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Petrolífera britânica BP acumula perdas de US$ 3,175 bilhões este ano

Via Agência EFE

De julho a setembro, lucro líquido da BP teve queda de mais de 90% em relação ao mesmo trimestre de 2014. EFE/HUGO PHILPOT

A companhia petrolífera BP registrou prejuízo líquido acumulado nos primeiros nove meses deste ano de US$ 3,175 milhões devido à queda dos preços do petróleo, embora seu rendimento tenha melhorado no terceiro trimestre.

Em comunicado enviado nesta terça-feira à Bolsa de Valores de Londres, a BP assinalou que suas perdas entre janeiro e setembro contrastaram com os lucros do mesmo período do ano passado, que foram de US$ 8,187 bilhões.

No entanto, no terceiro trimestre de 2015 – de julho a setembro – o lucro líquido da BP foi de US$ 46 milhões, queda de mais de 90% em relação ao mesmo trimestre de 2014, quando ganhou US4 1,29 bilhões.

A receita da empresa, que divulga seus resultados em dólares porque é a divisa padrão de cotação do petróleo, foram nesses nove meses de US$ 172,599 bilhões, uma queda de 39,1% em relação ao mesmo período do ano passado.

A dívida da BP em 30 de setembro de 2015 era de US$ 25,6 bilhões, aumento de 14,2% em comparação com o ano anterior, indicou a companhia.

A BP anunciou um dividendo trimestral de US$ 0,10 por ação ordinária, que espera pagar em 18 de dezembro, enquanto o equivalente em libras será comunicado em 7 de dezembro.

A direção reconheceu que a queda dos preços do petróleo este ano afetou a empresa. O executivo-chefe da companhia petrolífera, Bob Dudley, disse que ano passado a companhia “atuou de maneira decisiva” para deixar a BP em posição de enfrentar um período de preços baixos do petróleo, e por isso estão superando “bem” a situação.

“Confio que a forte e equilibrada bolsa de negócios e os projetos nos permitirão melhorar no futuro”, ressaltou Dudley.

A BP informou que seu programa de desinvestimento está perto de estar completado com um total estimado em US$ 10 bilhões até o final do ano. A empresa espera realizar outros desinvestimentos de entre US$ 3 bilhões e US$ 5 bilhões em 2016.

Estes processos de desinvestimentos darão mais flexibilidade à empresa para enfrentar a contínua volatilidade dos preços do petróleo e seus compromissos nos EUA, derivados estes dos problemas pelo vazamento no Golfo do México.

A empresa já anunciou em julho passado um acordo com o governo e vários estados dos EUA para pagar US$ 18,7 bilhões em 18 anos para pagar as indenizações pendentes pelo vazamento de petróleo de 2010, que causou um desastre ambiental e deixou 11 mortos.

Termômetro da conjuntura política #7

Por Rennan Martins | Vila Velha, 19/10/2015

Ascensão e queda. A semana passada iniciou com o então soberbo presidente da Câmara anunciando que decidiria sobre a abertura do procedimento de impeachment contra Dilma Rousseff, tendo definido um rito que não observava a lei competente, mas o regimento interno, de forma a dar-lhe mais poder. O STF, notando a evidente paraguaiada armada pelo peemedebista, deferiu três liminares que impediam Eduardo Cunha de seguir pelo caminho, entendido como ilegal. Alguns dias se passaram e o vazamento dos documentos e assinaturas referentes as contas na Suíça simplesmente enterraram Cunha e qualquer pretensão de se manter frente a Câmara. Esta semana se inicia com a discussão sobre sua sucessão, que até mesmo o PMDB vê como inevitável.

Golpe fiscal. O senador José Serra (PSDB-SP) apresentou emenda ao Projeto de Resolução do Senado nº 84/2007 que, se aprovada, tem o potencial de devastar a já combalida economia e até a própria soberania nacional. O texto estabelece metas de superavit primário que nos transformariam numa colônia da dívida, submetendo o país a ajustes consideravelmente mais profundos que o atual – algo equivalente a 30% do PIB em dez anos. Tal medida se daria sem qualquer debate e com base em dados e conceitos falaciosos. Atenção, a banca não dorme e tem em Serra um obediente e aplicado serviçal, se você se opõe a este projeto, assine esta petição eletrônica e faça barulho nas redes.

Gravou ou não? A Lavajato tem recebido excepcional cobertura do repórter investigativo Marcelo Auler, que em seus últimos artigos expôs um imbróglio que ameaça a legalidade de boa parte da operação: o dos grampos não autorizados na cela do doleiro Alberto Yousseff. A escuta foi tida como inoperante, tendo a Polícia Federal alegado que ali estava quebrada desde os tempos em que Fernandinho Beira-Mar esteve preso no mesmo local. Hoje se sabe que esta versão não se sustenta e que os grampos gravaram em torno de 100 horas ilegalmente. Caso os advogados consigam comprovar que a força-tarefa fez uso desse material a anulação de diversas provas será inevitável.

Óbvio esquecido. O colunista do New York Times e nobel em economia, Paul Krugman, deu entrevista à Folha de São Paulo, e nela nos lembrou mais uma vez que o cenário recessivo global não é inexorável e que os livros de economia mais básicos indicam a solução que anteriormente já deu certo, mas que agora é ignorada: deficit público e investimento em infraestrutura. A economia é uma ciência humana que dispõe de inúmeras abordagens e soluções que variam conforme as circunstâncias, mas o debate econômico foi interditado pela escola de Chicago e o que temos agora são somente ajustes que ampliam as crises e trazem seríssima degradação social.

Teimosia. Nesse sentido, é incompreensível a obstinação da presidenta em manter o ultraortodoxo Joaquim Levy à frente da Fazenda. Desde que assumiu a pasta seus cortes somente derrubaram a atividade e definharam a arrecadação, o que por sua vez requer ainda mais cortes que aprofundam a recessão, verdadeiro cão correndo atrás do rabo. Sem uma mudança na política econômica a perspectiva é de aumento do desemprego e continuação da crise política.

Humanistas”. Os Estados Unidos permanecem desafiando os limites da hipocrisia. No mesmo mês em que bombardearam um hospital dos Médicos Sem Fronteiras conseguem levantar objeções as operações russas na Síria, únicas que têm conseguido combater de fato o Estado Islâmico. Ocorre que desta vez a OTAN está tão desmoralizada que nem mesmo seus próprios habitantes creem na narrativa corporativa dos conflitos. Pesquisa de opinião pública feita pelo tabloide Daily Express atesta que mais de 70% dos cidadãos britânicos apoiam a operação russa contra o Estado Islâmico.

Irã. O presidente norte-americano, Barack Obama, determinou que a administração do Estado tome as medidas cabíveis para levantamento das sanções impostas ao Irã há décadas. Tal decisão é fruto do acordo nuclear costurado entre os países e ocorreu 90 dias após a ratificação do mesmo por parte do Conselho de Segurança da ONU. A expectativa é de que Teerã abarcará mais petróleo na oferta global, o que pressionará o preço do óleo para baixo.

Termômetro da conjuntura política #6

Por Rennan Martins | Vila Velha, 29/10/2015

Charge de Renato Aroeira.

Crise (in)conveniente. Diante do histórico julgamento em que o STF, por 8 votos a 3, considerou inconstitucional o financiamento empresarial de campanhas políticas, o presidente do senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), deu uma cartada bastante curiosa. Disse ele que o erário não tem condições de arcar com as campanhas do ano que vem, preparando um subterfúgio para retomar o financiamento por pessoas jurídicas, principal causa da corrupção. Ora, tal guinada ocorre justamente no ano em que o Congresso aprovou a triplicação do fundo partidário, que foi de 289,5 para 867,5 milhões. Tal surto de responsabilidade fiscal tem um timing bem intrigante.

Confuso. O também peemedebista e ex-ministro do governo Dilma, Moreira Franco, prestou entrevista a Folha de S. Paulo, na qual entre uma fala e outra, admite que a atual crise econômica global é gravíssima, em sua visão pior que a de 1929, para logo depois dizer que foi um erro do governo enviar o orçamento deficitário para 2016. Se o experiente político estudasse mais um pouco história econômica veria que a crise de 29 teve o deficit público como um dos principais instrumentos para reversão de expectativas e indução da retomada do crescimento.

Tomar caju. O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) – que há poucos dias se gabou dizendo receber aplausos nos restaurantes que frequenta – foi hostilizado pelo público do Rock In Rio 2015. Em vídeo disponível no YouTube se vê ele sendo mandado ir tomar naquele lugar por diversas vezes. Isso continuará acontecendo em todo local não controlado que resolver visitar, visto ser uma das figuras mais nefastas de nossa República.

Aliados”. Ainda no PMDB, oficialmente base aliada, temos esta semana um embate decisivo. O Congresso apreciará, em sessão conjunta, os vetos da presidente referentes a gastos aprovados no legislativo os quais anulariam o esforço fiscal até agora praticado. Na pauta temos principalmente o modesto aumento de até 78% que os judiciários quer conceder a si próprio. Será que Eduardo Cunha e Renan Calheiros – que tanto falam da necessidade de cortes e enxugamento do Estado – barrarão a dita pauta bomba? Ou será que a austeridade que pretendem é só no lombo do trabalhador humilde mesmo?

De volta. O cearense Ciro Gomes, que já ocupou diversos cargos públicos, desde deputado estadual, federal e até mesmo ministro da Fazenda, retornou ao cenário político nacional em cerimônia de filiação ao PDT, seu sétimo partido. Chutando a porta, Gomes afirma que o empresariado de São Paulo está armando um golpe contra a presidente em conluio com os tucanos e setores do PMDB. Alegou também que Eduardo Cunha é o “maior vagabundo de todos”, e em discurso ao PDT avisou que chega para batalhar e não para festejos. Bem, com tal postura se vê que o embate será duro e aberto. Bom para nossa democracia tão carente de figuras públicas que não fogem ao debate.

Foi mesmo. O papa Francisco, responsável por uma guinada progressista do Vaticano e fortemente atuante na diplomacia internacional, atendeu aos pedidos dos macartistas. Visitou a ilha cubana e lá proferiu missa na Plaza de la Revolución, com a imagem de Che Guevara ao fundo. Aconselhou os cubanos a não se deixarem levar pelo deus dinheiro, abrindo mão da solidariedade duramente construída pelo regime revolucionário, que levou a ilha a patamares de primeiro mundo em termos de educação e saúde. A viagem também teve direito a um encontro em particular com Fidel Castro, de quem ganhou um livro do teólogo Frei Betto, uma compilação de entrevistas prestadas por Fidel ao escritor brasileiro.

Guinada neoliberal. O Syriza e seu líder Alexis Tsipras se reelegeram governo nas eleições da Grécia no último fim de semana, com um total de 35,5% dos votos. Inicialmente contra as políticas de austeridade, agora Tsipras é um fiel defensor delas, tendo aprovado no parlamento grego um pacote de “reformas” ainda mais duro que o anteriormente proposto por Berlim. Considerando este triste desfecho da batalha grega, seria possível que Tsipras fosse desde sempre um cavalo de Troia?

Só agora. Depois de décadas de intervenção e fomento a sectarismos e o desencadeamento de inúmeras guerras civis e da crise migratória no Oriente Médio, os Estados Unidos finalmente adotaram uma posição mais consequente na questão da Síria, em guerra civil desde 2011. Agora, o secretário de Estado John Kerry alega que é possível uma solução negociada junto a Rússia e o presidente Assad. Parece que finalmente Washington notou que todos sabem que o Estado Islâmico nasceu do financiamento norte-americano e sunita aos jihadistas que saíram do controle de seus patrocinadores.

Derretimento das instituições prenuncia o pacto ou a guerra

Por J. Carlos de Assis

A crise brasileira se caracteriza pelo derretimento moral inexorável de todas as instituições da República. O Congresso não se respeita. Presidido por dois parlamentares indiciados por corrupção, também já não merece o respeito de ninguém. O Executivo afundou junto com a direção da Petrobrás num dos maiores escândalos de roubo de nossa história, manchando a honra de uma empresa que era uma espécie de ícone da brasilidade. O STF se deixa desonrar em função das posições extravagantes, públicas, de um de seus ministros.

Ninguém confia na Procuradoria Geral da República depois que, na operação Lavajato, ela tornou-se cúmplice de um juiz vaidoso que liquidou no Brasil com o secular instituto do habeas corpus, da presunção da inocência, do devido processo legal, e do princípio segundo o qual não pode haver prisão indefinida sem julgamento. Nessa situação, ninguém respeita ninguém. Em consequência, o que acontece na superestrutura geral da sociedade se reflete, abaixo dela, como uma situação anômala, de total desordem e caos social.

A par do derretimento das instituições formais republicanas, a Grande Mídia abandona o que seria seu papel central de informação para tornar-se, ela própria, um ator interessado e parcial, manipulando fatos, distorcendo a verdade, assumindo descaradamente como de interesse geral posições de partidos políticos e setores privilegiados da sociedade. Nesse contexto, esmagada pela manipulação ideológica, a cidadania não tem por onde respirar, sufocada que está pelos grandes monopólios midiáticos que determinam o que a sociedade deve ou não saber. Não fora a Internet e a mídia competitiva, nem mesmo este texto poderia ser levado ao conhecimento da população.

Se não há, na superestrutura da sociedade, instituição que, merecendo o respeito da Nação, possa tomar a iniciativa do reordenamento das demais – por enquanto, estou deixando os miliares de fora -, o caminho que se percorre naturalmente é a busca de uma solução no nível inferior da infraestrutura social, a saber, no setor produtivo ou sociedade civil. Livres de preconceitos ideológicos e políticos, já que tem coisas concretas a perder como empregos, lucros e propriedades, grupos sociais podem entrar em entendimento e evitar o pior.

Podem, não necessariamente entram em acordo. Na ausência deste, abre-se a porta para a guerra civil. Como todas as pessoas familiarizadas com história sabem de cor, nenhuma guerra civil começa como tal. É sempre um processo cumulativo que começa por escaramuças inocentes e evolui para atentados, assaltos políticos a bancos e empresas privadas, sublevações localizadas e finalmente guerra geral. Os militares provavelmente só entrarão no jogo nessa última fase devido ao trauma que guardam da campanha de democratização.

Portanto, temos diante de nós a alternativa do pacto social ou da guerra civil. Wanderley Guilherme dos Santos, um dos mais notáveis cientistas políticos do Brasil, manifesta a esperança de que apareça um grande líder para colocar a ordem na casa. Seria a salvação, mas é muito improvável. Sairia de onde? Da estrutura partidária? Mas não há nada mais desmoralizado no Brasil hoje que a estrutura partidária. Ela está afundada até o pescoço na Lavajato. Diante disso, talvez não haja tempo para aparecer esse salvador.

Sejamos sensatos. Tenho feito apelos sistemáticos aos líderes empresariais, das centrais sindicais e de outras federações de trabalhadores para buscarem um acordo a fim de apresentá-lo à Presidenta Dilma como alternativa de um programa econômico que venha a merecer o apoio de todo o setor produtivo, trabalhadores e empresários. Aplicado por um núcleo ministerial técnico, esse programa deveria ser de tal forma que merecesse o apoio automático das outras instâncias da República, sobretudo o Congresso.

É claro que sempre haverá posições divergentes, mas, como dizia Gramsci, “você deve trazer o adversário para uma posição da qual ele só pode recuar com desonra”. A força de um pacto social que venha apoiado por efetiva mobilização social – e fazer essa mobilização seria o papel das Centrais sindicais, com ajuda das organizações empresariais, como aconteceu em São Paulo recentemente – é simplesmente irresistível. Tenho dúvida de que esse Congresso, desmoralizado como está, recusasse propostas do Pacto apoiadas por ampla mobilização.

Vocês acham que estou sonhando? Bem, vamos então ao pesadelo. Em recente pronunciamento pela tevê o líder do PSDB na Câmara entusiasmou-se com a própria retórica e simplesmente pediu uma sublevação popular para o caso do TSE ou TCU não cassarem o mandado de Dilma. O tom era de uma violência verbal absoluta, de acordo com o relato de quem viu. Pessoas comuns estão sendo envenenadas com essa verborragia desde as eleições, quando o país, dividido em dois, graças aos esforços de Aécio e de outros dirigentes do PSDB não quis se reconciliar. Não sei qual o nível de consciência que tem da guerra civil que estão preparando.

Agora vejam o lado do PT. É ainda o partido que tem maior base de militantes no Brasil. Humilhado, enxovalhado, agredido por figuras como Gilmar Mendes, esse partido tem a característica de abrigar mais de sete correntes, algumas delas revolucionárias. Ficaram sob o guarda-chuva de Lula enquanto ele aparecia como um líder de avanços intermediários. A meta final, porém, é o socialismo, o trotskismo ou outras formas de poder que não compreendo bem. Acham que essas correntes do PT ficarão imóveis se tomarem o mandato de Dilma pela força, ou por um truque paraguaio? Acho melhor não por isso à prova. Vamos ao Pacto Social.

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José Carlos de Assis é economista, doutor pela Coppe/UFRJ, autor do recém-lançado “Os Sete Mandamentos do Jornalismo Investigativo”, Ed. Textonovo, SP.

 

A arte de jogar a toalha

Por Geniberto Paiva Campos | Brasília, setembro de 2015

1. Em competições de boxe “jogar a toalha” significa desistir da luta.

É o que parece estar fazendo o núcleo decisório do governo federal, diante das “imensas dificuldades”, reais e criadas pela Oposição, (bem) articulada para inviabilizar o país e o atual governo, a qualquer custo. Parece restar à presidente Dilma as seguintes alternativas para enfrentar a crise política: entregar humildemente o cargo ou desistir humildemente da pauta progressista e inclusiva, adotada com êxito na última década e seguir humildemente a receita neoliberal: juros altos; recessão; acabar com os programas sociais; fechar escolas e universidades; inaugurar mais prisões para os adolescentes infratores; entregar a Petrobrás e o Pré Sal a quem de direito. E pedir desculpas, humildemente, pelos “erros” cometidos. Como se vê, é muita humilhação para um só governo.

Para quem aprendeu as lições da História Contemporânea talvez valha a pena a lembrança da célebre batalha de Stalingrado, durante a 2ª Guerra Mundial. A tenaz resistência do povo russo ao cerco do exército alemão foi um fator emblemático, mobilizador, capaz de produzir uma grande virada no conflito, com as primeiras derrotas dos nazistas, até então invencíveis, nos campos de batalha.

Parece estar faltando pessoas com espírito de luta, ou menos derrotistas, para mobilizar as forças comprometidas com a causa social, enquanto ainda estiveram agrupadas e coesas. Com inteligência e visão política, para definir o campo da luta e os verdadeiros adversários do projeto de mudança, vigente no Brasil, a duras penas, desde 2003. Importante lembrar que os “erros” dos governos progressistas são simplesmente os seus inegáveis acertos no projeto de mudanças implementados, os quais provocam o ódio e a intolerância da elite brasileira, historicamente impossibilitada de aceitar as mudanças que ocorrem naturalmente na área socioeconômica.  E que buscam produzir mais justiça e igualdade.

É ingenuidade imperdoável imaginar que a luta política por mudanças poderá ser suavizada. Trata-se de uma batalha permanente, sem tréguas ou descanso. Que exige mobilização constante dos seus contendores. O campo conservador não dorme, não descansa. E os seus integrantes – locais e alhures – creem legítimo usar de todas as armas, incluindo a fraude, a mentira, a meia verdade, as mais sórdidas conspiratas, desde que se imaginam numa guerra, onde seria lícito o abuso. E o jogo sujo. “Feio é perder”, acreditam.

2. Impensável imaginar a Batalha de Stalingrado com outro desfecho, senão com a vitória das forças aliadas. O que seria do mundo, hoje, com a hegemonia inconteste do regime nazista?

Para os que acreditavam na morte definitiva do Nazifascismo em 1945, entretanto, os acontecimentos históricos recentes provam exatamente o contrário. O “ovo da serpente” está sempre ativo, chocado pelos politicamente ingênuos e pelos seus incansáveis, insaciáveis mentores. Talvez o Neoliberalismo tenha assumido a estratégia e as táticas nazifascistas. E o mais grave, considerando-as legítimas. “Já que estamos em guerra…”

Estas reflexões precisam permear o núcleo dirigente do atual governo.

E vale repetir a frase recente do mestre Mauro Santayana em seu blog: “toda vez que o Capitalismo se sente ameaçado, ele abre a porta do canil e sai para passear com o Fascismo”.

Em resumo, se for para cumprir a pauta neoliberal, e aos poucos, continuar produzindo a desmobilização das forças progressistas, melhor seria repensar as estratégias de enfrentamento político da elite. Quem sabe, “jogar a toalha”?

Como ficariam, então, os 54 milhões de brasileiros que em outubro de 2014 depositaram seu voto de confiança na continuidade de um projeto transformador, inclusivo, pacífico, e direcionado para a Igualdade e para a Justiça Social? Descrentes da Política e desmobilizados para a luta? Qual a alternativa a ser oferecida ao eleitorado progressista? Apoiar os políticos neoliberais e o seu programa para o retrocesso das conquistas duramente obtidas? Um projeto que não ousa dizer o seu nome?

“Jogar a Toalha?” JAMAIS!

Pensem nisto, senhores integrantes do núcleo dirigente do governo.

PMDB descarta entendimento com PSDB sobre apoio a Temer

Por Ana Cristina Campos | Via Agência Brasil

O vice-presidente Michel Temer viajou com uma comitiva de ministros para a Rússia e de lá comentaram as especulações.

O ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves, negou hoje (14) que seu partido, o PMDB, esteja conversando com o PSDB sobre um hipotético governo de Michel Temer, caso haja o afastamento da presidenta Dilma Rousseff. “Hoje, o Michel [vice-presidente] fez um discurso para empresários na linha de que as dificuldades vão ser superadas pelo governo Dilma Rousseff. Não há essa hipótese de governo Michel Temer”.

Sobre a notícia de conversas entre o PMDB e o PSDB, o ministro Henrique Alves ressaltou que é até desrespeitoso com o vice-presidente Michel Temer. “Não há possibilidade de conversar com o PSDB, em hipótese alguma, sobre um governo Michel Temer. Michel vai cumprir seu dever constitucional, vai ajudar o governo a superar a crise. O PMDB é governo, é leal ao governo”.

Henrique Alves está em Moscou com outros ministros e o vice-presidente, cumprindo uma agenda empresarial e política.

O ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, destacou que um hipotético impeachment da presidenta Dilma “sem base constitucional, é golpe”. “Se não houver base legal, não vejo como formular um impeachment político”, disse Braga.

Os ministros peemedebistas da Pesca e Aquicultura, Helder Barbalho, e da Secretaria dos Portos, Edinho Araújo, também negaram saber de conversas entre seu partido e o PSDB.

Sobre o corte de despesas, o ministro Henrique Eduardo Alves disse ser favorável. “Sou a favor do que for necessário mesmo que toque no meu ministério. É hora de cada um dar sua contribuição”. Ele afirmou não ter receio de que sua pasta desapareça na reforma ministerial, porque o setor é importante para a economia. “Nós temos a Olimpíada [do Rio de Janeiro em 2016] a consagrar o Brasil, estamos com o dólar e o euro valorizadíssimos, o que é bom para quem visita o país”.

Segundo a assessoria da vice-presidência, o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, ligou hoje para Michel Temer a fim de falar sobre o anúncio dos cortes de despesas.

Para o ministro Eduardo Braga, os cortes no Orçamento são inevitáveis. “Não tem jeito, é o caminho. Acho que tem que anunciar cortes e novas receitas. O Brasil precisa equilibrar o Orçamento do ponto de vista fiscal”, destacou Braga.

O ministro da Pesca e Aquicultura, Helder Barbalho, informou não ter notícia sobre corte de sua pasta na reforma ministerial. “Até o momento, não há informação neste sentido. Estamos trabalhando para diminuir os custos do ministério, para que possamos colaborar com a redução de gastos. Em momento algum tratei ou trataram comigo sobre qualquer assunto que diga respeito à mudança na estrutura governamental. Na minha área, presumo que é preciso aperfeiçoar os controles no que diz respeito ao pagamento do seguro defeso aos pescadores”.

Para Edinho Araújo, o governo tem que dar o exemplo com os cortes. Sobre a permanência da sua pasta na futura reforma ministerial, o ministro dos Portos disse acreditar que a área de portos “é importante no mundo inteiro e no Brasil não é diferente”. “A presidenta tem a visão e aí não me cabe opinar sobre permanência ou não, incorporação ou não de secretarias e ministérios. Eu considero o setor importante”.

Termômetro da conjuntura política #5

Por Rennan Martins | Vila Velha, 14/09/2015

Ultimato. A Folha de São Paulo escancarou a chantagem ao governo em editorial de ontem (13). Condicionou a permanência da presidente a cortes drásticos na saúde, educação, programas sociais e funcionalismo público. Nem uma só linha fala do serviço da dívida pública que este ano consumirá quase a metade de todo o orçamento. Assumindo este tom e parcialidade frente a austeridade – a qual defende somente para os que estão na parte de baixo da pirâmide – fica evidente que a caneta autora de tal documento é a da plutocracia patrimonialista e parasita.

Máscara. O agravamento da crise torna a postura do vice-presidente cada dia mais dúbia. Se há poucos meses ele dizia estar na “mesma canoa” que a presidente Dilma, agora sustenta que é difícil terminar o governo com tão baixa popularidade. Independente de suas intenções, Temer sabe que sua postura agrava a crise e suas palavras contribuem para manter o governo contra as cordas.

S&P ou FMI? O governo resolveu ontem ampliar os cortes orçamentários em R$ 20 bilhões após a agência de classificação de risco Standard & Poors rebaixar a nota do crédito nacional, retirando o selo “grau de investimento” dos papéis brasileiros. A despeito de termos reservas suficientes para cumprir com as obrigações cotadas em moeda estrangeira, os analistas da S&P sustentam que a turbulência política e a recessão econômica dificultam a capacidade do governo de cumprir com suas obrigações. Esta mesma agência foi multada em bilhões no início do ano por conta das manipulações de mercado que promovera atribuindo notas altas a quem melhor pagasse, fator crucial para a ampliação massiva da quebradeira de 2008. Quem ganha ouvindo tais “autoridades”?

Lula x Levy. Diante do quadro de deterioração e espiral recessiva da economia o ex-presidente Lula finalmente reconheceu que o ajuste nada mais é do que arrocho nas costas dos trabalhadores, fazendo gestões no sentido de afrouxar o ajuste e manter Temer como aliado do Planalto. A atitude faz sentido pois PMDB tem diferenças consideráveis com o ministro da Fazenda e o ajuste fiscal desmobilizou quase que inteiramente a base social do governo, que tornou-se refém do Congresso e principalmente do próprio PMDB.

Álvaro Dias x Lula. A Polícia Federal solicitou autorização do STF para colher depoimento do ex-presidente Lula. A própria solicitação admite não haver nenhum indício contra ele, mas, ainda assim, sustenta a necessidade da oitiva por meio de alegações vagas. Enquanto isso, o antes tão verborrágico e agora sumido senador Álvaro Dias (PSDB-PR) foi citado nominalmente por Alberto Yousseff, mas a força-tarefa da operação se fez de surda. Tucanaram a PF?

Puxão de orelha. O presidente do STF, Ricardo Lewandowski, se pronunciou por meio de artigo publicado neste domingo (13) sobre a postura midiática e bravateira de alguns juízes, em especial o ministro Gilmar Mendes. Lewandowski considera reprovável a “verbosidade de integrantes do Poder Judiciário”, alertando que estas podem acarretar “desde uma simples falta disciplinar até um ilícito criminal”. O alerta é um farol de lucidez em meio ao mar de punitivismo e parcialidade que tem assolado a justiça brasileira.

Tabelinha. O mesmo Gilmar Mendes está prestes a ver sua tabelinha com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, completa. Depois de segurar o julgamento da inconstitucionalidade do financiamento empresarial de campanhas políticas por 1 ano e 5 meses, temos que a contrarreforma política do legislativo foi encaminhada para sanção, não só mantendo o financiamento empresarial como vedando a identificação da pessoa jurídica doadora, ou seja, se sancionado teremos políticos vinculados a interesses privados os quais nem poderemos distinguir. Este tipo de atuação militante por parte de um magistrado escandaliza qualquer país minimamente sério.