Por Rômulo Neves
Assim que Marina Silva foi confirmada como candidata da coligação Unidos pelo Brasil à Presidência da República, no lugar de Eduardo Campos, começaram os ataques dos apoiadores do Governo. Como se, de uma hora para outra, Marina representasse todo o mal existente na arena política. O movimento, obviamente, tem uma conotação eleitoral, já que, por obra do acaso, a candidata à reeleição, que estava confortável nas pesquisas, passou a correr sério risco de perder a disputa.
O debate, porém, tem de ser retomado em outros termos, menos carregados de tinta e com mais clareza e franqueza. Nesse sentido, vale a pena recuperar os termos dos ataques, para verificar se é possível estabelecer algum diálogo, ou se trata-se apenas de diálogo de surdos.
1 – O PSB seria um partido oportunista, que teria traído um projeto de esquerda. Isso não se sustenta, já que não há, atualmente, no Brasil, um projeto puramente de esquerda sendo implementado. Mas não precisamos acusar o Governo de ser neoliberal para oferecer uma leitura alternativa. Basta-nos compreender que há limitações de ordens variadas, para a implementação de políticas progressistas. E essas limitações valem para o PT, para o PSB, para o PSOL, ou para qualquer agente que queira promover mudanças que contrariem interesses estabelecidos de agentes poderosos. Nem é preciso usar os mesmos argumentos dos críticos, apontado as alianças do PT para exercer o Governo, porque todos aqueles que compreendem o sistema politico brasileiro sabem que, até este momento, e provavelmente no futuro próximo, foi muito difícil governor sem o apoio de parcela das forças políticas do centro e, eventualmente, do centro-direita. Ideologicamente, diria que mais de dois terços da sociedade brasileira se distribui do centro da centro-esquerda, ao centro da centro-direita, sendo impensável, felizmente, qualquer alteração política profunda para for a desse parâmetro. Desse modo, compreendemos os movimentos de composição do PT, mas parece que os apoiadores do Governo não compreendem o mesmo movimento do PSB. E, exatamente por essa complexidade, é preciso ter muito mais habilidade política do que apresenta o atual Governo. Quando o PT publicou a Carta ao Povo Brasileiro, quando convidou o banqueiro Henrique Meirelles para ser Presidente do BC, quando convidou o empresário José de Alencar para ser Vice-presidente, não significou que o PT tenha “entregado o Brasil para o Império”. Significou apenas que quem exercia a liderança do partido naquele momento compreendeu e trabalhou com as próprias brechas do sistema colocado para realizar pequenos avanços. A atual presidente não tem condições de fazer isso, porque não tem habilidade política para tanto. Quem trabalha ou trabalhou com ela sabe. Outro elemento comumente apontado é o de que Marina estaria mais à direita de Dilma e que seria queridinha do mercado financeiro e de potências imperiais, o que significaria, consequentemente, que seu Governo seria, necessariamente, um Governo “entreguista”. Quem conhece política deveria saber que i) Marina tem um histórico tão combative quanto o de Dilma e que ii) conseguir o apoio de elementos do establishment é necessário para levar mudanças, ainda que pequenas, à frente. Lula foi queridinho de Bush e de grandes investidores e empresários. Isso não é defeito. Pelo contrário, é uma vantagem política. Se considerarmos o PSB a própria direita, teremos de considerar também como a própria direita o Governo do PT – a avaliação tem de ser a partir das ações e não do discurso. Veja que o Governo de Dilma é diferente da militância histórica do PT, de suas bases históricas, de seus segmentos organizados. As decisões do Governo de Dilma não são geradas a partir dessas bases partidárias. Então, não é válido apelar para essa estrutura, que, hoje, é quase uma alegoria legitimadora, para defender o atual Governo.
2 – Sabemos bem que a crítica pura da gestão não é suficiente para condenar um Governo. Mas a capacidade de comunicação e a habilidade política podem ser cruciais em alguns casos, especialmente quando as decisões e os debates são complexos e apertados, quando estão em jogo reformas profundas e o estabelecimento de instituições – como é o caso das decisões políticas atualmente no Brasil. Não estamos na Suíça, onde as decisões atuais são meramente operacionais. Nesse ambiente complexo, que é o brasileiro, é necessário muita habilidade, poder de atração e capacidade de diálogo. Lula tinha tudo isso. Dilma não tem, comprovadamente. Não sabemos se Marina estaria no mesmo nível de Lula – dificilmete -, mas é improvável que ela seja pior do que Dilma nesse quesito. O Governo foi péssimo na comunicação, na articulação, no diálogo, no estabelecimento de pontes, na delegação de tarefas, portanto na gestão, aspecto tão valorizado por Dilma. Mesmo que possamos identificar posicionamentos positivos, a implementação foi atabalhoada ou incompleta, por incapacidade de diálogo, por centralização demasiada, por descompasso entre o que se fala e o que se faz e se escreve. Isso gerou uma quantidade imensa de ministros fantoches, cujo maior mérito é o cargo em si, já que não há nem diálogo com o Planalto, nem direcionamento sobre a política a ser adotada. Nas relações com o Congresso isso se traduz em disputas ríspidas, com vitórias de pirro e, posteriormente, necessidade de cessões tão ou mais profundas do que seria necessário caso fosse adotada, desde o início, a estratégia do diálogo e da composição. Mas Dilma não tem essa capacidade. Ela não tem esse perfil, infelizmente. Nesse sentido, a falta de capacidade de gestão, que seria um problema secundário em uma máquina já azeitada, é potencializado, porque as engrenagens ainda estão passando por ajustes. O Estado brasileiro ainda está em formação. Marina agrega, atrai, respeita, ouve. Isso não é garantia de um bom governo, mas, sem dúvida, é condição para tal. Essa situação não existe atualmente.
3 – Os militantes do PSB que optaram por abraçar a candidatura de Marina Silva não teriam nenhuma consciência da realidade nacional. Ou seja, esses militantes seriam vendidos ou idiotas. Fora a ofensa pessoal, tal argumento é o típico argumento que gerou, ao longo dos ultimo vinte anos, a polarização política que ora tentamos romper. Enquanto o PT se arvorava como o detentor exclusivo da pureza e da honestidade, o PSDB se arvorava o guardião da inteligência. Novamente, não será necessário responder no mesmo tom, bastando explicar que, assim como aqueles que optaram or Dilma, trata-se de uma opção a partir de uma avaliação sobre o “menos pior”, tanto porque não existe uma situação ou candidato ideal, como existe, dentro da coligação diferenças e disputas de posição ainda em aberto e que não serão definidas mesmo depois das eleições, sendo objeto de debate franco. Não importa que a minha posição hoje seja minoritária, porque ainda há espaço para o diálogo interno. Diria que, hoje, a conjuntura oferece a possibilidade de até termos mais espaço do que há um mês. Nos casos específicos do discurso excessivamente focado na inflação, que chega ao ponto de citar uma eventual autonomia do Banco Central, quero lembrar que a posição inicial da Marina era contrária a esse debate. Mesmo o assessor econômico mais próximo da Marina admite que esse debate não está maduro. De todo modo, reconhecer que isso seria uma diminuição da capacidade responsiva do Governo, especialmente em momentos de crise econômica – cíclicas no sistema produtivo que estamos inseridos – não me impede de apoiar criticamente a alternativa eleitoral que se apresenta, basicamente por dois motivos: i) pesando os prós e os contras, o balanço é positivo; e ii) há esperança de que esse debate seja retomado posteriormente, com o apoio de forças que venham a se somar no Governo. Os apoiadores de Dilma e críticos do PSB podem ter certeza de que Luíza Erundina, Roberto Amaral e tantos outros militantes do PSB têm o mesmo nível de consciência da realidade nacional do que eles. Apenas fazem uma avaliação diferente do que venha a ser o “menos pior”, de qual situação oferece mais chances para o diálogo, para o debate, para levar grandes discussões à frente. Superar a dicotomia burra em que se enfiou o Brasil nos últimos anos significa também superar essas simplificações e maniqueísmos do tipo: “se não pensa igual a mim, é um idiota”.
4 – Nesse sentido, a crítica de que o PSB estaria gerando grandes expectativas na classe trabalhadora e, ao final das contas, iria decepcioná-las é vazia. Quando combinamos essa avaliação com aquela de que o PSB já adotou um discurso completamente de direira, vemos que, a partir de uma análise lógica, ambas se anulam. Ou bem o PSB estaria enganando a classe trabalhadora, ou bem já estaria vendido e assumindo o discurso da direita. É logicamente impossível fazer as duas coisas ao mesmo tempo. Mas não se trata nem de uma coisa, nem de outra. O PSB está escancarando as complexidades do processo decisório. Aqueles militantes que abraçaram a candidatura de Marina Silva acreditam que é possível produzir um diálogo a partir de posicionamentos iniciais diferentes, a partir de um debate franco, mesmo que seja complexo. O que não é possível é achar que essas complexidades estão resolvidas dentro do Governo. Pois os críticos da coligação Unidos pelo Brasil fazem supor que sim, que dentro do Governo essas desavenças e dificuldades não existem. As remessas recordes de lucros, a continuidade da dilapidação do patrimônio da Nação pelo pagamento do serviço da dívida engordado diuturnamente pelos altos juros, por novos empréstimos, pela emissão de swaps cambiais para segurar o dólar (para segurar a inflação até a realização das eleições), que contribuem para a diminuição da competitividade da indústria nacional – tudo isso o Governo pode fazer. Nesse caso, seriam apenas lapsos, plenamente perdoáveis. Mas, o que defendo neste texto é que não é necessário fingir que existe polarização. Infelizmente não existe, estamos optando por uma alternativa que, cremos, conseguirá um avanço ligeiramente maior do que o atual, que conseguirá, a partir da retomada do diálogo, uma unidade nacional um pouco mais ampla. Os críticos do PSB defendem o atual Governo como se este caminhasse na direção de grandes reformas. Sabemos que, no máximo, limita-se a gerenciar o possível. Sabemos que se trata de um objetivo limitado – ainda que legítimo. Mas mesmo sendo um objetivo limitado, é mal feito. Ainda no quesito lógica, é engraçado ver que as críticas se perdem em seu próprio novelo. Dou dois exemplos: em um momento, os planos de governo não tem valor algum, são meras peças decorativas e não devem ser levadas em consideração, em outro, a alternativa Marina Silva é achincalhada a partir de indicativos de seu plano de governo, ou, nesse caso, da coordenadora-adjunta do plano de governo. O plano de governo, a equipe que o produz, os debates em torno dele valem ou não valem? Precisamos definer isso, para verificar se a crítica é válida. Outro paradoxo lógico é aquele que aponta que o BC já é um instrumento dos mercados, a serviço dos grandes bancos. Nesse caso, dar autonomia jurídica ao BC não muda nada, então qual seria o ganho em gastar energia salvando uma instituição que já é mero lacaio dos barões globais das finanças? A questão é que não é assim. O BC é um instrumento importante para a atuação governamental, já que, para defender a estabilidade da economia e seu crescimeno, é preciso ter controle da política monetária em combinação com as outras políticas econômicas fundamentais. Claro que os críticos sabem disso, mas, na hora da crítica, vale tudo. No meu entendimento, a credibilidade dos críticos começa a morrer aí.
5 – Segundo alguns, o governo Marina significará perdas sociais, porque todas as decisões serão tomadas em detrimento dos trabalhadores. Aqui, precisamos ser bem honestos: qualquer que seja o Governo eleito, haverá, em 2015, uma turbulência que afetará os trabalhadores. Não existe mágica. A ver: i) o câmbio está valorizado, o que prejudica as exportações, a competitividade e, consequentemente, o saldo da balança; ii) os preços administrados estão represados, para segurar a inflação; iii) a política de crescimento via aumento do consumo interno está muito perto de atingir seu limite; iv) segue em curso um processo de desindustrialização; v) a inflação já está no teto da meta, mesmo com uma taxa de juros relativamente alta. Esses elementos geram uma situação que exigirá, de qualquer Governo, uma reordenação dos fatores a curto prazo. Os recursos do pré-sal ainda não estarão disponíveis nesse momento para salvar o Governo, seja ele qual for. Então, não é apenas o André Lara Resende ou o Eduardo Gianetti da Fonseca que promoverão alterações no quadro atual que afetarão os trabalhadores. Poderia ser o Papa, para usar uma expressão popular – que haverá turbulências. Mas, segundo os críticos do PSB, o Governo faria mágica e conseguiria – sem os recursos adicionais do pré-sal, de uma só vez, i) manter o atual nível de empregos; ii) baixar a inflação; iii) aumentar o investimento; iv) frear o processo de desindustrialização; v) aumentar a competitividade, provavelmente por meio de vi) desvalorização cambial; vii) manter o atual nível dos preços administrados; viii) diminuir o estoque da dívida; ix) aumentar os investimetos sociais; e x) aumentar o salário mínimo acima da inflação. Isso não existe. Mas é mais fácil apontar o dedo para mostrar que o outro terá problemas, do que dizer como resolverá os seus, em caso de eventual reeleição. A formula atual, cujo único mérito é a manutenção do nível do emprego, não se sustenta e, mesmo assim, ela não é boa, já que o crescimento foi baixo, a balança comercial está deficitária, o investimento está baixo, os juros estão altos, a inflação – sem nenhuma supervalorização desse quesito – no teto da meta, mesmo com os preços represados; e o endividamento não está diminuendo como nos mandatos anteriores. Nem mesmo quando consideramos o emprego como prioridade única (ainda que eu concorde que tenha de ser a prioridade número 1 – sem escamotear que a manutenção do nível de emprego depende, no médio e longo prazo, de incremento da inovação, desenvolvimento de tecnologia, aumento dos mercados e aumento da produtividade), é possível afirmar que o modelo atual consegue cumprir seu objetivo já em 2015, já que as estatísticas de criação de novos empregos já estão caindo. Em suma, é ofensivo à inteligência dos debatedores, fazer supor que o Governo tem uma formula mágica. Não tem. Deveríamos estar discutindo, caso a crítica fosse no sentido de encontrar soluções para o país, quais seriam as medidas prioritárias a serem adotadas pelo Governo, pelo menos para manter positivos os resultados de suas prioridades anunciadas (vale mencionar que elas não são anunciadas claramente, porque o Governo é opaco e centralizador). Aqui uma rápida provocação: os militantes do PSB e dos partidos da coligação desta lista são, de certa forma, ridicularizados por não fazerem parte do “core” decisório do partido. Pois bem, tampouco os críticos, com vasta experiência e renome, participantes deste debate, o são no atual Governo. Dito isso, aponto a contradição da crítica: do PSB é cobrado uma receita bastante clara e milagrosa, já o Governo, novamente, é perdoado, porque se trata apenas de um lapso, de um problema menor, de um detalhe, o fato de não haver uma indicação clara de como as contradições apontadas acima seriam resolvidas.
6 – Não vale a pena entrar no mérito, mas vale a pena registrar o desconforto com as insinuações de que a morte do Eduardo teria sido encomendada pela Marina. Sempre em tom despretencioso, na terceira pessoa. Trata-se de irresponsabilidade idêntica a de insinuar que a morte do ex-Governador de Pernambuco teria sido obra do Governo. É repugnante. Desconforto menor, mas sempre presente, são as insinuações de que todos os que acreditam na opção de um Governo da Marina são lacaios do Império. Como se as conquistas de Lula no cenário internacional, por exemplo, não tivessem sido precedidas de longo trabalho – décadas, desde os tempos de sua atuação com líder sindical – de sedução de lideranças internacionais estabelecidas. Nesse caso, sou eu quem digo: ou se trata de desconhecimento ou má-fé, ou melhor, nesse caso, pouco comprometimento com um debate correto. Preferem dizer que se trata de forças políticas a serviço da elite empresarial e financeira, sem compromisso com a Nação. Na verdade, Marina seria funcionária de Soros. É como se disséssemos que Lula era capacho do Bank of Boston e marionete do George Bush.
7 – Por fim, é interessante notar que os críticos do PSB enxergam em tudo e em todos meros vendidos ao sistema internacional. François Hollande seria, por essa leitura, um peão das outras grandes potências. Todos os empresários, seja nos países desenvolvidos ou nos países em desenvolvimento, enxergariam em seus Governos uma barreira para sua atuação dos mercados. Aqui, atrevo-me a dizer que se trata de um pouco de desconhecimento mesmo. As potências, não apenas EUA, mas França, Alemanha e China, trabalham a partir de seus interesses nacionais e isso envolve a atuação conjunta de seus empresários, seus exércitos, seus diplomatas, seu governo enfim. É extremamente ingênuo achar que o mundo está dividido apenas em empresários e trabalhadores. O sentido da nacionalidade está impregnado na atuação desses países – governo e capital. Eles se articulam, obviamente, com outros elementos de identidade e vinculação social – um grande empresário francês, por exemplo, reconhece na pessoa de um grande empresário americano ou brasileiro elementos que os identificam -, mas no momento de definir suas políticas, é ao seu Governo que ele recorre. Não se pode negligenciar o valor do nacionalismo para a leitura da realidade internacional. Dividir o mundo apenas em empresários e trabalhadores, em elite e sindicatos é um erro de análise. Dividir o mundo apenas em centro e periferia, também. As duas cisões operam simultânea e concorrentemente. Isso nos leva a duas conclusões, importantes, do meu ponto de vista, para avaliar a Marina como mais promissora do que um segundo Governo Dilma: i) existem brechas no sistema internacional que têm de ser aproveitadas para a consecução dos nossos interesses nacionais. Ter trânsito no meio internacional é crucial para identificar e aproveitar essas brechas. Lula sabia identificar e aproveitar as brechas, bem como tinha trânsito. Marina também. Dilma não. Com a honrosa exceção da iniciativa do Banco dos BRICS, Dilma não tem quase nenhum significado internacional, um pouco por opção (equivocada), um pouco por falta de habilidade; e ii) é necessário resgatar algum sentimento de unidade, para que possamos construir uma base de sentimento nacional e, consequentemente, passar a compreender o fenômeno e atuar internacionalmente também com base no nacionalismo. Ele é importante para a elevação de bem-estar dos trabalhadores, porque, na divisão global dos recursos, os empresários não precisariam do nacionalismo para atingir seus resultados. É dever dos governos zelar pela elevação do bem-estar de sua população – composta majoritariamente, mas não somente, por trabalhadores – e ele, governo, precisa do apoio dos empresários nacionais para esse fim. Sem o sentimento do nacionalismo, é difícil conseguir esse apoio. Disso, resulta que, para conseguir essa elevação, o discurso classista tem de ser combinado, de maneira muito habilidosa, com o discurso do nacionalismo, da unidade nacional. É fácil perceber que isso não combina com a demonização de uma classe – especialmente a classe media, que tem ramificações na formação da opinião tanto entre classes de renda mais alta como classes de renda mais baixa. Dilma não consegue mais gerar esse sentimento, agregar essas forças e combiner esses discursos, porque sua liderança já não tem legitimidade. Desconfio, por mera observação que é uma minoria dos eleitores de Dilma que a enxergam como o símbolo de uma Nação. Marina tem a capacidade de reverter esse quadro.
8 – Minha esperança é a de que Marina ganhe; que consigamos aprofundar o debate sobre os próximos passos no campo da economia e, também, no campo de reformas estruturantes; que consigamos agregar lideranças políticas progressistas em torno do novo Governo; que possamos realizar o debate franco; que uma grande parte da população se sinta compelida a participar do debate público, liberta da dicotomia burra que ora impera, o que compensaria a falta de apoio partidário formal de um eventual Governo da Marina. Lembro que, nesse sentido, o argumento de que o PSB e a Rede não dispõe do mesmo capital eleitoral-partidário do PT perderia sua validade, caso consigamos realizar um Governo mais aberto ao diálogo – que é o plano. Esse capital eleitoral – sobre cuja amplitude tenho sérias dúvidas – seria amplamente compensado pelo capilaridade de um debate público mais aberto.