uma Constituição que não permite aos povos o direito de decidirem. Agora, as eleições europeias deram “o golpe de misericórdia” num regime em decomposição. A perda de mais de cinco milhões de votos por parte do PP e do PSOE. A emergência do Podemos, com cinco mandatos. O regime fica nervoso, muito nervoso.

A abdicação real é a última tentativa de salvação. No entanto, recordemos, o sistema tem capacidade de manobra. A abdicação do rei mostra a debilidade dos pilares do regime, e a força popular. Mas, não queremos nem Juan Carlos nem Felipe. É hora de sair à rua, exigir a abertura de um processo constituinte em todo o Estado, poder decidir que futuro queremos. Passar à ofensiva: xeque mate ao regime.

*- Esther Vivas é ativista e investigadora em movimentos sociais e políticas agrícolas e alimentares. Licenciada em jornalismo e mestre em sociologia.

Tradução: Carlos Santos

Após regulação, mortes por tráfico de drogas chegam a zero no Uruguai

Via O Tempo

Secretário Nacional de Drogas do Uruguai, Julio Heriberto Calzada afirmou que o país conseguiu reduzir a zero as mortes ligadas ao uso e ao comércio da maconha

Durante debate da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa no Senado, nesta segunda-feira (2), o Secretário Nacional de Drogas do Uruguai, Julio Heriberto Calzada afirmou que o país conseguiu reduzir a zero as mortes ligadas ao uso e ao comércio da maconha desde que adotou regras para regulamentar o cultivo e a venda da droga.

Em resposta ao senador Cristovam Buarque (PDT-DF), Calzada disse que a legalização da maconha talvez aumente o número de usuários, mas ele acredita que a combinação com outras ferramentas de política pública, em aspectos culturais e sociais, poderão modificar padrões de consumo e levar ao êxito na redução de usuários.

Conforme relatou, o país assegura o acesso legal à maconha por meio de autocultivo, com até seis pés por cada moradia; pela participação de clubes de cultivo, com 15 a 45 membros; ou pela aquisição a partir de um sistema de registro controlado pelo governo.

No debate, o secretário afirmou que respostas efetivas para a questão das drogas dependem de clareza na delimitação do problema. Ele apresentou aos senadores perguntas que devem ser respondidas: Qual é a questão central das drogas? O foco deve estar na substancia? Nas pessoas? Na cultura? Na sociedade? Na política? Na geopolítica? Nas normas? Na fiscalização do trafico ilícito?

Os países, disse o secretário, devem ter em conta que as substancias – tabaco, maconha, heroína, cocaína – não são iguais e devem ser analisadas em suas particularidades e tratadas conforme o conjunto de aspectos referentes a cada uma. Pela grande complexidade do problema das drogas, disse, o Uruguai busca embasar suas ações em evidências científicas.

Conforme avaliou, a criminalização de usuários de drogas seria ineficiente por fazer com que cidadãos passem a ser tratados como viciados ou dependentes. Uma das consequências, disse, é o sistema de saúde ficar refratário a essas pessoas. Dados citados pelo secretário dão conta de que mais de 90% dos usuários de drogas não buscam ajuda no sistema de saúde.

Calzada afirmou ainda que, como outras drogas, como álcool, por exemplo, há riscos e efeitos colaterais negativos com o consumo de maconha, o que requer regulação e controle do Estado.

A audiência desta segunda-feira (2), que conta com participação popular pelos canais de interatividade do Senado, é a primeira de um ciclo de debates promovido pela CDH para ouvir autoridades, lideranças sociais e intelectuais, visando embasar o parecer da comissão sobre proposta de iniciativa popular (Sugestão 8/2014) que define regras para o uso recreativo, medicinal e industrial da maconha.

Também participam do debate a coordenadora-geral de Combate aos Ilícitos Transnacionais do Ministério das Relações Exteriores, Márcia Loureiro; o representante do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime no Brasil, Rafael Franzini Batle; o relator da Sugestão 8/2014, senador Cristovam Buarque (PDT-DF); e a presidente da CDH, senadora Ana Rita (PT-ES).

Pediu “jejum de informação” na Copa, mas liberou ver a Record. Deus está vendo, bispo…

Via SPRESSOSP

Em vídeo, Edir Macedo, que é fundador da Igreja Universal, sugere que seus seguidores se alienem por 40 dias e não vejam os jogos. Direitos de transmissão do evento são da TV Globo, que repassa à TV Bandeirantes

O bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus, publicou um vídeo em seu blog pedindo que durante a Copa do Mundo 2014, os fieis de sua igreja façam um “jejum de informações”.

Porém, o pedido de alienação é flexível, quem quiser pode ver a “Série Milagre de Jesus”, exibida pela TV Record, emissora de Macedo. A mensagem foi publicada no último domingo (25) no programa “Palavra Amiga”, dentro do canal TV Universal no Youtube.

“A partir do dia 10 de junho, nós vamos começar o jejum, mas não o jejum de Daniel, que era de 21 dias, nós vamos começar o jejum de Jesus. O jejum que Jesus fez no deserto, 40 dias e 40 noites, só que ele ficou em jejum de comida…Nós vamos fazer um jejum espiritual, um jejum de informações”, afirmou Macedo.

Mas o bispo, perto do final do vídeo, lembrou aos fieis que “eles apenas vão ter o direito de ver a ‘Série Milagres de Jesus’”, que coincidentemente é exibida pela Record.

Se os milhões de seguidores da Igreja Universal acatarem o pedido do bispo, a audiência da TV Globo e da TV Bandeirantes pode cair, já que somente as duas transmitirão, na tv aberta, a Copa do Mundo. Isso, talvez, explique porque o bispo afirma que estará “100 % fora” do evento da Fifa.

—————————————————————————————————————————

Nota da redação: O vídeo está disponível no youtube, porém, não o disponibilizamos no post por crer que a produção de pessoas como o senhor objeto deste artigo não deve ter audiência nem incentivo.