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Diálogos Desenvolvimentistas: O imperialismo, o “livre-comércio” e o PT

No diálogo que transmitimos abaixo, fruto da discussão do último artigo escrito pelo economista Flavio Lyra intitulado O fracasso da via liberal-dependente, o autor e a também economista e doutora em políticas públicas, Ceci Juruá, fazem um importante debate em que analisam os objetivos do imperialismo, a doutrina mistificadora do livre-comércio e a inserção que os governos petistas fizeram do Brasil nesse contexto de alta desregulação do capitalismo.

Confiram:

Ceci Juruá - Realmente os países considerados centrais tem objetivos de longo prazo.

1- Garantir o acesso aos recursos naturais indispensáveis ao aproveitamento econômico e ao sucesso de suas próprias políticas. A baixo custo, é claro.

2- Garantir um campo seguro para aplicação e multiplicação de seus excedentes financeiros.

Daí a defesa do livre comércio e da livre circulação de capitais, esta é a ideologia básica, fundamental, cuja hegemonia no espaço mundial depende de muitos e muitos outros fatores. Porque não se trata de uma ideologia generosa, de solidariedade universal, nem de benefício recíproco. Aparentemente, e só aparentemente, tais objetivos são realizados através da “livre” competição, não tão livre porque se dá entre atores desiguais, desiguais em matéria de capacidade de aproveitamento de oportunidades econômicas e políticas.

Mas tais objetivos de longo prazo, funcionais à formação de impérios, são permanentemente ajustados a contextos e a conjunturas diferenciados. As políticas dos States, por exemplo, variaram bastante entre as décadas 1950/1960 e 1980/1990. Nesse último período, foram propostas inovações institucionais mais adaptadas a um novo regime de acumulação – a financeirização -, ou a mundialização do capital como escreveu François Chesnais. O novo regime de acumulação, em escala planetária, passou a ditar as mudanças necessárias na periferia. Ou seja, às mudanças no centro do império deveriam corresponder mudanças na periferia. É isto que precisamos estudar, nós os brasileiros.

Nesse sentido o artigo do Fiori foi brilhante. É a primeira vez que um acadêmico do seu porte, coloca com tanta clareza os acordos firmados por FHC e sua troupe. Não estava escrito, aquele não era necessariamente nosso destino, havia outras alternativas. Á direita e à esquerda. No período 1990 a 1995 ocorreram as grandes traições, à revelia da Nação. A principal arma de guerra do império foi econômica – a dívida externa e a hiperinflação a ela vinculada. Mas também a mídia e a desmoralização de todos, entre nós, que não estivessem de acordo com os planos imperiais. E ainda, a corrupção, as ameaças, e a conspiração do silêncio em torno dos desafetos. Enquanto não conhecermos em detalhes o plano e os instrumentos, e as medidas estratégicas e táticas da época, estaremos fortemente desguarnecidos culturalmente para enfrentar os verdadeiros inimigos do desenvolvimento brasileiro. Mas não basta conhecer, é preciso divulgar e fazer um trabalho – difícil – de “deslavagem” cerebral.

Se abandonamos o economicismo, veremos que as vantagens comparativas existem. Claro que elas existem. E foram utilizadas contra nós. O resultado aí está. Não adianta muito falar em modelo e mudança de modelo, se desconhecemos o modelo nos seus detalhes. Salvo aliança divina (?) a mudança do modelo exigirá guerra/revolução (quem está apto ou disposto?) ou hábil diplomacia e unidade nacional. Cada país, cada Nação, tem o seu próprio caminho, não há fórmulas mágicas para se atingir tal objetivo.

Dizer que a única alternativa é a intervenção estatal assemelha-se quase a dizer que não há alternativa em situações onde o Estado esteja capturado, ou de mãos atadas frente a uma rede de compromissos internos e internacionais. Nas condições atuais, falar nessa única alternativa não seria uma maneira de espalhar a desesperança ?

Também não considero que os governos do PT fizeram remendos. Fizeram o que foi possível na época frente a uma sociedade desaparelhada para o enfrentamento com os reais inimigos da Pátria. Eles são humanos, pessoas iguais a nós. Em matéria de política internacional não há bola de cristal. Foram até bem corajosos, ousados, em matéria dos enfrentamentos possíveis – as relações com Cuba, Irã, Rússia, China, Mercosul e Unasul. Lamentável seria não reconhecermos isto, pousando apenas como vítimas em lugar de reconhecer, valorizar, prestigiar alguns avanços realizados. Há um ditado popular brasileiro, que aprecio muito – quem não valoriza o que tem a perder vem.

Flavio Lyra - Suas observações têm sido muito pertinentes e, no pior dos casos, merecedoras de algum tipo de escrutínio. Confesso-lhe que ando contrariado com a atuação de Dilma. Depois do esforço realizado em favor de sua eleição e da defesa de seu mandato esperava mais dela. Não em termos de solução dos problemas, mas de comunicação com a base social que a apoiou e que está perplexa com as medidas adotadas. Seu silêncio é anti-democrático e despolitizante. A meu ver, Dilma continua achando que com decisões na cúpula vai sair do atoleiro político em que se encontram ela e o país.

Quanto à falta de alternativas que menciono no texto, sinceramente não vejo outra que a mencionada, embora seja muito consciente da “abertura da História”. Gostaria muito de saber se tem alguém vislumbrando alguma outra alternativa que tenha um mínimo de viabilidade no médio prazo. Como não tenho encontrado nada a respeito, fixo-me na mencionada, já que estou convencido de que a via liberal-dependente esgotou-se como rumo para os interesse da classe trabalhadora, no Brasil e no mundo capitalista. Não me atrevo sequer a falar numa via socialista, pois acho que ainda estamos muito distantes disto ou de algo assemelhado.

Tenho procurado ser compreensivo sobre as limitações do PT e do seus governos, pois sei muito bem das dificuldades e barreiras que enfrentam em nossa sociedade conservadora. Também, não deixo de reconhecer a coragem e o discernimento que tiveram para realizar algumas mudanças. Mas, não posso deixar de ser muito crítico em relação às condutas individualista e mesmo primárias dos petistas escolhidos para o Poder Legislativo e o Executivo, com muitos dos quais convivi durante mais de três anos na Liderança do Governo no Senado. O derretimento atual já era previsível para quem acompanha de perto a vida política do país. Fizemos muito menos do que seria possível, em decorrência da improvisação e falta de rumos que caracterizou os governos do PT. Escrevi vários textos a respeito, que foram considerados pessimistas por gente do governo que achava que a classe trabalhadora tinha chegado ao Paraíso. Assisti de muito perto a administração de Palloci no MF, com sua equipe herdada de FHC. Depois, ainda vejo Palloci como coordenador da campanha de Dilma. Dá para esperar algo de sério em favor mudanças efetivas no país, sob a influência de Palloci?. Participei da elaboração do Programa do PT, que depois Palloci jogou na lata de lixo, ao preparar a Carta aos Brasileiros, documento de rendição à continuidade da política econômica do PSDB.

Enfim, acho que a hora é de pleitear mudanças e de realizar autocrítica e não de justificar os erros cometidos, que foram muitos e cujo preço o povo está começando a pagar, sem sequer poder identificar quem são seus inimigos de classe, pois o PT e seus governos se especializaram em disfarçar a polarização que de fato existe no país, transmitindo a impressão todos trabalhamos para os mesmos objetivos.

O caos ideológico; complementos e análise

Por José Luís Fiori | Via Valor Econômico

Charge de Carlos Latuff

Em meio à crise política e à retração econômica brasileira, o jantar do dia 12 de maio da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos no Waldorf Astoria de Nova York, reunindo banqueiros, empresários e a políticos da alta cúpula do PSDB, em torno dos ex-presidentes Bill Clinton e Fernando H. Cardoso foi um clarão no meio da confusão ideológica dominante. Em termos estritamente antropológicos, representou uma espécie de pajelança tribal de reafirmação de velhas convicções e alianças que estiveram na origem do próprio partido socialdemocrata brasileiro. Mas do ponto de vista mais amplo, pode se tornar uma baliza de referência para a clarificação e remontagem do mapa político brasileiro.

Afinal, este grupo liderado pelo ex-presidente FHC foi o único que esteve presente e ocupou um lugar de destaque nas reuniões formais e informais que cercaram a posse de Bill Clinton, em 1993, em Washington. Naquele momento foi sacramentada a aliança do PSDB com a facção democrata e o governo liderado pela família Clinton. Uma aliança que se manteve durante os dois mandatos de Clinton e FHC, assegurando o apoio do Brasil à criação da Alca e garantindo a ajuda financeira americana que salvou o governo FHC da falência.

Estes dois grupos estiveram juntos na formulação e sustentação das reformas e políticas do Consenso de Washington e voltaram a estar juntos nas reuniões da “Terceira Via”, criada por Tony Blair e Bill Clinton, em 2008, reencontrando-se agora de novo, na véspera da candidatura presidencial de Hillary Clinton.

Durante todo este tempo os social-democratas brasileiros mantiveram sua defesa incondicional do alinhamento estratégico do Brasil, ao lado dos EUA, dentro e fora da América Latina; sua opção irrestrita pelo livre comércio e pela abertura dos mercados locais; pela redução do papel do Estado na economia; pela defesa da centralidade do capital privado no comando do desenvolvimento brasileiro; e pela aplicação irrestrita das políticas econômicas ortodoxas.

Estas posições orientaram a política interna e a estratégia internacional dos dois governos do PSDB, na década de 90, e seguem orientando a posição atual do PSDB, favorável à reabertura de negociações para criação da Alca; à mudança do regime de exploração do “pré-sal”; ao fim da exigência de conteúdo nacional nos mercados de serviços e insumos básicos da Petrobras e das grandes construtoras brasileiras. Isto pode não ser “um projeto de país”, mas com certeza é um programa de governo rigorosamente liberal, que só coincide de forma circunstancial e oportunista com as teses neoconservadoras defendidas hoje por movimentos religiosos de forte conteúdo fundamentalista.

A novidade destes movimentos no cenário político brasileiro atual surpreende o observador, mas suas teses sobre família, sexo, religião etc não são originais e sua liderança carece da capacidade de formular e propor um projeto hegemônico para a sociedade brasileira. O mesmo pode ser dito com relação ao poder real das recentes mobilizações de rua e de redes sociais, que fazem muito barulho, mas também não conseguem dar uma formulação intelectual e ideológica consistente às suas próprias iras e reivindicações.

Deste ponto de vista, parece necessário reconhecer que a origem da grande confusão ideológica do país, neste momento, são as próprias forças progressistas e o governo que acabou de ser eleito por uma coalizão de centro-esquerda. Não é fácil identificar o denominador comum que une todas estas forças, mas não há dúvida que seu projeto econômico aponta muito mais para o ideal de um “capitalismo organizado” sob liderança estatal, do que para o modelo anglo-saxônico do “capitalismo desregulado”; para uma política agressiva de redistribuição de renda e prestação gratuita de serviços universais, do que para uma política social de tipo seletiva e assistencialista; e finalmente, para uma estratégia internacional de liderança ativa dentro de América Latina, e de uma aliança multipolar com as potências emergentes sem descartar as velhas potências do sistema, muito mais do que para um alinhamento focado em algum país ou bloco ideológico de países.

Se assim é, como explicar à opinião pública mais ou menos ilustrada que um governo progressista deste tipo coloque no comando de sua política econômica um tecnocrata que não tem apenas convicções e competências ortodoxas, mas que seja também um ideólogo neoliberal que defende abertamente em todos os foros uma estratégia de desenvolvimento de longo prazo para o país absolutamente idêntica a que é defendida pelo grupo que participou do jantar no Waldorf Astoria, no dia 12 de maio.

E como entender um ministro de Energia que defende em reuniões internacionais o fim da política de “conteúdo local” e do “regime de partilha” do pré-sal, duas políticas que são uma marca dos últimos 13 anos de governo e uma diferença fundamental com a posição defendida pelos mesmos comensais de Nova York.

Por fim, para levar a confusão ao limite do caos, como explicar que o ministro de Assuntos Estratégicos desse mesmo governo proponha abertamente, pela imprensa, como se fosse um acadêmico de férias, que se faça uma revisão completa da política externa brasileira da última década, com a suspensão do Mercosul, que foi criado e é liderado pelo Brasil, e com a mudança do foco e das prioridades estratégicas do país, que deveria agora alinhar-se com os EUA para enfrentar a ameaça da “ascensão econômica e militar chinesa”.

Tudo isto dito de forma tranquila, exatamente uma semana antes da visita oficial do primeiro-ministro chinês ao Brasil, que já havia sido anunciada junto com um pacote de projetos e de recursos para levar a frente uma estratégia de longo prazo que passa – entre outras coisas – pela construção de uma ferrovia transoceânica capaz de dar ao Brasil, finalmente, um acesso direto ao Pacífico, com repercussões óbvias no campo da geopolítica e geoeconomia continental. Além disto, este “grande estratego” do governo fez sua proposta um mês antes da reunião do Brics, na Rússia, em que será criado o banco de investimento conjunto do grupo, sob a óbvia liderança econômica da China. Uma trapalhada pior do que esta, só se fosse proposta também a internacionalização da Amazônia.

Talvez por isto tantos humanistas sonhem hoje com o aparecimento de uma nova utopia de longo prazo, como as que moveram os revolucionários e os grandes reformadores dos séculos XIX e XX. Mas o mais provável é que estas utopias não voltem mais e que o futuro tenha que ser construído a partir do que está aí, a partir da sociedade e das ideias que existem, com imaginação, criatividade e uma imensa paixão pelo futuro do país.

Rogério Lessa - Não tem caos ideológico. Com “austeridade” fiscal (desde Palocci), leilão de petróleo e medo de ir à Rússia se alinhar com China e Índia na comemoração dos 70 anos da vitória contra Hitler, não se pode chamar o atual governo de progressista, muito menos de esquerda, apesar das bravatas contra Indonésia e Israel.

Flavio Lyra - É realmente difícil entender os posicionamentos de Dilma e do PT na fase mais recente da vida política e econômica do país. Fica a impressão de que tanto Lula, quanto Dilma, não acreditam na possibilidade de mobilização das forças de esquerda do país para a posta de prática de uma política econômica que se afaste da submissão à orientação neoliberal que aponta para a integração dependente com os Estados Unidos, em favor de maior autonomia da política econômica na defesa dos interesses nacional. O artigo de Fiori tem todos os méritos em apontar essa debilidade das lideranças políticas que poderiam comandar essa mudança. Fiori realça muito bem a afinidade do PSDB com o pensamento de lideres democratas nos Estados Unidos.

Já parece fora de dúvida que é indispensável mobilizar as forças de esquerda para se posicionarem claramente sobre o quadro atual e saírem da passividade em que se encontram na expectativa de que lideranças despreparadas as conduzam. O governo de Dilma já demonstrou claramente que não está a altura dos desafios do momento.

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Rogério Lessa é jornalista da AEPET.

Flavio Lyra é economista da escola da Unicamp.

José Luís Fiori é José Luís Fiori, professor titular de economia política internacional da UFRJ.

Diálogos Desenvolvimentistas: Tucanos e sua ótima relação com o departamento de Estado dos EUA

Este post dedica-se tão somente a reproduzir diálogo travado entre os participantes do grupo Desenvolvimentistas o qual explica clara e rapidamente de onde surgiu e quem se beneficiou do verdadeiro saque generalizado ao Estado brasileiro que foram as privatizações espúrias feitas nos anos 90, sob a batuta do príncipe FHC.

Paulo Moreno – FHC e tropa de choque tucana compraram o Judiciário, nomearam juízes do MP e do STF, agraciados com cargos vitalícios, altos salários e ajudas de custo moradia, nomearam também os engavetadores oficiais no judiciário e no STJ, e por essa razão 45 CPI’s foram abafadas durante a gestão tucana, e muitas CPI’s e processos contra Aécio Neves (o campeão de processos no TJ-MG) seguem engavetados e monitorados pelos engavetadores oficiais do Judiciário, que se transformou num grande manicômio e teatro nacional. Se cobrir com lona pode cobrar ingresso. Que triste república! Confiram no artigo de Altamiro Borges.

Tania Faillace – Esses eventos todos não são locais, não são de inspiração local.

Durante o governo Itamar, FHC foi para os Estados Unidos onde serviu como embaixador ou parecido, e recebeu as instruções que Collor teria recebido antes, e cumprido até o final, se não tivesse exagerado em seu personalismo.

Então não foram os tucanos que inventaram, foi o Departamento de Estado que inventou. Os tucanos não passam de executores. É isso o que temos que entender e reconhecer. Nos últimos 50 ou mais anos, nada acontece no Brasil que não tenha sido previsto ou planejado lá.

Bento Araújo – Esses planos de crimes lesa-pátria são antigos, datam do final dos anos 1980 e início dos 1990. São planos de entreguismos e de privatizações fraudulentas, criadas pelo Consenso de Washington, que afetou o Brasil, Argentina e México, considerados países-chave na América Latina que precisavam ter seu desenvolvimento freado, conforme Plano de Kissinger e da cúpula norte-americana.

Essas notícias foram mostradas bombasticamente aqui no Brasil pelo Jornal Empresarial RR – Relatório Reservado edição de junho de 1990, e também na Revista Empresarial americana EIR do Lindon Larouche – Executive Intelligence Review com o título Preliminary ideas for a privatization master plan in Brazil of Petrobras group, Petrochemical group, Eletrobras group, Telebras group and Infraero group – The first Suisse Bank of Boston – april 1990. Portanto, na época que Fernando Collor assumiu seu “desgoverno” e criou a Secretaria da Desestatização em 1990. Na mesma época FHC estava ainda no Itamaraty como chanceler em Washington, e lá tramava como entregar as 137 empresas estatais, as reservas de petróleo e gás e riquezas minerais aos estrangeiros.

E foi na gestão FHC que 95% do patrimônio público brasileiro foi cedido a preços ridículos aos mega-especuladores internacionais. Não escapou nem a PETROBRAS que sofreu a privato-doação de 40% das ações preferenciais PETR4 na Bolsa de NY, entrega essa feita por FHC e seu mafioso genro David Zylberszytajn (ele criou em 1995 uma empresa de fachada DZ Energia para oferecer ajuda aos gringos a saquear os leilões do petróleo e a entrega da Eletropaulo para a americana AES). Portanto, entregou-se quase metade da Petrobras ao mafioso, agiota e mega-especulador, senhor George Soros (patrão de Armínio Fraga), com os tucanos beneficiando centenas de multinacionais norte-americanas, lideradas à época pela Shell.

Weatherford, Exxon, Enron e Hallibourton também se aproveitaram das nefastas privatarias tucanas, facilitadas por propinas bilionárias pagas por multinacionais, o que gerou mega-fortuna, toda ela estando muito bem escondida, conforme mostrado nos livros bombásticos de Henrique Fontana, Amaury Junior e Aloisio Biondi. Esse saqueio foi lavado para contas secretas de 91 políticos demo-tucanos obedientes as privatarias. O Banestado, o Banco do Estado do Paraná, foi privatizado e usado como ponte para lavar as propinas de 150 bilhões para contas secretas dos políticos nas Ilhas Cayman, esquema este operado pelo doleiros Alberto Youssef e Olga Youssef, velhos conhecidos dos tucanos, Yousseff inclusive cedeu seu jato para as campanhas tucanas de Álvaro Dias, Beto Richa e muitos outros políticos conterrâneos dele no Paraná.

Diálogos Desenvolvimentistas: Homossexualidade, drogas e sociedade

As drogas e a homossexualidade são temas que sempre geram grande polêmica. Nossa sociedade convive diuturnamente com o preconceito contra os homossexuais e também com a dificuldade de compreensão de que o problema das drogas é de saúde pública e que definitivamente a atual política é falida.

Os associados Tania Faillace e Roberto Oliveira travaram um interessantíssimo debate sobre o assunto que reflete bem a polaridade atual sobre o tema, por isso, reproduzimos no blog.

Tania Faillace – O que o pessoal resiste a entender é que as drogas fazem parte do esquema de dominação mundial.

Roberto Oliveira – Não tenho dúvidas disso. Basta olhar para o “Século da Humilhação” na historiografia chinesa ou para o atual Afeganistão e suas papoulas.

Tania Faillace – Com a disseminação das drogas, completa-se a lavagem cerebral já encetada pelos meios de comunicação social e a própria escola. Drogas destroem a inteligência e causam dependência psíquica e física.

Drogas são fundamentais para manter em ação os grupos mercenários e até as tropas regulares na repressão ao povo e na comissão de atos bárbaros. Soldados que não usam drogas muitas vezes se recusam a cumprir determinadas ordens.

Roberto Oliveira – Sim, o Timor Leste tem uma história particularmente nefasta sobre a mistura de exércitos e drogas. O exército Indonésio (daquele mesmo país que impõe pena de morte para narcotraficantes) obrigava seus soldados tomar uma anfetamina fortíssima chamada “Speed”. Sob o efeito desta droga, os soldados cometeram os mais horríveis abusos como estupros em massa e esquartejamentos.

Tania Faillace – Então as drogas têm um papel fundamental na conquista do planeta habitado por 8 bilhões de pessoas que 1% delas querem controlar totalmente, até proibi-las de se reproduzirem.

Roberto Oliveira – Realmente espero que tenha visto os vídeos que enviei antes de me responder. Pois, nestes dois vídeos que enviei a esta lista, temos duas especialistas no assunto que pontuam muito bem que a relação da Humanidade com as “drogas” é antiga e que a política de repressão policial sobretudo sobre o usuário é uma política absolutamente falida. Parece me que você não assistiu os vídeos.

Tania Faillace – As pessoas são vulneráveis às drogas, tanto como consumidores – são forma de iludir as frustrações pessoais e sociais alimentando sentimentos de poder e desafio – como repassadores e distribuidores, porque esse “trabalho” é remunerado.

Roberto Oliveira – Não é preciso de “drogas” para fugir da realidade. A cachaça barata e as igrejas pentecostais estão em todas as esquinas.

Ademais, o que é a música e as artes? É como disse a especialista em um dos vídeos que enviei: o ser humano é um animal com consciência e naturalmente ele vai explorá-la.

Tania Faillace – Ao invés de se fazer reforma agrária e fundiária e permitir que as pessoas produzam seu próprio alimento e ainda abasteçam as outras através do mercado direto produtor-consumidor, como fazem os assentamentos de agricultores orgânicos oriundos do MST, usa-se essa mão de obra ociosa e despreparada (por falta de educação, de treinamento, de opções de sustento) para viciar os outros, ou fazer de segurança aos barões do crime.

Roberto Oliveira – Verdade. Concordo. E justamente para quebrar o poder dos barões do tráfico, é preciso que o Estado LEGALIZE, ou seja, imponha seu poder de império e regulamente este mercado, hoje, ilegal. E principalmente eduque as pessoas para esta realidade.

Tania Faillace – O combate às drogas como vem sendo feito na América Latina é teatro em benefício das mídias e seus leitores.

Roberto Oliveira – Tá. E o que você sugere? Mais porrada e repressão? A manutenção desta relação paternal do Estado?

Tania Faillace – É por isso que não rende. Porque, atrás dos policiais que arriscam suas vidas nos enfrentamentos, há cúpulas da segurança e das agências que renegociam as drogas apreendidas. Isso acontece no Brasil e no mundo. Assim como as armas apreendidas voltam às quadrilhas direta ou indiretamente.

Roberto Oliveira – Não tenho dúvida disto. E tem mais, tráfico internacional de drogas não é as “mulas” que carregam gramas de cocaína introduzidas em seus corpos em vôos internacionais. Tráfico Internacional de drogas é container abarrotado de cocaína descendo de navio ao meio dia no porto de São Francisco ou Amsterdan. Ou ainda, aviões militares norte-americanos e da Nato abarrotados de heroína pousando em alguma base militar européia. Não se abastece um mercado como o europeu e o norte-americano no conta-gotas.

Tania Faillace – Preste atenção no que está lendo, não pule às conclusões pois acaba entendendo o contrário do que foi dito. As drogas são instrumentos importantíssimos no domínio do mundo que conhecemos.

Roberto Oliveira – Acho que você quem não presta atenção no que lhe enviado. Se ao menos tivesse visto os vídeos que enviei, certamente não choveria neste molhado novamente. Você não precisa concordar comigo, mas ao menos compreender meu ponto de vista ao invés de me cobrir com seus preconceitos.

Tania Faillace – Estamos há muito tempo em cima do assunto. E sabemos que as consignas de liberdade para as drogas, que passa como consigna de libertarismo, de liberdade individual, na verdade fazem parte da propaganda do tráfico.

Roberto Oliveira – Faz parte da propaganda de modo geral. De cosméticos à automóveis. Nada de novo.

Tania Faillace – Assim como as consignas para o aborto livre visam garantir a matéria prima que necessitam os laboratórios farmacêuticos que produzem cosméticos contra o envelhecimento. Fetos e anexos fornecem as células jovens e embrionárias que a moderna cosmetologia utiliza. Os donos do mundo pretendem descobrir o gene da morte para destruí-lo e se tornarem eternos – pelo menos é essa promessa que lhes fazem os “cientistas” que os parasitam, a obrar em causa própria em instituições riquíssimas.

Roberto Oliveira – Arram… e por conta disto, vamos deixar milhares de mulheres pobres e desesperadas correrem risco de vida? O aborto tem que ser visto como uma questão de saúde pública. Moralismo mata.

Tania Faillace – Ao mesmo tempo, banaliza-se assim a maternidade, porque outro ponto crucial nesse processo de desumanização das culturas humanas é a destruição do núcleo e da colaboração familiar, onde se assenta a colaboração comunitária – remanescente da velha solidariedade tribal, que as sociedades modernas liquidaram.

Roberto Oliveira – Mais ou menos. Compreendo seu ponto de vista e concordo parcialmente. Acontece que já não estamos em uma sociedade tribal. A sociedade é outra (pro bem e pro mal) e embora alguns tenham saudade do “bom selvagem” a sociedade tem outros apelos que julgo legítimos. Ora, o próprio conceito de família tem se modificado e um núcleo familiar não necessariamente tem que ser constituído por um homem e uma mulher. Sou filho de pais divorciados e vejo que ambos tem uma relação muito saudável entre eles e com seus filhos. E conheço casais gays muito felizes e que cuidam muito bem de seus filhos de relacionamentos anteriores. Ora, porque estas pessoas não poderiam adotar crianças? Ademais, existem sociedades tribais onde rolam verdadeiros bacanais e a homossexualidade não é vista como tabu. Inclusive isto ocorre em etnias nativas brasileiras.

Outro dia, conversando com minha avó, uma senhora de 75 anos que veio do campo (interior de SP), ela me disse que uma coisa muito comum era a mulher morrer no parto ou das consequências do parto. Ela mesmo perdeu sua mãe aos 8 anos desta maneira. A mãe dela teve 7 filhos dos quais apenas 3 chegaram a idade adulta. Obviamente, a vida “comunitária” no campo tem suas dificuldades. Negar à mulher métodos anticoncepcionais ou a possibilidade de interromper uma gravidez indesejada, para mim é um crime.

Tania Faillace – Do mesmo modo, o casamento gay não tem outro objetivo que não seja esse: desmontar o núcleo natural das populações humanas, e impedir a reprodução natural.

Roberto Oliveira – Desculpe. Não concordo. Na minha opinião, existe sim risco sério nos atuais desenvolvimentos genéticos que se não forem vistos com atenção, podemos ter problemas terríveis. Mas, atribuir ao “casamento gay” o objetivo de “desmontar o núcleo natural das populações humanas, e impedir a reprodução natural” é um absurdo que como já te disse me lembra posições de Bolsonaro et “caserna”.

Tania Faillace – Se todos forem homossexuais (a heterossexualidade começa a ser perseguida – veja aquele cidadão processado por ter relações com sua própria esposa, que estava numa clínica), não nascerão mais crianças ao natural – terão que ser produzidas artificialmente, ao gosto do patronato.

Roberto Oliveira – Com o microfone: Bolsonaro. Nestas horas, lembro da frase “os extremos se encontram”.

Tania Faillace – Tudo isso está antecipado, como ficção, em The Brave New World, de Aldous Huxley, que pertencia a uma família de cientistas, onde a discussão de tais temas devia ser comum. Apenas na época ainda não existia a biotecnologia que tornaria tudo isso possível. E hoje ela já existe.

Roberto Oliveira – Já estamos no The Brave New World.

Tania Faillace – Não há homofobia no Brasil.

Roberto Oliveira – Não?

Jovem filho de casal gay é espancado até morrer em São Paulo

“Está escrito bem legível que foi agressão. Agora esperamos o laudo do Instituto Médico Legal para deixar mais claro. Bateram muito nele e causaram perfuração no pulmão, além de furarem uma veia da cabeça. Foi muito feio. Há colegas que disseram que ele foi agredido em um dos corredores da escola”.

Tania Faillace – Alguns de nossos homens mais importantes em política e economia são homossexuais ou bissexuais, e absolutamente não são discriminados, nem têm suas carreiras interrompidas por isso. Muito pelo contrário, porque são grupos sociais muito corporativos.

Roberto Oliveira – Sim, isto explica o sucesso do tratamento da AIDS/SIDA no país. Era “doença de rico”.

Tania Faillace – E a homossexualidade é fundamental também para impedir a integração do binômio masculino/feminino na sociedade humana – e cortar de vez com o sexismo. Homens têm medo de mulheres, e mulheres têm medo de homens – coisa que o genial Freud intuiu, mas as pessoas ainda se resistem a reconhecer.

Roberto Oliveira – Eu não tenho medo, não.

Tania Faillace – Há repressão quanto à prostituição, por conta dos escândalos públicos promovidos por pessoas cuja maior paixão é o exibicionismo (e portanto necessitariam de atenção terapêutica). Temos também que considerar que os prostitutos de sexo masculino são violentos e agressivos contra as prostitutas de sexo feminino para expulsá-las do meio e controlar monopolicamente o mercado do sexo.

Quem já trabalhou em reportagem policial conhece muitíssimo bem como essas coisas acontecem. E que fazem parte da corrupção inerente ao sistema capitalista como um todo.

Roberto Oliveira – Certamente. Mas neste ponto Zizek tem uma questão para nós:

Tania Faillace – Um sistema que não tem saída, pulando de uma crise estrutural a outra, e que para obter uma sobrevida, precisa do controle totalitário do Ecúmeno. E da redução da humanidade, para reduzir proporcionalmente o mercado, recomeçando em outros patamares, e já com o controle da reprodução humana pela manipulação genética.

Isso já é tecnologicamente possível. Mas exige a unipolaridade.

Os trabalhadores autênticos e suas famílias não apreciam exotismos culturais, são ainda humanos, o que não acontece com essas mentes dominantes da classe média e seus filhos, deterioradas pelos vícios e as impunidades.

Roberto Oliveira – Homossexualidade é “exotismo cultural”? Cuidado, Hitler não poderia dizer algo melhor.

Enfim, Tania… Você toma uma cervejinha de vez enquanto? Faz “uso recreativo” de vinho? No sul do Brasil é muito comum a prática de ingestão desta substância fermentada que embora lícita promove alterações de humor e consciência. Talvez a tolerância ao vinho se dê na medida em que Jesus era um apreciador da substância, inclusive Ele a multiplicava juntamente com o pão. E o pão daquela época provavelmente tinha propriedades alucinógenas (estude a origem do LSD e o pão “mágico”). Mas, não me surpreendo… Para falar de amor, de dar a outra face em superação da política de “olho por olho”, Jesus (o Histórico) certamente “saiu da caixinha” algumas vezes… Há quem diga que quando ele sumiu das narrativas bíblicas, na sua juventude, ele na realidade estava passeando com a turma do Haxixe. Enfim, só algumas considerações sobre o quanto ancestral é nossa relação com tais substâncias. Agora, essa política de repressão absurda e desumana é o dado novo… Veja:

67,7% dos presos por tráfico de maconha tinham menos de 100 gramas da droga

“Os amigos resolveram dar uma volta de moto, “sentir o vento no rosto”. Subitamente, uma viatura da Rota, grupo de elite da Polícia Militar, cruzou o caminho dos jovens – parte da média de 1,5 milhão de brasileiros que diariamente consomem a droga. Os militares encontraram um tablete de 23 gramas da erva com a dupla e, em poucas horas, os estudantes viram suas tranquilas vidas se transformarem em um inferno de quase meio ano por acusação de tráfico de drogas e associação ao tráfico.”

Desculpe, mas não posso crer que concorde com estes absurdos.

Diálogos Desenvolvimentistas: Interesse nacional e a Lava-Jato

Movidos pelo artigo de autoria de André Araújo intitulado Interesse nacional e causa política nos EUA, em que se discorre sobre os efeitos da operação dirigida pelo juiz Sérgio Moro e a impossibilidade de algo correlato nos EUA, os associados discutiram suas concepções e interpretações dos eventos, a maioria deles crendo que seria possível punir corruptos sem arrasar com a relevante indústria de obras e tecnologia, como está acontecendo lamentavelmente dada a sanha de justiçamento das autoridades.

Tania Faillace – Pergunta-se quem é essa fina flor da ética que expõe sua admiração pela canalhice política dos Estados Unidos e seu cinismo?

Um artigo desses é um atentado contra a moral e os bons costumes, como se dizia antigamente.

A pregação do oportunismo levada a suas últimas consequências. Todo e qualquer crime é justificado se alguém alegar o “interesse nacional” dos grandes capitais e das grandes personalidades.

É essa a moral cínica que os coxinhas querem implantar de vez no Brasil? Rouba mas faz?

Que dizem os demais participantes desse grupo? Será uma cruzada com a qual queiram se envolver ou dar seu aval?

Rennan Martins – Está mais do que óbvio que a Lava Jato é uma operação projetada com o objetivo de afundar de vez qualquer resquício de progressismo e entregar de bandeja na mão da velha oligarquia escravocrata a máquina estatal e o poder político por completo.

Marx dizia que o Estado capitalista é usado pela burguesia para garantir seus interesses e se engana quem acha que esse judiciário que aí está serve a justiça. O sistema penal do regime capitalista somente gere os sobrantes, prende preto, pobre, puta e agora petista, punindo eventualmente algum crime pra não ter completamente corroída sua legitimidade.

A esquerda punitiva se enche de ilusão ao ver pela primeira vez executivos e altos funcionários sendo submetidos as mesmas violações e arbitrariedades como tortura, prisão antecipada e presunção de culpa, que os populares sofrem sistematicamente nesse sistema penal designado somente para gerir a pobreza e garantir privilégios.

É impressionante como alguns fecham os olhos pra tudo que ocorre e a escandalosa parcialidade do senhor Moro em nome de uma pretensa “vingança de classe”.

Osvaldo Maneschy – Já foi dito aqui e repito: o mundo não é preto e branco.

A diferença básica entre o PDT é que o PT nunca compreendeu – pelo contrário, sempre ridicularizou – o que Brizola chamava de perdas internacionais.

Weber Figueiredo – Uma das diferenças que havia entre PT e PDT:

1) O PT queria melhorar o Brasil aumentando os salários dos trabalhadores. Essa foi a eterna luta do sindicalista Lula.

2) O PDT queria melhorar o Brasil mudando o modelo econômico colonial, criando riquezas e estancando as perdas (nacionais e internacionais).

Gustavo Santos – Esta discussão está interessante. O que o André Araújo está dizendo é que:

1) a constituição de 88 tirou muito poder da presidência.

2) FHC conseguiu superar isso pelo apoio da mídia e do poder internacional. Aécio quando presidente da Câmara cortou o poder das medidas provisórias sem prazo de validade.

3) o PT além de não ter poder da mídia e internacional, abriu mão de poder na polícia federal, no ministério público e nos tribunais superiores e entre os militares. Em nome de quê? De ser elogiado na mídia pelas indicações?

Deu no que deu.

***

Tania Faillace é jornalista e escritora.

Rennan Martins é jornalista.

Osvaldo Maneschy é jornalista.

Weber Figueiredo é engenheiro.

Gustavo Santos é economista.

Diálogos Desenvolvimentistas: Lava-Jato, Pré-Sal e interesses estrangeiros

A notícia de que o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, propôs rediscutir do modelo de exploração do pré-sal no sentido de flexibilizar a participação obrigatória da Petrobras gerou considerações e comentários importantes por parte dos associados.

De um lado uns consideram que há uma guerra de informação e que o governo permanece firme em relação a lei de partilha e a política de conteúdo nacional, de outro temos os que veem uma negociação e recuo a fim de acomodar interesses conflitantes e garantir a dita “governabilidade”.

Confira:

Tania Faillace – Parece evidente que o bloco privatista ganha espaço gradualmente.

E parece do interesse público tentar saber o que realmente acontece sob os panos. E quais os elementos de pressão que estão sendo usados.

Fala-se que o PMDB está ganhando espaço maior graças a Eduardo Cunha, mas isso certamente é uma versão simplista, visando a dar destaque a Cunha em termos da modelagem de sua imagem pública, como líder imbatível.

Interessaria, porém, saber os instrumentos materiais ou dissuasivos usados para permitir que uma figura, antes de pouca expressão, adquirisse tal relevo.

A Chevron já foi expulsa uma vez do pré-sal. Estaria tentando a volta por cima? E, além do folclórico Serra, quais seriam as outras forças?

Que teriam a dizer os petroleiros sobre o assunto? Os velhos e os novos?

Paulo Moreno – Sim, a Chevron foi expulsa de uma concessão da área pós-sal na Bacia de Campos em 2012 quando tentaram “roubar” o óleo do pré-sal, extraindo-o sem autorização. Eles compraram a preços irrisórios um bloco na Bacia de Campos em 1998, pagaram um preço muito baixo, naquela rodada que o genro do FHC, David Zylbersztajn, que tinha uma empresa de consultoria a “DZ Energia” que facilitava a entrada dos gringos. David em 1998 ainda estava na ANP fazendo os leilões dos blocos a “preços irrisórios”. A Chevron ganhou essa raspadinha da sorte e ganhou rios de dinheiro na área pós-sal.

Não satisfeitos com os altos lucros no pós-sala eles viram a descoberta do pré-sal que tinha uma reserva próxima muito profunda a 5.500 metros e resolveram fazer uma extração não autorizada usando aquela tecnologia de “poço direcional” que fizeram no Iraque na fronteira com o Kwait em 1990 e foi descoberto e causou a sangrenta guerra do golfo em 1991.

Ao tentar atingir o pré-sal nessa camada profunda em 2012, perderam controle da pressão e das barreiras de proteção o que fissurou as rochas no fundo do oceano, gerando aquele tremendo vazamento que durou duas semanas na Bacia de Campos, atingindo diversas praias paradisíacas na região do Arraial do Cabo, o que causou muita indignação. A Petrobras foi chamada pela ANP para ajudar no controle do vazamento e conseguiram fazer um poço lateral e injetar cimento, o que estancou o vazamento. A Polícia Federal recolheu passaportes dos funcionários norte-americanos da Chevron e a Marinha ocupou a plataforma e o bloco foi devolvido. A lembrança da tentativa do roubo deixou os gringos afastados, pelo menos por enquanto. Esse fato aconteceu um ano depois que Dilma recusou negociar todo o pré-sal para as empresas americanas Chevron e Exxon Mobil. Agora o senador José Serra retorna com a febre do entreguismo e entrega do pré-sal pelo Regime de Concessão.

Osvaldo Maneschy – Fiquei surpreso com as declarações atribuídas a Eduardo Braga pela agência G1, das Organizações Globo, ontem, e também pela Exame, da Editora Abril.

Bem como a repercussão pelos demais onlines que multiplicaram fala do ministro das Minas Energia no Senado favorável a entrega do pré-sal para as multis de petróleo – e procurei saber mais sobre o depoimento do ministro.

E constatei que principalmente a G1 e a Exame carregaram nas tintas.

O que o ministro disse não foi exatamente o que está transcrito aqui na lista.

Confiram (aqui), por exemplo, o que a Agência Senado, mais isenta, narrou sobre a mesma fala do ministro.

Ou a agência 247, esta alinhada mais com o PT e o governo (aqui).

Ou seja, acho que está valendo aquela velha máxima do jornalismo: na guerra, a primeira vítima sempre é a verdade.

O Eduardo Braga começou a sua vida política como vereador do PDS e hoje é ministro de Minas e Energia pela cota do PMDB, se não me engano indicado pelo Lobão.

Acredito que ele não seja maluco de bater de frente com a Dilma que, anteontem, na posse do Janine, deixou bem claro para que o pré-sal e a Petrobrás são do Brasil.

Criar confusão é ferramenta importante na guerra da informação.

Paulo César Ribeiro Lima – Infelizmente, é muito pior do que está nas tintas.

Gustavo Santos – A lava jato está conseguindo seu maléfico intento, acabar com a governabilidade da Dilma para assim lhe impor a entrega do pré-sal aos gringos.

Helio Silveira – Para vocês verem a importância do Pré-Sal e a quebra da participação obrigatória de 30%,ontem foi anunciado a megacompra da BG Group pela Shell por US$70 bi, numa conjuntura péssima para o setor petróleo (cotação em torno de US$ 50,00). O claro interesse estratégico da Shell é reforçar reservas na crise, assim como fez Putin ao reforçar a participação do Estado Russo na Grazpon e como deveria fazer agora a Petrobras aumentando sua participação em petroquímica em vez de anunciar venda de patrimônio.

Nós sabemos, com a participação de nossos colegas bem informados, que a Petrobras, diante das reservas possuídas, não possui nenhuma restrição de natureza econômico-financeira, seja para manter seu patrimônio, seja fazer aquisições no setor, seja para manter seus investimentos, no entanto, está paralisada e perdendo patrimônio pela operação Lava-Jato (Na verdade operação “Joga-Lama-na-Geni”) e está claramente sofrendo uma ataque político com objetivos claros de abrirmos os poços Pré-Sal às reservas das “grandes Irmãs” e às nações “mui amigas”.

Aí vai o artigo em q o executivo da Shell, comentando a aquisição da BG Group, não se furtou em dizer q o interesse (ao meu ver o único) da operação foi de se fortalecer para “participar do Pré-Sal” (aqui). O Financial Times também reforça que o interesse é o Pré-Sal (aqui).

Osvaldo Maneschy – Aprendi trabalhando mais de 40 anos em jornal que o está nas tintas – é a versão dos fatos que o dono do jornal (da TV, do rádio, etc) quer que as pessoas acreditem.

Fato é fato, versão é versão.

Claro que você está aí no Congresso, sabe das coisas.

Mas a Dilma disse com todas as letras – ao ser diplomada no TSE, ao ser reempossada no Planalto, e na posse do Janine, anteontem – que a Petrobrás e o pré-sal são do Brasil.

O que ela diz sobre o assunto, para mim, conta muito.

Que a Shell – que há anos exporta petróleo cru do Brasil por conta das falcatruas lá de trás, do tempo das vacas gordas (pra ela) do entreguista FHC – a gente sabe.

Que as petrolíferas gringas, Shell na frente, querem botar a mão do pré-sal – a gente também sabe.

E que tem muito entreguista doido para ganhar uns caraminguados em troca do interesse nacional, a gente também sabe que existe.

Por isso é bom sempre lembrar o “Era Vargas”, do José Augusto Ribeiro.

Quando Chateaubriand, dono das Organizações Globo da época, na crise de agosto de 54, mandou recado para Vargas:

“Fecha a Petrobras que paro de fazer campanha contra”.

Getúlio não desistiu da Petrobrás e ela está aí.

Firme e forte, apesar de todas as tintas, cores e sons das fábricas de midiotas.

E da “República de Curitiba” do Moro e da gurizada do MPF, que é boa de estudo e concurso, mas não entende o Brasil.

Diálogos Desenvolvimentistas: A ditadura foi nacionalista ou subserviente? (II)

Militares sob o comando do General Ernesto Geisel, que praticou uma política externa independente dos EUA.

Prosseguindo no debate sobre o caráter do regime ditatorial que o Brasil viveu, o professor Benayon julgou ser de suma importância alertar para a não unanimidade da visão do General Olympio entre os militares brasileiros. A escritora e jornalista Tania Faillace põe alguns pingos nos i’s no intuito de esclarecer ainda mais a questão em análise.

Confira:

Adriano Benayon – O artigo do Gen. Olympio Mourão F. não expressa a opinião dos militares sobre o golpe de 1964, mesmo sem considerarmos que muitos militares eram contrários a esse golpe e até foram punidos ou afastados pelo governo egresso dele.

É que Mourão não é bem representativo da opinião geral dos militares, mesmo contando somente os favoráveis ao golpe. De resto, havia muitas correntes entre esses, e até mesmo oficiais nacionalistas, naturalmente mal informados de todo o contexto (alguns afetados pela contra-informação, pela doutrinação que atribuía intenções diabólicas aos comunistas e simpatias comunistas a Goulart etc.).

Algo que deve ser lembrado para ilustrar que a posição dos militares não é, ou não era monolítica:  em 1969, quando Costa e Silva, que não era entreguista, ficou inabilitado por motivo de saúde, houve chance de os oficiais nacionalistas tomarem o poder, tendo os oficiais da Vila Militar do nível até tenente-coronel (não sei entrou até coronel) feito votação de seu candidato preferido à presidência, escolhendo eles chegado a fazer votação, escolhendo o general Affonso Albuquerque Lima, nacionalista, que era ministro do Interior de Costa e Silva.  Faltou alguém com peito e iniciativa para pôr os tanques da Vila na rua e assumir o poder. Acabaram acatando a tal junta dos três ministros militares, e depois o alto Comando escolheu Médici.

Volto a reiterar que é valioso em nossa campanha de tentar esclarecer mais compatriotas, não generalizarmos os estamentos e segmentos sociais, pois isso faz o jogo do império. O que ele quer e sempre lhe deu frutos é pôr de um lado os civis, de outro os militares. E nós somos mais que sabedores que há de tudo entre civis como entre militares. Do mesmo modo, entre os que se dizem de esquerda e de outras tendências no campo político e filosófico.

Tania Faillace – As coisas não são tão simples nem tão preto-no-branco, em matéria de geopolítica, quando os interesses se cruzam, e as oportunidades se criam para a conjugação de ações convergentes mesmo com objetivos diferenciados.

É evidente que o golpe deu-se no bojo de uma estratégia que então se construía contra a autonomia política e econômica dos países latino-americanos – haja visto, na época, a quantidade de movimentos nacionalistas e democratizantes, a quantidade de golpes de direita, a ingerência generalizada dos norte-americanos nestas terras, a quantidade de presidentes e líderes populares assassinados e vítimas de “acidentes” arranjados.

No mais das vezes, tratou-se de juntar “a fome com a vontade de comer”, isto é, de acertar os passos entre os interesses de grupos internos, com os interesses maiores e estratégicos do império de nossa época.

No Brasil, não foi diferente.

E com o tempo, manifestou-se um certo descompasso entre o grupo dirigente de origem militar, e os interesses do sócio maior, que não tinha o menor desejo de que o expansionismo brasileiro se tornasse uma realidade e viesse a lhes fazer concorrência algum dia. Isso explica a época desenvolvimentista, e as crises sucessivas de ordem financeira, dependentes do que acontecia “lá fora”.

Se era uma contradição principal ou secundária, é assunto para os analistas históricos. Mas que houve um descompasso, houve. Um descompasso que explica aquele monte de manobras descosturadas que caracterizaram a transição de um regime para outro. Inclusive as mortes havidas: Tancredo, Severo Gomes, as esposas de Severo e de Ulysses, o desaparecimento completo de Ulysses, do qual não restou um único osso ou pé de sapato.

Nesse nível, o jogo é muito bruto. Tanto contra os adversários principais, como contra os associados que se recusam a seguir o script inicial, e têm suas próprias aspirações e alternativas.