Arquivos da categoria: Direitos Humanos

Zara é autuada por não cumprir acordo para acabar com trabalho escravo

Por Camila Maciel | Via Agência Brasil

A grife Zara, que produz e vende roupas masculinas e femininas e pertence ao grupo espanhol Inditex, foi autuada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) por descumprir o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado em 2011 para corrigir condições degradantes que caracterizaram trabalho escravo na cadeia produtiva da empresa.

De acordo com a superintendência do órgão federal em São Paulo, uma auditoria com 67 fornecedores da marca mostrou 433 irregularidades em todo o país, como excesso da jornada de trabalho, atraso nos pagamentos, aumento dos acidentes, trabalho infantil, além de discriminação pela exclusão de imigrantes da produção, o que pode resultar em multa de mais de R$ 25 milhões.

Há quatro anos, a Zara foi autuada por manter 15 trabalhadores de nacionalidades bolivianos e peruanos em condição análogos à de escravo na atividade de costura.

As oficinas subcontratadas pela marca receberam 52 autos de infração. Entre as irregularidades, foram constatadas jornada de trabalho excessiva, servidão por dívida e situação precária de higiene.

Na época, a empresa disse desconhecer esse tipo de exploração. Pelo TAC, assinado com o Ministério Público do Trabalho (MPT), a Zara deveria ter detectado e corrigido novas violações, por meio de auditoria interna, melhorando as condições gerais de trabalho na empresa.

O relatório mostra que mais de 7 mil trabalhadores foram prejudicados pelas irregularidades em fornecedoras da Zara. Entre eles, 46 empregados estavam sem registro em carteira, 23 empresas estavam em débito de Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e 22 tinham jornadas excessivas, irregulares ou fraudadas.

Em relação aos acidentes de trabalho, verificou-se um aumento de 73, em 2012, para 84 casos, no ano passado. A auditoria foi solicitada a partir da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembleia Legislativa de São Paulo que investigou trabalho escravo. As fiscalizações ocorreram entre agosto de 2015 a abril deste ano.

Para o Ministério do Trabalho e Emprego, a empresa não só continuou a cometer infrações à lei trabalhista como utilizou as informações da auditoria para excluir imigrantes da produção. “Utilizou-se das ferramentas de fiscalização de natureza privada para identificar fornecedores com risco potencial de exploração de trabalho análogo à de escravo, excluindo-os unilateralmente de sua cadeia produtiva, em vez de identificar situações reais de lesão aos direitos humanos, corrigi-las e comunicar às autoridades, de acordo com o que determinava o TAC”, diz relatório da superintendência regional. Por conta da fiscalização, a empresa transferiu parte de sua produção para outros estados, como Santa Catarina.

Pelos cálculos do ministério, a empresa deve pagar R$ 25 milhões pelo descumprimento do acordo e R$ 850 mil pela atitude discriminatória. “Trabalhadores migrantes, notadamente de origem boliviana, foram excluídos de sua cadeia produtiva, razão pela qual a empresa foi autuada por restringir o acesso ao trabalho por motivos de origem e etnia do trabalhador”, explica o relatório do órgão. A estimativa do MTE é que 157 imigrantes que trabalhavam em 35 oficinas foram desligados. O relatório aponta ainda que cerca de 3,2 mil postos foram fechados em São Paulo por causa do deslocamento da produção da empresa para outros estados.

O ministério destacou ainda que a Zara foi omissa quando da contratação de uma oficina, onde se constatou trabalho escravo em novembro do ano passado. Foram flagrados 37 trabalhadores em situação degradante, que costuravam para as Lojas Renner. “A fiscalização constatou que, no período de 14 de agosto de 2013 a 23 de setembro de 2013, esse grupo de oficinas também havia produzido 8.450 peças de roupas da Zara”, diz o documento. A grife espanhola, no entanto, apesar do acordo firmado com o MPT, não informou aos órgãos competentes as irregularidades deste fornecedor. A Zara não foi responsabilizada por causa da ausência do flagrante.

Em resposta à organização não governamental Repórter Brasil, que publicou reportagem sobre o caso, a Inditex informou que está contestando legalmente os autos de infração, pois considera que acusações infundadas e que não contêm fato específico que viole o TAC.

Em relação à prática discriminatória, a multinacional diz que não intervem no recrutamento dos empregados de companhias com as quais mantém relacionamento comercial. Acrescenta que a Zara é apenas um entre os vários clientes desses fornecedores e que a empresa representa menos de 15% da produção desses fabricantes.

Sobre o fornecedor que foi flagrado posteriormente empregando mão de obra escrava, a Inditex diz que ele foi submetido a auditoria interna e não foram constatadas situações de trabalho comparáveis a de escravidão. Para a empresa, contestar esse fato é colocar em dúvida companhias especializadas em autoria privada de “reconhecido prestígio internacional”.

As demais violações, como trabalho infantil e funcionários sem registro em carteira, são contestadas. Sobre jornadas excessivas e débitos de FGTS, alega que medidas corretivas foram adotadas.

Pentágono – Operação Jade Helm 15

Por Dr. Nestor García Iturbe

Recentemente começou a divulgar-se informações sobre a operação “Jade Helm 15”, cuja tradução pode ser “timão de jade 2015”. O que saiu à luz pública sobre a operação em questão foi publicadas por divulgadores contrários aos interesses do Pentágono, como INFOWARS, principalmente pelos jornalistas Alex Jones e Juan Jimenez de Leon.

De acordo com o publicado, a operação “Jade Helm 15” se desenvolverá em diferentes estados do Sul e Oeste dos EUA, como Texas, Novo México, Arizona, Califórnia, Nevada, Utah e Colorado.

O objetivo dessa operação é ocupar os estados onde os insurgentes ganharam força e, portanto, a situação se tornou “ingovernável” para as cidades. A polícia, outras agências repressivas, e a Guarda Nacional são as encarregadas de manter ‘a ordem’ no intuito de impedir que uma ‘primavera política’ adquira força e os insurgentes tomem o poder. A diferença é que intervirão também as unidades do Pentágono com todo seu poderio bélico.

A data para o início da operação será o 15 de julho e deve terminar a 15 de setembro deste ano. A operação em si deve ter uma duração máxima de dois meses, ainda que tudo se desenvolva favoravelmente às forças estadunidenses, podendo durar um pouco menos.

Os jornalistas informaram que as forças implicadas na Jade Helm 15 incluirão pessoal altamente treinado da U.S. Army Special Forces Command (comando das forças especiais do Exército) ou Boinas Verdes, U.S. Navy SEALS (Marinha), U.S. Air Force Special Operations Command, USMC Marine Special Operations Command, USMC Marine Expedicionary Units, a 82and Airborne Division, às quais se juntarão a Guarda Nacional, a polícia, e outras agências paramilitares dos estados em que a operação será desenvolvida.

O exercício foi organizado pelo Departamento de Defesa (DoD), e para a frente do mesmo foi designado o general Ashton Carter, que executará essas tarefas como parte das ações a serem desenvolvidas pelo United States Special Operations Command (USSCOM), e o general Gerald “Jake” Betty estará presente durante as operações.

Em documentos recentes da Guarda Nacional, os cidadãos estadunidenses que participam em protestos são qualificados como “forças inimigas” e “adversários”.

Se coloca que o desenvolvimento, pelo Pentágono do que se foi chamado “Técnicas de Domínio Humano”, onde se acumula a informação obtida sobre as pessoas por meio da Internet, Facebook e outros sistemas similares são de grande ajuda para operações como esta. “Eles estão construíndo a infra-estrutura da tirania”, declarou David Knight, de INFOWARS, ao conhecer as declarações do tenente coronel Al Di Leonardo sobre a utilização dessa informação e a classificação que o Pentágono usava em relação ás regiões de acordo com a periculosidade das mesmas.

Esse é um exercício planificado contra cidadãos estadunidenses, que exponham seu desacordo com a situação existente no país, ou que protestem pelos assassinatos cometidos pela polícia. Exercício dirigido por um Comando do Pentágono, o United States Special Operations Command (USSOCOM), cuja missão é precisamente manter a ordem estabelecida dentro do país pela classe dominante, e tudo isso financiado pelo dinheiro dos contribuintes, os mesmos “insurgentes” proporcionam o financiamento dos projéteis que os matarão.

***

Tradução: Tania Faillace

Arábia Saudita bombardeia o Iêmen, depois doa ajuda milionária

Por Thalif Deen | Via Esquerda.net

Casas destruídas em Sana após bombardeamentos da coligação árabe, liderada pela Arábia Saudita.

Os sauditas são acusados de bombardeamentos indiscriminados que causaram a morte de 1.080 pessoas, na sua maioria civis. Como se quisesse compensar os seus pecados, a Arábia Saudita anunciou a doação de 274 milhões de dólares “para as operações humanitárias no Iêmen”.

A mão direita da Arábia Saudita não sabe o que faz o seu pé esquerdo, afirma um diplomata asiático para descrever a paradoxal política militar em curso no Iémen.

Os sauditas, que lideram uma coligação de países árabes em apoio ao presidente iemenita, Abdu Rabbu Mansur Hadi, cujo governo foi derrubado por forças rebeldes xiitas hities em janeiro, são acusados de bombardeamentos indiscriminados que causaram a morte de 1.080 pessoas, na sua maioria civis, e deixaram 4.352 feridos, o que criou uma crise humanitária em grande escala no Iémen.

Como se quisesse compensar os seus pecados, a Arábia Saudita anunciou no mês passado a doação de 274 milhões de dólares “para as operações humanitárias no Iémen”, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU).

No dia 22 de abril a Arábia Saudita suspendeu temporariamente os ataques aéreos, que duraram quase um mês, presumivelmente pela pressão dos Estados Unidos, cujo governo se preocupa com a mortandade civil. O jornal “The New York Times” perguntou a um funcionário norte-americano não identificado por que Washington interveio para que Riade cessasse os bombardeamentos. “Muito dano colateral”, respondeu, referindo-se às mortes de civis.

Os ataques da chamada Operação Tempestade Decisiva no Iémen demoliram fabricas e bairros residenciais, e também afetaram um centro de armazenamento pertencente à organização humanitária Oxfam, com sede em Londres, que informou que ali eram guardadas provisões humanitárias sem valor militar. A Oxfam recebeu com satisfação o anúncio sobre a suspensão dos bombardeamentos no Iémen, mas alertou que o trabalho para levar ajuda a milhões de iemenitas apenas começou.

Grace Ommer, diretora da organização no Iémen, afirmou à IPS que os bombardeamentos aéreos e a violência dos últimos 28 dias antes da trégua teriam matado 900 pessoas, das quais metade eram civis. “A notícia de que os ataques aéreos terminaram, pelo menos temporariamente, é bem-vinda e esperamos que isto prepare o caminho para que todas as partes no conflito atual encontrem uma paz negociada permanente”, afirmou.

Segundo Ommer, “a notícia também dá enorme alivio aos 160 trabalhadores iemenitas que temos no país, bem como ao resto da população civil, que luta para sobreviver a esta última crise no seu frágil país”. Como a instabilidade, a insegurança e os combates continuam, as partes em conflito devem permitir que as organizações de ajuda entreguem a assistência humanitária aos milhões de pessoas que dela precisam, acrescentou.

A Oxfam também informou que o Iémen é o país mais pobre do Médio Oriente, onde 16 milhões dos seus 26 milhões de habitantes dependem da ajuda para sobreviver. A recente escalada da violência só agravou a catástrofe humanitária existente, ressaltou a organização.

Sara Hashash, da Amnistia Internacional disse que mais de 120 mil pessoas foram obrigadas a abandonar as suas casas desde que começou a campanha militar saudita em março, o que provocou “uma crescente crise humanitária”.

O porta-voz da ONU, Stephane Djurric, disse à imprensa que a doação saudita será destinada às necessidades de 7,5 milhões de iemenitas nos próximos três meses. Os fundos proporcionarão “assistência alimentar a 2,6 milhões de pessoas, água potável e saneamento a cinco milhões de pessoas, serviços de proteção a 1,4 milhões e apoio nutricional para cerca de 79 mil pessoas”, acrescentou.

No mês passado os bombardeamentos destruíram uma fábrica de produtos lácteos matando 31 trabalhadores, e um bairro inteiro, com saldo de 25 mortos. “Os ataques aéreos reiterados contra uma fábrica de produtos lácteos situada perto de bases militares mostram um cruel desprezo pelos civis por ambas as partes do conflito armado no Iémen”, disse Joe Stork, subdiretor para o Oriente Médio e norte da África da organização de direitos humanos Human Rights Watch (HRW).

“O ataque pode ter violado as leis da guerra, por isso os países envolvidos devem investigar e tomar as medidas apropriadas, incluindo a indemnização das vítimas dos ataques ilegais”, afirmou Stork. A morte de civis não implica necessariamente que se tenha violado as leis da guerra, mas a elevada perda de vidas numa fábrica aparentemente utilizada com fins civis deve ser investigada de maneira imparcial, recomendou a HRW em comunicado.

“Se os Estados Unidos proporcionaram informação ou outro apoio direto aos bombardeamentos, compartilharia, como parte no conflito, da obrigação de minimizar os danos a civis e investigar supostas violações das leis”, acrescentou a HRW. Segundo a organização, a coligação liderada pela Arábia Saudita e responsável pelos ataques aéreos é integrada por Bahrein, Egito, Emirados Árabes Unidos, Jordânia, Kuwait, Marrocos, Qatar e Sudão.

Para Stork, “se os Estados Unidos estão a fornecer informação (para realizar os bombardeamentos) é uma parte no conflito e está obrigado a acatar as leis da guerra. Embora não seja assim, no seu apoio à coligação Washington irá querer garantir que a totalidade dos bombardeamentos e demais operações sejam feitas de modo a evitar perda de vidas e propriedades civis, que já atingiram níveis alarmantes”.

Quanto às denúncias de mortes civis, Dujarric disse que “à primeira vista, esse tipo de denúncia é extremamente preocupante quando se vê a probabilidade de um nível elevado de vítimas civis. Mas, creio que toda a violência que temos visto serve como lembrança para que as partes atendam ao apelo” feito pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, no dia 17 de abril, para que “cessem as hostilidades e se pronuncie o cessar-fogo”.

Diálogos Desenvolvimentistas: Homossexualidade, drogas e sociedade

As drogas e a homossexualidade são temas que sempre geram grande polêmica. Nossa sociedade convive diuturnamente com o preconceito contra os homossexuais e também com a dificuldade de compreensão de que o problema das drogas é de saúde pública e que definitivamente a atual política é falida.

Os associados Tania Faillace e Roberto Oliveira travaram um interessantíssimo debate sobre o assunto que reflete bem a polaridade atual sobre o tema, por isso, reproduzimos no blog.

Tania Faillace – O que o pessoal resiste a entender é que as drogas fazem parte do esquema de dominação mundial.

Roberto Oliveira – Não tenho dúvidas disso. Basta olhar para o “Século da Humilhação” na historiografia chinesa ou para o atual Afeganistão e suas papoulas.

Tania Faillace – Com a disseminação das drogas, completa-se a lavagem cerebral já encetada pelos meios de comunicação social e a própria escola. Drogas destroem a inteligência e causam dependência psíquica e física.

Drogas são fundamentais para manter em ação os grupos mercenários e até as tropas regulares na repressão ao povo e na comissão de atos bárbaros. Soldados que não usam drogas muitas vezes se recusam a cumprir determinadas ordens.

Roberto Oliveira – Sim, o Timor Leste tem uma história particularmente nefasta sobre a mistura de exércitos e drogas. O exército Indonésio (daquele mesmo país que impõe pena de morte para narcotraficantes) obrigava seus soldados tomar uma anfetamina fortíssima chamada “Speed”. Sob o efeito desta droga, os soldados cometeram os mais horríveis abusos como estupros em massa e esquartejamentos.

Tania Faillace – Então as drogas têm um papel fundamental na conquista do planeta habitado por 8 bilhões de pessoas que 1% delas querem controlar totalmente, até proibi-las de se reproduzirem.

Roberto Oliveira – Realmente espero que tenha visto os vídeos que enviei antes de me responder. Pois, nestes dois vídeos que enviei a esta lista, temos duas especialistas no assunto que pontuam muito bem que a relação da Humanidade com as “drogas” é antiga e que a política de repressão policial sobretudo sobre o usuário é uma política absolutamente falida. Parece me que você não assistiu os vídeos.

Tania Faillace – As pessoas são vulneráveis às drogas, tanto como consumidores – são forma de iludir as frustrações pessoais e sociais alimentando sentimentos de poder e desafio – como repassadores e distribuidores, porque esse “trabalho” é remunerado.

Roberto Oliveira – Não é preciso de “drogas” para fugir da realidade. A cachaça barata e as igrejas pentecostais estão em todas as esquinas.

Ademais, o que é a música e as artes? É como disse a especialista em um dos vídeos que enviei: o ser humano é um animal com consciência e naturalmente ele vai explorá-la.

Tania Faillace – Ao invés de se fazer reforma agrária e fundiária e permitir que as pessoas produzam seu próprio alimento e ainda abasteçam as outras através do mercado direto produtor-consumidor, como fazem os assentamentos de agricultores orgânicos oriundos do MST, usa-se essa mão de obra ociosa e despreparada (por falta de educação, de treinamento, de opções de sustento) para viciar os outros, ou fazer de segurança aos barões do crime.

Roberto Oliveira – Verdade. Concordo. E justamente para quebrar o poder dos barões do tráfico, é preciso que o Estado LEGALIZE, ou seja, imponha seu poder de império e regulamente este mercado, hoje, ilegal. E principalmente eduque as pessoas para esta realidade.

Tania Faillace – O combate às drogas como vem sendo feito na América Latina é teatro em benefício das mídias e seus leitores.

Roberto Oliveira – Tá. E o que você sugere? Mais porrada e repressão? A manutenção desta relação paternal do Estado?

Tania Faillace – É por isso que não rende. Porque, atrás dos policiais que arriscam suas vidas nos enfrentamentos, há cúpulas da segurança e das agências que renegociam as drogas apreendidas. Isso acontece no Brasil e no mundo. Assim como as armas apreendidas voltam às quadrilhas direta ou indiretamente.

Roberto Oliveira – Não tenho dúvida disto. E tem mais, tráfico internacional de drogas não é as “mulas” que carregam gramas de cocaína introduzidas em seus corpos em vôos internacionais. Tráfico Internacional de drogas é container abarrotado de cocaína descendo de navio ao meio dia no porto de São Francisco ou Amsterdan. Ou ainda, aviões militares norte-americanos e da Nato abarrotados de heroína pousando em alguma base militar européia. Não se abastece um mercado como o europeu e o norte-americano no conta-gotas.

Tania Faillace – Preste atenção no que está lendo, não pule às conclusões pois acaba entendendo o contrário do que foi dito. As drogas são instrumentos importantíssimos no domínio do mundo que conhecemos.

Roberto Oliveira – Acho que você quem não presta atenção no que lhe enviado. Se ao menos tivesse visto os vídeos que enviei, certamente não choveria neste molhado novamente. Você não precisa concordar comigo, mas ao menos compreender meu ponto de vista ao invés de me cobrir com seus preconceitos.

Tania Faillace – Estamos há muito tempo em cima do assunto. E sabemos que as consignas de liberdade para as drogas, que passa como consigna de libertarismo, de liberdade individual, na verdade fazem parte da propaganda do tráfico.

Roberto Oliveira – Faz parte da propaganda de modo geral. De cosméticos à automóveis. Nada de novo.

Tania Faillace – Assim como as consignas para o aborto livre visam garantir a matéria prima que necessitam os laboratórios farmacêuticos que produzem cosméticos contra o envelhecimento. Fetos e anexos fornecem as células jovens e embrionárias que a moderna cosmetologia utiliza. Os donos do mundo pretendem descobrir o gene da morte para destruí-lo e se tornarem eternos – pelo menos é essa promessa que lhes fazem os “cientistas” que os parasitam, a obrar em causa própria em instituições riquíssimas.

Roberto Oliveira – Arram… e por conta disto, vamos deixar milhares de mulheres pobres e desesperadas correrem risco de vida? O aborto tem que ser visto como uma questão de saúde pública. Moralismo mata.

Tania Faillace – Ao mesmo tempo, banaliza-se assim a maternidade, porque outro ponto crucial nesse processo de desumanização das culturas humanas é a destruição do núcleo e da colaboração familiar, onde se assenta a colaboração comunitária – remanescente da velha solidariedade tribal, que as sociedades modernas liquidaram.

Roberto Oliveira – Mais ou menos. Compreendo seu ponto de vista e concordo parcialmente. Acontece que já não estamos em uma sociedade tribal. A sociedade é outra (pro bem e pro mal) e embora alguns tenham saudade do “bom selvagem” a sociedade tem outros apelos que julgo legítimos. Ora, o próprio conceito de família tem se modificado e um núcleo familiar não necessariamente tem que ser constituído por um homem e uma mulher. Sou filho de pais divorciados e vejo que ambos tem uma relação muito saudável entre eles e com seus filhos. E conheço casais gays muito felizes e que cuidam muito bem de seus filhos de relacionamentos anteriores. Ora, porque estas pessoas não poderiam adotar crianças? Ademais, existem sociedades tribais onde rolam verdadeiros bacanais e a homossexualidade não é vista como tabu. Inclusive isto ocorre em etnias nativas brasileiras.

Outro dia, conversando com minha avó, uma senhora de 75 anos que veio do campo (interior de SP), ela me disse que uma coisa muito comum era a mulher morrer no parto ou das consequências do parto. Ela mesmo perdeu sua mãe aos 8 anos desta maneira. A mãe dela teve 7 filhos dos quais apenas 3 chegaram a idade adulta. Obviamente, a vida “comunitária” no campo tem suas dificuldades. Negar à mulher métodos anticoncepcionais ou a possibilidade de interromper uma gravidez indesejada, para mim é um crime.

Tania Faillace – Do mesmo modo, o casamento gay não tem outro objetivo que não seja esse: desmontar o núcleo natural das populações humanas, e impedir a reprodução natural.

Roberto Oliveira – Desculpe. Não concordo. Na minha opinião, existe sim risco sério nos atuais desenvolvimentos genéticos que se não forem vistos com atenção, podemos ter problemas terríveis. Mas, atribuir ao “casamento gay” o objetivo de “desmontar o núcleo natural das populações humanas, e impedir a reprodução natural” é um absurdo que como já te disse me lembra posições de Bolsonaro et “caserna”.

Tania Faillace – Se todos forem homossexuais (a heterossexualidade começa a ser perseguida – veja aquele cidadão processado por ter relações com sua própria esposa, que estava numa clínica), não nascerão mais crianças ao natural – terão que ser produzidas artificialmente, ao gosto do patronato.

Roberto Oliveira – Com o microfone: Bolsonaro. Nestas horas, lembro da frase “os extremos se encontram”.

Tania Faillace – Tudo isso está antecipado, como ficção, em The Brave New World, de Aldous Huxley, que pertencia a uma família de cientistas, onde a discussão de tais temas devia ser comum. Apenas na época ainda não existia a biotecnologia que tornaria tudo isso possível. E hoje ela já existe.

Roberto Oliveira – Já estamos no The Brave New World.

Tania Faillace – Não há homofobia no Brasil.

Roberto Oliveira – Não?

Jovem filho de casal gay é espancado até morrer em São Paulo

“Está escrito bem legível que foi agressão. Agora esperamos o laudo do Instituto Médico Legal para deixar mais claro. Bateram muito nele e causaram perfuração no pulmão, além de furarem uma veia da cabeça. Foi muito feio. Há colegas que disseram que ele foi agredido em um dos corredores da escola”.

Tania Faillace – Alguns de nossos homens mais importantes em política e economia são homossexuais ou bissexuais, e absolutamente não são discriminados, nem têm suas carreiras interrompidas por isso. Muito pelo contrário, porque são grupos sociais muito corporativos.

Roberto Oliveira – Sim, isto explica o sucesso do tratamento da AIDS/SIDA no país. Era “doença de rico”.

Tania Faillace – E a homossexualidade é fundamental também para impedir a integração do binômio masculino/feminino na sociedade humana – e cortar de vez com o sexismo. Homens têm medo de mulheres, e mulheres têm medo de homens – coisa que o genial Freud intuiu, mas as pessoas ainda se resistem a reconhecer.

Roberto Oliveira – Eu não tenho medo, não.

Tania Faillace – Há repressão quanto à prostituição, por conta dos escândalos públicos promovidos por pessoas cuja maior paixão é o exibicionismo (e portanto necessitariam de atenção terapêutica). Temos também que considerar que os prostitutos de sexo masculino são violentos e agressivos contra as prostitutas de sexo feminino para expulsá-las do meio e controlar monopolicamente o mercado do sexo.

Quem já trabalhou em reportagem policial conhece muitíssimo bem como essas coisas acontecem. E que fazem parte da corrupção inerente ao sistema capitalista como um todo.

Roberto Oliveira – Certamente. Mas neste ponto Zizek tem uma questão para nós:

Tania Faillace – Um sistema que não tem saída, pulando de uma crise estrutural a outra, e que para obter uma sobrevida, precisa do controle totalitário do Ecúmeno. E da redução da humanidade, para reduzir proporcionalmente o mercado, recomeçando em outros patamares, e já com o controle da reprodução humana pela manipulação genética.

Isso já é tecnologicamente possível. Mas exige a unipolaridade.

Os trabalhadores autênticos e suas famílias não apreciam exotismos culturais, são ainda humanos, o que não acontece com essas mentes dominantes da classe média e seus filhos, deterioradas pelos vícios e as impunidades.

Roberto Oliveira – Homossexualidade é “exotismo cultural”? Cuidado, Hitler não poderia dizer algo melhor.

Enfim, Tania… Você toma uma cervejinha de vez enquanto? Faz “uso recreativo” de vinho? No sul do Brasil é muito comum a prática de ingestão desta substância fermentada que embora lícita promove alterações de humor e consciência. Talvez a tolerância ao vinho se dê na medida em que Jesus era um apreciador da substância, inclusive Ele a multiplicava juntamente com o pão. E o pão daquela época provavelmente tinha propriedades alucinógenas (estude a origem do LSD e o pão “mágico”). Mas, não me surpreendo… Para falar de amor, de dar a outra face em superação da política de “olho por olho”, Jesus (o Histórico) certamente “saiu da caixinha” algumas vezes… Há quem diga que quando ele sumiu das narrativas bíblicas, na sua juventude, ele na realidade estava passeando com a turma do Haxixe. Enfim, só algumas considerações sobre o quanto ancestral é nossa relação com tais substâncias. Agora, essa política de repressão absurda e desumana é o dado novo… Veja:

67,7% dos presos por tráfico de maconha tinham menos de 100 gramas da droga

“Os amigos resolveram dar uma volta de moto, “sentir o vento no rosto”. Subitamente, uma viatura da Rota, grupo de elite da Polícia Militar, cruzou o caminho dos jovens – parte da média de 1,5 milhão de brasileiros que diariamente consomem a droga. Os militares encontraram um tablete de 23 gramas da erva com a dupla e, em poucas horas, os estudantes viram suas tranquilas vidas se transformarem em um inferno de quase meio ano por acusação de tráfico de drogas e associação ao tráfico.”

Desculpe, mas não posso crer que concorde com estes absurdos.

Jornalismo da TV Globo desaba no Nepal

Via Portal Vermelho

O jornalismo da TV Globo, representado em primeiro lugar pelo seu maior símbolo, o Jornal Nacional, protagonizou nesta segunda-feira (27) um contundente exemplo de tudo o que não se deve fazer em uma cobertura jornalística.

Katmandu, capital do Nepal, está em ruínas. Desde o terremoto do último sábado (25), que foi seguido por uma série de cem réplicas sísmicas, mais de 4 mil pessoas morreram e ainda não se calculou de forma confiável o número de feridos e desabrigados. A TV Globo, por coincidência, estava com oito profissionais (repórteres, editores, cinegrafista, produtores executivos) do programa Planeta Extremo, no centro da tragédia. Nesta segunda-feira (27), foi anunciada a entrada ao vivo no Jornal Nacional desta equipe, direto de Katmandu. Sem sair do pátio do hotel em que estavam hospedados, sem uma imagem externa, sem nenhum nepalês entrevistado, os repórteres Carol Barcellos e Clayton Conservani se auto entrevistaram e foram entrevistados durante alguns minutos por William Bonner e Renata Vasconcellos.

Tudo, menos jornalismo

Vale a pena assistir a esta aula de como não se deve fazer jornalismo. Bonner adota um tom paternalista ao se dirigir à dupla: “A gente sabe o que vocês estão passando”. Bonner também destaca que no dia anterior notou a “voz abalada do Clayton” que, prevenido, comprou 100 garrafas de água, apesar de no hotel em que está hospedada a equipe a água não ter faltado pois o repórter relata que, mesmo com o temor de novos abalos, tinha subido ao quarto naquela noite para dormir e tomar banho. Renata Vasconcelos faz uma pergunta absolutamente imprescindível: “Como vocês estão lidando com o medo de novos tremores”? Não estamos cobrando aqui um ilusório distanciamento do jornalista em relação aos fatos. O jornalista não deixa de direta ou indiretamente, afetar e ser afetado pelos fatos. O problema é quando o fato é relegado a um segundo plano e o jornalista assume a cena principal. Aí é álbum de família. É registro de excursão de amigos. Pode ser tudo, menos jornalismo.

Exemplo oposto

Nossa crítica, é bom ressaltar, não é direcionada diretamente à equipe – que, no entanto, não está totalmente isenta dela – mas principalmente à linha editorial do jornalismo da família Marinho, cada vez mais autorreferente e baluartista. Vamos a um exemplo oposto. Vejam esta famosa foto ao lado. Retrata, como se sabe, crianças vietnamitas fugindo em 1972 de um ataque de Napalm das tropas americanas durante a Guerra do Vietnã. Ao centro, a garota Kim Phuc corre nua, pois suas roupas pegaram fogo. Ela foi salva pelo autor da foto, Nick Ut que, segundo testemunhou anos depois a sobrevivente, a levou junto com outras crianças para um hospital e “assim que ele nos deixou lá, foi para uma sala escura revelar as fotos”. Neste caso o repórter registrou o fato, não adotou uma postura de distanciamento desumano e cumpriu seu dever profissional sem assumir a cena principal. Deixo ao leitor a tarefa de imaginar o que faria uma equipe da Globo nas mesmas circunstâncias.

O infame Beto Richa, governador do Paraná

Por Luis Nassif | Via Jornal GGN

O governador Beto Richa (PSDB), do Paraná, é o retrato doloroso do que se transformou o principal partido de oposição no país.

O partido fundado por Franco Montoro, Mário Covas, que abrigou a generosidade de Sérgio Motta, a sensibilidade social de Bresser-Pereira, e até a temperança de um José Richa, a esperança de uma socialdemocracia moderna, tornou-se um valhacouto do que pior e mais rancoroso a política brasileira exibiu nos últimos anos.

A usina de ideias e propostas que parecia brotar do partido no inicio dos anos 90 foi substituída por uma cloaca interminável, um lacerdismo sem talento, um samba de uma nota só desafinado.

***

Derrotado em Minas Gerais, restaram ao partido dois estados para mostrar, até 2018, um mínimo de políticas inovadoras: São Paulo e Paraná.

De São Paulo não se espere nenhuma pró-atividade. Por aqui, definham institutos de pesquisa, aparelho cultural, universidades e, especialmente, as ideias.

Hoje haverá audiência pública para a extinção da Fundap (Fundação de Desenvolvimento Administrativo) e da Cepam (Centro de Estudos e Pesquisas da Administração Municipal).

Hoje em dia, há uma disputa ferrenha para definir o governo mais inerte: se o de Dilma ou de Alckmin.

***

Mas nada se equipara ao desastre completo que se observa no Paraná.

O massacre que a Polícia Militar impôs, ontem, aos professores que manifestavam contra o governo entrará para a história política contemporânea como o dia da infâmia.

200 pessoas feridas, 15 em estado grave, uma covardia sem fim, cujo único gesto nobre foi o de 17 policiais que se recusaram a atacar os manifestantes – e foram punidos por isso.

***

É apenas o desfecho de uma gestão desastrosa, que quebrou o estado. Mas reflete um estado de espírito que se apossou do partido, quando substituiu os intelectuais por pitbulls de baixíssimo nível.

***

Nos últimos anos, a reboque da mídia, a única bandeira que o partido cultivou foi o antipetismo – como se fosse possível se tornar alternativa de poder sendo apenas anti.

Hoje em dia definha o PT e definha o governo Dilma, o país está rachado ao meio, há um ódio permanente no ar. A política econômica procede a aumentos sucessivos da taxa Selic, com a atividade econômica agonizante. E o governo patina sem um projeto de país para oferecer.

Seria o momento de se apresentarem os mediadores, os que conseguissem ser a síntese das políticas sociais do PT com a visão de mercado do velho PSDB desenvolvimentista.

***

Mas a miopia reiterada dos seus gurus, a falta de visão estratégica, o personalismo absurdo de uma geração geriátrica que se aboletou no poder, impediu a renovação do PSDB e permitiu que o infame Beto Richa se tornasse a cara do partido.

***

O que Richa fez foi apenas externar, com atos, a virulência desmedida da cara do partido, os Aloysios Nunes, Aécios Neves, Carlos Sampaios, Josés Serras.

Não foi à toa que, nas últimas eleições, a parcela mais moderna do empresariado paulista saltou fora do bonde do PSDB e tentou fazer alçar voo a candidatura de Marina Silva.

O espaço político está vago para aventureiros políticos, porque a geração das diretas acabou.

Após 200 feridos, Assembleia aprova por 31 votos a 20 confisco da poupança previdenciária dos servidores

Via Blog do Esmael

O Centro Cívico de Curitiba, no Paraná, foi transformado nesta quarta (29) em praça de guerra pelo governador tucano.

Tudo foi meticulosamente planejado e — pior — anunciado antecipadamente.

De acordo com dados da Prefeitura de Curitiba, que foi transformada em hospital de primeiros socorros, mais de 200 professores ficaram gravemente feridos devido aos ataques de bombas, cães, tiros, etc.

O governador quer confiscar R$ 150 milhões mensais do fundo de previdência dos servidores públicos, que poderão ficar sem aposentadorias e pensões num futuro próximo. Ao ano, Richa quer meter a mão em R$ 2 bilhões da Paranáprevidência.

“Helicópteros disparavam a esmo bombas contra o povo”, testemunhou horrorizada a senadora Gleisi Hoffmann (PT), em missão oficial do Senado, ao atravessar a Praça Nossa Senhora Salete.

Em discurso em frente à Assembleia Legislativa, o senador Roberto Requião (PMDB) disse que pedirá intervenção federal no Paraná. Segundo o peemedebista, o governador ficou doido ao utilizar a força policial contra o povo.

Vanderlei Numnes, cinegrafista da TV 15 e do Blog do Esmael, foi alvo de um disparo de bomba de helicóptero. A transmissão ao vivo do confronto foi interrompida devido ao ferimento do profissional, que foi atacado covardemente pelo ar. O equipamento foi completamente destruído.

Um CMEI (Centro Municipal de Educação Infantil) da Prefeitura de Curitiba, que fica no Centro Cívico, teve que ser evacuado porque as crianças estavam sendo afetadas pela fumaça do gás lacrimogêneo lançado contra manifestantes.

As cenas da covardia de Beto Richa circularam pelas principais agências de notícias do mundo.

Afinal, Richa tem condições de governar o Paraná?