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Brasil estará entre os 20 países com maior geração solar em 2018

Via Portal Brasil

Em 2014, houve a primeira contratação de energia solar de geração pública centralizada, e, em 2015, mais dois leilões ocorreram, totalizando 2.653 MW.

Estudos para o planejamento do setor elétrico em 2050 estimam que 18% dos domicílios no Brasil contarão com geração fotovoltaica. Foto: MEC

O mundo contabilizou, ao final de 2014, uma potência instalada de geração de energia solar fotovoltaica de 180 Gigawatts (GW), 40,2 GW a mais que em 2013. Os dados constam do boletim “Energia Solar no Brasil e no Mundo – Ano de Referência – 2014”, publicado pelo Ministério de Minas e Energia (MME), e apontam que, em dois anos, o Brasil deverá estar entre os 20 países com maior geração de energia solar no mundo.

Os cinco primeiros países em potência instalada – Alemanha, China, Japão, Itália e EUA –  respondem por 70% do total mundial nessa fonte. Em 2015, a China deverá alcançar o 1º lugar no ranking mundial de potência instalada. De acordo com o boletim, a Grécia tem o maior percentual de geração solar em relação à sua geração total (9,5%), seguida pela Itália (8,6%).

De acordo com dados da Agência Internacional de Energia (IEA), a energia solar poderá responder por cerca de 11% da oferta mundial de energia elétrica em 2050 (5 mil TWh). A área coberta por painéis fotovoltaicos capaz de gerar essa energia é de 8 mil km², o equivalente a um quadrado de 90 km de lado (quase uma vez e meia a área do DF).

Em 2018, o Brasil deverá estar entre os 20 países com maior geração de energia solar, considerando-se a potência já contratada (2,6 GW) e a escala da expansão dos demais países. O Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE 2024) estima que a capacidade instalada de geração solar chegue a 8.300 MW em 2024, sendo 7.000 MW geração descentralizada e 1.300 MW distribuída. A proporção de geração solar deve chegar a 1% do total.

Estudos para o planejamento do setor elétrico em 2050 estimam que 18% dos domicílios no Brasil contarão com geração fotovoltaica (8,6 TWh), ou 13% da demanda total de eletricidade residencial.

Geração centralizada

Em 2014, houve a primeira contratação de energia solar de geração pública centralizada (890 MW). Em 2015, mais dois leilões foram realizados, totalizando 2.653 MW contratados, com início de suprimento em 2017 e 2018. Os leilões foram realizados na modalidade de energia de reserva, com o objetivo de promover o uso da energia solar fotovoltaica no Brasil, além de fomentar a sua indústria.

O potencial brasileiro para energia solar é enorme. O Nordeste apresenta os maiores valores de irradiação solar global, com a maior média e a menor variabilidade anual, dentre todas as regiões geográficas. Os valores máximos de irradiação solar são observados na região central da Bahia e no noroeste de Minas Gerais.

Incentivos

O Ministério de Minas e Energia lançou, no dia 15 de dezembro, o Programa de Geração Distribuída de Energia Elétrica (ProGD). O objetivo é de estimular a geração de energia pelos próprios consumidores (residencial, comercial, industrial e rural) com base em fontes renováveis, em especial a fotovoltaica. Há potencial para a instalação de 23,5 GW até 2030.

Petrobrás 2015 – Balanço Crítico de um Longo Ano

Por Felipe Coutinho | Via felipecoutinho21

O Brasil e a Petrobrás têm enorme potencial. Descobrimos as maiores reservas de petróleo das últimas três décadas, temos tecnologia de vanguarda, nosso mercado é pujante e tem potencial de crescimento, a estatal é integrada e capaz lidar com a variação dos preços relativos dos seus produtos. Não podemos nos apequenar diante da conjuntura adversa. Continue lendo.

Na crise, o Brasil entra em oferta

Por Juliana Elias | Via Carta Capital

Pela primeira vez desde 2002, as companhias estrangeiras dominam as fusões e aquisições no País.

A J&F levou as Alpargatas

Com a aprovação pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica, em 7 de dezembro, da aquisição da divisão de beleza do grupo brasileiro Hypermarcas, a francesa Coty, dona de 47 marcas em 40 países, “deu mais um passo para se tornar uma companhia desafiadora e líder global em beleza”, conforme anunciou o presidente Bart Becht, no fechamento do negócio de 1 bilhão de dólares, ou 3,8 bilhões de reais.

A operação sobressai-se na onda de fusões e aquisições estimuladas pela depreciação das empresas brasileiras sob recessão e facilitadas pela desvalorização do real. Ela simboliza um ciclo de evolução e declínio do mercado de bens de consumo de massa no País, produtos de beleza incluídos, nos últimos 15 anos. E também representa a superação dos grupos brasileiros pelos estrangeiros em número de aquisições do controle ou de participações expressivas em empresas locais. Em outubro, segundo o mapeamento mensal da consultoria PwC, o número de fusões e aquisições comandadas por estrangeiros totalizou 286 negócios. Pela primeira vez desde 2002 foi maior que aquelas realizadas por compradores nacionais, 275 operações no mesmo mês.

O trajeto da Hypermarcas acompanha os ciclos da economia nacional na última década e meia. O grupo chegou a reunir mais de 200 produtos em seu portfólio, entre fraldas, adoçantes, medicamentos e molho de tomate, quando recebeu o apelido de “Unilever brasileira”, em referência à gigante europeia dona do OMO e centenas de outras marcas. Foram mais de 20 aquisições desde a origem do grupo em 2001, entre elas a recompra da fabricante da esponjas de aço Assolan, da mesma Unilever, vendida à multinacional um ano antes pela família Queiroz, de Goiás, fundadora da Hypermarcas.

No mesmo dia da aprovação da operação pelo Cade, o conselho de administração da Hypermarcas decidiu colocar à venda a divisão de fraldas infantis (marca Pompom) e geriátricas descartáveis, avaliada em 1,5 bilhão de reais, e manter o foco nos segmentos de saúde e bem-estar. As negociações com a americana Kimberly-Clark, dona da Huggies, estariam avançadas, segundo rumores.

Dona de marcas globais, a Coty, além de acrescentar ao seu catálogo os produtos Bozzano, Biocolor, Monange, Risqué e Cenoura & Bronze e adquirir o centro de distribuição da Hypermarcas em Cuiabá, estabeleceu uma base estratégica no terceiro maior mercado de cosméticos do mundo, detentor de 9,4% do consumo global e há 19 anos com crescimento real médio de 10%.

“Quando uma multinacional planeja entrar em um país em desenvolvimento, ela precisa ver duas coisas, se a taxa de câmbio está favorável e se os ativos estão baratos”, explica Thomas Zanotto, diretor de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo. “O Brasil vive uma crise sem precedentes e diversos fatores se combinam de modo a tornar o investimento mais atraente.”

A desvalorização do real em 49% entre novembro de 2014 e 1º de dezembro deste ano significa um barateamento na mesma proporção dos preços dos ativos no Brasil, só pelo efeito câmbio. A recessão empurra ainda mais o valor das empresas para baixo ao comprometer receitas, aumentar dívidas e derrubar as cotações no mercado.

As transações acumulam-se. A norte-americana Omnicon, de relações públicas, pagou 1 bilhão de reais pelo Grupo ABC-Meio & Mensagem, no maior negócio da história do setor no País. Antes, a britânica WWP adquirira a Agência Ideal por valor não divulgado. O grupo HNA, dono da Hainan, a quarta empresa aérea da China, arrematou 23,7% das ações preferenciais da Azul Linhas Aéreas por 450 milhões de dólares, equivalentes a 1,7 bilhão de reais. A construtora Camargo Corrêa, implicada na Lava Jato, vendeu por 2,7 bilhões de reais a Alpargatas, dona da marca Havaianas, à J&F Investimentos, controladora da JBS.

O objetivo principal das negociações de controle e de participações acionárias é reduzir o endividamento dos grupos e das empresas. Vender um naco do negócio e quitar uma parte da dívida custa menos do que se sujeitar aos juros mais altos do mundo. Segundo a Hypermarcas, a receita da venda da divisão de produtos de beleza deverá ser usada “preponderantemente para reduzir o endividamento líquido” do grupo, de 3,3 bilhões de reais. Para a Azul, o resultado da venda das ações para a HNA ajudará no “fortalecimento do caixa, na renovação de frotas e na amortização de dívidas”, de acordo com um comunicado da companhia.

“Toda multinacional que queira ser global sabe que tem de estar no Brasil, e o melhor momento é agora”, diz Rogério Gollo, sócio da consultoria PwC no Brasil para fusões & aquisições. “Os grupos olham para o médio e longo prazo, o retorno que terão em 10, 20 anos. Eles se atêm menos às dificuldades de dois ou três anos. O prazo de um investimento de alguém que vem de fora para adquirir um negócio é outro”, explica Clovis Meuer, vice-presidente da Associação Brasileira de Private Equity & Venture Capital, entidade representativa dos fundos de investimento no Brasil. Os compradores “diferem do investidor financeiro, de curtíssimo prazo, que traz um dinheiro volátil para render na Bolsa ou em títulos públicos”.

A crise interna, econômica e política, não afastou o investidor estrangeiro com visão de longo prazo, mas o deixou mais cauteloso. A queda do Produto Interno Bruto em 1,7% no terceiro trimestre em relação ao mesmo período de 2014, divulgada pelo IBGE no dia 1°, e as projeções de variações negativas do PIB de 3,5% neste ano e de 2,3% em 2016, segundo a pesquisa Focus anunciada pelo Banco Central na segunda-feira 7, indicam um aumento substancial do risco.

“O câmbio está muito volátil, o crescimento econômico é baixo e no fim, é ele que conta. Investimentos precisam de retorno”, diz Luis Afonso Lima, presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica, a Sobeet. “Existe um apelo maior por conta do câmbio e de ativos mais baratos, mas, na comparação do que ganhamos por um lado e perdemos por outro, o saldo final é negativo.”

Apesar do aumento do número de negociações, segundo o levantamento da PwC, o total investido caiu. De janeiro a outubro, os investimentos estrangeiros diretos no País somaram 54,9 bilhões de dólares, 32% abaixo do total nos mesmos meses do ano passado, de 81 bilhões. “Há uma mudança no perfil do investidor”, diz Gollo. “Há um número maior de negociações, mas entre empresas médias e por valores menores.” As grandes multinacionais instaladas há tempo no País “ampliaram agressivamente” sua participação nos últimos anos e agora têm de dar resultados. As pechinchas atuais, em alguns casos, significam uma boa oportunidade para as empresas de menor porte aumentarem a sua participação.

No ano passado, informa a Conferência das Nações Unidas para Comércio e Desenvolvimento, a Unctad, o Brasil recebeu 2% menos investimentos em comparação a 2013. Não ficou para trás porque o desempenho global despencou 16%, com retrações de 14% na América Latina e 28% nos países desenvolvidos. No fim das contas, o Brasil subiu uma posição e retornou ao posto de 6º destino dos investimentos globais.

“O fluxo de investimentos globais não retornou aos níveis de 2007, anteriores à crise”, diz Lima. “As economias centrais ainda estão com capacidade ociosa, demanda fraca, e alguns países continuam muito endividados. É uma crise sistêmica do capitalismo. E isso, agora, se espalha para os países emergentes.”

Multinacionais são condenadas por desviar energia elétrica por 16 anos no Brasil

Via Brasileiros

Além dos prejuízos causados a concessionárias de energia e empresas privadas, a prática impactou um dos elementos que compõem o custo da energia elétrica paga pelo consumidor brasileiro.

Após investigação iniciada em 2006, a Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) recomendou hoje (30) a condenação de 11 empresas por formação de cartel internacional com atuação no mercado de venda de equipamentos eletroeletrônicos para o setor de transmissão e distribuição de energia no Brasil. Além dos prejuízos causados a concessionárias de energia e empresas privadas, a prática impactou um dos elementos que compõem o custo da energia elétrica pago pelo consumidor brasileiro.

As empresas comercializavam equipamentos de direcionamento de fluxo de energia elétrica com isolamento a gás, conhecido como GIS (do inglês – gas-insulated switchgear), utilizados para proteção e isolamento de equipamentos elétricos, sendo o principal elemento de uma subestação de força.

As investigações apontam que o cartel causou prejuízo para o sistema elétrico brasileiro e também para empresas concessionárias de energia como a Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista, Companhia Energética de Minas Gerais, Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia, Companhia de Energia Elétrica do Paraná, LIGHT – Serviços de Eletricidade S/A, Eletropaulo, Eletrosul, dentre outras. Também foram afetadas pela prática criminosa a Petrobras, a Companhia Vale do Rio Doce e a Companhia Siderúrgica Nacional.

De acordo com o Cade, o cartel atuou com “impressionante profissionalismo” no período compreendido entre os anos de 1988 a 2004. Segundo o órgão, o grupo atuava fixando preços e reservando áreas geográficas específicas para cada uma das empresas que participavam do esquema, com o objetivo de permitir que seus integrantes conquistassem e preservassem as participações de mercado previamente estipuladas.

“Durante os 16 anos seguintes, 1988 a 2004, os grandes fabricantes de GIS coordenaram a concessão de projetos  numa base internacional, de acordo com as regras e princípios acordados, respeitando quotas estimadas do mercado, fixando níveis de preços e reservando alguns territórios aos membros específicos do cartel”, diz trecho do processo de investigação do Cade.

As empresas integrantes do cartel são Alstom Holdings S.A., Alstom Hydro Energia Brasil Ltda, Areva T&D S.A, Alstom Grid Energia Ltda, Japan AE Power Systems Corporation, Mitisubishi Eletric Corporation, Siemens AG, Siemens Ltda, Toshiba Corporation, VA Tech Transmission & Distribuition GmbH & Co, VA Tech Transmissão e Distribuição Ltda.

Ainda de acordo com o órgão, o grupo também atuava em outros países, tendo sido julgado e condenado em países membros da Comissão Europeia e Estados como a Nova Zelândia, Hungria, Israel e República Tcheca.

O processo administrativo segue agora para julgamento pelo Tribunal do Cade, responsável pela decisão final. Caso sejam condenadas, as empresas deverão pagar multa que pode alcançar até 20% de seu faturamento no ano anterior ao de instauração do processo nos ramos afetados pela atividade.

Petróleo encerra 2015 com queda acumulada de 35%

Via Reuters

Foto: The Guardian

Os preços do petróleo subiram na quinta-feira, mas caíram até 35% no ano, após uma corrida de produtores do Meio Oeste dos Estados Unidos para extrair a commodity e produtores de petróleo não convencional (o chamado Shale oil) criarem um excesso de oferta sem precedentes que pode avançar ao longo de 2016.

Os preços do petróleo tipo Brent e nos EUA subiram entre 1% e 2% nesta sessão, com as compras acentuadas, apesar do baixo volume antes do Ano Novo.

No entanto, em 2015, a commodity registrou quedas de dois dígitos pelo segundo ano seguido, com a Arábia Saudita e outros membros da Opep não conseguindo impulsionar os preços do petróleo.

O petróleo tipo Brent encerrou esta sessão com alta de 82 centavos de dólar, a US$ 37,28 o barril, recuperando-se da mínima em 11 anos de US$ 36,10 vista mais cedo na sessão.

No mês, a queda foi de 16% e, no ano, a baixa foi de 35%. Em 2014, o petróleo tipo Brent caiu 48%.

Já o petróleo nos EUA subiu 44 centavos de dólar nesta quinta-feira, a US$ 37,04 o barril. Em dezembro, a commodity caiu 11% e a baixa foi de 30% no ano, após a perda de 46% em 2014.

 

Brasil sobe 5 posições em ranking mundial eólico

Via Portal Brasil

Segundo boletim do Ministério de Minas e Energia, o Brasil está liderando a corrida mundial, com um fator de capacidade de 37% em 2014, uma vez e meia o indicador mundial.

Nos próximos anos, o resultado deverá ser ainda melhor, pois empreendimentos iniciados em 2015 estão obtendo fatores de capacidade cada vez mais altos. Foto: Governo do RS

O Brasil subiu para a quarta posição no ranking mundial de expansão de potência na energia eólica em 2014. Também saltou cinco posições no ranking mundial de capacidade instalada. Agora, ocupa o 10º lugar em geração, tendo sido o 15º em 2013. Os dados integram o boletim “Energia Eólica no Brasil e Mundo- ano de referência 2014”, produzido pelo Ministério de Minas e Energia.

Já no quesito eficiência, o Brasil está liderando a corrida mundial, conseguindo um fator de capacidade de 37% em 2014, uma vez e meia o indicador mundial. Nos próximos anos, o resultado deverá ser ainda melhor, pois empreendimentos iniciados em 2015 estão obtendo fatores de capacidade cada vez mais altos. Este indicador vem aumentando significativamente em razão dos avanços tecnológicos em materiais, e do porte das instalações das usinas geradoras de energia eólica.

O Brasil já contratou 16,6 Gigawatts (GW) de energia eólica em leilões, aí incluídos 1,4 GW  do Programa de Incentivo às Fontes Alternativas (Proinfa). Deste montante, 6,9 GW já estavam em operação em novembro de 2015; 3,6 GW estavam em construção; e 6,2 GW em preparação.

No mundo, a Dinamarca apresenta a maior proporção de geração eólica em relação à geração total do país, de 41,4%. Em Portugal a proporção é de 23,3%; na Irlanda é de 20% e na Espanha, de 19,1%. Nos demais países, a proporção fica abaixo de 10%.

No Brasil, em 2014 o  Ceará estava à frente, apresentando a maior proporção na geração eólica brasileira, de 30,9%, seguido pelo Rio Grande do Norte (30,8%) e Bahia (15,4%). Destaque-se o expressivo fator de capacidade instalada de geração do Ceará em 2014: 43,5%.

Expansão

A capacidade instalada eólica brasileira deverá chegar a 24 GW em 2024, conforme o Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE 2024). O Nordeste vai ter 45% da sua energia gerada pelos ventos em 2024 ( 21 GW de fonte eólica). Considerando-se  também a energia solar, o indicador deverá chegar a 50%. A perspectiva é de que as fontes solar e eólica tornarão a região Nordeste exportadora de energia elétrica em dez anos, frente à situação de equilíbrio, verificada em 2014.

Moradias populares em zonas centrais como forma de retomar o crescimento e inclusão social

Por Rennan Martins | Vila Velha, 03/01/2016

Reprodução/MTST

O fim de 2015 é motivo para ser comemorado do ponto de vista político e econômico brasileiro. Marcado por um desastrado ajuste recessivo conjugado a uma crise política e institucional, o ano passado encerrou-se com duas boas notícias para o campo democrático e progressista: (i) o julgamento do STF que anulou as descaradas manobras de Cunha quando da formação da comissão do impeachment, e (ii) a saída do ultraortodoxo banqueiro Joaquim Levy do ministério da Fazenda.

2016, em seu tempo, só começará de fato após o desfecho do processo de impedimento deflagrado pelo ilegítimo presidente da Câmara, Eduardo Cunha. A cassação ou eventual renúncia do peemedebista carioca é outro evento-chave. Entrelaçada nestes conflitos está a situação econômica e do emprego, que pode influir sobremaneira na correlação de forças sociais e do próprio legislativo no avanço ou arquivamento do impeachment. A espiral contracionista decorrente da austeridade levyana fez galopar o desemprego e despencar a arrecadação. O Planalto tem consciência que persistindo tal cenário teremos, ao fim de março, aumento do descontentamento social, elemento inevitável de uma recessão.

O ar de renovação trazido pelo início de um novo ano precisa se converter em coragem no enfrentamento a banca, que jamais perde e é quem mais lucra em cenários como o atual. Chegou o momento de subjugar os interesses dos monetaristas, únicos realmente beneficiados quando imperam os dogmas do Mercado. Os detentores de mínimo conhecimento da história econômica sabem que é papel do Estado, como ensinou Keynes, intervir de forma a elevar investimentos, reverter expectativas, gerar emprego e retomar o crescimento.

É hora, portanto, de ousar lançar um programa massivo de investimentos, principalmente em infraestrutura, saneamento básico e habitação popular, áreas de ampla margem para crescimento aliado a inclusão cidadã e empregabilidade. As enormes reservas internacionais já encontram justificativa razoável e adequada para entrar em campo. Seria perfeitamente concebível usar, por exemplo, 100 dos 370 bilhões de dólares imobilizados no Banco Central, para investir no país e seus habitantes.

A expansão fiscal é receita conhecida, que conta com parcela expressiva de apoio na sociedade e intelectuais, e a esta proposta reforcemos uma ideia específica, a saber, o investimento em desapropriações, compra e reforma de prédios abandonados e/ou subutilizados em zonas metropolitanas centrais, com objetivo de os convertê-los em moradias populares de baixo custo. Movimentos sociais ligados a questão, MTST à frente, sabem dos benefícios que habitações próximas aos centros trazem a enorme fatia da população que vive do fruto de seu trabalho e enfrenta longuíssimas jornadas diárias de deslocamento das periferias precárias aos respectivos locais de trabalho. Não são poucas as capitais e grandes cidades brasileiras que dispõem de prédios que se enquadram nos pré-requisitos.

Os argumentos são dos mais variados e os benefícios de uma política como esta ultrapassaria a esfera dos virtuais moradores, se distribuindo por toda a sociedade. Investir em habitação de baixo custo em zonas centrais, além de (i) servir como indutor do crescimento, (ii) promove a reocupação e revitalização de localidades antes perigosas e/ou decadentes, (iii) combate a desigualdade no acesso à cidade, direitos e serviços, normalmente mais presentes nos centros, (iv) economiza por conta da existência de infraestrutura prévia, (v) combate/previne a formação de ilhas de calor (problema vivido principalmente pelo Rio de Janeiro), (vi) e, se aplicado em escala suficiente, ainda mitigaria os intermináveis engarrafamentos habituais em São Paulo e Rio, também presentes noutras capitais como Brasília, Florianópolis, Curitiba e Vitória.

Temos a faca e o queijo na mão quando o assunto é enterrar de vez este triste momento da política e economia nacionais. Resta ter coragem de tomar as medidas necessárias, usando da crise para iniciar outro ciclo de inclusão, desta vez mais refinado, para além da esfera consumista, calcado num projeto nacional de um Brasil desenvolvido, justo e soberano.