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Diálogos Desenvolvimentistas: O panelaço, suas causas e efeitos

Brasil de Fato

No último domingo diversos bairros de classe média e alta fizeram a orquestra da indignação com suas respectivas panelas. Este não foi uma resposta ao pronunciamento, os envolvidos nem mesmo ouviram o que a presidenta tinha a dizer. A estridência do metal expressava um sentimento anticorrupção que tentaram expressar, mas o curioso disso tudo é que a maioria dos indignados votaram no candidato derrotado da oposição, Aécio Neves, e agora ignoram solenemente o fato dele ter sido citado na lista da Lava Jato, enquanto Dilma Rousseff, não.

Sem mais delongas, fiquem com este interessante debate.

Tania Faillace – Não vejo porque fazer todo esse auê com o panelaço. Já foram feitos muitos e muitos panelaços, e até durante a ditadura militar. Seu significado é sempre o mesmo: manifestar inconformidade com o status quo na área política e pública. Não tem poder transformador, pois não passa de uma vaia, de um bullying, e está também dispensado de ser orgânico e coerente em suas reivindicações, porque sua grande característica é ser divertido. Todos gostam de fazer panelaços porque é uma espécie de regressão à irresponsabilidade infantil – ninguém será castigado nem responsabilizado, e não precisa comportar-se seriamente. Se pintar reclamação, é só jogar fora a panela, e adotar um ar respeitável.

Eu também já fiz panelaço, e é relaxante, emocionalmente relaxante, e deixa as pessoas bem humoradas e sorridentes, dispostas a fazer piadas sobre tudo.

Quanto às observações de Miguel do Rosário sobre a atitude do governo, são impressões subjetivas, de quem não está por dentro do assunto, nem frequenta movimentos políticos contra ou a favor. Puro achômetro.

O governo brasileiro é produto de uma coalizão – isso ainda não ficou claro? Esse governo, pois, não tem uma linha definida de atuação. Se fosse um governo do PT, não teria engolido a Ana Amélia, nem o Levy, nem o Wagner. E já teria feito sinalização positiva para a Reforma Agrária e a taxação das grandes fortunas. Pelo contrário, está propondo ajustes fiscais que cairão sobre o cidadão comum, não sobre os super-ricos em especial. Por que acontece isso? Porque os progressistas não têm maioria no Congresso nem na própria coalizão.

Por outro lado, denunciar a coalizão poderia agudizar a crise – e os gringos estão esperando por isso. Canvas – antiga Otpor – já está preparada para entrar em ação com seus mascarados, e possivelmente, ações violentas.

Rennan Martins – O governo ser de coalizão não é desculpa para o tantos erros do governo, principalmente no que se refere a comunicação, que é uma esculhambação sim. Miguel está certo quando diz que um think thank formado por intelectuais de esquerda aflitos e prontos para cooperar faria uma diferença enorme na correlação de forças.

A apatia do Planalto tem deteriorado a situação a tal ponto que quando a presidenta resolve fazer algo o bombardeio reacionário já está pronto. Tania, se a coalizão impedirá para sempre o PT de continuar avançando na agenda progressista, bem, então que desistamos de fazer política.

Roberto Oliveira – O Governo Federal não tem Comunicação Social. Simplesmente não tem.

Acho muito perigoso ignorar essa classe média ignorante. É uma pequena parcela da sociedade? Sim. Mas, é gente que influencia outras pessoas e cria o climão “apocalíptico”.

E é um erro enorme imaginar que o discurso reacionário e desinformado não chega às classes mais populares. É só dar uma passeada pelas redes sociais e comentários de rodapés do noticiário político para ver o quanto essa lobotomia já foi introduzida entre os mais pobres.

O Governo e o PT precisa mudar sua estratégia comunicacional para ontem! É desesperador essa letargia.

Tania Faillace – Não existem think tanks no Brasil. Nem na esquerda nem na direita. Essa é uma invenção norte-americana.

E os partidos não funcionam como empresas comerciais, com organogramas funcionais, e sim com concessões mútuas entre as tendências e grupos internos.

No caso do PT, a rota de inflexão foi a gestão do José Dirceu, que perseguiu a esquerda e conseguiu alijá-la das posições de comando, e a invenção da filiação online, com o inchaço havido por meio de oportunistas não-ideológicos, e até os acertos havidos com o Garotinho, no Rio, etc., e depois a introdução do Valério na eleição seguinte (Valério que entrou justamente para fazer a política do PSDB dentro do PT). O que causou revolta à esquerda do Partido, mas a maioria agora era a maioria amorfa e silenciosa, com esperança de arranjar uma vaguinha nas nominatas.

Que o pessoal da Engenharia e outras áreas técnicas desconheça tão completamente como funcionam os grupos sociais, a dinâmica social em qualquer agrupamento, se compreende, – só lidam com objetos inertes, projetos definidos tecnicamente, não lidam com seres humanos (sociólogos estariam mais à vontade no assunto), vontades convergentes, divergentes, conflitantes, jogos de interesses abertos ou disfarçados.

Mas um jornalista tem a obrigação de conhecer a dinâmica das relações humanas e dos grupos de quaisquer natureza.

Assim que a maioria das críticas feitas ao PT como se se tratasse de uma entidade burocrática regida por regulamentos cartoriais, não têm sentido porque falam de “conceitos”, não de “realidades”, e presumem uma homogeneidade que não existe nem no seio das famílias.

E veja você o mensalão – claro que foi uma falsa bandeira. Isto é, os mensalões são de uso corrente em todas as casas legislativas que eu conheço e conheci desde que sou jornalista. Todo o mundo sabe que existem, cochicha-se nos corredores a respeito, ou até promovem-se vaias a partir das galerias (já assisti e participei de várias), identificamos os legisladores que “comem bola” – mas uma coisa é saber, outra coisa é provar, e o MP não tem gosto nem vontade para se meter nesses assuntos.

Então, me diga, como o mensalãozinho do José Dirceu explodiu para a mídia? Só por denúncia interna, de quem participava do mesmo. Justamente para fazer o estrago que fez, e Dirceu provar sua boa fé, aceitando ser indiciado e preso.

Já ouviu falar do cabo Anselmo nas agitações na marinha antes de 1964? Em 1968, a mesma pessoa participava da direção da UNE. Os estudantes dos estados não sabiam que o Congresso seria em Ibiúna. Só a direção… e os órgãos de segurança. E a direção esteve em Ibiuna, e encomendou milhares de pãozinhos de uma só vez, assinalando de vez que seria ali o Congresso.

Eu trabalhava na ZH, não sabia onde seria o Congresso, mas recomendava discrição aos estudantes que nos procuravam e que expulsassem de suas reuniões quaisquer pretensos jornalistas que se apresentassem. Estávamos sabendo que tínhamos espiões dentro da redação e nossos telefones estavam grampeados. E sabíamos também quem eram esses espiões.

Isso em Porto Alegre, claro.

Então faz muito tempo que os brasileiros vêm dançando segundo a música dos gringos. E não acordam, e confiam em eventos milagrosos, sem se mexerem, nem se organizarem.

Agora, que vem guerra mesmo, que se vai fazer? Vai-se discutir detalhes formais, de um projeto de recolonização que tem mais de 50 anos, tentando achar um bode expiatório fácil, porque organizar-se para lutar contra o inimigo real, lá fora, não se tem cacife nem coragem?

Rennan Martins – Criticar o PT e seus erros não é ignorar a ameaça externa e recolonizadora, o que estás a postular é uma falsa dicotomia. Podemos sim, criticar o governo, principalmente nos pontos mais vulneráveis no que concerne aos ataques do império. Faço exatamente isso, minha pauta ultimamente está voltada para produção quase exclusiva de conteúdo para conscientização sobre o que realmente está em jogo na Petrobras.

Compreendo as influências que um governo de coalizão tem sobre uma agenda e também entendo que as propostas precisam se ajustar a correlação de forças, porém, a meu ver o que me pedes é apoio acrítico ao PT e não foco no inimigo real.

Roberto Oliveira – Que me desculpem os petistas, mas quem estava na vaia que a presidenta levou em São Paulo não era a “elite”, tampouco a “burguesia” brasileira. Ou o Governo e o PT acordam, ou a coisa ficará cada vez pior. Este é o preço salgado da letargia comunicacional do Governo Federal.

Muitas pessoas das camadas mais populares acabam reproduzindo o comportamento da classe média burra e desinformada por um mimetismo bisonho. Este ódio já se encontra muito difundindo entre a tal “nova classe média”.

E o “inimigo externo”, travestido em nossas Globos, Folhas e Estadões, deita e rola.

Rennan Martins – O que indigna o trabalhador que votou no PT por pragmatismo e consciência de que esse papo de corrupção proveniente do PSDB e correlatos não passa de oportunismo é este ajuste fiscal que está a todo vapor. Votaram em Dilma justamente por reconhecer que este partido mudou a realidade da maioria da população, e agora se veem perplexos diante dessa guinada ortodoxa que lhes ataca frontalmente.

Daí temos que a esquerda orgânica que foi crucial para a reeleição não se sente a vontade para defender o governo, enquanto as forças reacionárias não ficarão satisfeitas nem se toda a agenda tucana for praticada pois a questão já se impregnou de ódio de classe.

Então temos essa cínica imprensa que antes não convencia o trabalhador, somente a classe média alienada, instrumentalizando a raiva legítima das massas por votar em “Mais Mudanças” e ganhar retrocesso. E não, de nada adianta recorrer ao argumento da correlação de forças e do governo de coalizão para o caso Levy, Dilma foi reeleita com o keynesianismo moderado do Mantega e tomou a opção de abandoná-lo.

Roberto Oliveira – Não sei se as “massas” chegam a ter esta percepção, pelo menos creio que não por enquanto. Os trabalhadores sindicalizados e mais esclarecidos e as pessoas ligadas a movimentos sociais podem ter esta percepção. Entretanto, o que sinto é muito mais uma tremenda ignorância política que envolve toda a sociedade brasileira, inclusive os pobres que foram beneficiados pelas políticas sociais do governo petista. Essa “idiotia política” é como um oba oba, um movimento de manada. Xinga-se por xingar. O importante é fazer parte da trupe barulhenta. E é justamente aí que o governo peca e muito ao não oferecer informação às pessoas e permitir que estas sejam embaladas pelas torcidas organizadas.

Sem informação, estes milhões se penduram naqueles que gritam mais alto.

Neste vídeo das vaias desta semana, o que vejo é comportamento de manada. Muitos daqueles que gritavam eram montadores de estandes, trabalhador pobre, deslumbrado pela vaia à presidente que partia de algumas pessoas da classe média imbecilizada. Os pobres mimetizarão esta classe média estúpida. Questão de tempo para estar “tudo dominado”.

Rennan Martins – Aí é que está, os indignados de classe média e alta já estavam desde antes nessa histeria e não comoviam os trabalhadores.

Que elemento então foi inserido pra que aderissem a esse comportamento de manada? As medidas que sinalizam arrocho, como por exemplo as restrições a direitos trabalhistas e aumento da dificuldade do crédito geram um sentimento de que foram enganados, então a imprensa direciona essa raiva contra o PT ao invés do arrocho.

Papa defende financiamento público de campanhas eleitorais

Via Terra

Francisco declarou que candidatos devem, antes de tudo, conhecer as propostas dos seus próprios partidos, coisa que muitas vezes não acontece.

Segundo Francisco, “interesses” não podem afetar candidatos.

O papa Francisco defendeu que as campanhas eleitorais sejam financiadas com dinheiro público para evitar que “interesses” influenciem a atuação dos candidatos. A declaração está em uma entrevista do Pontífice à revista La Carcova News, publicação paroquial de um bairro pobre da periferia de Buenos Aires.

Perguntado se tinha alguma sugestão aos governantes argentinos, que estão em ano eleitoral, ele respondeu: “Primeiro, que proponham uma plataforma clara. Que cada um diga ‘no governo, nós faremos isso e aquilo’. Muito concreto! A plataforma eleitoral é algo sério, ajuda as pessoas a verem aquilo que cada um pensa.”

Além disso, Francisco declarou que candidatos devem, antes de tudo, conhecer as propostas dos seus próprios partidos, coisa que muitas vezes não acontece. Em seguida, o Papa declarou que é preciso chegar a um modelo de campanha que não seja financiado.

“O financiamento da campanha eleitoral envolve muitos interesses, que depois cobram a conta. Evidentemente, é um ideal, porque é preciso de dinheiro para manifestos, para a televisão. Em todo caso, que o financiamento seja público. Eu, como cidadão, sei que financio esse candidato com essa exata soma de dinheiro, que tudo seja transparente e limpo”, explicou.

Diálogos Desenvolvimentistas: Quem banca o seu representante? (II)

Em continuação ao debate publicado no dia 10/03 de mesmo título, publicamos sua segunda parte abaixo, complementando essa importante discussão sobre representatividade, democracia e a influência do poder econômico sobre os processos decisórios.

André Luís – Mesmo que você contribua para seu candidato e este receba recursos de grandes empresas, nunca teremos condições de termos a mesma influência destas (a não ser com deputados ideológicos), nem sabemos se estes vão nos defender.

No caso do voto distrital talvez isso aconteceria, pois estaríamos mais perto dos eleitos e poderíamos cobrar mais efetivamente.

Os deputados entre defender os interesses de seus eleitores e de seus contribuintes, sempre preferirão o de seus contribuintes, pois estes nas próximas eleições contribuirão para suas campanhas de novo e seus eleitores podem ser enganados por promessas, discursos, uma posição em determinado assunto e uma ou outra obrinha do orçamento (que às vezes a burocracia atrasa).

Eu mesmo nesta eleição vi o pessoal do meu bairro em que nasci votar em candidatos que só aparecem em eleição (mesmo depois de um ano de enchente).

Temos de mudar conceitos.

Weber Figueiredo – Temos de mudar conceitos. Isso!

Tania Faillace – Receio que não tenhamos tempo. Acho que lhe enviei um artigo do politólogo argentino Atílio Boron sobre o fato de Barack Obama ter recebido uma ordem do CMI (Complexo Militar Industrial) para arranjar um pretexto qualquer de atacar Venezuela imediatamente.

Teremos guerra nos vizinhos, e teremos guerra aqui dentro. O panelaço foi um sinal de entendimento para começar ações aqui, possivelmente depois de começarem na Venezuela.

Serão ações terroristas, atentados. E olho vivo nos meninos e meninas, nos coxinhas, que são elementos comandados pelo CANVAS, a serviço dos norteamericanos.

A República de Weimar foi derrubada também por movimentos jovens, e sabemos o que aconteceu nos anos seguintes.

 ***

Weber Figueiredo é engenheiro e professor da CEFET-RJ.

André Luís é economista e funcionário do BNDES.

Tania Faillace é jornalista e escritora.

“Em política econômica, a política é o substantivo, a economia é adjetivo”: Entrevista com Adhemar Mineiro

Por Rennan Martins | Vila Velha, 11/03/2015

Trajetória da taxa básica de juros de janeiro de 2011 a atual.

Na semana passada o Comitê de Política Monetária decidiu mais uma vez pela alta de 0,5% da taxa Selic, quando alcançamos a modesta cifra de 12,75% anuais. A ortodoxia econômica – repudiada pela presidenta durante a campanha – assume agora posição central, com direito a pronunciamento oficial em sua defesa e até mesmo repúdio público a gestão anterior por parte do novo e poderoso ministro da Fazenda, Joaquim Levy.

A guinada de retorno aos preceitos do Mercado iniciou o arrefecimento das atividades produtivas, consumo e expectativas. O ajuste fiscal que afeta a arrecadação demandará por sua vez mais cortes e a perigosa espiral de encolhimento pode entrar em cena. A quebradeira de 2008 ensinou pouco ou nada aos tomadores de decisão e a hegemonia neoliberal prontamente se recompôs. Este quadro suscita questionamentos importantes ao debate. Por quê tanta insistência numa política econômica que já se provou equivocada? A quem interessa a manutenção dela? Que opções tem os países que não querem se submeter aos caprichos do mercado financeiro?

Para analisar esta questão crucial o Blog dos Desenvolvimentistas conversou com Adhemar Mineiro, economista, técnico do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), assessor da Rede Brasileira de Integração dos Povos (REBRIP) e integrante da Secretaria de Relações Internacionais da Central Única dos Trabalhadores. Mineiro considera que as relações de poder no Brasil estão dominadas pelo setor financeiro, beneficiário das taxas de juros que voltaram a subir. Nos lembra que as decisões econômicas são guiadas pela política, expressam a correlação de forças de um país e aponta o mercado interno e a integração regional como alternativa ao modelo desregulador e liberalizante que outra vez vem à tona.

Confira a íntegra:

Semana passada o Copom anunciou o quarto aumento consecutivo da Selic e chegamos ao maior patamar da taxa em 10 anos. Como uma taxa de juros alta como a nossa influi na economia?

Essas altas taxas de juros desincentivam o investimento produtivo (embora parte importante deste no Brasil seja financiado via BNDES, que até aqui não toma a taxa SELIC como referência direta), e penalizam o consumo (créditos mais caros) e os endividados em geral. Mas o mais importante é que garantem uma alta rentabilidade ao setor rentista da sociedade (os donos dos ativos financeiros), e promovem a concentração de renda (se um setor é remunerado a 12,75% ao ano, enquanto a renda nacional fica estagnada, é evidente que está havendo concentração de renda em benefício dos aplicadores do mercado financeiro).

Quem se beneficia e quem é prejudicado com juros elevados?

Os beneficiários são os donos dos ativos financeiros, e os intermediários financeiros – bancos e outros. Os prejudicados são os que dependem de crédito para o consumo e o investimento, e os endividados em geral. Pode-se dizer também que, ao atingir o consumo e o investimento e frear a atividade econômica, os trabalhadores em geral são prejudicados, pois veem atingida sua renda e ameaçados seus empregos.

Por que em nosso país os juros são tão maiores que no resto do mundo? Como explicar essa “cultura” rentista?

Creio que isso expressa o poder que têm no Brasil os detentores dos ativos financeiros e os intermediários financeiros. A situação é bem complicada, pois no Brasil, da propriedade dos ativos financeiros, da propriedade da terra, da propriedade do solo urbano e outros, a classe de proprietários deriva não apenas poder econômico e financeiro, mas poder político (pela via do financiamento de campanha) para manter o status quo e operar a seu favor a política fiscal (isto é, manter a tributação regressiva no país), o gasto público em seu benefício, e outras benesses resultantes do controle do poder político, contribuindo para ainda maior concentração da renda e da propriedade no futuro.

Quando se questiona o aumento de juros as explicações sempre giram em torno do combate a inflação. Este é o único instrumento que pode ser empregado? Se não, que outros métodos poderiam ser usados?

Esse é talvez o pior instrumento a ser empregado, pois ao inibir o investimento, funciona como uma camisa de força ao crescimento econômico, já que sem expansão da produção não se pode crescer em função dos efeitos sobre a inflação e sobre o balanço de pagamentos oriundos do crescimento sem investimento. Além disso, no curto prazo, o aumento dos juros é custo para vários setores, e como tal, também um propulsor da inflação. Para pensar os instrumentos, se deveria refletir sobre as causas da inflação no Brasil. Seguramente elevadas margens de lucros, elevados custos financeiros, dolarização de alguns preços importantes, remuneração de concessões, entre outros, estão na raiz da inflação brasileira. Atacar essas causas nos remete, entretanto, à questão anterior e à discussão sobre o poder político da classe de proprietários no Brasil, ou seja, o poder político é que dá o tom do debate. A política de combate à inflação adotada acaba refletindo a essência – em política econômica, a política é o substantivo, a economia é adjetivo – e penaliza a renda e o emprego dos trabalhadores e dos mais pobres, garantindo os elevados rendimentos do chamado “andar de cima”, os proprietários da riqueza no país.

Quais são os efeitos da guinada ortodoxa que o governo deu? Há chance da recessão se instalar este ano?

O “clima de recessão” já está instalado, em função da própria adoção do discurso de freio da economia via políticas monetária e fiscal adotado pelas autoridades econômicas, o que você está chamando de “guinada ortodoxa”. O que vai acontecer de fato depende de muita coisa, e com a instabilidade internacional e as indefinições da política interna, qualquer um que fizer previsões para além de três meses, e isso sendo muito condescendente, está obviamente ou chutando ou em realidade propagandeando seus próprios interesses.

Ao mesmo tempo em que a União Europeia questiona a efetividade das políticas cíclicas o Brasil adere a elas. Como explicar isto?

De novo aqui só conseguimos entender os discursos sobre a política econômica se entendemos que a política é o substantivo nessa definição, e o econômico é adjetivo na expressão. A Europa está evidentemente no centro de um debate sobre alternativas, com vários países (não só os que viveram de forma mais aguda a crise a partir de 2008, como Irlanda, Portugal, Espanha, Grécia, Lituânia, Chipre, Itália e outros, como também países do chamado “núcleo duro” da União Europeia, como a França e a Inglaterra) tendo que administrar uma saída política para o futuro, e o crescimento de partidos políticos e propostas de soluções impensáveis até 2010. E no Brasil hoje predominam os interesses dos proprietários dos ativos financeiros e os intermediários financeiros. Mas é o pêndulo da política econômica. Em 2008 e 2009, ao adotar políticas heterodoxas, o Brasil conseguiu muito mais sucesso em gerir a crise econômica que a Europa. Como explicar? Pela política, pela correlação de forças do jogo político, pela dinâmica do enfrentamento político no interior dos países.

Por quê mesmo após a quebradeira de 2008 as teorias dos “gurus” da economia continuam em alta? A academia não realizou uma autocrítica?

Em 2008 e 2009 se ensaiou, não só na academia, mas em especial entre os que tomam decisão na economia mundial, que é o que conta, um ensaio de autocrítica. Quem ler os comunicados finais dos encontros dos G20 dos EUA e da Inglaterra nesse período vai ver claramente esse ensaio. Entretanto, ele só seguiu adiante até que o mundo financeiro tivesse limpado seus passivos comprometidos, passando o risco e o chamado “mico” para o setor público. A partir de 2010, e das reuniões do G20 em Toronto, Canadá, e em Seul, na Coreia do Sul, o discurso foi mudando, e hoje temos novamente uma ampla hegemonia das posições mais ortodoxas. A academia aqui conta como formadora de opinião, com as opiniões mais ortodoxas sendo reverberadas pelos editoriais da grande imprensa, mas o mundo dos tomadores de decisão, que é o mais importante, também passou por esse processo. Entretanto, é um processo, e não está muito claro o final da história, até porque essa história não tem final, ela segue sua dinâmica. Há que considerar, nesse momento, o peso dos asiáticos entre os tomadores de decisão (que não se movem em geral pelas “academias” do Ocidente), reflexo de um mundo mais multipolar, e a busca desesperada da Europa para evitar propostas de fragmentação ou o crescimento da extrema-direita. Vamos ver o que vai acontecer nos debates nos próximos anos.

Considerando a conjuntura global de arrefecimento das atividades produtivas, que política econômica seria mais apropriada como resposta?

Do ponto de vista do Brasil, creio que se voltar mais para dentro, buscar alavancagem no mercado interno e nos investimentos em infraestrutura social e expansão da produção de bens dentro do país. Além disso, creio que seria positivo não só para o Brasil como para os demais países da região uma retomada do processo de integração regional, que foi uma via importante até meados da primeira década do Sec. XXI, mas anda meio abandonado. Quanto mais se for para o mercado global, mais instabilidade financeira e mais concorrência externa será o resultado. E, aproveitando a baixa dos preços das commodities, é hora de buscar sair dessa armadilha de ser um produtor e exportador de commodities, que representa um enorme custo social e ambiental para o país.

As turbulências do mercado internacional nos dão importante oportunidade de discutir um novo projeto nacional de desenvolvimento para o Brasil, mas isso não é um debate trivial, e nem diletante, mas um debate político de fundo, de definição de rumos. Perdemos fundamentalmente a chance de fazer esse debate no processo eleitoral do ano passado, o que foi uma pena. Suspeito que os setores dominantes agora queiram centrar o debate no epidérmico, tratando temas como a corrupção como uma questão fundamentalmente moral, quando ela é mais do que tudo um elemento estrutural no funcionamento da política no Brasil. Um exemplo? A grande imprensa fala o tempo todo na relação promíscua entre políticos (de vários partidos, de governo e oposição) e as empreiteiras, mas ninguém se anima a debater a questão do financiamento público de campanhas, que poderia ser uma forma de reduzir o poder político das empreiteiras, aliás a grande maioria dos políticos (de novo, de governo e oposição, da maioria dos partidos) nem quer ouvir falar nisso. E, ao fazer dessa questão epidérmica o centro do debate, se perde a chance, mais uma vez, de fazer um debate político de fundo, sobre o modelo de país que queremos, e as políticas para caminhar naquele sentido.

Mas, de novo, essa agenda curto-prazista e que não entra nos debates de fundo sobre os rumos da sociedade brasileira é um reflexo da correlação de forças atual, interessa aos proprietários da riqueza no país, que não querem mudar nada, ou quase nada, que, como dizia um velho compositor cubano (Silvio Rodriguez), “no es lo mismo, pero es igual”.

Bob Fernandes: “Panelaço” se esqueceu de gritar contra Renan, Eduardo Cunha e Lista de Janot

Por Bob Fernandes | Via Facebook

“Panelaço” contra a presidente em várias cidades. Em São Paulo, nos chamados “bairros nobres”, panelas e gritos de “Fora Dilma”. E também ofensas impublicáveis.

Em milhares de relatos, nem uma (1) notícia de um (1) só grito, uma baixela contra Eduardo Cunha, Renan Calheiros, ou demais 47 da Lista de Janot…ou contra empreiteiras…

É um direito de todo e qualquer cidadão desejar a queda de Dilma. Como é o de xingá-la nas suas sacadas e varandões. Ainda que ofender a presidente na sua condição de mulher diga muito sobre quem xinga.

Lembremos: Dilma governa a crise que sua própria gestão criou. Mas, ao contrário dos presidentes do Senado e Câmara, ela não está na Lista de Janot… Renan, Cunha e outros 47 estão.

Renan é um sobrevivente. Sentiu o cheiro antes e escapou do governo Collor. Foi ministro da Justiça de Fernando Henrique.

Renan sobreviveu a sucessivos escândalos. Se vier a ser investigado, vai usar todo seu Poder para sobreviver.

Isso inclui operar contra o governo do seu PMDB. Como fez no dia em que seu nome vazava da Lista de Janot e ele era saudado por líderes da oposição.

Eduardo Cunha tornou-se presidente da Câmara com aplausos da oposição. Que, como dizem hoje alguns de seus líderes, quer “ver Dilma sangrar”.

Eleito, Cunha logo informou que só sobre seu “cadáver” a “regulamentação econômica da Mídia” seria aprovada. Cunha é inteligente e hábil.

Experiente, o agora presidente da Câmara já foi aliado de Collor e PC, Maluf e Garotinho.

Para esvaziar a relatoria da CPI da Petrobras, que é do PT, Cunha criou 4 sub-relatorias. A CPI será sua arma para arrancar o que busca.

O Supremo pode ou não investigar e indiciar Cunha, Renan e os 47. Mas quem cassa é o Congresso. E eles julgarão a si mesmos.

Renan, Eduardo Cunha & Cia sequestrarão a pauta do Congresso, farão qualquer acordo para não serem cassados.

Dia 15 vem ai grande manifestação.

Uma pena o pessoal do “panelaço” nas sacadas e varandões ter se esquecido do Renan Calheiros, do Eduardo Cunha, dos outros 47…das empreiteiras…Ainda dá tempo.

Leonardo Boff: O que se esconde atrás do ódio ao PT (I e II)?

Por Leonardo Boff | Via Jornal GGN

O que se esconde atrás do ódio ao PT (I)?, por Leonardo Boff

Há um fato espantoso mas analiticamente explicável: o aumento do ódio e da raiva contra o PT. Esse fato vem revelar o outro lado da “cordialidade” do brasileiro, proposta por Sérgio Buarque de Holanda: do mesmo coração que nasce a acolhida calorosa, vem também a rejeição mais violenta. Ambas são “cordiais”: as duas caras passionais do brasileiro.

Esse ódio é induzido pela mídia conservadora e por aqueles que na eleição não respeitaram rito democrático: ou se ganha ou se perde. Quem perde reconhece elegantemente a derrota e quem ganha mostra magnanimidade face ao derrotado. Mas não foi esse comportamento civilizado que triunfou. Ao contrário: os derrotados procuram por todos os modos deslegitimar a vitória e garantir uma reviravolta política que atendesse a seu projeto, rejeitado pela maioria dos eleitores.

Para entender, nada melhor que visitar o notório historiador, José Honório Rodrigues que em seu clássico Conciliação e Reforma no Brasil (1965) diz com palavras que parecem atuais:

”Os liberais no império, derrotados nas urnas e afastados do poder, foram se tornando além de indignados, intolerantes; construíram uma concepção conspiratória da história que considerava indispensável a intervenção do ódio, da intriga, da impiedade, do ressentimento, da intolerância, da intransigência, da indignação para o sucesso inesperado e imprevisto de suas forças minoritárias” (p. 11).

Esses grupos prolongam as velhas elites que da Colônia até hoje nunca mudaram seu ethos. Nas palavras do referido autor: “a maioria foi sempre alienada, antinacional e não contemporânea; nunca se reconciliou com o povo; negou seus direitos, arrasou suas vidas e logo que o viu crescer lhe negou, pouco a pouco, a aprovação, conspirou para colocá-lo de novo na periferia, no lugar que continua achando que lhe pertence”(p.14 e 15). Hoje as elites econômicas continuam a abominar o povo. Só o aceitam fantasiado no carnaval. Mas depois tem que voltar ao seu lugar na comunidade periférica (favela).

Lamentavelmente, não lhes passa pela cabeça que “as maiores construções são fruto popular: a mestiçagem racial, que criava um tipo adaptado ao país; a mestiçavel cultural que criava uma síntese nova; a tolerância racial que evitou o descaminho dos caminhos; a tolerância religiosa que impossibiltou ou dificultou as perseguições da Inquisição; a expansão territorial, obra de mamelucos, pois o próprio Domingos Jorge Velho, devassador e incorporador do Piaui, não falava português; a integração psico-social pelo desrespeito aos preconceitos e pela criação do sentimento de solidariedade nacional; a integridade territorial; a unidade de língua e finalmente a opulência e a riqueza do Brasil que são fruto do trabalho do povo. E o que fez a liderança colonial (e posterior)? Não deu ao povo sequer os benefícios da saúde e da educação, o que levou Antônio Vieira a dizer:’Não sei qual lhe faz maior mal ao Brasil, se a enfermidade, se as trevas”(p. 31-32).

A que vêm estas citações? Elas reforçam um fato histórico inegável: com o PT, esses que eram considerados carvão no processo produtivo (Darcy Ribeiro) e o rebutalho social, conseguiram, numa penosa trajetória, se organizar como poder social que se transformou em poder político no PT e conquistar o Estado com seus aparelhos. Apearam do poder, pelo voto, as classes dominantes; não ocorreu simplesmente uma alternância de poder mas uma troca de classe social, base para um outro tipo de política. Tal saga equivale a uma autêntica revolução social, pacífica e de cunho popular.

Isso é intolerável para as classes poderosas que se acostumaram a fazer do Estado o seu lugar natural e de se apropriar privadamente dos bens públicos pelo famoso patrimonialismo, denunciado por Raymundo Faoro.

Por todos os modos e artimanhas querem ainda hoje voltar a ocupar esse lugar que julgam de direito seu. Seguramente, começam a dar-se conta de que, talvez, nunca mais terão condições históricas de refazer seu projeto de dominação/conciliação. Outro tipo de história política dará, finalmente, um destino diferente ao Brasil.

Para eles, o caminho das urnas se tornou inseguro pelo nível crítico alcançado por amplos estratos do povo que rejeitaram seu projeto político de alinhamento neoliberal ao processo de globalização, como sócios dependentes e agregados. O caminho militar será hoje impossível dado o quadro mundial mudado. Cogitam com a esdrúxula possibilidade da judicialização da política, contando com aliados na Corte Suprema que nutrem semelhante ódio ao PT e sentem o mesmo desdém pelo povo.

Através deste expediente, poderiam lograr um impeachment da primeira mandatária da nação. É um caminho conflituoso pois a articulação nacional dos movimentos sociais tornaria arriscado este intento e talvez até inviável.

O ódio contra o PT é menos contra PT do que contra o povo pobre que por causa do PT e de suas políticas sociais de inclusão, foi tirado do inferno da pobreza e da fome e está ocupando os lugares antes reservados às elites abastadas. Estas pensam em fazer, com boa consciência, apenas caridade, doando coisas, mas nunca buscando a justiça social.

Antecipo-me aos críticos e aos moralistas: mas o PT não se corrompeu? Veja o mensalão? Veja a Petrobrás? Não defendo corruptos. Reconheço, lamento e rejeito os malfeitos cometidos por um punhado de dirigentes. Devem ser julgados, condenados à prisão e até expulsos do PT. Traíram mais de um milhão de filiados e principalmente botaram a perder os ideais de ética e de transparência. Mas nas bases e nos municípios – posso testemunhá-lo em dezenas de assessorias – vive-se um outro modo de fazer política, com participação popular, mostrando que um sonho tão generoso não se deixar matar assim tão facilmente: o de um Brasil menos malvado, mais digno, justo pacífico. As classes dirigentes, por 500 anos, no dizer rude de Capistrano de Abreu, “castraram e recastraram, caparam e recaparam” o povo brasileiro. Há maior corrupção histórica do que esta?

Voltaremos ao tema.

O que se esconde por trás do ódio ao PT(II)?

Já dissemos anteriormente e o repetimos: o ódio disseminado na sociedade e nas mídias sociais, não é tanto ao PT, mas àquilo que o PT propiciou para as grandes maiorias marginalizadas e empobrecidas de nosso país: sua inclusão social e a recuperação de sua dignidade. Não são poucos os beneficiados dos projetos sociais que testemunharam: “sinto-me orgulhoso não porque posso comer melhor e viajar de avião, coisa que jamais poderia antes, mas porque agora recuperei minha dignidade”. Esse é o mais alto valor político e moral que um governo pode apresentar: não apenas garantir a vida do povo, mas faze-lo sentir-se digno, alguém participante da sociedade.

Nenhum governo antes em nossa história conseguiu esta façanha memorável. Nem havia condições para realizá-la porque nunca houve interesse em fazer das massas exploradas de indígenas, escravos e colonos pobres, um povo consciente e atuante na construção de um projeto-Brasil. Importante era manter a massa como massa, sem possibilidade de sair da condição de massa, pois assim não poderia ameaçar o poder das classes dominantes, conservadoras e altamente insensíveis aos padecimentos do próximo. Essas elites não amam a massa empobrecida. Mas tem pavor de um povo que pensa, pois faz valer seus direitos e pode ameaçar os privilégios dela.

Para conhecer esta anti-história aconselho aos políticos, aos pesquisadores e aos leitores/as que leiam o estudo mais minucioso que conheço:”a política de conciliação: história cruenta e incruenta”, um largo capítulo de 88 páginas do clássico “Conciliação e reforma no Brasil” de José Honório Rodrigues (1965 pp. 23-111). Ai se narra, como a dominação de classe no Brasil, desde Mende de Sá até os tempos modernos, foi extremamente violenta e sanguinária, com muitos fuzilamentos e enforcamentos e até de guerras oficiais de extermínio dirigidas contra tribos indígenas como contra os botocudos em 1808.

Também seria falso pensar que as vítimas tiveram um comportamento conformista. Ao contrário, reagiram também com rebeliões e violência. Foi a massa indígena e negra, mestiça e cabocla a que mais lutou e que foi reprimida cruelmente, sem qualquer piedade cristã. Nosso solo ficou ensopado de sangue.

As minorias ricas e dominantes elaboraram uma estratégia de conciliação entre si, por cima da cabeça do povo e contra o povo, para manter a dominação. O estratagema sempre foi mesmo. Como escreveu Marcel Burstztyn (O país das alianças: as elites e o continuismo no Brasil, 1990): “o jogo nunca mudou; apenas embaralharam-se diferentemente as cartas do mesmo e único baralho.”

Foi a partir da política colonial e continuada até recentemente que se lançaram as bases estruturais da exclusão no Brasil, como foi mostrado por grandes historiadores, especialmente por Simon Schwartzman com o seu “Bases do autoritarismo brasileiro” (1982) e Darcy Ribeiro com seu grandioso “O povo Brasileiro” (1995).

Existe, pois, com raízes profundas, um desprezo pelo povo, gostemos ou não. Esse desprezo atinge o nordestino, tido por ignorante (quando a meu ver é extremamente inteligente, vejam seus escritores e artistas), os afrodescendentes, os pobres econômicos em geral, os moradores de favelas (comunidades), e aqueles que têm outra opção sexual.

Ocorre que irrompeu uma mudança profunda graças às políticas sociais do PT: os que não eram começaram a ser. Puderam comprar suas casas, seu carrinho, entraram nos shoppings, viajaram de avião às multidões, tiveram acesso a bens antes exclusivos das elites econômicas.

Segundo o pesquisador Márcio Pochmann em seu Atlas da Desigualdade social no Brasil : 45% de toda a renda e a riqueza nacionais é apropriada por apenas 5 mil famílias extensas. Estas são nossas elites. Vivem de rendas e da especulação financeira, portanto, ganham dinheiro sem trabalho. Pouco o nada investem na produção para alavancar um desenvolvimento necessário e sustentável.

Veem, temerosas, a ascensão das classes populares e de seu poder. Estas invadem seus lugares exclusivos. No fundo, começa a haver uma pequena democratização dos espaços sociais.

Essas elites formaram, atualmente, um bloco histórico cuja base é constituida pela grande mídia empresarial, jornais, revistas e canais de televisão, altamente censuradores do povo, pois lhe ocultam fatos importantes, banqueiros, empresários centrados nos lucros, pouco importa a devastação da natureza e ideólogos (não são intelectuais) que se especializaram em criticar tudo o que vem do governo do PT e fornecem superficialidades intelectuais em defesa do status quo.

Esta constelação anti-popular e até anti-Brasil suscita, nutre e difunde ódio ao PT como expressão do ódio contra aqueles que Jesus chamou de “meus irmãos e irmãs menores”, os humilhados e ofendidos de nosso pais.

Como teólogo me pergunto angustiado: na sua grande maioria, essas elites são de cristãos e de católicos. Como combinam esta prática perversa com a mensagem de Jesus? O que ensinaram as muitas Universidades Católicas e as centenas de escolas cristãs para permitirem surgir esse movimento blasfemo, pois, atinge o próprio Deus que é amor e compaixão e que tomou partido pelos que gritam por vida e por justiça?

Mas entendo, pois para elas vale o dito espanhol: entre Deus e o dinheiro, o segundo é primeiro.

Infelizmente.

***

Sugestão via e-mail da participante do grupo Desenvolvimentistas, Fátima Magalhães:

Segue entrevista com o economista Marcio Pochmann e dois artigos do teólogo Leonardo Boff no Jornal GGN que – juntos – talvez possam nos ajudar a refletir na tentativa de entender um pouco mais acerca das tramas tecidas neste delicado momento politico que está a brotar no Brasil. Destas singulares publicações, destaco trechos nos quais o Prof. Marcio Pochmann e o Teol. Leonardo Boff parecem confluir para uma mesma questão central, segundo dados e interpretações que lhes são próprias.

“Nessa primeira década do século 21 a gente conseguiu ter um crescimento econômico importante, forte, significativo, combinado com democracia e política de distribuição de renda, de maneira geral. Esses três elementos, o regime político, o econômico e o social, não se combinaram dessa mesma forma nos últimos 50 anos.”

“Nós somos um país que se constituiu em cima da desigualdade. Nós somos um país herdeiro de quatro séculos de escravidão. A desigualdade é uma marca do Brasil. Na medida em que essa desigualdade começa a ser atacada, de certa maneira, ela termina expressando certo desconforto. Porque há vários sinais de manifestação em relação a essa circunstância.” Marcio Pochmann

“Segundo o pesquisador Márcio Pochmann em seu Atlas da Desigualdade social no Brasil : 45% de toda a renda e a riqueza nacionais é apropriada por apenas 5 mil famílias extensas. Estas são nossas elites. Vivem de rendas e da especulação financeira, portanto, ganham dinheiro sem trabalho. Pouco ou nada investem na produção para alavancar um desenvolvimento necessário e sustentável.” Leonardo Boff, citando estudo de Marcio Pochmann e cols.

Há uma mudança geográfica no Brasil, aponta Marcio Pochmann

Por Pamela Mascarenhas | Via Jornal do Brasil

Marcio Pochmann. Brics Policy Center

A realidade social brasileira melhorou expressivamente durante a última década e o país diminuiu o grau de exclusão social. A desigualdade regional, contudo, continua marcante, aponta o segundo volume do Atlas da Exclusão Social no Brasil lançado agora pela Cortez Editoria. Marcio Pochmann, um dos coordenadores da obra, em conversa com o JB, destacou a necessidade de políticas que possam ser adotadas regionalmente, de acordo com distintas realidades. Não há, ainda, garantia para esses avanços. Enquanto isso, o país ainda precisa lidar com os efeitos das conquistas, que geraram, entre outras coisas, mudanças geográficas no país, com reflexo no sentimento de representação de novas elites, por exemplo.

“O Brasil convive com uma mudança no próprio regime migratório. Antes, havia uma atração muito grande da população para as regiões Sul, e houve uma migração reversa, de pessoas que voltaram para os seus estados de origem. Então, há uma mudança geográfica no Brasil”, destacou Pochmann. “Em função desse processo de transformação que o Brasil vem vivendo, nós temos o surgimento de novas elites, elites regionais, elites do interior do Brasil, em outros estados, e essas elites, no nosso modo de ver, elas também não encontram muita repercussão nas estruturas de representação que nós temos hoje.”

Para o professor, o mundo inteiro enfrenta agora um quadro dramático, com países de grande peso na economia mundial crescendo bem menos do que cresciam, o que impõe maiores dificuldades. Uma saída pelos países ricos, então, parece improvável. A solução poderia vir de outros como o Brasil, por intermédio de medidas adotadas no âmbito do Brics, por exemplo. “A criação desse banco, do fundo de reserva e agora a possibilidade de criar uma agência de avaliação de risco também no âmbito dos Brics revela o fato mais importante ocorrido, ao meu modo de ver, desde o acordo de Bretton Woods de 1944. Mas ainda é um processo lento.”

O Atlas da Exclusão Social no Brasil Volume 2, diferente da versão lançada em 2014, que se reportava somente aos dados censitários do ano de 2010, apresenta um panorama geral das mudanças sociais que aconteceram no país durante a primeira década do século 21. Os autores, André Campos, Daniel Castro, Ricardo Amorim, Marcos Paulo Oliveira e Rodrigo Coelho analisaram uma década (2000-2010) falam sobre a realidade social brasileira. O livro tem coordenação de Pochmann, Alexandre Guerra e Ronnie Aldrin Silva.

Confira a entrevista com Marcio Pochmann:

JB – Vocês lançam agora o volume 2 do atlas da exclusão social, para atualizar estudos anteriores e dar um filme do 2000-2010, em complemento à fotografia oferecida no volume primeiro. Que filme é esse?

Marcio Pochmann – Os dados que nós dispomos e trabalhamos de forma temática são, na sua grande maioria, fundamentados pelo censo demográfico. Nós tivemos a oportunidade de aplicar essa metodologia pela primeira vez no início dos anos 2000, com base no senso de 2000. Depois, até retroagimos no tempo utilizando sensos anteriores. Então, nós tínhamos mais ou menos uma imagem do que era o Brasil nas regiões fundamentais do século 20, e era uma imagem de desconexão entre o comportamento econômico e o progresso social, mais evidente disso foi em 1980. O Brasil era considerado 8ª economia do mundo e situava no terceiro posto do ranking internacional de desigualdade. Então, essa é uma marca do século passado.

No ano 2000, nós já havíamos observado um retrocesso inclusive do índice econômico e social, porque o Brasil havia sido a 8ª economia nos anos 1980 e no ano 2000 havia retroagido à posição de 13º país, e havia um quadro social mais alarmante do que em 1980 em virtude da expansão do desemprego. Tínhamos em 1980 uma taxa de desemprego de 2,7% da força de trabalho e no ano 2000 uma taxa de desemprego de 15% da força de trabalho. Havia tido uma piora da participação da renda do trabalho na renda nacional, enfim, foi isso que foi exposto naquela publicação.

Agora, é a oportunidade de atualizar essas informações. Se percebe, na verdade, uma inflexão, tanto econômica, quanto social, porque o comportamento de economia da primeira década do século, falando até o ano de 2010, o comportamento econômico foi favorável, digamos assim, e se combinou, inclusive, com uma melhora generalizada nos indicadores sociais.

Nosso entendimento é que o Brasil conseguiu registrar pela primeira vez, nos últimos 50 anos, uma tríade convergente. O que eu quero dizer com isso? Nessa primeira década do século 21 a gente conseguiu ter um crescimento econômico importante, forte, significativo, combinado com democracia e política de distribuição de renda, de maneira geral. Esses três elementos, o regime político, o econômico e o social, não se combinaram dessa mesma forma nos últimos 50 anos.

Se a gente pegar, por exemplo, entre os anos de 1960 e 1970, que foram anos inclusive que o crescimento econômico foi muito mais forte do que o verificado na primeira década deste século, esse crescimento econômico muito mais forte dos anos 60/70 se deu num quadro de regime autoritário, sem participação social, e ao mesmo tempo ausência de políticas de redistribuição de renda. Então, o resultado de crescimento acabou sendo um crescimento econômico bem desassociado de avanços sociais.

Já nos anos 1980 e 1990, que são anos em que o Brasil recupera a democracia e, portanto a participação social mais alongada, lamentavelmente, o Brasil praticamente não cresceu. Então havia democracia, havia contribuição de políticas distributivas que a constituição de 88 estabeleceu, mas não havia o que distribuir porque a economia praticamente não cresceu. Então, somente nesses primeiros anos 2000 é que você terminou tendo a oportunidade de combinar crescimento, democracia e distribuição de renda.

Os resultados finais são resultados bastante interessantes, especialmente numa década, década dos anos 2000, que apontou para, sobretudo, os países ricos, que eram inclusive referência para o Brasil, que eram Estados Unidos, a Europa, de maneira geral, países que havia conseguido reduzir desigualdade, pobreza, crescer de forma sustentada com pleno emprego, eram referência para o Brasil, mas já nos anos 2000 são países que apresentam um sinal inverso, são países que apresentam aumento da pobreza, desigualdade, o crescimento é relativamente muito baixo. Então, de certa maneira, o Brasil assumiu uma posição singular porque conseguiu oferecer resultados que anteriormente se verificava apenas por países ricos, quando agora eles mesmos não conseguem mais oferecer.

Há uma inflexão na trajetória, pelo menos nos últimos 50 anos, que a gente tem condição de analisar com dados oficiais.

O livro fala que é um bom começo ter claro que o Brasil avançou na última década, mas que fez isso de uma maneira desigual, e fala na importância de “enfrentar desigualmente as diferentes misérias”. Como é isso? O país tem ferramentas ou é um caminho ainda distante para acabar com essa marca da desigualdade?

A desigualdade não é uma desigualdade apenas social, mas uma desigualdade territorial. Os indicadores melhoraram, pelo menos aqueles que nós tomamos como referência. Só o indicador de violência que cresceu e coloca o Brasil realmente numa situação internacional bastante desfavorável em relação ao problema da violência. O que o livro quer chamar a atenção é que no Brasil nós não temos experiência de política públicas que seriam adotadas de maneira regional, elas, de maneira geral, são de caráter nacional, olham o Brasil como um todo. E o que nós percebemos é que essas políticas nacionais têm um impacto diferenciado no país em função de realidades distintas.

Mas nós não temos, infelizmente, uma boa capacidade dos estados fazerem uma intervenção mais adequada à realidade em que eles se encontram. Os estados do Brasil tinham uma capacidade de intervenção maior, praticamente, até os anos 1990, e eles foram perdendo capacidade de intervenção, seja por um processo de centralização política seja por programas nos anos 1990, que foram de certa maneira reduzindo a capacidade de intervenção do estado pela centralização que ocorreu especialmente no âmbito da política econômica. Até os anos 1980, por exemplo, cada estado tinha seu banco de desenvolvimento. Hoje, não temos mais banco de desenvolvimento nos estados. Então, a nosso modo de ver, o Brasil precisaria ter um olhar mais regional mais diferenciado, do que tem atualmente a partir das políticas nacionais.

De qualquer forma, foi grande a intensidade das mudanças ocorridas na última década, principalmente na região Norte e Nordeste?

O mais importante é essa inflexão que conseguiu realizar nos anos 2000. Mas, obviamente, como nós partimos de uma base tão grande de desigualdade, é absolutamente necessário que se mantenha essa unidade da democracia, de crescimento econômico, políticas distributivas, para poder fazer com que o Brasil se estabeleça num patamar minimamente civilizado. Porque nós temos ainda indicadores de sociedade muito primitiva.

Um artigo seu do mês passado dizia que esse Brasil menos desigual parece não agradar alguns. Que cenário é este que está montado?

Nós somos um país que se constituiu em cima da desigualdade. Nós somos um país herdeiro de quatro séculos de escravidão. A desigualdade é uma marca do Brasil. Na medida em que essa desigualdade começa a ser atacada, de certa maneira, ela termina expressando certo desconforto. Porque há vários sinais de manifestação em relação a essa circunstância. Nós até estamos fazendo um outro estudo que mostra a mudança no regionalismo brasileiro. O novo federalismo, que aponta justamente certa inversão de protagonismo.

Nós tínhamos, praticamente, a região Sul, São Paulo como protagonistas do Brasil. O que ocorreu, nessa primeira década do século, pelo menos, foi uma expansão econômica mais consistente, com melhores resultados no Nordeste, no Centro-Oeste. O Brasil, inclusive, convive com uma mudança no próprio regime migratório. Antes, havia uma atração muito grande da população para as regiões Sul, e houve uma migração reversa, de pessoas que voltaram para os seus estados de origem. Então, há uma mudança geográfica no Brasil.

Há uma disputa, até porque, em função desse processo de transformação que o Brasil vem vivendo, nós temos o surgimento de novas elites, elites regionais, elites do interior do Brasil, em outros estados, e essas elites, no nosso modo de ver, elas também não encontram muita repercussão nas estruturas de representação que nós temos hoje, sejam eles sindicatos, partidos, enfim, agremiações que são elementos fundamentais para o processo democrático.

O senhor acha que essas conquistas podem ser perdidas?

Não há garantia que elas sejam para toda a vida, até porque a referência que nós tínhamos aqui no Brasil, que eram os países europeus, sobretudo, mesmo os Estados Unidos, convivem com sinais de retrocesso. Então, do meu modo de ver, não há garantia que não seja essa combinação que se mostrou bastante efetiva, de você ter democracia, ter política distributiva e ter crescimento econômico. A falha de uma delas pode certamente comprometer essa trajetória.

Este segundo volume do Atlas também fala de um desgaste próprio desse caminho adotado nos últimos anos. Isso determina a necessidade de uma mudança?

O desgaste se dá pelo fato de que o êxito traçado, pelo menos no nosso modo de ver, nesses primeiros 10 anos do século, é um êxito que encontra limites, porque são avanços que de certa maneira não colocaram em xeque questões históricas mais importantes. Ao nosso ponto de ver, a distribuição das oportunidades seria mais efetiva se nós tivéssemos condições de fazer algumas reformas. São reformas já defendidas há muito tempo, sem que o Brasil tenha tido oportunidade de realizá-las. A mais inegável delas é a própria reforma tributária, que há uma desigualdade enorme na forma com que o Brasil arrecada seus recursos.

Certamente, o que aconteceu na primeira década foi uma certa progressividade no gasto, mas não há progressividade na arrecadação, isso distorce certamente a capacidade do Estado ser mais eficaz nas suas políticas públicas. Nós temos, se a gente olhar o universo de políticas públicas brasileiras, há políticas de corte mais voltadas para a renda. As políticas de assistência social, por exemplo, estão mais voltadas para as regiões mais pobres. Mas quando a gente começa a olhar a política pública, por exemplo, no âmbito da Cultura, os principais teatros, os principais equipamentos culturais não estão nas regiões mais pobres. Não estão nas regiões onde a população mais carente mora. Em geral, os equipamentos de cultura estão nos centros das grandes cidades, nos principais centros onde mora a população com maior poder aquisitivo, de certa maneira privilegiada pela situação que nós temos no Brasil.

Então, nós estamos chamando a atenção para a necessidade de avanços maiores que esses que até o presente momento a gente conseguiu realizar.

O governo estaria estudando a possibilidade de taxação de grandes fortunas também. Isso seria uma forma de contrabalancear essas medidas de política fiscal que afetariam só o trabalhador e o empresário?

O que nós temos visto é que as medidas tomadas até o presente momento elas afetam mais o setor produtivo brasileiro, em particular os trabalhadores e agora numa segunda rodada também os empresários, mas há uma série de outros segmentos que até então não foram atingidos, segmentos em que, de certa maneira, há uma ausência de tributação. Pela questão da justiça fiscal, certamente, seria importante que outras modalidades viessem a ser tomadas.

O livro resgata o diferente posicionamento adotado pelo Brasil em relação a outros países com a crise de 2008, e um esgotamento do Consenso de Washington. O Brasil ainda tem condição de continuar a ser referência, considerando, por exemplo, o novo Banco de Desenvolvimento e o Acordo Contingente de Reserva do Brics? Seria uma alternativa a esse neoliberalismo que não deu certo?

Eu acredito que sim. Eu quero lembrar que nós estamos diante de um quadro dramático. O ambiente internacional é um ambiente de crise fomentada desde 2008, não há saídas ainda sustentáveis. Os países estão crescendo menos. O Brasil cresce hoje 45% do que crescia até 2008. Os Estados Unidos crescem 30% do que crescia até 2008, a China cresce 75% do que crescia até 2008. Então, é um quadro de maiores dificuldades. Entendo ser difícil uma saída pelos países ricos. Até porque eles estão com problemas mais profundos. Então a solução Brics pode ser de fato uma alternativa, até porque parte importante dos fluxos comerciais de investimento vem se dando na região Sul do planeta. O fato da criação desse banco, do fundo de reserva, e agora a possibilidade de criar uma agência de avaliação de risco também no âmbito dos Brics revela o fato mais importante ocorrido ao meu modo de ver desde o acordo de Bretton Woods de 1944, mas ainda é um processo lento, mas pode, em termos médios de longo prazo, ser de fato uma realidade, uma alternativa pro mundo que ainda vive em forte crise.

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Sugestão via e-mail da participante do grupo Desenvolvimentistas, Fátima Magalhães: 

Segue entrevista com o economista Marcio Pochmann e dois artigos do teólogo Leonardo Boff no Jornal GGN que – juntos – talvez possam nos ajudar a refletir na tentativa de entender um pouco mais acerca das tramas tecidas neste delicado momento politico que está a brotar no Brasil. Destas singulares publicações, destaco trechos nos quais o Prof. Marcio Pochmann e o Teol. Leonardo Boff parecem confluir para uma mesma questão central, segundo dados e interpretações que lhes são próprias.

“Nessa primeira década do século 21 a gente conseguiu ter um crescimento econômico importante, forte, significativo, combinado com democracia e política de distribuição de renda, de maneira geral. Esses três elementos, o regime político, o econômico e o social, não se combinaram dessa mesma forma nos últimos 50 anos.”

“Nós somos um país que se constituiu em cima da desigualdade. Nós somos um país herdeiro de quatro séculos de escravidão. A desigualdade é uma marca do Brasil. Na medida em que essa desigualdade começa a ser atacada, de certa maneira, ela termina expressando certo desconforto. Porque há vários sinais de manifestação em relação a essa circunstância.” Marcio Pochmann

“Segundo o pesquisador Márcio Pochmann em seu Atlas da Desigualdade social no Brasil : 45% de toda a renda e a riqueza nacionais é apropriada por apenas 5 mil famílias extensas. Estas são nossas elites. Vivem de rendas e da especulação financeira, portanto, ganham dinheiro sem trabalho. Pouco ou nada investem na produção para alavancar um desenvolvimento necessário e sustentável.” Leonardo Boff, citando estudo de Marcio Pochmann e cols.