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Senadores dos EUA apresentam lei para acabar com o embargo a Cuba

Por Silvia Ayuso | Via El País

Banca de tomates em Cienfuegos, Cuba. / DADO GALDIERI (BLOOMBERG)

Projeto de lei é apresentado duas semanas depois de outro grupo apresentar uma iniciativa para colocar fim às restrições a viagens à ilha. Congresso dos EUA dá primeiro passo para fim do embargo a Cuba.

Há um grupo de congressistas em Washington que parece ter pressa para que sejam normalizadas as relações com Cuba travadas durante mais de meio século. Não se passaram sequer dois meses desde que o presidente Barack Obama anunciou o restabelecimento de relações diplomáticas com Havana, em 17 de dezembro, mas começam a se acumular no Congresso iniciativas legais para garantir a política do governante democrata.

No fim de janeiro, foi apresentada formalmente no Senado uma proposta de lei para por fim às restrições a viagens. Essa normativa sequer começou a ser debatida quando outro grupo bipartidarista de senadores —alguns deles os mesmos— deram um passo maior: acabar também por lei com todas as restrições que impedem o comércio com a ilha, ou seja, com o embargo comercial e financeiro vigente desde 1961.

A Lei de liberdade para a exportação para Cuba, como se chama a nova proposta legislativa, foi apresentada nesta quinta-feira pela senadora democrata Amy Klobuchar, de Minnesota.

“É hora de virar a página em nossa política em relação a Cuba”, declarou ao apresentar a proposta, que foi apoiada também pelos senadores democratas Patrick Leahy, Dick Durbin e Debbie Stabenow, assim como pelos republicanos Mike Enzi e Jeff Flake. As assinaturas de Leahy, Durbin, Enzi e Flake também figuram no projeto de lei para liberar as viagens.

A nova proposta anularia as restrições que pesam sobre o comércio com Cuba desde o início dos anos 60 e que, desde 1996, estão fixadas em lei, a Helms-Burton. A iniciativa não interfere, no entanto, na questão das viagens, atendida por outro projeto. Também inclui uma modificação das cláusulas sobre direitos humanos e as reclamações quanto a bens expropriados contidos na legislação de 1996, definiu Klobuchar.

Em meados de janeiro entraram em vigor a ordem executiva de Obama para flexibilizar as viagens e algumas das limitações comerciais contra Cuba, mas, ao se tornar lei, o embargo só pode ser revogado completamente pelo Congresso.

A nova iniciativa conta com o apoio explícito do influente setor agrícola. “Apreciamos a liderança da senadora Klobuchar para dar prosseguimento a essa lei bipartidarista, que incentivará as oportunidades para a agricultura norte-americana”, declarou a Coalizão Agrícola Norte-Americana por Cuba (USACC, em sua sigla em inglês).

A congressista de origem cubana Ileana Ros-Lehtinen, uma das mais críticas quanto à abertura em relação à ilha determinada por Obama, não demorou a replicar a iniciativa. “Em cada uma das Casas, os oponentes ao embargo tentam revogá-lo com muito alvoroço. Mas a lei é clara quanto a já existir um processo para revogar o embargo: eleições livres e justas em Cuba, respeito aos direitos humanos fundamentais, liberação de todos os presos políticos e outros requisitos da Helms-Burton”, relembrou.

A nova iniciativa legislativa, cujo destino nos corredores do Congresso não estão ainda definidos, acontece no momento em que se está à espera do anúncio da data da segunda rodada de conversações entre Cuba e EUA para normalizar relações, que deve acontecer este mês em Washington, segundo se anunciou no fim do primeiro encontro, em Havana, em janeiro.

O ódio que cresceu 550% na América Latina

Por Antonio Lassance | Via Carta Maior

O ódio é proporcional ao feito de redução das desigualdades, mas também aos problemas da relação entre o Estado e o capitalismo nesses países. Do sucesso aos riscos de derrota dos governos de esquerda.

O que há de comum entre Brasil, Argentina, Venezuela, Bolívia e Equador? Entre as inúmeras coincidências, a primeira é que eles são governados por partidos de esquerda.

Segunda coincidência: seus governos têm demonstrado uma inédita longevidade, a maioria com mais de uma década.

Terceira coincidência: seus governos são duramente atacados e constantemente fustigados por oposições agressivas e tentativas golpistas. Em todas essas situações, a mídia tradicional releva-se o principal ou um dos principais partidos golpistas.

Quarta intrigante coincidência: esses países estão entre os que mais reduziram a desigualdade na América Latina, diminuindo a proporção e o contingente de pobres e miseráveis.

Na década de 1990, a América Latina permaneceu estagnada política, econômica e socialmente. Naquela década, os governos neoliberais que sucederam os ditadores, em muitos países do continente, mantiveram a desigualdade de renda nos níveis deixados pela década perdida, os anos 1980, período final das ditaduras, quando a situação social chegou ao fundo do poço.

A partir da década de 2000, uma leva de governos de esquerda chegou ao poder como resultado de um longo processo de acumulação de forças, iniciado primeiro na luta contra as ditaduras e, depois, impulsionado pelo desgaste de governos neoliberais corruptos, incompetentes e de péssimos resultados econômicos (baixo crescimento, desemprego elevado) e sociais (aumento da pobreza).

Os governos de esquerda que sucederam os neoliberais demonstraram fôlego razoável por pelo menos uma década.

Hugo Chávez, que tomou posse em 1999 e governou até 2013, reagiu e sobreviveu a um golpe ainda em 2002, mas atravessou sua primeira crise generalizada em 2009.

O preço do petróleo chegou a menos de US$ 50 e houve problemas sérios no abastecimento de água e de energia elétrica. A popularidade do governo despencou, setores do governo o abandonaram, acusações de corrupção vieram à tona, a oposição fortaleceu-se e radicalizou-se mais amplamente.

No Brasil, uma década separou a posse de Lula, em janeiro de 2003, das manifestações de junho de 2013. O presidente foi ameaçado com a crise política instalada em 2005, a partir das acusações sobre o financiamento de campanha do chamado mensalão. Superou a crise, reelegeu-se e fez sua sucessora, Dilma Rousseff.

Mas a revolta de 2013, embora não dirigida inicialmente de forma direta contra a presidenta e seu partido, acabou sendo paulatinamente reorientada, com um grande esforço da mídia, para que seu governo e seu partido se tornassem o alvo prioritário e passassem a ser ainda mais estigmatizados do que já tinham sido no passado.

Néstor Kirchner (2003-2007) e Cristina Kirchner (2007 até hoje) também viveram temporalidades críticas coincidentes ao período de uma década e um processo de destruição midiática muito parecido.

Veremos como Evo Morales (presidente desde 2006) e Rafael Correa (empossado em 2007) se sairão quando as maldições de uma década de governo começarem de fato a bater às portas de seus governos.

Projetos cristalizados são ameaçados

A longevidade de uma década, pelo menos, levou a que esses projetos de esquerda se cristalizassem como uma referência política própria, muito associada ao modelo de governança de seus presidentes e às políticas públicas empreendidas.

Com isso, passou-se a falar em chavismo, lulismo e kirchenismo. Idem para Evo Morales e Rafael Correa, cujas presidências passaram a ser vistas, e de fato são, como o início de um novo projeto político e de gestão de políticas públicas.

O que parece comum a todos esses governos e que merece uma reflexão aprofundada é em que medida eles apresentam, além de um novo padrão, cada qual a seu modo, um comportamento cíclico comum – ascensão, sobrevida, crise e ameaças constantes de derrota ou mesmo queda.

Em torno desses ciclos comuns, pode haver elementos explicativos importantes de serem apreendidos pela esquerda latinoamericana. Algo que pode ser relevante a seu aprendizado comum, um elemento decisivo à sua sobrevivência política e um passo crucial para a sua reinvenção.

De comum, esses foram governos de inversão de prioridades, com a elevação dos gastos em políticas públicas diretamente incidentes no combate à pobreza e redução da miséria.

A rápida melhoria nos indicadores de desigualdade mostrou como é relativamente barato para o Estado reduzir desigualdades sem mexer no padrão econômico dominante dessas sociedades. No entanto, mais cedo ou mais tarde, não mexer no padrão econômico dominante dessas sociedades se torna um grande problema.

De 2003 até a crise de 2008, a América Latina teve um bom período de crescimento econômico. Mais exuberante, porém, foi a tendência de diminuição da concentração de renda e, consequentemente, redução da desigualdade nos países governados pela esquerda.

Segundo a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), o índice de Gini na região caiu cerca de 5% em relação ao patamar de 2002. Argentina, Bolívia e Venezuela lideraram uma redução de 10% na desigualdade. Brasil e Equador chegaram a reduzir o Gini em cerca de 7%.

Depois dessa importante redução na desigualdade, ocorre agora um estancamento. Manter as políticas sociais já não garante avanços tão rápidos e significativos quanto no passado.

Para seguirem adiante, esses governos deveriam gastar mais e melhor com políticas sociais, reduzindo a prioridade dada aos setores mais ricos – que ocorre seja pelo pagamento de juros, seja pelas desonerações de impostos, seja pela estrutura tributária regressiva, seja pelas práticas de privilégio econômico, algumas delas eivadas de corrupção.

Os gastos sociais puderam até manter uma trajetória crescente, sem incomodar os ricos, quando os governos de esquerda puderam sustentar taxas de crescimento elevadas e inflação baixa, lembrando que a inflação é um dos grandes impostos que pesam contra os mais pobres.

Porém, qualquer desarranjo nesses fatores afeta a equação montada e leva os presidentes ao risco de desgaste, ameaçando inclusive a continuidade de seus mandatos.

Por isso, os que enfrentam crises mais agudas são ainda mais estigmatizados. Dilma, mais do que Lula; Cristina Kirchner, mais do que seu marido, Néstor; Nicolás Maduro, mais do que Chávez.

Ódio dos ricos e de parte da classe média cresceu: por quê?

Governos de esquerda, ao reduzir a desigualdade, mexem com interesses dos ricos e da classe média. Mesmo que não os ameacem, os incomodam.

No Brasil, em uma década (2001-2011, sobretudo a partir de 2003), enquanto a renda per capita dos 10% mais ricos subiu 16,6%, a renda dos mais pobres elevou-se em 91,2% – conforme dados da PNAD analisados pelo IPEA http://goo.gl/WXYSkr .

Os ricos ganham, mas enervam-se com o fato de que os pobres passem a ter ganhos de renda superiores aos seus devido ao fato de que, com a renda mais alta e desemprego em baixa, o custo da mão de obra se eleva.

Se a renda dessa faixa de pessoas mais pobres cresceu 550% mais rápido que a dos 10% mais ricos, o ódio dos mais ricos contra os governos que fizeram isso acontecer também cresceu nessa mesma proporção. Há 550% mais ódio contra os partidos de esquerda e seus governantes.

O ódio cresceu na medida em que esses projetos se cristalizaram, fomentados politicamente por um conjunto de políticas que conquistou a adesão justamente dos setores mais pobres.

A classe média tornou-se o maior contingente de inconformados. Como os governos de esquerda não mexem ou mexem muito pouco com os ricos, é principalmente sobre a classe média que recaem os custos maiores das políticas de benefícios sociais aos mais pobres.

A classe média foi penalizada com impostos mais altos que bancam uma grande proporção dos gastos dos governos. Embora os gastos maiores do Estado seja com os mais ricos, são os programas sociais para as camadas de mais baixa renda que mais irritam a classe média.

Essa classe média se sente passada para trás quando recorda que tinha custos bem mais baixos, por exemplo, com a mão de obra de serviços domésticos, e uma situação de servilhismo dos pobres em relação a ela. Mesmo que não fosse rica, a classe média vivia em uma condição social distinta em que parecia fazer parte do mundo dos ricos, mesmo que em menor escala.

O castelo de ilusões da classe média tradicional ruiu. Está ocupado por uma legião de pessoas que passam a ter bens de consumo e a frequentar espaços públicos em condições similares – ou quase.

O mercado de trabalho está habitado cada vez mais por pessoas que ameaçam a classe média tradicional por estarem brigando, quase que em pé de igualdade, pelo mesmo ambiente rarefeito.

A revolta da classe média é que isso tornou-se possível com o patrocínio de seu dinheiro, usado pelos governos de esquerda em benefício dos mais pobres. Por isso, a radicalização direitista de uma parte dessa classe se volta contra esses governos, e não contra partidos de direita.

Para esse setor da classe média, a ameaça que sofre não vem dos ricos, e sim dos pobres. Eles lhes causam asco, indignação e um sentimento de ódio pela perda da noção de superioridade, na medida em que os pobres que ascenderam já nem acreditam mais nisso.

Essa parcela da classe média, ainda minoritária, mas crescente, aprecia o elitismo radical embalado pelo liberalismo autoritário.

A corrupção “de esquerda”: uma aliança política que precisa ser rompida

A corrupção não é apenas comportamento individual. É e sempre foi parte do processo de competição econômica e política em um sistema capitalista.

Desde os barões ladrões da “era dourada” (“Gilded Age”), nos Estados Unidos, século XIX, ao Brasil das privatizações e das empreiteiras, a corrupção é parte do jogo de cartelização capitalista.

Os interesses do capital necessitam de recursos públicos e, ainda mais importante, precisam interferir na regulação estatal, mudando ou mantendo as regras do jogo em seu benefício.

A maneira como isso afeta governos de esquerda precisa ser analisada do ponto de vista político.

Alguns processos corruptivos, seja na América Latina, seja os que estiveram associados ao domínio do Congresso Nacional Africano (o CNA de Nelson Mandela, na África do Sul) têm em comum o fato de representarem uma tática que alguns governos de esquerda usaram para romper o cerco em relação a setores mais ricos – associando-se a alguns deles mais intimamente.

Ao manter relações privilegiadas com esses setores, buscaram não só torná-los sócios majoritários de um projeto político, mas também, no longo prazo, fortalecê-los no interior da classe capitalista.

A ação é, portanto, ao mesmo tempo pragmática e programática. Os setores escolhidos são, em geral, centrais para os eixos tradicionais de desenvolvimento do país. São também grupos econômicos que eram sócios igualmente tradicionais de partidos de direita.

Mas a aproximação de governos de esquerda e tais grupos tende a reforçar a configuração cartelizada ou mesmo monopolista em muitos desses setores.

Como mexer com esse jogo de interesses envolve entrar por meandros nem sempre abertos e institucionalizados, envereda-se por meio de práticas à margem ou contra a lei. Em uma palavra: quem se aventura por esse caminho cai na corrupção.

Além de patrocinar o superenriquecimento de alguns setores, os partidos, sejam de esquerda ou direita, buscam reforçar-se política e financeiramente na disputa de poder.

O jogo é o mesmo, seja ele feito pela direita ou pela esquerda. A diferença é que os cartéis midiáticos e os órgãos judiciais dão tratamento diferenciado aos casos que envolvem governos de esquerda.

O desvendamento dos casos de corrupção em governos de esquerda unificam, sob uma mesma bandeira, os que querem derrotar esses governos e punir exemplarmente todos os que traíram sua classe, pois aliaram-se àqueles que deveriam ser combatidos sem trégua.

A corrupção fornece o elã para que ricos e parte da classe média tradicional disputem os votos dos pobres com um ódio feito sob medida para estigmatizar, cirurgicamente, apenas os governos de esquerda e seus aliados de ocasião, e não as práticas corruptivas em si.

As denúncias de corrupção feitas pela grande mídia, ela própria um setor capitalista cartelizado e com interesses claros nas disputas políticas e econômicas em curso, vêm claramente desacompanhadas de uma denúncia sobre a permanência da corrupção ao longo do tempo.

Jamais se demonstra a conclusão óbvia de que a corrupção é parceira, de longa data, das práticas capitalistas mais usuais, em sua relação com a política e com o Estado. Salvo em países onde a democracia é forte o bastante para torná-la impossível de não estar exposta.

Os pobres reagem ceticamente em relação a esses apelos com a percepção de que, na verdade, são todos iguais, e a diferença está apenas nos resultados que cada governo oferece. A natureza corrupta do jogo de interesses no poder os iguala. As políticas e seus resultados é que os diferenciam.

Aliás, os mais pobres são os únicos que costumam ter uma posição mais realista e menos hipócrita, embora conformista, sobre o jogo sujo da corrupção entre políticos e grandes capitalistas.

O fato é que os governos de esquerda, quando repetem tais práticas, desmoralizam-se politicamente. Não apenas pelos escândalos, mas quando demonstram que vieram para mudar algumas coisas, mas se mostram incapazes de alterar o essencial nas relações entre Estado e capitalismo.

Continuam com algum crédito e fôlego para se livrar de tentativas golpistas apenas enquanto suas políticas demonstram capacidade de entregar resultados palpáveis, efetivos.

Por sua vez, em momentos de estagnação, elevam-se as chances de adesão aos apelos do golpismo e aumentam as pressões para que os judiciários e legislativos promovam golpes de espada e cortem cabeças.

Conclusão: um modelo que precisa ser mudado

Os governos de esquerda produziram inúmeros e importantes avanços, mas encontram-se fortemente ameaçados.

Depois de uma década, as acusações de que “o modelo esgotou-se” tornam-se comuns.

A pobreza diminuiu significativamente, em grande medida, graças aos programas de transferência de renda, que hoje cobrem 17% da população da América Latina e Caribe (dados da Cepal).

Ao mesmo tempo, os percentuais e os contingentes de pobres ainda são absurdamente altos – quase 170 milhões de pessoas pobres e mais de 70 milhões na pobreza extrema.

Fonte: CEPAL. A Hora da igualdade: brechas por fechar, caminhos.

Os governos de esquerda precisam fazer os países voltarem a crescer, mas se limitarem a isso seu horizonte estarão afundados na mediocridade e indiferenciados dos partidos de direita.

Deveriam concentrar suas escolhas de crescimento não em setores tradicionais e em poucos grupos econômicos privilegiados, mas em novos setores econômicos dinâmicos, inovadores, e em arranjos produtivos que fortaleçam a economia familiar, as pequenas e médias empresas.

Dariam uma boa sinalização de mudança a uma parcela da classe média que normalmente detesta a esquerda – e com grande parcela de razão, quando são esquecidos por ela.

Os governos de esquerda deveriam dedicar parte importante de seu trabalho de regulação a descartelizar setores que aboliram a competição, deixaram pequenas e médias empresas à míngua e se tornaram grandes demais para falir.

Isso vale para os grupos de mídia, mas também deveria valer para empreiteiras, para os fornecedores do serviço público, os grupos de telefonia, os planos de saúde e tantos outros.

Novos e significativos avanços demandariam uma expansão das políticas de bem-estar social e investimentos muito maiores em educação, saúde, previdência e assistência do que são possíveis diante do atual modelo da maioria desses países, baseado em gastos altíssimos com o sistema financeiro, uma intocável concentração das atividades econômicas e em profunda injustiça tributária.

A necessária e utópica mudança de modelo passaria por romper os laços promíscuos com setores econômicos dominantes, raiz das práticas de corrupção que põem em xeque todo o patrimônio de lutas sociais que deram origem a muitos dos partidos, dos movimentos e das pessoas que hoje governam esses países.

Com a ascensão de setores pobres ao patamar de classe média, uma nova geração de eleitores desgarrou-se da esquerda e já vota contra ela, contrariando justamente quem foi responsável por sua ascensão.

Mobilidade social resulta também em mobilidade política, o que impactará decisivamente a eleição dos futuros presidentes. Os mais pobres ainda são muitos, mas cada vez dividem seu peso em eleições com setores de uma classe média não tradicional.

A esquerda só terá alguma chance eleitoral se reforçar o sentido social de seu projeto. Para tanto, precisa cumprir o papel de formar uma aliança dos setores mais pobres com a classe média em um modelo em que ambos avaliem que ainda vale a pena estarem juntos e governados por partidos progressistas.

Do contrário, a América Latina poderá, dentro em breve, ser novamente governada por partidos elitistas, excludentes, corruptos e que só serão novamente derrotados depois de imporem ao continente toda uma nova década de atraso, com a economia ainda mais concentrada e a pobreza retrocedendo a patamares alarmantes.

Nessa hora, porém, as alternativas podem já não ser mais tão promissoras se a esquerda, linchada, estiver com todas as suas cabeças cortadas e penduradas em praça pública.

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Antonio Lassance é cientista político.

Venezuela pede ajuda à Unasul para dialogar com os EUA

Via Agência Brasil

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, pediu hoje (4) à União de Nações Sul-Americanas (Unasul) que promova um diálogo diplomático com os Estados Unidos, dois dias depois de Washington anunciar sanções contra funcionários públicos venezuelanos e seus parentes.

“Falei com o secretário-geral da Unasul, Ernesto Samper. Solicitei-lhe oficialmente que assuma uma iniciativa diplomática para evitar que os Estados Unidos continuem rumo a um beco sem saída, para procurar um mecanismo de diálogo com o governo norte-americano e construir uma diplomacia de paz, de diálogo, de entendimento”, disse.

O pedido foi anunciado durante o programa Em Contato com Maduro, transmitido pela televisão estatal venezuelana.

Nicolás Maduro destacou que a iniciativa tem como propósito “deter a agressão contra a Venezuela” e disse que manterá contato com a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos para unir os dois organismos na defesa da paz, do direito da Venezuela “à independência, à soberania, para deter os planos golpistas”.

Informou que entregará provas de conspirações, envolvendo banqueiros fugitivos da Justiça venezuelana, radicados em Miami, nos Estados Unidos, para combater o seu governo e dividir as Forças Armadas venezuelanas.

Por outro lado, o presidente acusou as agências internacionais de notícias de ocultar as tentativas de diálogo entre Caracas e o governo do presidente Barack Obama e “a sua intenção de, no melhor espírito da democracia chavista de paz, por meio do diálogo e da conversação, evitar danos maiores à pátria”.

Os Estados Unidos anunciaram, segunda-feira (2), novas sanções (suspensão de vistos) contra antigos e atuais funcionários do governo venezuelano,considerados “responsáveis ou cúmplices” por violações dos direitos humanos.

“Enviamos uma mensagem muito clara de que os violadores de direitos humanos, os que se beneficiam da corrupção e suas famílias não são bem-vindos aos Estados Unidos”, anunciou a porta-voz do Departamento de Estado, Jen Psaki.

Segundo ela, “ao ignorar os repetidos apelos a uma mudança, o governo venezuelano tem continuado a demonstrar falta de respeito pelos direitos humanos e pelas liberdades fundamentais”.

Washington acusa Caracas de tentar “sufocar a dissidência”, reprimindo manifestantes que protestam pela deterioração da situação política, econômica e de segurança no país.

Em julho, o governo dos EUA já tinha imposto restrições na concessão de vistos a 24 dirigentes venezuelanos, que estariam envolvidos em violações de direitos humanos e na repressão de protestos de grupos opositores a Maduro.

Dilma defende que Celac inclua comércio em sua pauta

Por João Fellet | Via BBC

Bloco dá ênfase a questões políticas mas Brasil quer levar discussão econômica a cúpula

A presidente Dilma Rousseff propôs nesta quarta-feira em San Jose, capital da Costa Rica, que a Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac) amplie suas atribuições e busque incrementar o comércio entre seus países membros para defender a região de turbulências econômicas externas.

Em discurso diante dos outros chefes de Estado do bloco, Dilma defendeu criar um fórum de empresários da Celac, com a presença de governos e empresas da região.

“Seu objetivo será desenvolver o comércio, aproveitando as oportunidades diversificadas que nossas economias oferecem, e estimular a integração produtiva no espaço Celac, promovendo nossas relações com o mundo”, afirmou.

Dilma disse que a proposta busca enfrentar “uma conjuntura econômica mundial complexa”, que atribuiu à “lenta recuperação da economia americana” e à estagnação na Europa e no Japão, além da desaceleração do crescimento na China.

“Diante desse quadro, torna-se urgente nossa cooperação, priorizando o comércio intrarregional e ao mesmo tempo estimulando o desenvolvimento e a integração de nossas cadeias produtivas.”

A presidente afirmou ainda que “os países da Celac devem unir-se para enfrentar os problemas da economia mundial e retomar o crescimento robusto”.

Desde sua fundação, há três anos, a Celac é um fórum voltado principalmente a temas políticos e, diferentemente de outros blocos regionais, como o Mercosul e a Aliança do Pacífico, dá pouca ênfase a questões econômicas e comerciais.

O bloco já vem, no entanto, expandindo sua atuação para outros temas e regiões. No início do mês, os chanceleres de seus países membros participaram pela primeira vez do fórum Celac-China, em Pequim.

A parceria busca atrair mais investimentos chineses para a região e definir diretrizes para as relações da China com os países da Celac.

Ao negociar com latino-americanos e caribenhos, a China traz como bagagem sua grande expansão recente na África, onde na última década difundiu com sucesso um modelo pelo qual financia e executa obras de infraestrutura em troca de matérias-primas.

A Celac em breve também fará sua primeira reunião com a União Europeia, em junho. Segundo Dilma, no encontro serão debatidas “oportunidades de investimento e de comércio”.

A proposta de Dilma sobre o fórum de empresários da Celac se alinha com sua defesa por uma “diplomacia de resultados”, que priorize ganhos econômicos. A visão norteia outras iniciativas externas de seu governo, entre as quais os planos anunciados de usar a Agência Brasileira de Cooperação para estimular a exportação de produtos brasileiros.

Transcendência histórica

Dilma afirmou que embargo dos Estados Unidos a Cuba deve “ser superado” após anúncio de reaproximação dos países

Em seu discurso, Dilma também tratou do anúncio da normalização das relações diplomáticas entre Cuba e Estados Unidos, ocorrido em dezembro e que ela chamou de “um fato de transcendência histórica”.

Segundo ela, com o anúncio, “começa a se retirar de cena o último resquício de Guerra Fria em nossa região”.

“Os dois chefes de Estado (Barack Obama e Raúl Castro) merecem nosso reconhecimento pela decisão que tomaram – benéfica para cubanos e norte-americanos, mas, sobretudo, para todo o continente.”

A presidente ponderou, no entanto, que o embargo econômico, financeiro e comercial dos Estados Unidos a Cuba continua em vigor.

“Essa medida coercitiva, sem amparo no direito internacional, que afeta o bem-estar do povo cubano e prejudica o desenvolvimento do país, deve também ser superada.”

Dilma afirmou que o financiamento do Brasil à reforma do porto de Mariel, em Cuba, simboliza o compromisso do país com “uma integração abrangente” no hemisfério.

A obra, financiada pelo Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), foi executada pela empreiteira brasileira Odebrecht.

Dilma permanece em San José até esta quinta-feira, quando participará de uma reunião fechada com os demais membros da Celac.

Há a previsão de que ela aproveite o evento para se encontrar em privado com os presidentes do Panamá, Juan Carlos Vilela, e da Colômbia, Juan Manuel Santos.

Celac: Cuba pede fim do bloqueio americano

Via AFP

O presidente cubano, Raúl Castro, participa da cúpula da Celac, em Belén, costa Rica, em 28 de janeiro de 2015. AFP / ROBERTO SANCHEZ

O presidente cubano, Raúl Castro, exigiu nesta quarta-feira que os Estados Unidos suspendam o bloqueio contra Cuba para normalizar as relações, no primeiro encontro com seus colegas da Celac após histórico anúncio da reaproximação entre os dois países.

“O restabelecimento das relações diplomáticas é o início de um processo de normalização das relações bilaterais mas esta não será possível enquanto existir o bloqueio”, disse Castro, em seu discurso na 3ª Cúpula da Comunidade de Estados da América Latina e do Caribe (Celac), em Belén, 15 km a oeste da capital San José.

Embora a pobreza seja tema oficial da cúpula, Cuba centraliza a atenção internacional. Raúl Castro tem seu primeiro encontro com seus colegas latino-americanos desde o histórico anuncio de 17 de dezembro sobre a reconciliação entre Cuba e Estados Unidos, depois de meio século de hostilidades.

Castro recebeu a atenção internacional com suas primeiras declarações após a reunião em Havana altos funcionários cubanos e americano para o restabelecimento das relações bilaterais.

O cubano classificou o embargo como “o problema principal” que “não teve resultados” e que “deve acabar”, lembrando outras demandas da ilha, como a retirada da lista norte-americana de patrocinadores do terrorismo, a devolução do território de Guantánamo e mudanças nas normas migratórias dos EUA.

Castro reconheceu o pedido, feito na semana passada pelo presidente Barack Obama, para que o Congresso suspenda o embargo vigente desde 1962, e pediu que ele use suas “amplas capacidades executivas para modificar substancialmente a aplicação do bloqueio”.

Washington anunciou recentemente mudanças para flexibilizar as restrições a viagens de americanos a Cuba e o intercâmbio comercial, mas a maior parte das sanções só podem ser suspenSas pelo Congresso.

Foco sobre Obama e Castro

Uma das 25 declarações especiais que sairão da Costa Rica condenará o embargo mantido Estados Unidos contra Cuba desde 1962, como tem feito a Celac desde que foi criada.

“Basta do bloqueio criminoso a Cuba, que atenta contra toda a carta da OEA, atenta contra a carta fundamental das Nações Unidas, atenta contra o direito internacional e contra todos os princípios que seus discursos dizem defender”, disse em discurso o presidente do Equador, Rafal Correa, que receberá na quinta-feira a presidência do bloco.

Ao chegar ao aeroporto, o presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, afirmou que o bloqueio “terá que desaparecer”.

Em seu discurso, Raúl Castro agradeceu o apoio da Celac contra o bloqueio e reiterou seu desejo de assistir a Cúpula das Américas, nos dias 10 e 11 de abril.

Mais perto da China

Os mandatários debaterão o combate à pobreza, em um momento em que o fraco crescimento econômico na América Latina, que a Cepal projetou em 2,2% neste ano, ameaça os avanços da última década. Dos 600 milhões de latino-americanos cerca de 48% era pobre em 2002 e nos últimos dois anos se estagnou em 28%.

Para os governos da Costa Rica e do Equador, o caminho era se aproximar de países como a China, que registra taxas elevadas de crescimento econômico e disputa com os Estados Unidos sua influência na América Latina.

“Estou convencido de que a Celac deve continuar consolidando sua relação com outros blocos e países estratégicos”, acrescentou Solís em seu discurso.

Sob a presidência da Costa Rica -único país centro-americano que tem relações com a China-, a Celac se aproximou da União Europeia, mas sobretudo da China, que prometeu investir 250 bilhões de dólares nos próximos 10 anos na América Latina e no Caribe.

O apoio chinês foi principalmente em empréstimos em condições favoráveis e um dos grandes beneficiados é a Venezuela, angustiada com a queda dos preços do petróleo, com a escassez e com uma inflação de 64%.

Dos 33 governantes do bloco só estarão ausentes os da Argentina, do México, do Paraguai e do Peru.

Relações Cuba e EUA: discurso do método

Por Frei Betto | Via Correio da Cidadania

Mais de 1.000 jornalistas estrangeiros se encontram em Havana. A maioria vinda dos EUA. Cobrem o início do diálogo entre delegações cubana e estadunidense para o restabelecimento de relações, após 53 anos de bloqueio decretado pela Casa Branca.

Obama admitiu, em dezembro de 2014, e repetiu agora no discurso sobre o Estado da União, que o embargo “não funcionou”. Graças à mediação do papa Francisco, se iniciaram neste 22 de janeiro as conversações oficiais entre ambos os países.

Falei com vários cubanos. O sentimento predominante aqui, como me disse em “off” um ex-ministro, é que tão cedo “não serão normais as relações normais entre os dois países”. Os dois falam linguagens distintas: os EUA em FM; Cuba em AM.

Desde que os EUA ajudaram Cuba a se independentizar da Espanha, no fim do século 19, a Casa Branca julga que a Ilha é como uma filha resgatada pela mãe. Um dos preços da independência foi a perda de soberania de Cuba sobre a base naval de Guantánamo, tema espinhoso que ainda não entrou na pauta das conversações.

O governo cubano considera hipocrisia restabelecer relações apenas formais, sem o cancelamento da “lei de ajuste cubano”, que prevê cidadania estadunidense a todo cubano refugiado que pisar em solo dos EUA.

Cuba sabe – e teme – que flexibilizar a lei de migração trará anualmente, no mínimo, 3 milhões de turistas dos EUA e milhões de dólares a uma economia debilitada. E, na bagagem, uma cultura consumista que se chocará com a austeridade em que vive o povo de Cuba.

Mesmo empresários conservadores do país do Norte pressionam o Congresso para que suspenda o bloqueio o quanto antes, enquanto países como o Brasil e tantos outros já se adiantaram com parceiros do potencial de comércio representado pela geopolítica de Cuba, situada no centro do Caribe.

Obama deixou claro em seu último discurso: não está em jogo modificar os objetivos que regem a política externa americana, que considera seu modelo de democracia ideal para o mundo. Ele admite, cartesianamente, uma “mudança de método”. Mas Cuba insiste em saber com que objetivos.

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Frei Betto é escritor, autor de “O que a vida me ensinou” (Saraiva), entre outros livros.

Website: http://www.freibetto.org/

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Cúpula da Celac discute redução de pobreza, índice estagnado na região há dois anos

Por Vanessa Martina Silva | Via Opera Mundi

Reunido na Costa Rica, bloco cogita aproximação com China, que possui elevadas taxas de crescimento, para conseguir manter investimentos sociais em meio à crise econômica.

Presidente dos 33 países que integram a Celac (Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos) se reunirão de quarta (28/01) a quinta-feira (29/01) na Costa Rica na 3ª reunião de cúpula do bloco para debater, entre outros temas, a redução da pobreza. Considerado um dos maiores trunfos dos governos da região nas últimas décadas, o combate à miséria está estagnado desde 2012, de acordo com informe recente divulgado pela Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe).

Coordenadores nacionais dos 33 países estão reunidos desde domingo (25/01) na Costa Rica. Agência Efe

De acordo com o estudo da Cepal (Comissão Econômica para América Latina e o Caribe) divulgado nesta segunda-feira (26/01) com dados de 2014, 28% da população da América Latina está em situação de pobreza, ou 167 milhões de pessoas. Em 2002, 48,4% dos latino-americanos eram pobres, mas após expressiva redução, o índice não sofre alteração desde 2012. A entidade, assim como a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura), foi convidada a participar da reunião da Celac.

Esse será o principal assunto debatido na Costa Rica, justamente em um momento em que os países da região enfrentam redução nos níveis de crescimento de sua economia. De acordo com o Banco Mundial, houve uma desaceleração de 0,8% na economia dos países, que afetou principalmente os sul-americanos, como é o caso de Venezuela, Argentina e Brasil.

Dessa forma, os presidentes trocarão informações e experiências entre os integrantes do bloco e debaterão alianças possíveis com países fora da região para auxiliar a meta de erradicar a pobreza.

Analistas declaram que redução do crescimento da região pode afetar políticas de redução da pobreza. Agência Efe

O chanceler equatoriano, Ricardo Patiño, disse que a Celac irá propor como meta transformar a região em zona livre de pobreza extrema. Segundo Patiño, para atingir tal objetivo é necessário aproximar-se da China, que segue com elevadas taxas de crescimento econômico e tem sinalizado uma aproximação da América Latina, como ficou evidente com a realização do fórum China-Celac, realizado no começo do ano, quando o presidente chinês, Xi Jinping, anunciou que vai investir na região US$ 250 bilhões em dez anos.

Brasil na Celac

Com participação confirmada pelo Itamaraty, a presidente brasileira, Dilma Rousseff, vai debater alguns resultados alcançados com os principais programas sociais desenvolvidos ao longo do seu primeiro governo e que permitiram ao país retirar milhões de pessoas da pobreza, e o país do Mapa da Fome Mundial, além de elevar o poder aquisitivo da população.

De acordo com o subsecretário-geral da América do Sul, Central e Caribe do Itamaraty, embaixador Antônio Simões, “além dos avanços em políticas sociais, a delegação brasileira aproveitará a oportunidade para discutir com os outros países a possibilidade de intensificar a cooperação nas áreas de agricultura familiar, direito dos afrodescendentes, desenvolvimento sustentável e energético”.

Declarações de Simões sobre a Celac:

Bloqueio a Cuba e terrorismo

Outro tema que deverá ser debatido na cúpula é a aprovação de uma resolução sobre a necessidade de acabar com o bloqueio econômico e financeiro imposto pelos Estados Unidos a Cuba.

O tema, será debatido com a presença do presidente cubano, Raúl Castro, que já chegou na Costa Rica e se reunirá pela primeira vez com seus homólogos desde que anunciou a retomada das relações diplomáticas com os Estados Unidos, fato também saudado pelo texto aprovado previamente.

O documento, que será submetido aos mandatários, também pede que o presidente dos EUA, Barack Obama, tome todas as medidas que estão ao seu alcance para modificar substancialmente a aplicação do bloqueio contra Cuba.

Em outro projeto de declaração, os chanceleres também se pronunciaram energicamente sobre a necessidade de excluir Cuba da lista dos países que promovem terrorismo, mantida pelo Departamento de Estado dos EUA.