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A Burguesia na Oposição a um Projeto Nacional de Desenvolvimento

Por Flavio Lyra | Brasília, 05 de março de 2016

Retrato corriqueiro da elite brasileira.

A burguesia brasileira, nunca chegou a se afirmar como classe dirigente capaz de conduzir um efetivo processo de desenvolvimento nacional. Sua ojeriza, arrogância e temor em relação à classe trabalhadora sempre funcionou como um obstáculo para levar adiante um projeto nacional que beneficiasse o conjunto da população.

Desde os tempos de Getúlio Vargas a ação estatal foi decisiva para a promoção da industrialização e a proteção da classe trabalhadora. Aburguesia, entretanto, em sua perspectiva empresarial estreita e liberal nunca assimilou o “Fordismo” e sempre desconheceu a importância do Estado Nacional e da classe trabalhadora na construção da economia. Prisioneira de uma ideologia antiestatal primária, sempre se posicionou como opositora às ações estatais promotoras do desenvolvimento nacionale protetoras da classe trabalhadora.

A forte penetração da ideologia neoliberal, particularmente, a partir dos anos 90, convenceu de vez a burguesia de que não existe opção para o Brasil que não a integração dependente (apenas como um território habitado sem projeto próprio) no capitalismo das grandes corporações internacionais, levando-a a se posicionar abertamente contra o uso da ação estatal para dar sustentação a um projeto nacional dedesenvolvimento focado no bem-estar social.

Não sem razão, pois, a partir dos governos de FHC, o país ingressa numa fase intensiva de desindustrialização precoce, em consequência da abertura do mercado interno aos fluxos comerciais e financeiros internacionais, da transformação do orçamento público em fonte de acumulação financeira dos bancos e investidores privados, e da privatização dos complexos industriais estatais, com entrega destes ao capital privado nacional e internacional.

Com os governos populares, a partir de 2003, ainda que de forma tímida, pois a política macroeconômica permaneceu submissa à receita neoliberal, ressurgiu na prática a preocupação com um projeto nacional dedesenvolvimento, pois ficou evidenciado desde cedo que a redução das desigualdades sociais não seria sustentável sem o recurso à ação estatal no fortalecimento da infraestrutura, no desenvolvimento de indústrias básicas e no financiamento da formação de capital.

A estagnação econômica que se inicia em 2011 é fruto nitidamente do descompasso verificado entre os resultados das duas linhas de ação do governo, a social e a desenvolvimentista. A linha social contribuiu para uma forte expansão do consumo, enquanto que a linha desenvolvimentista se atrasou na produção de resultados no campo dos investimentos produtivos, levando a crescente desequilíbrio nas contas externas e aumento das pressões inflacionárias.

A crise política atual é apenas mais um capítulo da disputa pelo Poder entre as forças sociais representantes da burguesia nacional, que vêm sendo derrotadas nas eleições presidenciais desde 2002, e as forças representantes da classe trabalhadora.

As forças políticas da burguesia, sob a pressão das grandes corporações internacionais, tornaram-se suas aliadas e adotaram sua ideologia neoliberal, daí a atuação contra as ações desenvolvimentistas e sociais praticadas pelo Estado, a que boicotam sistematicamente.

A grande imprensa e os porta-vozes da burguesia industrial e financeira têm condenado a atuação do governo voltada para estimular o investimento privado e a realização de programas de investimento por empresas estatais, colocando tais ações intervencionistas como responsáveis pela estagnação do crescimento a partir de 2013, pelo desequilíbrio fiscal que se manifestou a partir de 2015, e pela recessão que agora afeta a economia.

A campanha de combate à corrupção desencadeada desde o episódio denominado de “Mensalão” é parte integrante de um projeto conjunto entre as forças políticas ligadas à burguesia nacional e órgãos vinculados à política externa dos Estados Unidos, cujo propósito central é o afastamento do Poder das forças políticas ligadas à classe trabalhadora. Os governos dos Estados Unidos participam de projetos semelhantes em outros países da América Latina em que forças populares chegaram ao Poder.

A Operação Lava Jato, conduzida por setores do Poder Judiciário e da Polícia Federal, de modo articulado com a grande imprensa tem todas as características desse tipo de ação conjunta entre as forças políticas representativas da burguesia e  os serviços de segurança das grandes potências, cujo propósito principal é desorientar e desorganizar a classe trabalhadora para afastá-la do poder e facilitar a integração dependente do país na economia internacional, controlada pelos grandes oligopólios privados.

Evidencia-se, assim, o caráter autodestrutivo da burguesia nacional em sua ânsia de retornar ao Poder, aparecendo a Operação Lava-Jato, realizada sob seu patrocínio, como uma arma poderosa, pelo impacto altamente prejudicial sobre um grupo de empresas fundamentais para umprojeto nacional de desenvolvimento, entre as quais se inclui a PETROBRAS. O custo social da Lava-Jato, a esta altura, já supera em muito os benefícios alcançados com sua realização.

Em resumo, a burguesia nacional, em seus segmentos industrial e financeiro, tem se colocado em clara oposição a um projeto nacional dedesenvolvimento, este de todo interesse da classe trabalhadora, a qual cabe a responsabilidade de defendê-lo com “unhas e dentes”, sob a ameaça de o País transformar-se gradativamente num grande reservatório de mão-de-obra e de recursos naturais à disposição dos oligopólios internacionais e de seus associados no âmbito nacional.

(*) Economista da Escola da UNICAMP. Ex-técnico do IPEA.

CCJ aprova mandato de 10 anos para ministros do Supremo

Via Instituto João Goulart

Antonio Anastasia (PSDB-MG), à esquerda, foi relator da proposta apresentada por Lasier Martins (PDT-RS).

A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) aprovou, nesta quarta-feira (24), proposta de emenda à Constituição (PEC 35/2015) que estabelece mandato de 10 anos para ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A proposta modifica ainda o processo de escolha do indicado para a função e o torna inelegível para qualquer cargo eletivo pelo prazo de cinco anos após o término do mandato. O texto segue para análise do Plenário do Senado.

A PEC 35/2015 foi apresentada pelo senador Lasier Martins (PDT-RS), para quem a atual vitaliciedade do cargo pode trazer “vários riscos à estabilidade institucional”. Lasier também criticou o processo adotado nas indicações para o STF, da alçada exclusiva do presidente da República.

— Hoje, um Poder depende do outro para a formação de quadros e isso tem levado a aberrações. O Judiciário às vezes aguarda meses, como aconteceu com a aposentadoria do ex-ministro Joaquim Barbosa, quando o cargo ficou vago por nove meses. A Presidência da República indica quando quer e quem quer, e isso é absurdo — protestou Lasier.

Colegiado

A proposta mantém algumas das exigências para a função — ter mais de 35 e menos de 65 anos de idade, notável saber jurídico e reputação ilibada —, mas acrescenta a necessidade de comprovação de, pelo menos, 15 anos de atividade jurídica.

Pelo texto da PEC, o presidente da República vai continuar a escolher os ministros do STF. Mas a partir de uma lista tríplice, elaborada por um colegiado. Esse colegiado deverá contar com sete membros: os presidentes do STF, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), do Tribunal Superior do Trabalho (TST), do Superior Tribunal Militar (STM) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE); além do procurador-geral da República e do presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

Outra providência é exigir que a escolha presidencial aconteça no prazo de um mês do surgimento da vaga. O indicado para a Suprema Corte continuará a ser sabatinado pelo Senado para ser confirmado para o cargo.

Para o relator da PEC 35/2015, o senador Antonio Anastasia (PSDB-MG), a mudança na forma de indicação dos ministros do STF é adequada. Apesar de concordar com o espírito da proposta, Anastasia apresentou emenda para excluir o presidente do Tribunal de Contas da União (TCU) do colegiado responsável pela lista tríplice para o Supremo. Em substituição, sugeriu a participação do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) disse divergir da proposta e prometeu apresentar seus argumentos quando de sua discussão no Plenário do Senado.

EUA faz guerra midiática para destruir nacionalismo e expandir imperialismo

Por Cesar Fonseca | Via Independência Sul Americana

O objetivo principal da guerra de agressão imperialista contra a Síria financiada pelas grandes potências, com Estados Unidos à frente, é a destruição preferencial da base econômica nacionalista síria.

Eis a conclusão essencial do embaixador da Síria, Ghassan Nseir, em entrevista aos repórteres Beto Almeida(Telesur-Brasil Popular), Leite Filho(Café na Política, blog), Paolo De Santis(TV Pandora, Itália) e CF(IS), na quarta-feira, 24.

Destruir as bases econômicas nacionalistas de um pais, diz, é quebrar sua espinha dorsal, sua infraestrutura, que assegura estabilidade relativa nas relações sociais e econômicas, de modo a abrir para as divisões políticas internas, desagregadoras da unidade nacional.

É a forma ideal, para acelerar dominação externa, dos promotores da expansão imperialista internacional.

A base econômica nacionalista síria, comandada pelo presidente Bashar al-Assad, contemporânea do nacionalismo árabe de Nasser, do Egito, atuava como principal obstáculo à expansão sionista no Oriente Médio, com decisivo apoio das grandes potências, com destaque especial aos Estados Unidos.

A resistência síria à expansão sionista-americana no Oriente Médio virou alvo dos EUA, quanto mais o nacionalismo sírio se aproximou de parceiros nacionalistas, como Iran e Rússia, no processo de contenção desse expansionismo imperialista.

A ponte Putin-Aiatolás-Assad, ancorada no nacionalismo econômico árabe, historicamente, forte, com raízes milenares, e, igualmente, na ideologia nacionalista russa, despertou e ampliou a agressividade ocidental.

Os americanos e europeus armaram a geopolítica imperialista com seus aliados de alto custo no Oriente Médio – Arábia Saudita, Turquia e, claro, Israel, cuja soberania econômica e militar é totalmente dependente de Washington.

O governo sírio, democraticamente eleito, desde a escalada de tensões, há cinco anos, buscou diálogo com as forças em conflito, para coordená-las, politicamente, no plano interno, sob orientação nacionalista do Estado sírio.

Isso, segundo Ghassan Nseir, foi feito em nome do povo sírio, da sua organização social e econômica, ancorada em nacionalismo estatal, que garante à população saúde, educação e segurança gratuitas, e, aos empresários, subsídios aos custos e investimentos, de modo a garantir inflação sob controle e estabilidade na taxa de emprego.

A guerra terrorista, evidentemente, destrói essa estabilidade fundamental para a vida do povo sírio.

A chamada do governo Bashar al-Assad em favor do diálogo, ressalta o embaixador, chegou a acordo preliminar, temporário, sujeito a chuvas e trovoadas.

As forças internas, relativamente, em equilíbrio, sofreram divisões produzidas pelas potências externas, adversárias da ação anti-sionista da Síria, engajada, principalmente, da defesa da construção do estado palestino, cercado, cada vez mais, de muros construídos por Israel.

A primeira vítima da guerra é a verdade, disse o jornalista italiano Paolo De Santis.

E foi o que aconteceu com a abordagem, em escala crescente, da mídia ocidental, na tarefa de construir cenários especulativos, cujas apostas foram no rumo da deterioração do governo Assad, como responsável pelo aprofundamento das divisões internas, como se estas estivessem dessintonizadas das pressões externas, interessadas no caos, para desestabilizar o governo.

Dominado pelo pensamento expansionista americano – que faz vista grossa, no Oriente Médio, à expansão sionista, da qual se utiliza para realizar a geopolítica de Washington, na região, onde seu interesse se volta, preferencialmente, por dominar fontes de petróleo na Arábia Saudita, sob comando do Consorcio Aramco(sete grandes) – o pode midiático ocidental iniciou o jogo da manipulação da informação.

A guerra midiática criou e aprofundou ambiente de discórdia para dividir sírios e acirrar ânimos, alterados por forças políticas mercenárias, que invadiram a Síria, financiadas pelo terrorismo islâmico, bancado pelas potências ocidentais.

O diálogo naufragou-se, depois que onda terrorista do EI atacou forças armadas públicas sírias.

O quadro político, na guerra em ascensão, alterou quantitativa e qualitativamente.

A internacionalização do conflito, nos cinco anos seguintes, a partir de 2011, acelerou aproximação da Síria do Irã e Rússia, de um lado, e, de outro, Estados Unidos, Europa, Arábia Saudita, Turquia.

A cruzada imperialista contra a Síria, para separá-la da Rússia e do Iran, produziu destruição do nacionalismo econômico sírio.

Porém, os imperialista não conseguiram, ainda, subjugar Assad, apoiado por Putin e aiatolás iranianos – nacionalismo apoiando nacionalismo em enfrentamento com o imperialismo americano-europeu.

A partir do momento em que Putin, há três meses, radicalizou contra o terrorismo, financiado por EUA-Europa-Arábia Saudita-Turquia, mandando bombas a torto e a direito, o panorama da guerra mudou de figura.

Putin e Obama, sob pressão da ONU, sentaram para buscar acordo há duas semanas.
Desagregaram-se, completamente, as forças terroristas do Estado Islâmico sob impacto dos bombardeios russos, assim que Putin se comprometeu, militarmente, em salvar a Síria ameaçada pela radicalização guerreira ocidental – EUA-Europa-Arábia Saudita-Turquia.

Vislumbra-se vitória de Bashar al-Assad no horizonte.

Washington, diante da inevitável derrota dos terroristas e das forças ocidentais que os apoiam, abriu o bico, aceitou sentar e negociar.

A guerra está nesse pé.

Ganha guerra quem assina a paz.

Putin, portanto, está na frente, porque obrigou as potências ocidentais a recuarem por absoluta falta de coesão.

Bashar, Putin e Aiatolás pregam a paz, mas exigem: da discussão e dos termos dela devem estar ausentes, obrigatoriamente, as forças do terror.

Até quando?

Não se sabe.

A paz armada é fundamental para Bashar al-Assad manter-se no poder, realizar eleições no país e organizar as forças produtivas nacionalistas.

Materialmente, elas estão seriamente destroçadas; espiritualmente, porém, assegura Ghassan Nseir, estão mais do que nunca resistentes e dispostas à luta.

O moral sírio, com Putin ao lado, está elevado.

Lenio Streck: pacote retroage mais de mil anos

Por Lênio Streck | Via Zero Hora

O pacote contra a corrupção que o Ministério Público Federal apresenta dá o que pensar. Por que deixaram de fora a legalização da tortura? Afinal, ela é eficiente. Os procuradores se empolgaram. Teologia juspunitiva. O “pacote” é tão cheio de inconstitucionalidades, que, muitas delas, o porteiro do Supremo Tribunal invalida. Até quando acertam propondo medidas contra o caixa 2, multa para bancos e recuperação de ativos produtos de crimes, acabam colocando parágrafos que violam direitos.

Mas meu papel, aqui, é de jurista e não de torcedor. Ninguém é a favor da corrupção, a não ser o corrupto, é claro. Um país não progride com impunidade. Mas também não progride com supressão de garantias. Ah, nos EUA é assim. Comparação falsa. Sistemas diferentes. Lá erros dão filme. Atire a primeira pedra quem, em Pindorama, não tenha sido vítima (ou não saiba) de algum erro judiciário. E na Alemanha? Não, não é assim.

O pacote propõe uma “eugenia cívica”. O agente público deve se submeter a testes que apontem se é propenso a cometer crimes. Como? Já existe tal ciência? Mais: e se o “teste” for positivo, será meio idôneo de prova, ainda que o acusado a tenha produzido contra si mesmo? E será aplicado nos concursos de juiz e procurador? E na indicação de ministros? Não são agentes públicos?

O pacote retroage mais de mil anos ao restringir a possibilidade de pedido liminar em habeas corpus. Mais: o pensamento mágico — corrupção terá pena maior que homicídio. Código Penal reduzido a pó. O pacote também cria o “informante confidencial”, que só vale para corrupção. E em homicídio, não?

Faltam páginas para elencar os erros. A maioria das medidas é inconstitucional. Assalto não é crime hediondo, mas a gorjeta para o guarda poderá ser. Se o pai paga dívida de filho servidor público endividado, pode ser processado porque é um terceiro enriquecendo ilicitamente o rebento. O que mais dizer? E olha que coloquei só 10% das ilicitudes propostas pelo MPF. E nem falei das provas ilícitas.

Lula pode ser candidato em 2018? Quem será o “seu” herdeiro?

Por Ivo Pugnaloni

Responda rápido, caro leitor: “Quanto tempo demora no Brasil, normalmente, um processo judicial?”  “Três anos no mínimo”, dirão alguns. “Cinco ou até mesmo dez anos”, dirão outros.                                                                                   

E o processo contra Lula, quanto tempo vai durar? Não precisa pensar muito: o processo deve durar mais do que os dois anos, com toda a certeza. Aliás, vai durar quanto tempo seus adversários quiserem, necessário para impedir seu retorno à presidencia da República em 2018.

Afinal, o juiz, os promotores e os policiais envolvidos no caso não aparentam ter a menor pressa em condenar ou inocentar o Lula. Quanto mais tempo durar o processo, melhor. Pois se condenarem Lula muito rápido poderia ser pior, acenderia os ânimos, revoltaria os trabalhadores, que não entender como tantos ligados aos PSDB estão soltos e Lula, preso. Logo o Lula que deu aos filhos deles a chance de cursar uma universidade, não poderá concorrer a um novo mandato.

Muito melhor será Lula continuar sendo julgado e condenado por mais 1000 dias e noites  pelo casal de apresentadores-juízes do Tribunal da Mídia, órgão moderno e ágil, que conforme o juiz Moro e os promotores do caso afirmam, cumpre importante papel, colaborando com o Judiciário, e funcionando no Jardim Botânico, no Rio de Janeiro. Sem despesas para o erário público.

Sobre a possível condenação de Lula quanto à propriedade do sítio chinfrim de Atibaia e do tríplex-muquifo do Guarujá, é importante notar que no Brasil não existe uma certidão de “não-propriedade”.  Será impossível ao Lula provar que os imóveis não são dele. E a certidão de cartorio que diz isso, não é aceita como prova da não-propriedade pelo juiz Moro, em decisão ratificada pelo Tribunal da Mídia há poucos dias.

Considerando que, também por decisão memorável do juiz Moro, o ônus da prova agora passou do acusador para o acusado, não é preciso ser muito esperto para concluir que Lula já está fora da disputa eleitoral em 2018. Não importa se já estará condenado ou não, com provas ou não.

Lembremos a respeito, que para condenar Lula basta agora uma delação premiada. E esta pode ser obtida por meio de prisão preventiva indefinida, um novo conceito penal, criado pelo próprio juiz Moro, já consentida pelo Superior Tribunal Federal.

Lembremos que a autorização para que a suprema corte do país altere a Constituição Federal de 1988, foi conferida há pouco por decreto legislativo do Congresso Nacional da Mídia, que é o verdadeiro parlamento brasileiro. Muito mais econômico do que seu homônimo e subordinado, que funciona em Brasília, o Congresso Nacional da Mídia proporciona grande economia ao país. Basta comparar o numero de seus componentes, pois enquanto o Congresso Nacional da Mídia que funciona no Jardim Botânico, tem apenas três deputados, ( os quais para maior economia concordaram em ocupar também os cargos de senadores) o Congresso Nacional eleito pelo povo, que funciona em Brasília sustenta 513 deputados federais e 81 senadores. Um verdadeiro absurdo, um desperdício total.

Voltando ao caso Lula, mesmo se não houver provas, mesmo se o Lula conseguir trazer ao processo um Atestado emitido pelo próprio Senhor Deus, provando que não é dono do sitio e do tríplex, o juiz do caso, usando o poder já conferido pelo STF ao saudoso, mas muito vivo, Joaquim Barbosa, poderá usar a já testada “teoria do domínio do fato”.  Para isso, basta usar jurisprudência firmada no voto da Ministra Rosa Weber, que no caso José Dirceu, dispensou provas, dizendo que a “literatura a ensinou que assim poderia fazer para condenar o réu”.

Ora, sejamos francos: quantos são na Câmara dos Deputados, no Senado ou no STF aqueles com coragem para opor-se às novas regras criadas pela Casa de Leis do Jardim Botânico? Muito poucos.

E se Lula, por falta de provas, ainda não estiver condenado em 2018, bastará ao juiz Moro, cuja esposa, – vejam só que coincidência -, trabalha não apenas para políticos do PSDB, mas para a Shell, concorrente da Petrobrás, investigada pelo marido-, autorizar a prisão preventiva indefinida do ex-presidente e candidato em qualquer dia antes do dia da eleição. Ou mesmo depois da eleição.

Afinal, o importante para os adversários de Lula não é a condenação pelo STF. O importante é obter fotografias e imagens de vídeo do “japonês da Federal”,              ( um funcionário público condenado à prisão por corrupção, mas que espera recurso há doze anos ), conduzindo para uma cela o maior líder vivo das classes trabalhadoras de todo o mundo hoje.

Tudo conforme estabelece acordo de colaboração entre as empresas jornalísticas e a vara que preside o Dr Moro para vazamento de informações e ampliação da audiência de algumas emissoras e o funcionamento da nova PPFA, Polícia Política Federal Anti-PT.

Se o PT não mudar seu candidato, podemos ter Lula preso, sem julgamento, concorrendo à eleição para presidente da república, em prisão preventiva indefinida, acompanhado de dona Marisa, algum de seus filhos e quem sabe, uma das noras. Cenas inesquecíveis para aumentar a audiência das novelas e dos noticiários. Infelizmente, os netos de Lula não poderão ser presos, ainda estarão livres das garras da lei, mas não do opróbio eterno nas escolas e universidades que cursarem.

Os que simpatizam com a história de vida de Lula precisamos internalizar isso: Lula já está fora das eleições de 2018, pois nada, nos processos de investigação ao menos aparenta ser isento. Não se procura nestes processos evitar a corrupção mas apenas cassar Lula antes que seja candidato. Sua absolvição final, se vier a ocorrer ainda com Lula vivo, deverá levar mais de dez anos, com toda a certeza. E isso pode o amigo leitor perguntar isso a qualquer advogado de sua preferencia ou conhecimento.

Essa a verdade, que deve ser reconhecida o quanto antes, pelos que ainda não concordaram em entregar o poder em 2018 para os adversários das politicas de desenvolvimento com inclusão social e diminuição de desigualdades regionais e sociais,

Graças ao poder do Tribunal da Mídia, – cujo poder aliás jamais foi contestado seja por Lula ou seja por Dilma, estamos como queria Carlos Lacerda, patrono dos golpistas brasileiros, mais famoso agente de governos estrangeiros no país, quesonhava em ser presidente da República, mas para isso não admitia que o mineiro Juscelino Kubitschek (1902-1976) pudesse ser candidato pois se fosse, ganharia de novo:

“Juscelino não será candidato. Se for candidato não pode se eleger. Se se eleger, não pode tomar posse. Se tomar posse, não pode governar”, dizia Lacerda em 1963, sobre as eleições marcadas para 1965. Eleições que jamais foram realizadas, em razão do golpe cívico-militar articulado por ele Lacerda e pelo embaixador dos Estados Unidos, Lincoln Gordon, em conjunto com o Governador de Minas Gerais, Magalhães Pinto que era o dono do Banco Nacional e com o Governador de São Paulo Ademar de Barros, famoso pelo slogan “Aquele que rouba mas faz”.

E infelizmente, com a colaboração de dezenas de oficiais generais das Forças Armadas, entre eles Amauri Kruel.

Então vem a pergunta: quem vão ser os candidatos se Lula estiver ver fora da disputa, atrás das grades da Polícia Federal, em Curitiba, mas transferindo ao substituto vários milhões de votos, oriundos da revolta do povo simples, que produzirá efeito muito maior pelas redes sociais do que o motim de três dias incontrolável, quando no Rio de Janeiro, com a morte de Getúlio, os golpistas de 1954 conseguiram enfim fazer com que o presidente dos trabalhadores saísse morto do Palácio do Catete?

E quem seria o candidato da presidenta Dilma, apto a beneficiar-se dessa enxurrada de votos?

- Jaques Wagner? José Eduardo Cardozo? Ciro Gomes? Ou Eduardo Braga?

E o candidato do PSDB e da oposição toda?

- José Serra? Aécio Neves?

E quem seria o candidato do PT, se o partido ousasse desobedecer à presidenta atual?

- Fernando Haddad? Fernando Pimentel?

Ou será que, como diziam em 1962 os estudantes mais revoltados com a ingerência norte- americana na política brasileira, nas ruas se gritará:

- “Chega de Intermediários! Para presidenta, a embaixadora dos EUA, Liliana Ayalde. Ou algum dos filhos do Irineu Marinho!”

Quem viver verá, mas quem pensar e agir agora, com certeza, interferirá.

Ficar só lendo, teclando e postando comentários não adianta. É preciso agir.

No mundo real. O mundo virtual é apenas virtual e não necessariamente, virtuoso.

BrPop sai em sua sexta edição, à frente contra o Zica

Via Café na Política

Na sua sexta edição, o jornal impresso Brasil Popular, ganha hoje (sexta, 26/02/16) novamente às ruas, insistindo no tema do mosquito da dengue: “Zica nunca mais”, diz a manchete, que é seguida desses temas na primeira página
– O Brasil nas mãos do povo
– Mais alunos da rede pública na UnB
– Candidato de esquerda quer a Casa Branca
– Violência contra a mulher
No editorial o BrPop observa “estar em análise no Congresso Nacional a aprovação da CPMF, cuja proposta de cobrança não alcançará as movimentações financeiras de pequeno valor. Com a epidemia de zica, mais do que nunca é preciso considerar a CPMF para financiar a volta dos antigos mata-mosquitos, demitidos por José Serra quando ele era ministro da Saúde. Ainda sobre a zica, o Jornal Brasil Popular fez uma entrevista exclusiva com o secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos, do Ministério da Saúde, Eduardo de Azeredo Costa. Ele garante que a prioridade do Ministério é combater o Aedes Aegypti e descobrir a vacina contra o vírus zica. Confira a entrevista”.

Distriuição – Seus editores, jornalistas e simpatizantes estarão hoje na Estação Rodoviária Central de Brasília, no entroncamento dos Eixos Monumental e Rodoviário, para distribuir o jornal, que é gratuito.

“Hoje, a partir das 16:15H, distribuição de nova edição do Jornal Brasil Popular, em mais Cara a Cara com o povo, obrigando-nos, ao coletivo e a cada um individualmente, a um esforço de argumentação, explicação, exposição, diálogo, capacidade de enfrentar situações políticas difíceis – e a situação política é difícil e complexa para as forças progressistas. Por isso, convocamos a todos a enfrentar as inúmeras dificuldades, a não nos protegermos diante do computador`, diz Beto Alemida.

“O governo tem baixa popularidade, segue cometendo erros, mas, creio não haver dúvida que o desalojar deste governo fora de uma sucessão democrática, com a participação popular via voto, poderá levar a uma situação de instabilidade que colocaria em risco, além da própria legalidade democrática, todas as conquistas alcançadas nos últimos anos, bem como outras, de décadas atrás, como a CLT e a Petrobrás, da Era Vargas”. continua.

O Jornal Brasil Popular é uma legítima e singela iniciativa para ENCORAJAR as forças progressistas a terem sua própria mídia, uma argumentação feita a partir da pedagogia do exemplo. Queremos também encorajar a própria militância, que se queixa tanto da ausência de uma mídia popular, a assumir uma ação concreta para consolidar o Brasil Popular, amplia-lo, por meio do apoio pessoal na distribuição, como já o fazem o Sindicato dos Petroleiros do Rio de Janeiro, os companheiros de Curitiba, e vários sindicatos cutistas de Brasília-DF. Convocamos, uma vez mais, aos compas do Núcleo de Base Celso Daniel, a seguirem atuando e ampliando a distribuição do jornal também para círculos do próprio governo, o chamado segundo escalão, onde, há também muitas dúvidas e abatimento, em razão das dificuldades que o governo vem enfrentando para expandir conquistas, e mesmo para defender as alcançadas. Convidamos também aos integrantes do Coletivo PT de Lutas, tal como já feito na plenária passada, a uma atuação criativa nesta distribuição do Jornal Brasil Popular.

A inteligência a serviço da estupidez

Por Geniberto Paiva Campos | Brasília, fevereiro de 2016
  1. Para sempre colônia?

    Há um novo festival de besteira assolando o país. Na década de 1960 o cronista carioca Sérgio Porto, codinome (heterônimo?) Stanislaw Ponte Preta, captou um movimento irreversível, campeão na arte de produzir asneiras sem fim, ao qual deu o nome de “FEBEAPÁ”, (Festival de Besteira que Assola o País, em tradução livre). (2)

Ponte Preta não conseguiu identificar o mosquito transmissor do Festival de Besteiras. Mas sabia diagnosticar precisamente a ocorrência da tolice e da estupidez, onde estivessem.

O “Febeapá” foi um daqueles movimentos cíclicos. Que vão e voltam. Quando o Brasil perde a sua capacidade crítica, mandando a noção de limite para o espaço, e passa a levar tão a sério seus “projetos” que acaba adentrando o perigoso terreno da galhofa. E coloca, lamentavelmente, a inteligência brasileira a serviço da burrice.

Stanislaw soube como ninguém usar do seu humor cáustico, impiedoso, para denunciar os desmandos – oficiais e oficiosos – da elite ignara. As grandes, médias e pequenas sacanagens da política e no meio desse caldo insalubre (entre o cômico e o patético) as tentativas heroicas do povo para cuidar da sobrevivência. (2)

(Em sua apresentação da mais recente edição do livro, em 2015, o jornalista Sérgio Augusto faz uma síntese perfeita do pensamento do seu xará Sérgio Porto e do seu “alter ego” Stanislaw, dizendo o seguinte: “abominavam os hipócritas, os racistas, os puxa-sacos, e não tinham em melhor conta o milico metido a machão, o burro metido a sabido e o intelectual metido a besta”) . (2) Bons tempos aqueles em que as bestas pomposas não conseguiam esconder impunemente a sua estupidez. E não eram assim tão boçais e soberanos, como os atuais “consultores” – e até chargistas – do rádio, TV e jornais.

 

  1. Ano passado foi a vez de um outro atento cronista, de origem universitária, assinalar, a seu modo, o retorno do novo Febeapá. Como se trata de um professor de sólida formação acadêmica, abordou o problema usando natural rigor científico. O Festival de Besteiras ganhou outra denominação. Séria. Como convém às lides universitárias.

E o pesquisador Jessé Souza colocou o seu livro no mercado (edição esgotada), que denominou “A Tolice da Inteligência Brasileira”, com o subtítulo “como o país se deixa manipular pela elite”. (3). Os tempos são outros. Mas as besteiras são semelhantes. E, portanto, a crítica é também impiedosa. Embora com todo o respeito. E roupagens acadêmicas. E com direito à prospecção histórica. E ao exercício, inevitável, inexorável, da iconoclastia. (Que ninguém é de ferro).

O sociólogo Jessé Souza deixa claro em seu livro que verdades estabelecidas, assumidas como definitivas, precisam ser escrutinadas à luz da História e dos novos conhecimentos científicos. E não hesita em indicar nomes consagrados, verdadeiras “vacas sagradas” da assim chamada inteligência brasileira. Que teriam cometido equívocos imperdoáveis no campo da Sociologia ao interpretar a complexa (e desafiadora) realidade de um Brasil em crescimento e desenvolvimento. Há que admitir: é preciso coragem, seriedade e discernimento para cometer tanta ousadia. E, claro, sem perder o bom humor.

 

  1. Agora se trata de um outro movimento. Medíocre. E rasteiro, até. Extremamente ambicioso em seus objetivos. Mas insuperavelmente tolo e banal em seus argumentos. Tangenciando o ridículo. Mas confiantes no apoio da mídia. E na ingenuidade política da classe média. Que imaginam eternos. Fazendo-a agir contra a sua própria categoria social. Defendendo com denodo e inacreditável ingenuidade política os (muito) ricos e os seus mais escusos e inconfessáveis interesses.

O que se pretende com esse discurso simplório é muito claro: fazer o Brasil recuar em marcha batida ao século 19. E eternizar a desigualdade como padrão definitivo das relações econômicas e sociais entre os homens. Abaixo e acima do Equador. Extinguindo direitos trabalhistas. Reduzindo salários. Defendendo a casta de bilionários. Prescindindo do uso de qualquer requinte intelectual, que acham desnecessários para convencer a ralé. E dispostos a fazer do seu país uma nação para sempre periférica. Submissa aos interesses de sua Metrópole. Decididos a fazer a pronta entrega das suas riquezas. Nem que para isto tenham de usar argumentos absurdos e pueris. Até o petróleo, que como se sabe, “não dá duas safras”. E a Petrobrás – empresa criada para gerir esta riqueza (ainda) estratégica – poderão ser entregues, de forma servil e abjeta, genuflexa, aos interesses da Metrópole. Sem que esta tenha de fazer maiores esforços, a não ser a manipulação fácil da quinta coluna servil ao seu comando. Instalada nos 3 Poderes da nossa distraída República (De bananas? Ou de óleo bruto?).

E o governo brasileiro tão preocupado com o Aedes Aegypti, a Zika e a microcefalia, negligenciou a séria ameaça do Aedes Paranaensys às suas reservas de petróleo. (Para aqueles que duvidaram, ficou claro agora o porquê da agressão sem trégua do legislativo e do judiciário a Petrobrás, uma das maiores empresas petrolíferas mundiais: era uma articulação para a sua pronta entrega aos interessados).

Quem assumirá a desafiadora tarefa de se tornar o novo cronista desse novo e funesto “Febeapá”? Com a altruísta missão de denunciá-lo. E, mais ainda, com o nobre empenho de defender a soberania nacional, novamente ameaçada? Com a histórica e enrubescedora decisão de ontem (24 de fevereiro de 2015 – “save the date”) no Senado Federal – ai que vexame! –  teríamos atingido o ponto de não-retorno da entrega do Brasil Colônia aos seus novos donos? Aguardemos os próximos capítulos. Da Lava Jato. E do Congresso Nacional. Fortes emoções aguardam o nosso Brasil. Como dizia o poeta Vinícius, “nossa patriazinha tão querida”. E tão ameaçada no seu sonho de tornar-se uma nação livre e soberana.

 

RFERÊNCIAS

  1. Frase atribuída a Mauricio de Lacerda, pai do ex-governador Carlos Lacerda;

  2. Jessé Souza – “A Tolice da Inteligência Brasileira” – ou como o país se deixa manipular pela elite – 2015 – ed. LeYa – São Paulo;

  3. Stanislaw Ponte Preta – “Febeapá” – Festival de Besteira que Assola o País – 2015 – Companhia das Letras – Ed. Schwarcz – São Paulo

(*) Do Instituto Lampião – Reflexões & Debates sobre a Conjuntura