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Termômetro da conjuntura política #2

Por Rennan Martins | Vila Velha, 17/08/2015

Desmoralizados. Foram enormes os investimentos nas manifestações anti-PT ontem realizadas e mesmo contando até com convocações diretas por parte do principal partido de oposição, o PSDB, o evento que ficou conhecido como carnacoxinha começa a sair de cena, seja por meio de entendimentos palacianos, seja pelo fato de que tais manifestações carecem de substância política, ficando conhecidas pelo macartismo e a famigerada dancinha do impeachment, que mais serviu para ridicularizá-los que qualquer outra coisa.

Contradição. Os manifestantes muito falam sobre combater a corrupção e a necessidade de moralizar o país, mas, ao mesmo tempo, saem às ruas perguntando o porque das Forças Armadas não ter exterminado todos os esquerdistas em 64, estendem faixas favoráveis a uma das figuras mais corruptas da história da República, o presidente da Câmara Eduardo Cunha, e fazem questão de fechar o olho para os casos de corrupção que não envolvem o PT. Tais fatores demonstram que suas demandas não estão ligadas a honestidade e ainda exigem demais da inteligência do cidadão minimamente racional.

Alívio. O Planalto avalia como positivo o relativo esvaziamento das ruas e entende que o PSDB apostou na mobilização mas saiu perdendo, visto que a edição de março não contava com apoio explícito do tucanato e foi maior. A tendência agora é ver um isolamento de figuras como Aécio Neves e Eduardo Cunha, que fazem oposição mais radicalizada e evidenciam que colocam seus interesses imediatos à frente da estabilidade do país.

Virar a página. O governo deseja terminar de apagar os focos de incêndio no TCU e TSE e terminar a votação do ajuste fiscal para então passar para a agenda “positiva”, voltada para os investimentos em infraestrutura e as propostas contidas na dita “Agenda Brasil”, documento apresentado pelo presidente do Senado, Renan Calheiros.

Não tão rápido. A Agenda Brasil é vista com maus olhos pelos movimento sociais ligados ao PT e certamente contará com resistências na base parlamentar. Propostas como regulamentar as terceirizações, constitui autoridade fiscal independente e passar a responsabilidade pela demarcação de terras indígenas para o Congresso Nacional afrontam a militância e o progressismo de forma geral, o que contribui para o processo de descaracterização do partido e distanciamento de suas bases sociais.

Renan Cunha. O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), tem emulado o comportamento autoritário do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, quando o assunto é o PLS 131, que retira da Petrobras a condição de operadora única do pré-sal. Tendo atuado desde o início em coordenação com o autor do projeto, José Serra (PSDB-SP), Renan dissolveu a comissão especial de 27 senadores designada para tratar do tema ao ver que a maioria era contra seu teor, criando em seguida uma nova comissão de 14 integrantes, excluindo senadores nacionalistas e escolhendo nomes mais simpáticos a proposta. O desrespeito aos colegas e a proporcionalidade das bancadas forçou os senadores Telmário Mota (PDT-RR), Roberto Requião (PMDB-PR) e Lindbergh Farias (PT-RJ) a entrar com um mandado de segurança no STF. Acompanhemos os desdobramentos.

Cunha mesmo. A despeito da moderação do discurso observada nos últimos dias, o presidente da Câmara continua em rebelião junto ao baixo clero, pautando temas polêmicos e que vão de encontro aos interesses do governo somente para criar cortina de fumaça em relação ao fato de que será denunciado pela PGR em breve. Esta semana o peemedebista pretende votar a redução da maioridade penal em segundo turno e o aumento da remuneração do FGTS, que pode dificultar um dos programas mais importantes para as populações de baixa renda, o Minha Casa Minha Vida.