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O Mercosul e a Vendeta Neoliberal

Por Marcelo Zero

Com alarmante frequência, têm surgindo na mídia, no Congresso e em foros de debates opiniões favoráveis à extinção do Mercosul ou ainda à flexibilização de sua união aduaneira, de modo a transformá-lo em mera área de livre comércio.

Argumenta-se que o Mercosul é um “fracasso”, uma “farsa”, e que a sua união aduaneira, ao impor a negociação conjunta de acordos comerciais extrabloco, impede maior participação dos Estados Partes nas cadeias produtivas globais e nos grandes fluxos comerciais internacionais. Conforme essa visão mercocética, a “solução” seria o abandono da união aduaneira, para permitir que os países do bloco possam negociar livre e separadamente acordos de livre comércio com os EUA, a União Europeia e outras potências econômicas.

Recentemente, o próprio Secretário de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger, chegou a sugerir que o Mercosul abandonasse a sua união aduaneira “provisoriamente”, de modo a permitir que o Brasil, livre do “protecionismo” da Argentina, negocie logo acordos de livre comércio com os EUA e a União Europeia. Como se fosse possível abandonar a união aduaneira de forma provisória. Obviamente, o abandono da união aduaneira é um caminho do qual não haveria retorno.

No Congresso, formou-se uma anacrônica “bancada da Guerra Fria”, que abomina a integração regional e procura “comunistas” e “bolivarianos” até mesmo embaixo do BNDES e da cama de embaixadores de carreira, como o competente Guilherme Patriota.

Tal visão mercocética é inteiramente equivocada e resulta de um crasso desconhecimento da dinâmica do Mercosul, das complexidades inerentes às negociações comerciais e da nova geoeconomia que vem se conformando em nível global.

O Mercosul não é um fracasso. Ao contrário, esse bloco, mesmo com suas conhecidas insuficiências e incompletudes, é claro êxito.

Em 2002, exportávamos somente US$ 4,1 bilhões para o Mercosul. Já em 2013, incluindo a Venezuela no bloco, as nossas exportações saltaram para US$ 29,53 bilhões. Isso significa um fantástico crescimento de 617%. No mesmo período, o crescimento das exportações mundiais foi de “apenas” 183%. Ou seja, o crescimento das nossas exportações intrabloco foi muito superior ao crescimento das exportações mundiais. Já para os parceiros tradicionais e mais desenvolvidos, Japão, União Europeia e os EUA, as nossas exportações cresceram “somente” 279%, 205% e 60,3%, respectivamente, no mesmo período.

Quanto ao argumento de que o Mercosul, com sua união aduaneira, impede maior participação do Brasil no comércio mundial, basta constatar que, entre 2003 e 2013, as exportações brasileiras cresceram 300%, ao passo que as exportações mundiais aumentaram “apenas” 180%.

Além disso, o Mercosul e a integração regional nos propiciam, mesmo na atual crise, alentados superávits e mercado fundamental para nossa combalida indústria de transformação.

Entre 2009 e 2014, a integração regional, mediante o bloco da Associação Latino-Americana de Integração (ALADI), nos deu saldo comercial positivo de US$ 60,2 bilhões, bastante superior ao obtido com os BRICs (US$ 42,6 bilhões) e muito superior ao conseguido com a União Europeia (US$ 8,5 bilhões). Esse grande saldo comercial positivo contribuiu para compensar o enorme déficit acumulado com os EUA (-45,3 bilhões de dólares).

No período de 2010 a 2014, todos os países desenvolvidos somados absorveram apenas 40% das nossas exportações de manufaturados. Em contraste, a ALADI, que inclui o Mercosul, conseguiu absorver 43% dessas exportações. Em outras palavras, a integração regional absorveu mais manufaturados brasileiros que todos os países desenvolvidos combinados.

Ressalte-se que o Mercosul, ao contrário do que afirmam seus críticos, não é um bloco autárquico. Na realidade, o Mercosul, conforme determina o artigo 20 do Tratado de Assunção, é bloco aberto à adesão de qualquer país da ALADI.

O Mercosul já tem livre comércio com toda a América do Sul, inclusive com a Aliança do Pacífico, e, no campo extrarregional, negocia ativamente a liberação de seus fluxos de comércio. Com a União Europeia, por exemplo, o bloco sul-americano já apresentou nova oferta abrangente, a qual aguarda pacientemente a resposta das autoridades europeias, as quais precisam obter o aval de todos os países europeus para apresentar sua aquiescência, exatamente como no Mercosul.

Esse ativismo comercial é cercado, contudo, das cautelas e salvaguardas necessárias para evitar danos irreversíveis aos setores econômicos de todos os Estados Partes, não somente da Argentina, particularmente as suas indústrias, já afetadas por um processo de desnacionalização que limita a capacidade de inovação tecnológica e de indução do desenvolvimento ao longo das cadeias produtivas.

O Mercosul também vem fazendo lentos, mas significativos progressos, no que tange ao imprescindível enfrentamento das assimetrias regionais, à livre circulação de trabalhadores, à instituição de órgãos supranacionais, e à construção de uma cidadania comum na região, objetivo maior do processo de integração.

Para o Brasil e os demais Estados Partes, o Mercosul confere fundamental vantagem estratégica. A construção de sinergias econômicas, comerciais e geopolíticas, baseada na união aduaneira, permite aos Membros do bloco negociar, em condições mais vantajosas das que seriam possíveis obter de forma isolada, sua inserção na globalização assimétrica. Tal vantagem estratégica é ainda mais acentuada, num contexto de crise econômica mundial e de acirramento dos embates comerciais.

Nesse contexto, o abandono da união aduaneira e a celebração célere e isolada de acordos de livre comércio com grandes potências econômicas, como querem os detratores do Mercosul, seria trágico erro. Lembre-se que, além das grandes assimetrias entre as partes, tais acordos contêm cláusulas relativas à propriedade intelectual, às compras governamentais e ao regime jurídico dos investimentos, que podem comprometer, em definitivo, o espaço para a implantação de políticas industriais e de desenvolvimento tecnológico.

Portanto, a extinção da união aduaneira e a celebração isolada e açodada de TLCs poderia até agradar, no curto prazo, a alguns grupos econômicos internacionalizados, mas significaria golpe mortal para o Mercosul e o futuro dos Estados Partes. Para o Brasil, em particular, o fim do Mercosul significaria a perda de um mercado fundamental para a sua indústria e do seu novo protagonismo regional.

Essa ofensiva contra a integração regional, o Mercosul e política externa brasileira é parte daquilo que Domenico de Masi denominou apropriadamente de “vendeta neoliberal”.

O que se quer é restaurar o finado projeto da Alca, desta vez mediante acordos bilaterais. A implantação dessa nova Alca “bilateralizada”, herdeira do fracassado paleoliberalismo, além de implodir o Mercosul, implodiria também a liderança regional do Brasil e o grande protagonismo internacional que o nosso país conquistou com a política externa “ativa e altiva”, que apostou na integração regional e na diversificação das parcerias estratégicas. Política essa muito diferente da política externa praticada na época em que mandavam os detratores da integração regional, fundamentada na autonomia pela integração aos ditames da superpotência mundial.

A diferença fundamental entre as duas é o êxito pragmático da primeira, que aproveitou bem as mudanças geopolíticas e geoeconômicas que ocorreram na ordem mundial, e o fracasso ideológico da segunda, que não produziu nem maior autonomia, nem maior integração.

Uma apequenou o país; a outra teve como resultado principal o engrandecimento do Brasil.

Assim, a vendeta neoliberal contra o Mercosul e a política externa do país é, na verdade, uma vendeta contra o Brasil.

Banco chinês ICBC e Caixa criarão fundo de US$ 50 bi para infraestrutura, dizem fontes

Por Alonso Soto e Guillermo Parra-Bernal | Via Reuters

BRASÍLIA (Reuters) – A Caixa Econômica Federal e o Banco Industrial e Comercial da China (ICBC) criarão um fundo para investimentos em infraestrutura no Brasil de US$ 50 bilhões, disseram nesta quarta-feira duas fontes do governo com conhecimento do tema.

O fundo será financiado completamente pelo ICBC, mas ambos os bancos precisam estabelecer o marco regulatório para tomar decisões sobre os projetos, garantiram as fontes brasileiras, que pediram para não ser identificadas.

O plano será oficialmente anunciado quando o primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, visitar o Brasil na semana que vem, acrescentaram.

Trem da costa brasileira até a costa peruana

Os governos concordaram que o fundo financiará uma linha ferroviária que irá da costa brasileira no oceano Atlântico até a costa peruana no Pacífico a fim de reduzir os custos de exportações para a China, afirmou uma das fontes.

O fundo também financiará um empreendimento conjunto para produzir aço no Brasil.

Em janeiro, o presidente chinês, Xi Jinping, se comprometeu com US$ 250 bilhões em investimentos na América Latina durante os próximos 10 anos, como parte das tentativas do gigante asiático, ávido por recursos naturais, de ganhar terreno numa região que durante um longo tempo foi influenciada pelos Estados Unidos.

No ano passado, China e Brasil concordaram com um financiamento de US$ 7,5 bilhões para a mineradora Vale e a compra de 60 aeronaves de passageiros da Embraer.

A Caixa não quis comentar o assunto. Não foi possível obter declarações do Ministério das Relações Exteriores de imediato.

Repressão israelense no Paraguai

Por Tania J. Faillace

Em sua edição do dia 06/05, o site argentino Resumen Latinoamericano informa que o governo paraguaio acaba de assinar acordo de cooperação com o governo israelense na política de segurança do Paraguay contra os movimentos sociais e indígenas, que lá são considerados “terroristas”.

Isso já acontece com Colômbia e México, e provavelmente também acontecerá com Peru, e talvez Uruguay.

Trata-se de mais um passo da ingerência dos países hegemônicos associados aos EUA em relação aos países e povos da América latina.

Lembremos que Mossad já tem visto de residência na Colômbia, e que faz uns poucos anos invadiu Equador para matar expressamente a Raul Reyes, das FARC e, segundo parece, quando estava dormindo.

Israel, como se sabe é um campeão de Direitos Humanos, inclusive na faixa de Gaza e nas escaramuças que se travam eternamente no Oriente Médio.

Venho alertando aos companheiros que essa política está chegando até nós. E que o cerco ao governo brasileiro, e, mais especificamente, à presidente Dilma tem como instrumento de ameaça desencadear atentados terroristas no território brasileiro, no que Mossad e CIA são exímios “artistas”.

Lembremos que está prevista a instalação de mais uma base militar norte-americana na Tríplice Fronteira , próximo a Itaipu, uma das chaves da produção de energia elétrica no País.
Se somarmos a essa notícia a notícia dos exercícios militares em vários estados norte-americanos para preparar a repressão aos movimentos sociais e de Direitos Humanos naquele País, verificamos que está sendo preparada a instalação de uma DITADURA IMPERIALISTA de caráter pancontinental, atendendo aos projetos da NWO (Nova Ordem Mundial) mas em caráter de aceleração desvairada.

Lembremos também que forças extras britânicas dirigiram-se no mês passado para as Ilhas Malvinas. Que os ianques fizeram exercícios militares com os peruanos em seu país. Somem-se uma informação a outra, e chega-se… onde?

A América Latina na dinâmica da guerra global

Por Jorge Beinstein | Via Resistir.info

Tudo ao mesmo tempo: em meados do mês de Março de 2015 os Estados Unidos deram um salto qualitativo de claro perfil belicista nas suas acções contra a Venezuela, também desenvolvem exercícios militares em países limítrofes com a Rússia na chamada operação “Atlantic Resolve”, algumas dessas operações são realizadas a uns 100 quilómetros de São Petersburgo [1] , além disso intensificam-se informações acerca de uma nova ofensiva do governo de Kiev contra a região do Donbass [2] , aumenta a circulação de naves de guerra da NATO no Mar Negro, continuam as velhas guerras imperiais no Iraque e no Afeganistão às quais acrescentou-se a seguir a ofensiva contra a Síria (passando pela Líbia)… e muito mais…

Evidentemente o Império está lançado numa catastrófica fuga militar para a frente estendendo suas operações a todos os continentes, encontramo-nos em plena guerra global. Nem os grandes meios de comunicação, nem os dirigentes internacionais mais importantes registaram publicamente o facto, todos falam como se vivêssemos em tempos de paz, só em alguns poucos casos surgem alguns deles a advertir sobre o perigo de guerra mundial ou regional. Uma excepção recente é a do Papa Francisco quando afirmou que actualmente nos encontramos perante “uma terceira guerra mundial” que ele descreve como a desenvolver-se “por partes” ainda que sem designar os contendores e fazendo vagas referências à “cobiça” e a “interesses espúrios” com a linguagem confusa e jesuítica que o caracteriza [3] .

A cada mês acrescenta-se algum novo indiciar que anuncia a proximidade de uma nova recessão global muito mais forte e extensa que a de 2009. O capitalismo, a começar pelo seu polo imperialista, foi-se convertendo velozmente num sistema de saqueio onde a reprodução das forças produtivas fica completamente subordinada à lógica do parasitismo. As elites imperiais e suas lumpen-burguesias satélites “necessitam” super-explorar até ao extermínio seus recursos naturais e mercados periféricos para sustentar as taxas de lucro do seu decadente sistema produtivo-financeiro.

As tendências globais rumo à decadência económica exprimem-se de múltiplas maneiras no dia a dia. Dentre elas, a volatilidade dos preços das matérias-primas, o petróleo por exemplo, chave mestra da economia mundial, cujo estancamento extractivo (que não conseguiu ser superado pelo show mediático em torno do “milagroso” petróleo de xisto) combina-se com desacelerações da procura internacional como ocorre actualmente. A isso somam-se golpes especulativos e geopolíticos que convertem os mercados em espaços instáveis onde as manobras de curto prazo impõem a incerteza.

O curto-prazismo especulativo hegemónico engendra pacotes tecnológicos depredadores como a mineração a céu aberto, a fracturação hidráulica ou a agricultura com base em transgénicos acompanhados por operações políticas e comunicacionais que degradam, desarticulam sistemas sociais procurando convertê-los em espaços indefesos diante dos saqueios.

O optimismo económico da época do auge neoliberal deu lugar ao pessimismo do “estancamento secular” agora apregoado pelos grandes peritos do sistema [4] . Eles indicam que a salvação do capitalismo não chegará a partir da economia condenada a sofrer recessões ou crescimentos insignificantes, o melhor é nem falar demasiado desses tristes temas. Então a guerra ascende ao primeiro plano, algum massacre protagonizado por tropas regulares ou mercenários, algum bombardeio, alguma ameaça de ataque na Europa do Leste, Ásia, África ou América Latina. Os meios de comunicação nos esmagam com essa notícias, contudo ninguém fala da guerra global.

Tudo acontece como se a dinâmica da guerra se houvesse autonomizado mas empregado um discurso embrulhado, difícil de entender. Mas assim como os super-poderes dos homens de negócios dos anos 1990 não eram independentes e sim compartilhados no interior de uma complexa trama de poderes (políticos, mediáticos, militares, etc) que em termos gerais costuma-se denominar como “classe dominante”, também a aparente autonomia do militar dificulta-nos ver as redes mafiosas de interesses onde se borram as fronteiras entre os seus componentes. As elites da era neoliberal sofreram mudanças decisivas, experimentaram mutações que as converteram em classes completamente degeneradas que, cada vez mais, só podem recorrer à força bruta, à lógica da guerra. Não se trata portanto de a componente militar se autonomizar e sim, antes, de que as elites imperialistas se militarizam. Elas já não seduzem com ofertas de consumo mais algumas doses de violência, agora só propagam o medo, ameaçam com as suas armas ou utilizam-nas.

Progressismos latino-americanos 

Dentro desse contexto global devemos avaliar os progressismos latino-americanos [5] que se instalaram na base das crises de governabilidade dos regimes neoliberais.

Os bons preços internacionais das matérias-primas durante a década passada, somados a políticas de contenção social dos pobres, permitiram-lhes recompor a governabilidade dos sistemas existentes. Em alguns desses casos desenvolveram-se ampliações ou renovações das elites capitalistas e em quase todos eles prosperaram as classes médias. Os governos progressistas iludiram-se supondo que as melhorias económicas lhes permitiram ganhar politicamente os referidos sectores mas, como era previsível, ocorreu o contrário: as camadas médias iam para a direita e, enquanto ascendiam, olhavam com desprezo os de baixo e assumiam como próprios os delírios mais reaccionários das suas burguesias. A explicação é simples, na medida em que são preservados (e ainda fortalecidos) os fundamentos do sistema e em que seus núcleos decisivos radicalizam seus elitismo depredador seguindo a rota traçada pelos Estados Unidos (e “Ocidente” em geral) produz-se um encadeamento de subculturas neo-fascistas que vão desde acima até abaixo, desde o centro até as burguesias periféricas e desde estas até suas camadas médias. Na Venezuela, Brasil ou Argentina as classes médias melhoravam seu nível de vida e ao mesmo tempo despejavam seus votos nos candidatos da direita velha ou renovada.

Estabeleceu-se um conflito interminável entre governos progressistas que tornavam governáveis os capitalismos locais e direitas selvagens ansiosas por realizar grandes roubos e esmagar os pobres. O progressismo, confrontado politicamente com essa direita qualificada de “irresponsável”, cujos fundamentos económicos respeitava, chantageava aqueles na esquerda que criticavam sua submissão às regras do jogo do capitalismo utilizando o papão reaccionário (“nós ou a besta”), acusando-os de fazerem o jogo da direita. Na realidade o progressismo é um grande jogo favorável ao sistema e em última análise à direita, sempre em condições de retornar ao governo graças à moderação, à “astúcia” aparentemente estúpida dos progressistas que por vezes conseguem cooptar esquerdas claudicantes cuja obsessão em “não fazer o jogo da direita” (e simultaneamente integrar-se no sistema) é completamente funcional à reprodução do país burguês e em consequência a essa detestável direita.

Agora o jogo começa a esgotar-se. Os progressismos governantes, com diferentes ritmos e variados discursos, acossados pelo arrefecimento económico global e pelo crescente intervencionismo dos Estados Unidos, vão perdendo espaço político. Em vários casos suas dificuldades fiscais pressionam-nos a ajustar despesas públicas (e de modo algum a reduzir os super lucros dos grupos económicos mais concentrados), a aceitar as devastações da mega-mineração ou a adoptar medidas que facilitam a concentração de rendimentos. No Brasil, o segundo governo Dilma colocou um neoliberal puro e duro no comando da política económica, encurralado por uma direita ascendente, uma economia oscilando entre o estancamento e a recessão e uma intervenção norte-americana cada vez mais activa. No Uruguai o novo governo de Tabaré Vazquez mostra um rosto claramente conservador e no Chile a presidência Bachelet não precisa correr demasiado à direita, depois da sua rosada demagogia eleitoral afirma-se como continuidade do governo anterior e em consequência, passada a confusão inicial, herdará também a hostilidade de importantes faixas de esquerda e dos movimentos sociais.

Na Argentina, o núcleo duro agro-mineral exportador-financeiro e os grupos industriais exportadores mais concentrados estão mais prósperos do nunca enquanto a ingerência norte-americana amplia-se conduzindo o jogo de títeres políticos rumo a uma ruptura ultra-direitista. Na Venezuela a eterna transição rumo a um socialismo que nunca acaba de chegar não conseguiu superar o capitalismo ainda que torne caótico o seu funcionamento, forjando desse modo o cenário de uma grande tragédia. Por enquanto só a Bolívia parece salvar-se da avalanche, afirmando-se na maior mutação social da sua história moderna sem superar o âmbito do subdesenvolvimento capitalista mas recompondo-o integrando as massas submersas, multiplicando por mil o que havia feito o peronismo na Argentina entre 1945 e 1955 (de qualquer forma isso não a liberta da mudança de contexto regional-global).

Na América Latina assistimos a um processo de crise muito profundo onde convergem progressismos declinantes com neoliberalismo integralmente degradados, como na Colômbia ou no México, conformando um panorama comum de perda de legitimidade do poder político, avanços de grupos económicos saqueadores e activismo imperialista cada vez mais forte.

A este panorama sombrio é necessário incorporar elementos que dão esperança, sem os quais não poderíamos começar a entender o que está a ocorrer. Por debaixo dos truques políticos, dos negócios rápidos e das histerias fascistas aparecem os protestos populares multitudinários, a persistência de esquerdas não cooptadas pelo sistema (para além dos seus perfis mais ou menos moderados ou radicais), a presença de insurgências incipientes ou poderosas (como na Colômbia).

Nem os cantos de sereia progressistas nem a repressão neoliberal puderam fazer desaparecer ou marginalizar completamente esses fantasmas. Realidade latino-americana que preocupa os estrategas do Império, que temem o que consideram como sua inevitável arremetida contra a região possa desencadear o inferno da insurgência continental. Nesse caso o paraíso dos grandes negócios poderia converter-se num grande atoleiro onde afundaria o conjunto do sistema.

Geopolítica do Império, integrações e colonizações 

A estratégia dos Estados Unidos aparece articulada em torno de três grandes eixos; o transatlântico e o transpacífico que apontam num gigantesco jogo de pinças contra a convergência russo-chinesa centro motor da integração euro-asiática. E a seguir o eixo latino-americano destinado à recolonização da região.

Os Estados Unidos tentam converter a massa continental asiática e sua ampliação russo-europeia num espaço desarticulado, com grandes zonas caóticas, objecto de saqueio e super-exploração.

Os recursos naturais, assim como os laborais, desses territórios constituem seu centro de atenção principal, na elipse estratégica que cobre o Golfo Pérsico e a Bacia do Mar Cáspio estendendo-se em direcção à Rússia encontram-se 80% da reservas globais de gás e 60% das de petróleo e na China habitam pouco mais de 230 milhões de operários industriais (aproximadamente um terço do total mundial).

A América Latina aparece como o pátio traseiro a recolonizar. Ali se encontram, por exemplo, as reservas petrolíferas da Venezuela (as primeira do mundo, 20% do total global), cerca de 80% das reservas mundiais de lítio (num triângulo territorial compreendido pelo Norte do Chile e Argentina e pelo Sul da Bolívia) imprescindível na futura indústria do automóvel eléctrico, as reservas de gás e petróleo de xisto do Sul argentino, fabulosas reservas de água doce do aquífero guarani entre o Brasil, o Paraguai e a Argentina.

Uma das ofensivas fortes do Império na década passada foi a tentativa de constituição da ALCA, zona de livre comércio e investimentos que significava a anexação económica da região por parte dos Estados Unidos. O projecto fracassou, a ascensão do progressismo latino-americano somado à emergência de potências não ocidentais, sobretudo a China, e o atolamento estado-unidense na sua guerra asiáticas foram factores decisivos que em diferentes medidas debilitaram a investida imperial.

Mas a partir da chegada de Obama à presidência os Estados Unidos desencadearam uma ofensiva flexível de reconquista da América Latina: foi posta em marcha uma complexa mescla de pressões, negociações, desestabilizações e golpes de estado. Os golpes brandos com êxito em Honduras e no Paraguai, as tentativas de desestabilização no Equador, Argentina, Brasil e sobretudo na Venezuela (onde vai-se perfilando uma intervenção militar), mas também a tentativa em curso de extinção negociada da guerrilha colombiana e a domesticação de Cuba fazem parte dessa estratégia de recolonização.

A mesma é implementada através de uma sucessão de tentativas suaves e duras tendente a desarticular as resistências estatais e os processos de integração regional (Unasul, Celac, Alba) e extra-regionais periféricos (BRICS, acordos com a China e a Rússia, etc) assim como a bloquear, corromper ou dissolver as resistências sociais e as alternativas políticas mais avançadas, em curso ou potenciais. Tentando levar avante uma dinâmica de desarticulação mas procurando evitar que a mesma gere rebeliões que se propaguem como um rastilho de pólvora numa região actualmente muito inter-relacionada.

Sabem muito bem que em muitos países da região a substituição de governos “progressistas” por outros abertamente pró imperialistas significa a ascensão de camarilhas enlouquecidas que a curto prazo causariam situações de caos que poderiam desencadear insurgências perigosas. Alguns estrategas do Império acreditam poder neutralizar esse perigo com o próprio caos, desenvolvendo “guerras de quarta geração” instalando diferentes formas de violência social desestruturante combinadas com destruições mediático-culturais e repressões selectivas. Nesse sentido, o modelo mexicano é para eles (por agora) um paradigma interessante.

Temem por exemplo que um cenário de caos fascista na Venezuela derive numa guerra popular que os obrigaria a intervir directamente num conflito prolongado, o que somado às suas guerras asiáticas os conduziria a uma super extensão estratégica ingovernável. É por isso que consideram imprescindível obter o apaziguamento da guerrilha colombiana, potencial aliada estratégica de uma possível resistência popular venezuelana.

O panorama é completado com o processo de integração colonial dos países da chamada Aliança do Pacífico (México, Colômbia, Peru e Chile). A isso somam-se os tratados de livre comércio de maneira individual com países da América Central e outros como o Chile e a Colômbia e o velho tratado entre EUA, Canadá e México.

Integração colonial e desarticulação, manipulação do caos e fortalecimento de pólos repressivos, Capriles mais Peña Nieto, Ollanta Humana mais Santos mais bandos narco-mafiosos… tudo isso dentro de um contexto global de decadência sistémica onde a velha ordem unipolar declina sem ser substituída por uma nova ordem multipolar. Tentativa de controle imperialista da América Latina submersa na desordem do capitalismo mundial.

O cérebro do Império não consegue superar as mazelas do seu corpo envelhecido e enfermo, os delírios reproduzem-se, as fugas para a frente multiplicam-se. Evidentemente encontramo-nos num momento histórico decisivo.

Referências:

[1] Finian Cunningham, “NATO’s Shadow of Nazi Operation Barbarossa”, Strategic Culture Foundation, 13/03/2015;

[2] Colonel Cassad, “Ukraine: Reprise de la guerre au printemps?”, http://lesakerfrancophone.net/ le 13 mars 2015;

[3] “El papa Francisco advirtió que vivimos una tercera guerra mundial combatida ‘por partes’ “, http://www.lanacion.com.ar , 13 de septiembre de 2014;

[4] Laurence H Summers, “Reflections on the ‘New Secular Stagnation Hypothesis’” y Robert J Gordon, “The turtle’s progress: Secular stagnation meets the headwinds” en “Secular Stagnation: Facts, Causes, and Cures”, CEPR Press, 2014;

[5] Utilizo o termo “progressista” no sentido mais amplo, desde governos que se proclamam socialistas ou pró socialistas como na Venezuela ou Bolívia até outros de corte neoliberal-progressista como os do Uruguai ou Brasil.

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Jorge Beinstein é doutor em economia e professor catedrático das universidades de Buenos Aires e Córdoba, na Argentina, e de Havana, em Cuba. É autor de Capitalismo senil: a grande crise da economia global, publicado no Brasil pela editora Record (2001). Dirige o Instituto de Pesquisa Científica da Universidade da Bacia do Prata e publica regularmente em Le Monde Diplomatique (em castelhano).

Nacionalismo e petróleo

Por Wladmir Coelho | Via Política Econômica do Petróleo

A campanha contra a Petrobras revela em seus fundamentos uma série de preconceitos repetidos desde o final do século XIX. Estes preconceitos apresentam-se nos meios de comunicação revestidos de números, exemplos e vocabulário refinado sempre condenando as iniciativas nacionalistas confundidas ou transformadas em populismo entendido este como sinônimo de irresponsabilidade política e econômica.

O vocabulário e as práticas econômicas defendidas na grande mídia originam-se do pensamento liberal radicalizado no modelo neoliberal de nossos dias. Neste discurso é negada a existência de um sistema econômico nacional e considerado pecado mortal a intervenção do Estado na economia.

Nacionalismo econômico

No século XIX o economista alemão Friedrich List observou como mola do crescimento econômico dos Estados Unidos exatamente a forte presença do Estado na economia seja subsidiando ou protegendo a iniciativa nacional. List, ao contrário dos liberais clássicos, entendeu e defendeu a existência do sistema econômico nacional como base do crescimento econômico.

Este sistema econômico nacional seria amparado no conceito de nação ideal, defendido por List, cujo principio aplicava-se perfeitamente aos Estados Unidos segundo as observações do economista alemão. Nação ideal, entendia List, seria aquela com pleno controle das fontes de energia, alimentação e existência de um mercado interno em condições de manter a economia.

Acrescentava List a necessidade de apoio dos países mais desenvolvidos aos mais atrasados como forma, inclusive, de garantir a paz. O neoliberalismo de nossos dias defende exatamente o contrário ao dividir o mundo entre fornecedores de matéria prima e consumidores de tecnologia.

A ficção neoliberal

No caso do petróleo devemos observar, inclusive, a conversão de países considerados desenvolvidos, vide o caso do Canadá, em fornecedores de matéria prima. A situação do Canadá é assustadora aumentando este país a sua dependência dos Estados Unidos em função da venda de petróleo bruto.

A negativa da existência do sistema econômico nacional criou a verdade neoliberal entendendo qualquer alternativa ao modelo vigente como falsa economia ou não ciência.

Reforçou-se a ficção na qual existe um mercado controlado por forças naturais ou mágicas cujo motor encontra-se na livre concorrência. Elegeram-se sábios com total conhecimento da economia de ficção cuja função diária é reforçar a superstição e punir os eventuais hereges.

Um exemplo: Decorrente do sistema econômico nacional temos o nacionalismo econômico base do chamado Estado de bem estar social. Este modelo econômico ganhou força na Europa do pós-guerra principalmente na França, Inglaterra, Alemanha.

Todavia, desde o agravamento da crise econômica em 2008, recebe este modelo ataques em nome da manutenção da ficção econômica neoliberal preocupando-se os governos com o pagamento dos juros aos banqueiros em detrimento dos interesses dos trabalhadores.

Para o pagamento destes juros determinam-se as chamadas políticas de austeridade representadas no corte de benefícios sociais, no consumo e aumento do desemprego. Neste ponto podemos observar que o Estado de bem estar social não resultou na derrota ou desaparecimento dos interesses do poder econômico.

Neste modelo a iniciativa privada continuou existindo e foi claramente permitida uma ampliação do poder do sistema financeiro através das múltiplas fusões e desregulamentação dos chamados mercados. Entre a ampliação do lucro e manutenção de direitos sociais optaram os governos europeus pelo primeiro. Temos aqui uma clara distinção entre Estado de bem estar social e socialismo.

Políticas nacionalistas na América do Sul

Na América do Sul não foram poucas as tentativas de implantação de políticas econômicas nacionalistas. Sempre combatidas com violência pelos grandes grupos internacionais estas iniciativas não conseguiram implantar as transformações sociais verificadas na Europa.

No Brasil, a partir de 1930, inicia-se a modernização do Estado priorizando a regulamentação de setores da economia e oficializando direitos trabalhistas. Neste período o petróleo recebeu especial atenção através da criação de uma legislação própria – a partir de 1934 – efetivando-se o pleno controle estatal deste mineral quase duas décadas depois – 1953- com a criação da Petrobras.

A tentativa de aprofundamento de uma política econômica nacionalista nos anos 60, durante o governo João Goulart, resultou na oposição dos Estados Unidos e consequente introdução de uma ditadura militar cujo principal objetivo foi desnacionalizar a economia incluindo a quebra do monopólio do petróleo através da introdução do contrato de risco e desvio da Petrobras para o chamado mundo do mercado.

Durante o mesmo período vamos verificar exemplos semelhantes na Argentina, Venezuela, Bolívia sempre seguidos de golpes de Estado financiados através de empresas e governo dos Estados Unidos.

O Bolivarianismo

Atualmente a Venezuela, através do Bolivarianismo, representa um modelo de nacionalismo econômico direcionado para a implantação de um Estado de bem estar social.

O modelo econômico venezuelano encontra-se embasado no maior controle estatal do bem econômico petróleo utilizando este para o financiamento dos programas de assistência social, educação, pesquisa, defesa e criação de empresas publicas ou privadas nos diferentes setores da economia.

A Bolívia possui um modelo semelhante e consegue, igual à Venezuela, elevar determinados índices sociais notadamente aqueles relativos a pobreza absoluta, alfabetização e assistência médica.

Romper com o modelo neoliberal não constitui tarefa fácil. As elites políticas e econômicas da América Latina sobrevivem, desde o século XV, associadas aos interesses exportadores.

A base colonial de nossa economia possibilita a vida de luxo dos senhores de terras, eufemicamente tratados por empresários do agronegócio, dos executivos de multinacionais diversas que condenam os países a condição de montadores em prejuízo do desenvolvimento de uma tecnologia própria.

Estes senhores adotam, inclusive, o discurso do auxílio do mais rico ao mais pobre através da mitificação e mistificação do termo investimento externo confundido este com a necessidade de ampliação da exploração da mão de obra (incluindo a escravidão) e pleno acesso aos recursos da natureza sem a mínima preocupação com as consequências tenha esta a forma de falta d’água e destruição do meio ambiente.

Nacionalismo à brasileira

Enquanto a grande imprensa condena as ações sociais dos últimos 12 anos no Brasil os governos Lula e Dilma Rousseff tornaram-se mestres em manipular o vocabulário nacionalista escondendo as reais intenções neoliberais.

No discurso frases em defesa da Petrobras incluindo a falsa afirmativa da manutenção de sua condição estatal. Na prática provoca-se a asfixia da empresa forçando uma associação em desvantagem com os oligopólios de sempre.

Desta encenação a Petrobras tornou-se a principal vítima ao manter, o governo, a fórmula iniciada durante a ditadura e aprofundada no governo Fernando Henrique Cardoso.

Lula e Dilma Rousseff não recuperaram a Petrobras para a sua função de garantir a autossuficiência nacional mantendo o mito da 8ª irmã iniciado durante a ditadura. A imprensa com sua linguagem neoliberal utiliza a velha e corroída luta moralista aproveitando para acabar de vez com qualquer possibilidade da Petrobras assumir o seu verdadeiro papel.

Quem está dentro não quer sair, quem está fora quer entrar

A Petrobras vai seguindo o seu caminho em meio aos ataques. Nenhuma novidade. Esforça-se governo em seu discurso nacionalista e sua prática neoliberal defendendo a austeridade do jeitinho que ensinou o guru da ditadura Delfim Netto.

A oposição parlamentar, em sua maioria defensora do neoliberalismo, apropria-se do discurso moralista contra a corrupção e ressuscita o perigo comunista, clama pela volta da ditadura. Parece que estamos vivendo naquele samba do Sérgio Porto.

De forma indecente a grande imprensa divulga os “perigos” da ditadura bolivarianista, mas incentiva o culto aos tempos da ditadura militar. Todavia associam-se imprensa e governo e oposição parlamentar neoliberal quando o assunto é austeridade econômica.

Defendem governo, oposição neoliberal e grande imprensa a “necessidade” do aumento no valor da energia elétrica, da água, gasolina e os cortes nos direitos dos aposentados, viúvas e desempregados.

Escondem, todos eles, que estas empresas de energia, água, comunicação e petróleo foram construídas com dinheiro do povo para atender o povo. A privatização, total ou parcial destas empresas, não implicou, para seus proprietários, novos investimentos. Receberam tudo a preço de banana. Não admitem, todavia, uma queda em seus lucros que devem ser direcionados aos acionistas confortavelmente instalados nos Estados Unidos e Europa.

Vejam: Os donos do poder desejam apagar qualquer vestígio de combate a ficção neoliberal e transformam a crise econômica em crise moral cujo final seria o impeachment.

Esta palavra mágica, impeachment, reúne toda espécie de oportunistas interessados em manter o Brasil em sua condição colonial. Procuram iludir o povo percorrendo as ruas, gastam horas na internet atacando os patriotas e divulgando vídeos de militares aposentados defendendo a ditadura ou delirando com a invasão do Brasil por forças cubanas e venezuelanas. Alguns, mais honestos, aproveitam para aumentar a renda familiar vendendo Kits com camisetas e bonés.

O povo, apesar do bombardeio midiático, pergunta aos oportunistas: E depois do impeachment? Saindo a Dilma vamos direto ao paraíso? Conquistaremos de imediato aumentos salariais, redução nas tarifas de ônibus, energia elétrica e a água vai voltar a jorrar?

Em termos objetivos não oferecem, os oportunistas, uma resposta clara. Apenas vendem ilusões a serviço dos entreguistas e inimigos do povo com reforço da ficção neoliberal.

O trabalhador tem plena consciência da não existência de palavras mágicas. A crise não é moral. O momento requer uma profunda modificação no modelo econômico incluindo a ampliação de direitos dos trabalhadores e nacionalização dos recursos necessários à manutenção econômica nacional.

Dilma e Vázquez debaterão mudança nas regras para acordos fora do Mercosul

Via Agência Efe

A possibilidade de os países do Mercosul assinarem acordos bilaterais com outras nações de fora da região estará na pauta da reunião entre a presidente Dilma Rousseff e do presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, no próximo dia 21.

Defensor do “regionalismo aberto”, o líder uruguaio destacou a necessidade de os países de menor economia do Mercosul terem a oportunidade de fazerem pactos com outros Estados que não integram o bloco econômico sul-americano.

Presidente Dilma Rousseff se reunirá no próximo dia 21 com o presidente uruguaio, Tabaré Vázquez. EFE/Fernando Bizerra Jr.

As declarações de Vázquez foram dadas quatro dias depois do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do Brasil, Armando Monteiro, ter dito que o Mercosul deveria dar “mais liberdade” a seus membros para negociar.

“Aparentemente isso não era apoiado por grandes países como o Brasil e a Argentina, salvo em algumas circunstâncias, como quando o Uruguai assinou seu tratado de livre-comércio com o México. No entanto, parece que o Brasil também está reivindicando isso agora”, disse o presidente do Uruguai.

A União Europeia (UE) defende um acordo “ambicioso” com o Mercosul, apesar das sensibilidades existentes em alguns setores estratégicos, conforme afirmou na última sexta-feira, em São Paulo, a embaixadora do bloco no Brasil, Ana Paula Zacarías.

Na última quarta-feira, o ministro de Relações Exteriores do Uruguai, Nin Novoa, adiantou que o comércio, a energia, o Mercosul e a UE estariam na pauta da reunião entre os dois líderes.

 

Diálogos Desenvolvimentistas: Tucanos e sua ótima relação com o departamento de Estado dos EUA

Este post dedica-se tão somente a reproduzir diálogo travado entre os participantes do grupo Desenvolvimentistas o qual explica clara e rapidamente de onde surgiu e quem se beneficiou do verdadeiro saque generalizado ao Estado brasileiro que foram as privatizações espúrias feitas nos anos 90, sob a batuta do príncipe FHC.

Paulo Moreno – FHC e tropa de choque tucana compraram o Judiciário, nomearam juízes do MP e do STF, agraciados com cargos vitalícios, altos salários e ajudas de custo moradia, nomearam também os engavetadores oficiais no judiciário e no STJ, e por essa razão 45 CPI’s foram abafadas durante a gestão tucana, e muitas CPI’s e processos contra Aécio Neves (o campeão de processos no TJ-MG) seguem engavetados e monitorados pelos engavetadores oficiais do Judiciário, que se transformou num grande manicômio e teatro nacional. Se cobrir com lona pode cobrar ingresso. Que triste república! Confiram no artigo de Altamiro Borges.

Tania Faillace – Esses eventos todos não são locais, não são de inspiração local.

Durante o governo Itamar, FHC foi para os Estados Unidos onde serviu como embaixador ou parecido, e recebeu as instruções que Collor teria recebido antes, e cumprido até o final, se não tivesse exagerado em seu personalismo.

Então não foram os tucanos que inventaram, foi o Departamento de Estado que inventou. Os tucanos não passam de executores. É isso o que temos que entender e reconhecer. Nos últimos 50 ou mais anos, nada acontece no Brasil que não tenha sido previsto ou planejado lá.

Bento Araújo – Esses planos de crimes lesa-pátria são antigos, datam do final dos anos 1980 e início dos 1990. São planos de entreguismos e de privatizações fraudulentas, criadas pelo Consenso de Washington, que afetou o Brasil, Argentina e México, considerados países-chave na América Latina que precisavam ter seu desenvolvimento freado, conforme Plano de Kissinger e da cúpula norte-americana.

Essas notícias foram mostradas bombasticamente aqui no Brasil pelo Jornal Empresarial RR – Relatório Reservado edição de junho de 1990, e também na Revista Empresarial americana EIR do Lindon Larouche – Executive Intelligence Review com o título Preliminary ideas for a privatization master plan in Brazil of Petrobras group, Petrochemical group, Eletrobras group, Telebras group and Infraero group – The first Suisse Bank of Boston – april 1990. Portanto, na época que Fernando Collor assumiu seu “desgoverno” e criou a Secretaria da Desestatização em 1990. Na mesma época FHC estava ainda no Itamaraty como chanceler em Washington, e lá tramava como entregar as 137 empresas estatais, as reservas de petróleo e gás e riquezas minerais aos estrangeiros.

E foi na gestão FHC que 95% do patrimônio público brasileiro foi cedido a preços ridículos aos mega-especuladores internacionais. Não escapou nem a PETROBRAS que sofreu a privato-doação de 40% das ações preferenciais PETR4 na Bolsa de NY, entrega essa feita por FHC e seu mafioso genro David Zylberszytajn (ele criou em 1995 uma empresa de fachada DZ Energia para oferecer ajuda aos gringos a saquear os leilões do petróleo e a entrega da Eletropaulo para a americana AES). Portanto, entregou-se quase metade da Petrobras ao mafioso, agiota e mega-especulador, senhor George Soros (patrão de Armínio Fraga), com os tucanos beneficiando centenas de multinacionais norte-americanas, lideradas à época pela Shell.

Weatherford, Exxon, Enron e Hallibourton também se aproveitaram das nefastas privatarias tucanas, facilitadas por propinas bilionárias pagas por multinacionais, o que gerou mega-fortuna, toda ela estando muito bem escondida, conforme mostrado nos livros bombásticos de Henrique Fontana, Amaury Junior e Aloisio Biondi. Esse saqueio foi lavado para contas secretas de 91 políticos demo-tucanos obedientes as privatarias. O Banestado, o Banco do Estado do Paraná, foi privatizado e usado como ponte para lavar as propinas de 150 bilhões para contas secretas dos políticos nas Ilhas Cayman, esquema este operado pelo doleiros Alberto Youssef e Olga Youssef, velhos conhecidos dos tucanos, Yousseff inclusive cedeu seu jato para as campanhas tucanas de Álvaro Dias, Beto Richa e muitos outros políticos conterrâneos dele no Paraná.