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A Presidenta preferiu a tela azul do Cardozo ao seu próprio coração valente…

Por Fernando Brito | Via Tijolaço

A ilustração aí de cima é para que a Excelentissima Senhora Presidenta da República, Dilma Rousseff, veja como será a transmissão de um seu hipotético direito de resposta seu a uma matéria ofensiva a ela que, amanhã, venha a ser veiculada pela Rede Globo, mostrando montagens de imagens que a reúnam aos piores dos sem-vergonhas desta República, exibida em rede nacional.

É assim, com esta tela azul e letras brancas, que ela vai protestar, na voz de um locutor frio, gelado, às mais candentes e dramáticas ofensas a sua honra pessoal. Talvez, quem sabe, na toada que as coisas vão, até em relação a sua vida pessoal e à de sua família.

Porque é assim que será, porque ela deu às emissoras de rádio e televisão de transmitirem deste jeito o direito de resposta concedido pela Justiça, com texto previamente examinado por um Juiz – o que já garantiria, óbvio, uma fala equilibrada, sem baixarias ou devolução de ofensas. Foi o que fez, a confirmar-se o que a Folha noticia, quando tomou a decisão de vetar o artigo que o Senado restabeleceu – depois de derrubado pela Câmara de Eduardo Cunha – o artigo que garantia ao ofendido, querendo, o direito de apresentar, pessoalmente ou por quem achasse conveniente, a contestação a ofensas recebidas nos meios de comunicação.

Certamente teve a aconselhá-la este Varão de Plutarco que é o Ministro da Justiça, sempre a postos e disposto a combater pela República nas páginas amarelas da Veja ou em entrevistas à Folha.

Ele, só ou com outro assessor sabujo ao lobby das emissoras de TV, fez o serviço, criando a alegação de que ao não “definir critérios para a participação pessoal do ofendido, o dispositivo poderia desvirtuar o exercício do direito de resposta ou retificação”.

Que critérios, “seu Zé”, se o material será gravado e submetido antes ao juiz, o que resta regulamentar que possa ser razoável? Nem a roupa que o fulano deverá usar, pois que quiser aparecer pelado o juiz poderá mandar refazer por uso de forma inconveniente para o exercício do direito!

O que o veto traz, isto sim é que fica evidentemente estabelecido o desequilíbrio.

William Bonner, com suas caras e bocas faz a ofensa: vil, baixa, odiosa. Cobrindo suas palavras, imagens desfavoráveis, cenas editadas, quem sabe até uma trilha sonora dramática, amplificando as palavras ferinas.

A Presidenta, ofendida, reage com um processo judicial, dias depois, porque é preciso conseguir advogado, burilar o texto para que o Juiz nele não veja ofensa devolvida, cuidar da linguagem, do tempo, por que este há de ser, no máximo, igual ao da ofensa, recolher as custas, esperar a defesa e conformar-se ao tempo do Fórum, sempre tão assoberbado.

Dois meses depois – e isso é rapidez das bem rápidas – enfim, vem a reparação.

Então, vem esta tela azul, aí em cima, debaixo da qual uma voz minguada, sem expressão, lê burocraticamente um texto já de si burocrático, enquanto o cidadão fala – ih, propaganda de candidato, de novo – e se levanta para pegar a cerveja na geladeira, enquanto a “sua senhora” trata de tirar a louça do escorredor e guardá-la…

Nenhum olhar, nenhuma expressão facial, nenhum embargo na voz que denote quanto o que se fez foi indigno, foi sujo, foi sórdido.

O dia seguinte, os jornais, para a meia-dúzia que ainda os lê, repercutirão as respostas e, na internet, enquanto os adversários reproduzem as ricas imagens da agressão, seus defensores mambembes se esmerarão, com programas gratuitos de edição de vídeo em colocar, pelo menos, um rosto sobre a maldita tela azul, para que aquele texto ganhe alguma aparência humana.

A Presidenta não precisaria ter feito nada, apenas sancionar o que os senadores, a começar pelo valente Roberto Requião, lutaram contra o lobby das emissoras de televisão e rádio para aprovar.

Mas fez, embora não tudo, o que as famílias proprietárias da grande mídia queriam. Como não fez tudo, ainda reclamam, claro.

Preferiu ceder a quem nada lhe concede.

Se um dia se arrepender e, ofendida, pleitear e conseguir o direito a responder, já está pronta a cartela aí em cima. O resto, peça ao José Eduardo Cardozo.

Quem não acha que olhar no olho do nosso povo faz diferença, quem não crê que a emoção dê vida nova às palavras, quem não acha que o coração dá tom à voz, não precisa mais que isso.

Termômetro da conjuntura política #9

Por Rennan Martins | Vila Velha, 09/11/2015

Créditos: Jornalistas Livres

#ForaCunha. O Brasil inteiro mobilizou-se, capitaneado por movimentos feministas e pela Frente Povo Sem Medo, pela saída de Eduardo Cunha da presidência da Câmara, pela derrubada de seu PL 5069 que dificulta ao aborto em casos de estupro, e contra o ajuste fiscal do governo e seu ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Diversos atos ocorreram em vários estados do país tais como Espírito Santo, Rio de Janeiro e Distrito Federal, sendo o maior deles em São Paulo, onde a organização sustenta que 60.000 pessoas estiveram presentes, enquanto a mídia corporativa noticiou somente 600! Na foto acima, o leitor pode conferir e tirar as conclusões sobre quem falou a verdade.

Piada pronta. O mesmo Eduardo Cunha resolveu “explicar” suas contas na Suíça – mas só depois que perdeu em definitivo na justiça de lá, onde tentava invalidar as provas que o Ministério Público suíço enviara ao Brasil. Diz ele que o dinheiro não declarado em suas contas no exterior são provenientes de venda de carne enlatada e operações na bolsa, sustentando ainda que desconhece o porque do depósito de 1,3 milhão de francos suíços por parte do lobista João Augusto Henriques. A “prova” desse desconhecimento seria o fato de que o dinheiro estava parado na conta, esperando ser reclamado pelo verdadeiro dono. Ah, pra finalizar o conto fantástico, dirá também que não era beneficiário nem dono das contas na Suíça, mas somente “usufrutuário”.

Direito de resposta. A aprovação do projeto do Direito de Resposta, de autoria do senador Requião, pelo Congresso Nacional, já começa a apresentar seus efeitos. Duas publicações habituadas a difamar adversários e inimigos políticos, o jornal O Globo e a revista Veja, publicaram grandes erramos a fim de retificar acusações mentirosas que haviam feito contra o ex-presidente Lula e seus familiares. Por outro lado, a pressão das entidades vinculadas a grande mídia aumenta, com o discurso de que o direito de resposta fere a “liberdade de imprensa”. Ora, liberdade de imprensa seria o direito de mentir, difamar e assassinar reputações? O projeto ainda precisa ser sancionado pela presidente Dilma. Em nome da democracia e do jornalismo sério, esperemos que o faça.

SAMARCO. Ainda sobre jornalismo sério, é espantosa a “dificuldade” da imprensa em lembrar que a responsabilidade pela gestão das barragens de rejeitos que romperam em Mariana-MG seja da Samarco S.A, empresa controlada pelos grupos BHP Billiton e Vale. Será que é por que este acidente prova que a gestão privada, que coloca os lucros à frente de qualquer coisa, tem culpa pelas vidas ceifadas na tragédia? Ou será que é pra disfarçar a incompetência da Vale, empresa privatizada sob o discurso da “eficiência” do setor privado?

Viés. São gravíssimas as constatações do excelente colunista da Folha, Jânio de Freitas, em artigo publicado neste domingo. Mais uma vez discorrendo sobre a força-tarefa da Lava Jato, Jânio nota o tratamento benevolente dado às empresas estrangeiras envolvidas no escândalo, em contraste com o a postura linha dura quando com empresas de capital nacional. Ora, que tipo de justiça age desta forma? Será este o efeito do acordo de “cooperação” firmado pelo MPF com o Banco Mundial e autoridades da justiça norte-americana?

Dobradinha neoliberal. Esta semana o senado se movimenta no sentido de avançar em duas propostas de alto potencial destruidor, patrocinadas pela dobradinha José Serra e Renan Calheiros. O presidente do senado pretende pôr em votação a sua PEC que cria uma autoridade fiscal independente que analisaria a gestão das finanças públicas do governo federal. Já Serra almeja votar o PRS 84, que impõe limites draconianos a dívida pública, inviabilizando a atuação do Estado em vários setores. As duas medidas vão no mesmo sentido, o de privatizar as decisões referentes ao Tesouro Nacional, impondo o domínio dos credores e o ajuste fiscal permanente no país, que seria transformado numa colônia da dívida.

Petroleiros x Vendine. Prossegue e cresce em adesão a greve dos petroleiros, iniciada no último dia 25 e liderada por 17 sindicatos e duas federações, a FNP e a FUP. Os líderes sindicais desejam negociar a pauta trabalhista, pleiteando 18% de aumento referente a reposição inflacionária, aumento de produtividade e ganho real, mas o que realmente lhes move é a luta contra a privatização da Gaspetro e BR Distribuidora, medidas previstas no plano de negócios do presidente Aldemir Bendine. Os sindicalistas defendem também o retorno dos investimentos e o término das obras do Comperj e Refinaria Abreu e Lima. O Blog apoia esta luta e a entende como uma das mais relevantes dos últimos anos.

Reforma? É preocupante a intenção do governo de extinguir a Secretaria de Políticas de Informática, instituição vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia. O setor é de importância crucial visto que sua tarefa é gerir as políticas públicas referentes as Tecnologias de Informação e Comunicação, simplesmente o pilar de qualquer atividade econômica, administrativa ou de defesa na atualidade. O setor representa 8,8% do PIB e movimenta centenas de bilhões de reais, além de investir consideravelmente em Pesquisa & Desenvolvimento e ser responsável por mais de 100 mil postos de trabalho qualificados. Esta não é, definitivamente, a reforma administrativa que o país necessita.

A mídia tradicional e a negação do projeto de direito de resposta

Por Bia Barbosa | Via Carta Capital

Câmara aprova PL que regulamenta Constituição e, antes de virar lei, texto já recebe ataque dos veículos contrários a qualquer regra para a imprensa.

Deputados aprovaram projeto que dá prazo de 60 dias para o ofendido pedir direito de resposta ao meio de comunicação. Gustavo Lima/Câmara dos Deputados

Não é fácil admitir que nós, jornalistas, também erramos. E que nosso erro pode fazer muito mal aos outros. Nos bancos das faculdades de comunicação, muito pouco se debate, com profundidade, sobre ética jornalística, sobre a responsabilidade que os meios de comunicação de massa devem ter ao divulgar fatos e dados. Muito menos sobre o direito que o outro, de quem falamos ou escrever, tem de ser ouvido e tratado com igual respeito.

Essa sensação de poder só se reforça quando chegamos às redações. Ali, o culto ao absolutismo da liberdade de imprensa é martelado cotidianamente em nossas cabeças pelos colegas “mais experientes”, pelos chefes e pelos donos do veículo. Qualquer restrição à atuação do jornalista – incluindo a necessidade de dar voz a todos os lados envolvidos numa história – é rapidamente tachada de censura.

Esta semana, uma vez mais, os tradicionais veículos de comunicação do país se levantaram contra um direito fundamental, consagrado internacionalmente muito antes da própria Constituição brasileira incorporá-lo em nosso ordenamento jurídico, alegando “risco à liberdade de expressão”. Liberdade de quem?

Depois de três anos tramitando no Congresso, a Câmara dos Deputados aprovou, no último dia 20, o PL 6446, que regulamenta a garantia do direito de resposta. Desde a revogação total, pelo Supremo Tribunal Federal, em 2009, da Lei de Imprensa, o dispositivo constitucional não conta com uma lei específica que detalhe como os meios de comunicação devem proceder em caso de erro ou ofensa praticada contra qualquer cidadão.

Por conta disso, são inúmeros os casos de pessoas que não conseguem exercer seu direito de resposta contra o mal jornalismo, mesmo que a Constituição o garanta. O texto, modificado, ainda voltará ao Senado, mas já vem sendo alvo de críticas contundentes daqueles que não querem respeitar qualquer regra para operar seu negócio (no caso, vender jornal e revista ou lucrar com os anúncios publicitários no rádio e na TV).

Em editorial do último domingo, o Estadão afirma que o projeto é um “verdadeiro instrumento de coação a quem queira se manifestar”. Isso porque, para o jornal, só teria direito de resposta aquele que fosse vítima de uma informação errada de um veículo, e não quem também fosse ofendido pela imprensa.

Acontece que a nossa legislação em vigor já garante que um veículo ou jornalista possa ser processado por injúria, calúnia ou difamação – condutas que, como se sabe, vão bem além da veiculação de informações comprovadamente inverídicas, e se enquadram nos chamados “crimes contra a honra”, que existem em todo o mundo.

O que não existe, aqui no Brasil, e o PL 6446/13, de autoria do senador Roberto Requião, propõe reestabelecer, é um rito para que o direito de resposta seja garantido, e não dependa do bel prazer dos veículos de comunicação. Ao contrário do que afirma o Estadão, os Códigos Civil e Penal do país não tem assegurado a reparação de dados advindos da atividade jornalística. Muito pelo contrário. Há casos que estão há mais de cinco anos à espera de um posicionamento da Justiça – que, aliás, nem precisaria ser acionada, caso os veículos fossem capazes de admitir seus erros e abrir espaço para o contraditório em suas páginas ou programas na TV e no rádio.

Caso o projeto venha a ser aprovado no Senado, o juiz poderá se manifestar nas 24 horas seguintes à citação, já determinando a data e demais condições para a veiculação da resposta. Ou seja, será garantida agilidade nos processos e, assim, efetividade na resposta do cidadão ofendido. Afinal, de que adianta um direito de resposta concedido cinco anos depois do dano causado? Muito pouco…

Além do prazo, o projeto também garante a resposta ou retificação na mesma proporção do agravo, com divulgação gratuita. Ou seja, não vale mais dar uma notinha no rodapé da última página do jornal para retratar um erro cometido em uma manchete de primeira página. Nem ler duas frases no telejornal para retificar uma reportagem de cinco minutos. Muito menos corrigir um erro cometido em horário nobre na programação da madrugada.

E isso é democrático; fundamental para estimular o exercício da boa prática jornalística, para um retorno à credibilidade da imprensa pela sociedade e para equilibrar minimamente o poder de divulgação dos meios de comunicação com os direitos dos cidadãos e cidadãs, reforçando a importância de uma mídia democrática e plural no país.

Lobby midiático

Não é só agora, pós-votação do projeto na Câmara, que os meios de comunicação estão se posicionando sobre o texto. Durante toda a tramitação do PL, as associações que representam os veículos impressos e de radiodifusão no país pressionaram fortemente os partidos políticos e parlamentares para que o direito de resposta continuasse desregulamentado. Além de prorrogar a votação do texto, que estava pronto há meses para ser apreciado pelo plenário, os donos da mídia convenceram parte importante dos deputados contra o texto.

Durante a votação, o deputado Miro Teixeira (Rede/RJ) chegou a declarar que os homens públicos já têm acesso aos meios de comunicação para responder aos erros e ofensas publicados, seja por meio de notas ou pela convocação de entrevistas coletivas. Mas e o cidadão comum, deputado, faz como? Para o deputado Sandro Alex (PPS/PR), a projeto é um retrocesso, e representa a censura, “o controle da mídia”. Como assim, se o direito de resposta só será veiculado após a publicação de um fato inverídico ou ofensa e depois de uma decisão judicial equilibrada?

É exatamente o contrário. Na prática, a regulamentação do direito de resposta garante mais diversidade de opiniões e mais pluralidade – e não menos. Nenhum jornalista ou veículos será impedido de investigar o que quiser e de publicar suas opiniões. Somente deverá abrir espaço para outros lados e para correções caso já não faça isso no próprio exercício de suas funções ou publique informação mentirosa. Do contrário, tudo continua como está.

O lobby midiático conquistou ainda os votos do DEM e do PSDB contrários ao projeto. E conseguiu alterar, na Câmara, um dos aspectos do texto que saiu do Senado: a possibilidade do próprio cidadão ofendido se pronunciar, pessoalmente, no rádio ou na TV para exercer sua resposta. Na versão que passou na Câmara, são os profissionais do veículo que devem divulgar a resposta. Por conta disso, a aprovação da lei foi prorrogada uma vez mais, tendo o PL que passar novamente no Senado.

Mas a medida deve ser celebrada. Em plena Semana Nacional pela Democratização da Comunicação – que aconteceu em 14 estados da federação, entre os dias 14 e 21 de outubro, com debates, atos culturais e audiências públicas sobre o tema –, o Congresso Nacional deu uma boa notícia para a sociedade brasileira. A de que os princípios constitucionais relacionadas à área da comunicação devem ser regulamentados, para se tornarem prática.

Agora só falta fazer o mesmo com os artigos que proíbem o monopólio dos meios de comunicação e a concentração de meios no setor privado (prevendo sua complementaridade com os canais públicos e estatais) e que garantem espaço para a programação regional e independente nos meios. A pressão contrária dos grandes meios continua, obviamente. Mas a aprovação do PL do direito de resposta na Câmara dos Deputados, presidida por Eduardo Cunha, mostra que nem tudo está perdido.

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Bia Barbosa é jornalista, integrante da Coordenação Executiva do Intervozes e do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação.

A ditadura da televisão

Por Marcos Fabrício Lopes da Silva | Via Observatório da Imprensa

Refletir sobre democracia nos remete à obrigatoriedade de discutir o papel da televisão como atividade que permite a produção, transmissão e recepção de símbolos em escala e em proporções universais. Considerando a premissa de que a democracia se refere à questão de universalização do poder, mesmo que de forma representativa, a relação entre símbolo, poder, mercado e sociedade precisa ser discutida à luz do desenvolvimento cultural. Sabemos que a cultura, enquanto conjunto de símbolos de uma comunidade, permite ao indivíduo vivenciar simultaneamente os sentimentos de distinção e pertencimento, forjando-o como sujeito capaz de estabelecer uma relação positiva com o meio.

John B. Thompson, em A mídia e a modernidade: uma teoria social da mídia (1995), distingue quatro tipos principais de poder: o econômico, baseado na detenção de recursos materiais e financeiros; o político, derivado da atividade de coordenação dos indivíduos e da regulamentação dos padrões de sua interação; o coercitivo, que implica o uso da força física para subjugar ou conquistar o oponente; e o simbólico, que nasce na atividade de produção, transmissão e recepção das formas simbólicas.

O acesso ao simbólico remete, antes de outros múltiplos efeitos possíveis, à consolidação das autonomias individuais e, a partir delas, ao empreendimento dos movimentos autônomos. Tais movimentos, por sua vez, rumam em direção à conquista e à preservação de direitos que são essenciais e inevitavelmente diferentes, visto que a sociedade contemporânea é caracterizada pela grande heterogeneidade de interesses. Sob esse enfoque, a autonomia previne a unificação e a massificação dessa sociedade, instituindo pela vida da singularidade e da diversidade um ambiente capaz de exigir a democracia, paradigma de justiça em se ir ao encontro do que é melhor para todos. Por outro lado, é também na autonomia que reside a capacidade dos cidadãos de articular os movimentos para conciliar os interesses distintos e convencionar direitos universais, estabelecendo a essência do processo democrático.

Pelas redes de TV, a liberdade de expressão com responsabilidade argumentativa torna-se fundamental para o desenvolvimento democrático. Nesse sentido, a qualidade informativa faz-se extremamente necessária, uma vez que nela se concentram: a) a matéria-prima da qual se extrai o conhecimento; b) o que é permutado com o mundo exterior e não apenas recebido passivamente; c) a mensagem que reduz a incerteza em determinada situação. “Viver de fato é viver com informação”, salienta Norbert Wiener, fundador da cibernética.

Lamentavelmente, o grande espectro de opiniões vem sendo silenciado pelo controle privado do simbólico e da informação. A respeito, Ladislau Dowbor, em Desafios da comunicação (2000), nos oferece argumento cabal: “O ser humano assiste diariamente a algumas horas de televisão. Somos a primeira geração com a qual acontece um fenômeno desse porte. Nenhum imperador da antiguidade, ainda que tendo direito de vida ou morte sobre o cidadão, tinha o poder de entrar em todos os domicílios de seu país e de martelar horas a fio a visão de mundo de crianças, adultos e idosos. Este fenômeno nasce como um complemento dos processos econômicos, se sobrepõe a eles e se torna gradativamente dominante.”

“A velha escravidão”

Os imperadores antigos não tinham o poder de invasão moral mencionado por Dowbor. Os modernos conglomerados da mídia o detêm, amplificando pelo controle simultâneo dos setores de comunicação televisiva. E por consequência, dispõem da condição potencial de controle da própria cotidianidade. Considerando a realidade televisiva brasileira, informa Fania Rodrigues, na revista Caros Amigos (agosto, 2015), o quadro se configura como alarmante: “Estima-se que a família Marinho, das Organizações Globo, controle cerca de 38% do mercado televisivo. Em segundo lugar vem o bispo da Igreja Universal do Reino de Deus, Edir Macedo, maior acionista da Rede Record, com 16,2% do mercado, e em terceiro Silvio Santos, do SBT, com 13,4%. Juntos somam 68,2% do setor de televisão, segundo levantamento da BBC. O que representa um controle da informação sem precedentes, se for considerado que 97% da população têm o hábito de assistir TV, de acordo com informações da Secretaria da Comunicação Social, do governo federal.”

Brilhantemente, o grupo Ponto de Equilíbrio, com a música “Ditadura da televisão” (2004), denuncia esse poder de manipulação nefasta agendado pelo uso autoritário da citada mídia. Tal ocorrência prejudica o nobre papel da informação como estrutura simbolicamente significante com a competência de gerar conhecimento para o indivíduo e para o seu meio:

“Na infância você chora, te colocam em frente da TV/Trocando as suas raízes por um modo artificial de se viver./Ninguém questiona mais nada, os homens do ‘poder’ agora contam sua piada/Onde só eles acham graça, abandonando o povo na desgraça/Vidrados na TV, perdendo tempo em vão/Ditadura da televisão, ditando as regras, contaminando a nação!/O interesse dos ‘grandes’ é imposto de forma sutil/Fazendo o pensamento do povo se resumir a algo imbecil:/Fofocas, ofensas, pornografias/Pornografias, ofensas, fofocas/Futilidades ao longo da programação/Ditadura da televisão, ditando as regras, contaminando a nação!/Numa manhã de sol, ao ver a luz/Você percebe que o seu papel é resistir, não é?/Mas o sistema é quem constrói as arapucas/E você está prestes a cair/Da infância a velhice, modo artificial de se viver/Alienação, ainda vivemos aquela velha escravidão./Ditadura da televisão, ditando as regras, contaminando a nação!”

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Marcos Fabrício Lopes da Silva é professor universitário, jornalista, poeta e doutor em Estudos Literários.

A Folha deveria lembrar-se do “Correio da Manhã” ao fazer editoriais

Por Fernando Brito | Via Tijolaço

Em 1964, dois editoriais do Correio da Manhã – “Fora!” e “Basta!” – foram as clarinadas da mídia para o golpe militar que depôs João Goulart.

Como agora, o massacre dos jornais era incessante e generalizado – embora houvesse, então, a Última Hora dissonante deste coro.

O Correio, como a Folha, era o jornal da classe média e, como ela, o que tinha em suas páginas vários dos mais prestigiosos intelectuais – Carlos Drummond de Andrade. Carlos Heitor Cony, Otto Maria Carpeaux, entre outros.

Arrastado para o “conto do golpe democrático”, o jornal abriu fogo pesado contra o governo legítimo (legitimidade que fora confirmada um ano antes, no plebiscito que devolveu poderes presidenciais a Jango).

E parido o filho troncho do autoritarismo, não tardou a sentir que o menino não só usava a farda como, também, os dentes e as garras.

Perdeu o que seu “inimigo” não lhe negava – a publicidade governamental – e o aliado usou sem pejo, ameaçando, inclusive, os empresários privados que anunciavam por lá.

Sua dona, Niomar Muniz, viúva de Paulo Bittencourt, deixou o jornal ir para a oposição, com episódios que ficaram na história, como o que narra o fotógrafo Amicucci Gallo :

“[…] e tinha uma escola, o Castelo Branco ia visitar a escola meio… inaugurar a escola. […]. Quando eu passei numa sala, por onde ele tinha que entrar, tinha o quadro negro, estava escrito assim, “animais úteis” […] letras garrafais, bem vistas. E eu fiquei dentro da sala. O repórter, desesperado […] “anda, vai chegar o presidente!”, e eu “Daqui eu não saio!”. Ele não entendeu nada, porque eu não queria falar porque eu não saía dali. Até que ele entrou na sala… e quando ele passou pelo quadro eu , eu pá-pá-pá [barulho da máquina fotográfica]. No dia seguinte, quando ele abriu aquela foto dele, “animais úteis”…

A ditadura que, a pretexto da “democracia” o  Correio ajudara  a implantar, explodiu-lhe uma bomba em 1968, prendeu D. Niomar em janeiro de 1969 e, meses depois, tomou-lhe o próprio jornal, obrigada a vender para Maurício Alencar, irmão do ex-governador Marcelo Alencar e representante de uma empreiteira, a Companhia Metropolitana de Construções, por sua vez ligada às pretensões presidenciais de Mário Andreazza, como seria, nos seus estertores, outro título usurpado da imprensa brasileira: a Última Hora, tirada de Samuel Wainer e, como o Correio, objeto de uma longa agonia.

Que durou, ao menos, para que eu tenha o orgulho, mesmo assim, de ter na minha carteira profissional aquele nome que pertence tanto à História que nenhum arranjo pôde retirar sua mística.

A Folha, que na época se serviu do golpe para comprar a Última Hora paulista na bacia das almas, deveria se lembrar do que acabou acontecendo com este tipo de ultimato.

A praga, não é raro, tem a mania de voltar-se contra o praguejador.

Brasil, pátria enferma

Por Geniberto Paiva Campos | Brasília, agosto de 2015

“A natureza parece feita de antipatias. Sem algo para odiar, acabaríamos perdendo o próprio ímpeto do pensamento e da ação”. (*)

1. Mais de uma década sob governos progressistas, eleitos democraticamente, qual enfermidade acomete a gentil pátria amada?

A grande imprensa ou a mídia hegemônica, porta voz do Neoliberalismo, colocou o Brasil num círculo de ferro, impondo uma pauta negativa e que impacta o futuro e a felicidade da sua população. Estaríamos irremediavelmente enfermos, condenados ao mais retumbante fracasso, desde que governados por partidos progressistas, fora da ortodoxia neoliberal. Quais as causas dessa doença, aparentemente incurável?

A lista de possibilidades é ampla: problemas econômicos e financeiros; a política; a frágil infra estrutura; a corrupção sem controle; a incompetência generalizada; a crise, transformada em condição permanente e insolúvel. Quando falta assunto, a inflação, a ameaça do desemprego, o PIB baixo ou “pibinho” ocupam a cena. São previsões imutáveis, infalíveis, a se acreditar no que divulga, diuturnamente, a grande imprensa, há mais de 10 anos. A grave crise internacional do capitalismo é convenientemente omitida.

Dependendo da lente dos óculos com os quais vê a realidade, o cidadão desinformado escolherá a causa ou a explicação que melhor se ajusta à sua crença. E essa escolha irá orientar o tratamento. A corrupção generalizada aparece como a preferida. Trata-se de uma decisão fácil. Afinal, quem seria a favor da corrupção?

A realidade tornou-se apenas um detalhe. Importa, antes de tudo, a ficção criada e sustentada pelos órgãos de comunicação, influenciando a disputa política. Os quais cumprem seu papel de partido líder oposicionista insistindo em divulgar, impunemente, verdades que ainda não aconteceram. E que, provavelmente, não irão, jamais, acontecer. Isso, antigamente, tinha nome. E é, seguramente, uma forma lamentável de corrupção.

Trata-se de uma guerra de comunicação, na qual só um dos lados, a oposição ao governo progressista, dispõe de pesada artilharia midiática, utilizada em batalhas desiguais. Assimetria que não se mostrou suficiente para vencer eleições presidenciais. Mas que, sub-repticiamente, inoculou na população o vírus da desconfiança na política e nos políticos. Um perigoso efeito colateral de um discurso sem o argumento contraditório, essencial na disputa política.

2. Quais as consequências dessas batalhas midiáticas no dia a dia dos brasileiros? Na consciência e no comportamento político dos cidadãos de todas as classes sociais? Afinal, trata-se de mais de dez anos de um bombardeio incessante, sem um contraditório efetivo por parte do lado progressista. O discurso político retrógrado tornou-se hegemônico, avassalador. Pior, assumidamente, perigosamente neofascista. E enganador.

Em disputa, o futuro do Brasil. Em risco, a soberania nacional. O conflito Esquerda x Direita se acirrou no país, de tal modo, que um governo reeleito democraticamente se vê, de repente, cercado por forças estranhas. E estas, não o deixam governar. Inconformadas com a derrota nas urnas, buscam pretextos para retomar o poder através do Golpe, para impor, novamente, um programa político e econômico na contramão dos interesses nacionais.

Meio século após o Golpe Militar que durou 21 anos, e da conturbada vivência da Guerra Fria, está reinstalado um clima de instabilidade política e de incertezas no Brasil. O qual somente interessa aos que apostam na criação do caos institucional, artificialmente criado para atender aos seus propósitos inconfessáveis.

3. Qual o vírus inoculado no organismo nacional, capaz de gerar o ódio e a intolerância, preparando o retorno a formas arcaicas de fazer política que se imaginava superadas?
Talvez seja o vírus da infantilização política. O qual impede a formação da cidadania consciente. Criam-se legiões de sujeitos acríticos. Desobrigados de pensar e construir um pensamento próprio. “– eu não preciso pensar, eles pensam por mim”.

Como consequência, as pessoas passam a marchar e bater panelas. Movidas pelo ódio e pela intolerância irracional a um grupamento político. A grupos étnicos. À diversidade. Sem uma noção clara dos seus objetivos. Deixando perplexos os pesquisadores de insuspeitos institutos de aferição de opinião pública, ao ouvir incoerências e disparates políticos dos participantes das marchas.

O problema é saber aonde conduz esse tipo de comportamento. Quais as consequências, eventualmente trágicas, para o desenvolvimento e a consolidação da democracia e da liberdade num país carente desses valores como permanentes na consciência nacional. Afinal, como criar, embora com algum retardo, o discurso político alternativo?

4. A Guerra da Comunicação pode ser o front decisivo, a mãe de todas as batalhas, no confronto entre Esquerda x Direita. Foi inicialmente respondida pelo lado progressista, há aproximadamente 10 anos, através da Internet. A partir daí iniciou-se, espontaneamente, a guerra de guerrilhas travada pelos blogueiros, com muita coragem, inteligência e bom humor. Apelidados, pejorativamente, pelas vozes da Direita de “blogueiros sujos”/BS e perseguidos por inúmeros processos judiciais, os BS se mantiveram firmes em sua disposição contestatória, numa Guerra nas Estrelas onde jamais foram vencidos. E já têm reservado seu lugar na História, como decisivos soldados na luta pela Verdade e pela Democracia.

Com a rápida evolução dos meios eletrônicos de comunicação, a Guerra nas Estrelas prossegue. Torna-se essencial, no entanto, que as forças progressistas ocupem o seu espaço em outros meios eletrônicos de comunicação, como o Rádio e a TV.

“Matar a cobra com veneno de cobra”, uma expressão muito usada pelo deputado Ulisses Guimarães, se aplica, perfeitamente, à atual guerra estelar: ou seja, enfrentar as forças conservadoras no seu próprio campo. É de baixíssima qualidade a Televisão e o Rádio produzidos pelo partido líder do conservadorismo brasileiro.

Getúlio Vargas ousou combater os jornalões inimigos da década de 1950, com a criação da ÚLTIMA HORA. Ainda é o momento de “ousar lutar, ousar vencer” as batalhas eletrônicas da guerra da comunicação. O campo de luta da Internet é uma fonte de aprendizado de táticas da guerrilha da comunicação. É hora de partir para o Rádio e a TV. Como fazê-lo? Com inteligência e ousadia e planejamento estratégico. Este o desafio.

O novo Congresso Brasileiro, recém empossado, a nova fábrica de leis dos conservadores, foi eleito para fazer o Brasil retornar ao século 19. Qualquer lei de regulação das comunicações, neste momento, terá trânsito complicado, senão impossível. Vide o resultado do projeto de Reforma Política. Resta pois o campo de batalha difícil, complexo, da comunicação eletrônica.

Os dados estão lançados. Vamos à luta.

(*) – William Hazlitt, in “Sobre a Arte de Odiar”, 1882 – citado por t.j.clark , 2013

A imprensa que alega informar

Por Reinaldo Del Dotore | Via Brasil 247

Há alguns dias, houve outro trágico acidente automobilístico em que mais uma pessoa perdeu a vida. Na cidade do Rio de Janeiro, um cidadão atropelou um pedestre com resultado fatal. O motorista também teve ferimentos, e está em estado grave, embora estável. As manchetes normais para um caso como este seriam algo como “Motorista atropela e mata pedestre na rua Tal”.

Ocorre, porém, que o motorista, neste caso, é filho de um famosos cirurgião plástico brasileiro (um dos mais aclamados do mundo, aliás), e a vítima é apenas mais um anônimo, desimportante. O pai do motorista, é Ivo Pitanguy, que tem, em função de décadas de serviços prestados (e fartamente remunerados, a ponto de ele ter “comprado” uma ilha em Angra dos Reis), uma rede de contatos extremamente influentes. Então, o título da matéria publicada na Globo News foi: “Filho de Ivo Pitanguy está internado em estado grave após acidente com morte”.

Ainda que sutis, as inversões e omissões presentes nesta manchete são eloquentes. Ao ler o título da notícia – e uma grande parcela de brasileiros, independentemente do grau de instrução, lê apenas os títulos -, a ideia que surge é: “o filho de Ivo Pitanguy envolveu-se em um acidente em que foi ferido gravemente e outra pessoa morreu, acidente possivelmente causado por um terceiro”. Note-se que a manchete não afirma que o filho de Pitanguy teria sido apenas mais uma vítima ou teria sido o causador do acidente. No fundo, a manchete pouco informa, além do fato de o motorista estar gravemente ferido.

O que ocorreu: Ivo Nascimento de Campos Pitanguy, 59 anos, empresário, atropelou e matou um pedestre, José Fernando Ferreira da Silva. O empresário teve, nos últimos cinco anos, 70 multas, sendo 14 por embriaguez ao volante, e acumulou 240 pontos na carteira de habilitação, sendo 27 nos últimos doze meses. Ele, portanto, é contumaz em dirigir embriagado e, diga-se, nem sequer poderia dirigir, mesmo sóbrio, ante a legislação do trânsito.

Aí é que entra o papel da imprensa. O filho de Ivo Pitanguy, que faz parte do seleto universo dos efetivamente privilegiados e respectivo entorno, se não poderia ser diretamente protegido (as circunstâncias do caso não dão essa brecha), não deve ser atacado nas manchetes. Na pior das hipóteses, é providenciada uma manchete omissa como a que foi publicada na Globo News, que mais confunde do que esclarece.

Este caso é emblemático, e remete a diversas outras ginásticas anaeróbicas gramaticais que temos testemunhado por parte da imprensa. Recentemente, o Instituto Lula, em São Paulo, foi alvo de bomba caseira, que causou estragos materiais e só por muita sorte não causou ferimentos graves ou mesmo a morte de alguém. Esse ataque se deu no auge do surto de intolerância que assola o país contra membros e símbolos do PT. A manchete de um dos principais veículos de comunicação de São Paulo foi: “Instituto Lula alega ter sofrido atentado a bomba”. Mais uma vez, a manchete direciona o leitor para uma interpretação parecida com “o Instituto Lula diz que foi bombardeado, logo, pode não ser verdade”. Não é coincidência que, na esteira do episódio, tenham surgido diversos cidadãos com a “certeza” de que a bomba foi detonada por membros do próprio PT para angariar simpatia. (E é fantástico como em momentos como este pululam brasileiros que têm certeza absoluta a respeito de tudo, e, mais do que isso, são verdadeiros especialistas em tudo.)

Há centenas de casos semelhantes. Chefes de executivos estaduais e municipais ligados a partidos vinculados ao seleto grupo que citei no início são solenemente poupados pela imprensa nacional, por mais barbaridades que cometam à frente de seus estados e municípios. Acusações assacadas em processos investigativos são tratadas como provas definitivas, desde que, é claro, os acusados não sejam vinculados ao grupo acima, ou, pior, que representem alguma ameaça, ainda que tênue, a algum dos privilégios que têm.

Salvo raríssimas e honrosas exceções, quase todas elas habitando o mundo virtual ainda que haja boas publicações no papel, a imprensa (ao lado do Poder Judiciário) cumpre o papel que foi intuído já no século XIX: é mais uma das ferramentas criadas e geridas pelos muito privilegiados para a manutenção de seus privilégios.

A imprensa alega que informa, e o brasileiro médio acredita que está bem informado.