Leandro Aguiar
Espirituoso, simpático, engraçado e inteligente. O extremo oposto do seu antecessor.
Por onde passa, ele é notícia. Agrada vascaínos e rubro-negros. A mídia brasileira o adora. Esse é Barack Obama, o homem que foi eleito como um messias para assumir a presidência dos EUA, quando o país passa por um de seus mais delicados momentos. E que, até agora, não tem se dado muito bem, em parte pela grandiosidade de seu desafio, mas em grande medida, também, pela resistência que os Republicanos tem lhe imposto.
Pois esse homem, talvez não seja exagero chamá-lo de O Mais Importante Do Mundo, esteve no Brasil no fim de semana do dia 18 de março, e sua visita gerou toda sorte de comportamentos: desde cartolas do futebol que queriam presenteá-lo com camisas, até movimentos sociais que protestaram contra o comício do Primeiro Presidente Negro na Cinelândia, RJ, que, no final das contas, acabou não acontecendo, graças à pressão social.
O Desenvolvimentistas reproduziu uma série de artigos de outros sites (JB, CC, VOM, CM), que compactuam com a nossa visão sobre as reais intenções da viagem diplomática de Obama ao Brasil. Mais do que celebrar a união entre os dois países, acreditamos que o presidente norte-americano veio até aqui para resguardar os interesse de seu país, que, na maior parte das vezes, são exatamente o contrário dos interesses do Nosso.
A seguir, algumas considerações dos Desenvolvimentistas sobre a visita de Obama e a relação Brasil-EUA:
“Precisamos ser realistas. Os EUA ainda são a primeira potência econômica do planeta e detêm a moeda de reserva e circulação internacional. Nas Américas, o Brasil é a segunda economia em termos de PIB.
Precisamos negociar com eles e traçar projetos de interesses e benefícios comuns. Talvez alguns achem essa forma de pensar ingênua, mas considero realismo político puro. Muitos dos empregos, não todos, que foram deslocados nas últimas décadas para o Leste asiático poderiam ter ficado nas Américas. Elas ainda podem ser trazidos, em alguma medida, para as Américas.”
“O presidente Barack Obama declarou em 2010 numa visita a Detroit que os norte-americanos deveriam voltar a andar em veículos produzidos por eles mesmos. Bom, ao menos ele sinaliza que pode utilizar o arsenal de instrumentos de política comercial e industrial que tornaram os EUA um dos campeões mundiais do protecionismo.”
“No relatório ao presidente Obama da comissão que investigou o acidente da BP no Golfo do México há uma menção ao “Triângulo de Ouro”, ou seja, costa brasileira, oeste da África e o Golfo do México. Essas são as regiões das reservas do ouro negro do futuro.
Obama não veio passear no Brasil. Podemos aproveitar essa vinda dele para colocarmos na mesa algumas questões que nos são caras – desenvolvimento nacional.”
Rodrigo Medeiros, professor adjunto da UFES e sócio da Associação Keynesiana Brasileira (AKB)
“Os Estados Unidos nunca irão concordar com negociação em condições simétricas. O importante é comunicar para o povo que estamos abertos à negociação e, se ela não acontecer, não fomos nós que a vetamos. A mídia do capital trabalha muito vendendo a imagem que nós (que queremos beneficiar a sociedade brasileira) somos radicais, “queremos virar a mesa”.”
Paulo Metri
“Fique bem claro que o repúdio não é à visita do presidente norte-americano. Mas ao comício (na Cinelândia). Precedente de alto risco. Se Obama pode fazer comício, o presidente da China também pode. E até Fidel e Chavez.”
Ceci Juruá, economista
“Eu acho que esta (visita) é uma excelente oportunidade para o Brasil resgatar a sua soberania. Sabemos que o Obama veio ao nosso País tendo como objetivo principal o petróleo do pré-sal, pois os EUA estão numa situação dramática quanto ao petróleo e o Oriente Médio está em ebulição. A invasão do Iraque não funcionou. O Iran não se submete. A Arábia Saudita pode ser a próxima peça do dominó. Portanto, acho a hora muito oportuna para o Brasil cobrar dos EUA um tratamento à altura da sua importância estratégica como celeiro de matérias primas daquele País. É a grande chance de cobrar mais caro pela viabilização da sobrevivência deles como País. Assim, para começar, o Brasil tem que exigir que a relação bilateral seja boa para os dois lados, inclusive para toda a América Latina. É hora de acabar com a assimetria de direitos nas relações”
Fernando Siqueira, presidente da AEPET, Associação dos engenheiros da Petrobrás

