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Redução da pobreza na América Latina se deve, principalmente, a melhores salários

Via Diário de Pernambuco

O acentuado aumento do preço das commodities na última década ajudou a elevar os salários das pessoas menos favorecidas na América Latina e no Caribe, mas não implicou em melhores oportunidades de emprego. Somando-se a isso, os salários nos países não exportadores de matérias-primas da região aumentaram bem menos ou, em realidade, foram reduzidos.

Estas são as principais conclusões do novo relatório do Banco Mundial, Trabalhando para acabar com a pobreza na América Latina e no Caribe: trabalhadores, empregos e salários, lançado nesta quarta-feira (03) no Conselho das Américas. O estudo, que faz parte da série Poverty and Labor Brief (Informe sobre a Pobreza e o Trabalho), também apresenta os mais recentes índices de desigualdade de pobreza e renda para a região usando pesquisas comparativas domiciliares e de mão de obra.

O relatório mostra que, após mais de uma década de contínuo declínio, 2013 foi o terceiro ano seguido marcado pela estagnação da desigualdade. À medida que o crescimento per capita desacelerou, o mesmo ocorreu com a redução da pobreza, em comparação com a primeira década do século 21.

Principais determinantes da redução da pobreza

“Nos últimos anos, a força dos avanços sociais na América Latina e no Caribe se dissipou”, afirmou Louise Cord, diretora para a América Latina e o Caribe das Práticas Globais de Combate à Pobreza do Banco Mundial. “Com a desaceleração dos preços das commodities, é essencial duplicar os esforços regionais para promover um crescimento mais inclusivo e reduzir a pobreza. Este relatório enfatiza a necessidade de aliviar as restrições enfrentadas pelos pobres quanto à sua participação no mercado de trabalho e continuar ampliando o seu acesso à educação de alta qualidade e aos setores de maior produtividade.”

O estudo conclui que a pobreza na América Latina e no Caribe, definida como a subsistência com menos de 4 dólares por dia, diminuiu de 25,3% em 2012 para 24,3% em 2013, e a extrema pobreza (2,50 dólares por dia) caiu de 12,2% para 11,5%. O avanço na redução da pobreza, mesmo em ritmo mais lento, não foi uniforme: a América Central e o México apresentaram um desempenho inferior ao de outras subregiões.

Os rendimentos proporcionados pelo mercado de trabalho foram os principais determinantes da redução da pobreza na América Latina. Desde o início dos anos 2000, os salários dos trabalhadores não qualificados – com maior probabilidade de serem mais desfavorecidos e cujas famílias respondem pela metade dos pobres da região – cresceu de modo significativo na maior parte do continente latino-americano e mais rápido do que em outros grupos, desempenhando um importante papel na redução da pobreza da região. Em média, os trabalhadores não qualificados se beneficiaram de aumentos anuais acima de 4% na sua renda laboral, enquanto os menos qualificados (com educação fundamental completa, mas não o ensino médio) e os trabalhadores qualificados registraram um crescimento de 2% em suas remunerações.

Por outro lado, a participação no mercado de trabalho da mão de obra não qualificada e dos cidadãos mais desfavorecidos – os 40% em situação mais vulnerável – não representou um fator determinante na redução da pobreza. Apesar dos avanços na educação, a participação da força de trabalho %u2012 empregados ou ativamente em busca de ocupação %u2012 não cresceu, com a exceção das mulheres em idade laboral, tendo-se observado uma queda entre os homens não qualificados na região. De modo geral, a participação no mercado de trabalho dos homens e mulheres em idade ativa, situados entre os 40% em pobreza extrema, caiu 1,6% entre 2003 e 2013, enquanto aumentou 4,4% para os trabalhadores entre os 60% em situação de pobreza.

Disparidades para ingressar no mercado de trabalho

“As razões por trás dessas disparidades para ingressar no mercado de trabalho podem ser as mais variadas e vão desde um aumento das famílias chefiadas por mulheres a uma expansão das transferências condicionais de renda, que fazem com que os trabalhadores estejam dispostos a esperar mais para conseguir empregos melhor remunerados”, salientou Cord. “Mas também poderia significar que está se tornando mais difícil para os homens não qualificados encontrar trabalho.”

O relatório atesta que as melhorias na qualidade dos empregos dos trabalhadores não qualificados foram relativamente pequenas. O deslocamento desses trabalhadores para setores mais produtivos ou para empregos de melhor qualidade foi relativamente insignificante em toda a região. Em lugar disso, fatores externos, especificamente a alta do preço das commodities, foram associados aos aumentos de salários na região. Os países exportadores de matérias-primas da América do Sul apresentaram ganhos reais de salário em todos os setores e níveis de qualificação %u2012 não apenas no comércio %u2012 enquanto nos países onde não ocorreu um aumento acentuado do preço das commodities, os salários estagnaram ou caíram em todos os setores e competências.

Em toda a região, os governos contribuíram para o aumento de renda da mão de obra e a melhoria dos resultados do mercado de trabalho implementando diferentes programas e políticas como o fornecimento de creches e a educação na primeira infância para ampliar a participação da mão de obra feminina, os programas de treinamento, os incentivos à formalização e a legislação do salário mínimo.

O estudo mostrou que, se for estabelecido corretamente, o salário mínimo pode atuar como um forte indicativo para salários mais elevados mesmo no setor informal, representado em sua maioria pelos menos favorecidos. No entanto, se o seu valor for fixado em um nível muito baixo ou muito alto, poderá reduzir o seu efeito nos setores formal e informal.

Fonte: Organização das Nações Unidas (ONU)

Em alusão a Venezuela, declaração da Celac-UE ‘rechaça medidas unilaterais’, mas não cita EUA

Por Vanessa Martina Silva | Via Opera Mundi

Documento final da reunião de cúpula entre os blocos também exalta retomada do diálogo entre Washington e Havana e pede fim do bloqueio econômico à ilha.

Aprovada por unanimidade, a declaração final da 2ª Cúpula Celac-UE (Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos e União Europeia), encerrada nesta quinta-feira (11/06) exalta a retomada do diálogo entre Cuba e Estados Unidos para a normalização das relações entre o países e condena o bloqueio econômico e financeiro imposto pelos EUA à ilha. O texto final do encontro diplomático também aborda o tema das sanções aplicadas pelo país norte-americano à Venezuela, mas sem mencionar textualmente os Estados Unidos.

Foto oficial com todos os participantes da cúpula entre sul-americanos e europeus

Considerado o ponto sensível antes do encerramento da cúpula, o tema das sanções norte-americanas contra a Venezuela foi citado no documento final, mas sem mencionar explicitamente os Estados Unidos. O ponto 20 da Declaração de Bruxelas diz:

Reiteramos nosso rechaço às medidas coercitivas de caráter unilateral e efeito extraterritorial que são contrárias ao direito internacional, reafirmamos nosso compromisso com a resolução pacífica das controvérsias. Tomamos nota da Declaração Especial da Celac sobre as ações unilaterais contra a República Bolivariana da Venezuela de 29 de janeiro de 2015 e do comunitário solidário da Celac de março de 2015.

A reunião diplomática em Bruxelas gerou expectativas sobre a inclusão ou não de uma mensagem direta de repúdio à posição de Washington. Entre os países latino-americanos, especialmente os da Alba (Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América) — formada por Venezuela, Cuba, Bolívia, Nicarágua, República Dominicana, Equador, Antígua e Barbuda e São Vicente e Granadinas. O rechaço às sanções foi, inclusive, frisado pela presidente Dilma Rousseff, ao discursar durante a cúpula. Dessa forma, o documento final diz que o bloco tomou conhecimento da posição Celac — que condena os EUA —, mas não expressa textualmente uma posição de consenso.

Reaproximação Cuba-EUA

De forma mais contundente, os 61 chefes de Estado e de governo e ministros latino-americanos e europeus presentes ressaltaram, no documento, o apoio à retomada das relações entre Estados Unidos e Cuba. “Acolhemos com satisfação o anúncio feito em 17 de dezembro pelos presidentes de Cuba e dos Estados Unidos sobre o restabelecimento das relações diplomáticas. Neste contexto, contamos que se deem todos passos necessários para o rápido fim do embargo”.

O documento reafirma ainda as “conhecidas posições de rechaço às medidas coercitivas de caráter unilateral, assim como a aplicação das disposições extraterritoriais da Lei Helms-Burton. Ditas medidas provocaram consequências humanitárias indevidas para o povo cubano e estão prejudicando o desenvolvimento legítimo de laços comerciais entre Cuba, a UE e outros países”.

Por sua parte, a Argentina comemorou a inclusão no texto final do respeito “à integridade territorial”. Para o país, tal declaração é “fundamental porque inclui o conflito de soberania com o Reino Unido”, como afirmou o chanceler argentino, Héctor Timerman, em alusão à disputa que seu país trava com a nação europeia em torno da soberania das ilhas Malvinas.

Uma das ausências mais sentidas no evento foi do presidente cubano, Raúl Castro, que esteve representado pelo vice, Miguel Díaz-Canel. Agência Efe

Outro aspecto comemorado é “a necessidade de ter mais previsibilidade na reestruturação da dívida soberana”. O país enfrenta uma disputa internacional com os chamados fundos abutres, que não aceitaram negociar a reestruturação da dívida soberana com os argentinos.

Os líderes europeus também elogiaram a declaração da Celac que proclama a região como Zona de Paz e a decisão regional de resolver as controvérsias de maneira pacífica.

O texto pede também reforço do diálogo político, especialmente em desafios como a mudança climática, a agenda para o desenvolvimento e a luta contra as drogas.

Além disso, a União Europeia anunciou um reforço dos fundos para a América Latina em setores ambiental, energético e de pequenas e médias empresas e abordou o enfoque para a cooperação centrada na transferência de tecnologia, ciência, educação através de programas como o Erasmus+, que financiará o deslocamento de seis mil estudantes e professores.

A necessidade de um pensamento radical latino-americano

Por Bruno Lima Rocha | Via IHU

Recentemente tive a oportunidade de fazer uma comparação de cenários políticos em um programa de rádio do Rio Grande do Sul. Estamos em um momento onde os governos de centro-esquerda ou vivem em crise (caso do Brasil eArgentina), ou aderem parcialmente às teses do Império (caso de Chile e Peru) ou estão sob uma severa crise institucional, tal é o que ocorre na Venezuela. Vale observar que nestes países (BolíviaEquador e o já citado país deBolívar) as instituições não são sólidas e este é o labirinto. Quando há arranjo institucional fortalecido, o regime se mantem, mas as chances de transformação são pequenas. Já, quando não há estrutura fortificada e separação entre governo e Estado, há a tendência de que as elites dirigentes e suas sócias majoritárias transnacionais exerçam um poder discricionário. Ainda assim, pouca institucionalidade implica em maior poder da mobilização popular. E esta é nossa única chance, sempre.

Debatendo com gente bem mais à direita, afirmei que o limite da justiça social no liberalismo latino-americano era oPalácio de La Moneda sendo bombardeado no fatídico dia 11 de setembro de 1973, com o presidente eleito Salvador Allende lá dentro. O médico chileno é um paradigma e exemplo, pois acreditava nas instituições liberais mais que os próprios liberais-conservadores que as criaram. Quando os operadores políticos não aceitam os dados de realidade, terminam sendo convencidos da pior forma imaginada.

Por um lado, Allende se recusou a quebrar a hierarquia de tipo prussiana das forças armadas chilenas; logo, ficou à mercê dos reacionários que em tese defendiam seu país. A falha estratégica da Unidade Popular deixou nítida a barreira concreta que os povos do Continente têm quando tentam um caminho por dentro da democracia liberal. Considerando que os caminhos de partido único e Estado autárquico estão esgotados, qual a via latino-americana para a emancipação social, combinando desenvolvimento das forças produtivas, democracia popular, justiça social e garantia das liberdades individuais e coletivas?

As ilusões autoritárias deram lugar ao pragmatismo da democracia liberal. Logo, a participação limitada na América Latina mostrou seus limites e hoje já vivemos a crise dos governos bolivarianos como modelo de desenvolvimento autônomo, sendo que a mais aguda delas é justamente da Venezuela pós-Chávez.

Em um período mais recente, o presidente eleito do Paraguai Fernando Lugo, sofrera um processo de impeachment em tempo recorde. Sua virtude, a de começar a reforma agrária no país; e seu maior erro, não convocar as forças sociais mobilizadas para garantir a continuidade do governo eleito. Antes de Lugo, o oligarca travestido de nacionalistaManuel Zelaya Rosales, presidente eleito de Honduras, foi derrubado também por um golpe branco, votado às pressas e baseado em uma constituição redigida por militares treinados na Escola das Américas.

Cinquenta e um anos atrás, na noite de 1º para 02 de abril de 1964, o Brasil encontrou com o limite do populismo nacionalista, quando o presidente eleito (na eleição de 1960 o vice fora eleito em chapa separada do presidente) João Goulart se recusou a resistir ao golpe de Estado articulado pelo embaixador do Império Lincoln Gordon. A esquerda da época, caminhando a reboque de Goulart e Brizola, ficou esfacelada, não recrutando nem 5% do contingente popular mobilizado em 1961 (na Campanha da Legalidade), para confrontar contra a ditadura a partir do Ato Institucional de número 5 (AI-5). Não foi por falta de aviso ou condições, mas sim falta de radicalidade.

Diante da crise de fim de ciclo e modelo de desenvolvimento subordinado ao capital rentista, é urgente que a América Latina encontre seu caminho por dentro da democracia radical e bem distante do paradigma liberal. A única certeza dos povos latino-americanos passa pela afirmação da América Latina e a construção de instrumentos de poder popular independente da traição dos governos de turno.

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Bruno Lima Rocha é professor de ciência política e de relações internacionais.

A esperança de retomada do crescimento brasileiro trazida pelo premiê da China

Por J. Carlos de Assis

A indigência e a má fé da grande mídia brasileira impediram que o Brasil tomasse conhecimento de uma das mais importantes sinalizações de mudança de paradigma nas relações internacionais pela qual o conceito tradicional de concorrência mortal entre os países cede lugar ao de cooperação. Esse recado foi dado pelo Primeiro Ministro chinês, Li Keqiang, durante sua visita ao Brasil, principalmente no discurso feito em Brasília. Nele a palavra “cooperação” aparece nada menos que 12 vezes.

Há uma avaliação vulgar, principalmente entre economistas, segundo a qual a aproximação com a China coloca o risco da substituição do colonialismo português, britânico e posteriormente americano pelo colonialismo chinês. Peço que leiam atentamente esse discurso, do qual só obtive a tradução em espanhol, para que avaliem diretamente a procedência dessa bobagem. Os chineses querem parceria e cooperação. Estão substituindo relação comercial por integração produtiva.

Pessoalmente, estou dedicado a indicar a empresários brasileiros a tremenda oportunidade de articulação produtiva com a China através do Projeto Transul, sobre o qual já falei. O Governo está lento nessa matéria, mas acredito que os ministros Armando Monteiro e Nelson Barbosa aproveitem o momento para deslanchar um programa de investimentos pós-ajuste, no montante possível de 300 bilhões de dólares, e evitando em parte os principais efeitos de um ajuste em excesso. Por favor, leiam o discurso que me foi cedido por Liu Tong, diretor da agência de notícias Xinhua em Brasília. A resposta da nossa Presidenta vai junto:

Li Keqiang Asiste Junto con Presidenta de Brasil Rousseff a Cumbre Empresarial China-Brasil y Pronuncia Discurso

Al mediodía del 19 de mayo, hora local, el Primer Ministro del Consejo de Estado Li Keqiang asistió junto con la Presidenta de Brasil Rousseff a la Cumbre Empresarial China-Brasil y pronunció un discurso.

Li Keqiang expresó su felicitación por la exitosa celebración de esta Cumbre Empresarial China-Brasil. Li Keqiang dijo que China y Brasil son los principales países emergentes, y las relaciones bilaterales se han ido más allá del ámbito bilateral y tienen una influencia global. En la actualidad, los países desarrollados están promoviendo la re-industrialización y los países en desarrollo quieren también promover la industrialización y la urbanización. China está dispuesta a trabajar junto con Brasil para promover la diversificación de la estructura económica y comercial, esforzarse por profundizar la cooperación en la capacidad de producción, promover activamente los intercambios y la cooperación en los campos de la ciencia, la tecnología y la educación, con el fin de hacer mayores contribuciones a la recuperación económica global.

Li Keqiang señaló que América Latina es una importante piedra angular para la paz y la estabilidad internacionales, es una fuerza emergente para la prosperidad y el crecimiento global y un excelente representante de la convivencia inclusiva de las civilizaciones humanas. China y América Latina tienen una profunda amistad tradicional y la cooperación cada vez más estrecha en diversos campos. Las relaciones entre China y América Latina se encuentran en un nuevo punto de partida histórico. Con la mirada puesta en la cooperación global, mi visita está destinada a consolidar la amistad tradicional entre China y América Latina, profundizar la cooperación pragmática, y promover la transformación y modernización de la cooperación China-América Latina con la cooperación de la capacidad de producción internacional como el punto de ruptura. Esto ayudará a la recuperación económica mundial, a la promoción de la reestructuración y la modernización de las economías de China y América Latina, a lograr el ganar-ganar para múltiples partes, y hacer que la masa popular puedan compartir los frutos del desarrollo.

Li Keqiang subrayó que China está dispuesta a trabajar junto con la parte de América Latina para explorar un nuevo modelo de “3 por 3″ para la cooperación de la capacidad de producción entre China y América Latina:

En primer lugar, debemos adaptarnos a las necesidades de los países de América Latina y construir conjuntamente los tres grandes canales como la logística, la electricidad y la información para lograr la conectividad en el continente sudamericano. Las empresas chinas están dispuestas a trabajar junto con las empresas de América Latina para construir de manera cooperativa un canal logística que atraviesa a todos los países de América del Sur y el caribe con el transporte ferroviario como su columna vertebral, un canal de electricidad que conecta a todos los países latinoamericanos por medio de la transmisión de electricidad de alta eficiencia y las redes eléctricas inteligentes y un canal de información que integra los grandes datos y la computación en nube apoyándose en las tecnologías de Internet y la nueva generación de tecnologías de comunicación móvil.

En Segundo lugar, hay que observar las reglas de la economía de mercado y lograr una modalidad de cooperación de interacción positiva entre la empresa, la sociedad y el gobierno. Tanto China como América Latina aplican la economía de mercado. La cooperación de la capacidad de producción debe seguir el camino orientado al mercado y llevar a cabo la cooperación de proyectos por métodos tales como inversión conjunta, ppp y concesiones a la luz de los principios de “orientación empresarial, manejo comercial, participación social y promoción gubernamental” para que los proyectos pertinentes puedan ser implementados lo antes posible.

En tercer lugar, alrededor de los proyectos de cooperación entre China y Latinoamérica, debemos ampliar los tres canales de financiamiento que son los fondos, los créditos y los seguros. China establecerá un fondo especial para la cooperación de la capacidad de producción entre China y América Latina y proporcionará una financiación de 30 mil millones de dólares para apoyar los proyectos de cooperación en los campos de la capacidad de producción y la fabricación de equipos. China está dispuesta a ampliar la cooperación en campos como el intercambio de divisas y la liquidación en moneda local con los países de América Latina para salvaguardar la estabilidad de los mercados financieros regionales y mundiales.

Dilma Rousseff expresó en su discurso que Brasil y China son socios estratégicos integrales. Bajo la actual situación de la desaceleración del crecimiento económico mundial, el fortalecimiento de cooperación entre los dos países es sumamente importante. Durante la visita del Primer Ministro Li Keqiang, las dos partes firmaron una serie de acuerdos de cooperación intergubernamentales y comerciales, e hicieron un plan para la cooperación bilateral en los próximos siete años. En particular, la propuesta de China de llevar a cabo la cooperación en el ámbito de la infraestructura y prestar el apoyo de financiación será otro hito en el desarrollo económico de Brasil y la cooperación entre Brasil y China, y ayudará a la conectividad y el desarrollo económico en toda la región latinoamericana. Brasil da la bienvenida a las empresas chinas a participar en la construcción de grandes proyectos de Brasil, como la electricidad y el ferrocarril, y espera ampliar aún más la escala del comercio bilateral, promover la diversificación de la estructura comercial, y ampliar la cooperación financiera, a fin de elevar conjuntamente la cooperación bilateral a una nueva altura, en beneficio de los dos países y pueblos y promover la recuperación y el crecimiento de la economía mundial.

Las personalidades de los círculos industriales y comerciales chinos y brasileños presentes en la Cumbre respondieron con prolongado y cálido aplauso a los discursos de los líderes de los dos países.

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José Carlos de Assis é jornalista e economista, doutor pela Coppe/UFRJ e professor de Economia Internacional da UEPB.

OCDE: desigualdade aumenta em países ricos, mas cai na América Latina

Por Daniela Fernandes | Via BBC

Redução de desigualdade de renda de países da América Latina foi destaque de estudo

A desigualdade de renda continua aumentando nos países ricos, mas caiu na América Latina na última década, afirma um estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), publicado nesta quinta-feira.

“Ao longo das últimas três décadas, a desigualdade de renda aumentou na maioria dos países da OCDE, atingindo em alguns casos altas históricas”, diz o relatório In it together – Why less inequality benefits all (Juntos nisso – Por que menos desigualdade beneficia a todos, em tradução literal).

Hoje, nos países da OCDE, os 10% mais ricos ganham 9,6 vezes mais do que os 10% mais pobres. Nos anos 80, a proporção era de sete vezes mais e, na década de 2000, de 9,1.

A partir de meados dos anos 2000, as desigualdades de renda também aumentaram em grandes economias emergentes, como China, Rússia, Indonésia e África do Sul.

Já a maioria dos países da América Latina, “particularmente o Brasil”, vem reduzindo, desde o final dos anos 90, as diferenças de renda, afirma a organização.

A OCDE, que reúne 34 países, a grande maioria economias industrializadas, ressalta, no entanto, que a queda na desigualdade de renda na América Latina desacelerou a partir de 2010.

“A trajetória da América Latina contrasta com as dos países da OCDE, onde a desigualdade de renda tem aumentado desde o início dos anos 80″, disse à BBC Brasil Horácio Levy, analista de políticas sociais da organização.

“Houve, a partir do início dos anos 2000, uma queda generalizada da desigualdade na América Latina. Essa redução não ocorreu de forma tão acentuada em outras regiões”, diz Levy.

“Dessa vez o bolo cresceu, com o crescimento econômico, e foi melhor dividido. É um fato novo na realidade latino-americana”, afirma o analista.

Gini

O atual coeficiente Gini – indicador que mede a desigualdade de renda e que vai de 0 a 1 (quanto mais alto, maior é a desigualdade) – na média dos países da OCDE é de 0,32. O do Brasil é 0,55. O do México é 0,48 e, o do Chile, 0,51.

Segundo dados da OCDE, o coeficiente Gini médio de 22 países da organização em meados dos anos 80 era de 0,29. Ou seja, houve um aumento de quase 11% no índice, o que implica crescimento da desigualdade.

No Brasil, o coeficiente Gini passou de 0,6 em meados dos anos 90 para 0,55, uma queda de cerca de 8%.

O aumento das desigualdades de renda nos países desenvolvidos já havia sido destacado pelo economista francês Thomas Piketty em seu livro O Capital no Século XXI, que se tornou um best-seller internacional.

A OCDE afirma que a desigualdade de renda nos países ricos não aumentou apenas em períodos de crise, mas também durante “bons momentos econômicos”, com crescimento.

“O aumento da desigualdade está tão profundamente incorporado em nossas estruturas econômicas que será difícil reverter isso”, afirma o estudo, o terceiro sobre o tema realizado pela organização desde 2008.

Mudanças no mercado de trabalho

Um dos principais fatores que explicam o aumento da desigualdade nos países da OCDE são as mudanças ocorridas no mercado de trabalho, decorrentes da globalização, de avanços tecnológicos e de reformas regulatórias.

Pessoas qualificadas em setores com alta demanda, como tecnologia da informação ou finanças, tiveram aumentos substanciais dos ganhos, diz o relatório.

Já os empregos com baixa qualificação, que sofreram a concorrência direta de países emergentes com mão de obra bem mais barata, não tiveram o mesmo ritmo de evolução.

“O perfil da demanda de trabalho mudou muito nos países da OCDE nos últimos 30 anos. As pessoas com maior nível de formação conseguiram se adaptar e manter a qualidade do emprego”, disse Levy à BBC Brasil.

“Os empregos pouco qualificados foram os mais penalizados. A diferença salarial entre trabalhadores mais qualificados e os com menor nível de formação aumentou muito nos países desenvolvidos”, diz o analista.

Além disso, a crise financeira a partir de 2008, seguida pela crise econômica, aumentou o desemprego em vários países. Hoje, nos países da OCDE, um terço dos empregos são temporários ou de meio período.

Na América Latina, o principal fator que explica a redução das desigualdades é justamente a diminuição das diferenças salariais entre trabalhadores com alto e baixo nível de formação, o que ocorreu, afirma o estudo, em razão do maior acesso à educação nesses países.

“Os gastos na área de saúde e educação também aumentaram, o que teve impacto importante na redução das desigualdades na região”, diz o analista da OCDE.

Uma Frente popular pelo Brasil

Por Roberto Amaral | Via ramaral.org

Nossa crise exige das esquerdas brasileiras o patrocínio e a liderança de um imenso movimento de massa com o objetivo de enfrentar a ascensão conservadora.

Como se houvéssemos descoberto a pólvora, políticos, analistas, a academia – e as ruas – descobrem a existência, entre nós, de uma articulação conservadora de nítida atração pelo pensamento e pela ação de direita, em termos até então ignorados, ignorados desde os tristes idos de 1963/64. Como nada no mundo, esse fenômeno não é obra nem de Deus nem do diabo.

O avanço, igualmente orgânico e ideológico, da direita, decorre, fundamentalmente, da crise do pensamento e da ação de esquerda. Fenômeno comum à Europa ocidental, chega até nós com anos de atraso, desmentindo a ilusão de que a América Latina seria eternamente uma ilha (do ponto de vista político) progressista, contrastando com o avanço das forças conservadores no velho mundo. Lá, a crise da política em geral trouxe consigo a crise da socialdemocracia (que transitou para a direita) exatamente e estranhamente no momento em que o fracasso do neoliberalismo impõe a recessão econômica e seu filho dileto, o desemprego.

Já antes, ainda atingidos pelos escombros do Muro de Berlim (pesou a carga simbólica) ruíram os partidos comunistas, a começar pelo grande partido de massas que era o PCI de Gramsci e Togliatti. O fracasso dos comunistas e socialdemocratas abriu espaço para a emergência e avanço de figuras que transitam do burlesco ao trágico, como simbolizam Berlusconi, Sarkozy e Marie Le Pen, ao lado do conservadorismo de Cameron e Angela Merkel, cujas lideranças foram recentemente confirmadas nas urnas. Aqui o quadro é similar, com o Partido Comunista Brasileiro transformando-se em sua contrafação, o PPS, e o PSDB renunciando à socialdemocracia para transformar-se naquilo que o DEM não conseguira: ser o primeiro grande partido da direita brasileira. As eleições de 2014 já se realizaram sob esse signo.

A crise da esquerda brasileira, assim, não é nova, nem nasceu com a crise do PT de hoje, que apenas a agudizou. Após 40 anos de ascensão continuada e conquistas eleitorais (dentre as quais por quatro vezes seguidas conquistando a Presidência da República) o campo da esquerda (onde, evidentemente, nem todo mundo é de esquerda) se vê ameaçado de ceder posições. Depois de 1974, com a vitória eleitoral do MDB que começou a desestabilizar a ditadura, seguiram-se a luta pela Anistia, a campanha pelas Diretas-Já e, culminância, a derrota da ditadura no colégio eleitoral. Nesses momentos, forças progressistas, liderando setores liberais avançados, empurraram a direita para trás. Quando se inicia o quarto período de governo de centro-esquerda, a reversão desse processo é inquietante.

Antes, as esquerdas brasileiras, assim mesmo no plural, esquecidas do dever da reflexão, haviam seguido acriticamente o comando do PT, o partido hegemônico do campo, que, a partir de 2002, optara pelo pragmatismo eleitoral que levaria todos à vitória eleitoral. No governo, porém, essas forças, despreparadas do ponto de vista ideológico, cobrariam a abdicação de certos princípios programáticos, e as forças destinadas historicamente à renovação terminaram por adotar como suas as práticas conservadoras sempre rejeitadas pela esquerda. A crise de valores foi fatal e suas consequências são de domínio público.

A reflexão sem prática é inócua, dizem os ativistas (em férias), esquecidos de que a práxis sem reflexão leva ora à ‘doença infantil do esquerdismo’, ora ao voluntarismo, ora, como agora, à anomia. As esquerdas também erraram quando não se prepararam para exercer um governo de centro-esquerda em país capitalista, de formação autoritária, sabidamente conservador. E, por haver perdido o hábito da reflexão, não compreenderam a realidade na qual foram chamadas a atuar, braços dados com uma base parlamentar conservadora. E, desconhecendo a realidade, ficaram sem condições de estabelecer sua própria estratégia. Condenaram-se, assim, a ser governadas pelo adversário.

Despreparados estrategicamente, PT e seus aliados governaram segundo o modelo tradicional-conservador. Diante da emergência reacionária, os partidos estão hoje atônitos, sem resposta política, sem formulação, sem ação. Não falam e não agem, por não saberem o que dizer e o que fazer, após haverem, coletivamente, renunciado ao enfrentamento ideológico.

Cabe ao PT, após a autocrítica que ainda não fez, não só proceder à (auto)revisão (política, ideológica e orgânica), mas, fundamentalmente e de forma urgente, construir uma estratégia de ação, e construir um programa que fale ao Brasil de hoje. Mas esse ‘programa’ não pode ser um mero discurso: a sociedade aguarda atos e fatos. Trata-se de refundar-se, no que esta expressão encerra de mais radical. No caso das esquerdas, o imperativo é a revisão de nossos paradigmas, rever-se política e ideologicamente, rever-se do ponto de vista orgânico, rever a práxis. Voltar a pensar e formular. Precisamos voltar a falar com o povo, os trabalhadores e os estudantes. Ter discurso e atos audíveis e visíveis não apenas pelos nossos militantes. É preciso romper o casulo para o qual refluímos.

A análise da crise só se consolida se enseja uma alternativa

A forças populares, no Brasil e no mundo, têm a tradição dos movimentos de frente política, com fins eleitorais ou não. Foi uma frente popular, integrada por trabalhadores, estudantes, intelectuais e militares, que fez no Brasil a vitoriosa luta pelo ‘petróleo é nosso’. Foi uma frente democrática, unindo esquerda e liberais, que derrubou o ‘Estado Novo’. Foi a frente política de todos os adversários da ditadura que nos legou a redemocratização.

Nossa crise – da democracia representativa, do presidencialismo como tal e do presidencialismo de coalizão de forma específica, crise da democracia ameaçada, crise da institucionalidade em face das seguidas ameaças ao pronunciamento da soberania popular em 2014 – exige das esquerdas brasileiras o patrocínio e a liderança de um imenso movimento de massa com o objetivo de enfrentar a ascensão conservadora e promover reformas políticas profundas, que nossos governos não tiveram forças para sequer intentar, e por isso mesmo o Estado de hoje é o mesmo de 2002 e a coalizão de forças permanece adversa.

Essa grande mobilização exige a formação de uma Frente, não só de partidos, mas, nucleadas ou não por partidos, seja fundamentalmente um frente popular, nascida das organizações de massa da sociedade civil, e nacional porque uma vez mais se coloca como prioridade a defesa do país. Precisamos de uma frente nacional popular, na qual os partidos do campo da esquerda terão acolhimento, mas lado a lado do movimento social, dos sindicatos e dos trabalhadores e assalariados de um modo geral, do movimento estudantil, de políticos com ou sem vinculação partidária, de intelectuais e pensadores, de liberais e democratas progressistas, de todos aqueles que, enfim, entendam como chegada a hora de lutar: 1) pela democracia no seu significado mais amplo, nele entendida como peça destacada a democracia dos meios de comunicação; 2) pela defesa da soberania nacional como pilar de qualquer programa politico; 3) pelo fim de todas as desigualdades e discriminações; 4) pela defesa e aprofundamento dos direitos dos trabalhadores e assalariados de um modo geral; e, corolário, 4) lutar pela retomada do desenvolvimento com distribuição de renda.

Resta-nos a esperança de que se firmem reações, como o Podemos espanhol e o vitorioso Syriza grego, mas se impõe lutar firmemente para que seus influxos cheguem até nós.

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Roberto Amaral é escritor, cientista politico, ex-ministro de Ciência e Tecnologia.

Familiares dos 43 estudantes desaparecidos buscam solidariedade sul-americana

Via Adital

Três familiares dos 43 estudantes desaparecidos e três assassinados da Escola Normal de Ayoztinapa, no México, e um dos sobreviventes, já estão na Argentina, onde iniciam a Caravana 43 América do Sul. O objetivo é fortalecer a solidariedade internacional, para que o caso seja devidamente investigado pelas autoridades mexicanas e não caia no esquecimento. A Caravana dos 43 já percorreu todo o México, e passou por alguns países da Europa e Estados Unidos.

divulgacao
Caravana devítimas e familiares do massacre de Ayoztinapa tem recepção calorosa no aeroporto de Córdoba.

A caravana sul-americana é composta por uma mãe, Hilda Hernández Rivera, um casal de pais, Hilda Legideño Vargas e Mario César González Contreras, e um dos estudantes da Escola Normal Rural Raúl Isidro Burgos de Ayotzinapae vítima do atentado, Francisco Sánchez Nava. Eles chegaram a Córdoba, na Argentina, no último sábado, 16 de maio, onde participam de reuniões, apresentações, marchas e outras atividades de luta pelo aparecimento e investigação do paradeiro dos 43 desaparecidos. Nesta terça-feira, 19, eles partem para Rosario e Buenos Aires, ainda na Argentina, e depois para Montevidéu (Uruguai); e Porto Alegre [Estado do Rio Grande do Sul], São Paulo e Rio de Janeiro, no Brasil.

A caravana se estende até 13 de junho, por meio da qual tentarão somar apoios e insistir no esclarecimento e no aparecimento das vítimas. “Vamos dar informações e compartilhar a dor que temos na alma por não encontrarmos nossos filhos”, afirmou Mario César González Contreras, pai de um dos estudantes, em entrevista coletiva transmitida via streaming. “Não vamos fazer turismo de luxo. Meus companheiros continuam lutando no México; e nós vamos se preciso ao fim do mundo para encontrarmos nossos pequenos”, assinalou Contreras.

A “Caravana 43 América do Sul” está sendo financiada por aportes solidários de movimentos sociais de vários países de América Latina, que arrecadaram fundos com a realização de festivais.

Entenda o caso

43 estudantes mexicanos ainda têm paradeiro desconhecido desde o dia 26 de setembro de 2014, após uma ação policial na cidade de Iguala, Estado de Guerrero, Sul do México. O fato provocou uma crise institucional sem precedentes no governo do presidente Enrique Peña Nieto, ao atrair os holofotes da mídia internacional e desencadear grandes protestos.

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Três familiares e uma das vítimas do caso dos desaparecidos e assassinados em Iguala passarão pela Argentina, Uruguai e Brasil.

Todos os estudantes eram rapazes, a maioria entre 18 e 21 anos, alunos da escola rural Raúl Isidro Burgos, de Ayotzinapa, cidade a cerca de 125 quilômetros de Iguala. Os jovens estudavam para serem professores na zona rural. Eles haviam viajado a Iguala, em 26 de setembro, com o objetivo de arrecadar fundos para a escola, utilizando ônibus que teriam tomado à força.

De acordo com a Procuradoria do México, policiais de Iguala atiraram contra os estudantes, causaram a morte de seis pessoas e feriram outras 25, supostamente para evitar que os jovens atrapalhassem um ato oficial da Prefeitura da cidade. Os 43 estudantes desaparecidos teriam sido detidos pelos agentes e entregues a membros do cartel de narcotraficantes Guerreros Unidos, que supostamente os assassinaram e incineraram seus restos mortais em um lixão de Cocula.

No entanto, os familiares das vítimas não acreditam nesta versão e exigem que sejam aprofundadas as investigações. Mesmo com a negação do presidente Peña Nieto, haveria indícios de que agentes federais também participaram da repressão violenta contra os estudantes. Os governos federal, estadual e municipal tentam arquivar o caso sem dar explicações.