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Diálogos Desenvolvimentistas: Quem banca o seu representante?

Weber Figueiredo – Você já pegou dinheiro do seu próprio bolso para ajudar a eleger algum político em quem confia?

Certamente a imensa maioria nunca fez isso, deixando praticamente todos os candidatos eleitos nas mãos das empresas e negocistas que os financiaram. Só que a TV nunca lhes contou isso.

Portanto, não se espante em ver listas e mais listas de financiamento privado de campanhas eleitorais conforme essa do PSDB e FURNAS, verdadeira ou não. Há décadas essa é a práxis (contrária à democracia) que só será mudada após uma reforma político-eleitoral de verdade e punição severa tanto para os corruptos quanto para os entreguistas do patrimônio nacional.

Defenda um modelo de desenvolvimento com soberania e justiça. Defenda a educação de qualidade para todos, em todos os níveis. Defenda a pesquisa científica e tecnológica como a única forma de gerar riquezas sem cair na armadilha da dependência que gera desemprego, pobreza e criminalidade. Defenda a nossa cultura. Defenda as empresas nacionais que desenvolvem tecnologia e geram milhares de empregos qualificados, a exemplo da estatal Petrobras (nunca defenda os corruptos).

E se você tiver dúvidas, mire-se no exemplo dos países ricos e rejeite a desnacionalização da economia proposta pelos golpistas espertos (e bobinhos distraídos).

Tania Faillace – O livro-de-ouro para passar entre amigos e simpatizantes de campanhas, ação de grupos, etc., há muito deixou de ser passado, e até não é mais conhecido das novas gerações.

Poderia ser interessante ressuscitá-lo em termos modernos e até chegar a um entendimento fiscal para sua classificação como despesa de interesse social, assim como as doações benemerentes.

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Weber Figueiredo é engenheiro e professor da CEFET.

Tania Faillace é jornalista e escritora.

Que tal voltar a fazer política?

Por Geniberto Campos

1. Uma nova ordem moral

Fazer Política no Brasil tornou-se uma gincana pontuada de desafios e obstáculo morais. Ou “éticos”, como preferem alguns sacerdotes do Novo Templo que está sendo erguido. Em cujos alicerces repousam biografias de conhecidos políticos. E estão sendo preparados os lugares dos transgressores da nova ética, os “empreiteiros”.

Para onde estaria sendo conduzido o destino do país, com os critérios agora vigentes no jogo da Política? E uma questão adicional: Quem estaria formulando, aplicando e avaliando as novas regras do jogo?

Quem são e o que pretendem esses novos atores dessa nova e surpreendente forma de fazer política? Que tipo de influência exercem no desenrolar dos acontecimentos e quais são os seus verdadeiros objetivos?

São questões pertinentes, colocadas de forma séria, face às possíveis consequências e desfechos que deverão influir gravemente no futuro do país.

2. As novas regras e os seus a(u)tores

Identifica-se facilmente o Sumo Sacerdote do templo. Com a demonização e o esvaziamento progressivos da política e dos políticos, o papel de comando está estregue à chamada Grande Imprensa, a qual detém há algum tempo, poderes absolutos na construção da Nova Ordem.

Jornais, revistas, TVs, rádios e outros meios de comunicação são os novos atores e autores de um obscuro roteiro, que submete segmentos dos poderes Legislativo e do Judiciário. Sempre dóceis ao seu comando. Progressivamente, os partidos políticos foram perdendo a sua representatividade, e foi, gradativamente, reduzido o seu papel no processo democrático, mesmo legitimado pelo voto popular.

Agindo fora de qualquer controle ou limites legais, este novo e inalcançável poder cria a pauta política e econômica do país, e dispõe ainda da inesgotável capacidade de criar heróis e vilões, manipulados de acordo com os interesses que representam.

Tem-se hoje a impressão que as coisas estão indo longe demais. E que é preciso, dentro dos precisos limites constitucionais, criar mecanismos de contenção deste novo poder, que tudo pode.

3. Os mecanismos sutis de controle da política

Várias são as formas de restrição e controle sutilmente introduzidas no aparato legal e na legislação eleitoral. O brasileiro médio, mal informado e despolitizado, vai aos poucos se acostumando com a “novilíngua” orwelliana. E oferecendo o seu incontido apoio aos novos padrões morais, aplicados à nova forma de fazer política.

Pelos padrões atualmente em vigor os políticos devem ser “ficha limpa”.

“Mensaleiro”, substantivo/adjetivo, qualifica algo próximo à obscenidade. Se faltam evidências legais que comprovem a culpabilidade, é legítimo que o Judiciário recorra ao “domínio do fato”. Se este ainda não é suficiente, o réu será condenado, não pelas evidências nos autos, mas pela “literatura jurídica”.

E quando se imagina que já se viu tudo, a operação “Lava Jato” nos brinda com a “delação premiada”. Esta levada às últimas consequências por alguns agentes públicos que imaginaram dar incentivos financeiros aos delatores. Os novos heróis criados pela imprensa, arrependidos e enojados dos seus crimes, ou melhor pequenos desvios, pretéritos. Então , estamos a criar uma corte de anjos e santos no campo da política. Paramentados com harpas e auréolas.

4. A saída, onde fica a saída?

Finalmente, é justo perguntar: – onde vamos parar com tudo isso?

É este o desafio colocado aos brasileiros que usam mais de dois neurônios para formular seus pensamentos. E um caminho, talvez óbvio se apresenta: que tal voltar a fazer Política? Assim com maiúsculas.

Fazer o retorno ao leito natural do jogo político. Do confronto de ideias e projetos. Do respeito ao adversário. Fazer a retomada da boa e velha Política. Se possível, se afastando definitivamente de uma deslavada e insustentável hipocrisia, a qual tornará o país cada vez mais distante do sonho de se tornar uma grande Nação.

Com a palavra as lideranças políticas e partidárias. E os infatigáveis – imprescindíveis – militantes das causas sociais.

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Geniberto Paiva Campos é méédico/ex-professor da Universidade de Brasília/Membro da Comissão Brasileira de Justiça e Paz da CNBB.

Metas da educação crítica

Por Frei Betto | Via Correio da Cidadania

Uma educação crítica e libertadora deve ter em vista construir uma civilização solidária, livre de opressão e desigualdade social.

Vivemos todos sob a hegemonia do pensamento único neoliberal e da economia capitalista centrada na apropriação privada da riqueza. O neoliberalismo, como vírus que se dissemina quase imperceptivelmente, se introduz nos métodos pedagógicos e nas teorias científicas; enfim, em todos os ramos do conhecimento humano. Assim, instaura progressivamente ideias e atitudes que fundamentam a ética (ou a falta de ética) das relações entre seres humanos e dos seres humanos com a natureza.

Na lógica neoliberal, a inclusão do indivíduo como ser social é medida por sua inserção no mercado como produtor e consumidor. As relações humanas são determinadas pela posse de mercadorias revestidas de valor. É o fetiche denunciado por Marx.

Essa inversão relacional – segundo a qual a mercadoria possui mais valor que a pessoa humana, e a pessoa humana é valorizada na medida em que ostenta mercadorias de valor – contamina todo o organismo social, inclusive a educação e a religião, conforme denunciou o papa Francisco a 22 de dezembro de 2014, ao apontar as “15 enfermidades” que corroem a Cúria Romana.

Disso decorre uma ética perversa, que sublinha como valores a competitividade, o poder de consumo, os símbolos de riqueza e poder, a suposta mão invisível do mercado.

Tal perversão ética debilita os organismos de fortalecimento da sociedade civil, como movimentos sociais, sindicatos, associações de bairro, ONGs, partidos políticos etc. O padrão a ser adotado já não é o da alteridade e da solidariedade, mas o do consumismo narcísico e da competitividade.

Como superar, hoje, esse padrão de vida capitalista que, se não vigora em nosso status social, muitas vezes predomina em nossa mentalidade? Nisso a educação exerce papel preponderante para que as novas gerações não se sintam obrigadas a adaptar-se ao novo “determinismo histórico”: a hegemonia do mercado.

Hoje, uma das poderosas armas de superação do neoliberalismo é a educação crítica e cooperativa, capaz de criar novos parâmetros de conhecimento e suscitar novas práxis emancipatórias. Sobretudo quando ela se vincula a movimentos sociais de defesa dos direitos humanos e de aprimoramento da democracia.

É através da educação que se moldam as subjetividades que imprimem significado aos fenômenos sociais. Acontece, com frequência, de se viver um antagonismo entre o microssocial (pautado pela subjetividade) e o macrossocial (pautado pelas estruturas). Professamos uma ética que não praticamos e uma democracia que não admitimos ao ocupar função de poder.

Bons exemplos de coerência entre o microssocial e o macrossocial são Gandhi, Luther King e Chico Mendes: a partir de seus ideais específicos – luta contra o imperialismo britânico, a discriminação racial e a degradação ambiental –, lograram modificar estruturas e implantar novos parâmetros éticos nas relações pessoais e sociais.

Diálogos Desenvolvimentistas: O domínio tecnológico e a falácia privatista

Weber Figueiredo – Observar que quem domina a tecnologia, isto é, quem domina o projeto de engenharia, é quem especifica toda a cadeia produtiva, ou seja, especifica todos os insumos necessários à obtenção do produto final, quer seja uma refinaria, plataforma, viaduto, máquina ou equipamento.

Quando as empresas estrangeiras substituem as empresas nacionais, elas passam a desenvolver os seus próprios projetos de engenharia, e, portanto, passam a ter o domínio dos preços e fornecedores e, aí, adeus aos controles nacionais. Isso significa perda de autonomia (ou soberania).

Quando as empresas de telecomunicações foram privatizadas e entregues ao capital estrangeiro pelo mago do entreguismo, a primeira coisa que fizeram foi cortar diversos fornecedores brasileiros e passar a comprar equipamentos e serviços de seus parceiros estrangeiros.

Esses juristas de meia tigela, ministérios públicos, tcu’s etc, não metem o bico com nenhuma empresa mundial para dizer se houve superfaturamento ou não de um produto ou serviço, porque é difícil discutir com o americano, chinês ou coreano se alguma coisa feita sob encomenda (customizada) no exterior tem o preço correto de R$ 100 e não de R$ 1000 como ofertado.

Se já é moroso discutir preço com as empreiteiras nacionais (com as nossas planilhas de preços), imagine discutir com as empresas estrangeiras que dominam todo o negócio. Além disso, quando eliminamos a inteligência nacional de projetos, eliminamos pessoas que possam dialogar sobre tecnologia e preços de igual para igual com os estrangeiros. Ficam uns “burros” brasileiros recebendo receitas e preços prontos dos “parceiros” estrangeiros. E mais, os empregos que deveriam ficar aqui são transferidos para o exterior.

Dependência tecnológica, significa cortar a cabeça do conhecimento e decisões e ficar apenas coma a mão-de-obra subalterna.

Isso é bonito?

Acho que não, por isso devemos defender empresas nacionais que têm autonomia tecnológica a exemplo da Petrobras e construtoras (que projetam e constroem).

Nelson Prata – A dominação estrangeira dos projetos em quaisquer setores significa dar o golpe final na soberania. Alguém realmente acha que as privatizações eliminam a corrupção? O Estado está a salvo com as privatizações? Ledo engano, o Estado é saqueado com ainda mais vigor após os desmontes, pois as antigas estatais são e continuarão sendo subsidiadas pelos cofres públicos, só que fora do holofote da mídia conivente, sob o manto do disfarce privado.

Veja o recente caso japonês, onde ministros renunciaram e o Primeiro-Ministro está sob pressão por haver recebido doações de empresas “privadas”, subsidiadas pelo governo japonês. Imagine agora a festa que fazem e farão os investidores beneficiados pela privataria passada e futura. Este é o verdadeiro buraco em que nos meterão, estaremos eternamente condenados a cobrir rombos orçamentários, escravos em uma colônia disfarçada de nação.

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Weber Figueiredo é engenheiro e professor da CEFET-RJ.

Nelson Prata é engenheiro, professor e consultor.

O papel da política fiscal no novo desenvolvimentismo

Por Heldo Siqueira

Diretrizes de política econômica no novo desenvolvimentismo

Em busca de uma interpretação que permitisse explicar tanto as crises da década de 1980 quanto a instabilidade que seguiu à década de 1990 alguns autores estão recorrendo ao novo desenvolvimentismo. Trata-se de uma vertente nacionalista (no sentido de resgatar o papel do estado nacional na teoria econômica) da escola keynesiana – liderada pelos professores Bresser-Pereira, Nelson Marconi, com o livro Development Macroeconomics da editora Routledge, e Luiz Fernando de Paula, José Luiz Oreiro e Flávio Basílio da editora da UFPE – que tenta explicar os desequilíbrios macroeconômicos brasileiros a partir de um viés estrutural na economia que mantém o câmbio naturalmente (e não conjunturalmente) valorizado. Ao mesmo tempo, apresenta um papel diferente para a política fiscal e monetária do desenvolvimentismo dos anos 1970.

O Pós-Guerra, velho desenvolvimentismo e o neoliberalismo

O período que começou com o fim da II Guerra Mundial e acabou com as crises do petróleo dos anos 1970 foi marcado por políticas de cunho keynesiano na maioria dos países capitalistas. Naquela época, parecia que os governos haviam encontrado a fórmula mágica para o crescimento indefinido: a ampliação do deficit público. Essa concepção advinha de uma interpretação simplista da teoria keynesiana (o chamado keynesianismo bastardo) e encontrava respaldo absoluto nos governos populistas interessados em utilizar o gasto público para manter-se no poder.

Apesar da interpretação politicamente enviesada dos ensinamentos do economista inglês, o período de consenso keynesiano foi fértil em interpretações alternativas sobre a lógica de desenvolvimento dos países pobres em relação aos ricos. Na América Latina, essa corrente de interpretações era fundamentada nos estudos da Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (CEPAL) e ficou conhecida como desenvolvimentismo, tendo como principais autores Raul Prebich e o brasileiro Celso Furtado. A constatação era que a pobreza dos países advinha da especialização em produtos primários que apresentavam desvalorização contínua em relação aos bens duráveis industriais, relegando os pobres à condição de menos desenvolvidos. Para a solução deste viés, havia três recomendações: i) deficit público para a implementação de obras de infraestrutura e plantas industriais estatais em setores de indústria de base; ii) abertura ao capital internacional para a industrialização nos setores de bens de consumo duráveis; e iii) proteção à indústria nacional através do modelo de substituição de importação.

As crises do petróleo e da dívida no final dos anos 1970 e da década de 1980 marcaram a derrocada dessas e o surgimento da versão moderna do liberalismo. O chamado neoliberalismo, implantado a partir da década de 1990, defendia a privatização das estatais criadas no período anterior e a abertura do mercado nacional para produtos estrangeiros, acabando com a proteção à indústria nacional. Em complemento, houve a utilização do câmbio valorizado para conter a espiral inflacionária que acometia esses países. O resultado dessa combinação de políticas foi a desindustrialização precoce da região e a nova especialização em bens primários. Além disso, o deficit comercial que se seguiu à combinação de abertura econômica e câmbio valorizado implicou em instabilidade.

O novo desenvolvimentismo

A explicação novo desenvolvimentista para esse comportamento da economia diz respeito a questões estruturais e não apenas conjunturais. Assim, países especializados em produtos primários possuem uma vantagem comparativa em relação aos desenvolvidos tão grande na produção de commodities que conseguem manter suas exportações mesmo com taxas de câmbio valorizadas. Como se sabe, a manutenção de taxas de juros internas valorizadas torna as exportações relativamente mais caras, diminuindo em montante e tornando-as inviáveis em alguns casos. Essa falha impede que o mercado de câmbio regule os fluxos de divisas, permitindo que a moeda do país permaneça valorizada indefinidamente. A manutenção do câmbio nesse patamar aumenta artificialmente a renda da população que passa a importar mais e exportar menos nos setores não primários. A esse fenômeno os autores dão o nome de “doença holandesa” (pessoalmente acho um nome horrível). Ou seja, o fluxo de recursos internacionais deixado ao sabor do mercado, ao contrário de estabilizar a economia, gera deficits comerciais permanentes que redundam, necessariamente, em crises. Nos momentos de crise há uma desvalorização abrupta da taxa de câmbio e o processo se reinicia.

O mérito dessa explicação é permitir explicar como o processo de industrialização pregado pelos antigos desenvolvimentistas funcionava e porque deixou de dar certo no Brasil nos anos 1990. A proteção da indústria do modelo de substituição de importações impunha altas tarifas de importação. Uma parte dessas tarifas servia para esterilizar os efeitos da apreciação cambial, colocando em pé de igualdade produtos nacionais e seus concorrentes internacionais. Como a liberalização das tarifas no início dos anos 1990 foi quase completa, os efeitos da “doença holandesa” trouxeram dificuldades para a indústria, a inviabilizando em vários casos. Como uma parte significativa das tarifas protegia indevidamente a indústria, gerando ineficiência, a solução teria sido identificar em qual medida havia a esterilização da estrutura cambial e qual parte seria proteção indevida. Ao mesmo tempo, essa teoria explicou a trajetória de crescimento e crise do país a partir de então, inclusive após a implantação do regime de metas para inflação.

A preocupação dos novos desenvolvimentistas com a indústria reside em três alicerces. O controle tecnológico que representa o setor industrial implica em ganho estratégico do país em relação às negociações de tratados internacionais. Além disso, trata-se da atividade econômica que mais movimenta outros setores, tanto no consumo de insumos quanto no que se refere à diversidade de produção. O terceiro fator é uma consequência dessa abrangência, já que a indústria gera diversos empregos na cadeia de insumos e de serviços.

Para desfazer o nó que representa a falha no mercado de câmbio traz para os empreendimentos industriais, os novos desenvolvimentistas apresentam recomendações diferentes dos antigos desenvolvimentistas. Primeiramente, entende-se que deva haver uma desvalorização cambial para o nível que se chama “câmbio industrial”. Essa taxa torna os investimentos industriais viáveis, esterilizando os efeitos da “doença holandesa”. Como o câmbio tem efeito direto na inflação, o governo precisa realizar um ajuste fiscal que diminua a pressão inflacionária advinda da expansão da demanda estatal. A menor necessidade de financiamento do setor público implicaria em redução das taxas de juros, gerando um ciclo positivo de expansão econômica. Em relação ao velho desenvolvimentismo ao contrário de estimular o investimento com capital internacional, viabiliza os empreendimentos com recursos nacionais. Além disso, tem como alicerces o saneamento do setor público sem a recorrência aos deficits públicos ou em transações correntes.

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Heldo Siqueira é mestre em economia pela UFES e professor da faculdade Cândido Mendes.